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	<title>História(s) do Sport</title>
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	<description>O blog do Laboratório Sport</description>
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		<title>História(s) do Sport</title>
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		<item>
		<title>A inserção da mulher no universo cultural do esporte</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jan 2012 15:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Melo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Grupos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[História do Corpo]]></category>
		<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Século XX]]></category>

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		<description><![CDATA[por Silvana Goellner A história das mulheres no universo cultural do esporte brasileiro é marcada por rupturas, persistências, transgressões, avanços e recuos. Desde meados do século XIX, elas se fazem presentes nas arenas esportivas como espectadoras e praticantes. No entanto, é a partir  das primeiras décadas do século XX que essa participação se  ampliou e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=2370&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">por Silvana Goellner</p>
<p style="text-align:justify;">A história das mulheres no universo cultural do esporte brasileiro é marcada por rupturas, persistências, transgressões, avanços e recuos. Desde meados do século XIX, elas se fazem presentes nas arenas esportivas como espectadoras e praticantes. No entanto, é a partir  das primeiras décadas do século XX que essa participação se  ampliou e consolidou.   </p>
<p style="text-align:justify;">Com a independência do Brasil,  a chegada de imigrantes europeus e a propagação dos ideais  higienistas,  esse contexto gradativamente  começou a se alterar, em especial para as mulheres da elite, visto que  tinham maior acesso aos bens culturais, à escolarização  e às novidades advindas do  continente europeu, dentre as quais,  a  prática da ginástica e de algumas modalidades esportivas tais como o  turfe, o remo, a  natação, a esgrima, o  tênis, o arco e flecha e o  ciclismo.</p>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<div id="attachment_2371" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/silvana-1.jpg"><img class="size-full wp-image-2371" title="silvana.1" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/silvana-1.jpg?w=450&#038;h=588" alt="" width="450" height="588" /></a><p class="wp-caption-text">Ciclista, Porto Alegre, 1896. Fonte: Centro de Memória do Esporte - UFRGS</p></div>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<p style="text-align:justify;">Por certo que a presença de mulheres exercitando-se fisicamente  se traduzia como uma novidade nesse tempo,  pois sob a égide do romantismo na literatura, as imagens associadas às mulheres brasileiras eram imagens românticas. Mulheres lânguidas e gráceis, portadoras de gestualidades comedidas e delicadas, cuja educação estava voltada, prioritariamente,  para  o casamento e a maternidade. Essa imagem, mesmo que fosse bastante divulgada na literatura e em outros espaços sociais,  não perdurou por muito tempo. Os médicos, em especial, os higienistas, iniciaram a proclamar os benefícios que o exercício físico trazia para as mulheres proporcionando-lhes melhores condições orgânicas não só para  enfrentar a  maternidade mas, inclusive, para embelezá-las. A prática esportiva passou a ser identificada, também, como um espaço de exercício de sociabilidade,  cuja adesão colocava em evidência  atitudes e hábitos pertinentes a  um modo moderno e  civilizado de ser.</p>
<p style="text-align:justify;">É necessário lembrar, ainda, que nos primeiros anos do século XX a população brasileira era composta, majoritariamente,  por  negros escravos ou descendentes. Essa composição étnica se tornou alvo de diferentes intervenções em nível nacional cujos objetivos estavam direcionados para o refinamento  da raça visto que os negros eram considerados como seres inferiores.  Baseados na teorização darwinista de que a atividade física atuava no robustecimento orgânico e, portanto, no aprimoramento da espécie, buscava-se  uma educação corporal   e esportiva que, pautada por um estatuto científico e ao mesmo tempo moral, estivesse articulada à medicina e às normas jurídicas fortalecendo a raça branca – ideal imaginário de um povo ameaçado pela mestiçagem.</p>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<div id="attachment_2372" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/silvana-2.jpg"><img class="size-full wp-image-2372" title="silvana.2" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/silvana-2.jpg?w=450&#038;h=278" alt="" width="450" height="278" /></a><p class="wp-caption-text">Partida de Tênis – Clube Atlético Paulistano, 1918. Fonte: Museu da Imagem e do Som.</p></div>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<p style="text-align:justify;">Médicos,  intelectuais, militares, dirigentes políticos, professores, instrutores de atividades físicas se integraram a esse projeto e, através da especificidade de sua intervenção no plano social e educacional, não pouparam esforços para consolidá-lo. Das várias ações desenvolvidas em prol deste fortalecimento,  destaca-se uma delas: o fortalecimento do corpo feminino, pois acreditava-se que  a regeneração físico-moral de uma população só se completaria se o aprimoramento físico também se estendesse à mulher, identificada então como  “a célula-mater da nação”.</p>
<p style="text-align:justify;">Esse argumento figura no  primeiro livro escrito por um autor brasileiro sobre  educação física e  esporte para mulheres,  publicado no ano de 1930, no qual se lê:  </p>
<address> Nunca será demasiado encarar a importância do esporte  para a mulher. Quanto mais nos aprofundarmos nos estudos tendentes a efetivar a eugenia da raça, nas pesquisas destinadas a solucionar os problemas relativos à saúde humana, a dar ao homem e à mulher o máximo de sua eficiência física para a vida, mais nos compenetramos da importância capital da Educação Física feminina. É mister que nos convençamos da verdade irrefutável desse dogma &#8211; <em>a mulher precisa de esporte</em>! Precisamos identificar a mulher com a prática racional dos exercícios físicos, educá-la para uma compreensão elevada dessa forma salutar de atividade que, tanto contribui para a conservação de sua saúde e de sua beleza, para a manutenção de sua mocidade e de sua eficiência (RANGEL SOBRINHO, 1930, p. 21).</address>
<p style="text-align:justify;"> Nesse contexto a imagem da  mulher maternal, bela e feminina  revela um desejo produzido e expresso pelo imaginário social de um país que identificava na mulher um elemento  importante para a sua modernização.  Juventude, beleza, ousadia, disposição, saúde,  perseverança, dedicação, prudência, representavam virtudes possíveis de serem conquistadas diante  a participação das mulheres em diferentes espaços sociais, dentre eles, aqueles nos quais se realizavam as atividades físicas e esportivas.</p>
<p style="text-align:justify;">Essa “nova mulher”  ao mesmo tempo que mostrava-se como uma figura inovadora era, também, observada como alguém que desestabilizava a representação da mulher romântica voltada para a família,  o recato e a honra. A prática esportiva, o cuidado com a aparência, a mudança de atitude, o desnudamento do corpo, o uso de artifícios estéticos, conferiam a essa imagem novos contornos externando, como possíveis, outras experiências que não apenas aquelas valorizadas como integrantes de sua “natureza”.</p>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<div id="attachment_2373" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/silvana-3.jpg"><img class="size-full wp-image-2373" title="silvana.3" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/silvana-3.jpg?w=450&#038;h=382" alt="" width="450" height="382" /></a><p class="wp-caption-text">Uma delas: não sei como ela tem coragem de usar um malliot tão indecente. Fonte: Revista de Ed. Physica, n. 45, agosto de 1940</p></div>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<p style="text-align:justify;">Enfim,  para além das questões nacionalistas de fortalecimento do corpo feminino, a inserção da mulher no esporte não resulta apenas desse investimento. Deve ser observada não como uma concessão mas como uma conquista de diferentes mulheres para as quais o esporte representava, também, um espaço de visibilidade não apenas como espectadora ou co-participe de uma aparição, mas, fundamentalmente, como sua principal protagonista. Ainda que o discurso da maternidade sadia e do aprimoramento da raça fosse marcadamente produzido e reproduzido não foi apenas em seu favor que o as mulheres aderiram à sua prática: ele sinalizava novos tempos diante dos quais o arcaico confinamento das mulheres no interior do espaço privado simbolizava falta de cultura e de civilização. O esporte modernizou a mulher!</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Para refletir:</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Se nos primórdios da história do esporte no Brasil a  participação das mulheres restringia-se quase que predominantemente  a assistência e ao acompanhamento de seus maridos e familiares,  na atualidade,  ela é infinitamente  mais ampla e diversificada: as mulheres deixaram de ocupar apenas o espaço de espectadoras para tornarem-se,  também,  praticantes, atletas, técnicas, gestoras, árbitras, comentadoras,&#8230; </p>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<div id="attachment_2374" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/silvana-4.jpg"><img class="size-medium wp-image-2374" title="silvana.4" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/silvana-4.jpg?w=300&#038;h=230" alt="" width="300" height="230" /></a><p class="wp-caption-text">Jogadoras de basquetebol - Década de 1930. Fonte: Clube Esperia – São Paulo.</p></div>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<p style="text-align:justify;">Todavia, isso não significa afirmar que homens e mulheres tenham as mesmas oportunidades no campo esportivo ou que preconceitos quanto à participação feminina inexistam. Não é raro, ainda hoje,  encontrar nas escolas de primeiro e segundo graus disparidades relevantes no que se refere ao acesso de meninas e meninos nas atividades esportivas realizadas nas aulas de educação física. Essa mesma situação pode ser observada nos espaços de lazer, na gestão esportiva, no investimento de clubes, enfim, em diversos instâncias nas quais o esporte se desenvolve.</p>
<p style="text-align:justify;">Ainda assim é extremamente relevante enfatizar: entre rupturas e conformismos, as mulheres há muito estão presentes no esporte brasileiro ainda que, muitas vezes, o discurso oficial as tenha deixado nas zonas de sombra.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Referências bibliográficas: </strong></p>
<p style="text-align:justify;">RANGEL SOBRINHO, O. <strong> </strong><em>Educação Physica Feminina</em>. Rio de Janeiro: Typografica do Patronato, 1930.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
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		<item>
		<title>Os caçadores de “players” suburbanos: o celeiro de craques</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 18:48:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>NeiSantosJr</dc:creator>
				<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Nei Santos Junior          No dia 5 de abril de 1919, a Gazeta Suburbana publicou na coluna “Dizem&#8230;” um fato que perseguia as agremiações da periferia da cidade: os “caçadores de players” suburbanos.          Formado por representantes da Liga Metropolitana, esses indivíduos atraiam os jogadores da região com a promessa de emprego e algumas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=2362&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp mceIEcenter">
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:justify;">Por Nei Santos Junior</div>
</div>
<p style="text-align:justify;">         No dia 5 de abril de 1919, a <em>Gazeta Suburbana </em>publicou na coluna “Dizem&#8230;” um fato que perseguia as agremiações da periferia da cidade: os “caçadores de players” suburbanos.</p>
<p style="text-align:justify;">         Formado por representantes da Liga Metropolitana, esses indivíduos atraiam os jogadores da região com a promessa de emprego e algumas regalias, enxergando nos jogadores da zona suburbana a oportunidade de fortalecer as suas equipes. Para o historiador João Malaia, com a popularização do futebol, jogadores da zona suburbana começavam a se destacar em clubes menores, passando a despertar interesse das grandes agremiações dos bairros da zona Sul, aqueles clubes com potencial para lotar os estádios e ter rendimentos anuais na casa de centenas e milhares contos de réis <a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=345-20111127#_ftn1">[1]</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">         Com a entrada dos <em>players</em> suburbanos nos jogos da Metropolitana, os órgãos da “grande imprensa” carioca começavam a destacar essas transformações, como apontou o cronista d’<em>O Imparcial</em>:</p>
<address> <strong><span style="font-size:small;">Para os sportsmen que entendem que a entidade suburbana não preenche os fins progressivos do desenvolvimento sportivo da nossa terra, como de quando em vez se propala nas rodas desportivas, levamos ao conhecimento daquelles que de facto se interessam pelo progresso do football, o escandaloso caso de suborno, de vantajosas promessas de bons empregos, de gordas gorjetas que estão sendo postas em prática aos jogadores da Suburbana para se filiarem aos diversos clubes das três divisões da Metro. </span></strong></address>
<address><strong><span style="font-size:small;">Já sobe a numero superior de 20 players que se transferiram com malas e bagagem para a entidade da Rua Buenos Aires.</span></strong></address>
<address><strong><span style="font-size:small;">E depois digam que a Suburbana não é o celeiro da Metropolita</span><span style="font-size:small;">na </span><a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=345-20111127#_ftn2">[2]</a><span style="font-size:small;">.</span></strong></address>
<p style="text-align:justify;">          A transformação da Liga Suburbana num “celeiro” <a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=345-20111127#_ftn3">[3]</a> de <em>players </em>para a Metropolitana colocava em xeque os valores morais tão apreciados pelos clubes dos bairros <em>chics</em> da cidade. Lentamente, esses jogadores, fruto de um “escandaloso caso de suborno”, apareciam ano após ano em clubes de equipes consideradas pequenas e, com isso, o cenário da Metropolitana ganhava novos ares. Para Malaia, a vantagem de se trazer um jogador suburbano, era que ele não mantinha qualquer vínculo com qualquer clube filiado à Liga Metropolitana e, portanto, não havia que esperar o período de um ano sem jogar, imposto pela famosa “Lei do estágio” <a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=345-20111127#_ftn4">[4]</a>.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 269px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/lei-do-estagio.jpg"><img title="Lei do Estagio" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/lei-do-estagio.jpg?w=259&#038;h=300" alt="" width="259" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">‘C’est lla Mem chose’!”. Fonte: O Imparcial, 4 de março de 1919.</p></div>
<p style="text-align:justify;">         A fim de evitar tamanho desastre, a <em>Gazeta Suburbana</em> se dedicava em acompanhar as ações que movimentavam esse mercado, publicando uma série de notícias sobre as transações que envolviam jogadores oriundos da zona suburbana. Logo, uma chamaria a atenção até mesmo do próprio cronista.</p>
<p style="text-align:justify;">         Surpreso com a escalação do Vasco da Gama na apresentação do torneio “<em>Initium</em>”, revelando em seu <em>team</em> “vários elementos do Engenho de Dentro” <a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=345-20111127#_ftn5">[5]</a>, dentre eles, Nelson (Chauffer), Pederneiras e Quintanilha, os principais responsáveis pelo tricampeonato, o redator questiona: “mas será mesmo possível que esses players abandonem seu glorioso club para jogar por um club estranho a elles, como o Vasco?” <a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=345-20111127#_ftn6">[6]</a> Espantado, o mesmo responde, “não queremos crer, mas&#8230; em todo caso&#8230; esperemos os acontecimentos” <a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=345-20111127#_ftn7">[7]</a>.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/engenho-de-dentro.jpg"><img class=" " title="Engenho de Dentro A. C." src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/engenho-de-dentro.jpg?w=300&#038;h=216" alt="" width="300" height="216" /></a><p class="wp-caption-text">Fonte: MALAIA, J. M. Revolução Vascaína: a profissionalização do futebol e inserção sócio-econômica de negros e portugueses na cidade do Rio de Janeiro (1915-1934).</p></div>
<p style="text-align:justify;">         De maneira geral, os jogadores suburbanos começavam a perceber que essa prática poderia ser um meio rentável para o seu sustento. Mesmo recebendo uma fatia mínima das rendas adquiridas com a venda de ingressos, esse indivíduo se convertia cada vez mais em um verdadeiro trabalhador urbano, servindo como objeto do espetáculo que se tornara o futebol da época.</p>
<div>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div style="text-align:justify;">
<pre><a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=345-20111127#_ftnref1">[1]</a> MALAIA, J. M. <strong>Revolução Vascaína</strong>: a profissionalização do futebol e inserção sócio-econômica de negros e portugueses na cidade do Rio de Janeiro (1915-1934). 2010</pre>
</div>
<p><a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=345-20111127#_ftnref2">[2]</a><span style="font-family:Times New Roman;font-size:x-small;"> <em>O Imparcial</em>, 25 de janeiro de 1919.</span></p>
<p><a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=345-20111127#_ftnref3">[3]</a><span style="font-family:Times New Roman;font-size:x-small;"> Expressão ainda utilizada na atualidade para definir um local onde se produzem bons jogadores.</span></p>
<pre><a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=345-20111127#_ftnref4">[4]</a> MALAIA, J. M. <strong>Revolução Vascaína</strong>: a profissionalização do futebol e inserção sócio-econômica de negros e portugueses na cidade do Rio de Janeiro (1915-1934). 2010.</pre>
<p><a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=345-20111127#_ftnref5">[5]</a><span style="font-family:Times New Roman;font-size:x-small;"> <em>Gazeta Suburbana</em>, 5 de abril de 1919, p.3.</span></p>
<p><a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=345-20111127#_ftnref6">[6]</a><span style="font-family:Times New Roman;font-size:x-small;"> <em>Gazeta Suburbana</em>, 5 de abril de 1919, p.3.</span></p>
<div>
<pre style="text-align:justify;"><a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=345-20111127#_ftnref7">[7]</a><span style="font-family:Times New Roman;font-size:x-small;"> <em>Gazeta Suburbana</em>, 5 de abril de 1919, p.3.</span></pre>
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<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/2362/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/2362/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/2362/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/2362/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/2362/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/2362/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/2362/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/2362/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/2362/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/2362/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/2362/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/2362/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/2362/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/2362/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=2362&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">neisantos</media:title>
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			<media:title type="html">Lei do Estagio</media:title>
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			<media:title type="html">Engenho de Dentro A. C.</media:title>
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		<title>Manual de sobrevivência na calçada: um guia prático para pedestres e ciclistas nas novas ciclovias da Zona Oeste do Rio de Janeiro</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Jan 2012 19:13:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>valeriaguimaraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[ciclovia]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[urbanização]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Valeria Guimarães As novas ciclovias, que começaram a ser construídas no segundo semestre do ano passado, são resultado do plano estratégico da Prefeitura chamado “Rio, capital da bicicleta”, com o objetivo de “incentivar o uso da bicicleta como modal de transporte e ampliar a infra-estrutura existente”. De acordo com a Prefeitura, o Rio já [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=2344&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Valeria Guimarães</p>
<p>As novas ciclovias, que começaram a ser construídas no segundo semestre do ano passado, são resultado do plano estratégico da Prefeitura chamado “Rio, capital da bicicleta”, com o objetivo de “incentivar o uso da bicicleta como modal de transporte e ampliar a infra-estrutura existente”. De acordo com a Prefeitura, o Rio já é a cidade com o maior número de ciclovias do país. </p>
<p> É claro também que essas ciclovias estão diretamente relacionadas à construção da “marca” Rio de Janeiro, caracterizada por profundas intervenções urbanísticas e pela redefinição dos modelos de gestão urbana, tão debatidos neste blog. Esses projetos em grande parte se inspiram no projeto de revitalização da cidade de Bogotá. Uma das metas do prefeito Eduardo Paes até o final de 2012 é dotar a cidade de uma malha de 300 km de ciclovias, superando a capital colombiana e garantindo assim o título de cidade da América Latina com o maior número de ciclovias.</p>
<p>Até aí não haveria nada demais (não vou entrar no mérito da execução das obras, qualidade dos materiais utilizados, licitações). Mas quando as ciclovias são projetadas e implantadas – eu diria até improvisadas – pelo poder público em cima da calçada, em bairros onde é intenso o fluxo de pedestres e de ciclistas, o melhor é tomar alguns cuidados básicos para evitar situações que vem se repetindo cotidianamente.</p>
<p>Vou me deter apenas à rota inaugurada em 2011 que liga os bairros da Praça Seca e Vila Valqueire. A intenção é evitar que mais algum leitor que precisar circular pela área venha a sofrer com os desagradáveis problemas trazidos pelas ciclovias projetadas sobre a calçada e, obviamente, para levantar uma discussão sobre o custo social de uma gestão urbana que nos impõe projetos modernizadores que não levam em conta o bem-estar da população nem as particularidades de cada canto dessa imensa cidade.</p>
<p>Para desfrutar e sobreviver às novas ciclovias sobre as calçadas, procurando manter a segurança e as relações de civilidade entre moradores, comerciantes, ciclistas e pedestres nos trechos afetados, elaborei algumas dicas que podem ser bastante úteis, baseadas numa coleção de sustos a partir da minha  “observação participante”:</p>
<p align="center"><strong>Dicas para quem for pegar um ônibus nas calçadas equipadas com ciclovias:</strong></p>
<p>1. Ao pegar o ônibus, não corra, muito menos em ziguezague. Nunca se sabe se atrás de você tem uma bicicleta.</p>
<p>2. Ao descer do ônibus, certifique-se de que o veículo esteja totalmente parado e escolha bem aonde você vai por os pés: pode ser na ciclovia (o ponto de ônibus fica dentro da “faixa compartilhada”) ou numa das temidas barras de ferro dispostas ao longo de sua extensão e, inclusive, no próprio ponto de ônibus.</p>
<p> <a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc044083.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-2347" title="DSC04408" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc044083-e1326655470997.jpg?w=318&#038;h=313" alt="" width="318" height="313" /></a></p>
<p>3. Em dias de muito sol, vento ou chuva forte, o melhor mesmo é ficar exposto às intempéries enquanto aguarda a sua condução. Não use guarda-chuva como alternativa ao abrigo que lhe foi retirado. Isso dificultará a sua visão das bicicletas.</p>
<p> <strong>Para os<span style="text-decoration:underline;"> pedestres</span> que ainda insistem em usar o que sobrou das calçadas, o melhor é seguir alguns conselhos básicos: </strong></p>
<p>1. Use um retrovisor para andar na calçada e cuidado máximo nos trechos compartilhados.</p>
<p><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc044041.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-2358" title="DSC04404" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc044041-e1326658861668.jpg?w=332&#038;h=319" alt="" width="332" height="319" /></a></p>
<p>Se possível, tente se manter fora da ciclovia, mesmo nos trechos de grande estreitamento da calçada.</p>
<p><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc044061.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-2357" title="DSC04406" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc044061-e1326657220705.jpg?w=303&#038;h=329" alt="" width="303" height="329" /></a></p>
<p>2. Se você tem criança na faixa de 2 a 4 anos, oriente-a a não andar olhando para os lados. Um galo na cabeça pode esperar por ela, já que as barras de ferro estão logo ali na sua direção.</p>
<p> 3. Carrinhos de bebês tornam-se potencialmente perigosos na calçada-ciclovia. No estreitamento da calçada, você pode, sem querer, ir parar na ciclovia (ver foto abaixo).</p>
<p> 4. Não faça como o rapaz que vinha lendo seu texto universitário em apagada fotocópia, forçando a leitura bem próximo ao rosto: as barras de ferro não costumam ser benevolentes com quem anda distraído. Além da dor física, você ainda terá que encarar os risinhos disfarçados&#8230; Mas sempre aparece alguém solidário nessa hora, contando histórias de outros acidentes semelhantes naquela ciclovia-calçada.</p>
<p>5.Ao sair de casa, da padaria, da creche com seu filho pequeno, do comércio local em geral, para pisar na calçada, pare, olhe e escute. E segure muito bem a mão de sua criança. É mínima a distância entre a porta de muitos estabelecimentos e a ciclovia.</p>
<p><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc044212.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-2349" title="DSC04421" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc044212.jpg?w=440&#038;h=274" alt="" width="440" height="274" /></a></p>
<p>6. Criançada de férias: ao correr atrás da pipa voada, não se esqueça que na calçada agora, oficialmente, também tem trânsito de veículos e um monte de barras de ferro para machucar vocês.</p>
<p> 7. Alunos dessa escola: a alternativa mais segura de acesso é utilizar velocípedes ou bicicletas na extinta calçada. </p>
<p><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc044121.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-2352" title="DSC04412" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc044121.jpg?w=446&#038;h=301" alt="" width="446" height="301" /></a></p>
<p><strong>Se você é morador e a ciclovia passa rente ao seu portão, fique atento a essas recomendações:</strong></p>
<p>1. A dica principal é fazer um seguro de acidentes pessoais. Ao abrir o portão de sua casa, pense bastante se vale a pena por os pés na calçada.</p>
<p> 2. Seria mais prudente se você instalasse alarmes sonoros tanto no seu portão de garagem quanto no portão menor.</p>
<p> <a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc04410.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-2353" title="DSC04410" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc04410.jpg?w=452&#038;h=273" alt="" width="452" height="273" /></a></p>
<p>3. Se você tem carro, cuidado com as barras de ferro (instaladas na maior parte do percurso) ao sair e entrar na sua garagem. O prejuízo será todo seu.</p>
<p> <strong>Motoristas e motociclistas:</strong></p>
<p> Já está muito complicado, mas se alguns de vocês continuarem utilizando a calçada-ciclovia como “via expressa” para driblar os engarrafamentos, qual será o futuro dos pedestres e ciclistas?</p>
<p> <strong>Para os ciclistas, redobrar o cuidado é mais do que necessário:</strong></p>
<p>1. Não corra na calçada-ciclovia: ao menor sinal de pedestre, obstáculos e todo tipo de surpresas que aparecem na sua frente, você não terá tempo de frear e a tendência é ziguezaguear e se chocar contra as barras de ferro, o poste ou sabe0se lá o quê.</p>
<p> 2. Esteja atento a tudo no seu caminho: desde pessoas e animais trafegando na ciclovia até as surpresas mais inusitadas, como este bueiro sem tampa e as estacas de advertência, alertando para a falta de manutenção na pista&#8230;</p>
<p>  <a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc04414.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-2354" title="DSC04414" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc04414.jpg?w=470&#038;h=308" alt="" width="470" height="308" /></a></p>
<p>&#8230; e este hidrante (!), preservado no “projeto” que improvisou a ciclovia na calçada.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc044321.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-2355" title="DSC04432" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/dsc044321.jpg?w=471&#038;h=342" alt="" width="471" height="342" /></a></p>
<p>A ciclovia é sua. Use-a e desfrute-a com prazer e muita atenção. Ah, sim:  não se esqueça que a calçada, de direito, (também) pertence ao pedestre.</p>
<p>Que a mobilidade é um dos mais importantes temas contemporâneos e um imperativo para a sobrevivência das grandes cidades, ninguém tem dúvida. Que a bicicleta é um equipamento fantástico de locomoção, lazer, promoção de uma vida saudável (se utilizada sem exageros) e “ecologicamente correto”, também parece ser consensual.  Adequar as cidades para uma melhor mobilidade com a construção de ciclovias deveria, em tese, ser um dos maiores acertos nas políticas públicas de planejamento urbano. Mas, seria esse exemplo uma adequação para a mobilidade?</p>
<p>Antes de finalizar, registro aqui dois sustos que passei para escrever este post: ao percorrer o que sobrou da calçada bem rente a um portão de garagem, quase fui atropelada por um motorista que simplesmente tinha a intenção de sair de sua residência, não de atropelar uma pedestre numa microfatia do que sobrou de sua calçada. No reflexo, fui parar involuntariamente na ciclovia e, adivinhem, um inocente ciclista vinha passando bem na hora. Foram só dois muitos sustos&#8230;</p>
<p>Boa sorte em 2012 e menos sustos a todos que transitam por essas mal traçadas calçadas-ciclovias, especialmente às crianças e bebês que ficaram sem calçada na porta da escola e da creche.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Esportes e publicidade: violência, cigarros e preconceito</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 04:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jmalaia</dc:creator>
				<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[Por João Malaia &#160; Um dos temas mais interessantes em nosso campo de investigação é a origem da utilização dos esportes como objeto da publicidade. Nosso colega Victor já publicou um belo artigo sobre o tema. (http://www.rbceonline.org.br/revista/index.php/RBCE/article/viewArticle/207) A partir da leitura desse texto e de algumas pesquisas realizadas por mim anteriormente me veio a ideia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1872&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por João Malaia</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um dos temas mais interessantes em nosso campo de investigação é a origem da utilização dos esportes como objeto da publicidade. Nosso colega Victor já publicou um belo artigo sobre o tema. (<a href="http://www.rbceonline.org.br/revista/index.php/RBCE/article/viewArticle/207">http://www.rbceonline.org.br/revista/index.php/RBCE/article/viewArticle/207</a>)</p>
<p>A partir da leitura desse texto e de algumas pesquisas realizadas por mim anteriormente me veio a ideia de expôr um pouco disso aqui no blog. Apresentarei algumas imagens de peças publicitárias publicadas em alguns dos mais importantes das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, nas décadas de 1910 e 1920, além de uma ou outra peça mais contemporânea. Dividi esta apresentação em três partes: violência, cigarros e mulheres. Tais reflexões merecem um aprofundamento maior, mas servem aqui apenas de estímulos para futuras pesquisas.</p>
<p><strong>1. Violência.</strong></p>
<p>Sem dúvida, um dos temas mais interessantes: peças publicitárias que explicitavam a violência das práticas esportivas, principalmente a do futebol. Se na década de 1910, as casas de materiais esportivos faziam sua publicidade apenas com fotos e/ou desenhos de seus equipamentos, no início da década de 1920, a Casa Stamp inovou. Vejamos uma publicidade da Casa Sportmann [sic], publicado na <em>Fon!Fon!</em>, de 24 de maio de 1913:</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/casa-sportmann5.jpg"><img class=" wp-image aligncenter" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/casa-sportmann5.jpg?w=443&#038;h=377" alt="Image" width="443" height="377" /></a></p>
<p>Podemos observar que apenas artigos de futebol são mostrados, apesar do texto apontar para materiais para &#8220;lawn-tennis&#8221;. A diferença com a publicidade da Casa Stamp é notória. Publicada em <em>O Imparcial</em>, em 12 de agosto de 1920, a peça é reveladora de como o futebol passava a ser percebido na entrada daquela década:</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/casa-stamp.jpg"><img class=" wp-image aligncenter" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/casa-stamp.jpg?w=400&#038;h=377" alt="Image" width="400" height="377" /></a></p>
<p>Pode-se perceber que, a par das diferenças, o que ainda se tornava necessário afirmar é que os produtos eram importados da Europa. No entanto, a mais explícita publicidade a tratar do tema da violência no futebol foi a da aveia Quaker, publicada dia 2 de maio de 1923, no jornal carioca <em>A Noite</em>. No texto da peça, afirma-se que só a aveia daquela marca forneceria &#8220;músculos fortes, grande energia e absoluta resistência à fadiga&#8221;, sendo o segredo do sucesso &#8220;em um <em>sport</em> tão violento como o <em>football</em>&#8220;:</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/quaker.jpg"><img class=" wp-image aligncenter" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/quaker.jpg?w=298&#038;h=368" alt="Image" width="298" height="368" /></a></p>
<p>Se a publicidade é capaz de formar opiniões e juízos de valor sobre a sociedade, talvez fosse interessante uma análise desses discursos publicitários para um melhor entendimento sobre as diversas percepções que a sociedade tinha em relação ao futebol, bem como as mudanças na maneira de encarar as práticas esportivas no período.</p>
<p><strong>2. Cigarros</strong></p>
<p>Quem poderia imaginar, nos dias de hoje, que os esportes foram objeto de publicidade para cigarros? Pois a situação era por demasiado comum. Em post anterior, mostrei como a empresa de cigarros &#8220;Veado&#8221;, impulsionou as vendas dos seus cigarros com um concurso nacional para se escolher o mais popular jogador do Brasil. Mas são muitas as peças. Uma das mais interessantes é dos cigarros &#8220;Olympicus&#8221;, cujo maço continha desenhos de todos os clubes da primeira e da segunda divisão da principal liga de esportes da cidade do Rio de Janeiro, a Liga Metropolitana de Desportes Terrestres. Seu distintivo, assim como o da Confederação Brasileira de Desportes, também estavam presentes no maço:</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/cigarro1.jpg"><img class=" wp-image aligncenter" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/cigarro1.jpg?w=400&#038;h=289" alt="Image" width="400" height="289" /></a></p>
<p>O interessante aqui, não é só o fato dos clubes emprestarem seus símbolos para impulsionar as vendas de cigarro. Mas é ver como, através da disposição dos símbolos do futebol no maço, podemos enxergar a própria estrutura de poder do futebol carioca naquele período. Publicada em <em>O Imparcial</em>, de 28 de agosto de 1921, a montagem é singularmente reveladora. Ao centro, os escudos das duas instituições reguladoras do esporte. Em cima, a da associação nacional, a CBD, em baixo, a sua representante para a organização dos esportes na cidade do Rio de Janeiro, a LMDT. Os três grandes clubes estão dispostos no canto superior do desenho (Fluminense, Botafogo e Flamengo). O America, time menor que os grandes, mas maior que os pequenos encontra-se ao lado do Flamengo, ligeiramente abaixo, mas acima de Bangu, São Christovão e Andaraí, os pequenos da primeira divisão. Do lado esquerdo (lembremos que nós lemos da esquerda para a direita), os times da segunda divisão daquele ano: Carioca, Americano, Palmeiras, Mangueira, Mackenzie, Villa Izabel e Vasco da Gama, clube dos portugueses que começava dar traços de que poderia, um dia, vir a ameaçar o poderio dos grandes, com seu time recheado de jogadores das classes mais baixas da cidade. Sugestivo que, apesar de tal processo só se efetivar dois anos depois, o distintivo do clube ocupe o lado exatamente oposto ao dos grandes clubes.</p>
<p>Apesar de fugir um pouco de nosso período de análise, seria impossível falar de cigarros e de esporte e não lembrar dos comerciais televisivos da Hollywood, nas décadas de 1970 e 1980. Apenas para recordar, posto aqui um video de um comercial da empresa em que, durante uma partida de tênis, a plateia fuma cigarros daquela marca e, após a contenda entre os jogadores, os mesmos relaxam&#8230;fumando cigarro!</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2012/01/09/esportes-e-publicidade-violencia-cigarros-e-preconceito-2/"><img src="http://img.youtube.com/vi/RelCgXhO16M/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p><strong>3. Mulheres</strong></p>
<p>As peças do período apontam, desde aquele período, para a valorização da beleza e de um corpo saudável. Em uma das mais significativas que encontrei foi a do Instituto &#8220;Physioplastico&#8221; do Rio de Janeiro, publicada na <em>Fon!Fon!</em>, em 27 de junho de 1912. Não há figuras, mas a chamada do texto é sensacional: &#8220;Pelo culto da bellesa&#8221;. O texto faz uma afirmação contundente: &#8220;a bellesa é o mais precioso capital da mulher&#8221;. Nessa mesma linha de valorização da beleza e do corpo, a peça do &#8220;Composto Ribott&#8221;, um xarope à base de ferro e fósforo, publicada na revista paulista <em>A Cigarra</em>, em 12 de julho de 1918, aponta não só para o culto da beleza (não só feminina, diga-se de passagem), mas também para o preconceito de quem não a possui:</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/ribott.jpg"><img class="size-full wp-image aligncenter" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/ribott.jpg?w=351" alt="Image" width="351" height="287" /></a></p>
<p>A mulher, sussurra ao homem a seu lado e aponta para o casal ao fundo dizendo a seguinte frase: &#8220;Olha para aquelle par de rachiticos, porque não tomarão COMPOSTO RIBOTT, para ganhar força, vigor e energia?&#8221;. Os trajes do homem de corpo atlético lembram os praticantes de atividades aquáticas. A mulher, esbelta e de pernas grossas é aquela que observou a &#8220;par de rachiticos&#8221;.</p>
<p>Mas mais significativa ainda, para observarmos a produção de um discurso publicitário que se usava dos esportes e criava determinados tipos de preconceitos, foi a peça que encontrei na <em>Folha de São Paulo</em>, de 20 de dezembro de 1967. Posto aqui esta última imagem e não faço comentários. Deixo a reflexão para o leitor e para a leitora.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/pc3a3o-de-ac3a7ucar.jpg"><img class=" wp-image aligncenter" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/pc3a3o-de-ac3a7ucar.jpg?w=451&#038;h=678" alt="Image" width="451" height="678" /></a></p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1872/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1872/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1872/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1872/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1872/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1872/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1872/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1872/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1872/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1872/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1872/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1872/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1872/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1872/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1872&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Futebol na Rússia e na União Soviética no século XX – o caso do clube Spartak Moscou</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jan 2012 04:20:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Melo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Século XX]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Jorge Knijnik* Nélson Rodrigues dizia que “toda unanimidade é burra”. Mas eu creio que algo praticamente unânime entre os frequentadores deste blog é o prazer da leitura. Segurar um livro que na verdade nos “segura” e faz com que “viajemos” com ele para todos os lugares é uma experiência absolutamente divina, uma das melhores [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1714&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Por Jorge Knijnik*</p>
<p style="text-align:justify;">Nélson Rodrigues dizia que “toda unanimidade é burra”. Mas eu creio que algo praticamente unânime entre os frequentadores deste blog é o prazer da leitura. Segurar um livro que na verdade nos “segura” e faz com que “viajemos” com ele para todos os lugares é uma experiência absolutamente divina, uma das melhores coisas da vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi isso o que ocorreu comigo há alguns meses. Eu li com uma curiosidade, uma intensidade e uma emoção incríveis as quase 350 páginas do livro <strong><em>Spartak Moscow: A History of the People’s Team in the Worker’s State</em> (Spartak Moscou – Uma historia do time do povo no Estado dos Trabalhadores), escrito por Robert Edelman e publicado em 2009 pela Cornell University Press. </strong>É sobre este livro, cheio de história(s) do esporte e do futebol que eu gostaria de comentar.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/images.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1721" title="images" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2012/01/images.jpg?w=450" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Na verdade, se eu fosse um “videomaker” e fosse filmar o livro de Robert Edelman, eu poderia fazê-lo usando três ângulos diferentes, usando formatos tão diversos que acabaria fazendo três filmes absolutamente distintos.</p>
<p style="text-align:justify;">Usando este livro como roteiro, eu poderia filmar um documentário histórico muito bem detalhado, mostrando a historia do clube Spartak e as relações entre futebol e as gigantescas mudanças histórico-sociais que abalaram a Rússia (e a União Soviética) durante o século XX.</p>
<p style="text-align:justify;">Entretanto, eu poderia usar o mesmo livro para produzir um filme sobre esportes, contando a história de um dos mais famosos times russos, o <strong>Spartak </strong>– o filme mostraria suas vitórias e derrotas, seus títulos, suas táticas inovadoras. Neste filme, eu colocaria depoimentos dos jogadores, técnicos e dirigentes do Spartak, e também mostraria as emoções de sua enorme legião de fãs, mostrando assim a paixão que todos tinham (e têm) pelo futebol do Spartak.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/obrazky_4ever_sk20fc20spartak20trnava20138839.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1716" title="[obrazky_4ever_sk]%20fc%20spartak%20trnava%20138839" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/obrazky_4ever_sk20fc20spartak20trnava20138839.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Agora, o mesmo livro ainda me possibilitaria produzir um eletrizante filme policial, no qual o espectador ficaria sem folego durante duas horas, e sempre se perguntando: “E agora? O que vai rolar?”, pois este filme falaria dos bastidores de um estado-policial, no qual o maior rival do Spartak (o Dínamo Moscou) era o clube apoiado pela policia secreta, era o time do órgão do Estado que a qualquer momento podia mandar os seus rivais esportivos direto para a cadeia e para os gélidos campos de concentração soviéticos.</p>
<p style="text-align:justify;">Porem, como eu sou apenas um leitor sortudo (e não um péssimo “moviemaker”) eu encontrei todos estes aspectos reunidos neste maravilhoso livro: <em>Spartak Moscou, a historia do time do povo </em>é um livro repleto de detalhes e com inúmeras fontes, as quais fazem a alegria de qualquer um interessado na historia social do esporte.  O autor, sempre que possível, apresenta os dados históricos e simultaneamente questiona a versão oficial, chamando atenção para o fato de que o livro conta com fontes que são humanas! “Memórias falham. As pessoas contam histórias para si mesmas e acabam acreditando nelas” (p. 38). Essa frase, em conjunto com os esforços que o autor coloca para encontrar fontes as mais variadas possíveis, faz com que este livro seja um recurso extremamente valioso para o leitor com interesse na história social dos clubes europeus de futebol, sobretudo russos.</p>
<p style="text-align:justify;">O livro começa na pré-história do futebol russo, na transição entre os séculos XIX e XX. Edelman mostra como as mudanças que ocorriam na sociedade russa, que passava por uma grande e acelerada urbanização, estavam causando uma “fluidez” nas identidades pessoais e sociais. Neste quadro, o autor demonstra como o futebol foi um agente essencial na construção de novos laços sociais entre os homens jovens que migravam para as cidades russas. O esporte era um dos espaços privilegiados para a construção de novas masculinidades, diferentes e diametralmente opostas àquela masculinidade tradicional do camponês russo, que era a norma vigente na Rússia ate então. Edelman afirma que “o futebol forneceu aos diversos tipos de Moscovitas, ricos e pobres, um jeito novo e diferente de mostrarem em um espaço publico sua masculinidade, sua forca física e virilidade” (p. 40). </p>
<p style="text-align:justify;">Tanto o futebol russo como o soviético sempre foram espaços dominados por homens, e Edelman argumenta que a questão das identidades sociais foi central na historia do Spartak. Jovens trabalhadores, que não tinham acesso aos campos esportivos das elites, jogavam futebol em qualquer espaço que encontrassem, sobretudo nas ruas (parece a América do Sul!). Estes jogos eram chamados de “futebol marginal” (<em>dikki</em>) e foram essenciais para a “pré-história do Spartak” (p. 16). Ao apresentar as raízes daquilo que se tornaria o Spartak, Edelman chama a atenção para o fato de que “o ímpeto para a criação do time não veio de cima, mas sim das ruas de <em>Krasnaia Presnia</em>” (p. 50). A autonomia e a espontaneidade encontradas naqueles jovens trabalhadores que jogavam nas ruas, e que se tornaram os fundadores do Spartak, são hoje consideradas a verdadeira “ideologia Spartakiana”. Essas raízes do Spartak influenciaram a identidade e a masculinidade destes jovens fundadores do time. Mais tarde, durante o século XX, a enorme legião de fãs do Spartak era formada por trabalhadores (o povo) que incorporaram uma masculinidade agressiva, indisciplinada e rebelde, diferente e oposta a masculinidade rígida, militarizada e disciplinada demonstrada pelos bem-comportados torcedores do Dínamo Moscou.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Krasnaia Presnia</em> (<em>Presnia </em>é o bairro onde o clube nasceu e <em>Krasnaia</em> significa a cor vermelha, adjetivo apenso ao nome do bairro para simbolizar a revolução de 1917) foi o time que veio a se tornar o Spartak. Ele se localizava em uma região de trabalhadores braçais, lotada de fabricas, cortiços e favelas – e também cheia de grupos de bandidos que faziam daquela uma área perigosa e violenta. Foi na região de Presnia que os irmãos <strong>Starostin  </strong>cresceram. Aleksandr, Pavel, Anatoly and Nikolai Starostin possuíam uma condição social levemente melhor que seus vizinhos. Eles se educaram e cresceram ao mesmo tempo nas arriscadas ruas de Presnia – onde o futebol acabava por fornecer uma segura rede social de proteção  para os jovens meninos contra “um mundo de bebidas, drogas, apostas ilegais, sexo facil e assassinatos” (p. 29) – e em escolas comerciais que seus pais podiam pagar. Foi em uma destas escolas que Nikolai, o mais velho dos Starostin, foi introduzido ao futebol.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/starostins.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1717" title="Starostins" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/starostins.jpg?w=450" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Conhecer a família <strong>Starostin </strong>é essencial para entender tanto o desenvolvimento do Spartak quanto do próprio futebol russo – mas também para entender como Edelman transforma o seu livro em uma apaixonante historia futebolística. Edelman conta as historias dos irmãos Starostin, que jogaram juntos no Spartak e viraram ídolos do futebol soviético. O autor mostra como Nikolai, o primogênito e líder dos irmãos Starostin não era somente um jogador e o capitão do time, mas também era um empresário de visão extraordinária, que colocou o Spartak no topo do futebol russo, e o trouxe para este futebol o reconhecimento internacional.</p>
<p style="text-align:justify;">É neste momento do livro que “os três formatos de filme” que eu falei no início, começam a se reunir em uma coisa só. Sem se afastar um milímetro das suas rigorosas e detalhadas fontes históricas, Edelman relata as glórias do Spartak Moscou – cuja torcida gritava <em>bei militsia </em>(“peguem os policiais!”) quando eles jogavam contra o Dínamo Moscou, um clássico que parava a cidade, literalmente. O autor mostra as evoluções táticas do time, seus altos e baixos, seus jogos incríveis&#8230; E mostra tudo isso de um modo no qual fica claro que ser torcedor do Spartak durante o stalinismo era uma maneira de dizer “não” a polícia secreta, ao passo que torcer para o Spartak na época pós-stalinista era um jeito de dizer “sim” para as desejadas mudanças sociais. Ao mesmo tempo, Edelman conta a excitante historia dos irmãos Starostin, que conseguiram prosperar dentro do futebol russo, atraindo <em>muita</em> inveja no interior de um estado-policial no qual milhares eram assassinados ou enviados para campos de trabalhos forcados, em meio a uma atmosfera de intriga politica e terror. A cada página a curiosidade do leitor vai crescendo, afinal a grande duvida é saber se os irmãos Starostin serão mandados para os campos de prisioneiros, e afinal o que poderá acontecer com o Spartak sem eles.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/dinamo_moscow_0_105045.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1718" title="dinamo_moscow_0_105045" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/dinamo_moscow_0_105045.jpg?w=450" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Edelman continua contando a história dos Starostin e do Spartak, usando todas as fontes disponíveis. O leitor não consegue se desgrudar do livro, que conta com fotos incríveis do futebol no início do século XX, além de três apêndices com os resultados do Spartak e o “hall da fama” do autor, e mais 22 páginas com notas detalhadas para cada capítulo, e um index final muito claro.</p>
<p style="text-align:justify;">É importante mencionar que o trabalho de Edelman foi premiado, em 2009, como o melhor livro da Associação Norte-Americana de Historia do Esporte. Independentemente do tipo de “moviemaker” que você seja, com certeza se beneficiara muito com esta leitura. <em>Spasibo</em>, Edelman, por nos contar historias tão excepcionais em um livro tão delicioso!  </p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.cornellpress.cornell.edu/book/?GCOI=80140100191990">http://www.cornellpress.cornell.edu/book/?GCOI=80140100191990</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.spartak.com/en/main/">http://www.spartak.com/en/main/</a></p>
<p style="text-align:justify;">* Esta crônica “baixou” na minha cabeça em uma ensolarada manha de domingo em Sydney, quando dirigia meu carro escutando e dançando com Lobão e sua indefectível ‘Radio Bla’. De modo que dedico esta resenha a todos e todas que “não conseguem controlar”, sobretudo aos meus queridos amigos Antenor Nicanor,  Marcelo Massa e Marcos Waca – sabem lá porque!</p>
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		<title>Futebol e literatura: O templo dos encontros</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Dec 2011 22:45:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edônio Alves</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[  Por Edônio Alves Para o brasileiro que ama futebol, esses dois meses que formam o interstício que vai de uma temporada a outra, no calendário das disputas da bola pelo País afora, são como que um período tedioso em que a alegria de ir aos estádios é substituída pela ansiedade de que tudo comece [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1761&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong></strong> </p>
<p><strong>Por</strong><span style="color:#000000;"><strong> <em>Edônio Alves</em></strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>Para o brasileiro que ama futebol, esses dois meses que formam o interstício que vai de uma temporada a outra, no calendário das disputas da bola pelo País afora, são como que um período tedioso em que a alegria de ir aos estádios é substituída pela ansiedade de que tudo comece novamente. Ou seja: que a bola role de novo e que o time de cada um de nós possa, no novo ano que se inicia, recuperar o tempo perdido e fazer uma campanha digna do título nacional ou da conquista da tão desejada taça mundial.</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>         Este é um período, por assim dizer, em que começamos a sentir saudade do clima dos estádios; da alegria de encontrar os amigos para vermos juntos as atuações do time do coração; da festa que é, para o brasileiro, o campo de futebol às quartas-feiras e domingos do Brasil.</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>         A literatura, arte através da qual analiso a também arte do futebol, tem o condão de pautar várias questões que dizem respeito ao homem-torcedor; aquela pessoa que tem no futebol um grande motivo existencial.      Sendo assim, trago a seguir – para os seguidores deste nosso blog esportivo – uma pequena análise de um conto que versa sobre o lugar desses encontros em que a magia do jogo da bola aos pés nos encanta e vivifica.  Boa Leitura.</strong></span></p>
<p style="text-align:center;"><strong> </strong>***</p>
<p><strong> </strong><strong>Estádio</strong></p>
<p><strong> A</strong>utor: <em>Antonio Barreto</em></p>
<p style="text-align:justify;">Através de uma mímese direta, sustentada basicamente por diálogos (o que naturaliza e presentifica a situação evocada), vozes e sons ambientes de várias espécies, este conto narra o ambiente e o clima de um dia de jogo importante num estádio de futebol, num domingo qualquer do Brasil.</p>
<p style="text-align:justify;">A partida é entre o Clube Atlético Mineiro, o Galo das Minas Gerais, e o Flamengo do Rio de Janeiro, e o que faz justificar seu título, <strong><em>Estádio</em></strong>, e a sua proposta narrativa, são as diferentes situações justapostas pelo narrador, que se coloca como uma câmera de TV, ou melhor, um microfone de áudio que, a partir da sua movimentação pelo espaço físico dentro e ao redor do Estádio, tudo colhe e espalha, compondo a típica paisagem humana que se forma nos domingos de futebol pelo Brasil afora.</p>
<p style="text-align:justify;">O pano de fundo da narrativa é contar a história de um pai que leva o filho a um jogo de futebol junto com as possíveis implicações que esta experiência, a princípio lúdica, pode trazer para a vida de um cidadão comum desta nação do futebol. Todavia, o que se quer mesmo (e talvez aqui esteja condensada toda a cota de criação do seu autor, o escritor Antonio Barreto, neste seu intento ficcional sobre o tema) é montar, a partir desse pequeno plot narrativo, um extenso painel do mundo dos estádios de futebol em dias de jogos.</p>
<p style="text-align:justify;">Para tanto, a narrativa começa em terceira pessoa apenas no parágrafo inicial e descamba em seguida para a mímese direta, mais apta, conforme a estratégia do autor, a formar na mente do leitor as imagens evocativas do objeto em descrição.</p>
<p style="text-align:justify;">“Pai e filho. Mar de gente querendo entrar. Mar de cambistas. Mar de autoridades. Mar de bandeiras e torcidas organizadas. Mar de pivetes. Mar de camelôs. Mar de guardadores. Mar de assaltantes. Mar de polícia. Mar de meninos e mulheres. Mar de churrasquinho, cachaça e cerveja. Mar de esperanças. A frase pichada na parede da bilheteria: <strong>Futebol é o ópio do povo</strong>. E o alto-falante: Atenção, senhor Jéferson Macário Ribeiro de Araújo, seus documentos foram encontrados. Favor comparecer urgentemente ao saguão principal, na seção de achados e perdidos&#8230;”.</p>
<p style="text-align:justify;">Pronto! A partir deste ponto, o leitor acompanha numa síntese condensada de imagens e sons, um sem número de situações prototípicas da condição, eventual, provisória &#8211; ou mais estável, definidora do seu lugar no mundo social – do homem dos estádios, aquele que no dizer de Ivan Ângelo, “não está sozinho, não é um, é parte, pertence a uma irmandade, é cavaleiro de uma ordem que tem cores, brasão e bandeira”.<a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_edn1">[1]</a></p>
<p style="text-align:justify;">“Quer que olhe o carro, doutor?”</p>
<p style="text-align:justify;">Este diálogo-síntese (diálogo porque pressupõe um interlocutor que a este pedido responde, mesmo que com o silêncio) dá o mote para o desfecho da pequena história – no meio de tantas outras sugeridas pelo interior do texto – do pai que leva o filho para o jogo de futebol no estádio.</p>
<p style="text-align:justify;">“Olha lá! O time tá inteirinho, ta completinho! Um dia cê me leva pra ser mascote, pai, que nem aqueles meninos lá? Aquilo é tudo filho da gente granfina, filho, diretores do time, sabe como? Não é pra gente pobre que nem nós não, né pai? Isso aí, filho. Cê fechou bem a porta da Brasília? Fechei pai, já falei.</p>
<p style="text-align:justify;">O desfecho dessa história num país como o Brasil é, talvez, bastante previsível, embora não o seja o encaminhamento dado para ela pelo narrador deste conto razoável sobre futebol escrito por Antonio Barreto. Talvez mais do que o desfecho em si importe mais a condição do micro-universo social representado pelo estádio de futebol que brota da do seu entrecho, da articulação das muitas outras histórias paralelas que o autor faz desfilar a partir desta outra, e de mais outras, e de mais outras&#8230;até o ponto final.</p>
<p style="text-align:justify;">“Por que você disse pra soltar o homem, pai? Olhei nos olhos deles, filho. Não é bandido não, eu conheço. Conhece como, pai? Um dia te conto filho. Eu também já fui&#8230; Vamos voltar pro jogo, vamos? E a Brasília, pai? Depois a gente resolve isso&#8230; E a volta a pé pra casa, pai? Volta, mas se quiser, pode subir nas minhas costas. Posso? Pode. Posso gritar, pai? Pode filho: Paiêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê”.</p>
<p style="text-align:justify;"> <span style="color:#000080;"><strong>A OBRA:</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#008000;">Para ler o conto, <em>Estádio</em>, na íntegra, ver: <strong>Contos Brasileiros de Futebol</strong>, organizada por Cyro de Mattos, e publicada pela Editora LGE de Brasília, em 2005.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000080;"><strong>O AUTOR:</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#008000;"><strong>Antonio de Pádua Barreto Carvalho </strong>nasceu em Passos (MG) em 13 de junho de 1954. Reside em Belo Horizonte desde 1973. Morou também em algumas cidades do Oriente Médio, onde trabalhou como projetista de Engenharia Civil, na construção de estradas, pontes e ferrovias. Tem vários prêmios nacionais e internacionais de literatura, para obras inéditas e publicadas, nos gêneros: poesia, conto, romance e literatura infanto-juvenil. Participa também de várias antologias nacionais e estrangeiras de poesia e contos. Foi redator do <em>Suplemento Literário </em>do<em> Minas Gerais</em>, articulista e cronista do jornal <em>Estado de Minas </em>e da revista “Morada”, de Belo Horizonte. Colabora com textos críticos, poemas e artigos de opinião para “El Clarín” (Buenos Aires), “Ror” (Barcelona); “Zidcht” (Frankfurt), “Somam” (Bruxelas), entre outros periódicos. Atualmente coordena a coleção “Para Ler o Mundo”, da Editora Scipione, São Paulo, cujo objetivo é criar condições de recepção e produção de textos verbais e não-verbais, de diferentes gêneros e esferas de circulação, visando atender às necessidades lingüístico-discursivas dos alunos do ensino médio brasileiro. Publicou, entre outros, os seguintes livros: <em>O sono provisório</em> (1978) e <em>Vasta fala</em> (1988), de poesia; <em>Os ambulacros das holotúrias </em>(1990)<em> </em>e <em>Reflexões de um caramujo </em>(1993)<em>, </em>de contos, além de<em> A barca dos amantes </em>(1990)<em> </em>e<em> A guerra dos parafusos</em> (1993), romance.</span></p>
<div>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div>
<p style="text-align:justify;"><a title="" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ednref1">[1]</a> <span style="color:#000000;">Está observação provém de uma frase inclusa no conto-crônica, <em>O homem do Maracanã</em>, deste autor, e está publicado na coletânea, <strong>A vez da bola: crônicas e contos do imaginário esportivo brasileiro</strong>, que inclui nomes de escritores-jornalistas como Lourenço Diaféria e Daniel Piza, e foi editada pela Companhia Editora Nacional, de São Paulo, em 2004.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
</div>
</div>
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			<media:title type="html">Edônio Alves</media:title>
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		<title>Índios do Brasil Sport Club</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 11:07:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cleber Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[Cleber Dias cag.dias@bol.com.br Alguém que visite uma aldeia indígena talvez se surpreenda com a quantidade e a intensidade de uso dos campos de futebol, às vezes praticado todos os dias. Mas quando e de que maneira teria começado o fascínio dos índios brasileiros pelo esporte bretão? No final dos anos 50, durante pesquisa etnográfica entre [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1677&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;">Cleber Dias<br />
cag.dias@bol.com.br</p>
<div id="attachment_1735" class="wp-caption alignleft" style="width: 247px"><a href="http://www.pedromartinelli.com.br/blog/?p=255)"><img class="size-full wp-image-1735   " title="Foto de Pedro Martinelli" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/foto-de-pedro-martinelli.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">No Alto Rio Negro, pintura corporal indígena estiliza o time do coração. Fonte: Pedro Martinelli</p></div>
<p style="text-align:justify;">Alguém que visite uma aldeia indígena talvez se surpreenda com a quantidade e a intensidade de uso dos campos de futebol, às vezes praticado todos os dias. Mas quando e de que maneira teria começado o fascínio dos índios brasileiros pelo esporte bretão?</p>
<p style="text-align:justify;">No final dos anos 50, durante pesquisa etnográfica entre os Xavante, no Mato Grosso, o antropólogo Maybury-Lewis registrou em seu diário “a paixão, ou pode-se mesmo dizer, o vício do futebol”. De acordo com ele, já naquela época, “todos jogavam, jovens e velhos, e a toda hora”.</p>
<p style="text-align:justify;">Para outras etnias, porém, o esporte começou antes disso. Em 1929, índios Karajá, da Ilha do Bananal, conheciam seu primeiro clube: o “Esporte Clube Índio Carajá”. Iniciativa de funcionários do Serviço de Proteção aos Índios (criado em 1910 e substituído em 1967 pela atual Funai), o clube, além de &#8220;promover a instrução física da mocidade forte e saudável da tribo através de teams de water polo&#8221;, conforme diziam alguns documentos da época, também organizava partidas de futebol entre equipes de índios <em>versus</em> “civilizados”. Infelizmente, ainda não descobri quem levava a melhor nessas pelejas.</p>
<div id="attachment_1739" class="wp-caption aligncenter" style="width: 305px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/water-polo-karajc3a1-team.jpg"><img class="size-full wp-image-1739" title="Water Polo Karajá Team" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/water-polo-karajc3a1-team.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Nos anos 20, índios Karajá jogavam football e water polo. Fonte: Museu do Índio</p></div>
<p style="text-align:justify;">Para muitos povos indígenas, o contato com esportes acompanhou a expansão das fronteiras agrícolas nacionais. Para algumas aldeias Kaigang, por exemplo, quase poder-se-ia dizer que a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil apresentou-lhes a bola, o <em>goal</em>, o <em>keeper</em> e tudo mais que geralmente seguiu a expansão global do <em>foot-ball</em>. Em 1905, o início da construção da ferrovia deflagrou um violento conflito, que só fez se intensificar na medida em que avançavam locomotivas pelas tradicionais terras Kaingang. Em 1912, depois de estabelecida relação relativamente pacífica com alguns grupos, organizou-se visita de alguns deles até São Paulo. Levaram-nos à delegacia, ao cinema, aos quartéis, mas também aos clubes nas margens do Tietê, onde puderam entrar em contato com práticas até então estranhas e desconhecidas, como o <em>law-tenis</em> e o futebol. Por volta de 1928, índios Kaingang e Terena do Posto Indígena Araribá, no Oeste Paulista, já formavam equipes para disputar suas próprias partidas.</p>
<div id="attachment_1736" class="wp-caption aligncenter" style="width: 438px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/futebol-araribc3a1.jpg"><img class="size-full wp-image-1736" title="Futebol Araribá" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/futebol-araribc3a1.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Nos anos 20, índios Kaingang e Terena do Posto Indígena Araribá disputavam partidas de futebol. Fonte: Museu do Índio</p></div>
<p style="text-align:justify;">Anos depois, nos idos de 1940, ainda mais familiarizados com o jogo de chutar a bola com os pés, índios do Posto Cacique Doble, no Rio Grande do Sul, participavam do “Kaingang Futebol Clube”, que além do plantel futebolístico, ainda organizava atividades como grupos de escoteiros.</p>
<div id="attachment_1734" class="wp-caption aligncenter" style="width: 424px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/escoteiros-kaingang-futebol-clube.jpg"><img class="size-full wp-image-1734" title="Escoteiros Kaingang Futebol Clube" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/escoteiros-kaingang-futebol-clube.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Perfilados e uniformizados, crianças do grupo de escoteiros do Kaingang Futebol Clube pousam para foto no campo de futebol. Fonte: Museu do Índio</p></div>
<p style="text-align:justify;">Há quilômetros e quilômetros dali, a noroeste de Cuiabá, estações telegráficas inauguradas pela Comissão Rondon (1908-1915) também levavam consigo novos hábitos e costumes, entre os quais, o da prática de esportes. Nesses casos, quase poder-se-ia dizer que esportes chegavam através de um fio. Após o estabelecimento de estações telegráficas, logo se providenciava a criação de núcleos populacionais nas suas imediações, cujo propósito era “disseminar a civilização no sertão”. Para o “progresso moral e mental” – conforme diziam – criavam-se escolas que, entre outras coisas, ensinavam a ginástica sueca e o futebol.</p>
<div id="attachment_1738" class="wp-caption aligncenter" style="width: 374px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/pareci-jogando-futebol.jpg"><img class=" wp-image-1738" title="Pareci jogando futebol" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/pareci-jogando-futebol.jpg?w=364&#038;h=250" alt="" width="364" height="250" /></a><p class="wp-caption-text">Fotografias e filmes documentários produzidos pela Comissão Rondon registraram alguns dos primeiros contatos de povos indígenas com os esportes. Acima, “índios Paresi jogando futebol”. Fonte: Museu do Índio</p></div>
<p style="text-align:justify;">Apesar de em larga medida ter sido disseminado com propósitos coloniais, o esporte foi criativamente apropriado por povos indígenas. Contrariando intenções iniciais pelas quais tais práticas foram difundidas, atualmente, elas servem a causas muito diversas, desde mobilizações políticas mais gerais até o fortalecimento de identidades étnicas. No século XXI, gostemos ou não, esportes também constituem parte das mais autênticas tradições indígenas &#8211; se é que ainda faz algum sentido falar em &#8220;autenticidade&#8221; de tradições.</p>
<div id="attachment_1737" class="wp-caption aligncenter" style="width: 438px"><a href="http://noticias.uol.com.br/album/110424_album.jhtm#fotoNav=26"><img class="size-full wp-image-1737 " title="Futebol São Feliz do Xingu" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/futebol-sc3a3o-feliz-do-xingu.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Meninas Caiapó, como quaisquer crianças brasileiras, ou quase, jogam futebol com bola improvisada em São Felix do Xingu, no Pará. Fonte: Ricardo Moraes / Reuters (UOL)</p></div>
<p style="text-align:justify;">_________________<br />
[1] Interessados em mais detalhes sobre o assunto, podem consultar em breve artigo de minha autoria, na Revista <em>Pensar a Prática</em>, número especial, no prelo: “A igreja, o Estado e a bola: história do esporte entre índios do Brasil Central” (<a href="http://www.revistas.ufg.br/index.php/fef">http://www.revistas.ufg.br/index.php/fef</a>).</p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1677/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1677/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1677/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1677/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1677/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1677/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1677/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1677/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1677/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1677/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1677/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1677/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1677/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1677/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1677&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Foto de Pedro Martinelli</media:title>
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			<media:title type="html">Water Polo Karajá Team</media:title>
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			<media:title type="html">Futebol Araribá</media:title>
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			<media:title type="html">Escoteiros Kaingang Futebol Clube</media:title>
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			<media:title type="html">Pareci jogando futebol</media:title>
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			<media:title type="html">Futebol São Feliz do Xingu</media:title>
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		<title>1949: pílulas sobre o esporte em Belo Horizonte</title>
		<link>http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/12/12/1949-pilulas-sobre-o-esporte-em-belo-horizonte/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 14:26:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esporte em Belo Horizonte]]></category>
		<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Belo Horizonte]]></category>
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		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[por André Schetino O ano vai terminando, e com ele meu último post da temporada 2011 aqui do História(s) do Sport. Recebi por email a indicação do vídeo abaixo, que divido com vocês. Trata-se de Belo Horizonte em 1949, em um filme produzido pelo Escritório de Serviços Estratégicos Americanos em colaboração com o Escritório de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1725&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:right;"></div>
<div style="text-align:right;">por André Schetino</div>
<div style="text-align:right;"></div>
<div style="text-align:justify;">O ano vai terminando, e com ele meu último post da temporada 2011 aqui do História(s) do Sport. Recebi por email a indicação do vídeo abaixo, que divido com vocês. Trata-se de Belo Horizonte em 1949, em um filme produzido pelo Escritório de Serviços Estratégicos Americanos em colaboração com o Escritório de Coordenação dos Negócios Inter-americanos dos E.U.A.</div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;">Vale lembrar que que o período em questão é de grande desenvolvimento para a cidade, marcado pela industrialização, os investimentos do Prefeito Juscelino Kubitschek e a busca por parceiros comerciais para a capital mineira, naquele momento a 7ª do país e com pouco mais de 200mil habitantes.</div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;">O vídeo é longo, são 17 minutos ao todo (divididos em 2 partes), e aborda diversos aspectos do desenvolvimento de Belo Horizonte. Na primeira parte o destaque é a indústria da mineração, que alavancava a economia do Estado. Destaco a segunda parte do vídeo, especialmente a partir dos 5&#8217;22&#8221; onde o lazer e o esporte entram em cena.</div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;">Primeiro ao mostrar o Parque Municipal, que podemos considerar como o berço do esporte na cidade. Lá ocorreram competições de ciclismo, jogos de futebol, patinação, tenis e muitos outros. O Parque até hoje é um dos espaços privilegiados para o lazer na cidade, famoso por estar sempre lotado aos domingos para os passeios em família ou de casais de namorados.</div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;">Além disso, o Minas Tennis Clube, que já foi tema do meu <a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2009/09/28/os-clubes-esportivos-de-belo-horizonte-parte-1/" target="_blank">segundo post</a> aqui no blog sobre os clubes esportivos da cidade. As imagens são belíssimas, com destaque para as exibições de ginástica. No Iate Clube, na recém construída Pampulha, os esportes náuticos faziam sucesso àquela época. Além, é claro, do Cassino (onde hoje se localiza o Museu de Arte).</div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/12/12/1949-pilulas-sobre-o-esporte-em-belo-horizonte/"><img src="http://img.youtube.com/vi/HmUYpG0zwUE/2.jpg" alt="" /></a></span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/12/12/1949-pilulas-sobre-o-esporte-em-belo-horizonte/"><img src="http://img.youtube.com/vi/5SIUgk9M-Dw/2.jpg" alt="" /></a></span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;">Desejo a  todos os leitores ótimas festas de fim de ano, e um 2012 com muitas alegrias. Um abraço!</div>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/esporte-em-belo-horizonte/'>Esporte em Belo Horizonte</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a> Tagged: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/tag/belo-horizonte/'>Belo Horizonte</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/tag/esporte/'>esporte</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/tag/historia/'>história</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1725/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1725/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1725/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1725/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1725/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1725/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1725/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1725/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1725/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1725/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1725/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1725/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1725/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1725/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1725&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">André</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Em favor do cotidiano: lazer e políticas culturais em Goiânia</title>
		<link>http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/12/08/em-favor-do-cotidiano-lazer-e-politicas-culturais-em-goiania/</link>
		<comments>http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/12/08/em-favor-do-cotidiano-lazer-e-politicas-culturais-em-goiania/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 12:10:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cleber Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[Cleber Dias cag.dias@bol.com.br É com grande alegria que compartilho aqui mais um trabalho, dessa vez, dedicado a estudar os equipamentos culturais de Goiânia, bem como seu modo de distribuição pela cidade e suas relações com as politicas de lazer e de cultura: &#8220;&#8216;Em favor do cotidiano: lazer e políticas culturais em Goiânia&#8221; (Ed. da PUC-Goiás, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1675&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;">Cleber Dias</p>
<p style="text-align:right;">cag.dias@bol.com.br</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/capa-2.jpg"><img class="alignright  wp-image-1684" title="capa" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/capa-2.jpg?w=245&#038;h=291" alt="" width="245" height="291" /></a>É com grande alegria que compartilho aqui mais um trabalho, dessa vez, dedicado a estudar os equipamentos culturais de Goiânia, bem como seu modo de distribuição pela cidade e suas relações com as politicas de lazer e de cultura: &#8220;&#8216;<em>Em favor do cotidiano: lazer e políticas culturais em Goiânia</em>&#8221; (Ed. da PUC-Goiás, 2011).</p>
<p style="text-align:justify;">O livro é resultado de uma pesquisa realizada ao longo de 2010, com apoio da Rede Cedes, Centro de Desenvolvimento do Esporte Recreativo e do Lazer, do Ministério do Esporte.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Quantas instalações dedicadas às artes, à cultura e ao lazer existem em Goiânia? Onde estão localizadas? Quais os critérios que orientam suas formas de distribuição social e geográfica? Para responder tais perguntas, este livro realiza um inventário dos equipamentos culturais de Goiânia, analisando-os à luz do contexto social mais geral da cidade. Cruzando e confrontando informações diversas, avaliaram-se as oportunidades disponíveis aos cidadãos de Goiânia para o acesso e o usufruto do lazer e da cultura. Nesse sentido, o esforço das políticas culturais da cidade aparece como veículo privilegiado para o atendimento das expectativas de consumo cultural dos privilegiados. Grupos com elevado poder de compra, moradores das áreas nobres e muitos anos de escolaridade são, em suma, os principais beneficiados por essas políticas. De que maneira então o poder público deve subsidiar ações nessa área? Como o Estado deve assumir o compromisso com a promoção cultural? <em>Em favor do cotidiano</em>: <em>lazer e políticas culturais em Goiânia</em> oferece suas reflexões a respeito&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Para fazer download do livro completo, clique <a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/em-favor-do-cotidiano-lazer-e-politicas-culturais-em-goiania-cleber-dias.pdf">Em Favor do Cotidiano</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/2-capa-2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1686" title="2 capa" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/2-capa-2.jpg?w=450" alt=""   /></a></p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1675/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1675/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1675/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1675/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1675/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1675/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1675/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1675/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1675/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1675/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1675/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1675/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1675/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1675/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1675&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Cleber Dias</media:title>
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			<media:title type="html">capa</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/2-capa-2.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">2 capa</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>&#8220;Os Trombadinhas” (1979)</title>
		<link>http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/12/05/os-trombadinhas-1979/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 16:15:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Sant&#39;ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Ana M. Nascimento e Silva, na personagem de   “Arlete:        “- Você é o Pelé? Edson Arantes do Nascimento, no personagem de “Pelé”:       &#8211;  Não, eu sou o Jô Soares,  sua piranha!”   Este diálogo, na parte final de “Os Trombadinhas”, consta de uma lista no you tube, intitulada “As 10 maiores pérolas do cinema [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1669&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/os-trombadinhas-2.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-1671" title="Os Trombadinhas 2" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/12/os-trombadinhas-2.jpg?w=197&#038;h=300" alt="" width="197" height="300" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ana M. Nascimento e Silva, na personagem de   <strong>“Arlete</strong>:        <em>“- Você é o Pelé?</em></p>
<p>Edson Arantes do Nascimento, no personagem de “<strong>Pelé”</strong>:       &#8211;  <em>Não, eu sou o Jô Soares,  </em><em>sua piranha!”</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>Este diálogo, na parte final de “Os Trombadinhas”, consta de uma lista no you tube, intitulada “As 10 maiores pérolas do cinema nacional”&#8230; merecidamente  (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=bmg026ejP7k&amp;feature=player_detailpage">http://www.youtube.com/watch?v=bmg026ejP7k&amp;feature=player_detailpage</a>).  E não é o único atrativo desse filme de 1979, dirigido pelo insuspeito Anselmo Duarte. Trata-se, inclusive, de seu último longa metragem. A bem da verdade, muitos acham que não se trata de um desfecho de ouro na brilhante carreira do ator/diretor que, nada mais nada menos, é o ganhador do maior prêmio já recebido por um filme nacional, a Palma de Ouro de Cannes, pelo Pagador de Promessas, de 1962. Opinião por opinião, lá vai a minha: é imperdível!</p>
<p>Não se trata de um ‘puta’ filme&#8230; longe disso. Mas 32 anos depois, essa fita ganha traços de registro histórico, elementos de saudosismo e um charme cômico impagável. Para além da antológica sequencia acima resumida, outras tantas<em> </em>merecem destaque na galeria de passagens memoráveis do nosso cinema. E a história?  Pueril e às raias do <em>non sense</em>.</p>
<p>Um empresário, vivido por Paulo Goulart, encontra-se num carro que atropela um jovem meliante em fuga, um trombadinha. A partir daí o empreendedor assume a causa desses meninos. Após diálogos inverossímeis com um juiz e policiais, resolve escalar Pelé para ajuda-lo na tarefa; mas como assessor da policia!!  Edson Arantes, interpretando Pelé, passa a acompanhar “Bira”, personagem do ator Paulo Vilaça, o qual vira seu ‘parceiro’ de rondas e perseguições. Já na primeira carreira atrás de um suspeito, Pelé se vê frustrado pela agilidade do pequeno assaltante. Pelé não jogava mais, tinha acabado de voltar do Cosmos (o que é mostrado no início da produção), portanto, admite que já “não está em forma”. Nesse momento há um corte para uma sequencia na qual ele volta a treinar&#8230; para poder dar conta de alcançar os ágeis trombadinhas!</p>
<p>É isso, o filme é um “policial”, no qual o rei do futebol coloca todo o gênio que desenvolveu nas quatro linhas a serviço da polícia, em nome da causa da salvação das criancinhas. É um filme com tese social. O problema, como defende o rei, não são as crianças, mas os verdadeiros criminosos, adultos, que as exploram. Dentre essas figuras surge um intermediário do varejo, o seu “Manteiga” (Sergio Hingst), e um grande empresário, Renato (Francisco Di Franco). Ambos acabam mal, por conta da ação detetivesca e heroica do craque. Seu manteiga é uma espécie de versão paulista do velho Fagin, o líder do bando de delinquentes juvenis da história de Oliver Twist, escrita por Dickens, ao fim da primeira metade do XIX.<em> </em></p>
<p><em>            </em>Há, como mencionamos, indeléveis traços de época. Todos, quase literalmente, usam calças boca larga; referir-se a Pelé como “negão”, a um de seus pupilos negros de “zulu’, a um outro de “crioulinho’ ainda não era politicamente incorreto. A menção velada, mas inequívoca ao comércio de cocaína é verbalizada de forma, hoje, ridiculamente cifrada. Renato, o vilão mor convida um empresário ganancioso e inacreditavelmente ingênuo a “diversificar” seus negócios:</p>
<p>“- Bota pó nessa jogada que você vai logo ter mais capital! (&#8230;)</p>
<p>Talco, pó de arroz&#8230;”</p>
<p>Esse era um negócio mais sério, só para os bandidos “barra pesada”. A película inclui ainda sequencias de perseguição em carros e hilárias cenas de briga. Nestas, Pelé faz um misto de lutador de Kung fu e Homem de seis milhões de dólares (a referência a essa série da década de 1970 parece clara demais; desde as sequencias de saltos e “dribles” em câmera lenta   &#8211; o maior recurso técnico de então para ilustrar as habilidades biônicas do personagem Steve Austin-,   ao modelito usado por Pelé, um conjunto bege, que é a cara do guarda roupas do ciborgue americano).</p>
<p>Pelé, o empresariado consciente, a polícia (devidamente reforçada pelo detive/jogador), fazem sua parte. Mas é preciso mais. Apesar da boa vontade desse escrete do bem, o problema persistiria, como é explicitado na última tomada.  Haveria muitas explicações para essa permanência, mas fico com aquela que remete à densidade intelectual dos perpetradores do escuso negócio de exploração de menores, ilustrada nesse diálogo:</p>
<p><strong>Gibi</strong> (bandido concorrente de Manteiga):   “ &#8211; [Arlete] tinha um encontro comigo e nem deu sinal [já estava presa].   O manteiga deve ter armado uma arapuca pra ela!</p>
<p><strong>Bandido 2</strong>:   &#8211; C´est la vie,  c’est la vie, mon chéri!.</p>
<p><strong>Gibi:</strong> &#8211; Para com essa merda de inglês!</p>
<p><strong>Bandido 2</strong>: &#8211; Não é inglês, seu burro! É alemão!”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se não der vontade de ver o filme depois disso, <em>me demito-me </em>desse blog,  entende?</p>
<p>Grande abraço; bom natal e fim de ano para todos!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fontes:</p>
<p><a href="http://www.meucinemabrasileiro.com/filmes/trombadinhas/trombadinhas.asp">http://www.meucinemabrasileiro.com/filmes/trombadinhas/trombadinhas.asp</a></p>
<p><a href="http://seriesedesenhos.com/br2/br2/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2533&amp;Itemid=68">http://seriesedesenhos.com/br2/br2/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2533&amp;Itemid=68</a></p>
<p><a href="http://terrivialidades.wordpress.com/2011/06/20/os-trombadinhas-1979-um-manifesto-ideologico-sobre-a-delinquencia-juvenil-na-sociedade-contemporanea-e-o-pele-policial/">http://terrivialidades.wordpress.com/2011/06/20/os-trombadinhas-1979-um-manifesto-ideologico-sobre-a-delinquencia-juvenil-na-sociedade-contemporanea-e-o-pele-policial/</a></p>
<p><a href="http://www.revistazingu.net/2011/10/os-trombadinhas-2">http://www.revistazingu.net/2011/10/os-trombadinhas-2</a></p>
<p>Consultadas  em 04 12 2011.</p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1669/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1669/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1669/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1669/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1669/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1669/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1669/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1669/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1669/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1669/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1669/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1669/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1669/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1669/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1669&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Luiz Carlos Sant&#039;ana</media:title>
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			<media:title type="html">Os Trombadinhas 2</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>O remo em Salvador</title>
		<link>http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/11/29/o-remo-em-salvador/</link>
		<comments>http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/11/29/o-remo-em-salvador/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 29 Nov 2011 09:48:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Coriolano Rocha Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esporte na Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Século XIX]]></category>
		<category><![CDATA[Século XX]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Coriolano P. da Rocha Junior Embora Salvador seja uma cidade litorânea, o desenvolvimento do remo na cidade não foi “natural”, foi sim uma construção cultural. Em seu início o remo simbolizava novos hábitos e comportamentos, uma maneira diferente de olhar e lidar com o corpo, uma verdadeira forma de ser ou ao menos parecer [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1665&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Coriolano P. da Rocha Junior</p>
<p style="text-align:left;">Embora Salvador seja uma cidade litorânea, o desenvolvimento do remo na cidade não foi “natural”, foi sim uma construção cultural. Em seu início o remo simbolizava novos hábitos e comportamentos, uma maneira diferente de olhar e lidar com o corpo, uma verdadeira forma de ser ou ao menos parecer moderno. Na prática do remo, o homem se expõe ao contato com a natureza, enfrenta desafios e busca a superação de seus limites. Além disso, em seus primeiros momentos, o remo incorporava novos significados de vivência no urbano, de convivência com pessoas, de relação com a velocidade, com tecnologias e, ainda, de aventuras, ações de vigor e de exposição do corpo. Muito por conta desses fatores, o remo era o esporte de maior apelo no início do século, atraindo um público diversificado e de variados estratos da população.</p>
<p style="text-align:left;">Em Salvador foram quatro os clubes que fizeram acontecer as regatas: Esporte Clube Vitória (1899); Clube de Natação e Regatas São Salvador (1902); Clube de Regatas Itapagipe (1902) e Sport Club Santa Cruz (1904), tornando-as uma atividade de importância e valor para a cidade, com suas provas sempre acontecendo na Enseada dos Tainheiros, garantindo a esse espaço um lugar na memória sentimental baiana.</p>
<p style="text-align:left;">O desenvolvimento do remo também contribuiu para o aprofundamento da estruturação do esporte como um todo. Foi a partir do remo que a organização esportiva em Salvador foi mais bem delineada, se percebendo a preocupação não apenas com o esporte, mas também com a cidade e sua constituição e, ainda, com a convivência social, ou seja, o remo foi uma prática esportiva que teve implicação com a própria dimensão de “recriação” da cidade.</p>
<p style="text-align:left;">Era comum acontecer na cidade duas grandes regatas, uma a cada semestre, sempre sob a organização de um clube ou da Federação de Regatas. O remo e suas provas sempre foram notícia nos jornais baianos, suas competições eram sempre mostradas como uma autêntica demonstração de civilidade e de seus moradores, ora com vivas, ora com críticas ao seu desprestígio.</p>
<p style="text-align:left;">Os jornais locais anunciavam as regatas desde a sua organização, mostrando quais seriam seus páreos, os clubes que participariam de cada um e, ainda, comentavam os cuidados gerais na organização do evento, para que tudo corresse bem e que todo o público pudesse dele aproveitar da melhor maneira. Para tanto, além da prática esportiva em si, as regatas também envolviam a participação de bandas e sinfônicas, que tinham a tarefa de entreter o público. Cada clube colocava a disposição de seus sócios e convidados um barco que tinha o papel de levar essas pessoas enseada adentro, para que de lá assistissem as regatas com maior conforto. Além disso, as areias e calçadas eram tomadas por quem queria assistir a competição ou somente desfilar pelas ruas.</p>
<p style="text-align:left;">Em Salvador, ao mesmo tempo em que observamos os jornais estampando matérias alusivas ao remo e as suas regatas, verificamos também matérias que apontam críticas referentes à sua estrutura, a exemplo do que traz o jornal <em>A Tarde</em><a title="" href="#_ftn1">[1]</a> “mais uma vez recomendamos aos que forem por mar assistir a regata de domingo vindouro, não ancorarem suas embarcações no meio da raia, nem cortarem-na na hora do pareo”.</p>
<p style="text-align:left;">O mesmo jornal <em>A Tarde</em><a title="" href="#_ftn2">[2]</a> trazia na edição de 19 de dezembro de 1912 uma interessante matéria. Nela, o jornal questionava e lamentava a não participação dos baianos no Campeonato Brasil de remo, realizado no Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que criticava dirigentes esportivos e políticos baianos pelo fato. Na sequencia, ressaltava que se tivesse havido participação baiana, teria o Brasil visto o valor de seus jovens.</p>
<p style="text-align:left;">Com tudo isso, podemos considerar que o remo teve grande potência como prática esportiva. Clubes e entidades reguladoras foram fundados, as regatas se transformaram em eventos significativos e de valor muito maior que o esportivo, tornando-se mesmo um marco das novas relações sociais. Todavia, em Salvador, essa prática decaiu em importância, significado e atração popular, fato que segue até hoje.</p>
<div>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div style="text-align:left;">
<p><a title="" href="#_ftnref1">[1]</a> Jornal A Tarde, 24 de outubro de 1912.</p>
</div>
<div>
<p style="text-align:left;"><a title="" href="#_ftnref2">[2]</a> Jornal A Tarde, 19 de dezembro de 1912.</p>
</div>
</div>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/esporte-na-bahia/'>Esporte na Bahia</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/seculo-xix/'>Século XIX</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/seculo-xx/'>Século XX</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1665/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1665/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1665/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1665/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1665/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1665/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1665/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1665/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1665/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1665/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1665/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1665/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1665/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1665/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1665&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Capoeira&#8230;Olímpica?</title>
		<link>http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/11/23/capoeira-olimpica/</link>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2011 21:24:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vivianfonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capoeira]]></category>
		<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Século XX]]></category>

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		<description><![CDATA[por Vivian Fonseca   Em tempo de mega-eventos esportivos, a palavra olímpico virou habitué em matérias jornalísticas, conversas informais e pesquisas acadêmicas. Diante desse afã olímpico, é possível falar em capoeira olímpica? Não é de hoje que podemos observar as aproximações (ou no mínimo tentativas de) da capoeira com a categoria esporte.  Essa relação já [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1661&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><em>por Vivian Fonseca</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>Em tempo de mega-eventos esportivos, a palavra olímpico virou <em>habitué</em> em matérias jornalísticas, conversas informais e pesquisas acadêmicas. Diante desse afã olímpico, é possível falar em capoeira olímpica?</p>
<p>Não é de hoje que podemos observar as aproximações (ou no mínimo tentativas de) da capoeira com a categoria esporte.  Essa relação já se via presente desde os anos 1920 e 30, quando foi publicada por Aníbal Burlamaqui uma primeira proposta de regulamentação da capoeira nos moldes esportivos e diversos intelectuais e setores militares tentaram qualificar a capoeira como ‘esporte nacional por excelência’. No entanto, foi ao longo das décadas de 1960 e 70, que essa ação se intensificou. Nesse momento procurou-se dar ênfase ao tipo de Capoeira-Esporte, buscando enquadrá-la nos preceitos de uma modalidade pugilística e percebendo o capoeirista como atleta.</p>
<p>Nesse sentido, a capoeira foi oficialmente reconhecida como esporte em 1972 e, nesse mesmo ano, foi proposto um Regulamento Técnico para ela. A ideia de Capoeira-Esporte se propunha a ter repercussão nacional, mas, à medida que Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia colocavam-se como os principais eixos da capoeiragem no Brasil, é nesses locais que assistimos às principais movimentações contrárias e favoráveis a essa (nova) visão de capoeira. Enquanto alguns grupos posicionavam-se contra essa regulamentação, diversos capoeiristas e grupos filiaram-se à Confederação Brasileira de Pugilismo, aderindo a esse novo projeto. Nesse período tiveram início diversos modelos de competição de capoeira, tão presentes nos dias atuais, principalmente, nas Escolas de Capoeira Contemporânea. Já nos anos 1990, essas questões levaram a conflitos com os Conselhos Federal e Regionais de Educação Física. Estes alegavam que a capoeira, entendida como esporte, só poderia ser ministrada por professores licenciados em Educação Física e credenciados pelos Conselhos. O que se evidenciou, na maioria das vezes, entre os praticantes, é um movimento de resistência a essa imposição. Por outro lado, em um primeiro momento, alguns grupos e entidades estabeleceram convênio com o sistema CONFEF/ CREF. Essa é uma questão que criou um novo terreno de tensões, uma vez que dentro da capoeira não há uma visão homogênea, e cada grupo tem interesses próprios. As instâncias jurídicas responsáveis têm dado ganho de causa aos capoeiristas, observando que a capoeira é uma prática com história e códigos formadores específicos, não se adequando à definição estrita de esporte e/ ou atividade física. Apesar da visão da capoeira como cultura encontrar mais adeptos e visibilidade, alguns setores da capoeira continuam apostando na Capoeira-Esporte e, nesse sentido, buscando reconhecimento olímpico para ela.</p>
<p>Esse esforço vem de parte das Federações de Capoeira espalhadas pelo Brasil e, também, no exterior, ainda que em menor número.  Como uma dessas ações, pode-se citar a Rede Capoeira Olímpica, formada em 2008, que congrega 34 instituições brasileiras, como a Confederação Internacional de Capoeira, diversas Federações estaduais, Ligas, Grupos e Associações de Capoeira espalhadas pelo Brasil segundo estimativa divulgada pela própria Rede em outubro de 2011. Outra ação recente nesse sentido foi o pedido e reconhecimento da Federação Internacional de Capoeira (FICA) pela General Association of International Sports Federations (GAISF) em 2010, na qualidade de Observadora – um dos níveis de reconhecimento do Comitê Olímpico Internacional (COI). Se a capoeira seguirá a trilha de esporte olímpico, só o futuro nos dirá. Mas, por agora, fica a certeza de que a capoeira é uma manifestação plural e, como tal, abriga em seu campo diversos projetos (em disputa) para ela. Um deles, como podemos perceber, é a Capoeira-Esporte.</p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/capoeira/'>Capoeira</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/seculo-xx/'>Século XX</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1661/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1661/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1661/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1661/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1661/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1661/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1661/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1661/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1661/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1661/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1661/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1661/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1661/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1661/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1661&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cidade de lata</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Nov 2011 09:59:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Fortes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Século XX]]></category>
		<category><![CDATA[África do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Tin Town]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Rafael Fortes Dura menos de meia hora. 29 minutos e 47 segundos, para ser preciso. Traduzo o título por &#8220;Cidade de Lata&#8221; e o subtítulo, &#8220;O custo irresponsável da Copa do Mundo de 2010&#8243;. Tudo que está entre aspas neste texto foi retirado do filme e traduzido por mim. O roteiro e o conteúdo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1655&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Rafael Fortes</p>
<p>Dura menos de meia hora. 29 minutos e 47 segundos, para ser preciso. Traduzo o título por &#8220;Cidade de Lata&#8221; e o subtítulo, &#8220;O custo irresponsável da Copa do Mundo de 2010&#8243;. Tudo que está entre aspas neste texto foi retirado do filme e traduzido por mim.</p>
<p>O roteiro e o conteúdo revelam o que relativamente poucos sabem (e, destes, menos ainda estão dispostos a discutir, divulgar e tentar mudar).</p>
<p>Por exemplo, a repressão a trabalhadores informais de feiras livres sob a alegação de que as ruas precisam ser transformadas em espaços &#8220;amigáveis para o turista&#8221;. Ou seja, o espaço da rua e da cidade não são para quem vive nela. A preocupação da Prefeitura não é com os cidadãos/moradores &#8211; aqueles que a elegeram. A prioridade é a <em>imagem</em>. Você, leitor(a), conhece alguma cidade com dirigentes assim?</p>
<p>Ou a remoção (melhor seria dizer <em>expulsão</em>) de 10 mil pessoas para a <em>cidade de lata</em>, a 35km da Cidade do Cabo, onde viviam. Ao ver as primeiras imagens, pensei: <em>parece um campo de concentração</em>. Pouco depois, um entrevistado diz, acabando com qualquer dúvida: &#8220;isto é um campo de concentração&#8221;. Vemos a casa de lata de oito metros quadrados em que vive o personagem central. Vemos o banheiro de uso coletivo sem água. Um deles é uma cabine de cerca de um metro quadrado. No meio, um balde &#8211; isso mesmo, usa-se um balde para fazer as necessidades.</p>
<p>Ou o seguinte comentário: &#8220;saímos de uma opressão para ser oprimidos de novo? Isso não é justo.&#8221; Velhas e novas formas de segregação na terra que introduziu o termo <em>apartheid </em>no vocabulário global.</p>
<p>Ou as condições &#8220;opressoras&#8221; de trabalho e a &#8220;exploração&#8221; a que foram submetidos os operários das obras do Mundial, como baixos salários e contratos temporários.</p>
<p style="text-align:center;">*  *  *</p>
<p>Trailer:</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/11/14/cidade-de-lata/"><img src="http://img.youtube.com/vi/nKvDAjhXDGM/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p><em>Tin Town</em> é o nome do filme. A produção é uma iniciativa da ONG <a href="http://www.sportforsolidarity.org/" target="_blank">Sport for Solidarity</a> (algo como <em>esporte para a solidariedade</em>). Tive a oportunidade de assisti-lo graças a uma gentileza do diretor, Geoff Arbourne. (Ainda) não está disponível no Brasil.</p>
<p>Aliás, &#8220;o Brasil é o próximo.&#8221;</p>
<p>E aí?</p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/cinema/'>Cinema</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/futebol/'>Futebol</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/politica/'>Política</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/seculo-xx/'>Século XX</a> Tagged: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/tag/africa-do-sul/'>África do Sul</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/tag/copa-do-mundo/'>Copa do Mundo</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/tag/tin-town/'>Tin Town</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1655/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1655/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1655/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1655/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1655/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1655/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1655/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1655/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1655/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1655/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1655/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1655/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1655/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1655/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1655&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Rafael Fortes</media:title>
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		<title>Eça de Queirós e o esporte</title>
		<link>http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/11/05/eca-de-queiros-e-o-esporte/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Nov 2011 21:47:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Melo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Século XIX]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Victor Melo Eça de Queirós é um gigante, um dos maiores autores não só da língua portuguesa, como da literatura universal. Tenho tido o prazer de me debruçar sobre sua obra para discutir suas representações de esporte. O post de hoje é dedicado a apresentar um pouco da presença da prática em uma de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1642&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Victor Melo</p>
<p style="text-align:justify;">Eça de Queirós é um gigante, um dos maiores autores não só da língua portuguesa, como da literatura universal. Tenho tido o prazer de me debruçar sobre sua obra para discutir suas representações de esporte. O <em>post</em> de hoje é dedicado a apresentar um pouco da presença da prática em uma de suas obras mais notáveis: <em>Os Maias</em>.</p>
<p>.</p>
<p><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/11/eca1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1649" title="eca" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/11/eca1.jpg?w=450" alt=""   /></a></p>
<p>.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Os Maias</em>, lançado em 1888, é a história trágica de três gerações de uma família da elite portuguesa, cuja fortuna vinha da posse de terras e de heranças, tendo como pano de fundo um retrato cáustico do país. Ainda mais do que os anteriores e igualmente celebrados <em>O Crime do Padre Amaro</em> (publicado pela primeira vez em 1875) e <em>O Primo Basílio</em> (lançado em 1878), a obra procura expressar as contradições da sociedade portuguesa, inclusive no tocante à construção de um projeto modernidade.</p>
<p>.</p>
<div id="attachment_1644" class="wp-caption aligncenter" style="width: 210px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/11/ec3a7a-maias.jpg"><img class="size-full wp-image-1644" title="eça.maias" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/11/ec3a7a-maias.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Capa da primeira edição de Os Maias</p></div>
<p>.</p>
<p style="text-align:justify;">            Algumas práticas esportivas aparecem ocasionalmente em <em>Os Maias</em>, e é mesmo o turfe o mais enfocado.  Praticamente todo o capítulo X gira em torno de corridas de cavalos realizadas em Lisboa. Eça o tempo todo aborda a dificuldade de realização da atividade. No tão esperado dia do evento, o Hipódromo de Belém estava em festa, mas sua ornamentação não era das mais belas, tampouco era digna de destaque a organização. O prado é assim descrito pelo narrador:</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;"><em>o hipódromo elevava-se suavemente em colina, parecendo, depois da poeirada quente da calçada e das cruas reverberações da cal, mais fresco, mais vasto, com a sua relva já um pouco crestada pelo sol de junho, e uma ou outra papoula vermelhejando aqui e além (&#8230;). No centro, como perdido no largo espaço verde, negrejava, no brilho do sol, um magote apertado de gente, com algumas carruagens pelo meio (&#8230;). Para além, dos dois lados da tribuna real forrada de um baetão vermelho de mesa de repartição, erguiam-se as duas tribunas publicas, com o feitio de traves mal pregadas, como palanques de arraial. A da esquerda vazia, por pintar, mostrava à luz as fendas do tabuado. Na da direita, besuntada por fora de azul claro, havia uma fila de senhoras (&#8230;); e o resto das bancadas permanecia deserto e desconsolado, de um tom alvadio de madeira, que abafava as cores alegres dos raros vestidos de verão.</em></p>
<p>.</p>
<div id="attachment_1645" class="wp-caption aligncenter" style="width: 448px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/11/ec3a7a-hipodromo.jpg"><img class="size-full wp-image-1645" title="eça.hipodromo" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/11/ec3a7a-hipodromo.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Corridas no hipódromo de Belém - último quartel do séc. XIX - Jockey-Club. In Diario Ilustrado, Lisboa, nº1352 (1 Out. 1876), p. 1. Disponível em: http://purl.pt/93/1/iconografia/os_maias/j3001_2_1876_n1352_fic.html.</p></div>
<p>.</p>
<p style="text-align:justify;">Eça trabalha a ideia de que uma expressão das limitações sociais e culturais que cercavam os personagens, Lisboa e Portugal como um todo é o próprio fato de que a tentativa de organizar um evento esportivo mostrara-se falha, caricatural.</p>
<p style="text-align:justify;">A saída, contudo, pelo autor apontada na trama, não é se render à emulação do que era considerado “civilizado”, mas sim investir no genuíno. As palavras de Afonso da Maia são categóricas:</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;"><em>- O verdadeiro patriotismo talvez, disse ele &#8211; seria, em lugar de corridas, fazer uma boa tourada (&#8230;) Pois é verdade, tenho esse fraco português, prefiro toiros. Cada raça possui o seu sport próprio, e o nosso é o toiro: o toiro com muito sol, ar de dia santo, água fresca, e foguetes&#8230;</em></p>
<p>.</p>
<div id="attachment_1646" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/11/ec3a7a-tourada.jpg"><img class="size-full wp-image-1646" title="eça.tourada" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/11/ec3a7a-tourada.jpg?w=450&#038;h=346" alt="" width="450" height="346" /></a><p class="wp-caption-text">Praça de Touros do Campo Pequeno, uma das mais importantes de Portugal. Disponível em: http://datasnahistoria.blogspot.com</p></div>
<p>.</p>
<p style="text-align:justify;">Na obra, uma expressão dessa posição é a do marquês de Souzelas, apoiando enfaticamente as observações de Afonso:</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;"><em>Aquilo é que era falar! Aquilo é que era dar a filosofia do toiro! Está claro que a tourada era uma grande educação física! E havia ainda imbecis que falavam em acabar com os toiros! Oh, estúpidos, acabais então com a coragem portuguesa!&#8230;</em><em> Nós não temos os jogos de destreza das outras nações, exclamava ele, bracejando pela sala e esquecido dos seus males. Não temos o cricket, nem o foot-ball, nem o running, como os ingleses; não temos a ginástica como ela se faz em França; não temos o serviço militar obrigatório que é o que torna o alemão sólido&#8230; Não temos nada capaz de dar a um rapaz um bocado de fibra. Temos só a tourada&#8230; Tirem a tourada, e não ficam senão badamecos derreados da espinha, a melarem-se pelo Chiado!</em></p>
<p>.</p>
<div id="attachment_1647" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/11/ec3a7a-jose-casimiro.jpg"><img class="size-full wp-image-1647" title="eça.jose.casimiro" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/11/ec3a7a-jose-casimiro.jpg?w=450&#038;h=512" alt="" width="450" height="512" /></a><p class="wp-caption-text">José Casimiro, um dos maiores toureiros portugueses. Fonte: Occidente, Lisboa, ano XXXVI, n. 1234, 10 de abril de 1913.</p></div>
<p>.</p>
<p style="text-align:justify;">Em <em>Os Maias</em> o embate simbólico entre as touradas e o turfe explicita um choque de visões acerca dos projetos para o país e dos parâmetros de modernidade a serem adotados. Eça apresenta a sua visão sobre um possível modo português de experenciar o esporte. A louvação das touradas pode ser interpretada como uma crítica a uma ideia linear e monolítica de civilização moderna, típica do capitalismo burguês; como uma forma de recarnavalizar a sociedade frente ao que era imposto pela construção discursiva do ideário e imaginário da modernidade.</p>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/arte/'>Arte</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/literatura/'>Literatura</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/seculo-xix/'>Século XIX</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1642/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1642/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1642/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1642/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1642/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1642/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1642/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1642/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1642/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1642/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1642/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1642/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1642/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1642/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1642&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Rugby e o Haka</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2011 03:00:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauricio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esporte na Oceania]]></category>
		<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[por Maurício Drumond Em minhas contribuições a esse blog, venho destacando como outros esportes que não o futebol também podem assumir o caráter de símbolos nacionais. No Brasil, o futebol ocupa um lugar tão importante em nossa cultura e nossa identidade nacional, que por vezes podemos não notar que essa característica não é inerente a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1632&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Maurício Drumond</p>
<p>Em minhas contribuições a esse blog, venho destacando como outros esportes que não o futebol também podem assumir o caráter de símbolos nacionais. No Brasil, o futebol ocupa um lugar tão importante em nossa cultura e nossa identidade nacional, que por vezes podemos não notar que essa característica não é inerente a esse jogo em particular, mas é uma característica historicamente construída que pode estar ligada aos mais variados esportes. Já abordei aqui o caso do <a title="criquete" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/04/04/a-diplomacia-do-criquete-ou-apenas-mais-um-jogo/" target="_blank">críquete</a> , do<a title="Hoquei no Gelo" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/07/18/guerra-no-gelo/" target="_blank"> hóquei no gelo</a> e até mesmo do chamado “<a title="International Rules Football" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2010/09/21/um-futebol-para-chamar-de-seu/" target="_blank">International Rules Football</a>” , um jogo híbrido entre o futebol gaélico e o futebol australiano, criado para estabelecer um confronto internacional entre esses dois esportes que, profundamente ligados à identidade nacional de seus países, não tinha possibilidades de confrontos internacionais que pudesses “colocar à prova” suas seleções. Nessas postagens, procuro demonstrar que o esporte, e não alguma modalidade em particular, é um importante mediador de identidades e um grande produtor de símbolos. O sucesso no esporte por muitas vezes ultrapassa as fronteiras desportivas e se torna a vitória de um povo, de uma nação,  ou de forma mais geral, nas palavras de Benedict Anderson, de uma comunidade imaginada.</p>
<p>Neste novo post decidi olhar para a Copa do Mundo de rugby, a competição esportiva mundial de maior audiência depois da Copa do Mundo de futebol e das Olimpíadas, realizada entre os dias 9 de setembro e 23 de outubro deste ano, na Nova Zelândia. Hesitei um pouco ao abordar o rugby neste blog, uma vez que a relação deste esporte com a questão de identificação nacional já foi abordada em diversos trabalhos, acadêmicos ou não, especialmente a partir do filme <a href="http://www.cineclick.com.br/filmes/ficha/nomefilme/invictus/id/16334" target="_blank"><em>Invictus</em> </a>  (Clint Eastwood, 2009), que lida com a mesma competição em 1995  – como exemplo pode-se apontar as resenhas publicadas em <a href="http://www.sport.ifcs.ufrj.br/recorde/pdf/recordeV3N2_2010_21.pdf" target="_blank">Recorde: Revista de História do Esporte</a> e na revista <a href="http://www.uff.br/esportesociedade/pdf/es1408%20.pdf" target="_blank">Esporte e Sociedade</a>.</p>
<p>No entanto, o recente desfecho da maior competição de rugbi, com a equipe da Nova Zelândia consquistando o bicampeonato em casa, trouxe o esporte novamente à tona. Realizada de quatro em quatro anos, a Copa do Mundo de rugby é a maior competição internacional da modalidade – o rugby conta também com outras quatro competições internacionais, divididos entre os hemisférios norte e sul: a copa “Seis Nações” (Six Nations), entre Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda, França e Itália e a “Copa Heineken”, entre 24 equipes desses seis países, no hemisfério norte; a “Três Nações” (Tri Nations), entre Nova Zelândia, Austrália e África do Sul e o “Super 15” (Super Rugby), entre 15 equipes desses três países, no hemisfério sul.</p>
<p>A primeira edição da Copa do Mundo de rugby foi realizada em 1987, na Austrália e na Nova Zelândia. Na ocasião, os “All Blacks”, nome pelo qual é conhecida a seleção neozelandesa, conquistou o título em uma final contra a França. Nesta sétima edição da Copa do Mundo, a mesma final do torneio inaugural se repetiu, com a Nova Zelândia conquistando novamente o título, dessa vez com um placar mais apertado, 8-7 (contra os 29-9 de 1987). Com essa conquista, a Nova Zelândia se equiparou à Austrália e à África do Sul, com dois títulos cada, tendo a Inglaterra conquistado o troféu William Webb Ellis (nome do supostos criador do Rugby) uma vez, em 2003.</p>
<div id="attachment_1633" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/rugbytrophy.jpg"><img class="size-full wp-image-1633" title="Troféu William Webb Ellis" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/rugbytrophy.jpg?w=450&#038;h=450" alt="" width="450" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Troféu William Webb Ellis</p></div>
<p>A vitória no mundial de rugby trouxe os All Black mais uma vez para os olhares da mídia e, com eles, aparece seu maior ícone identitário, o <a href="http://www.allblacks.com/index.cfm?layout=haka" target="_blank">haka</a>. O haka é uma tradicional dança cerimonial maori (povo nativo da Nova Zelandia). Existem centenas de haka (a palavra não recebe o s no plural), sendo alguns executados com mulheres, por crianças, haka de guerra, com armas, sem armas, enfim, uma infinidade de variações e tipos, dependendo da situação. A divulgação do haka pela equipe de rugby neozelandesa levou à associação do mesmo com um tipo específico de haka, mas como se deu essa ligação?</p>
<p>Em 1889-1890, uma equipe de rugby neozelandesa (quase toda formada por jogadores maori), excursionando pela Grã Bretanha apresentou um haka antes de cada jogo, como demonstração da diversidade cultural que o então império britânico englobava. A princípio executariam a dança em vestimentas típicas maori, mas logo abandonaram esse pormenor. Em 1905 a seleção neozelandesa conhecida como “os originais” (a primeira a excursionar a Grã Bretanha como uma seleção oficial, recebendo o apelido de “All Blacks”) teria executado o haka “ka mate” em alguns jogos, incluindo a abertura contra a Escócia e contra a Irlanda. A partir de então, esse haka em particular se tornou um símbolo do rugby neozelandês e passou a ser executado não apenas pela seleção, mas também por equipes em jogos internacionais.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/10/31/o-rugby-e-o-haka/"><img src="http://img.youtube.com/vi/wUSoJb7m2dk/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Apesar de sua aparência hostil e desafiadora, o haka “ka mate”, se traduzido, revela-se não tão assustador. Segundo contam as tradições, ele teria sido criado por um líder maori após ter escapado da morte, auxiliado por um líder de outra tribo. Uma tradução livre do haka (feita a partir da tradução para o inglês disponível no vídeo “<a href="http://www.allblacks.com/index.cfm?layout=haka" target="_blank">Ka mate explained</a>”) seria: “Vou morrer? Vou morrer? Vou viver? Vou viver? Esse homem cabeludo acima de mim me ajudará a ver a luz do sol novamente? Um passo fora do buraco, o segundo, o terceiro, o quarto. Eu vi o sol brilhar novamente.”</p>
<p>Em 2005 o haka “Kapo o Pango” foi criado especialmente para os All Blacks. Versando sobre os guerreiros de camisa negra e a pena prateada, o haka foi alvo de grande debate devido a seu gesto final, em que o polegar atravessa o pescoço, de modo muito similar ao sinal de degola. “Kapo o Pango&#8221; chegou a ser proibido pela International Rugby Board (IRB, a federação internacional do esporte) durante alguns meses. Mas a explicação oficial, de que o gesto teria um significado diferente junto à cultura maori, expressando a energização dos órgãos vitais e o sopro da vida, acabou prevalecendo e o gesto foi aprovado, sendo este haka utilizado em jogos especiais, como na final do campeonato mundial.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/10/31/o-rugby-e-o-haka/"><img src="http://img.youtube.com/vi/3Zap5lckwmA/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Apesar de estar profundamente ligado à equipe neozelandesa, em mais uma evidente tradição inventada ligada ao esporte, o haka não é exclusividade dos All Blacks. Outras equipes polinésias também executam um haka antes de seus jogos, chegando até a haver um duelo de haka em algumas ocasiões, como entre Nova Zelândia e Samoa, no vídeo abaixo.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/10/31/o-rugby-e-o-haka/"><img src="http://img.youtube.com/vi/idCAtVDRuLw/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>O haka neozelandês é então uma figura fácil na publicidade, estrelando comerciais da adidas (patrocinadora dos All Blacks) ou mesmo com um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Flash_mob" target="_blank"><em>flash mob</em></a> para a divulgação de um canal de TV maori que transmitiria os jogos da copa do mundo.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/10/31/o-rugby-e-o-haka/"><img src="http://img.youtube.com/vi/WPdDthszanE/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Rugby, o jogo nacional neozelandês, tem assim uma ligação especial com as supostas raízes do país. O rugby seria visto como um jogo que desde cedo fora adotado pelos maori, uma vez que seria um palco preferencial para a demonstração de sua força, agilidade e destreza. Aí estaria a chave para se entender a superioridade neozelandesa no esporte. E o haka seria uma demonstração pública da ligação desta seleção com suas raízes locais, ao mesmo tempo em que levaria a cultura maori ao resto do mundo, se tornando embaixadores da mesma. E, é claro, é uma das principais demonstrações de identidade do país, sendo executado também em outros esportes, como o hóquei no gelo, sem ter, no entanto, o mesmo impacto.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/10/31/o-rugby-e-o-haka/"><img src="http://img.youtube.com/vi/SePqdtag2Ss/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/esporte-na-oceania/'>Esporte na Oceania</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1632/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1632/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1632/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1632/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1632/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1632/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1632/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1632/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1632/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1632/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1632/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1632/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1632/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1632/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1632&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Experiências de torcedor com Dr. Richard Global Football</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Oct 2011 05:16:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alvaro do Cabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[Mês passado, o sociólogo escocês Richard Giulianotti esteve no Brasil participando de encontros acadêmicos e debates no Rio e em São Paulo. Tivemos a honra de recebê-lo mais uma vez em nosso Laboratório onde o renomado pesquisador da Universidade de Durham ministrou palestra sobre os Mega-eventos e a Globalização. Todavia este post tem como objetivo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1616&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mês passado, o sociólogo escocês Richard Giulianotti esteve no Brasil participando de encontros acadêmicos e debates no Rio e em São Paulo. Tivemos a honra de recebê-lo mais uma vez em nosso Laboratório onde o renomado pesquisador da Universidade de Durham ministrou palestra sobre os Mega-eventos e a Globalização.<br />
Todavia este post tem como objetivo mostrar o lado “louco por futebol” do gentleman Richard. Tive a incrível experiência de levá-lo ao Engenhão e ao encontro de um dos maiores craques do futebol mundial e a sua reação em ambas as situações foi muito diferente do estereótipo propagado sobre os nativos do Reino Unido. Nada de frieza ou fleuma, ao contrário, alegria e descontração e muito papo futebolístico.<br />
Nosso reencontro, visto que o havia conhecido em 2010 durante Simpósio organizado pelo Laboratório, ocorreu no Domingo dia 18 de Setembro na recepção de um hotel de Copacabana antes da partida entre Botafogo e Flamengo. Fomos para o Engenhão de carona com minha esposa Milena e antes de chegar, nas imediações do estádio decidi parar no Rei do Bacalhau do Encantado para que Richard provasse o fenomenal bolinho feito no bairro suburbano. Com uma dúzia de bolinhos, alguns copos de cerveja e até mesmo um doce português começamos o aquecimento para a partida.<br />
Minha companheira nos deixou em frente à saída do trem na ala sul e após cinco minutos de caminhada estávamos em frente à entrada leste, para onde comprei os ingressos. Faltava ainda cerca de uma hora para o início do jogo e resolvemos ficar do lado de fora continuando o aquecimento e observando a movimentação.<br />
Era uma tarde ensolarada, o ambiente estava agradável e do lado de fora encontrei e apresentei diversos torcedores flamenguistas com o quais Richard ia interagindo, independentemente deles falarem inglês, ou não. Dentre eles, Richard conheceu o Rogério, figura folclórica e um dos fundadores da raça rubro-negra, mas que participa atualmente da sugestiva FLAMANGUAÇA e raramente consegue assistir as partidas até o final. Sai e fica andando pelos corredores ou desce para os churrasquinhos da Rua das Oficinas. Apesar dele não entender nada do idioma bretão, os dois pareciam amigos de anos. Na foto abaixo Rogério, Eu e Richard empolgados antes da partida.</p>
<p><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/img_03021.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1620" title="Rogério, Eu e Richard" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/img_03021.jpg?w=300&#038;h=224" alt="" width="300" height="224" /></a></p>
<p>Entramos no estádio próximo ao início da partida. Ficamos na parte superior e o jogo apesar de não ter sido muito bom agradou ao nosso convidado. Loco Abreu fez 1&#215;0 no primeiro tempo para o Botafogo e o atacante Jael empatou no segundo. Richard se divertiu com a torcida rubro-negra, achou as instalações do Engenhão boas, e adorou a vista dos bairros próximos no momento que o sol ia se pondo. Taticamente fez o seguinte comentário. O Ronaldinho Gaúcho não deveria jogar no ataque e sim no meio. Realmente talvez fosse uma alternativa naquela partida, pois naquele momento ele estava muito marcado e não rendia bem.<br />
Fim de jogo. Retornamos para o ponto de encontro no OUTSPETO’S. O amigo Raul da agência turística Rio de Histórias tinha levado um casal de australianos para a partida e nos deu uma carona para retornarmos a Zona Sul. Durante o trajeto muito papo sobre futebol, comparações do Brasileirão com a Premier League e o sincero agradecimento dos estrangeiros por terem conhecido um novo estádio e terem visto um clássico carioca.<br />
Ainda tomamos uns chopps “saideiras” na Adega Portugália no Largo do Machado junto com o Raul antes de voltarmos para Copacabana.<br />
Na quarta-feira dia 20 nos encontramos novamente após a palestra proferida no IFCS/UFRJ para um almoço de confraternização junto com o coordenador do grupo Victor Melo, e os membros Clebão e Luiz Carlos e depois eu tinha combinado de levá-lo para conhecer as dependências do Clube de Regatas do Flamengo na Gávea. Só que ainda tinha uma surpresa maior.<br />
Eu tinha sido convidado na segunda pelo sociólogo Ronaldo Helal, amigo pessoal e  meu orientador de Mestrado para conhecer meu grande ídolo, ZICO, o galinho de Quintino, maior craque que vi jogar. Além disso, na própria quarta, quando disse que estava almoçando com o Richard ele falou que ele podia ir também caso tivesse interesse.<br />
Durante o almoço perguntei para ele se  gostaria de conhecer o ZICO. No início ele não entendeu se era brincadeira ou realidade. O craque ZICO de 1982, que jogou contra a Escócia? It’s true!<br />
Sim era verdade e mesmo eu falando que iria demorar pois, fomos encontrar o galinho no CFZ lá no Recreio dos Bandeirantes e que deveríamos pegar um trânsito na volta Richard ficou empolgadíssimo. Pediu para que eu passasse no hotel para que ele pegasse uma camisa da Escócia e lá no clube do Flamengo comprou várias camisas para que o craque assinasse.<br />
Passamos para buscar o Ronaldo e uma amiga dele também fã apaixonada pelo Zico e partimos para o longínquo cafundó dos Bandeirantes. Após animado papo futebolístico no carro chegamos no clube do galinho por volta das 16:40.<br />
O encontro foi emocionante. Zico nos recebeu com muita simpatia. Quatro fãs, sendo que um diretamente das Highlands, torcedor do Abeerdeen e da seleção escocesa Admirador do bom futebol e tendo também Zico como um ídolo do futebol mundial, apesar de não entender as conversas em português que giravam em torno do Flamengo e Seleção brasileira, Richard permaneceu sorrindo o tempo todo, pediu diversos autógrafos, inclusive para seu pai, com quem me contou que assistiu durante a Copa da Espanha a maiúscula atuação de Zico e Cia na vitória por 4&#215;1 sobre seu país. Na foto abaixo os fãs Alvaro e Richard com o craque Zico no CFZ.</p>
<p><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/dsc057211.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1623" title="DSC05721" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/dsc057211.jpg?w=300&#038;h=225" alt="Eu, Zico e Richard no CFZ" width="300" height="225" /></a><br />
Retornamos para Copacabana, onde finalizamos a histórica jornada com “saideiras” no Real Chopp e Richard fez questão de agradecer imensamente a nossa hospitalidade e fez questão de ressaltar como é bom trocar experiências esportivas tanto na academia quanto nos estádios. Reproduzirei abaixo seus comentários quando lhe enviei mensagem pedindo autorização para escrever este post. O sociólogo fala sobre a estadia no Rio, futebol, gastronomia e as pessoas que participaram desta experiência com ele: Sir Giulianotti nas conferências por todo mundo e em suas aulas em Durham University e singelamente Richard nos estádios, clubes e botequins cariocas por alguns dias:<br />
“ Claro, sentar por aí bebendo chopps e assistindo futebol é uma vida boa. Por favor prossiga com o blog. Conhecer ZICO foi uma experiência incrível e um pouco irreal. Eu fiquei agradecido dele ter lembrado seus gols contra a Escócia, deu a Escócia um tipo de significado no futebol que não parece que temos mais. E gostei da partida. Flamengo melhorou no início do segundo tempo, mas eu não tenho certeza se eles colocam o Ronaldinho Gaúcho na posição correta. Ele está jogando em um estilo muito estático. E eu tenho de admitir, eu nunca parei de comer quando estava aí. O café da manhã no hotel era excelente e depois tivemos umas refeições incríveis. Particularmente na quarta-feira no Shopping Center (FAGULHA/OFF-PRICE). Eu especialmente gostei do bolinho de bacalhau com azeite. É um perfeito acompanhamento para alguns chopps. Eu somente tenho que saudar vocês todos pela vossa grande hospitalidade e generosidade. Foi tudo ótimo brasileiros.” TRAD. PRÓPRIA.</p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1616/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1616/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1616/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1616/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1616/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1616/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1616/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1616/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1616/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1616/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1616/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1616/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1616/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1616/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1616&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Entre brincadeiras e trabalho: a equipe infantil do Bangu A. C.</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Oct 2011 13:18:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>NeiSantosJr</dc:creator>
				<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Nei Santos Junior           Aguardando o famoso dia 12 de outubro, “dia comercial das crianças”, resolvi escrever algo que relacionasse os seguintes temas: futebol suburbano x dia das crianças. Inicialmente articular esses dois objetos me pareceu uma tarefa frustrada, mas depois de vasculhar algumas fontes&#8230; Pude encontrar algo que pudesse despertar a curiosidade de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1609&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Por Nei Santos Junior</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">          Aguardando o famoso dia 12 de outubro, “dia comercial das crianças”, resolvi escrever algo que relacionasse os seguintes temas: futebol suburbano x dia das crianças. Inicialmente articular esses dois objetos me pareceu uma tarefa frustrada, mas depois de vasculhar algumas fontes&#8230; Pude encontrar algo que pudesse despertar a curiosidade de alguns.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">          Ainda na primeira década do século XX, o entusiasmo causado pelo esporte no Rio de Janeiro e sua difusão pelos subúrbios da capital</span><a title="" href="https://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=342-20110630-syntaxhighlighter2.3.9#_ftn1">[1]</a><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> não permitiriam mais caracterizá-lo como uma prática restrita a grupos de esportistas da Zona Sul. O futebol rapidamente ganhava proporções diferentes da imagem de distinção social implementada pelos <em>sportsmen, </em>tornando-se cada vez mais patente a participação de negros e trabalhadores, que, assim, promoviam um alargamento simbólico nos sentidos do jogo. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">          Os admiradores do futebol, agrupados em centros esportivos formados nos subúrbios ou em seus locais de trabalho, não eram os únicos a sentirem essa grande paixão pelo jogo, as “peladas” entre os meninos suburbanos, se torvavam frequentes nos arrabaldes da cidade, resultando em ainda em 1911 uma equipe infantil no Bangu Athletic Club. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/kastor.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1610" title="Kastor" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/kastor.jpg?w=250&#038;h=300" alt="" width="250" height="300" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">          Naquele momento a população do bairro contava com um pouco mais de sete mil habitantes que direcionavam suas atividades em torno da fábrica, o que transformava o futebol em uma das principais opções de lazer dos moradores da região, principalmente entre os jovens.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">          Os administradores da Fábrica Bangu perceberam que o futebol estimulava entre os jovens da região, um sentido de pertencer à comunidade da empresa, e inúmeros festivais esportivos foram criados. Entre eles, destaca-se o torneio de futebol realizado no dia 24 de junho de 1911, vencido pelos alunos do Professor Timótheo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">           A equipe vencedora era formada pelos irmãos Antônio e Áureo Corrêa, Ernani Reis, Osvaldo Corrêa (Coquinho), José Monteiro (Bodóque), Chumbado, Tio Pedro, Pata, Franklim Frango d’agua (filho do Professor Timótheo), Pepe Alvarez, Pedro Menezes e Waldemar. Destes, os cinco primeiros vestiram posteriormente a camisa do Bangu A.C., resultado do desenvolvimento do gosto pelo esporte na região. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">           A equipe principal matinha o ciclo de novos jogadores. Esses, além de cativar um espaço no time, faturavam um emprego na fábrica, alimentando a figura do operário-jogador: o trabalhador que se destacava menos por tarefas laborais e mais por suas habilidades esportivas. Isso justificava uma série de privilégios: dispensa da exigência de frequência no trabalho em horários de treino e jogos, além de colocação em um posto mais leve</span><a title="" href="https://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=342-20110630-syntaxhighlighter2.3.9#_ftn2">[2]</a><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">. </span></p>
<div id="attachment_1611" class="wp-caption aligncenter" style="width: 195px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/ata1.jpg"><img class="size-medium wp-image-1611" title="Ata_21 de junho de 1911" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/ata1.jpg?w=185&#038;h=300" alt="" width="185" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Ata_21 de junho de 1911.</p></div>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">          Diante deste entusiasmo, incentivado pela inserção de uma nova prática que começava a se disseminar pelos vários cantos do país e pelas diversas camadas sociais, o trabalho iniciado pelo professor Timótheo ganharia destaque entre os moradores, e novos talentos surgiam nos arrabaldes de Bangu.</span></span><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<div id="attachment_1612" class="wp-caption aligncenter" style="width: 208px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/ata2.jpg"><img class="size-medium wp-image-1612" title="Ata2" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/ata2.jpg?w=198&#038;h=300" alt="" width="198" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">(Segunda parte) Ata_21 de junho de 1911</p></div>
<p style="text-align:justify;"> <a title="" href="https://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=342-20110630-syntaxhighlighter2.3.9#_ftnref1">[1]</a><span style="font-family:Times New Roman;font-size:x-small;"> Esse fato se dá com a criação de clubes formados por rapazes de classe média, como também por empregados de fábricas e moradores de bairros populares como: The Bangu Athletic Club (1904), Andarahy Athletico Club (1909), Sport Club Mangueira (1906), Cascadura F. C (1906), Club Atlético Méier (1906), Brasil Atletic Club (1906), Esperança Atletic Club (1907).<em> Correio da Manhã</em>, 2 de agosto de 1906; <em>Correio da Manhã</em>, 22 de maio de 1907; <em>Gazeta de Notícias</em>, 15 de abril de 1907; <em>O Paiz</em>, 19 de outubro de 1906; e <em>O Paiz</em>, 10 de junho de 1906.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><a title="" href="https://historiadoesporte.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=342-20110630-syntaxhighlighter2.3.9#_ftnref2">[2]</a><span style="font-family:Times New Roman;font-size:x-small;"> RODRIGUES FILHO, M. <strong>O Negro no futebol brasileiro</strong>. 4ª edição. Rio de Janeiro: Mauad , 2003.</span></p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1609/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1609&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>As antigas e as novas faces do Rio turístico</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Oct 2011 18:59:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>valeriaguimaraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[História do Corpo]]></category>
		<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Século XX]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[turismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Valéria Guimarães O post desta semana é dedicado aos novos usos turísticos na cidade do Rio de Janeiro, que passa por transformações profundas para receber os balados jogos esportivos, criticadas de forma muito pertinente nos posts anteriores. Espera-se que um dos “legados” dos jogos na cidade remodelada seja fortalecer a sua imagem turística no [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1584&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Valéria Guimarães</p>
<p>O post desta semana é dedicado aos novos usos turísticos na cidade do Rio de Janeiro, que passa por transformações profundas para receber os balados jogos esportivos, criticadas de forma muito pertinente nos posts anteriores. Espera-se que um dos “legados” dos jogos na cidade remodelada seja fortalecer a sua imagem turística no exterior, tornando-se um importante destino internacionalmente competitivo. Embora seja a principal cidade do país procurada para o turismo de lazer, é inexpressiva a participação do Rio de Janeiro – e do Brasil – como destino turístico no cenário mundial. Isso se explica pelo mau aproveitamento do potencial turístico da cidade, mal planejada e mal gestada ao longo de toda a história do seu desenvolvimento turístico.</p>
<p>Os novos empreendimentos públicos associados ao capital privado para o setor turístico, embalados pelo reposicionamento e projeção da “marca Rio de Janeiro” na vitrine mundial, concentram-se na exploração do mix de cultura e lazer como produtos, transformando em espetáculo pago as novas opções de turismo e lazer projetadas para a cidade, especialmente aquelas intervenções burguesas, de elevadíssimo custo social, concentradas na área portuária ou na “nova” Lapa.</p>
<p>Como bem analisa Victor Melo , a cidade vivenciou na primeira metade do século XX uma experiência moderna de construção identitária que consagra o uso de espaços públicos, especialmente da praia, como lugar do sujeito carioca. Ficariam para trás os valores sociais e estéticos que elegiam os tipos magros, pálidos e engravatados, para dar lugar aos signos que associavam juventude e modernidade carioca: corpos expostos, atléticos, modelados pela prática esportiva ao ar livre e dourados pelo sol.</p>
<p>As representações historicamente construídas sobre o paraíso tropical, terra de sol e de mar, de gente hospitaleira e mulheres exuberantes, associadas às novas sociabilidades que se manifestavam na urbe, especialmente nos novos usos da praia como espaço de lazer e de uma nova relação com o corpo a ser ali exibido, assumiram por muitas décadas um lugar central no discurso turístico sobre o Rio de Janeiro.</p>
<p>A idéia de uma “vocação natural” do Rio de Janeiro para a prática de um turismo de sol, de mar, de apreciação da floresta urbana, do samba e da mulher bonita de biquíni mínimo foi plenamente incorporada no discurso oficial, nas políticas públicas e privadas para o turismo, e divulgada na folheteria turística, nos guias impressos, nos cartões postais, nos souvenires e nas atrações culturais voltadas para os turistas – particularmente os shows de mulatas.</p>
<div id="attachment_1597" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/copacabana.jpg"><img class="size-medium wp-image-1597 " src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/copacabana.jpg?w=300&#038;h=211" alt="" width="300" height="211" /></a><p class="wp-caption-text">Os cartões postais de mulheres de biquíni, os preferidos dos turistas internacionais, estão proibidos por uma polêmica lei desde 2005, sob o argumento de vinculação da imagem da mulher e da cidade a um paraíso do turismo sexual. Fonte: http://colees-e.blogspot.com/2009/06/sera-que-e-de-proibir.html</p></div>
<p>A esse repertório, que compunha a maior parte dos roteiros comercializados pelas agências de turismo, sugeridos pelos guias e espalhados pelo “boca a boca”, somaram-se o futebol e a bossa nova como elementos representativos da cultura de uma cidade para turista ver, coração e síntese da cultura do Brasil. Essa imagem turística do Rio de Janeiro (e por que não dizer do país?), que ganha força na segunda metade do século passado, sem dúvida, amplificada pelo cinema de Hollywood, que construiu e reforçou estereótipos e acentuou no olhar estrangeiro o quanto éramos “sensuais”, “exóticos” e “pitorescos”, imagem esta reproduzida pelo próprio discurso turístico nacional.</p>
<p>O turismo no Rio de Janeiro hoje vem sendo ressignificado não só pelos novos investimentos feitos a pretexto da realização dos megaeventos esportivos e seu “legado”, mas também por uma nova visão de mundo da sociedade a partir das demandas sociais por inclusão das minorias étnicas e culturais e ampliação de seus direitos civis, como o direito à propriedade da terra, por exemplo. Até então invisíveis ao turismo, os bens culturais produzidos por esses grupos socialmente excluídos passam a ser objeto de interesse turístico, alargando consideravalmente o repertório turístico da cidade.</p>
<p>Tamanha é a importância do turismo em favelas na cidade do Rio de Janeiro que o mercado turístico já o reconhece como um “nicho”; outras formas de viver relacionadas à presença histórica de grupos étnicos na cidade – e no estado – também passaram a ser objeto de interesse dos turistas. Você já ouviu falar em “turismo étnico”? É possível hoje hospedar-se em aldeias indígenas de Niterói ou de Angra do Reis, por exemplo. Na cidade, o Mercadão de Madureira, a “Pequena África no Rio de Janeiro”, localizada na região portuária, particularmente o Quilombo da Pedra do Sal, escolas de samba, centros de candomblé e festas religiosas negras passaram a integrar o roteiro de muitos turistas negros, especialmente provenientes dos Estados Unidos, à procura de uma origem comum (“afro-americana”) por eles imaginada. Os novos gringos na cidade já não são identificados apenas pela pele clara e pelos olhos azuis ou pelas coloridas roupas florais.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<div id="attachment_1603" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/tecidos.jpg"><img class="size-medium wp-image-1603 " src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/10/tecidos.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Fachada de uma das loja de tecidos e roupas de santo do Mercadão de Madureira. A concentração e o movimento nas lojas de artigos para a prática de religiões de matriz africana viraram atrativo turístico. Foto de João Xavi. Fonte: http://www.overmundo.com.br/guia/mercadao-de-madureira</p></div>
<p> E quando o turista é o próprio morador, a descobrir a sua cidade? Quem anda pelas ruas do Centro do Rio já deve ter reparado um aumento significativo no número de pessoas que em pleno frenesi dos dias úteis, onde quase somos atropelados se voltarmos para olhar uma banca de jornal, por exemplo, procura apreciar as belezas e os detalhes que os mais apressados nunca tem tempo de notar. Nas redes sociais, grupos de aficcionados pela cidade se organizam para passeios a pé, inventando novos roteiros que fogem aos ícones Pão de Açúcar–Floresta da Tijuca–Praia de Copacabana–Cristo Redentor e gastam muito pouco ou nenhum dinheiro, dependendo do roteiro, se for operado por pequenos empreendedores ou oferecidos de graça.</p>
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</div>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/10/01/as-antigas-e-as-novas-faces-do-rio-turistico/"><img src="http://img.youtube.com/vi/vuyWRIvSmCc/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Visitas noturnas ao centro do Rio, promovidas gratuitamente, por iniciativa do Projeto Roteiros Geográficos do Rio (IGEO/UERJ): uma forma original de apreciação estética do Rio de Janeiro e de ocupação da cidade como alternativa à violência. Fonte: youtube=http://www.youtube.com/watch?v=vuyWRIvSmCc</p>
<p>De dia ou de noite, da Pedra do Sal, aqui já citada, ao “território da Daspu” , tudo atrai a atenção dos curiosos, a maioria moradores da cidade, que raramente tem a oportunidade de apreciar um espaço onde nos acostumamos a percorrer marchando ou, literalmente, correndo. E cruzar as fronteiras simbólicas da cidade? Quantos moradores começam, embevecidos, a despertar para o interesse de atravessar o túnel, embarcar num trem em direção ao subúrbio, comer uma feijoada numa quadra de escola de samba, participar de eventos, conhecer territórios simbolicamente impenetráveis?</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/10/01/as-antigas-e-as-novas-faces-do-rio-turistico/"><img src="http://img.youtube.com/vi/FdKMROSWkGM/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Vídeo Samba na Pedra, de David Obadia, registra um dia de festa na Pedra do Sal. Fonte: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=FdKMROSWkGM">http://www.youtube.com/watch?v=FdKMROSWkGM</a></p>
<p>O mochileiro, aquele &#8220;turista alternativo”, que se hospeda em hostels (os antigos albergues agora com nomes moderninhos) ou na casa de pessoas comuns, no estilo “cama e café”, que vem fazendo bastante sucesso por aqui, há muito tempo aprendeu – talvez até primeiro que muitos de nós – a descobrir e curtir lugares invisíveis à ótica do turismo tradicional. Para muitos deles, mais vale a experiência no contato com os nativos do que a quantidade de atrativos/clichês turísticos criados para serem consumidos pelos turistas.</p>
<p>Enquanto o poder público e o empresariado se unem nas parcerias público-privadas para formatar produtos turísticos com cara globalizada, desenvolvidos para um perfil de consumidor com poder aquisitivo elevado e onde muito poucos ganham muito, a cidade turística mais importante do país, que pleiteia junto à UNESCO o título de Paisagem Cultural da Humanidade , ainda bem, continua oferecendo opções de turismo e lazer alternativos que atraem moradores e turistas interessados em conhecer as outras faces de um Rio que, apesar dos pesares (vide o abandono de nossos bens culturais, como o triste caso dos bondes de Santa Teresa), insistem em sobreviver.</p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/historia-do-corpo/'>História do Corpo</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/seculo-xx/'>Século XX</a> Tagged: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/tag/historia/'>história</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/tag/rio-de-janeiro/'>Rio de Janeiro</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/tag/turismo/'>turismo</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1584/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1584/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1584/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1584/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1584/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1584/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1584/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1584/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1584/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1584/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1584/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1584/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1584/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1584/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1584&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Velhos projetos, novos projetos: os estádios construídos para as competições internacionais no Brasil.</title>
		<link>http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/09/25/velhos-projetos-novos-projetos-os-estadios-construidos-para-as-competicoes-internacionais-no-brasil/</link>
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		<pubDate>Sun, 25 Sep 2011 15:21:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jmalaia</dc:creator>
				<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[Em tempos de construção de estádios para a Copa do Mundo de 2014, um dos assuntos que mais chamam à atenção de todos é o custo das obras. Quando a Fifa anunciou as cidades-sede brasileiras, em maio de 2009, a soma dos custos dos projetos não chegava a R$3,62 bilhões. Passado mais de um ano, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1568&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em tempos de construção de estádios para a Copa do Mundo de 2014, um dos assuntos que mais chamam à atenção de todos é o custo das obras. Quando a Fifa anunciou as cidades-sede brasileiras, em maio de 2009, a soma dos custos dos projetos não chegava a R$3,62 bilhões.</p>
<p>Passado mais de um ano, os custos dos estádios foram elevados a quase de R$7 bilhões, as obras estão atrasadas, os operários estão fazendo greves para aumentar seus salários pífios e o pior é sabermos que nós é que estamos pagando a conta.</p>
<p>O site UOL montou uma reportagem sobre os estádios brasileiros e que mostra não só o aumento abusivo nos orçamentos dos estádios, mas também a massiva participação do governo no financiamento das novas arenas, seja por meio da injeção de capital diretamente efetuada pelos governos estaduais, seja por financiamento do BNDES.</p>
<p>Vejamos a situação de cada estádio:</p>
<div id="attachment_1570" class="wp-caption aligncenter" style="width: 436px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/tabela-estadios1.jpg"><img class="size-full wp-image-1570" title="tabela estadios" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/tabela-estadios1.jpg?w=450" alt="Os custos dos estádios para a Copa 2014"   /></a><p class="wp-caption-text">Fonte: http://esporte.uol.com.br/infografico/2011/05/26/veja-a-situacao-das-12-sedes-da-copa-do-mundo-de-2014.jhtm</p></div>
<p>Os números são estarrecedores. Em dois anos, as obras tiveram os orçamentos majorados em quase 100%. Ao analisarmos os números percebemos alguns dados interessantes. Por exemplo, o estádio Beira-Rio, de propriedade do Internacional, de Porto Alegre, é o único a ser financiando 100% pela iniciativa privada e seus gastos subiram “apenas” 64%, enquanto que alguns dos estádios financiados pelo governo (seja por financiamento direto ou via BNDES) tiveram seus orçamentos majorados em 72% (Verdão), 85% (Fonte Nova), 100% (Itaquerão) ou 120% (Maracanã). O aumento dos gastos com esses quatro estádio foi de quase 1 bilhão e meio de reais, dinheiro suficiente para reformar o Beira Rio seis vezes. Impressionante é também saber que o poder público investirá cerca de R$640 milhões para a construção de um novo estádio na cidade de São Paulo para ser de propriedade de um clube, quando outros dois clubes da cidade têm estádios próprios e um deles, o Palestra Itália, está sendo reconstruído dentro dos padrões FIFA com investimento 100% privado, ao custo de R$250 milhões e estará pronto em abril de 2013, antes do Itaquerão.</p>
<p>A história do envolvimento do Brasil com as competições internacionais e com a construção de arenas para abrigar tais competições não é nova. Remonta ao Sul-Americano de futebol de 1919, sediado pelo Fluminense, no Rio de Janeiro, assim como os Jogos Sul-Americanos de 1922, momento em que o estádio construído para 1919 foi totalmente reformado.</p>
<p>Refletir sobre esses momentos da história dos esportes no país pode nos levar a  pensar mais sobre tais projetos. Em artigo ainda inédito e que será publicado na edição de novembro de 2011 pela Revista de Economia Política e História Econômica, analiso como o Fluminense, através de seu presidente Arnaldo Guinle conseguiu a viabilização do capital necessário para a construção e posterior reforma daquele que se tornou o maior e mais moderno estádio de futebol da América Latina do período.</p>
<p>A construção daquele que ficou conhecido como “Estádio das Laranjeiras”, em 1919, foi feito através de um empréstimo obtido pelo clube ao Banco do Brasil de 2.000:000$000 (dois mil contos de réis). A empresa responsável pela obra foi a Companhia Locativa e Constructora, que em relatório aos acionistas publicados no Diário Oficial da União, demonstrava a importância das obras do Fluminense para a empresa. Caracterizando o período como “anormal” para a indústria da construção civil e que requeria ações prudentes em circuito restrito, os relatores colocaram a honra de construir o “stand” de tiro, as piscinas e o “grandioso Stadium”, local das competições de futebol. De acordo com o relatório, esses foram os trabalhos “que, pela urgencia que a construcção requeria, teriam absorvido toda a capacidade da nossa organização” (BRASIL. “Companhia Locativa e Constructora”. Diário Official dos Estados Unidos do Brasil, 29 de março de 1919, p. 4.188.).</p>
<div id="attachment_1571" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/estc3a1dio-do-fluminense-1919.jpg"><img class="size-full wp-image-1571" title="Estádio do Fluminense 1919" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/estc3a1dio-do-fluminense-1919.jpg?w=450&#038;h=315" alt="" width="450" height="315" /></a><p class="wp-caption-text">Estádio do Fluminense em 1919. Fonte: Revista Careta, 1919</p></div>
<p>Três anos depois, o clube conseguiu receber a maioria das competições esportivas dos Jogos de 1922, competição organizada como parte dos festejos do Centenário da Independência do Brasil. Porém, dessa vez o clube não conseguiria novo empréstimo hipotecário. O Fluminense acumulava dívidas de 2.500:000$000 e precisaria de uma autorização especial do governo, através da assinatura de um decreto-lei, para conseguir operacionalizar uma nova captação de recursos para as reformas no clube, inclusive a ampliação do estádio. Arnaldo Guinle conseguiu aprovação junto ao governo, em decreto assinado pelo presidente Epitácio Pessoa, para contrair empréstimos através de obrigações ao portador, as debêntures, no valor de 100$000 cada uma. Poderia contrair no máximo 5.000:000$000 de dívida, ou seja, poderia emitir 50.000 títulos ao portador, pagando juros de 7% ao ano, no prazo de 30 anos (BRASIL. Decreto n. 3.955. <em>Diário Official dos Estados Unidos do Brasil</em>, 31 de dezembro de 1919, p. 19.350).</p>
<div id="attachment_1572" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/estc3a1dio-flu-1922.jpg"><img class="size-full wp-image-1572" title="Estádio Flu 1922" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/estc3a1dio-flu-1922.jpg?w=450&#038;h=237" alt="" width="450" height="237" /></a><p class="wp-caption-text">Estádio do Fluminense em 1922. Fonte: Revista Careta, 1922</p></div>
<p>E assim foi feito. O clube conseguiu mudar a sua razão social para poder emitir as debêntures e até 1950 continuou publicando notas no Diário Oficial semestralmente para informar aos investidores sobre o pagamento das parcelas. Ao que parece, os gestores do clube conseguiram pagar, ou pelo menos informaram que pagaram todos os seus débitos. É claro que o clube se beneficiou com esse processo. Elevou largamente seu número de sócios, melhorou sobremaneira as instalações de seu clube, seus dirigentes ganharam prestígio e projeção nacional e internacional e o clube se consolidou como uma referência nos esportes para o Brasil e para o mundo. O governo também ajudou nesse processo. Epitácio Pessoa, presidente que assinou o decreto n. 3.955 que autorizou o clube a realizar tal operação financeira era sócio honorário do Fluminense. Não quero aqui defender o Fluminense, nem os processos pelos quais o clube e seus dirigentes conseguiram os privilégios para se consolidar como um dos maiores e mais ricos clubes do Brasil. Quero é levar algumas situações que nos façam refletir um pouco mais sobre a lamentável situação em que nos encontramos às vésperas de sediar a Copa do Mundo de futebol, em 2014.</p>
<p>O governo brasileiro, sem dúvida, beneficiou o Fluminense em 1919 e 1922. Mas não construiu um estádio para o clube. Naquele tempo, não havia outro estádio no país em condições de receber as competições internacionais e o Estádio das Laranjeiras foi por muito tempo o maior palco do futebol brasileiro. A obra impulsionou, inclusive, iniciativas como a da Vasco da Gama em construir seu próprio estádio, ainda maior e mais moderno que o do Fluminense, inaugurado em 1927. Ademais, o estádio do Tricolor atendia a uma demanda de crescimento do mercado de espectadores nas praças esportivas e frequentemente encontrava suas dependências absolutamente lotadas. E apenas para se ter uma ideia dos valores, o investimento do Fluminense em seu estádio, em 1922, representou apenas 2,5% dos gastos do governo com as celebrações do centenário, que chegaram a 200.000:000$000, principalmente com o financiamento da Exposição Internacional no Rio de Janeiro.</p>
<p>E por mais que os questionamentos sobre os gigantescos investimentos nos estádios sejam constantemente feitos, nunca é demais repeti-los. Vou citar apenas um exemplo: para que está sendo feito um investimento de R$500 milhões na construção de um estádio para 48 mil pessoas em uma cidade (Cuiabá) de 550 mil habitantes e que não tem nenhum time de futebol nem na Série A, nem na série B do Campeonato Brasileiro? Para se ter uma ideia, o diretor executivo da Federação Matogrossense de Futebol, Laércio de Arruda, considerou positivos os números de público e renda da primeira rodada do campeonato estadual de 2011. Pasmem: o jogo que mais levou torcedores ao estádio foi União de Rondonópolis x CRAC, que levou singelas 2.694 almas ao Estádio Engenheiro Luthero Lopes, que geraram R$24.209,00 de renda.</p>
<p>O jogo da rodada na capital foi Cuiabá x Luverdense, no Estádio Presidente Eurico Gaspar Dutra, o “Dutrinha”, com capacidade para 7 mil pessoas. O Cuiabá, um dos favoritos e time mais popular da cidade, goleou o Luverdense por 4 a 0 diante de 563 testemunhas que geraram uma renda de R$3.280,00. Se esses números foram considerados &#8220;positivos&#8221; pelo diretor executivo, não quero nem saber o que ele considera negativo (dados: site da Federação Matogrossense de Futebol: <a href="http://www.fmfmt.com.br/?conteudo=verNoticia&amp;idNoticia=8066&amp;pagina=1">http://www.fmfmt.com.br/?conteudo=verNoticia&amp;idNoticia=8066&amp;pagina=1</a>).</p>
<p>Um cálculo bastante simplista e grosseiro pode mostrar ainda melhor a gravidade do caso. A primeira rodada do campeonato, com “números positivos”, levou um total de 7.451 torcedores aos estádios de todo o estado. Ou seja, precisaríamos de mais de seis rodadas das “boas” para que o público de todos os jogos pudesse encher o novo estádio, o &#8220;Verdão&#8221;. Mais: com uma “boa” renda total de R$45.110,00 na primeira rodada, precisaríamos da renda de mais de 10.000 rodadas desse tipo para atingirmos os valores investidos no estádio. Pensando numa hipotética situação em que todo o dinheiro arrecadado com a venda de ingressos fosse destinado a cobrir o investimento, como o campeonato tem cerca de 13 rodadas e mais quartas-de-final, semi-final e final, seriam necessários mais de 500 campeonatos matogrossenses para se pagar o estádio. Só no ano de 2.514 o estádio estaria pago.</p>
<p>Poderíamos fazer cálculos desse tipo com os estádios de Manaus, Brasília e Natal e as conclusões seriam parecidas. O jornalista Diego Salgado apontou as rendas e médias de público dos principais clubes dessas cidades, que podem ser vistas neste endereço: <a href="http://www.copa2014.org.br/blog/noventa-minutos/?p=190">http://www.copa2014.org.br/blog/noventa-minutos/?p=190</a>.</p>
<p>E enquanto isso, o Fluminense, cerca de 90 anos depois de construir seu estádio, não pode mais usar seu campo para jogos oficiais. Parte da arquibancada foi destruída após a desapropriação do terreno feita pela prefeitura para a duplicação da Rua Pinheiro Machado e o estádio ficou pequeno, &#8220;inapropriado&#8221;. O campo serve hoje apenas para o treinamento das equipes de futebol.</p>
<div id="attachment_1573" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/estadio-do-flu-2010.jpg"><img class="size-full wp-image-1573" title="Estadio do Flu 2010" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/estadio-do-flu-2010.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Estádio do Fluminense em 2010 já sem as arquibancadas em uma das extremidades do campo. Fonte: Blog do Tricolor verdadeiro.</p></div>
<p>Quem, em 1922, se arriscaria a afirmar que o maior e mais moderno estádio da América Latina que se construía, seria, menos de cem anos depois, impossibilitado de ser usado como estádio? Quem se arrisca a afirmar o que vai acontecer com a maioria dos estádios que estão sendo construídos para a Copa do Mundo de 2014?</p>
<p>João Malaia</p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1568/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1568/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1568/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1568/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1568/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1568/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1568/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1568/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1568/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1568/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1568/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1568/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1568/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1568/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1568&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Lançamento de livros</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Sep 2011 19:16:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Fortes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>

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		<description><![CDATA[Segunda agora, dia 26/9, haverá o lançamento de dois livros de membros deste blogue: Jogos de identidade: o esporte em Cabo Verde, de Victor Andrade de Melo; e O surfe nas ondas da mídia: esporte, juventude e cultura, de Rafael Fortes. Ambas as publicações fazem parte da série Sport: História, vinculada a nosso laboratório. Será [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1565&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segunda agora, dia 26/9, haverá o lançamento de dois livros de membros deste blogue: <em>Jogos de identidade: o esporte em Cabo Verde</em>, de Victor Andrade de Melo; e <em>O surfe nas ondas da mídia: esporte, juventude e cultura</em>, de Rafael Fortes. Ambas as publicações fazem parte da série Sport: História, vinculada a nosso laboratório.</p>
<p>Será a partir das 18h30, na Livraria Folha Seca: Rua do Ouvidor, 37, no Centro do Rio de Janeiro (pertinho da Rua Primeiro de Março). Abaixo, o convite virtual. Estão todos convidados!</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/convite-lancamento-26-9-2011.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1566" style="margin-top:15px;margin-bottom:15px;" title="convite lancamento 26-9-2011" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/convite-lancamento-26-9-2011.jpg?w=450&#038;h=310" alt="" width="450" height="310" /></a></p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/eventos/'>Eventos</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1565/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1565/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1565/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1565/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1565/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1565/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1565/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1565/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1565/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1565/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1565/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1565/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1565/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1565/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1565&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Rafael Fortes</media:title>
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			<media:title type="html">convite lancamento 26-9-2011</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>A palavra na sombra da bola</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Sep 2011 02:08:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edônio Alves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Edônio Alves Nos meus estudos sobre a relação do futebol com a literatura, pude perceber, através das pesquisas que fiz com o gênero do conto, as diferentes formas de abordagem do tema deste jogo que os ficcionistas brasileiros empreendem para transformá-lo em narrativa literária. Por conta disso, mapeei essas modelizações formais do tema do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1557&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por <em>Edônio Alves</em></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>Nos meus estudos sobre a relação do futebol com a literatura, pude perceber, através das pesquisas que fiz com o gênero do conto, as diferentes formas de abordagem do tema deste jogo que os ficcionistas brasileiros empreendem para transformá-lo em narrativa literária. Por conta disso, mapeei essas modelizações formais do tema do futebol em nossa literatura em categorias de leitura para melhor inserir o assunto no universo dos nossos leitores.</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>Numa dessas classificações de leitura do gênero, eu incluí uma série de narrativas sobre a rubrica que denominei de “Contos de demanda intrínseca”, que são aqueles textos que encerram um tipo de investimento ficcional em que se tenta debater, analisar, demonstrar ou meramente flagrar a condição humana, no seu todo ou em algum aspecto dela, por meio de suas narrativas, a partir da função que o homem exerce dentro do próprio campo temático do texto, neste caso, o campo<a title="" href="https://historiadoesporte.wordpress.com/wp-admin/post-new.php?post_type=post#_edn1"><span style="color:#800000;">[1]</span></a> do futebol.</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>Nesses sentido, apresento, aqui, mais uma leitura de uma boa narrativa literária sobre o futebol. Trata-se do conto, <em>A sombra</em>, do escritor cearense, Caio Porfírio Carneiro. Vamos a ela:</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;">Narrativa de demanda intrínseca, como já antecipei, esse conto de Caio Porfírio Carneiro põe em cena aquele conflito clássico (bíblico até!) em que a força do mais forte procura se impor à humildade do mais fraco.</p>
<p style="text-align:justify;">E aqui os reveses da condição humana adentra as quatro linhas para costurar mais uma vez, através dos finos tecidos da palavra, a imbricação do jogo da vida com o jogo da bola. Afinal, o personagem principal da narrativa é mais que um jogador de futebol, é um homem que intenta a todo custo escapar da opressão insidiosa de um oponente vigorosamente mais forte e que, dada a sua limitação técnica no campo de jogo, procura se impor não por meio da força do argumento, o que equivaleria à sua melhor técnica e habilidade, mas, sim, pelo argumento da força: o vigor físico em si em conjunto com as artimanhas e malandragens para esconder da arbitragem as suas deslealdades e desrespeitos às regras do jogo. A violência, enfim; assim no campo, assim como na vida.</p>
<p style="text-align:justify;">E se o futebol, como advoga o poeta Ferreira Gullar, não é a vida mesma e, sim, uma idealização desta: “Melhor dizendo, um modo de lutar e derrotar o adversário, sem liquidá-lo fisicamente e dentro de normas pré-estabelecidas” <a title="" href="https://historiadoesporte.wordpress.com/wp-admin/post-new.php?post_type=post#_edn2">[2]</a><a title="" href="https://historiadoesporte.wordpress.com/wp-admin/post-new.php?post_type=post#_edn3">[3]</a>, esta narrativa parece ter sido criada para desdizer o poeta não na sua concepção ideal do futebol, mas sim, e em última instância, na potencialidade que ele tem também, enquanto um jogo que é – ademais como na vida, aliás – de trazer para o seu campo prático as imperfeições e mazelas da existência humana tais como a sordidez, a injustiça, a inveja, enfim, o lixo humano, demasiado humano, produzido no campo das relações sociais.</p>
<p style="text-align:justify;">De posse de uma técnica narrativa simples e, no entanto, bastante eficaz, em que uma terceira pessoa do singular é utilizada para expressar uma visão do narrador em uníssono com a visão do personagem principal do conto, um meia-armador habilidoso que passa um jogo inteiro pensando numa forma de se livrar definitivamente de uma sombra (o adversário brutamontes que o acompanha milímetro a milímetro dentro do campo e quer anulá-lo mesmo com a violência), Caio Porfírio Carneiro arquiteta a história de sua vingança (a do personagem, claro) em que a abertura já diz tudo.</p>
<p style="text-align:justify;">“<em>Haveria de pegá-lo, de tal jeito que o afastasse de vários jogos. Ou o quebrasse definitivamente. O revide frontal seria impossível. Não teria físico para tanto. Disciplinadíssimo. Atropelara-se naquela montanha de músculos. Justificava-se, humilde e cheio de ódios. Fizera ver ao juiz as inúmeras faltas sofridas. De nada serviria a solidariedade do capitão do time, dos companheiros. Cartão amarelo. O jequitibá lá no chão, contorcendo-se de dor nenhuma, cena pura</em>”.</p>
<p style="text-align:justify;">A partir deste ponto, portanto, toda a história segue variando ora a terceira pessoa ora um discurso indireto livre que melhor expresse os pensamentos silenciosos do jogador que trama a superação de sua condição de opressão diante do adversário desleal:</p>
<p style="text-align:justify;">“<em>Aquilo vinha de longe, desde que passara a titular e subira como foguete no conceito da torcida e dos adversários. Bola no seu pé era fila de jogadores estonteados e pânico nos zagueiros.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>“(&#8230;) Contra aquele adversário, porém, nunca. Um suplício. Dois metros, nenhum futebol, colado. Recuava, deslocava-se para o centro, seguia as instruções do técnico, a gritar-lhe, mãos afuniladas na boca:</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>­            -­ Vá para a direita!</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>            </em><em>Inútil</em>.”</p>
<p style="text-align:justify;">O texto segue por dentro dos pensamentos, consciência e hesitações do personagem que se debate entre a necessidade de produzir uma boa <em>performance</em> que leve o seu time à vitória &#8211; neste jogo e também no campeonato inteiro – e a urgência de se livrar do obstáculo que justamente vem impedindo, no caso,  esse seu projeto de vida. E, para um caso clássico, uma solução clássica por parte do narrador, o que se não dá a sua história foros de originalidade, ao menos chama a cumplicidade do leitor para uma saída formal confortavelmente conservadora:</p>
<p style="text-align:justify;">“(&#8230;) <em>Olhou-o rápido e até cumprimentou-o. Recebeu em resposta, um sorriso e o mesmo piscar de olho, de alto dos dois metros. Na base, os tendões, fios sobre as chuteiras enormes. Pegaria o direito. Estraçalharia</em>.”</p>
<p style="text-align:justify;">Não é necessário lembrar aqui a força simbólica dos tendões nas histórias clássicas em que se pretende mostrar que onde reside a força é que justamente pode também morar a maior fraqueza. Aquiles que o diga, junto com Homero. O desfecho desse caso, deixe-se o leitor procurar. Ressalvando-se, entretanto, que aqui, nessa narrativa curta sobre futebol, também se intenta demonstrar, através da figuração típica da representação literária, o quanto as regras de convívio (sejam éticas, técnicas, morais ou políticas) são insuficientes para pautar a ação humana quando a questão em foco for a vivência da plenitude da existência, o que inevitavelmente inclui o efeito das desigualdades, injustiças, crueldades e violências, no corriqueiro enfrentamento homem a homem da vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas, a propósito, levemos em consideração &#8211; porque absolutamente pertinentes para este caso do conto de Caio Porfírio Carneiro &#8211; as reflexões do poeta Ferreira Gullar sobre a vida e sobre o futebol:</p>
<p style="text-align:justify;">“<em>De todos os modos, essa marcação homem a homem, na vida, é impraticável, já que não se passa numa área delimitada, às vistas da torcida e transmitido pela televisão. Além do mais, na vida a desigualdade é maior, uma vez que, além de o juiz estar ausente, quem pode mais manda mais e até mesmo anula as normas do convívio social. Sim, porque a vida também tem regras, tem leis, só que mais difíceis de aplicar do que numa disputa esportiva.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Em suma, o futebol nos permite viver numa disputa justa, uma vez que o número de contendores é o mesmo de cada lado e as regras valem para todos. Se um time é melhor que outro, isso se deve às qualidades dos jogadores e do treinador. Aqui também, como na vida, quem pode mais manda mais, isto é, contrata mais e melhor, o que nos levará, fatalmente, a concluir que a igualdade total, que não existe na vida, tampouco no futebol se consegue alcançar. Mas, nele, se chega muito mais perto e, às vezes mesmo, se alcança, pois há partidas entre times igualmente bons, cujo resultado é impossível prever</em>.”</p>
<p style="text-align:justify;">Como o final de um conto, talvez, diria o autor dessa história de futebol.</p>
<div>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div style="text-align:justify;">
<p><a title="" href="https://historiadoesporte.wordpress.com/wp-admin/post-new.php?post_type=post#_ednref1">[1]</a> A expressão aqui deve ser entendida também na acepção em que é utilizada pela conceituação de campo social, feita pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu. Cf. BOURDIEU, Pierre. <em>O poder simbólico</em>. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. p. 59-74.  </p>
</div>
<div style="text-align:justify;">
<p><a title="" href="https://historiadoesporte.wordpress.com/wp-admin/post-new.php?post_type=post#_ednref2">[2]</a> Ver artigo do poeta Ferreira Gullar sobre o tema, publicado na Folha de São Paulo: edição de domingo, 15 de março de 2009.</p>
<h2><span style="color:#993300;"> Para ler o conto na íntegra, consultar:</span></h2>
</div>
<div>
<p style="text-align:justify;"><strong>Histórias de futebol</strong>, organizada por Maria Viana e Adilson Miguel, com ilustrações de Rubem Filho, editada pela Editora Scipione, de São Paulo, em 2006.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
</div>
</div>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/arte/'>Arte</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/futebol/'>Futebol</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/literatura/'>Literatura</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1557/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1557/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1557/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1557/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1557/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1557/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1557/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1557/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1557/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1557/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1557/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1557/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1557/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1557/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1557&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Edônio Alves</media:title>
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		<title>Socialismo esportivo</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Sep 2011 13:21:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cleber Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[Cleber Dias cag.dias@bol.com.br A ideologia socialista manteve uma relação histórica ambivalente com o esporte. De um lado, a conhecida crítica sobre as práticas esportivas, acusadas de reproduzirem os valores burgueses e funcionarem como elemento de alienação do proletariado. De outro lado, menos implacável, uma postura que pretende instrumentalizá-lo para difusão de ideais revolucionários. A história [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1520&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;">Cleber Dias</p>
<p style="text-align:right;">cag.dias@bol.com.br</p>
<div id="attachment_1533" class="wp-caption alignleft" style="width: 184px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/spartakiada-19281.jpg"><img class="size-full wp-image-1533" title="Spartakiada - 1928" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/spartakiada-19281.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Cartaz de propaganda da Spartakiada de Verão, realizada em Moscou, em agosto de 1928.</p></div>
<p style="text-align:justify;">A ideologia socialista manteve uma relação histórica ambivalente com o esporte. De um lado, a conhecida crítica sobre as práticas esportivas, acusadas de reproduzirem os valores burgueses e funcionarem como elemento de alienação do proletariado. De outro lado, menos implacável, uma postura que pretende instrumentalizá-lo para difusão de ideais revolucionários.</p>
<p style="text-align:justify;">A história do esporte na União Soviética ilustra bem a oscilação entre esses pólos. Após a Revolução de Outubro, a política bolchevique foi pouco a pouco definindo uma orientação que pretendia afastar o esporte burguês, buscando, em contrapartida, práticas alternativas, mais condizentes com os valores e interesses das classes trabalhadoras, conforme acreditavam os líderes do Partido. Os bolcheviques criticavam o individualismo e a competição do esporte burguês, apontados por eles como um dos vícios responsáveis pela decadência da sociedade. A fim de tentar superá-los, o regime dissolveu clubes esportivos e afastou o país das federações e competições internacionais. Nessa época, a Internacional Desportiva Vermelha e a <em>Spartakiada</em>, espécie de Olimpíadas Proletárias, substituíram instituições e eventos mais convencionais no universo esportivo soviético.</p>
<div id="attachment_1524" class="wp-caption aligncenter" style="width: 397px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/selos-soviec3adticos-2-1966.jpg"><img class="size-full wp-image-1524" title="Selos sovieíticos 2 - 1966" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/selos-soviec3adticos-2-1966.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Selos postais com temas esportivos exibiam a nova postura do governo soviético diante dos “esportes burgueses”.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Pelos idos da década de 1930, no entanto, diversas transformações na política soviética, incluindo certa decepção com o movimento esportivo comunista, animaram uma mudança de rumos. Dali em diante, os soviéticos passaram a usar o esporte como instrumento de mobilização de trabalhadores, bem como suporte para exibição da superioridade do seu sistema político. O esporte também passava a ser visto como veículo para integração de minorias étnicas da Grande Rússia, além de estratégia contra o alcoolismo, a criminalidade e a mobilização contra o governo. Ao longo da década de 1940, a União Soviética re-estabeleceu relações com várias federações internacionais, incluindo a de futebol, halterofilismo, ginástica, boxe, basquete e vôlei. Em 1951, criou-se o Comitê Olímpico Soviético, que estreou no ano seguinte, nas Olimpíadas de Helsinque, Finlândia, com destaque para a equipe feminina de ginástica, que dali em diante arrebataria consecutivamente a medalha de ouro nas próximas oito edições dos Jogos.</p>
<div id="attachment_1528" class="wp-caption aligncenter" style="width: 412px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/ginastica-proletaria.jpg"><img class="size-full wp-image-1528" title="ginastica proletaria" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/ginastica-proletaria.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">No Estádio Strahov, em Praga, construído para esse fim no período entre guerras, grandes exibições de ginástica proletária durante a Spartakiada tentavam encenar a agilidade e disciplina comunista.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Mas qual seria, afinal, a pertinência ou impertinência da prática esportiva para os ideais socialistas? Haveria, de fato, incompatibilidade entre uma coisa e outra? Os principais teóricos da doutrina nunca se ocuparam seriamente com a questão. Apenas os próprios hábitos de alguns deles fornecem fugidios indícios a esse respeito. Sabe-se, por exemplo, que Frederic Engels era entusiasmado praticante de equitação. Engels teria inclusive tentado ensinar a arte da montaria a seu fiel camarada, Karl Marx, mas este, decididamente sedentário, não teria passado da primeira aula. A cota de exercícios de Marx resumia-se, quando muito, a leves passeios a pé aos domingos com a família. Na juventude, a inaptidão de Marx para os esportes chegou a fazê-lo ser ferido perto do olho durante um duelo de espadas – prática comum na Alemanha da época.</p>
<div id="attachment_1525" class="wp-caption aligncenter" style="width: 441px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/lenin-hitler-xadrez.jpg"><img class="size-full wp-image-1525" title="Lenin - Hitler - xadrez" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/lenin-hitler-xadrez.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">A pintura de Emma, cuja autenticidade é questionada por especialistas, exibiria uma partida de xadrez entre Lênin e Hitler, em Viena, em 1909.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Já Vladimir Ulianov, ou Volodia, para os íntimos, que entrou para a história política mundial com o seu codinome, Lênin, tinha um repertório de atividades mais diversificado. Quando exilado em Paris, por volta de 1910, utilizava-se da bicicleta com bastante freqüência. Na Sibéria, outro dos seus muitos lugares de exílio, costumava caminhar com Krupskaia pelas margens dos rios. No inverno, quando as águas congelavam, o casal patinava sobre o gelo como modo de aquecer os corpos e ocupar o tempo livre – que era muito na Sibéria. Lênin às vezes também caçava, apesar da pouca habilidade, conforme dizem vários relatos. Como gostava de testar sua força contra obstáculos de todo tipo, Lênin também costumava fazer longas e solitárias caminhadas à noite. Na juventude, nadava em lagoas da propriedade de sua família, às vezes duas vezes ao dia. Nessa época, também se exercitava ao ar livre numa barra horizontal. Durante os meses em que estivera preso, consta que Lênin fazia cinqüenta flexões todas as noites antes de dormir. Além disso, manteve ao longo de toda vida a paixão pelo xadrez. É famosa a polêmica gravura pintada por Emma, professora de arte de Hitler, retratando, supostamente, o futuro chefe do Terceiro Reich numa partida contra Lênin, em Viena, em 1909. Sob o comando de Lênin, o governo socialista soviético investiu seriamente na promoção e formação de enxadristas, cujo resultado foi o amplo domínio russo sobre o jogo desde então.</p>
<div id="attachment_1546" class="wp-caption aligncenter" style="width: 388px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/americano-e-chines.jpg"><img class="size-full wp-image-1546" title="americano e chines" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/americano-e-chines.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Chineses e Americanos encontram-se para partida de pingue-pongue (1971). Ao longo de quase todo o século XX, o esporte foi veículo de mediação política, tanto para os países socialistas, quanto para os capitalistas</p></div>
<p style="text-align:justify;">Outros líderes socialistas também manifestaram grande ânimo pelos esportes. Mao-Tse-Tung, por exemplo, que caminhava e nadava regularmente, fez publicar logo após a Revolução Chinesa (1949) um artigo de sua autoria abordando a importância do esporte para a nação. Nesse espírito, não é de surpreender que Mao tenha decidido formalizar o início da chamada “Revolução Cultural”, em 1966, com a promoção de um evento esportivo: uma travessia do lago Yagntze. Nessa época, o primeiro-ministro Zhou Enlai, com total apoio de Mao, notabilizou-se pela capacidade de utilizar o esporte como instrumento diplomático, promovendo partidas de xadrez com os russos e até organizando uma partida de pingue-pongue contra a equipe norte-americana, no episódio que marcou o estabelecimento de relações entre os dois países, depois de anos de isolamento</p>
<div id="attachment_1543" class="wp-caption aligncenter" style="width: 261px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/charge-ping-pong1.jpg"><img class="size-full wp-image-1543" title="charge ping pong" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/charge-ping-pong1.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Capa de revista norte-americana, exibia charge de uma partida entre Richard Nixon e Mao-Tse-Tung, perguntando-se sobre os propósitos do &quot;pingue-diplomático&quot;</p></div>
<p style="text-align:justify;">Do outro lado do mundo, na América Latina, o governo socialista cubano sempre rejeitou o argumento marxista de que o esporte competitivo é uma prática burguesa, elitista e responsável pela promoção de ideais individualistas. Desde o início, os líderes da Revolução Cubana acreditavam que era o contexto, e não uma eventual “essência” do esporte o que determinava seus efeitos sobre a população. Não por acaso, assim que assumiram o controle político em Havana, engajaram-se prontamente em promover sistematicamente a prática de esportes entre os cubanos. Para eles, campeões esportivos internacionais treinados em escolas destinadas especificamente a esse fim, refletiam apenas o desenvolvimento que o novo sistema político permitia aos seus cidadãos. Fidel Castro chegou a dizer que as três principais realizações da Revolução eram a educação, o tratamento médico e os esportes.</p>
<div id="attachment_1527" class="wp-caption aligncenter" style="width: 448px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/che.jpg"><img class="size-full wp-image-1527" title="Che" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/09/che.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">El Comandante, como bom argentino, era apreciador do futebol (especialmente quando jogado por brasileiros...). Na foto, um dos protagonistas da Revolução que daria grande ênfase política à promoção da prática esportiva, aparece ao lado do time do Madureira, do subúrbio do Rio de Janeiro.</p></div>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1520/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1520&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Cleber Dias</media:title>
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			<media:title type="html">Spartakiada - 1928</media:title>
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			<media:title type="html">Selos sovieíticos 2 - 1966</media:title>
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			<media:title type="html">ginastica proletaria</media:title>
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			<media:title type="html">Lenin - Hitler - xadrez</media:title>
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			<media:title type="html">americano e chines</media:title>
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			<media:title type="html">charge ping pong</media:title>
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			<media:title type="html">Che</media:title>
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		<title>Copa e Olimpíada: tocamos as obras, violamos direitos, vamos em frente</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Aug 2011 10:49:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Fortes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Rafael Fortes No finzinho de 2010, escrevi uma análise (com traços de prognóstico) sobre a organização dos megaeventos esportivos no Brasil, no que diz respeito aos interesses da maioria da população e aos cofres públicos. De lá para cá, para tragédia do país onde nasci e, em particular, da cidade onde vivo (Rio de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1497&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Rafael Fortes</em></p>
<p>No finzinho de 2010, escrevi uma <a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2010/12/27/um-feliz-2011-e-alem-para-o-esporte-no-brasil/" target="_blank">análise</a> (com traços de prognóstico) sobre a organização dos megaeventos esportivos no Brasil, no que diz respeito aos interesses da maioria da população e aos cofres públicos. De lá para cá, para tragédia do país onde nasci e, em particular, da cidade onde vivo (Rio de Janeiro), os acontecimentos indicam que eu estava certo.</p>
<p>Estou longe de ser o único com esta avaliação, inclusive entre os que estudam esporte. Em <a href="http://prod.midiaindependente.org/pt/red/2011/07/494345.shtml" target="_blank">entrevista</a> publicada no jornal <em>Brasil de Fato</em>, Gilmar Mascarenhas de Jesus, professor de Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), apresenta dados e interpretações bastante críticos a respeito da forma como os megaeventos esportivos vêm sendo preparados no Brasil. Além disso, descortina os interesses e projetos de cidade aos quais os megaeventos estão associados e subordinados.</p>
<p>Movimentos sociais, ONGs, moradores atingidos pelas obras e (poucos) mandatos legislativos e políticos vêm, com imensas dificuldades, lutando para garantir direitos, conter o <em>rodo</em> e divulgar os acontecimentos. Um exemplo é vídeo abaixo, feito com o objetivo político de mobilização a favor da instalação da CPI das Remoções na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Trata-se de compilação de vídeos relativos às remoções que vem acontecendo na cidade (veja também a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=MMumT40OImU&amp;feature=related" target="_blank">segunda parte</a>). Na fala do morador (a partir de 4&#8217;49&#8243;), repare que a casa atrás dele está pintada com números e as iniciais SMH, que provavelmente correspondem a Secretaria Municipal de Habitação. A fala de <a href="http://raquelrolnik.wordpress.com/" target="_blank">Raquel Rolnik</a>, professora da USP e relatora da ONU para o direito à moradia, é tão clara quanto estarrecedora.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/08/29/copa-e-olimpiada-tocamos-as-obras-violamos-direitos-vamos-em-frente/"><img src="http://img.youtube.com/vi/aG4Q2xz8PKo/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>A legitimação política, ideológica, econômica e prática para a realização da maioria destas obras é preparar a cidade para a realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. A quantidade e qualidade das ilegalidades, arbitrariedades e crimes cometidos pelo poder público (executivos municipais, estaduais e federal, mas não só) impressiona.</p>
<p>Vale a pena conferir também um <a href="http://blog.witness.org/2011/06/new-videos-four-communities-on-forced-evictions-in-rio/" target="_blank">relato</a> em inglês dos acontecimentos e da produção de quatro curtas, bem como os próprios vídeos (os quais formam a base dos dois vídeos-coletânea citados acima). Num deles, um morador que teve sua casa destruída afirma se sentir &#8220;um otário&#8221;, pois comemorou a escolha do Brasil para sede da Copa de 2014, mas agora percebe as consequências nefastas da decisão.</p>
<p>Percebe-se claramente a lógica de <em>rolo compressor</em> &#8211; ou rodo, como defini em outro espaço &#8211; que orienta as ações. O depoimento de um morador da Vila Recreio 2, num dos vídeos citados, deixa clara a falta de informação e de acesso aos projetos das obras. Ao final <a href="http://www.youtube.com/watch?v=0hMI1TafE24&amp;feature=BFa&amp;list=PLB359E43200FA21B8&amp;index=4" target="_blank">deste vídeo</a>, a mesma Rolnik explica que prejudicar os pobres faz parte desta mesma lógica.</p>
<p>Esta lógica não é <em>coisa nossa</em>. Recentemente, funcionou também na África do Sul (Copa do Mundo de 2010) e Grécia (Olimpíada de 2004). Há numerosas análises sobre as consequências da última Copa. Uma delas foi feita recentemente por um professor sul-africano em evento promovido pelo <a href="http://www.ippur.ufrj.br/" target="_blank">IPPUR</a>, da UFRJ, e relatada no boletim <em>Olhar Virtual</em>:</p>
<p>&#8220;<a href="http://www.olharvirtual.ufrj.br/2010/?id_edicao=345&amp;codigo=3" target="_blank">Ao final de sua apresentação, o convidado concluiu que a melhor maneira de organizar um mega evento como a Copa do Mundo é incluindo a população, para evitar revoltas sociais e ajudar no desenvolvimento do país (&#8230;)</a>&#8220;</p>
<p>Ou seja, justamente o contrário do que <em></em>ocorre no Brasil.</p>
<p>Vivemos em uma democracia formal desde 1979, 1985, 1988 ou 1989 &#8211; dependendo do marco escolhido. Contudo, a população e a sociedade organizada ficam fora da discussão e da tomada de decisões, contrariando leis e qualquer parâmetro de bom senso, ética, decência e razoabilidade. Decisões e realizações (sobre obras, projetos, liberação e uso de recursos públicos etc.) são feitas de forma secreta, sem participação da população. Temos, no governo e no poder, partidos integrados por centenas, talvez milhares de perseguidos pelo regime de exceção instaurado em 1964. Tragicamente, a organização dos megaeventos, ao menos em certos traços, lembra a época do &#8220;Ninguém mais segura este país&#8221;.</p>
<p style="text-align:center;">*  *  *</p>
<p>Por indicação do colega de blogue <a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/author/coriolanojunior/" target="_blank">Coriolano</a>, li esta inacreditável <a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-58/figuras-do-futebol/o-presidente" target="_blank">entrevista</a> de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, à revista <em>Piauí</em>. Outro escriba deste espaço, <a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/author/victorufrj/" target="_blank">Victor Melo</a>, leu recentemente <a href="https://pandabooks.websiteseguro.com/livro/430/jogo-sujo.html" target="_blank"><em>Jogo Sujo</em></a>, do jornalista britânico Andrew Jennings, e disse que, a julgar pelo relato, a situação é duzentas vezes mais cabeluda do que imaginamos. A obra é apresentada pela editora brasileira como &#8220;o livro que a Fifa tentou proibir&#8221;.</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><img src="http://imagem.buscape.com.br/capas/livros/971/821/200x200_8586821179.jpg" alt="" width="200" height="200" /><p class="wp-caption-text">Capa do livro que Ricardo Teixeira conseguiu proibir.</p></div>
<p>No caso brasileiro, talvez, em breve, consiga. Afinal, há um precedente: <em>CBF &#8211; Nike</em>, escrito pelos então deputados federais <a href="http://www.camara.gov.br/internet/deputado/dep_detalhe.asp?id=524144" target="_blank">Aldo Rebelo</a> (PCdoB/SP) e <a href="http://www.camara.gov.br/internet/deputado/Dep_Detalhe.asp?id=533310" target="_blank">Silvio Torres</a> (PSDB/SP) e editado em 2001 pela Casa Amarela, foi recolhido e permanece, até hoje, proibido. (É possível encontrá-lo em sebos, inclusive <a href="http://www.estantevirtual.com.br/q/aldo-rebelo-e-silvio-torres-cbf-nike" target="_blank">virtuais</a>. Mas a proibição jogou o preço lá em cima.) Eles foram, respectivamente, <a href="http://www2.camara.gov.br/deputados/pesquisa/layouts_deputados_biografia?pk=96819" target="_blank">presidente</a> e <a href="http://www2.camara.gov.br/deputados/pesquisa/layouts_deputados_biografia?pk=98479" target="_blank">relator</a> da <a href="http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/parlamentar-de-inquerito/51-legislatura/cpinike" target="_blank">Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) CBF/NIKE</a>, que investigou a relação da confederação com a fornecedora de material esportivo &#8211; e acabou <em>em pizza</em>, &#8220;<a href="http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/parlamentar-de-inquerito/51-legislatura/cpinike/informacoes-sobre-a-cpi" target="_blank">sem votação do Relatório</a>&#8221; final.</p>
<p>Segundo o excelente texto de Daniela Pinheiro, Teixeira declarou: &#8220;<a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-58/figuras-do-futebol/o-presidente" target="_blank">Meu amor, já falaram tudo de mim: que eu trouxe contrabando em avião da Seleção, a CPI da Nike e a do Futebol, que tem sacanagem na Copa de 2014. É tudo coisa da mesma patota, UOL, Folha, Lance, ESPN, que fica repetindo as mesmas merdas.</a>&#8221; A lista é precisa: concentra os veículos que, dentro da mídia corporativa, fazem uma cobertura crítica &#8211; ora mais, ora menos; uns mais, outros menos &#8211; em relação ao esporte, à maneira como estão sendo organizados os megaeventos esportivos e à condução das entidades que mandam no esporte brasileiro, como a CBF.</p>
<p>De acordo com o relato, Teixeira compara a CBF a entidades privadas como o banco Bradesco, afirmando que as pessoas não têm nada a ver com a contabilidade da entidade. Em outro trecho, lembra que, ao gravar entrevistas ocm dirigentes da entidade sobre a preparação para a Copa do Mundo, os jornalistas da TV Globo nada perguntaram sobre as numerosas denúncias de corrupção.</p>
<p>Lá no início, falei que as obras eram uma tragédia não apenas para a maioria da população, mas também para os cofres públicos. Exemplo disso é a matéria &#8220;<a href="http://blogdojuca.uol.com.br/2011/07/gasto-olimpico-grego-ilustra-a-perda-de-controle-das-financas/" target="_blank">Gasto olímpico grego ilustra a perda de controle das finanças</a>&#8220;, de Vitor Paolozzi, publicada no jornal <em>Valor Econômico</em>. Além de entrevistar um professor da London School of Economics cujo sobrenome, curiosa e apropriadamente, é Economides, aponta vários erros e absurdos cometidos. Um dos problemas principais, no caso grego, foi o suborno de autoridades por parte de empresas interessadas em ganhar licitações e fornecer produtos e serviços para os jogos e para as obras a eles relacionadas.</p>
<p>Difícil imaginar que esteja acontecendo e vá acontecer algo semelhante no Brasil, não?</p>
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		<title>“Golpe de Estádio” (1999:  Espanha, Colômbia e Itália)</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Aug 2011 14:39:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Sant&#39;ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[“-Prohibir el fútbol&#8230; “- Tan imposible como prohibir la guerra”. &#160; O diálogo acima apresenta um dos vários dilemas e/ou questões apresentadas nessa boa comédia de produção internacional. Em um pequeno vilarejo, na Colômbia, guerrilha e forças estatais se enfrentam, num conflito que envolve, ademais, interesses capitalistas americanos (exploração de petróleo) e de negociadores de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1501&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><strong><br />
<a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/08/g-e1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1506" title="g e" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/08/g-e1.jpg?w=450" alt=""   /></a></strong><em></em></p>
<p><em></em></p>
<p><em>“-Prohibir el fútbol&#8230;</em></p>
<p><em>“- Tan imposible como prohibir la guerra”.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O diálogo acima apresenta um dos vários dilemas e/ou questões apresentadas nessa boa<br />
comédia de produção internacional. Em um pequeno vilarejo, na Colômbia,<br />
guerrilha e forças estatais se enfrentam, num conflito que envolve, ademais,<br />
interesses capitalistas americanos (exploração de petróleo) e de negociadores<br />
de armas. Nesse cenário, uma ação dos “subversivos” derruba uma torre de<br />
prospecção e, mais grave, a única antena de televisão disponível do lado<br />
oficial. Isso em meio às eliminatórias da copa de 1994, nos EUA. Como a antena<br />
do lado sublevado também acaba sendo destruída, cria-se um grandioso<br />
problema&#8230;</p>
<p>O jogo imperdível seria o enfrentamento com a poderosa Argentina, o que de fato<br />
sucedeu em 5 de setembro de 1993. Estava em jogo a participação na Copa. A Colômbia tinhaa vantagem de ter vencido o primeiro embate, por 2 X 1.  Agora a peleja seria em Buenos Aires.</p>
<p>Não há guerra que resista a isso.</p>
<p>Depois de escaramuças e confusões os dois lados acabam concordando com um hilário<br />
armistício. Os fiadores do cessar fogo são o padre da região e o, digamos,<br />
responsável pelo entretenimento local, um show itinerante denominado “Las<br />
chicas Titanic”&#8230;</p>
<p>Ah sim, temos inclusive a participação de observadores internacionais. Uma bela repórter<br />
italiana e o vendedor de armas, jocosamente nomeado de Klaus Mauser. Tudo é<br />
feito no campinho de futebol próximo ao quartel. Entregues as armas, todos se<br />
dirigem à Igreja para assistir ao jogo. Este começa com uma desastrosa entrevista<br />
de Maradona.  O ilustre bolero dos pampas afirma,<br />
categoricamente, que,</p>
<p>“historicamente&#8230;<br />
conquistamos [esto] historicamente (&#8230;) a Argentina arriba, Colombia<br />
abajo&#8230;”, ao que um soldado retruca algo como:</p>
<p><em>“ Ahh  (..) ahora es un historiador&#8230;  argentino malparido..!”  </em></p>
<p>Vamos combinar&#8230;. só isso já valia o ingresso, ou o preço do DVD, ainda mais se<br />
lembrarmo-nos do resultado (e qual Colombiano ou BRASILEIRO não se lembra?).</p>
<p>A par da diversão, e o filme <em>é </em>divertido, alguns pontos são bons para se pensar. É interessante notar que ambas as chefias<br />
não querem a trégua, rendendo-se a ideia apenas com a pressão de seus<br />
comandados, os quais, nesse ponto, voltam a irmanar-se.  Os dois comandos, aliás,<br />
chegam a proibir que suas tropas assistam ao futebol, daí a epígrafe<br />
inicial;  mas não tem jeito, têm que se<br />
adequar a aspiração de seus “subordinados”.<br />
A patrulha local, então, faz até greve para ter seus “direitos”<br />
atendidos:</p>
<p>“<em>La policía unida, jamás será vencida</em>!!!”.</p>
<p>Por<br />
essas e por outras, se puderem, não percam&#8230; <em>Golpe de Estadio</em>.</p>
<p>Ah, é claro, a Colômbia meteu 5 a zero na Argentina, <em>no hay como olvidarnos</em>.</p>
<p>Quem quiser ver o chocolate é só acessar:</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=1gopxCnXBvs">http://www.youtube.com/watch?v=1gopxCnXBvs</a></p>
<p><strong>Ficha técnica:</strong></p>
<p>Fonte: <a href="http://www.zinema.com/pelicula/1999/golpedee.htm">http://www.zinema.com/pelicula/1999/golpedee.htm</a></p>
<p>Consultado em 19 de agosto de 2011. <strong></strong></p>
<p><strong>Golpe de estadio</strong></p>
<p><strong>Año</strong><strong>1999 </strong><strong>País </strong><strong>España-Colombia-Italia</strong></p>
<p><strong>Estreno </strong><strong>13-08-99 </strong><strong>Género </strong><strong>Comedia </strong><strong>Duración</strong><strong>105 </strong><strong>original </strong><strong>Golpe de estadio</strong><strong><a href="http://www.zinema.com/index.htm"> </a></strong><strong>Dirección </strong><strong>Sergio Cabrera</strong><strong>  </strong><strong>Intérpretes </strong><strong>Emma Suárez<br />
(María)Nicolás Montero (Carlos)Raúl Sénder (Jose Josu)</strong><strong>  </strong><strong>César Mora<br />
(Sargento García)</strong><strong>  </strong><strong>Andrea Giordana (Mauser)</strong><strong>   </strong><strong>Guión</strong><strong>Claude Pimont</strong><strong>   </strong><strong>Ben Odell</strong><strong>Fotografía</strong><strong>Giovanni Mammolotti<br />
</strong><strong>Música </strong><strong>Germán Arrieta </strong><strong>Montaje </strong><strong>Fernando Pardo</strong></p>
<p><strong>Sinopsis </strong><strong>A corta distancia de Buenavista, un pequeño pueblo situado al sudeste de<br />
Colombia, la guerrilla y el ejército mantienen continuos enfrentamientos hasta<br />
que en una de las refriegas toda la zona queda sin cobertura de televisión. En<br />
plena preselección para el Campeonato Mundial de Fútbol, la necesidad de seguir<br />
por televisión los partidos de la selección colombiana no sólo provocará una<br />
tregua, sino que hermanará a guerrilleros y soldados en un único objetivo<br />
común.</strong><strong>    </strong></p>
<p align="center">
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1501/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1501/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1501/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1501/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1501/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1501/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1501/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1501/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1501/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1501/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1501/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1501/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1501/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1501/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1501&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Luiz Carlos Sant&#039;ana</media:title>
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			<media:title type="html">g e</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>O ciclismo em Salvador</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Aug 2011 15:01:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Coriolano Rocha Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esporte na Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Século XIX]]></category>
		<category><![CDATA[Século XX]]></category>

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		<description><![CDATA[Por: Coriolano P. da Rocha Junior           Neste blog tenho falado dos esportes em Salvador e no post anterior, comentei sobre a patinação. No post de hoje, trato de outro esporte, o ciclismo, que na cidade do Salvador teve sua existência inicial vinculada à patinação.           Por mais que atualmente possamos associar o uso da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1490&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;">Por: Coriolano P. da Rocha Junior</p>
<p style="text-align:justify;">          Neste blog tenho falado dos esportes em Salvador e no <em>post</em> anterior, comentei sobre a patinação. No <em>post</em> de hoje, trato de outro esporte, o ciclismo, que na cidade do Salvador teve sua existência inicial vinculada à patinação.</p>
<p style="text-align:justify;">          Por mais que atualmente possamos associar o uso da bicicleta ao cotidiano e ao imaginário popular, sabemos que ainda existem dificuldades, seja para o ciclismo como uma prática esportiva, seja para o uso da bicicleta como meio de transporte e de lazer. E se em Salvador, ainda hoje existe a dificuldade de se incorporar a bicicleta aos hábitos comuns do dia a dia (as ciclovias da cidade são limitadas e o trânsito difícil), vejamos como era isso tempos atrás.</p>
<p style="text-align:justify;">          Em Salvador, desde fins do século XIX, os jornais noticiavam “garagens” e aluguel de bicicletas, sempre importadas, o que nos faz entender, que já era então algo conhecido na cidade, mesmo que pouco vivido, pois, importadas, não faziam parte do cotidiano da população por conta de seus elevados preços.</p>
<p style="text-align:justify;">          Em terras baianas, o ciclismo pareceu acontecer sob a mesma estrutura dos clubes de patinação. Era fato comum que houvesse atividades simultâneas das duas práticas, desenvolvidas pelos mesmos clubes nos mesmos espaços. As corridas eram desenvolvidas para velocidade, sendo mais comuns no Comércio e no Centro Histórico ou para resistência, com deslocamentos até o Rio Vermelho e também faziam parte das festividades promovidas pelos clubes.</p>
<p style="text-align:justify;">          A imagem adiante demonstra a aproximação entre a patinação e o ciclismo em Salvador. Observa-se que a espaço de prática parece ser o mesmo (as ruas do bairro do Comércio) e as vestimentas são quase idênticas. Os ciclistas aparentam uma imagem de segurança e força ante os desafios que virão, estando cercados por grande número de pessoas, que demonstra o quanto a prática e o equipamento eram atraentes para o público. Por outro lado, o pequeno número de praticantes é simbólico, significando o quanto a bicicleta ainda era algo distante da população, sendo uma prática com menor número de adeptos.</p>
<div id="attachment_1494" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/08/nova-imagem2.png"><img class="size-medium wp-image-1494" title="Ciclistas" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/08/nova-imagem2.png?w=300&#038;h=209" alt="" width="300" height="209" /></a><p class="wp-caption-text">Ciclistas a espera da largada: Revista Renascença, ano I, n.VI, Novembro 1916</p></div>
<p style="text-align:justify;">          Em 23/04/1912, o Jornal de Notícias divulgou o que dizia ser a primeira corrida de bicicletas da Bahia, realizada no bairro do Canela. Nos jornais, eram comuns notas apresentando as provas a serem disputadas, com os clubes, os participantes e a premiação, além do local das competições. Dias após as provas, eram noticiados os vencedores e seus tempos.</p>
<p style="text-align:justify;">          Nesse período inicial da prática do ciclismo, sem dúvida, podemos associá-lo as novas concepções da vida moderna. A modernidade experimentada em Salvador, nesse período, tentou transformar a cidade num espaço de maior urbanização, civilizado e os esportes, dentre eles o ciclismo, representavam esses novos sentidos da modernidade, ousadia, desafio, superação, destemor e vivacidade.</p>
<p style="text-align:justify;">          Se olharmos para o passar dos anos, podemos afirmar que a população de Salvador, por mais que sua geografia e estrutura urbana ainda dificultem o uso da bicicleta, tentou incorporar as pedaladas como uma atividade comum. Já na esfera competitiva, a cidade, até hoje não construiu um espaço específico para as provas de ciclismo e mesmo de forma adaptada, é bastante difícil de ver o ciclismo em terras soteropolitanas atualmente. Esperemos então que a cidade, sem suas novas propostas de modificação urbana, atente-se para as bicicletas, construindo espaços que permitam a população vivenciar essa atividade em todas as suas dimensões, com segurança e conforto. <strong></strong></p>
<p><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/08/nova-imagem.png"><br />
</a></p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/esporte-na-bahia/'>Esporte na Bahia</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/seculo-xix/'>Século XIX</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/seculo-xx/'>Século XX</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1490/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1490&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Ciclistas</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Retorno às origens?</title>
		<link>http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/08/09/retorno-as-origens/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 03:31:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vivianfonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[Vivian Fonseca A expansão da capoeira no exterior se inicia nos anos 1970 – é o momento do capoeirista aventureiro, no momento em que pouco (ou nada) se conhecia de capoeira em diversas partes do mundo. Desse período para cá, a capoeira “deu a volta ao mundo” e hoje, segundo levantamento do Ministério da Cultura, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1486&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;">Vivian Fonseca</p>
<p style="text-align:right;">
<p style="text-align:right;">A expansão da capoeira no exterior se inicia nos anos 1970 – é o momento do capoeirista aventureiro, no momento em que pouco (ou nada) se conhecia de capoeira em diversas partes do mundo. Desse período para cá, a capoeira “deu a volta ao mundo” e hoje, segundo levantamento do Ministério da Cultura, está presente em mais de 150 países.</p>
<p>De maneira mais organizada e sistemática, a capoeira definitivamente virou queridinha de descolados ao redor do mundo e, talvez não seja demais arriscar, dificilmente alguém não saberia reconhecer um capoeirista nos grandes centros urbanos mundiais. Se nos anos 1970 e 1980 a capoeira se difundiu pela Europa e EUA, os anos 1990 conheceram novos destinos de viagens para mestres e professores interessados em se estabelecer no exterior: Israel, Japão e, também, países africanos. E é justamente sobre a viagem da capoeira para a África que se trata esse post.</p>
<p>O estabelecimento de centros de treinamento, grupos, professores e mestres brasileiros de capoeira em países africanos é visto, de maneira geral, como um ‘retorno às origens’. Ir à África seria a possibilidade de beber diretamente nas tradições que formaram a capoeira e, portanto, essencial para a maioria dos capoeiristas comprometidos com ‘a verdadeira capoeira’.  Se esse ‘retorno’ à África ou, ainda, a vinculação com elementos vistos como africanos são entendidos por muitos brasileiros como uma chancela de qualidade e autenticidade da capoeira, talvez não seja essa a chave de leitura realizada por nativos em solo africano. Pesquisando em sítios e blogs de grupos de capoeira que mantém filiais em países africanos, me deparei com uma situação bem interessante.</p>
<p>Em Maputo, capital de Moçambique, os capoeiristas têm um jeito muito particular de se definirem: oficiais x clandestinos. Um leitor desavisado poderia supor que oficiais seriam grupos registrados em entidades formais de cultura ou esporte, por exemplo. No entanto, segundo os relatos com os quais travei contato, oficiais seriam os grupos mais estruturados e, pasmem, mantém relações diretas com grupos e mestres de capoeira brasileiros. Por outro lado, os clandestinos seriam os grupos sem essa referência clara com algum grupo ou mestre de capoeira brasileira.</p>
<p>Enquanto capoeiristas brasileiros valorizam essa herança e essa ligação com elementos africanos, por outro lado, os próprios africanos reconhecem e identificam uma capoeira autêntica a partir de sua vinculação com elementos culturais brasileiros.</p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1486/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1486/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1486/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1486/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1486/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1486/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1486/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1486/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1486/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1486/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1486/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1486/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1486/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1486/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1486&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">vivianfonseca</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Tapa na peteca</title>
		<link>http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/08/01/tapa-na-peteca/</link>
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		<pubDate>Mon, 01 Aug 2011 15:37:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esporte em Belo Horizonte]]></category>
		<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[História do Esporte no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Peteca]]></category>

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		<description><![CDATA[Por André Schetino Desde o início do “Historias do Sport” pensava em dedicar um post à Peteca. O artefato está presente na infância de grande parte dos belo horizontinos. Lembro de jogar com meu primo petecas feitas de palha de milho e penas de galinha, confeccionadas pela avó dele. Lembro também da dos clubes esportivos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1479&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;"><em>Por André Schetino</em></p>
<p style="text-align:justify;">Desde o início do <em>“Historias do Sport</em>” pensava em dedicar um post à Peteca. O artefato está presente na infância de grande parte dos belo horizontinos. Lembro de jogar com meu primo petecas feitas de palha de milho e penas de galinha, confeccionadas pela avó dele. Lembro também da dos clubes esportivos que freqüentei e trabalhei, onde as muitas quadras viviam sempre lotadas aos finais de semana, com jogos e campeonatos. Eis que pouco antes do pequeno recesso do mês de julho tive a oportunidade de ler o trabalho de Renato Machado dos Santos, a dissertação de mestrado <em><a href="http://lazerufmg.files.wordpress.com/2011/04/renato-dissertac3a7c3a3o-completa-com-ficha.pdf" target="_blank">“A peteca, o Campo do Lazer e a dinâmica da cidade de Belo Horizonte (1980-1994)&#8221;</a></em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Em seu trabalho, Renato mostra como a peteca se tornou uma verdadeira febre em Belo Horizonte, com direito a um jornal específico – chamado <em>O Petequeiro</em> – e um bar (ao melhor estilo mineiro) com várias quadras de peteca, pro pessoal curtir um happy hour depois de um dia de trabalho. Além disso, Belo Horizonte foi palco do 1º Campeonato Brasileiro de Peteca, em 1987.</p>
<div id="attachment_1481" class="wp-caption alignnone" style="width: 460px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/08/foto3.jpg"><img class="size-full wp-image-1481" title="foto3" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/08/foto3.jpg?w=450&#038;h=355" alt="" width="450" height="355" /></a><p class="wp-caption-text">Foto noturna do bar Boa Forma, em Belo Horizonte. Fonte: O PETEQUEIRO, p. 6, 1984</p></div>
<p style="text-align:justify;">Em uma cidade onde os clubes esportivos se estabeleceram durante muito tempo como um dos principais espaços de lazer, a peteca encontrou um vasto campo para seu desenvolvimento e caiu no gosto e no cotidiano da cidade. Para realizar sua pesquisa Renato entrevistou pessoas importantes no cenário da peteca, e centrou sua investigação nos anos de 1980 a 1994, período em que existiu um dos espaços mais importantes para sua prática – o Campo do Lazer (antigo campo do Clube Atlético Mineiro e hoje um shopping center).</p>
<div id="attachment_1482" class="wp-caption alignnone" style="width: 460px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/08/foto2.jpg"><img class="size-full wp-image-1482" title="foto2" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/08/foto2.jpg?w=450&#038;h=305" alt="" width="450" height="305" /></a><p class="wp-caption-text">O Campo do Lazer. Fonte: SMES, 1985, p. 23.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Vale ressaltar a importância do registro oral de fontes que foram importantes para a prática desse esporte em Belo Horizonte, além de preservar a memória de uma prática esportiva ainda muito pouco estudada no âmbito da História do Esporte.</p>
<p style="text-align:justify;">A dissertação de Renato é a primeira no Brasil sobre o esporte. Afinal, em Belo Horizonte o tapa na peteca é coisa séria</p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/esporte-em-belo-horizonte/'>Esporte em Belo Horizonte</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a> Tagged: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/tag/historia-do-esporte-no-brasil/'>História do Esporte no Brasil</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/tag/peteca/'>Peteca</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1479/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1479/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1479/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1479/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1479/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1479/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1479/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1479/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1479/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1479/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1479/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1479/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1479/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1479/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1479&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">André</media:title>
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		<title>Futurismo: um movimento esportivo II – “Demonstração Intervencionista”</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Jul 2011 15:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Melo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Século XX]]></category>
		<category><![CDATA[Carlo Carrá]]></category>
		<category><![CDATA[Futurismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Victor Andrade de Melo . Em post anterior, já discutimos como, no âmbito do futurismo, importante e ruidoso movimento artístico que esteve ativo nas décadas iniciais do século XX, o esporte não só foi um tema constante em muitas obras como também estava presente na sua dinâmica interna, citado em muitos manifestos como exemplo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1453&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Por Victor Andrade de Melo</p>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<p style="text-align:justify;">Em <em><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/?s=futurismo" target="_blank">post</a></em> anterior, já discutimos como, no âmbito do futurismo, importante e ruidoso movimento artístico que esteve ativo nas décadas iniciais do século XX, o esporte não só foi um tema constante em muitas obras como também estava presente na sua dinâmica interna, citado em muitos manifestos como exemplo de fenômeno cultural que se afastava da tão combatida ideia de tradição, uma expressão dos novos tempos que tanto fascinavam os artistas envolvidos com o grupo.</p>
<p style="text-align:justify;">No <em>post</em> de hoje vou brevemente discutir uma obra que considero sintetizar a relação com o esporte estabelecida no âmbito do Futurismo: “Demonstração Intervencionista”, de Carlo Carrá (1914, têmpera e colagem sobre cartão, 38,5 x 30 cm, acervo de Peggy Guggenheim Collection/Veneza).</p>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:justify;">
<dl class="wp-caption aligncenter">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/07/carra-1.jpg"><img class="size-full wp-image-1454" title="carra.1" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/07/carra-1.jpg?w=450" alt=""   /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Carlo Carrá. Disponível em: http://futurismo5d.blogspot.com/2008/10/biografia-de-carlos-carr.html</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<p style="text-align:justify;">Esse artista, em seu manifesto “A pintura de sons, barulhos e cheiros” (1913), já sugerira que o esporte deveria ser predominantemente representado em vermelho. Carrá segue o próprio conselho em “O Cavaleiro Vermelho” (1913, têmpera e tinta sobre papel, 26 x 36 cm, acervo de Civico Museo D’Arte Contemporanea/Milão) e poucas não foram as vezes, na obra de outros futuristas, em que a cor foi utilizada para representar elementos da prática esportiva.</p>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:justify;">
<dl class="wp-caption aligncenter">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/07/carra-2.jpg"><img class="size-full wp-image-1455" title="carra.2" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/07/carra-2.jpg?w=450" alt=""   /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Disponível em: http://www.milanocastello.it/popUps/operaAlice11.html</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<p style="text-align:justify;">Curioso é também, do mesmo artista, “Nadadoras” (1910, óleo sobre tela, 105 x 156 cm, acervo de Carnegie Museum of Art/Pittsburgh), um dos primeiros quadros futuristas. A obra era uma clara referência ao poeta futurista Libero Altomare, que fazia uma relação entre a natação e os estados da mente.</p>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:justify;">
<dl class="wp-caption aligncenter">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/07/carra-3.jpg"><img class="size-full wp-image-1456" title="carra.3" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/07/carra-3.jpg?w=450&#038;h=303" alt="" width="450" height="303" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Nadadoras. Disponível em: http://www.flickr.com/photos/32357038@N08/5468206277/</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<p style="text-align:justify;">Mais do que referências literais em obras, é interessante destacar o sentido de excitabilidade proposto por Carrá, expressando sua compreensão sobre a presença da prática na sociedade de seu tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">Ainda que já estivesse se afastando das propostas de Marinetti, o que se tornaria mais claro nos anos seguintes, notadamente depois de seu encontro com De Chirico, no ano de 1914, Carrá deixa-se contagiar pelas noções de patriotismo, no cenário tenso da véspera da 1ª Grande Guerra. Esse sentido impregna “Demonstração Intervencionista”: “Fiel à sua ideia anterior de pintar ruídos, a ‘abstração plástica do tumulto civil’, como ele mesmo definiu essa peça, celebra a Itália, seus aviadores, os ruídos da guerra, Marinetti e outros heróis do movimento moderno” (Humphreys, 2000, p.67).</p>
<p style="text-align:justify;">“Demonstração Intervencionista” foi publicada na revista Lacerba, órgão de difusão do Futurismo, com o título de &#8220;Festa Patriótica&#8221;. Tratava-se de um claro diálogo com as propostas de Picasso na segunda fase do Cubismo, já adequado às características específicas do movimento futurista. Desaparece a figura e emerge a representação abstrata do tumulto e do caos urbano. O quadro é composto por palavras que fazem referência às novas dimensões da modernidade, apresentadas na forma de caleidoscópio, uma analogia ao turbilhão de novidades que assolava a sociedade.</p>
<p style="text-align:justify;">Nesse contexto, a palavra “sports”, colocada ao centro, como destaque, nos relembra tanto o papel que tal manifestação ocupava no contexto social (sua adequação aos “novos tempos”) quanto sua ligação com as propostas do grupo.</p>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:justify;">
<dl class="wp-caption aligncenter">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/07/carra-4.jpg"><img class="size-full wp-image-1457" title="carra.4" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/07/carra-4.jpg?w=450" alt=""   /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Demonstração Intervencioanista. Disponível em: http://www.guggenheim-venice.it/inglese/collections/artisti/dettagli/pop_up_opera2.php?id_opera=391&amp;page</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<p style="text-align:justify;">Enfim, trata-se de mais um indício de que houve um profundo diálogo entre o esporte e o Futurismo Italiano.</p>
<p style="text-align:justify;">Consideremos que esse movimento, de diferentes formas e com diversas recepções, serviu de inspiração para artistas de outros países. De certa maneira, percebe-se essa influência no Dadaísmo e em certos momentos da trajetória de Marcel Duchamp e Robert Delaunay. Mas é certamente na Rússia e na Inglaterra que tal relação fica mais clara. Nesses casos, seria possível identificar algum grau de relacionamento com o esporte?</p>
<p style="text-align:justify;">Esse é um assunto para outro <em>post</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/arte/'>Arte</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/politica/'>Política</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/seculo-xx/'>Século XX</a> Tagged: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/tag/carlo-carra/'>Carlo Carrá</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/tag/futurismo/'>Futurismo</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1453/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1453&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Guerra no gelo</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jul 2011 23:23:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauricio</dc:creator>
				<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Século XX]]></category>

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		<description><![CDATA[por Maurício Drumond No último número de nossa revista, Recorde: Revista de História do Esporte, tive a oportunidade de traduzir o artigo de John Soares, “Guerra fria, gelo quente: hóquei no gelo internacional, 1947-1980”. O interessante artigo aborda as relações diplomáticas travadas através do hóquei no gelo, especialmente entra a União Soviética e seus maiores [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1466&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Maurício Drumond</p>
<p>No último número de nossa revista, <a title="Recorde: Revista de História do Esporte" href="http://www.sport.ifcs.ufrj.br/recorde/home.asp" target="_blank">Recorde: Revista de História do Esporte</a>, tive a oportunidade de traduzir o artigo de John Soares, “<a title="Artigo de John Soares" href="http://www.sport.ifcs.ufrj.br/recorde/pdf/recordeV4N1_2010_14.pdf" target="_blank">Guerra fria, gelo quente: hóquei no gelo internacional, 1947-1980</a>”. O interessante artigo aborda as relações diplomáticas travadas através do hóquei no gelo, especialmente entra a União Soviética e seus maiores rivais no gelo, o Canadá (não pretendo fazer aqui uma resenha ou um resumo do artigo. Para os que se interessarem no assunto, o artigo traduzido para o português está disponível na revista no link acima).</p>
<p>Já abordei em outros posts nesse blog como outros esportes que não o nosso futebol podem funcionar como elementos de identidade nacional. Assim como o <a title="post" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2010/09/21/um-futebol-para-chamar-de-seu/" target="_blank">futebol internacional</a> e o <a title="post" href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/04/04/a-diplomacia-do-criquete-ou-apenas-mais-um-jogo/" target="_blank">críquete</a>, o hóquei no gelo também pode se enquadrar como elemento de identificação nacional. No Canadá, por exemplo, o hóquei é o esporte nacional par excellence. Há aproximadamente um mês, a derrota do Vancouver Canucks para o Boston Bruins na série final da Stanley Cup (campeonato da <em>National Hockey League</em> – NHL – liga disputada por times americanos e canadenses) deu início a uma onda de violência nas ruas de Vancouver que levou o hóquei canadense para as páginas dos jornais de todo o mundo.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/07/18/guerra-no-gelo/"><img src="http://img.youtube.com/vi/BolkuvxJfdU/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>No período da Guerra Fria, os principais jogadores canadenses e americanos não podiam competir nas olimpíadas e nos campeonatos mundiais organizados pela Federação Internacional de Hóquei no Gelo (IIHF) [http://www.iihf.com/] uma vez que esses eram profissionais da NHL e os Jogos Olímpicos eram restritos a amadores. Assim, a principal seleção de hóquei no gelo nesse período era a da União Soviética. De 1954 (ano de entrada da URSS na IIHF) a 1991 (último ano da URSS), os soviéticos conquistaram 22 dos 35 campeonatos mundiais disputados (os anos de 1980, 1984 e 1988 não tiveram campeões oficiais), contando ainda com 7 segundos-lugares e 5 terceiros, não obtendo medalha apenas em 1962, quando os soviéticos boicotaram o torneio mundial realizado em Colorado Springs, nos Estados Unidos [1].</p>
<p>O saldo canadense na mesma competição não condizia com sua suposta superioridade internacional sobre o gelo. Nos mesmos 35 campeonatos mundiais disputados, a seleção canadense obteve apenas 4 títulos, ficando 6 vezes em segundo-lugar e 8 vezes em terceiro. Seu desempenho não era melhor do que o dos tchecoslovacos e suecos, também com quatro títulos cada.</p>
<p>Nos Jogos Olímpicos de Inverno o mesmo quadro se repete. Nas 9 Olimpíadas disputadas pela URSS (de 1956 a 1988), a seleção de hóquei vermelha conquistou 7 medalhas de ouro, ficando as outras duas com os Estados Unidos. Já os canadenses, que haviam conquistado 7 das 8 medalhas disputadas até 1956, só voltaram a conquistar o ouro em 1998, ano em que os jogadores da NHL passaram a poder participar dos jogos.</p>
<p>A explicação para tais resultados era baseada no fato de que o Canadá era representado apenas por jogadores amadores, sendo seus principais jogadores proibidos de participar por serem profissionais. Os jogadores soviéticos, por sua vez, mantinham seu estatuto de amadores, visto que sua condição de profissionais era mascarada por serem membros das forças armadas. Assim, na teoria, não recebiam salário por serem atletas, mas por serem oficiais. Esse artifício era conhecido por todos e não era segredo que o emprego de tais atletas no exército era apenas uma fachada para manter o estatuto do amadorismo e possibilitar a participação desses atletas nas principais competições internacionais e difundir um “ideal” esportivo soviético. No entanto, questionar oficialmente esse estatuto significaria comprar uma grande briga com a União Soviética e correr o risco de não ter mais a participação do gigante vermelho ou de seus aliados. Assim, imagino que as vitórias soviéticas eram frequentemente vistas com um certo descaso no Canadá, uma vez que os soviéticos não enfrentavam os principais astros canadenses (não tenho fontes a respeito disso especificamente, mas me parece que essa era a visão dos canadenses a respeito das conquistas soviéticas em campeonatos amadores, a partir das fontes que pude acessar).</p>
<p>Com a aproximação diplomática da détente nos anos 1970, o esporte funcionaria como uma arena de contato entre os países dos dois blocos e o hóquei não seria exceção. Duas competições são emblemáticas nesse sentido, a <em>Summit Series</em>, confronto entre uma seleção profissional canadense e a seleção soviética e as <em>Super Series</em>, confrontos entre equipes soviéticas (ou a própria seleção soviética) e equipes da NHL realizadas entre 1976 e 1990.</p>
<p><strong><span style="text-decoration:underline;">Os confrontos internacionais</span></strong></p>
<p>Pensada como uma competição que visava aumentar o contato entre países rivais em um período de aproximação diplomática, a <em>Summit Series</em> foi um conjunto de oito jogos entre a seleção canadense e a seleção soviética. Os quatro primeiros jogos foram realizados entre 2 e 8 de setembro de 1972, no Canadá, e os últimos 4 jogos foram realizados em Moscou, entre 22 e 28 de setembro do mesmo ano. Pela primeira vez os soviéticos, diversas vezes campeões olímpicos e mundiais, enfrentariam uma seleção com os maiores jogadores profissionais canadenses, as maiores estrelas da NHL e considerados por muitos como os melhores do mundo.</p>
<p>O confronto que os canadenses imaginavam que seria um passeio dos profissionais da NHL acabou por se transformar em um pesadelo ao final do quarto e último jogo em terras canadenses. A vitória soviética no jogo 4 abria um placar geral de duas vitórias para os soviéticos contra uma vitória canadense e um empate. E os próximos quatro jogos seriam disputados em solo soviético. Após perder o quinto jogo, os canadenses viriam a vencer os três últimos jogos em Moscou e virariam a contagem final para quatro vitórias canadenses contra três soviéticas e um empate, conquistando assim a série.</p>
<p>Mais do que o embate de duas potências do hóquei, a <em>Summit Series</em> foi o primeiro enfrentamento entre dois modos de se jogar o hóquei no gelo. O estilo de jogo soviético, visto por comentadores do período como mais habilidoso, sofreu com o jogo mais físico, para não dizer violento, dos jogadores canadenses. Um dos principais jogadores canadenses era Bobby Clarke, sorrindo na foto abaixo.</p>
<div id="attachment_1467" class="wp-caption aligncenter" style="width: 276px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/07/bobbyclarke-18-jul-2011.jpg"><img class="size-full wp-image-1467" title="Bobby Clarke" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/07/bobbyclarke-18-jul-2011.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Bobby Clarke e seu sorriso de jogador de hóquei no gelo.</p></div>
<p>A violência com que os jogadores canadenses jogavam era, em parte, resultado de seu estilo de jogo e, em parte, pura agressão. O golpe de Bobby Clarke em um jogador tchecoslovaco em um jogo amistoso no retorno da final da <em>Summit Series</em> em Moscou, no vídeo abaixo, é um exemplo do “estilo” canadense.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/07/18/guerra-no-gelo/"><img src="http://img.youtube.com/vi/R2bHJj7avd4/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Outros momentos poderiam ser aqui demonstrados, como a pancada do mesmo Bobby Clarke no tornozelo do astro soviético Valeri Kharlamov a pedido do assistente técnico canadense no sexto jogo da série. Coincidência ou não, após a pancada em Kharlamov (que ficou de fora do jogo seguinte e pouco jogou na última partida) os canadenses venceram os três últimos jogos e levaram o título da série.</p>
<p>No vídeo abaixo (infelizmente disponível apenas em inglês) o assistente técnico diz à reportagem: “Eu chamei Bobby junto ao banco e disse ‘Bobby, esse cara está acabando com a gente’. Bobby deu uma pancadinha no tornozelo dele deu uma acalmada nele”. Depois Bobby Clarke diz: “Eu meio que fui atrás dele e dei uma pancada no tornozelo dele. (&#8230;) Foi algo feito no calor da batalha”. O resultado da “pancadinha” foi um tornozelo quebrado para o jogador soviético e um taco quebrado para o canadense.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/07/18/guerra-no-gelo/"><img src="http://img.youtube.com/vi/qOMJsJhHlyM/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>O mesmo embate de “estilos” se deu nas <em>Super Series</em>, quando equipes soviéticas foram aos Estados Unidos jogar contra equipes da NHL (formadas majoritariamente por jogadores canadenses). As <em>Super Series </em>não eram campeonatos em si, mas confrontos “amistosos” entre as principais equipes dos dois campeonatos. A violência mais uma vez se fez presente, em especial durante série de 1976, quando o CSKA, o principal time soviético, enfrentou o Philadelphia Flyers, conhecido como o “Broad Street Bullies” (Os valentões de Broad Street), equipe do supra citado Bobby Clarke. Os soviéticos perderam o jogo por 4 a 1, mas o que mais marcou a partida foi uma nova entrada sobre o mesmo Valeri Kharlamov, dessa vez um acotovelada aplicada por Ed Van Impe que deixou o soviético estendido no gelo por cerca de um minuto. O juiz alegou que a jogada oi legal e o técnico soviético ensaiou retirar a equipe do jogo como protesto, voltando ao gelo pouco depois.</p>
<p>Essa diferença no estilo de jogo levou à publicação da seguinte charge no jornal russo <em>Pravda</em> após o jogo do CSKA contra o Flyers.</p>
<div id="attachment_1468" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/07/russiancartoon2-18-jul.jpg"><img class="size-full wp-image-1468 " title="Charde Soviética" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/07/russiancartoon2-18-jul.jpg?w=450" alt="Charge Soviética"   /></a><p class="wp-caption-text">Charge do jornal soviético Pravda</p></div>
<p>Foram organizados 10 encontros da <em>Super Series</em>, nos anos de 1976, 77, 78, 79, 80, 83, 86, 89, 90 e 91. Assim o hóquei no gelo, um jogo violento por excelência, passava a ser um meio de contato entre os principais oponentes na Guerra Fria. Um jogo onde os atletas rivais poderiam se bater à vontade e colocar em disputa simbólica a força de suas nações. Nada mais apropriado. Bem, talvez o boxe. Mas esse ficará para outro post.</p>
<p>_______________________</p>
<p>NOTAS:</p>
<p>[1]. Resultados dos campeonatos mundiais disponíveis em &lt;<a href="http://www.iihf.com/iihf-home/history/all-medallists/men.html" target="_blank">http://www.iihf.com/iihf-home/history/all-medallists/men.html</a>&gt;. Acesso em 15 jul. 2011. Para maiores informações ver SOARES, John. Guerra fria, gelo quente: hóquei no gelo internacional, 1947-1980. <em>Recorde: Revista de História do Esporte</em>, v. 4, n. 1, 2011.</p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/politica/'>Política</a>, <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/seculo-xx/'>Século XX</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1466/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1466&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Bobby Clarke</media:title>
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		<title>Origens da Copa América</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jul 2011 02:17:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alvaro do Cabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[História do Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[Estamos acompanhando neste mês de julho o mais tradicional torneio continental disputado entre seleções americanas. A atual Copa América surge como Campeonato sul-americano no ano de 1916 em meio a primeira Guerra Mundial e como parte das comemorações da formalização da Independência argentina estabelecida no Congresso de Tucumán em julho de 1816. Na realidade o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1438&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-caption-dd">Estamos acompanhando neste mês de julho o mais tradicional torneio continental disputado entre seleções americanas. A atual Copa América surge como Campeonato sul-americano no ano de 1916 em meio a primeira Guerra Mundial e como parte das comemorações da formalização da Independência argentina estabelecida no Congresso de Tucumán em julho de 1816. Na realidade o processo de emancipação do antigo vice-reino espanhol do Rio do Prata iniciou-se na Revolução de maio de 1810 mas somente se consolida definitivamente segundo o historiador Félix Luna dez anos depois, na Batalha de Cepeda.<br />
Todavia durante as comemorações do centenário do Congresso de Tucumám, a data da independência é oficializada e os dirigentes argentinos decidem realizar também entre as celebrações um torneio de futebol em Buenos Aires convidando as seleções do Uruguai, Brasil e Chile.<br />
O torneio foi disputado pelas quatro seleções entre os dias 02 e 17 de julho de 1916, com as equipes se enfrentando entre si. A delegação brasileira teria se deslocado de trem em uma viagem de 4 dias e cinco noites. Segundo fontes oficiais como o livro “Seleção Brasileira – 90 anos” e Brasil x Argentina &#8211; “Histórias do maior clássico do futebol mundial”, o jurista Ruy Barbosa se recusou a ceder espaço para os jogadores ,chamando-os inclusive de malandros, no navio “Júpiter” em que partia com membros do judiciário para Buenos Aires, mesmo com a tentativa de mediação do então Ministro das Relações Exteriores Lauro Muller, figura importante na política esportiva nas primeiras décadas do século passado.<br />
O próprio ministro é que no mês anterior conseguiu solucionar um impasse institucional que ameaçava a participação brasileira ,pois até então duas ligas lutavam para comandar o futebol nacional, a FBF paulista (Federação Brasileira de Futebol) e a FBS (Federação Brasileira de Sports) do Rio de Janeiro. Ambas foram extintas e foi criada em 21 de junho de 1916 a antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos) que representou oficialmente o futebol brasileiro na competição e se juntou na criação da Confederação sul-americana de Futebol ou Conmebol no dia 09 de julho, que constituiu-se na primeira federação continental de futebol no mundo.<br />
A primeira partida do torneio foi disputada entre uruguaios e chilenos, terminando com uma goleada de 4 x 0 para os “celestes” com dois gols do atacante Pendibene de origem italiana, e dois do negro Isabelino Gradin. Nesta partida se registrou uma “queixa” de caráter racial por parte dos dirigentes chilenos contra a seleção uruguaia que havia utilizado dois “africanos” na sua equipe.<br />
Além de Gradin que seria o principal jogador e artilheiro do torneio, o negro Juan Delgado também integrava a equipe uruguaia. O caso foi resolvido diplomaticamente, mas o espanto para muitos dirigentes de atletas negros defenderem a seleção de um país sinaliza a existência de uma tensão racial no esporte neste período.</p>
<div id="attachment_1444" class="wp-caption aligncenter" style="width: 236px"><a href="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/07/imagem-0023.jpg"><img class="size-medium wp-image-1444" title="Imagem 002" src="http://historiadoesporte.files.wordpress.com/2011/07/imagem-0023.jpg?w=226&#038;h=300" alt="" width="226" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">ISABELINO GRADÍN - ARTILHEIRO DO SUL-AMERICANO 1916</p></div>
<p>Antes de enfrentar a Argentina no dia 10 de julho, o Brasil apenas empata com os chilenos, que haviam sido derrotados pelos donos da casa por 6&#215;1. Apesar do favoritismo argentino a partida termina empatada em 1 x1, e foi considerado um bom resultado para os brasileiros.<br />
Dentre os jogadores brasileiros podemos destacar a presença do mitológico Friedenreich, Alencar, Orlando, Demóstenes e o atleta inglês Sidney Pullen que apesar da nacionalidade britânica defendeu a seleção nacional, cujo uniforme utilizado tinha listras verticais verde e amarela com shorts brancos.<br />
Na partida contra o Uruguai realizada no dia 12, a seleção brasileira começa vencendo por 1 x0 com gol de Friedenreich, mas acaba ficando sem o zagueiro Orlando que após choque com o atacante Pendibiene no início da partida sai lesionado. Na competição os jogadores só poderiam ser substituídos com a anuência dos dois capitães. Como Pacheco não aceitou, os brasileiros disputaram quase a partida inteira com um atleta a menos e sofreram a virada com gols de Gradin e Tognola.<br />
Com esse resultado os uruguaios passaram a ter a vantagem do empate contra os argentinos, cuja a rivalidade já era intensa e as disputas tanto entre os selecionados nacionais quanto entre clubes freqüentes.<br />
A partida que começou a ser disputada no dia 16 teve de ser suspensa com apenas cinco minutos, pois o campo do Gimnasia y Esgrima estava com superlotação, invasões de campo e incêndios nas instalações.<br />
A final do primeiro Campeonato sul-americano acabou se realizando no campo do Racing Club no dia seguinte e com um empate sem gols o Uruguai tornou-se o primeiro campeão do continente. O mito da garra “charrúa” e da camiseta celeste, oriundos da aclamada “equipe de 1912”, quando os uruguaios disputaram 4 jogos com os argentinos vencendo 3 e empatando apenas 1 começava a se propagar pelos rincões sul-americanos antes de conquistar o mundo com as vitórias nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928 e do primeiro Campeonato Mundial realizado no próprio Uruguai.</p>
<p>Referências<br />
CARRIL, Juan A. Capelán. Nueve décadas de gloria. Estampas S.R.L Realizaciones: Montevidéu, 1990.<br />
LUNA, Félix. Breve Historia de los argentinos. Booket: Buenos Aires, 2004.<br />
NAPOLEÃO, Antonio Carlos e ASSAF, Roberto. Mauad: Rio de Janeiro, 2004.<br />
SANTOS, Newton César de Oliveira. Brasil x Argentina: Histórias do maior clássico mundial (1908-2008). Scortecci:São Paulo, 2009.</p>
<br />Filed under: <a href='http://historiadoesporte.wordpress.com/category/historia-do-esporte/'>História do Esporte</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/historiadoesporte.wordpress.com/1438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/historiadoesporte.wordpress.com/1438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/historiadoesporte.wordpress.com/1438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/historiadoesporte.wordpress.com/1438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/historiadoesporte.wordpress.com/1438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/historiadoesporte.wordpress.com/1438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/historiadoesporte.wordpress.com/1438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/historiadoesporte.wordpress.com/1438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/historiadoesporte.wordpress.com/1438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/historiadoesporte.wordpress.com/1438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/historiadoesporte.wordpress.com/1438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/historiadoesporte.wordpress.com/1438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/historiadoesporte.wordpress.com/1438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/historiadoesporte.wordpress.com/1438/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=historiadoesporte.wordpress.com&amp;blog=7524043&amp;post=1438&amp;subd=historiadoesporte&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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