Autogol – Tragédias pessoais entre a ficção e a realidade

15/10/2018

O tema do presente post é uma obra literária inspirada em fatos reais que tem como cenário a eliminação da seleção colombiana de futebol do mundial realizado nos Estados Unidos e o assassinato em Medellín, do zagueiro Andrés Escobar Saldarriaga,  poucos dias após o retorno ao seu país.

Autogol é um romance do colombiano Ricardo Silva Romero, importante escritor, poeta e jornalista que atualmente possui colunas nos jornais El Tiempo colombiano e El País espanhol. Trata-se de uma narrativa densa onde futebol, política, cultura e sociedade na Colômbia são abordados a partir do drama pessoal de dois personagens, um fictício, o locutor esportivo Pepe Calderón Tovar que teria perdido a voz, todas as suas economias, seu emprego com a eliminação da seleção colombiana ainda na primeira fase e o zagueiro Escobar, capitão do Atlético de Medellín que ficou marcado por fazer um gol contra na segunda partida contra os Estados Unidos durante a Copa de 1994 e acabou sendo executado na saída de uma boate poucos dias depois de regressar para sua cidade natal.

Na primeira parte do romance ou o primeiro tempo como estabelece o autor, a narrativa é feita com diversas referências futebolísticas a partir da experiência profissional e da memória esportiva do personagem central, o narrador “El Gordo” Pepe que além de ser uma figura carismática era um apaixonado por futebol com grande conhecimento memorialístico e referência na locução esportiva do país.

Pepe estava acompanhando a seleção colombiana que tinha feito uma ótima campanha nas eliminatórias, tendo inclusive goleado a seleção argentina em Buenos Aires por 5×0, e descreve a passagem de um clima de euforia e festa para tristeza e indignação entre jornalistas, jogadores, dirigentes esportivos, apostadores, traficantes, torcedores que estavam nas partidas, hotéis, centros de imprensa e treinamento junto com a equipe dirgida por Francisco Maturana. Uma equipe cheia de estrelas como Carlos Valderrama, Faustino Asprilla, Fredy Rincón que teria chegado ao torneio como uma das favoritas, mas acabou decepcionando seus compatriotas.

O autor consegue contrapor muito bem a paixão pelo futebol com as críticas ao que seria o lado sujo do futebol: apostas, juízes comprados, vaidade entre os jogadores, exploração de atletas por empresários são alguns temas que aparecem bastante ao longo do romance como realidades veladas a partir do discurso de Pepe. Observem o trecho a seguir:

“ Colombia no era un equipo a esas alturas de la vida. Todo estaba en contra de nosotros como en una tragedia hecha por griegos. Se movían, que se supieran quatro mil milliones de pesos em apuestas. Y el equipo había entregado línea por línea, desde la notícia de las amenazas de muerte. Pero y si de pruento en un descuido del destino, el Pibe Valderrama le metía uno de esos pases a Freddy Rincón? Y si como había sucedido tantas veces, los jugadores habían superado la resaca de la noche pasada justo a tiempo de jugar la mejor partida de sus vidas?

Así es el fútbol. Yo no me lo inventé. Se puede conocer todo lo que pasa en los camerinos, que tal marcador de punta no sabe leer, ni escribir, que el puntero derecho le pelaba las naranjas a la hijita de Pablo Escoobar, que el técnico metió el volante peruano porque es el dueño de la mitad de su pase, que la nariz del goleador naufragaba en cocaína el sábado anterior al partida, bla, bla, bla, pero a la hora del partido como a la hora de uma obra de teatro no se anda pensando que eses tipos solo son actores que pagan cuentas en las tras escena, la realidad nos deja en paz, creemos ciegamente como en el cine, que lo que vemos es lo que está pasando”( ROMERO,pg 103)

Pepe apesar da inquestionável paixão pelo futebol simbolizada por coleções de autógrafos de jogadores, imortalizada na lembrança da escalação e dos resultados de diversas seleções da História, com uma vida inteira dedicada ao jornalismo esportivo no rádio e na televisão sofre uma decepção enorme com a eliminação precoce da seleção colombiana envolta em diversos boatos de ameaças dos cartéis de drogas a alguns jogadores, interesses de casas de apostas, brigas entre atletas e a culminância psicológica seria justamente o gol contra de um atleta que a princípio teria um comportamento como cidadão exemplar, Andrés Escobar.

“El Gordo” está revoltado com sua situação. Além de ser obeso e ter problemas de saúde, tinha sido abandonado pela esposa dois anos antes, é demitido da emissora GDL, acusado de assédio a uma camareira no hotel dos Estados Unidos, e está na miséria pois apostou suas economias na passagem da seleção colombiana para a segunda fase. Seu ódio acaba sendo canalizado para o gol contra. Sua fúria é muda mas serve de combustível para planejar um assassinato.

O segundo tempo do romance é passado na Colômbia. Enquanto na primeira parte o futebol era o eixo central do enredo, a narrativa neste ponto passa a focar em questões sociopolíticas e características culturais do país.

Pepe retorna para Bogotá onde encontra com os filhos antes de pegar um carro e sem avisar ninguém viaja para Medellín para executar seu plano. No retorno para o país junto com a delegação tinha conseguido marcar um encontro com Andrés Escobar em um bar em Medellín. A própria descrição da viagem de Bogotá para a capital da Antioquia e as memórias de Pepe que são narradas muitas vezes com diversos flashbacks são muito interessantes para compreendermos um pouco mais sobre esse país fascinante que tive a oportunidade de visitar três vezes.

Desde a influência dos cartéis de drogas tanto no futebol, quanto na política e na sociedade com a referência direta à corrupção dos políticos e a eleição do presidente Ernesto Samper em 1994 que teria recebido dinheiro do Cartel de Cali para sua campanha até a descrição das paisagens dessa importante região do país, de hábitos culinários e de vestimenta a segunda parte é um grande mergulho na História contemporânea colombiana a partir de dois dramas pessoais impostos pelo futebol o de Pepe e o de Escobar.

O encontro fictício se dá no dia 02 de julho de 1994 em que Andrés Escobar realmente foi assassinado em uma discoteca na periferia de Medellín por Humberto Muñoz  Castro que estava com um grupo de amigos e era guarda-costas e motorista de um cartel de drogas. Até hoje existem diversas teorias sobre a execução do zagueiro que já estava vendido para o Milan da Itália. A principal delas é de que sua morte teria sido encomendada por apostadores que perderam muito dinheiro com a eliminação da seleção colombiana assim como o personagem Pepe Calderón Tovar. Uma briga com torcedores bêbados também é uma hipótese apresentando, entretanto de qualquer forma a trágica morte de Escobar está associada a uma falha em uma partida de futebol, a um simples gol contra, a uma decisão errada em um milésimo de segundo.

Nesse sentido, o romance Autogol para mim é brilhante por se utilizar de uma tragédia real que abalou o futebol mundial para criar uma ótima ficção com um drama pessoal de um personagem apaixonado por futebol que assim como o zagueiro sofre  consequências trágicas na sua vida em função da paixão por esse esporte. E ainda tem uma empolgante prorrogação no relato dramático de “El Gordo Dom Pepe”.

ROMERO, Silva Ricardo. AUTOGOL. Madrid: La Navaja Suiza Editores, 2018.

PS: O livro foi lançado primeiro em 2009 pela Editora AlfaguaraFOTO AUTOGOL Continue lendo »

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O Roubo da Taça (BRA, 2016, Caíto Ortiz)

09/10/2018

IMAGEM - O Roubo da Taça (Caito Ortiz, 2016)

                         

Giulite Coutinho  – Quem será que fez isso? Nós não temos inimigo.

Secretária           – Presidente, tem a Argentina, a Alemanha, Paulo Rossi…

 

Diante de uma enorme ressaca eleitoral, achei por bem encarar uma comédia que há tempos estava me aguardando, na minha interminável lista de filmes que, de alguma maneira, abordam o futebol. A bem da verdade, O Roubo da Taça (Brasil, Caíto Ortiz, 2016) não estava bem cotado no meu ranking de expectativas. Achava, por puro pré-conceito, que dessa fita não sairia nada de interessante. Me enganei. O filme é bem construído, bem filmado, divertido e conta com algumas performances impressionantes. Principalmente de Paulo Tiefenthaler, que toma conta da trama como o vendedor de seguros que tem a ideia de assaltar a CBF. Mas comecemos pelo início.

O Roubo da taça é uma ficção que fala de um evento real e inusitado. A subtração da Taça Jules Rimet, em dezembro de 1983. Acredito que quase todos saibam do que se trata. De qualquer modo, esse troféu foi conquistado pelo Brasil por ter sido o primeiro país a sagrar-se tricampeão mundial. Desde a Copa inaugural, de 1930, o trato era esse. Enquanto ninguém conseguia a façanha, a Jules Rimet excursionava mundo afora, permanecendo quatro anos sob poder da nação campeã do momento. Aliás, a película tem duas ou três entradas informativas, que vão situando esses e outros dados sobre a trajetória da seleção canarinho. Tudo sob a voz em off de Taís Araujo. A atriz é parte narradora e também personagem, interpretando a sedutora Dolores, mulher de Peralta (Paulo Tiefentaler). O personagem de Borracha, um ex-policial e comparsa de Peralta, é vivido por Danilo Grangheia. O ótimo ator Milhen Cortaz (aquele do “Pica das galáxias”, na já antológica passagem de Tropa de Elite 2) interpreta o policial Cortez.

Pois bem, o enredo é baseado no episódio concreto do roubo da taça. Uma comédia de erros que realmente parece feita para o cinema. O maior troféu de nosso futebol ficava na sala da presidência da CBF, na época ocupada por Giulite Coutinho (vivido por Stepan Nercessian). Permanecia atrás de um vidro a prova de balas. Até aí beleza. A entidade tinha até um cofre forte. Não obstante, deixavam a original exposta e a cópia segura, trancada. Foi motivo de piada.

A guarda do prédio, por sua vez, ficava a cargo de um único vigia, que foi facilmente dominado. Mas e o vidro a prova de balas? Não ofereceu resistência (sacanagem, ninguém atirou nele) ao desmantelamento do entorno com instrumentos corriqueiros. E a taça se foi.

Narrativamente, o filme apresenta dois eixos básicos. Um deles sobre os dilemas de Peralta, com seu pouco apreço ao trabalho, vício na jogatina e conflitos com sua fogosa esposa. O outro, secundário, usa o descaso a toda prova com nossa relíquia futebolística para sugerir traços da personalidade nacional. Se não tomamos conta nem daquilo que mais nos diverte, orgulha e nos destaca mundialmente, que dirá do resto… Como exclama o Giulite Coutinho do filme:

– Puta que pariu! Como é que a gente ganhou três Copas?!

Em uma introdução ao clima da época, a voz em off de Taís Araujo explica:

Em 82 a crise tava braba. A esperança que a gente tinha era o futebol, de novo. Falcão, Sócrates, Zico, aquele bonitão do Éder… O time dos sonhos de todo brasileiro, até hoje. Bom, depois todo mundo sabe o que aconteceu (…). Aí voltamos pro buraco. General, inflação, desemprego.

Este último trecho dá até um desânimo. Porque a saudade daquele futebol realmente continua; a inflação tá até quietinha, mas o resto parece reprise. Das piores…

Em duas outras sequências temos lances relativos à difícil negociação da muamba. Afinal, como se desfazer de um item tão ilustre, cujas fotos e notícias estavam em todas as mídias da época? O único que aceitou fazer a arriscada transação foi um comerciante/atravessador argentino. Outra piada feita. E, mais incrível, verdadeira. Na chamada vida real o receptador era mesmo portenho! Acabou preso, como os demais. Novamente a voz de Tais Araujo (ilustrada com sequências de jogos do Brasil com nossos hermanos) é quem comenta:

Tantos anos de luta, de sangue, de cotovelada, de dedo no olho. Mais de cem anos de Brasil e Argentina e a gente ia vender o nosso maior patrimônio sabe pra quem? Que beleza, hem?

Sem mais no momento, uma boa semana e que sobrevivamos ao segundo turno. Abraços!

 

Referências:

BAZARELLO, Pablo. Crítica. O Roubo da Taça. Disponível em:  https://cinepop.com.br/critica-o-roubo-da-taca-126675. Consultado em 08 de outubro de 2018.

BONSANTI, Bruno. O Roubo da Jules Rimet: uma história inacreditavelmente real que virou uma boa comédia. Disponível em: https://trivela.com.br/o-roubo-da-jules-rimet-uma-historia-inacreditavelmente-real-que-virou-uma-boa-comedia/. Consultado em 08 de outubro de 2018.

FERNANDEZ, Alexandre Agabiti. Crítica – ‘O Roubo da Taça’ revela vida inteligente no humor nacional. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/09/1811161-o-roubo-da-taca-revela-vida-inteligente-no-humor-nacional.shtml. Consultado em 08 de outubro de 2018.

Matéria. Trinta anos depois, relembre roubo da Taça Jules Rimet no Brasil. Disponível em: https://www.terra.com.br/esportes/futebol/copa-2014/trinta-anos-depois-relembre-roubo-da-taca-jules-rimet-no-brasil,2014adac27d03410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html. Consultado em 08 de outubro de 2018.


El primer club de fútbol en Uruguay: Albion F.C. (1891)

30/09/2018

por Gastón Laborido (gaston_laborido1@hotmail.com)

Presentación

El pasado 28 de setiembre de 2018 se conmemoraron los 127 años de la fundación del CURCC (Central Uruguay Railway Cricket Club). Es un tema que genera polémica, ya que está en juego una discusión sin sentido entre los parciales de Nacional y de Peñarol: la cuestión del decanato. Estos clubes son los que tienen mayor cantidad de hinchas en todo el territorio uruguayo. La “falsa polémica” que surge cuando se habla de historia del fútbol es: ¿quién es el decano del fútbol uruguayo? ¿Quién nació primero? ¿CURCC y Peñarol son lo mismo?

La Historia siempre es una herramienta fundamental para entender y comprender el presente. Las “falsas polémicas” son “supuestos” creados e imaginados socialmente. Por diferentes razones, se inventan discusiones del pasado para legitimar el presente. En este caso, nos referimos a que lamentablemente los clubes uruguayos están desde hace más de 30 años en un período de estancamiento, carente de conquistas internacionales. Ya las discusiones no giran en torno a logros obtenidos por Nacional y Peñarol a nivel internacional. Apenas queda reducido al espacio local: quien tiene más campeonatos uruguayos, o quien ganó más clásicos. Para legitimar este presente, es que afloran las disquisiciones por ver cuál es el cuadro más viejo y si CURCC y Peñarol son lo mismo.

Con la intención de mirar hacia el pasado para comprender el presente, es que las líneas que siguen se proponen repasar los momentos decisivos y la aparición del primer club de fútbol propiamente dicho en el Uruguay. Antes de 1891 no es que no existiera el fútbol, pero quedaba reducido a instituciones que se habían fundando con el objetivo de practicar otros deportes como el cricket, o en el seno de los colegios ingleses.

En las líneas que siguen, primeramente se analiza el movimiento clubista y la importancia de los clubes en tanto unidad básica de la actividad deportiva. En segundo lugar, se aborda la relevancia de los colegios ingleses en Uruguay como difusores de los deportes modernos. En tercer lugar, se dedica un espacio a una de las primeras zonas deportivas de Montevideo, Punta Carretas. Por último, se señalan los momentos decisivos que dieron origen al primer club de fútbol en Uruguay: el Albion Football Club.

El club: una institución inglesa

El deporte moderno como fenómeno de las actuales sociedades, nació en Inglaterra, cuna de la Revolución Industrial y adquiere una enorme complejidad social y cultural a partir de la segunda mitad del siglo XIX. La revolución industrial estableció la diferencia entre tiempo de trabajo y tiempo de ocio, en cual el deporte pasó a ocupar un lugar significativo.

A su vez, el deporte como institución social propia de las sociedades industriales, tiene una compleja organización, cargado de instituciones, parámetros organizativos, multiplicidad de roles nítidos y sin significación religiosa. Una de las instituciones fundamentales del deporte moderno es el club:

la unidad básica de la actividad deportiva es el club, que abarca desde el modesto club deportivo local, con su sencillez organizativa y su reducido número de miembros, al multimillonario club de deporte espectáculo y profesionalizado, que al igual que las modernas sociedades anónimas, presenta una densa red de intereses de signo muy diverso, y en el que participan numerosas personas, desde los deportistas profesionales hasta los socios y los espectadores en general, pasando por los directivos y técnicos. (García Ferrando, M., 1990, p. 27).

Por otro lado, los clubes deportivos están organizados en federaciones (a nivel provincial, nacional e internacional). Tanto las federaciones como los clubes están condicionados por aspectos socioculturales, que se rigen por reglas y normas que contribuyen a delimitar el funcionamiento del juego deportivo. Como señalan C. Arias y M. Reich,

no habría sido posible la expansión que tuvo el fenómeno deportivo, si no llevara en sus entrañas un código de honor y un compromiso tácito previo, entre los que van a practicar sus diversas modalidades, si no hay un acuerdo anticipado sobre las reglas de juego y su acatamiento entre los eventuales contendientes (2004, p. 6)

El club, entendido como asociación de individuos que se agrupan por tener los mismos intereses, nació en Inglaterra antes del siglo XIX. Los primeros clubes deportivos que surgieron fueron fundados con carácter restrictivo por los aristócratas ingleses: el Royal and Ancient Golf Club en 1754 y el Marylebone Cricket Club en 1787.

La consolidación del deporte moderno es un fenómeno paralelo a la consolidación del imperialismo del siglo XIX. El imperio británico exportó sus prácticas deportivas a los cinco continentes, junto con sus mercancías. De esta manera, se difundió la cultura británica y el fenómeno deportivo, teniendo en algunos territorios mayor receptividad que en otros.

El movimiento clubista iniciado en Inglaterra tuvo en Uruguay un caldo de cultivo como en pocos países del mundo. La práctica de los deportes modernos surgió naturalmente en la colectividad británica. El deporte llegó a Montevideo en el siglo XIX, cuando los ingleses lo introdujeron en el Río de la Plata y en otras partes del mundo, de la mano del ferrocarril, intercambios con la marinería y de la acción de los colegios ingleses. Como señala J. C. Luzuriaga (2009), su difusión en la sociedad uruguaya siguió la misma lógica que en Gran Bretaña y en otros países: pasando de las elites al resto de la población en forma de cascada.

Si bien existió en nuestro país la experiencia del Victoria Cricket Club, entidad creada en 1842, hubo que esperar hasta la década del sesenta del siglo XIX para ver el surgimiento de los primeros clubes deportivos estables. Así, surgió el Montevideo Cricket Club (18/7/1861) en la colectividad inglesa que practicaba cricket, atletismo, natación, wáter polo, ciclismo y luego introdujeron el fútbol y el rugby. El campo de juego fue adquirido en los años 80 del siglo XIX, al que sus propietarios denominaron The English Ground. Estaba ubicado en la Blanqueada, en la avenida 8 de Octubre (donde hoy está ubicado el Hospital Militar), en el camino a la Unión entre las calles Jaime Cibils y Larrañaga, rodeado de quintas y chacras. Aquí fue donde se vieron por primera vez en Uruguay las distintas manifestaciones de esa nueva actividad, desconocida para los criollos. El terreno del campo de juego ocupaba aproximadamente una hectárea rodeada de cercos de pitas y algunas instalaciones, un pequeño refugio que oficiaba de palco, un rancho que era vestuario y una carpa blanca donde se servía el té de las 5 p.m.

La acción de los colegios ingleses

En Inglaterra la práctica del fútbol se inició en los colegios secundarios. La misma lógica se repitió en los colegios ingleses de todo el mundo y obviamente también en Uruguay.

En 1874 se creó en Montevideo The English High School y realizó el mismo tipo de enseñanza que la que desarrollaba en Buenos Aires su homónimo, bajo la dirección de Alexander Watson Hutton. Era basada en formación intelectual y cultura física, promoviendo la práctica de todos los deportes. Watson Hutton fue pionero en el desarrollo deportivo de la Argentina, en particular del fútbol, creando la “Argentina Foo-Ball Association League” en 1891 y definitivamente en 1893.

El English High School de Montevideo estuvo inicialmente a cargo de Henry Castle Ayre; y fundó en su colegio un espacio para el deporte: el Montevideo English High School Junior Cricket and Athletic Club. En 1885 llegó a Montevideo William Leslie Poole, quien era bachiller de Cambridge. Se desempeñó como profesor de inglés hasta 1920. Era un sportsman por excelencia, ya que incursionó en fútbol, remo, criquet y rugby y llevaba a sus alumnos a practicar esos deportes a Punta Carretas.

En 1885 se fundó The British School, que era dirigido por Thomas J. Ashe y también impulsó el deporte de acuerdo a los métodos pedagógicos de su país. Sus alumnos tuvieron activa participación en justas atléticas y en los primeros partidos de fútbol, ante el Albion y el CURCC. Ashe también fue figura de relieve actuando en el Montevideo Cricket Club y en el  Montevideo Rowing.

Punta Carretas: zona deportiva

Los alumnos de los colegios ingleses aprendieron las reglas del juego deportivo en los patios del colegio y en los campos de Punta Carretas. Por 1886 los ingleses jugaban en las canchas de Punta Carretas y pronto los uruguayos los imitaron. En este sentido y desde entonces, “Punta Carretas sería como una zona de avanzada del deporte, que tiene actualmente carácter casi legendario, en el que se confunden las primeras manifestaciones deportivas” (J. Buzzetti y E. Gutiérrez Cortinas, 1965, p. 55).

Los hermanos Juan Antonio y Mateo Magariños Pittaluga recrean de manera pintoresca esa época:

La locura de los ingleses de Punta Carretas se desparramó en forma asombrosa, penetrando como un torrente incontenible, en el alma de nuestros muchachos, inundándola, avasallándola, quebrando costumbres y rompiendo los juegos que hasta ese momento eran los de su preferencia. Dejaron de verse reunidos en las veredas a grupos de botijas jugando al rescate, al uñate y a la payanita, y tampoco vióse con la frecuencia de antes, el juego de las esquinitas y del gallo ciego. La diversión máxima, la distracción favorita, era jugar al “fobal”; imitar a los ingleses zancudos. Cualquier cosa redonda o que se le pareciera era utilizada para darle patadas. En los patios de las casas o de las escuelas, en terrenos grandes o chicos, en la calle y hasta en las azoteas se jugaba. Se hacía una pelota con la media de la hermana rellena de paja, con papeles forrados con la manga del saco del viejo, con vejigas infladas y con varias cosas más. Visto el entusiasmo creciente de los chiquilines por el fútbol, los almaceneros y jugueteros se avisaron y confeccionaron pelotas de cuero de múltiples colores rellenas de aserrín las que se exponían en los escaparates o se colgaban en los marcos de las puertas de los establecimientos junto a las muestras de bacalao, a los salamines y zuecos (…) (1942, p. 47).

De esta manera, Punta Carretas fue asomando a la nueva vida con su Farola, tranvía e Hipódromo y fue escenario de los estudiantes de los colegios ingleses, que se aproximaban para practicar el fútbol.

El primer club de fútbol en Uruguay: Albion Football Club (1891)

La última década del siglo XIX inauguró una etapa de cambio en el deporte nacional: a-surgieron numerosos clubes; b- se registró el desarrollo intensivo del fútbol; c- iniciación del proceso de integración masiva del criollo en el deporte.

Durante ese período, la presencia inglesa en la economía y en la sociedad no dejaba de incrementarse, incluso ante la amenaza de lo que sería en la percepción de los contemporáneos nacionales y extranjeros, la más grave crisis de su historia hasta ese momento, en 1890. Con esa crisis, la deuda uruguaya había quintuplicado su monto real en la década previa y decuplicado el peso de su servicio; el país se abría a las inversiones extranjeras, que se triplicaron, y la participación británica en los ferrocarriles, aguas corrientes, gas, teléfonos e industria de la carne era entonces decisiva. (J. Rilla, 2015, p. 86).

La crisis económica y financiera de 1890 obligó a repensar la viabilidad del país. Así, los distintos gobiernos debieron abordar la reformulación del modelo agroexportador, el fomento de la industria de bienes de consumo y la búsqueda de mecanismos para la contención de los conflictos sociales.

Desde el punto de vista deportivo, el período se caracterizó por la eclosión futbolística. “Esa eclosión del fútbol, terminará con el primer apogeo de cada uno de los deportes, condenándolos a pequeños círculos o a escasa aceptación popular” (J. Buzzetti y E. Gutiérrez Cortinas, 1965, p. 63).

Durante esos diez años de eclosión deportiva, se fundaron numerosos clubes: Albion, Central Uruguay Railway Cricket Club (luego llamado Peñarol), Nacional de Regatas, Nacional de Velocipedismo, Nacional de Fútbol y otros. Los repetidos apelativos de “Nacional” revelaban la intención de dejar establecido el criollismo de las agrupaciones.

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Una figura clave del primer club específicamente de fútbol en Uruguay y que además tuvo un origen netamente uruguayo fue Henry Candid Lichtenberger Levins. Lichtenberger nació en 1873, era alumno del English School y discípulo de Poole. Tenía 18 años cuando en mayo de 1891 invitó a compañeros del Colegio a fundar un club de fútbol, denominado Football Association. La respuesta fue positiva y el 1° de junio de 1891 el club comenzó a funcionar con 23 miembros. La primera Comisión Directiva estuvo presidida por William Mac Lean, con H. A. Woodcock (secretario), H. C. Lichtenberger (tesorero), Andrews Clark (delegado); J. D. Woosey (capitán) y G. P. Swinden (vicecapitán).

El equipo adoptó una casaca blanca con una estrella roja en el pecho como primer distintivo cuando jugasen contra cualquier club o colegio. El primer estatuto daba cuenta que se trataba de un club uruguayo, donde se rechazaba la presencia de jugadores extranjeros, cualquiera fuese su origen. De acuerdo a J. Buzzetti y E. Guiterrez Cortinas, “no se trataba de negar su ascendencia inglesa, era simplemente el orgullo de sentirse orientales que los impulsaba a expresarse como tales deportivamente” (1965, p. 71).

El club jugó su primer partido el 2 de agosto de 1891 en La Blanqueada contra el Montevideo Cricket y perdió 3 a 1. En esa ocasión presentó el siguiente equipo: H. Lichtenberger, C. Swinden, A. C. Lichtenberger, B. Swinden, J. O. Morse, T. J. Smith, J. D. Woosey (capitán), W. Mac Lean, H. A. Woodcock, M. Sardeson, A. F. Lambrchts y como suplentes: E. A. Shaw, W. L. Pepper y E. Decurnex.

El segundo partido lo disputó el 25 de agosto, ante el mismo rival y fue vapuleado 6 a 0 ante un poderoso equipo, que incluyó a Poole, Henry S. Bowles, Negrón, Hamilton, entre otros.  Para ese entonces, el Football Association era visto por la prensa inglesa como “la prometedora selección junior”.

Al poco tiempo, el 21 de setiembre, en asamblea celebrada en la Barraca Inglesa (Juncal n° 5), William Pepper apoyado por Clark, propuso el cambio de nombre ya que el club tenía el del deporte en sí, y  se decidió cambiar el nombre de la institución por el de Albion Foot Ball Club, como homenaje a los creadores de este deporte. También se cambió la blusa por una azul con cuello y mangas blancos, que completó con pantalón blanco y medias negras.

En 1891 se cumplieron 13 partidos amistosos en total. Los equipos que los disputaron fueron: Montevideo Cricket Club, Montevideo Rowing Club, English School, Football Association (Albion) y otros equipos que actuaban con los nombres de sus capitanes, como por ejemplo Mr. Poole XI; Mr. Scoones XI; Mr. Bowles XI, Mr. Dunbar XI; entre otros.

Finalizado el año 1891, el Athletic Sport Comitee, elaboró su agenda de criquet y juegos atléticos. En este contexto, es que surge una nueva institución y tercer centro deportivo de importancia en la Villa Peñarol: el CURCC (Central Uruguay Railway Cricket Club). Entre 1892 y 1895 el fútbol comenzó lentamente a desenvolverse desde las elites.

En marzo de 1895 el propio Lichtenberger propuso modificar los estatutos para aceptar jugadores extranjeros para poder ser más competitivos. Se decidió sustituir la casaca por una azul y roja por mitades verticales, en referencia y homenaje a Gran Bretaña. Los jóvenes del Albion se convirtieron en practicantes y difusores del fútbol entre posibles espectadores y medios de prensa. Publicaban el programa de los partidos y las reglas del deporte. También para difundir esta práctica, escribían crónicas y las llevaban a los periódicos.

Referencias:

  • ARIAS, Carlos y REISCH, Matilde (2004). Movimiento clubista y desarrollo deportivo en el Uruguay. Revista NEXO, marzo 2004, Montevideo.
  • BUZZETTI, José y GUTIÉRREZ CORTINAS, Eduardo (1965). Historia del deporte en el Uruguay (1830-1900). Montevideo: Ed. De los autores.
  • FERRANDO GARCÍA, Manuel (1990). Aspectos sociales del deporte. Madrid: Alianza.
  • GOMENSORO, Arnaldo (2015). Historia del Deporte, la Recreación y la Educación Física en Uruguay. Crónicas y relatos. Montevideo: IUACJ.
  • LUZURIAGA, Juan Carlos (2009). El football del novecientos. Orígenes y desarrollo del fútbol en el Uruguay (1875-1915). Montevideo: Santillana.
  • RILLA, José (2015). Uruguay en el mundo, 1880-1930. En: G. Caetano (Dir. y Coord.), Reforma social y democracia de partidos, 1880/1930 (pp. 85-130). Montevideo: Planeta.
  • MAGARIÑOS PITTALUGA, Juan Antonio y Mateo (1942). Del fútbol heroico. Montevideo: CIFCSA.

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Para além dos Grenais: os primeiros momentos do futebol porto-alegrense

25/09/2018

Cleber Eduardo Karls

cleber_hist@yahoo.com.br

Nos anos finais do século XIX a capital do Rio Grande do Sul ainda não possuía uma associação destinada ao futebol, mas notícias acerca do sucesso deste novo esporte ecoavam nos jornais provincianos. A imprensa noticiava o cotidiano das universidades inglesas e comentava o seu apreço pelas práticas esportivas, dentre elas o futebol, que seria brevemente adotado como uma das mais celebradas atividades de Porto Alegre.

Mas esta prática de origem britânica não estava tão longe do sul do Brasil. Prestigiada foi a promessa de uma visita a Porto Alegre do team de futebol do primeiro clube dedicado a este esporte no Brasil, fundado no ano de 1900: o Sport-Club Rio Grande, da cidade de Rio Grande. Com a festejada novidade, a imprensa noticiava e descrevia a seus leitores o que era o futebol. Conceitos básicos como o número de jogadores, o gol, objetivo máximo do jogo, assim como a necessidade de se usar somente os pés e a cabeça eram expostos aos curiosos porto-alegrenses através dos periódicos.

Outra curiosidade sobre este esporte no início do século XX era a adoção de grande quantidade de termos em inglês, e que nos primeiros tempos do futebol porto-alegrense era regra. Compreensível, visto que é uma atividade que surgiu e se desenvolveu primeiramente na Inglaterra. As partidas se chamavam match, os jogadores foot-ballers, assim como muitas posições tinham o seu nome em língua estrangeira: goal-keeper, back esquerdo, back direito, half esquerdo, half centro, half direito.

A exibição do Sport-Club Rio Grande aconteceu em um campo improvisado no Parque da Redenção (Farroupilha), palco de tantos espetáculos da capital do Rio Grande do Sul. Todos os dirigentes de clubes esportivos da capital foram convidados a fim de presenciarem a novidade. A admiração frente ao novo esporte rendeu, dias após, a fundação dos dois primeiros clubes de futebol de Porto Alegre, realizados no dia quinze de setembro de 1903: o Fuss-Ball Club Porto Alegre e o Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense. O primeiro, fundado por sócios do clube de ciclismo Blitz, de origem reconhecidamente germânica, tendo na sede do referido clube seu primeiro local de jogos. Já o Grêmio empossou sua primeira diretoria no dia sete de outubro de 1903, composta pelo presidente: Carlos L. Bohrer; vice-presidente: Joaquim F. Ribeiro; primeiro secretário: Alberto L. Siebel; segundo secretário: Guilherme Kaelfels; tesoureiro: Pedro Schuck. Estas duas equipes polarizariam por alguns anos as principais disputas de futebol da cidade. Se o campo do Fuss-Ball Club Porto Alegre funcionava junto a Blitz, na Rua Voluntários da Pátria, o Grêmio fazia seus matchs no bairro Moinhos de Vento, na sede da Sociedade de Atiradores.

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Bandeira do Fuss-Ball Club Porto Alegre

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 No início de 1904 fora anunciada a primeira disputa entre os dois times porto-alegrenses, que se realizaria no campo da sociedade Blitz no dia seis de março daquele ano e que daria início ao chamado Wanderpreis, que se consistia em uma competição semestral até 1907, quando passou a ser anual.  Foi um torneio patrocinado pelo banco Brasilianische Bank für Deutschland, popularmente conhecido como “Banco Alemão”. Foram dois jogos na mesma tarde, sendo o Grêmio o vencedor de ambos, pelo mesmo placar de 1 a 0.

Mesmo sendo o Wanderpreis a principal competição porto-alegrense até 1910 quando foi criado o campeonato citadino de Porto Alegre pela Liga Porto-Alegrense de Foot-Ball (LPAF), assim como o Grêmio e o Fuss-Ball as duas destacadas equipes da cidade, muitos outros times começaram a surgir e a tornar o esporte cada vez mais popular. São exemplos de times contemporâneos a estes o Sport Club da Bola, Foot-Ball Redempção, Grêmio Foot-Ball Internacional, Sport Club Cruzeiro do Sul, Foot-Ball Club. Pequenas equipes que faziam parte do cenário esportivo porto-alegrense do início do século XX.

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Grêmio tricampeão do Wanderpreis (1904, 1905, 1906)

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É correto afirmar que o Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense já se destacava frente as demais equipes da cidade em relação ao desempenho. Até mesmo na disputa do clássico da cidade, contra a equipe do Fuss-Ball, a superioridade técnica da equipe do Moinhos de Vento era visível. Ao Grêmio era creditado a prosperidade e o gosto generalizado pelo sport, assim como a introdução do nobre ideal da educação física, que era descrita como “único e principal fator na conquista da atividade humana”. No entanto, foi no final da primeira década do século XX que surgiria o seu eterno rival, o Sport Club Internacional, fundado em 4 de abril de 1909 e que abriria caminho para o surgimento e engrandecimento da maior rivalidade do Rio Grande do Sul e uma das maiores do Brasil, o clássico Grenal.

Importante destacar que a palavra “internacional” era um termo recorrente e já bastante utilizado entre associações esportivas porto-alegrenses daquela época. Acontece que em muitas agremiações eram aceitas somente pessoas de determinadas procedências étnicas. Porto Alegre, no caso, tinha os seus dois principais clubes de futebol ligados à comunidade teuto-brasileira, o que limitava o acesso de muitos foot-ballers ao esporte nestes clubes. Esta seria a proposta, portanto. Este clube nasceria com a missão de atender as mais diversas nacionalidades e descendências, ele seria “internacional”.

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Fundadores do S.C. Internacional. Da esquerda para a direita:Valdemar Fachel, Antenor Lemos, Luiz Madeira Poppe, Helderberto Mendonça, Adroaldo Fachel, Bejamim Vignoles, Rodolfo Vignoles, Horácio Carvalho, Joaquim Carvalho, José Poppe, Henrique Poppe Leão e João Leopoldo Seferin (presidente)

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A fundação do Sport Club Internacional está ligada aos irmãos Poppe: Henrique Poppe Leão, José Eduardo Poppe e Luiz Madeira Poppe. Família de origem italiana que chegou de São Paulo e que fora o principal articulador deste novo clube de futebol. O “inter” teve o seu ato de fundação na casa do seu primeiro presidente, João Leopoldo Seferin, que emprestou o porão da residência do pai para a reunião de fundação do clube, na Rua da Redenção, 141 (atual Avenida João Pessoa, na altura do número 1.025). Para presidente honorário foi escolhido Graciliano Ortiz, militar e homem de influência na cidade. Também devido a este prestígio do Sr. Ortiz, é que o Internacional obteve junto à Intendência o seu primeiro campo: a Ilhota (atual Praça Sport Club Internacional).

A dedicação e a empolgação do internacional era tamanha, talvez até por necessidade de afirmação enquanto clube de futebol, que no mês de junho de 1909 já estava combinado o primeiro de centenas de matchs que aconteceriam entre o S.C. Internacional e o Grêmio F.B.P.A. Os jornais colocavam o desafio como uma consagração brilhante e digna do futebol, num match importante e renhidíssimo. O primeiro Gre-nal da história foi disputado no campo do Grêmio, no bairro Moinhos de Vento no dia 18 de julho de 1909 e anotou a maior goleada de todos os tempos, com 10 tentos a 0 para o Grêmio.

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Programa do primeiro Grenal.

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A crônica jornalística registrou o evento como de proporções de um verdadeiro acontecimento no mundo esportivo da capital. Desde cedo a cidade se movimentou, com seus carros e bondes em direção ao Moinhos de Vento para prestigiar o desafio. O Grêmio era colocado como um poderoso team, composto de jogadores experimentados e que tantos aplausos tem colhido, tanto nos seus jogos quanto nos seus treinos. O Internacional era uma promissora nova equipe de amantes do esporte bretão.

E o que aconteceu foi justamente a supremacia de uma equipe experiente sobre uma novata, em um largo placar de 10 a 0 na primeira disputa de centenas que viriam a acontecer até hoje. No entanto, o clima de cordialidade prevaleceu. Um baile foi promovido para celebrar o acontecimento, com brindes, danças, discursos e agradecimentos de ambos os lados.

A prática do futebol em Porto Alegre com o desenvolvimento do século XX ganhou cada vez mais adeptos e era comum verificar a existência de muitas disputas concomitantes na cidade. Eram matchs internos (jogos envolvendo somente os jogadores do próprio clube), matchs externos (desafios entre clubes) sendo realizados em muitos locais da cidade em um mesmo dia. Enfim, se Porto Alegre já era uma cidade adepta das diversões e dos esportes em geral, se rendeu ao enorme sucesso que galgou o jogo bretão.

O esporte era um sucesso. Este processo de crescimento da prática do futebol, que ocorria não somente em Porto Alegre, mas em grande parte do Brasil, principalmente nas suas grandes cidades, era irreversível. Mesmo ainda em um contexto amador, que no Rio Grande do Sul se profissionalizou somente com o decorrer da década de 1930, seus clubes e praticantes já tinham um status elevado e, de certa forma, reconhecimento nacional que daria origem a um dos mais importantes polos futebolísticos do país e do mundo, com dois clubes campeões mundiais da modalidade.

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Revista Recorde: chamada para dossiê História do Esporte e Comunicação: para além da imprensa e da mídia como fontes

14/09/2018

 

Dossiê: História do Esporte e Comunicação: para além da imprensa e da mídia como fontes

 

Organizadores: Rafael Fortes (Unirio) e Álvaro do Cabo (Ucam)

 

Os periódicos impressos são, de longe, as fontes mais utilizadas na história do esporte. Contudo, muitos trabalhos tendem a fazer um uso instrumental destas fontes, sem contextualizá-las e sem discutir aspectos básicos  – por exemplo, que tais fontes apresentam ao público não o esporte em si, mas uma construção que obecede a uma série de procedimentos e critérios e é marcada também por escolhas pessoais, acasos etc.

Por outro lado, a maioria dos trabalhos sobre o passado esportivo realizados na Comunicação tende a enfatizar o papel dos meios e a descrição de seus conteúdos, dedicando pouca atenção à contextualização histórica do período, aos estudos históricos sobre o esporte e, às vezes, ao aspecto de construção mencionado anteriormente. Não raro, trabalhos que ignoram os estudos históricos sobre o esporte apresentam um painel memorialístico, atribuindo ao presente ou a décadas recentes características que, na verdade, são perceptíveis desde a estruturação do campo esportivo em décadas anteriores do século XX ou mesmo do XIX. Ademais, diversos pesquisadores da área parecem ter o entendimento de que basta escrever sobre o passado para se realizar um trabalho “de História”.

Em ambos os casos, costuma-se dar um amplo destaque aos veículos jornalísticos. Relativamente poucos esforços têm sido direcionados às produções audiovisuais, de ficção, radiofônicas, publicitárias e editoriais que de alguma forma se relacionam ao esporte.

Este dossiê propõe explorar as múltiplas relações entre a história do esporte e os estudos do fenômeno na Comunicação. Para tanto, privilegiará trabalhos realizados a partir de uma perspectiva histórica abordando os aspectos abaixo:

 

– Esporte, publicidade e marketing

– Relações entre mídia e esporte como partes de um mercado de entretenimento

– Direitos de transmissão, patrocínio e promoção de modalidades, equipes, atletas, eventos e competições

– Comercialização e profissionalização do esporte

– Relações econômicas entre mídia e esporte

– História do Esporte e cinema: ficção e documentários

– O esporte no rádio, na televisão e nas mídias digitais

– O esporte nos meios de comunicação alternativos, contra-hegemônicos, progressistas, comunitários, de esquerda etc.

– Relações políticas entre mídia esporte

– Análise crítica da literatura jornalística sobre esporte (biografias, memórias etc.)

– Midiatização, Direito e legislação

– Veículos de comunicação como fonte para a pesquisa histórica do esporte

– O esporte nos meios de comunicação mainstream

– O esporte nos veículos impressos: jornais, revistas, panfletos, boletins etc.

– Outras abordagens/perspectivas que relacionem História, esporte e Comunicação

 

 

As submissões devem ser enviadas para o email: lachiunirio@gmail.com.

 

Data limite para submissões: até 31 de janeiro de 2019

Divulgação dos aceites: até 30 de abril de 2019

Publicação do dossiê: junho de 2019

 

Sobre a revista: No ar desde 2008, Recorde é a única revista latino-americana dedicada à história do esporte. Atualmente está classificada no Qualis de dez áreas de conhecimento. Endereço: https://revistas.ufrj.br/index.php/Recorde

 

Solicitamos a gentileza de divulgar esta chamada para seus contatos.

 

Atenciosamente,

 

Os organizadores


Furacões, maremotos – e um relâmpago! Cenas do futebol Australiano.

02/09/2018

Por Jorge Knijnik

Para Cleiton Barbosa.

 

Aos poucos, o futebol profissional na Austrália vai retomando as suas atividades. Depois da A-League ter finalizado a sua temporada 2017-18 com a Grande Final do inicio de maio e dos jogadores dos 10 clubes profissionais entrarem em férias, há cerca de um mês estes clubes voltaram a entrar em campo para disputar a FFA Cup – uma espécie de Copa do Brasil local na qual clubes amadores e semiamadores participam, e os profissionais entram a partir das oitavas. Nas ultimas rodadas, houve ate clube grande sendo desclassificado por clube local, foi legal!

Mas enquanto os campos profissionais ficavam quietos, os bastidores do futebol australiano foram sacudidos por grandes furacões e maremotos – inclusive com a chegada de um relâmpago.

O primeiro furacão é a expansão da liga australiana, a A-League. Há anos a comunidade do futebol pressiona a Federação Australiana para que mais times entrem na Liga.  Os 10 times (franquias) que atualmente disputam a A-League representam cinco  estados da Austrália, mais um pais vizinho. São eles: Wellington Phoenix (da Nova Zelandia!); Perth Glory FC  (de Western Australia); Adelaide United FC (de South Australia); Brisbane Roar FC (de Queensland); Melbourne City FC (pertencente ao City Football Group, dono do Manchester City entre outros clubes ao redor do mundo) e Melbourne Victory FC (ambos de Victoria); e quatro times de New South Wales – Sydney FC, Central Coast Mariners FC , Newcastle Jets FC e Western Sydney Wanderers FC. São 10 times jogando entre si três vezes durante a temporada de futebol profissional, entre Outubro e Abril/Maio. Um time joga duas vezes em casa, e uma vez fora contra um mesmo adversário – sendo que na próxima temporada isto se inverte, dois jogos fora e um em casa contra aquele oponente.

O fato é que este formato já cansou. Repetitivo, cansativo, monótono, e por diversas razoes a Liga vem perdendo publico nas arquibancadas e na audiência de TV também. Mais uma razão para tentar expandir. Assim, neste ano, após uma longa espera, a Federação abriu uma concorrência para que dois times novos entrem na liga a partir da temporada 2019-20. Mais de 15 times se inscreveram, sendo alguns clubes tradicionais, com raízes em suas comunidades locais ou étnicas, e com historias quase centenárias, como o South Melbourne (comunidade grega) ou o Wollogong Wolves FC, que representa a região ao sul de Sydney e New South Wales. Outros inscritos são consórcios fabricados que tem nomes provisórios – tipo “Southern Expansion” ou “Team 11”, que são as fachadas para grandes grupos comerciais com dinheiro internacional.

No momento, sobraram nove candidatos, e tudo será decidido em algumas semanas.  Apesar dos critérios futebolísticos envolvidos nas candidaturas (proposta de estádios, categorias de base e femininas, inserção na comunidade para arrumar torcida, etc), a decisão final certamente será baseada na grana. Isso mesmo, a proposta com mais condições de bancar a quota da franquia deve levar. Alguns falam em 15 milhões pela franquia. O mundo do futebol australiano esta em polvorosa, alguns gritam contra estes consórcios comerciais e querem os times tradicionais na liga; outros clamam pela estabilidade financeira da coisa; terceiros apelam para que a expansão se radicalize e se aceitem quatro times novos, e ainda se crie uma segunda divisão; os mais exaltados querem critérios para acesso e descenso! Os clubes semiamadores já se organizaram em uma associação com cerca de cem membros para exigir seus direitos a terem uma segunda divisão, e a pressão apenas aumenta.

Em meio a este furacão de propostas de novos clubes, acordos de bastidores e contas bancarias sendo expostas, um maremoto vem deixando ainda mais turvas as aguas futebolísticas deste pais-continente – as quais nunca foram muito claras mesmo.

Há alguns anos a FIFA pressiona a Federação local (FFA) para expandir o seu congresso, dando lugar para que outras vozes (futebol de mulheres, mais clubes, segunda divisão, árbitros) sejam representadas no congresso. Atualmente, o poder de decisão do futebol australiano esta nas mãos de nove (isso, 9) membros do congresso da FFA – entre eles os representantes das sete federações estaduais, incluindo federações minúsculas, com poucos afiliados e sujeitas a enormes pressões vindas do gabinete presidencial da federação, comandado com mão de ferro pela familia do bilionário Lowy. Depois de centenas de idas e vindas, com comissões da FIFA e da Confederação Asiática passando semanas por estas praias aqui, se reunindo com as diversas partes interessadas,  como os clubes profissionais e semi, as representantes das mulheres, dos jogadores profissionais, técnicos, torcedores e outros tribos do futebol, um grupo de trabalho nomeado pela FIFA, depois de vários meses, fez uma recomendação para a expansão oficial do congresso da FFA. A familia Lowy e o presidente da FFA, Steve Lowy, são contra isso e fizeram de tudo para atrasar e boicotar os trabalhos deste grupo de trabalho. Mas parece que não vai ter jeito. O congresso da FIFA já aprovou os relatorios e propostas deste grupo, e o maremoto não cessa. Steven Lowy fez uma pressão enorme sobre os membros do atual congresso para não aprovarem a mudança da FIFA – o que provavelmente resultaria em uma intervenção direta da entidade máxima do futebol sobre a FFA ou ate na suspensão da Austrália de competições internacionais. Mas ao final Lowy anunciou que vai sair do comando da FFA ao final do ano – curiosamente, no mesmo período em que expira, conforme as leis corporativas do pais, o prazo para a FFA justificar e apresentar ao publico os documentos relativos aos 50 milhões gastos na candidatura fracassada da Austrália para a Copa de 20122. Precisa desenhar?

Não bastassem esses furacões e maremotos futebolísticos para agitar as coisas na terra australis, eis que aporta por aqui um relâmpago. Ele mesmo, Usain Bolt, o jamaicano mais veloz do mundo! Minha rara leitora deve estar se perguntando qual a relação disto com o futebol; afinal, o Bolt deve ter vindo aqui para a Austrália fazer algumas corridas para arrecadar fundos para a caridade… Mas que nada! Ele veio tentar uma vaga como atacante em um time da A-League, o Central Coast Mariners FC!

 

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O clube, que nos últimos anos disputa a liga com muitas dificuldades financeiras, pouca torcida, sempre brigando para não terminar em ultimo – sorte deles que não há segunda divisão – resolveu abrir espaço para que Bolt, o Relâmpago, participasse de sua pré-temporada – incluindo treinos e amistosos – e tentasse uma vaga e um contrato oficial com o clube.

A reação veio rapidamente. O clube nunca recebeu tanta atenção da mídia local e  internacional desde o anuncio relampejante – ate no Brasil estão falando da A-League! O desejo do Bolt de jogar futebol profissionalmente é antigo, ele falava em jogar no Manchester United e parece que já fez testes com o Borussia Dortmund.

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Por outro lado, os fãs mais ‘raiz’ do futebol local estão revoltadíssimos com o circo criado em torno dele. Comenta-se que seu contrato chegaria a 3 milhões de dólares por temporada, pagos em parte pela FFA e Foxtel, que criaram um fundo para contratar grandes estrelas do futebol mundial que queiram jogar aqui. Já tivemos o Alessandro Del Piero, por exemplo…. mas o Bolt? A galera não se conforma, as redes sociais bombam com reclamações que ele esta tirando o espaço de jovens locais que poderiam estar evoluindo na liga profissional, que tudo isso é apenas uma palhaçada e somente envergonha o futebol australiano diante do mundo, entre outros ‘elogios’ a iniciativa dos Mariners…

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Enquanto isso, Bolt é tratado pelo clube como um ‘jogador normal’, que estaria somente fazendo um teste assim como tantos outros. Nesta sexta o amistoso do Mariners contra um selecionado local de jogadores amadores, um jogo que em condições normais de temperatura e pressão atrairia meia dúzia de torcedores em uma noite fria e passaria despercebido do resto do mundo, atraiu quase 10.000 pagantes e foi mostrado ao vivo pela TV fechada. Rojões e todo o circo foram armados para a estreia deste ‘jogador normal’. Tudo para o ‘deleite’ daqueles que acreditam na evolução do futebol australiano por meio do talento local, e gostariam de uma liga de futebol de verdade.

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No seu tempo em campo, Bolt não impressionou  ; faltou velocidade (serio!) para chegar em algumas bolas e  aparentemente cansou após 20 minutos em campo. Será que o Relâmpago não é mais o mesmo? Ou será que, em meio a tantos furacões e maremotos extracampo, ele perde a sua força?

Eu gostaria de vê-lo jogando na Liga local. Se ele der certo, tambem irei atras do meu sonho e tentarei um lugar ao sol em algum time profissional destas bandas. Ao contrario dos atacantes daqui, me posiciono bem, entendo a regra do impedimento, e na cara do gol não tem pra ninguém! #BoltnaALeague #vamostodosrelampejar  #CleitonmandaoDVD.

 

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Esporte, Política e Humor: o Golpe de 2016 (parte 2)

20/08/2018

por Fabio Peres

As práticas esportivas parecem ser “boas para pensar” a vida política brasileira. Mesmo em situações difíceis, vários artistas lançam mão do esporte – com muito bom humor – para explicitar ainda mais o tom crítico com que vêem a conjuntura social e política.

Isto, aliás, não é uma novidade dos nossos tempos. Ao que tudo leva a crer, humor e política estiveram desde a gestão do campo esportivo associados às diferentes modalidades e aos contextos culturais que lhe conferiam sentido.

De fato, no século XIX o esporte (aqui entendido como práticas corporais institucionalizadas) “ajudava” a jogar uma nova luz – seja por meio de contraste zombeteiro, seja por incongruência irônica – sobre o mundo político.  Joaquim Manuel de Macedo (em 1855), Machado de Assis (1894) e Artur Azevedo (1885), apenas para citar alguns entre tantos cronistas do século XIX, escreveram sobre política tendo como argumento humorístico o esporte. Mesmo de maneira mais sutil e ampla, a política aparece em narrativas que tratam ou fazem uso do tema. Ou longe disso, quando a intenção é justamente articular de forma mais contundente humor, política e esporte; como no caso do grande espetáculo, em 1837,  de “equilíbrios gymnasticos” entre a Madame Injustiça e Mr. Patronato.

Mesmo que esta relação não corresponda ipis litteris  a uma realidade objetiva e absoluta, o que para importa para nós é que todos estes autores tinham a expectativa de que seus interlocutores compreendessem as nuances  simbólicas que garantiriam o humor, a graça e, justamente por isso, a crítica.

Em tempos de profundo esgarçamento das instituições democráticas, talvez não seja por acaso o aumento considerável de produções jornalísticas e/ou artísticas que procuram “valer-se” do esporte para expressar irreverências políticas. Sobretudo, quando a “história junta Olimpíadas, Copa do Mundo e Golpe.

O uso da camisa da seleção brasileira, não apenas produziu versões vermelhas da amarelinha, mas também gerou debates similares 1, 2, 3, 4 aos que ocorreram na Ditadura Civil-Militar (1964-1985); algo retratado em diversos relatos, romances e filmes que tratam do período ( exemplos podem ser vistos no filme O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias de Cao Hamburger, no romance A Resistência de Julián Fuks e na crônica de Luís Fernando Veríssimo, Nosso Time). Nesse contexto, bastou a Copa do Mundo da Rússia (2018) ter início, logo surgiram cartuns e charges sobre a (re)apropriação da camisa da seleção:

Maíra Colares, Hexou, 15 de junho de 2018.

 

 

Autor não identificado, 1(?) de junho de 2018.

 

As representações esportivas da crise econômica e política também procuraram, seja através do futebol, seja através de outras modalidades, criticar ironicamente as ações do governo :

Hubert. Folha de São Paulo, 6 de junho de 2018.

 

 

Jaguar. Folha de São Paulo, 15 de junho de 2018.

 

 

André Dahmer, Facebook do autor, 17 de junho de 2018.

 

 

Mor. Folha de São Paulo, 22 de junho de 2018.

 

 

A performance de Neymar também não passou despercebida. Metáforas e trocadilhos foram usados por artistas em conglomerados de mídia e comunicação que apoiaram o Golpe:

André Dahmer. O Globo, 27 de junho de 2018.

 

Bennett. Folha de São Paulo, 25 de junho de 2018.

 

A Justiça desacreditada, em função de sua participação e manutenção do Golpe de 2016, foi duramente criticada por meio de analogias com a atuação dos árbitros de futebol:

Laerte. Folha de São Paulo, 19 de junho de 2018.

 

 

Maíra Colares, Arbitrariedade, 15 de junho de 2018.

 

Até mesmo a infame entrevista da, então pré-candidata à presidência, Manuela D’Ávila (PCdoB) no programa Roda Viva (TV Cultura), não deixou de ser relacionada ao futebol:

 

Montanaro. Folha de São Paulo, 28 de junho de 2018.

 

 

As 62 interrupções que a deputada sofreu, não apenas evidenciaram o machismo e as desigualdades de gênero que as candidatas mulheres progressistas são alvo, mas especialmente as estratégias que as forças políticas conservadoras lançam mão:

No caso de Manuela, o mais grave nem foi a montagem de um pelotão de fuzilamento, que evidentemente excluía a diversidade eticamente necessária em programas que desejem promover um debate esclarecedor, mas a ocultação da filiação ideológica de alguns dos convidados. Coube à candidata apontar o vínculo de Frederico d’Ávila, apresentado apenas como diretor da Sociedade Rural Brasileira, com a campanha de Jair Bolsonaro (Sylvia Moretzsohn, The Intercept, 27 de Julho de 2018).

De acordo com o colunista da Folha, Maurício Stycer, foi um dos “piores momentos” da história do Roda Viva. O caso talvez tenha ajudado a aproximar ainda mais Chico Buarque, que em 2016 desautorizou o uso de sua música pelo programa homônimo, da deputada que atualmente compõe a candidatura de Lula. No último domingo (19), Manuela, além de postar fotos com o compositor, compartilhou uma fotografia de Chico segurando uma camisa vermelha, onde se lê:

Mas essa é uma outra história…

 

 

 

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* As opiniões aqui emitidas são exclusivamente de responsabilidade do autor da postagem, não correspondendo as intenções e/ou representações dos artistas mencionados.