BOLA E SAMBA NO PÉ

 

Texto e fotos por Edônio Alves

 

DSC_0016 A ligação mais do que direta entre samba e futebol foi o tema, ontem (02/06), do segundo encontro do projeto “Futebol-arte: a arte do futebol”, que acontece toda primeira terça-feira de cada mês na Associação Brasileira de Imprensa-ABI, na rua Araújo Porto Alegre, 71, centro do Rio de Janeiro, sempre às 19h30min.

      O centro das atenções ontem foram as performances descontraídas  do encontro do sambista carioca, Walter Alfaite, com o professor da UFRJ, Celso Branco, mediado pelo jornalista e radialista Eraldo Leite da Rádio Globo do Rio, incumbido de fazer o meio de campo para as jogadas-firulas dos dois craques do encontro.

        A idéia geral do evento da ABI, que também recebe o apoio de outras instituições ligadas ao esporte em geral, e ao futebol em particular, a exemplo do canal SporTV, do site livrosdefutebol.com, do Grupo de Literatura e Memória do Futebol- MemoFut e do Sport: Laboratório de História do Esporte e do Lazer da UFRJ, é promover uma série de debates com a participação do público sobre o futebol e alguns domínios conexos tais como o Jornalismo (tema do primeiro encontro), o Samba, o Rádio, o Cinema, as Artes Plásticas, a História, a Dança e a Literatura.

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 No bate-papo de ontem Walter Alfaiate cantou, proseou e relatou suas experiências com o mundo do samba e do futebol. Um dos bons momentos da prosa foi quando o sambista contou que estava presente ao momento conhecido como o maior silêncio coletivo da história do futebol brasileiro: o da final da Copa de 50, no Maracanã, quando perdemos o título mundial para os uruguaios bem na frente do nosso nariz. Ironicamente, esse momento tinha sido prenunciado por outro em que a relação futebol e música, nos estádios, tinha sido apoteoticamente inaugurado: o dia em que o Brasil goleou a Espanha por 6 a 1, na mesma copa, sob um coro de mais de 180 mil vozes cantando a marcha carnavalesca Touradas em Madri, composta por Braguinha.

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    Já o professor Celson Branco, que é autor de um importante estudo sobre o tema, “Os papeis sociais do futebol brasileiro revelados pela música popular (1915-1990)”, cadenciou o debate com suas explicações sobre os diferentes momentos históricos em que a relação futebol e música (e dentro desta o segmento do samba) se realizaram com maior ou menor significação para a trajetória destes dois domínios artísticos da cultura brasileira. 

       No próximo encontro (dia 07 de julho) , o cineasta José Carlos Asbeg (Diretor de “1958: o ano que o mundo descobriu o Brasil”) e o professor Victor Melo (UFRJ e escrevinhador desse BLOG) debatem a relação entre futebol e cinema com a mediação do jornalista Guilherme Roseguini da TV Globo.                                

Quem ainda não foi não sabe o que está perdendo!

* Para um maior aprofundamento do tema, consultar:

  • Futebol no País da Música. Beto Xavier. 1ª Ed. São Paulo: Panda Books, 2009.
  • Memória Social dos Esportes Vol. 2. – Futebol e Política: a construção de uma identidade nacional. (Org. Francisco Carlos Teixeira e Ricardo Pinto dos Santos). Rio de Janeiro: Editora Mauad, 2006.
  • A Presença do Futebol na Música popular Brasileira. Assis Ângelo. São Paulo: Paulus, 2002.

 

 

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