A grande final “rioplatense” – 1930, o esporte bretão estava no Rio da Prata

 

Estádio Centenário, 30 de julho de 1930. 79 anos atrás era realizada a primeira final de uma Copa do Mundo de futebol. Dificuldades para realização de um torneio imaginado desde 1904, ano da fundação da FIFA, levaram o pequenino, próspero e brilhante, no âmbito futebolístico, Uruguai, a se tornar a sede da primeira competição global do outrora chamado esporte bretão.

Campeão olímpico em 1924 na França (Colombes) e 1928 (Amsterdam), coube a antiga Província Cisplatina, devido principalmente a um “soldado branco”, o diplomata Enrique Buero, ao dirigente da entidade Jules Rimet e ao presidente da República Oriental do Uruguai, o descendente de imigrantes franceses Dr. Campetesgui a organização do primeiro torneio mundial de Futebol. 

Quatro delegações européias: Bélgica, França graças aos esforços de Rimet, Romênia com a ajuda do Rei Carol e Iugoslávia, algoz da seleção brasileira na primeira fase, enfrentaram aproximadamente 15 dias na travessia do Atlântico para prestigiarem o evento.

Porém a final foi sul-americana, mas que tudo “rioplatense”. Repetindo as disputadas partidas que decidiram as Olimpíadas de Amsterdam, vencida pelo Uruguai após dois jogos. Primeira partida 1×1 no tempo regulamentar e nas duas prorrogações e numa final desempate, 13/06/1928, 2×1 para os uruguaios. Novamente, os grandes rivais do estuário da Prata enfrentavam-se. Primeira final de uma Copa do Mundo de futebol, realizada no Centenário, estádio e data da organização constitucional do país, Uruguai e Argentina encontram-se após goleadas indiscutíveis nas semi-finais. Despacharam respectivamente Iugoslávia e Estados Unidos por 6×1, confirmando a supremacia sul-americana.

Milhares de argentinos cruzaram o Prata, e a partida começou com a saída do artilheiro da Copa o argentino Guilermo Stábile.  Rivalidade, raça e paixão em campo, aos doze minutos,o jogador do Bella Vista Pablo Dorado faz o primeiro gol em uma final de Copas do Mundo. Festa nas Tribunas Colombes e Amsterdam do Estádio Centenário e em todo pequeno grande Uruguai.

Entretanto, a poderosa argentina vira a partida ainda no primeiro tempo. Com gols de Peucelle e do artilheiro Stábile aos 36 minutos . Termina a primeira etapa.                 

 

            12 minutos do segundo tempo “El Vaso Cea” empata a partida. A pressão uruguaia continua intensa, a decantada raça “charrua” entra em campo, os olímpicos comandados por José Leandro Andrade, a maravilha negra e José Nasazzi “El Capitán” de 1924, 1928  e 1930 pressionam a seleção argentina e a torcida “celeste” vibra.

            Virada espetacular aos 23 minutos com chutaço do jogador do Racing Santos Iriarte. Apesar da vantagem, a partida continua tensa, disputada e a Argentina ameaça, mas aos 44 minutos o atacante Héctor “Manco” Castro, que aos treze anos havia perdido a mão direita em um acidente de trabalho fez o gol decisivo. Festa na Província Cisplatina Oriental Celeste Charrua do Uruguai. E o Jornal El Pais de 31 de julho de 1930, pg 9 descreveu o gol assim:

                        “ Peucelle realiza un avance que termina con un centro desviado. Ballestero tira la pelota desde su área recibiéndola en mitad del campo Cea que la pasa a a Iriate. Este elude a Evaristo y hace unos driblings a Della Torre, que le permiten zafarse de él haciendo un centro que llegó a la derecha. Alli Suaréz alejó apenas la pelota pudiendo Dorado tomaria para repetir un centro alto que después de pasar sobe Della Torre Castro cabeceó enchando la pelota a la red”.     

            A referida reportagem termina da seguinte forma: “ Después de este goal, convetido a los 44 minutos del tiempo reglamentario en el segundo half time, exceptuados los que el referée creyó del acaso adicionar, no le fué, posible a los cronistas que tomarán esta version taquigráfica del match, controlar el juego hasta, que el referée lo dió por terminado, tantas fueron las dificuldades  provenientes del entusiasmo público,”

            Festa na 18 de Julio, principal avenida de Montevidéu: Parilla, vinho, chivito e a sensação de ter o melhor futebol do mundo, além de ganhar do maior rival, a Argentina. A confraternização é total. A hierarquia cai, os abraços são fortes, a emoção transcende o esporte alegra a Nação. 

 

LA EMOCION FINAL – EL PAIS 31/07/1930 – PG 10.

Mientras asciende al mastil de honor la bandera de la pátria

“ La pitada  del arbitro señalo que daba finiquitada la tiánica lucha entre los dos colosos.

            Y con ella, rubricados por el éxito, los merecimientos del Uruguay de este Uruguay pequeñito en extension territorial, pero grande, imensamente grande, por sus valores morales, por la pujanza soberba de su raza de sangre bravia, como buena sangre charrúa.”   

 alegria pátria uruguia

FICHA TÉCNICA: 30/07/1930 – MONTEVIDÉU – URUGUAI 4 X 2 ARGENTINA

JUIZ: LANGELLUS (BÉLGICA)

URUGUAI: BALLESTERO, NASAZZI, MASCHERONI, JOSÉ LEANDRO ANDRADE, L. FERNÁNDEZ, GESTIDO, DOADO, HÉCTOR SCARONE, HÁCTOR CASTRO, CEA, IRIARTE.

ARGENTINA: BOTASSO, DELLA, TORRE, PATERNESTER, J. EVARISTO, MONTI, SUÁREZ, PEUCELLE, VARALLO, GUILERMO  STÁBILE, FERREIRA , M. EVARISTO.

GOLS: DORADO (U) , PEUCELLE (A), STÁBILE (A), CEA (U), IRIARTE (U), CASTRO (U).

 Referências

 

BUERO, Enrique.  Negociaciones Intenacionales. Bruxelas, 1932.

CABO, Alvaro Vicente. “Copa do Mundo de 1950: Brasil X Uruguai – uma análise comparada do discurso da imprensa”. In MELO, Victor Andrade (org). Historia Comparada do Esporte. Rio de Janeiro: Shape, 2007.

CARRIL, Juan Antonio Capelan. Nueve decadas de gloria. Montevidéu: Associacion Uruguaya de Futbol, 1990.

JORNAL El Pais – Julho de 1930.

MARTINEZ MORENO, Carlos. “El mundial del 30” in 100 años de Fútbol. Montevideo: Editores Reunidos, 1970.

RIMET, Jules. FÚTBOL. La Copa del Mundo. Barcelona: Editorial Juventud, 1955.

  TOMLINSON Alan, YOUNG Cristopher org. National identity and global sports events: culture, politics, and Spetacle in the Olympics and the football world cup. New York: SUNY, 2006.

                                                                       

Alvaro Vicente do Cabo

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