Peru y Palermo – A batalha monumental

Por Alvaro Vicente do Cabo

A Argentina na semana passada confirmou sua presença na Copa do Mundo da África do Sul, com muito suor, rivalidade, polêmicas e “chupadas” maradonianas, após a vitória sobre o Uruguai em mais uma centenária batalha com muita pancadaria.
Entretanto, para os argentinos antes do clássico rio-platense tinha o Peru no meio do caminho, rivalidade também histórica e que gera confrontos acirrados e controvertidos.
Quarenta anos atrás os argentinos ficaram de fora do seu último torneio mundial, como ocorrera em 1938, 1950 e 1954, porém nesses anos não disputaram as eliminatórias, ao serem desclassificados pelos peruanos que tinham como craque Teófilo Cubillas e jogadores como Perico Leo, Gallardo e Chumpitaz.
Os argentinos estavam no Grupo 1 com Bolívia e Peru e após serem derrotados por ambas equipes na primeira fase, venceram os bolivianos e empataram com os peruanos no dia 31 de agosto de 1969 com o placar de 2 x 2 em pleno Estádio de la Bombonera. A forte equipe peruana classificou-se para a Copa do México sob o comando técnico do gênio Didi, craque bi-campeão nas Copas de 1958 e 1962, exaltado em todo país, inclusive pelo General Alvarado no retorno a capital Lima.
Na Copa do Mundo da Argentina em 1978 realizada no auge da ditadura militar de Jorge Videla, com certeza ocorreu a disputa mais polêmica. Em uma partida muito contestada que o jornalista e advogado argentino em seu livro Pablo LLonto “La verguenza de todos” sobre o torneio mundial de 1978 qualifica como “el partido mas largo de la Historia” , os argentinos derrotaram por 6×0 uma boa equipe peruana, classificando-se assim para disputar a final contra a Holanda e eliminando o invicto Brasil no saldo de gols. Decorridos mais de 30 anos, as acusações de que o resultado tinha sido acertado, de que o goleiro Quiroga, argentino naturalizado peruano teria facilitado, que o Peru teria recebido carregamentos de cereais argentinos para entregar a partida pairam sobre um obscuro jogo de futebol e a Argentina conquistou seu primeiro título.
Nas eliminatórias para a Copa do México de 1986, argentinos e peruanos disputam novamente uma vaga. Em partida emocionante realizada em 30 de junho de 1985 no Estádio Monumental de Nuñez os argentinos precisavam do empate e perdiam a partida até os 36 minutos do segundo tempo, quando o atacante Ricardo Gareca empatou o jogo. É importante lembrar que Maradona estava em campo e que 1 ano depois seria o grande maestro na conquista do bi-campeonato mundial argentino.
Neste sentido, o jogo Argentina e Peru realizado no sábado dia 10 constituiu em mais um capítulo importante nas disputas futebolísticas entre as duas seleções. Apesar do Peru se encontrar na lanterna das eliminatórias sul-americanas, novamente o confronto ganhou contornos de dramaticidade.
Acompanhando a imprensa argentina nas duas semanas anteriores a disputa percebe-se uma crônica de um herói anunciado, Martin Palermo. Sim ele mesmo, “grandalhão”, “desengonçado”, que perdeu três pênaltis pela seleção na mesma partida 10 anos atrás, rótulo que não prescreve. Maior artilheiro da história do Boca Juniors, nos 10 dias que antecederam o confronto com os peruanos, “San Martin” era quase uma unanimidade desde as ruas de Buenos Aires até o calçadão da austral Ushuaia, passando pelos guias turísticos da geleira de Perito Moreno Os “hinchas” do River Plate também clamavam por “San Martin Palermo”, o libertador.
Após vencer Gana em um amistoso no dia 30 de outubro com dois gols do centroavante o diário “Olé” estampou “ Alto Peru – La Seleccíon cascoteó el área a un Ghana flojito y Palermo tuvo siempre ahí, hizo los dos goles e demonstró que pode ser el 9 grandote para acompañar a Messi. Insua fué el outro destacado en Córdoba”.
Um incrível gol de Palermo no clássico contra o Vélez Sarzfield dia 04 , de cabeça quase do meio campo, virando a partida para o Boca que não estava bem no Torneo Apertura 2009 na Bombonera, manteve o atacante na mídia impressa e televisiva, além das discussões nos bares.
A semana que antecedeu a partida foi marcada por matérias sobre o experiente jogador que com 35 anos se transformou em uma demanda da opinião pública argentina, apesar de ao longo da sua vitoriosa carreira ter sido muito criticado.
Todavia, o técnico Maradona deixou o jogador no banco de reservas, aumentando a expectativa dos torcedores presentes n Estádio e em toda Nação do Ushuaia a Tucuman.
Um jogo de baixo nível técnico, porém emocionalmente intenso caracterizou mais essa “batalha monumental”. No primeiro tempo um sonolento 0x0 entre as duas seleções, com ligeiro domínio argentino.
Um gol do atacante Gonzalo “Pipita” Higuaín recebendo passe de Pablo Aimar, que retornava a seleção albi-celeste deixou os argentinos em vantagem logo aos dois minutos do segundo tempo, e parecia indicar que a o Peru seria batido facilmente. Porém a “esquadra inca” equilibrou a partida e passou a pressionar a seleção argentina, fato que deixou perplexos a todos presentes no Estádio.
A tormenta que caía na cidade de Buenos Aires, além da pressão peruana e a entrada do atacante Palermo aumentaram o clima dramático da partida.
Aos 45 minutos, após falha do experiente Mascherano, o peruano Rengifo marcou de cabeça o gol de empate que parecia estabelecer o resultado final. Incredulidade, revolta e tristeza entre os argentinos
De repente em um bate e rebate na área peruana aos 47 minutos da etapa final, surge o pé de Martin Palermo que impedido coloca a bola nos fundos das redes e a Argentina com uma importante vantagem para o jogo com o Uruguai. Festa, alívio e devoção ao herói anunciado que cumpria sua difícil tarefa. Maradona se joga no gramado encharcado, Palermo vira segundo a imprensa desde San Martin o libertador até Martin Fierro , o herói nacional, a Argentna derrota o Peru por 2 x1. Coisas do futebol.
O jornal La Nacion estampa no dia seguinte a seguinte manchete na primeira folha “ Outro milagro de Palermo salvó la Argentina del papelón. A los 47 minutos del segundo tiempo, bajo un temporal, el hombre de los goles impossibles hizo el triunfo por 2-1 sore Perú y permite soñar con la classificación; el rendimiento, en cambio, volvió a dejar muchas dudas”. No caderno de esportes, página 2: “Agónico. Martin Palermo rescató al selecionado del abismo. La Argentina estaba perdida, condenada a un empate con Perú que le dejaba al borde de la eliminación, pero apareció el N. 9 para salvar la muy mala actuación de un equipo de carácter esquelético”
No periódico Olé: “Palermo Inmortal. El grito de Palermo fue el grito de todos. El Loco metió un gol agónico que mantiene con vida la Selección y le da outro giro a su propria leyenda. Deche jugar en Uruguay.”.
“ El hombre que hace llover”, título da crônica escrita pelo jornalista Juan Pablo Varsky para o La Nacion no dia 12 de outubro não jogou contra o Uruguai, mas com certeza seu decisivo gol será lembrado e a sua trajetória legendária continuará descrita como heróica pela imprensa argentina. Palermo ajudou bastante Maradona a conseguir a classificação, que aproveitou para mandar indelicadamente todos seus críticos mamarem, agora resta saber se o carismático jogador também disputará uma Copa do Mundo, ou ficará em Buenos Aires “chupando o dedo”.

Palermo LA NACION

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