Retrospectiva sob outra perspectiva – Registros futebolísticos peculiares em 2009

Com o findar de mais um ano diversos artigos jornalísticos, programas televisivos, mensagens de e-mails e até conversas de botequim versam sobre uma pseudo-retrospectiva dos principais acontecimentos daquele ciclo que se encerra. No âmbito esportivo, isto fica muito claro, principalmente nos veículos e canais especializados como o Jornal o Lance, e as emissoras de tv a cabo SPORTV e ESPN. Neste último mês me recordo por exemplo de um especial com 180 gols internacionais, fato que apesar de toda a minha paixão pelo futebol me deixou cansado.
Poderia seguir o óbvio e relatar nesta página os melhores momentos de partidas como a final da Copa das Confederações na África do Sul vencidas pelo Brasil sobre os Estados Unidos, a partida final do brasileirão na qual o Flamengo derrotou dramaticamente o Grêmio, sagrando-se hexacampeão brasileiro, ou a final do Mundial Interclubes vencido pelo Barcelona com gol de peito do argentino bola de ouro da FIFA Lionel Messi na prorrogação sobre o Estudiantes de la Plata do craque Verón, porém acredito que muitos amantes da bola já estejam também enfadados e devidamente informados sobre esses “jogos para sempre”.
Isto posto, pretendo nessas linhas registrar visões pitorescas do futebol que presenciei em viagens ao longo de 2009, momentos únicos de amor pelo esporte mais popular do mundo no Chile, Brasil e Argentina, onde o prazer de estar com uma bola estava acima do prestígio de ser campeão, da motivação econômica ou da busca de uma vaga para uma Copa do Mundo.
Futbolito na Ilha de Páscoa. Isolada no Oceano Pacífico, a 3.720 km do Chile e 4.025 do Tahiti está localizada este pequeno paraíso que desde 9 de setembro de 1888 foi incorporado politicamente ao Chile apesar da sua cultura milenar Rapa Nui e da nítida influência polinésia nos seus habitantes.
Ilha vulcânica de impressionantes moais (enormes esculturas de pedras), do mito do Homem Pássaro, de ótimas ondas, da festa cultural do Tapati com um povo bronzeado e hospitaleiro que sobrevive atualmente da pesca, artesanato e turismo, o futebol também está presente nos domingos em um campo esburacado no centro da vila defronte a Praia de Hanga Roa.
No mês de Janeiro, quando visitei a ilha estava sendo disputado um torneio de Futbolito, como o soçaite brasileiro com 6 na linha e um goleiro. Várias partidas de 20 minutos são realizadas no campão, desde às 14:00 até o entardecer, pois o mesmo é dividido em dois com balizas no meio. Muitos jovens e turistas assistem as disputas e no final do dia rola um grande peladão onde todos podem participar. O torneio dura 4 semanas e a final ocorre junto com o Tapati, que é um evento cultural que mobiliza toda a ilha.
É curioso que no ano de 2009 ocorreu a primeira partida oficial na ilha. Pela Copa do Chile o tradicional Colo-Colo venceu um selecionado de nativos por 4×0, constituindo assim, apesar da goleada sofrida, em um marco histórico para o futebol rapa nui.
Fortaleza em julho. Pesquisadores do esporte brigam com a bola nas areias da Praia de Iracema. Após uma frutífera semana de debates e discussões no Simpósio Temático de História do Esporte na ANPUH/NACIONAL realizada na capital cerarense uma pelada na praia de “eternos” 20 minutos encerra as atividades. Alguns dos integrantes deste blog como Maurício Drumond, Ricardo Bull, Luiz Carlos Santana, Rafael Fortes e Leonardo Bahiense, além do cronista que vos escreve suaram bastante para empatar em 1 a 1 com o combinado do Paraná/São Paulo

Pesquisadores/atletas

capitaneado por Miguel Archanjo, José Carlos Mosko e o arqueiro André Capraro, além do reforço carioca ilustre de Antônio Jorge Soares pela ponta. Os técnicos Victor Melo e Luiz Carlos Ribeiro coordenaram suas respectivas equipes e ficaram satisfeitos com o diplomático placar apesar da baixa qualidade técnica da peleja. Mais um “jogo par sempre” se lembrar e rir bastante.
Fim do Mundo. Na Terra del Fuego, cidade de Ushuaia, canal de Beagle, antiga colônia penal e importante porto de saída para a Antártida, presenciei em outubro a realização de um torneio abrasador, a Copa da Patagônia argentina. Fui informado no campo que o campeão se classifica para Série C do Campeonato Argentino pelo técnico de uma das principais equipes da região,os “Cuervos del Sur”, cujo uniforme é igual ao do San Lorenzo de Almagro.
Temperatura em torno de dois graus com muito vento. Estava retornando de uma visita ao Parque Nacional da Terra del Fuego onde tinha nevado bastante, quando avistei um campo e “locos por fútbol” em torno dele. Maluco também, desci do ônibus do passeio que estava com minha esposa e acompanhei o primeiro tempo da equipe dos funcionários do Município de Ushuaia que vestia o uniforme argentino contra o time Arturo Pont formado por chilenos que vivem na região. A beleza da localização do campo a beira da Bahia de Ushuaia cercada por montanhas nevadas como o Glaciar Martial, o Cerro Godoy e o Cerro Roy é indescritível,  talvez a imagem de uma jogada registre palidamente  o momento.

Fut-tênis no Perito Moreno. Ainda pela Patagônia Argentina em uma excursão a geleira Perito Moreno, a partir da cidade de El Calafate presenciei e joguei fut-tênis com os guias locais.
Após uma caminhada na geleira com um grupo de turistas em um lugar incrível percebi que uma das principais formas de lazer dos guias era disputar em uma pequena área um jogo de controle de bola com os pés misturando regras do tênis com o vôlei. No momento que os turistas estão lanchando ou enquanto não chega um novo grupo a "Fut-tênis em Perito Morenoprincipal diversão para muitos dos guias são essas acirradas disputas de mais um jogo onde o amor a bola é o que predomina.
Assim sendo, enquanto a bola rolava nos estaduais, nas eliminatórias para a Copa do Mundo da África do Sul, na Libertadores, no Brasileirão, Champions League e tantos outros torneios nacionais e internacionais é importante lembrar que ela também corre nas peladas de praia entre amigos, nos confins da Patagônia e até na distante e isolada Ilha de Páscoa. Com certeza a pelota está em todo o Mercosul e em vários locais inóspitos de todo o planeta.
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