Um blogue para acompanhar: Goiabada

Por Rafael Fortes

Ao longo de 2009, desenvolvi o hábito de frequentar alguns blogues. Ele surgiu na passagem de 2008 para 2009, quando, através do hilário Futepoca, conheci O Biscoito Fino e a Massa, do professor Idelber Avelar. Nos últimos dois ou três meses, infelizmente, pouco tenho podido acompanhar textos na internet – por meia dúzia de motivos que não cabe comentar. Entre os blogues preferidos, há tanto os que abordam temas variados quanto aqueles focados e específicos.

Sobre surfe, costumo ler o Goiabada. Nele, Julio Adler, jornalista e surfista, analisa as competições e compartilha ideias, conhecimento e descobertas – Adler cavuca informação como poucos – sobre filmes e música. Outros temas aparecem com parcimônia – por exemplo, o (bom) futebol, do qual o blogueiro é apreciador. Conheci o Goiabada por indicação do Claudio da Matta, que fez uma longa e excelente entrevista com Adler (vale a pena ler!) em 2005 e a publicou em seu Surfe Pensado.

Trata-se de um exemplo tão bacana quanto raro de vida inteligente e fora dos lugares-comuns no jornalismo sobre surfe. Na verdade, no jornalismo esportivo em geral, porque o ramerrame futebolístico, convenhamos, é de doer. O jornalista articula conhecimento enciclopédico de datas, nomes, baterias, campeonatos e resultados com uma análise que foge do óbvio e um texto que dá gosto de ler. Em vez de entregar tudo de mão beijada para o leitor, instiga a saber mais. E traz generosas doses de bom humor e de opiniões polêmicas e originais.

Diferentemente da maioria do material produzido por aí sobre os campeonatos, no Goiabada as implicações comerciais e políticas que permeiam as regras e o funcionamento dos campeonatos da ASP – problemas que alcançam vários esportes além do surfe – são levadas em consideração na análise. Por exemplo, ao discutir os critérios que fazem certas manobras serem mais valorizadas, argumenta que elas têm a ver não apenas com o espírito do tempo de uma determinada época, mas também com a nacionalidade, o idioma e os patrocinadores dos surfistas que as realizam.

Para ficar com dois exemplos entre os textos recentes, recomendo uma lida nestes, reproduzidos da coluna de Adler nas revistas  Surf Portugal e Hardcore: 1) “O diabo é o quase“, em que articula João Saldanha, moscas, seleção de 1982 e os dois primeiros colocados no WCT (Circuito Mundial de Surfe) de 2009; e 2) “Tropical, camarada“, em que a defesa da mestiçagem feita pelo grande Darcy Ribeiro serve como mote para esquadrinhar o desempenho histórico dos brazucas no WCT masculino. Ou seja, as duas últimas colunas republicadas no blogue partem de livros. Coisa fina: trata-se de João Saldanha e Darcy Ribeiro.

Fica, portanto, a dica: um blogue para ler, acompanhar e ter acesso a uma penca de informações – discos, músicas, filmes, entrevistas, campeonatos, vídeos, fotografias, análises, previsões, crônicas – que Adler fuça por aí e compartilha com os leitores. Uma janela para conhecer e entender o passado, o presente e, por que não, o futuro do esporte.

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