Obina é melhor que Dadá?

Por André Schetino

A pergunta veio em minha cabeça após os contecimentos da última semana envolvendo o atacante do Clube Atlético Mineiro. Na quarta-feira (24/02), Obina marcou 5 gols na vitória do Atlético sobre o Juventus-AC por 7 a 0, pela Copa do Brasil. No domingo (28/02) marcou mais 3 na vitória de 5 a 2 sobre o time do Uberlândia, pelo campeonato mineiro. O jogador foi destaque na mídia nacional. Já coroado nos estádios por ser melhor que Eto’o e melhor que Pelé, seria Obina melhor que Dadá Maravilha?

Resolvi então procurar por algum momento  do famoso “Peito de Aço”, e encontrei um trecho de uma entrevista na qual anunciava sua aposentadoria, em 1986.

Ídolo da torcida atleticana, Dario foi o autor do gol que deu ao clube seu título de campeão brasileiro, na vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo em 1971. Com passagem por inúmeros clubes no Brasil, talvez em Minas Dario tenha experimentado maior notoriedade e reconhecimento. É onde vive e trabalha até hoje, como comentarista esportivo, já tendo passado por todas as emissoras de TV locais.

Dadá em sua entrevista fala sobre o retorno financeiro que sua presença nos campos propicia para os clubes onde joga. Hoje em dia isso vem sendo fator preponderante, as vezes mais até do que o próprio futebol, para a contratação de jogadores pelos clubes. Tanto que a vinda de Obina (e de Wanderley Luxemburgo) para o Atlético rendem ao clube mais espaço na mídia do que o rival Cruzeiro, que atualmente disputa a Copa Libertadores da América. As atuações do jogador são destaque na mídia carioca e nacional, também por ter defendido por um bom tempo o clube de maior torcida do Brasil, o Flamengo.

Jogadores como Obina e Dadá ocupam um espaço importante para os chamados clubes de massa, como o Flamengo e o Atlético-MG. São símbolos da raça, da popularidade, da identificação com a torcida. Após uma passagem pelo Palmeiras mais lembrada pela briga com o jogador Maurício do que pelos gols marcados, Obina já experimenta no Atlético Mineiro o retorno de sua mística. Os gritos de “Barack Obina” e “Obination”  já ecoam no estádio do Mineirão.

Dentro das quatro linhas, Obina e Dadá partilham algumas semelhanças e diferenças. Se ainda estão distantes no número de gols (Dadá marcou 925), os dois representam a figura do anti-craque. Não são destacados por sua habilidade, categoria, domínio de bola ou visão de jogo. Ao contrário, é a visão do brucutu, do desajeitado e por vezes até do perna de pau, mas que com o esforço e a raça conquistam o resultado.

O encontro de Obina e Dadá nas reportagens é questão de tempo, e a comparação inevitável. Enquanto Obina às vezes tenta se afastar das brincadeiras e do rótulo de perna de pau artilheiro, Dario, com a carreira feita e consagrado nos campos se sente mais à vontade.

Se vale o conselho da experiência, talvez uma frase do ídolo do passado tranquilizasse o mais novo artilheiro alvinegro: “não existe gol feio. Feio é não fazel gol.”

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