Surfe em lugares inusitados

No final de novembro, bombou na internet um vídeo feito no Arroio Dilúvio, em Porto Alegre:

Agora em março, uma chuvarada parou o Rio de Janeiro no final de uma tarde e início de noite de sábado (não confundir com a chuvarada de duas semanas atrás que arrasou o Grande Rio, principalmente Niterói). Um dos resultados foi este vídeo (não aparece como o que vai acima, do Youtube, porque o WordPress dificulta a vida com o Vimeo, onde foi colocado pelos produtores).

Há alguns pontos em comum entre eles. Ambos retratam problemas das grandes cidades brasileiras, cuja infraestrutura recebe mal as chuvas de verão, seja inundando (Rio de Janeiro), seja recolhendo aos rios boa parte do lixo, esgoto e poluição (Porto Alegre).

Segundo, a presença do surfe, ou melhor, de surfistas. No caso de Porto Alegre, a razão de existir do vídeo é a iniciativa de pegar onda num lugar daqueles. A câmera está lá com o intuito de registrar a aventura em águas imundas e caudalosas. No Rio, um surfista rema em meio ao “mar” em que se transformou o Baixo Gávea.

Terceiro, a relação entre esporte, juventude e tecnologia digital. As remadas e surfadas em águas barrentas tornaram-se conhecidas porque lá estava uma câmera digital a filmá-las. E, porque foram rapidamente transformadas em vídeos – muito bem editados, com trilha sonora bacana etc. – que, disponibilizados na internet, viraram febre – em parte, devido a recomendações como esta em blogues jornalísticos com grande tráfego.

Sem posse de uma câmera digital, conhecimento de ferramentas para editar, facilidade de exibição proporcionada por plataformas como Vimeo e Youtube e dicas em blogues, tuíteres e afins (fundamentais para obter visibilidade em meio aos zilhões de curtas para assistir disponíveis na internet), nada feito. Nem as façanhas teriam sido registradas, nem publicadas, nem se tornado conhecidas, nem eu estaria aqui escrevendo sobre elas.

O sucesso na internet rendeu reportagens com entrevistas dos responsáveis/protagonistas. Numa busca rápida, encontrei duas reportagens sobre o vídeo gaúcho – da TV Record local e de Mauren Motta conteúdo (esta  tem boas informações sobre a concepção e gravação do vídeo) – e uma matéria no Jornal da Globo sobre o carioca.

No próximo texto, mais surfe em lugares inusitados.

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