ORIGENS DOS CLÁSSICOS II – BRASIL X CAMPEÕES MUNDIAIS NAS COPAS

Aproveitando o período de olhos grudados na Jabulani: mais de 60 jogos transmitidos ao vivo, cachorrinhos passeando enrolados com a bandeira brasileira, inúmeros bolões, cornetas insuportáveis em todas as esquinas e até dentro de casa, figurinhas por toda parte, inclusive nas repartições públicas, semi-feriados e réveillon fora de época na Praia de Copacabana, farei um balanço sobre os clássicos disputados pelo Brasil nas Copas do Mundo. Como foram as partidas do Brasil contra os demais campeões do mundo nas Copas? Este é nosso assunto no meio de mais um torneio entre as principais seleções do planeta.
BRASIL X ITÁLIA. Nove títulos mundiais. O primeiro confronto ocorreu em 1938 na França. O futebol brasileiro era descoberto pela imprensa européia, Leônidas da Silva, grande destaque e artilheiro da Copa, não jogou esta importante partida. Domingos da Guia era o principal “player” tupiniquim e a Itália fascista de Mussolini, as vésperas da segunda Guerra mundial tinha de VINCERE pela raça. Um pênalti até hoje contestado pelos ecos do passado ouvido pelas rádios, de Domingos no centroavante Piola e a cobrança do craque Giuseppe Meazza decretaram a vitória italiana sobre os brasileiros. O país sagraria bi-campeão mundial na França após bater na final a Hungria.
A segunda partida foi também histórica e ainda mais decisiva. Ambas as seleções eram tricampeãs do mundo e a posse da Jules Rimet estava em jogo no Estádio Azteca. 21 de junho de 1970, para muitos a maior exibição em uma final de Copa e a espetacular equipe brasileira vence inapelavelmente a “AZZURA” por 4×1. O “eterno” gol de Carlos Alberto é o selo memorável da epopéia em gramados mexicanos. “90 milhões em ação” em meio à sangrenta ditadura militar do Presidente Médici celebram o Rei Pelé, Gérson, Jairzinho, Tostão, Rivelino e Cia.

TOSTÃO E PELÉ COMEMORANDO O QUARTO GOL NA FINAL DE 70 CONTRA A ITÁLIA

 
Oito anos depois, nos pampas argentinos, mas um confronto decisivo, porém com gosto amargo de mate “General Videla”.O Brasil, após ser eliminado de forma no mínimo fraudulenta com a goleada argentina sobre os peruanos por 6×0, disputa o terceiro lugar e a desbotada bandeira de campeão moral contra os italianos. Uma bomba magnífica de Nelinho vencendo ZOFF empata o jogo aos 19 minutos do segundo tempo e logo depois Dirceu vira a partida. 2X1 para o Brasil.
O Drama do “Sarriá” viria em 1982. A seleção “canarinho” encantava o mundo: Zico, Falcão, Sócrates, Leandro, Júnior exibiam um futebol plástico e massacravam seus adversários, enquanto a Itália seguia na Copa aos trancos e barrancos. A vantagem do empate, uma bola cruzada de Cerezo, a paradinha no escanteio de Júnior, os gols de Paolo Rossi, as defesas do mítico ZOFF e principalmente o insensato destino deram a trágica vitória para os italianos que conquistariam contra os alemães seu terceiro título deixando o “canarinho” voando baixo.
Nova final. Novo drama. 24 anos depois, uma geração brasileira sem título mundial. A hegemonia em questão novamente. Romário x Baggio em uma equipe dirigida por um membro da preparação técnica de 70, Parreira. Criticada porém extremamente eficiente. O destino de um capitão. “Era Dunga” um vencedor ou não? Novamente pênalti. Não apenas um como em 1938 será o decisivo, mas uma série ,vai coroar o primeiro tetra e o maior campeão do século passado. Vai que é sua TAFFAREL!

BRASIL X ALEMANHA. Cada seleção chegou sete vezes à final de uma Copa. Os alemães ganharam três, mas na história dos Mundiais apenas uma única partida entre os dois gigantes. Primeira final do século XXI, brasileiros e alemães decidem no torneio da geopolítica mundial, a Copa da Ásia. Vitória penta com gols de Ronaldo, o Fenômeno ressurgindo da decepção de 1998, das lesões no joelho e da desconfiança de parte da imprensa. Família Scolari derrota a Blitzkrieg e a muralha de Oliver Kahn.

BRASIL X URUGUAI. O Maracanazo e o alívio em 70. Duas partidas memoráveis. A mitológica final de 50. O gol de GHIGGIA, 200 mil pessoas caladas, maior tragédia contemporânea da História brasileira segundo Roberto da Matta, o apogeu “celeste” da garra “charrúa”. 2×1 URUGUAI, vencedor na primeira metade do século XX.

DEFESA DE ROQUE GASTÓN MÁSPOLI NO MARACANAZO

Semifinal em 70, acionamento da memória de 50, fantasma “celeste”. Mudança no local da partida. Brasil em casa-Guadalajara. O gol de Cubilla , Clodoaldo e o empate. A virada entalada, o drible de corpo de Pelé em Mazurkiewisky e a bola mansa tira tinta da trave. O alívio da pátria de chuteiras, BRASIL 3X1.

BRASIL X ARGENTINA. As partidas surgem tarde nas Copas e a rivalidade cresce. O primeiro confronto ocorreu na segunda fase do torneio de 1974 na Alemanha. O Brasil vence em Hannover por 2 x1 com gols de Rivelino e Jairzinho. Apesar da presença sul-americana nesta etapa, o carrossel holandês despacha os rivais antes da final.
Na batalha de Rosário em 1978, nenhuma das ditaduras vence. Um 0x0 em violenta partida e poucas chances de gol fez com que o Brasil de Chicão, Batista, Dinamite do promissor técnico Cláudio Coutinho fosse posteriormente eliminada da competição no saldo de gols dentro do grupo. A Argentina de Fillol, Kempes, Ardiles, Bertoni, Passarela e infelizmente também de Videla disputa a final no Monumental de Nuñez e vence a Holanda na prorrogação em seu primeiro e contestado título mundial.
No duelo Zico x Maradona de 1982, o 10 brasileiro levou vantagem. Antes da tragédia do “sarriá” uma exibição de gala do escrete canarinho contra os argentinos decretou uma indiscutível vitória por 3×1 com gols de Zico, Júnior e Serginho. Último vôo canarinho nos céus ibéricos.
Em 1990, uma seleção lazarenta, brigando por prêmios, escondendo o patrocinador, encarnando o estereótipo de era Dunga fazia sua melhor partida contra os rivais argentinos pelas oitavas-de-final no Estádio Del Alpi em Turim, até uma jogada genial do craque Maradona encontrar o veloz Cannigia que passa por Taffarel e baila o tango da vitória. 1×0 Argentina.

BRASIL X FRANÇA. Le début foi maravilhoso. Semifinal de 1958. Os franceses com o artilheiro Just Fontaine e o cerebral Raymond Kopa, o Brasil com Didi, o príncipe etíope, Garrincha, o anjo de pernas tortas, além do futuro monarca absolutista do futebol mundial que marcou três gols e foi decisivo para a brilhante vitória brasileira por 5×2.
Como acabou para o Brasil a Copa de 1986? Muitos afirmarão: com o pênalti do Zico. Não, foi com o convertido por Fernandez e antes Zico também marcara um pênalti e outros jogadores perdiam. A derrota no Jalisco é marcada pelo lance do galinho que retornando de uma entrada bárbara de um atleta banguense um ano antes, e após lançamento para Branco, não fugiu a responsabilidade, mas bateu fraco nas mãos de Bats. 1×1 no tempo normal, gols de Careca e do craque Platini. Nos outros dez pênaltis 4×3 para os franceses e Platini, lembram, também perdeu.
UM, DEUX, TROIS ZERO. O grito espalhou-se da Bastilha a Torre Eiffel, em Saint-Germain des Prés e Bercy, a cidade-luz em festa com a seleção. A Marselhesa dava o tom da festa, a convulsiva vitória contra Le Pen e os xenófobos exaltam a Marianne. França 3×0, o pied-noir Zinedine Zidane comandou o baile no Operá Saint-Dennis, junto com Thuram, Blanc, Lizarazu e o carequinha Barthez. E a culpa foi da Nike? Edmundo vai falar quando? O Ronaldo se escalou? Não me venham com chororô. O Brasil perdeu como afirmou um amigo meu “on the ballon”.

BARTHEZ POR CIMA DO FENÔMENO

MERDEAMARELA. Esta foi a capa do jornal argentino Olé após a eliminação brasileira em 2006. O “quadrado mágico transformou-se em quadrado das bermudas” e o futebol pseudo-artístico brasileiro sucumbiu diante do mago Zidane. A culpa no meião de Roberto Carlos, ou na dionisíaca estadia em Weggis olvidam les bleues. UM ZERO de Henry, mais com o gosto amargo de goleada de novo.

BRASIL X INGLATERRA. “English team”, nosso maior amuleto. Sempre que o Brasil jogou com a Inglaterra em uma Copa terminou campeão. Em 1958, um burocrático empate em 0x0 foi uma vitória avassaladora pois a comissão técnica decidiu colocar no jogo seguinte Pelé e Garrincha que seriam fundamentais na primeira conquista mundial.
No bicampeonato, Garrincha brilha com dois gols nas quartas-de-final em Viña del Mar no Estádio Sausalito aos pés do Pacífico. A Inglaterra havia se classificado em um grupo difícil onde a Argentina ficou eliminada. O Brasil vence por 3×1, Bobby Charlton já estava em campo, e se classifica para disputar a semifinal contra os chilenos.
Em 1970, o encontro com os temidos campeões mundiais de 1966. A imagem da cabeçada de Pelé na incrível defesa de Gordon Banks marca esta difícil partida que acabou sendo decidida em bela jogada coletiva definida em uma pancada de Jairzinho. Escancarava-se o caminho do tri.
No penta, novamente os fleumáticos “inventores” estão no caminho. Quartas-de- final e uma partida nervosa. Rivaldo e Ronaldinho fazem a diferença. Golaços com direito a cobertura no falcon “Seaman”. 2×1 e classificação garantida. God save the Queen. Que venham os “piratas” em 2010.

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