Os espaços esportivos na cidade da Bahia

Por. Coriolano P. da Rocha Junior

          Em tempos de preparação do Brasil para os mega eventos esportivos que estão por vir (Copa do Mundo – 2014 e Jogos Olímpicos – 2016), discute-se muito sobre as instalações esportivas e a infraestrutura urbana das cidades que sediarão estes eventos, na intenção de identificar e analisar se estas cidades possuem ou não estrutura e espaços esportivos condizentes com o que é exigido pelos órgãos responsáveis pela gestão internacional destas competições (FIFA e COI). Também há toda uma discussão acerca de como se darão as obras, de como será o financiamento, sobre o porte destas e o pós evento, o chamado legado para as cidades.

          Falando especificamente de Salvador, uma das cidades brasileiras que servirão de sede para a Copa do Mundo, vemos que na atualidade esta tem um parque esportivo bastante limitado, quase inexistente e, portanto, sem condições de atender a qualquer tipo de exigência e mais, sem poder atender a sua população, obrigando a construção de novas instalações esportivas e também de amplas reformas e construções na cidade, para poder prover Salvador das condições estruturais urbanas que são exigidas em tal evento.

          Todo este debate acerca das instalações esportivas e sobre a própria cidade tem ocupado os noticiários, não apenas os esportivos e tem mobilizado a população, os poderes públicos e a iniciativa privada. Todavia, celeumas acerca das necessidades ou não de obras que ofereçam a Salvador e sua população espaços para o esporte não são exclusivas da atualidade, já as tivemos em outros tempos e são sempre discussões atreladas ao debate que se dá ao redor de uma ideia de modernização da cidade.

            Exemplo disto se vê em Leite, Rocha Junior e Santos (2010, p.4), quando estes tratam das experiências esportivas e a inserção da modernidade em Salvador. Estes autores nos dizem que

tornou-se voz corrente na imprensa da época [fins do séc XIX e início do séc. XX] as reclamações com relação à falta de lugares dedicados ao diversos tipos de lazer e divertimento que pudessem ser considerados tipicamente modernos e civilizados.

           Aqui podemos observar que já desde muito tempo Salvador carecia de espaços esportivos específicos que atendessem sua população. De maneira ainda mais acentuada, os mesmos autores afirmam que

 No que tange às práticas esportivas, por exemplo, em nenhum momento do processo de melhoramento urbano foram pensados espaços que lhes fossem dedicadas. De um modo geral, as práticas esportivas, na cidade, desenvolviam-se em espaços públicos, sobretudo praças, que não foram criadas com essa função (2010, p. 4).

            Com tudo isto, observamos que assim como agora, já de muito tempo que em Salvador se argumenta a necessidade de espaços para que sua população praticasse esportes. Se atualmente o debate se move a partir das exigências para um evento esportivo, em outras épocas o debate se associava a necessidade da cidade se civilizar. De novo Leite, Rocha Junior e Santos (2010, p.4) nos falam que na cidade se comentava da

 pertinência da construção de um parque que seria destinado a tais diversões, a partir da proposta apresentada por dois engenheiros ao poder local. O espaço seria organizado e explorado pela iniciativa particular por um prazo determinado.  

          Sobre este fato, publicou-se no jornal Diário de Notícias (10/10/1906), a proposta de construção de um espaço esportivo que se denominou Coliseu Baiano (tal espaço não chegou a ser construído), espaço este que teria

 Uma vasta área gramada para o foot-ball;

Uma pista cimentada, circular ou oval, nas condições technicas, para o cyclismo;

Uma pista apropriada para a lawn-tennis, para senhoras e cavalheiros;

Uma concha coberta para jogo da péla;

Uma pista circular para patinação;

Uma grande piscina para natação;

Um palco coberto e recintos apropriados ao ar livre para conferencias, musica instrumental e vocal, exhibições theatraes, cinematographos, etc.;

Uma linha de tiro ao alvo; e promoverão quaesquer outras diversões ou exhibições, que forem consenitdas pelo Conselho Municipal.

             Como visto os debates existentes no cenário soteropolitano acerca das necessidades ou não de construção de parques esportivos não se restringem só a tempos de preparação para uma Copa do Mundo, antes disso, debatia-se a necessidade da cidade se modernizar e para tanto, deveria contar com espaços que permitissem a população condições de uma prática corporal, como uma prática moderna e civilizadora, todavia, em ambas as situações fica a discussão maior de como se daria ou se dará esta construção e mais, de que forma estes espaços poderiam ou poderão efetivamente servir a população de Salvador.

 Referências.

LEITE, Rinaldo Cesar Nascimento; ROCHA JUNIOR, Coriolano P. da e SANTOS, Henrique Sena dos. Esporte, Cidade e Modernidade: Salvador. Salvador: 2010, mimeo.

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