Nota triste

Cleber Dias

cag.dias@bol.com.br

Uma das primeiras coisas que mais me impressionou no montanhismo foi o nível de organização e solidez das suas instituições. São clubes, federações, associações e outras entidades congêneres com uma sólida estrutura, funcionando a pleno favor e quase totalmente à margem da sociedade. Para se ter idéia, existe uma infinidade de livros, filmes, sites, revistas, boletins institucionais e todo um universo dedicado apenas a publicar ou divulgar informações que permanecerão, no mais das vezes, inteiramente desconhecidas para o restante da sociedade.

Este, obviamente, é um fenômeno restrito apenas à dimensão institucional do montanhismo, pois além dessa esfera, existe ainda um pequeno exército de praticantes sem nenhum tipo de vinculo com tais entidades. De todo modo, foi uma das primeiras coisas que mais me impressionou e continua me impressionando no fascinante mundo da montanha.

Outro elemento impressionante desse complexo sistema é que ele depende inteiramente da dedicação voluntária de um sem número de aficionados. São homens e mulheres que dedicam considerável parcela dos seus tempos a trabalhar por aquilo pelo que têm paixão.

Nessa última segunda-feira foi dado como morto um desses apaixonados: Bernardo Collares, que era presidente da Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro e “um dos mais importantes agentes da organização do montanhismo brasileiro”, como bem disse o presidente da Federação Paulista. Bernardo faleceu em decorrência de um acidente na Patagônia argentina. As notícias dão conta de um acidente durante a descida da montanha Fitz Roy.

Fica o post à guisa de singela homenagem, a um homem que nunca vi titubear em colaborar com qualquer coisa que lhe parecesse estar em prol do montanhismo. Muito solicitamente, sempre me abriu às portas da Federação, mesmo sabendo que eu não pertencia ao universo das montanhas. Por vezes, inclusive, permitiu que eu participasse de reuniões e outras atividades, ainda que eventualmente não entendesse muito bem minhas razões – tanto quanto eu eventualmente não entendia as dele.

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