A CBF e Maquiavel

Qual a relação existente entre a Confederação Brasileira de Futebol e a clássica obra do escritor florentino renascentista Nicolau Maquiavel? Aparentemente talvez nenhuma. Pura divagação espúria. Como associar as idéias do erudito Nicolau a gestão do futebol nacional? Existe um Príncipe no comando do esporte predileto dos brasileiros? E este cidadão teria os pré requisitos básicos: virtú (força, sabedoria, poder) e fortuna (sorte) para governar de forma absoluta a paixão nacional?
A partir de uma breve análise no principal livro de Nicolau Maquiavel, “O Príncipe” (1532),referência universal no âmbito das Ciências Políticas e Sociais, e influência de estadistas como Luís XIV, Napoleão Bonaparte, além de Eduardo Vianna, conhecido vulgarmente como Caixa D’água, Paulo Maluf, entre outras controversas figuras atemporais, pretende-se nessas breves linhas viajar sobre a importância da referida obra para a instituição gestora do futebol no país. Observemos abaixo trechos dos conselhos recebidos pelos príncipes para serem grandes monarcas. Cada citação maquiavélica poderá nos remeter a fatos corriqueiros do nosso querido futebol, mas cuidado trata-se de mera ficção e qualquer semelhança com o mundo real é mera coincidência:
AD MAGNIFICUM JOANES HAVELANGES:
I – “De quantas espécies são os Principados (Federações estaduais) e de quantos modos são conquistados. Pg 37”.
Existe controle e falta de poder representativo das Federações estaduais perante a C.B.F?
II – “Digo, pois que nos Estados hereditários e afeitos a ascendência do seu príncipe são muito menores as dificuldades de manutenção do que nos novos, porque basta apenas não desprezar as regras dos antepassados e, a par, contemporizar diante dos acontecimentos; de modo que, se tal príncipe possui engenho apenas ordinário, manterá sempre o seu Estado, a não ser que dele o prive força extraordinária e excessiva; e mesmo que dele seja privado, readquire-o, não importando quanta malignidade possua o usurpador” Pg. 39.
Seria a C.B.F atualmente uma espécie de Estado hereditário ou vitalício? Quando foi a última eleição para a presidência da instituição?
III – “ Uma regra geral, a qual nunca ou raramente falha: aquele que torna outrem poderoso arruína-se a si próprio, pois este poderio é causado pela astúcia ou pela força, e uma e outra são suspeitas a quem se tornou poderoso” Pg. 49.
Concentrar os poderes nas mãos do “Príncipe” e não ceder a pressões do Clube dos 13 ou Federações não seria seguir a regra apontada?
IV – “Nasce disso uma questão, a saber: é melhor ser amado que temido ou o contrário? Responder-se-á que se desejaria ser uma e outra coisa; mas como é difícil casá-las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando se haja de optar por uma das alternativas” Pg. 108.
Na gestão do futebol brasileiro atualmente quantos amam o Príncipe Teixeira e quantos o temem?

AD MAGNIFICUM LAURENTIUM MEDICEM

V – “ Entretanto os fatos dos nossos dias mostram que há príncipes que realizaram grandes coisas sem que tivessem em demasiada conta a fé da palavra empenhada e souberam pela astúcia, mudar a opinião dos homens; e que, por fim, superaram aqueles que fundaram seus atos na lealdade” Pg. 111.
Os títulos do futebol brasileiro conquistados na atual gestão da C.B.F podem ser inquestionáveis, mas obscuros fatos e acordos levantados sobretudo no “desaparecido” relatório que foi publicado como C.P.I da Nike não afrontam a palavra empenhada?
VI – “ Nas ações de todos os homens, especialmente os príncipes, contra os quais não há tribunal a que recorrer., os fins é que contam. Faça, pois, o príncipe tudo para alcançar e manter o poder; os meios de que se valer serão sempre julgados honrosos e louvados por todos, porque o vulgo atenta sempre para aquilo que parece ser e para os resultados. Pg. 113.
Distribuir títulos nacionais a esmo para diversos clubes brasileiros sem um dossiê sério e transparente ou mudar de opinião em menos de um mês para ratificar o justo título rubro-negro de 1987 não parecem meios para alcançar determinados fins políticos?
VII – “Alguns príncipes, a fim de manter com segurança o Estado, desarmaram os seus súditos; alguns outros mantiveram divididas as terras submetidas; outros nutriam inimizades contra si próprios; alguns outros se dedicaram a ganhar a amizade dos que lhes eram suspeitos no começo do seu governo; alguns construíram fortalezas, alguns as demoliram e destruíram” Pg. 125.
O estímulo a divisão no Clube dos 13, a liberação de verbas para a construção de estádios/fortalezas para os súditos próximos, as amizades pessoais com presidentes de clubes populares não são estratégias de manutenção de poder?
Enfim, o manual do Absolutismo Monárquico com certeza tem sido muito útil na contemporaneidade esportiva pelo menos para os dirigentes. Como dizia o falecido Caixa D’água nas suas aulas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, parafraseando outro importante filósofo moderno Thomas Hobbes “O homem é o lobo do homem”, mas neste caso sugiro que atualmente a “Leviatã” C.B.F é o lobo da bola”.

Leviatã – É o nome da principal obra de Thomas Hobbes e se constitui em uma metáfora ao Absolutismo Monárquico a partir de um monstro bíblico que possuía este nome e aparece no livro de Jó.

No próximo post retornarei a série Origens dos Clássicos com a primeira partida disputada entre o Brasil e a Argentina.

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