A patinação nas terras de Salvador

Por Coriolano P. da Rocha Junior

            Neste blog tenho me ocupado de tratar a história do esporte na Bahia e para tanto, venho trabalhando com a constituição deste fenômeno social nas terras baianas e também suas formas de representação. Para o post de hoje, reservei uma atividade, que na atualidade, não tem grande repercussão, sendo pouco vista nas ruas, praças e parques da cidade de Salvador, a patinação.

            A patinação, prática que hoje é associada a variadas atividades esportivas (artística, de velocidade, no gelo e sobre rodas), sem contar outros esportes que fazem uso dos patins, como o hóquei, também é uma atividade que objetiva a diversão e não é de hoje que se conhece a patinação no Brasil e em Salvador, cidade onde esta prática já viveu momentos de maior intensidade.

            Em Salvador, entre anos como 1912 e1916, apatinação despertou razoável interesse. Nesse período existiram clubes de patinação (Internacional Club de Patinagem, Sport Club Colombo de Ciclo-Patinação) e diversos eventos foram realizados na cidade, basicamente nas ruas do Bairro do Comércio ou em passeios, do Centro Histórico ao Rio Vermelho. Esses eventos, na maioria das vezes, assumiam um caráter competitivo, cujos participantes eram distribuídos por páreos (como no turfe), em função das distâncias a serem percorridas.

            Nesses mesmos anos, Salvador experimentava uma fase de modernização, onde se tentava implementar um projeto que visava remodelar a cidade em sua estrutura urbana, com a construção de novas avenidas, monumentos, edifícios e ao mesmo tempo, outras tantas edificações eram destruídas. Assim, Salvador tentava modernizar-se a partir de uma nova lógica de cidade e, além disso, também se pensava em mudar os hábitos de seus moradores, fazendo com que também eles experimentassem práticas que eram consideradas civilizadas, modernas e dentre estas, estavam às práticas corporais. Assim, a patinação, por ser uma atividade que trazia incorporada em si, aspectos como a velocidade, o desafio e a superação de limites, era então, considerada perfeitamente ajustada aos esperados novos comportamentos dos cidadãos soteropolitanos.

            Nesse período, em Salvador, a patinação, na maior parte das vezes teve caráter competitivo e foi organizada por clubes específicos, mesmo que em lugares improvisados, tendo também existido como um divertimento nas festas de diversos outros clubes que já existiam na cidade e não apenas nos de patinação, além de ser uma atividade em festas realizadas pelos bairros de Salvador.

            Esta imagem[1], de patinadores a espera da largada, bem demonstra a forma com que a prática dessa atividade era encarada. Vê-se que os praticantes, no instante da largada, se postam para a foto com uma postura “desafiadora”, de frente, com um olhar e uma feição típicas de uma aparente segurança frente aos desafios que virão adiante. As roupas (comuns a todos), também são uma mostra do quanto era necessário parecer elegante, mesmo para os praticantes, por mais que as roupas não fossem aquilo que atualmente podemos considerar mais ajustadas ao esporte. Como se percebe pelos trilhos no chão, a pista, não era exatamente a mais adequada à patinação, tornando-se assim, mais um desafio aos participantes e é justamente esse sentido de desafio, de enfrentamento do que é diferente, do sentido de velocidade, que associam a patinação ao ideário da modernidade.

            Desta forma, podemos ver que na cidade de Salvador diversas atividades já tiveram seus momentos de auge e foram significativas, ligando-se a construção da cidade. Se a patinação foi uma dessas, outras também existiram e sobre essas, falaremos em outros posts.


[1] Foto extraída da Revista Renascença, ano I, n.VI, Novembro 1916.

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