TOSTÃO, A FERA DE OURO (1970)

Retomamos nesta segunda-feira, nossos papos sobre cinema e futebol no Brasil. Hoje apresentaremos o documentário sobre Tostão, de 1970. Esse filme foi realizado durante as Eliminatórias da Copa de 1970, quando o craque foi o artilheiro da Seleção Brasileira, com a incrível marca de 10 tentos em um total de 23 gols apontados pelo time, em apenas seis jogos do Grupo 2 [1]. Tostão era uma grande aposta para o México, e esse é um mote importante da película. Podemos mesmo dizer que o ex-jogador do cruzeiro constituía-se, nesse momento, na esperança branca do escrete. E não é exagero, tanto que é citado como o “rei branco do futebol”. O contraponto é claro, é Edson Arantes. De forma explícita Tostão é nomeado de o “Pelé branco” e Piazza afirma que “talvez” Tostão chegue a superar o craque Santista, com o tempo.

 Uma sequencia dos debates provocados e registrados nessa fita, portanto, traçam a comparação entre esses dois grandes personagens. De nossa parte continuaremos esse jogo, emparelhando o tratamento e conteúdo dessa obra com “Isto é Pelé”, lançado quatro anos depois e já comentado por nós, neste Blog. Ambas as produções ressaltam o caráter atlético, a capacidade física dos dois jogadores, além da dedicação dos mesmos, a qual reforça o talento com o qual foram brindados pelo destino. Tostão, no entanto, parece ser retratado como sendo mais refinado, tanto que se pode escutar (e ver imagens respectivas) que ressaltam que, fora do futebol, “lê Drumond e Vinícius”. Ademais, Eduardo Gonçalves de Andrade (Tostão), também tem um trabalho de revendedor da Shell. O momento histórico/futebolístico das duas produções, porém, é distinto.

                                                                                                                

O documentário sobre Tostão aposta na promessa de aperfeiçoamento e agigantamento de um jogador já reconhecido, e em bela fase, o que de fato parece se confirmar no México. É por isso que o final fílmico de a “Fera de ouro” é formado a partir do enquadramento solitário de Tostão, “flagrado” no singelo ato de amarrar suas chuteiras, em silêncio. Na sequencia a câmera abre, retorna a trilha sonora, e o herói parte para o jogo… “Continua do México…”, ouvimos em off…  É a promessa. 

 O que não parecia estar no esquema era que, se a performance de Tostão foi considerada brilhante, a de Pelé foi esmagadora e definitiva. Em 1974, com o camisa 10, não se tratava mais de perspectivas, mas da celebração, construção e exaltação do virtuose. E das extrapolações relacionais entre a trajetória individual do Rei e os rumos do Brasil e do povo brasileiro.

Ficha técnica:    TOSTÃO : A FERA DE OURO

Ano: 1970
País:
BR
Cidade: Belo Horizonte
Estado: MG; GB
Argumento/roteiro:  Drummond, Roberto
Direção: Laender, Paulo; Leite, Ricardo Gomes

Fonte: http://www.cinemateca.com.br/

 Consultado em 19 de julho de 2010.


[1] Conforme http://cruzeiro.org/blog/cinema-e-futebol-ii-tostao-a-fera-de-ouro/. Consultado em 07 de maio de 2011.

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