Esporte Clube da Esquina

Por André Schetino

Álbum Clube da Esquina, de 1972


A música popular brasileira caminhou sempre ao lado de outras manifestações de nossa cultura, dentre elas o esporte, e especialmente o futebol. Como apreciador do Clube da Esquina, movimento musical mineiro que cresceu nas ruas do boêmio bairro de Santa Tereza, sempre me perguntei sobre as relações que a turma das alterosas teria com o esporte. Será que os “hippies” mineiros em suas viagens musicais não vivenciavam a cultura esportiva?

Dificilmente.

Foi aí que encontrei a tese de doutorado: Na esquina do mundo: trocas culturais na música popular brasileira através da obra do Clube da Esquina (1960-1980), de Luiz Henrique Assis Garcia. No trabalho (defendido em 2007 e no ano passado transformado em livro), Garcia nos mostra que a obra do Clube da Esquina deve ser compreendida dentro de seu contexto histórico, nas influências de seus diversos membros, das suas relações com outros grupos e movimentos (nacionais e internacionais). O trabalho cita um trecho de entrevista com Lô Borges, onde o mesmo afirma que a “esquina” onde os músicos partilhavam seu cotidiano era o “lugar onde acontecia de tudo: música, futebol, peladas homéricas”, um lugar “democrático”(p. 174).

E nada como o tempo para modificar a história, dar a ela novos sentidos e significados. Em uma época de bondes sem freio, trens balas e carroças desembestadas, cabe lembrar que é do Clube da Esquina uma analogia anterior, envolvendo o veículo sobre trilhos tão querido nas Minas Gerais e o futebol: “o trem azul“.

A música, lançada em 1972 no álbum Clube da Esquina não foi composta sob a ótica do futebol. Para muitos, o trem azul seria a metáfora da própria vida. Porém, tornou-se em tempos mais recentes (especialmente a partir dos anos 2000) uma homenagem à grandes equipes formadas pelo Cruzeiro Esporte Clube. Essa ressignificação da canção pode ser vista no vídeo abaixo, na voz de ilustres cruzeirenses: Lô Borges (autor da música), Milton Nascimento e Samuel Rosa, todos devidamente uniformizados.

E a parceria música e esporte não parou por aí. Em breve trarei em outros posts um pouco mais dessa relação em música e futebol em Belo Horizonte. Para terminar em alto estilo, outra parceria linda de Milton Nascimento e Fernando Brant, de 1995, onde a bola rola solta: bola de meia, bola de gude.

P.S. – Quis o destino que o calendário de atualização do blog me presenteasse com essa segunda-feira pós campeonato mineiro, onde o glorioso Clube Atlético Mineiro viu diminuir sua vantagem de títulos estaduais sobre o grande rival celeste. Apesar da ressaca, fica este post com as merecidas felicitações aos meu amigos cruzeirenses.

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