O ciclismo em Salvador

Por: Coriolano P. da Rocha Junior

          Neste blog tenho falado dos esportes em Salvador e no post anterior, comentei sobre a patinação. No post de hoje, trato de outro esporte, o ciclismo, que na cidade do Salvador teve sua existência inicial vinculada à patinação.

          Por mais que atualmente possamos associar o uso da bicicleta ao cotidiano e ao imaginário popular, sabemos que ainda existem dificuldades, seja para o ciclismo como uma prática esportiva, seja para o uso da bicicleta como meio de transporte e de lazer. E se em Salvador, ainda hoje existe a dificuldade de se incorporar a bicicleta aos hábitos comuns do dia a dia (as ciclovias da cidade são limitadas e o trânsito difícil), vejamos como era isso tempos atrás.

          Em Salvador, desde fins do século XIX, os jornais noticiavam “garagens” e aluguel de bicicletas, sempre importadas, o que nos faz entender, que já era então algo conhecido na cidade, mesmo que pouco vivido, pois, importadas, não faziam parte do cotidiano da população por conta de seus elevados preços.

          Em terras baianas, o ciclismo pareceu acontecer sob a mesma estrutura dos clubes de patinação. Era fato comum que houvesse atividades simultâneas das duas práticas, desenvolvidas pelos mesmos clubes nos mesmos espaços. As corridas eram desenvolvidas para velocidade, sendo mais comuns no Comércio e no Centro Histórico ou para resistência, com deslocamentos até o Rio Vermelho e também faziam parte das festividades promovidas pelos clubes.

          A imagem adiante demonstra a aproximação entre a patinação e o ciclismo em Salvador. Observa-se que a espaço de prática parece ser o mesmo (as ruas do bairro do Comércio) e as vestimentas são quase idênticas. Os ciclistas aparentam uma imagem de segurança e força ante os desafios que virão, estando cercados por grande número de pessoas, que demonstra o quanto a prática e o equipamento eram atraentes para o público. Por outro lado, o pequeno número de praticantes é simbólico, significando o quanto a bicicleta ainda era algo distante da população, sendo uma prática com menor número de adeptos.

Ciclistas a espera da largada: Revista Renascença, ano I, n.VI, Novembro 1916

          Em 23/04/1912, o Jornal de Notícias divulgou o que dizia ser a primeira corrida de bicicletas da Bahia, realizada no bairro do Canela. Nos jornais, eram comuns notas apresentando as provas a serem disputadas, com os clubes, os participantes e a premiação, além do local das competições. Dias após as provas, eram noticiados os vencedores e seus tempos.

          Nesse período inicial da prática do ciclismo, sem dúvida, podemos associá-lo as novas concepções da vida moderna. A modernidade experimentada em Salvador, nesse período, tentou transformar a cidade num espaço de maior urbanização, civilizado e os esportes, dentre eles o ciclismo, representavam esses novos sentidos da modernidade, ousadia, desafio, superação, destemor e vivacidade.

          Se olharmos para o passar dos anos, podemos afirmar que a população de Salvador, por mais que sua geografia e estrutura urbana ainda dificultem o uso da bicicleta, tentou incorporar as pedaladas como uma atividade comum. Já na esfera competitiva, a cidade, até hoje não construiu um espaço específico para as provas de ciclismo e mesmo de forma adaptada, é bastante difícil de ver o ciclismo em terras soteropolitanas atualmente. Esperemos então que a cidade, sem suas novas propostas de modificação urbana, atente-se para as bicicletas, construindo espaços que permitam a população vivenciar essa atividade em todas as suas dimensões, com segurança e conforto.


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