Experiências de torcedor com Dr. Richard Global Football

Mês passado, o sociólogo escocês Richard Giulianotti esteve no Brasil participando de encontros acadêmicos e debates no Rio e em São Paulo. Tivemos a honra de recebê-lo mais uma vez em nosso Laboratório onde o renomado pesquisador da Universidade de Durham ministrou palestra sobre os Mega-eventos e a Globalização.
Todavia este post tem como objetivo mostrar o lado “louco por futebol” do gentleman Richard. Tive a incrível experiência de levá-lo ao Engenhão e ao encontro de um dos maiores craques do futebol mundial e a sua reação em ambas as situações foi muito diferente do estereótipo propagado sobre os nativos do Reino Unido. Nada de frieza ou fleuma, ao contrário, alegria e descontração e muito papo futebolístico.
Nosso reencontro, visto que o havia conhecido em 2010 durante Simpósio organizado pelo Laboratório, ocorreu no Domingo dia 18 de Setembro na recepção de um hotel de Copacabana antes da partida entre Botafogo e Flamengo. Fomos para o Engenhão de carona com minha esposa Milena e antes de chegar, nas imediações do estádio decidi parar no Rei do Bacalhau do Encantado para que Richard provasse o fenomenal bolinho feito no bairro suburbano. Com uma dúzia de bolinhos, alguns copos de cerveja e até mesmo um doce português começamos o aquecimento para a partida.
Minha companheira nos deixou em frente à saída do trem na ala sul e após cinco minutos de caminhada estávamos em frente à entrada leste, para onde comprei os ingressos. Faltava ainda cerca de uma hora para o início do jogo e resolvemos ficar do lado de fora continuando o aquecimento e observando a movimentação.
Era uma tarde ensolarada, o ambiente estava agradável e do lado de fora encontrei e apresentei diversos torcedores flamenguistas com o quais Richard ia interagindo, independentemente deles falarem inglês, ou não. Dentre eles, Richard conheceu o Rogério, figura folclórica e um dos fundadores da raça rubro-negra, mas que participa atualmente da sugestiva FLAMANGUAÇA e raramente consegue assistir as partidas até o final. Sai e fica andando pelos corredores ou desce para os churrasquinhos da Rua das Oficinas. Apesar dele não entender nada do idioma bretão, os dois pareciam amigos de anos. Na foto abaixo Rogério, Eu e Richard empolgados antes da partida.

Entramos no estádio próximo ao início da partida. Ficamos na parte superior e o jogo apesar de não ter sido muito bom agradou ao nosso convidado. Loco Abreu fez 1×0 no primeiro tempo para o Botafogo e o atacante Jael empatou no segundo. Richard se divertiu com a torcida rubro-negra, achou as instalações do Engenhão boas, e adorou a vista dos bairros próximos no momento que o sol ia se pondo. Taticamente fez o seguinte comentário. O Ronaldinho Gaúcho não deveria jogar no ataque e sim no meio. Realmente talvez fosse uma alternativa naquela partida, pois naquele momento ele estava muito marcado e não rendia bem.
Fim de jogo. Retornamos para o ponto de encontro no OUTSPETO’S. O amigo Raul da agência turística Rio de Histórias tinha levado um casal de australianos para a partida e nos deu uma carona para retornarmos a Zona Sul. Durante o trajeto muito papo sobre futebol, comparações do Brasileirão com a Premier League e o sincero agradecimento dos estrangeiros por terem conhecido um novo estádio e terem visto um clássico carioca.
Ainda tomamos uns chopps “saideiras” na Adega Portugália no Largo do Machado junto com o Raul antes de voltarmos para Copacabana.
Na quarta-feira dia 20 nos encontramos novamente após a palestra proferida no IFCS/UFRJ para um almoço de confraternização junto com o coordenador do grupo Victor Melo, e os membros Clebão e Luiz Carlos e depois eu tinha combinado de levá-lo para conhecer as dependências do Clube de Regatas do Flamengo na Gávea. Só que ainda tinha uma surpresa maior.
Eu tinha sido convidado na segunda pelo sociólogo Ronaldo Helal, amigo pessoal e  meu orientador de Mestrado para conhecer meu grande ídolo, ZICO, o galinho de Quintino, maior craque que vi jogar. Além disso, na própria quarta, quando disse que estava almoçando com o Richard ele falou que ele podia ir também caso tivesse interesse.
Durante o almoço perguntei para ele se  gostaria de conhecer o ZICO. No início ele não entendeu se era brincadeira ou realidade. O craque ZICO de 1982, que jogou contra a Escócia? It’s true!
Sim era verdade e mesmo eu falando que iria demorar pois, fomos encontrar o galinho no CFZ lá no Recreio dos Bandeirantes e que deveríamos pegar um trânsito na volta Richard ficou empolgadíssimo. Pediu para que eu passasse no hotel para que ele pegasse uma camisa da Escócia e lá no clube do Flamengo comprou várias camisas para que o craque assinasse.
Passamos para buscar o Ronaldo e uma amiga dele também fã apaixonada pelo Zico e partimos para o longínquo cafundó dos Bandeirantes. Após animado papo futebolístico no carro chegamos no clube do galinho por volta das 16:40.
O encontro foi emocionante. Zico nos recebeu com muita simpatia. Quatro fãs, sendo que um diretamente das Highlands, torcedor do Abeerdeen e da seleção escocesa Admirador do bom futebol e tendo também Zico como um ídolo do futebol mundial, apesar de não entender as conversas em português que giravam em torno do Flamengo e Seleção brasileira, Richard permaneceu sorrindo o tempo todo, pediu diversos autógrafos, inclusive para seu pai, com quem me contou que assistiu durante a Copa da Espanha a maiúscula atuação de Zico e Cia na vitória por 4×1 sobre seu país. Na foto abaixo os fãs Alvaro e Richard com o craque Zico no CFZ.

Eu, Zico e Richard no CFZ
Retornamos para Copacabana, onde finalizamos a histórica jornada com “saideiras” no Real Chopp e Richard fez questão de agradecer imensamente a nossa hospitalidade e fez questão de ressaltar como é bom trocar experiências esportivas tanto na academia quanto nos estádios. Reproduzirei abaixo seus comentários quando lhe enviei mensagem pedindo autorização para escrever este post. O sociólogo fala sobre a estadia no Rio, futebol, gastronomia e as pessoas que participaram desta experiência com ele: Sir Giulianotti nas conferências por todo mundo e em suas aulas em Durham University e singelamente Richard nos estádios, clubes e botequins cariocas por alguns dias:
“ Claro, sentar por aí bebendo chopps e assistindo futebol é uma vida boa. Por favor prossiga com o blog. Conhecer ZICO foi uma experiência incrível e um pouco irreal. Eu fiquei agradecido dele ter lembrado seus gols contra a Escócia, deu a Escócia um tipo de significado no futebol que não parece que temos mais. E gostei da partida. Flamengo melhorou no início do segundo tempo, mas eu não tenho certeza se eles colocam o Ronaldinho Gaúcho na posição correta. Ele está jogando em um estilo muito estático. E eu tenho de admitir, eu nunca parei de comer quando estava aí. O café da manhã no hotel era excelente e depois tivemos umas refeições incríveis. Particularmente na quarta-feira no Shopping Center (FAGULHA/OFF-PRICE). Eu especialmente gostei do bolinho de bacalhau com azeite. É um perfeito acompanhamento para alguns chopps. Eu somente tenho que saudar vocês todos pela vossa grande hospitalidade e generosidade. Foi tudo ótimo brasileiros.” TRAD. PRÓPRIA.

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