Pérolas na Revista do Esporte

Por Álvaro do Cabo

Nesta quarta-feira dia 30/05 será o lançamento de três novos livros organizados pelo coordenador do Laboratório do Sport Victor Melo em parceria com diversos pesquisadores da área no país com direito a animada roda de samba e cervejas geladas no pitoresco bar Vaca Atolada na boêmia Lapa.

Tenho o prazer de participar com um artigo sobre a Revista do Esporte na obra “O Esporte na Imprensa e a imprensa esportiva no Brasil” cujo objetivo é estabelecer um panorama de importantes periódicos que marcaram a imprensa no século XX como por exemplo a revista Placar, o Jornal dos Sports e a Manchete esportiva.

A Revista do Esporte circulou entre 1959 e 1970 e foi criada pelo jornalista Anselmo Domingos inspirado no sucesso da Revista do Rádio que surgira no final da década de 40. Com notório apelo sensacionalista a vida íntima dos principais atletas do país e uma boa produção gráfica o periódico se constituiu em importante referência do esporte brasileiro, sobretudo o futebol, no período em que existiu.

Para traçar um perfil da revista, elaborei uma pesquisa em 62 exemplares e obviamente coletei muito material interessante e jocoso que não foi utilizado na elaboração do artigo acadêmico. Muitas “pérolas” das seções raio-x de corpo inteiro e bate-bola que tinham como foco mostrar curiosidades e os hábitos dos atletas, além do espaço de “fofocas” “Candinha no Esporte” não puderam ser aproveitadas no texto final do livro.

Assim sendo, neste post vou apresentar algumas joias que não foram publicadas no artigo por falta de espaço, mas que com certeza podem ajudar a entender a época ou no mínimo possibilitam boas risadas começando pela emblemática seção Raio-x de corpo inteiro:

Cabrita (Goitacás) – “No cabelo usa somente água” – N. 1/1959

Zizinho – “ Fuma cigarros Hollywood. Um maço por dia mais ou menos” – N.5/1959

Didi – “Oldsmobile é a marca do seu automóvel” – N. 7/1959

Macalé (Botafogo) – “Adora Icaraí. Acredita que não existe no mundo inteiro praia mais poética” – N. 9/1959

Pampolini – “ Não tem predileção por marca de sabonete, usa o mais barato” – N. 10/1960

Gino (São Paulo) – “ Carnavalesco cem por cento, adora os folguedos momescos” – N. 62/1960.

Jorge (América) – “ Ficaria feliz se a cegonha deixasse um casal de gêmeos na sua casa”. N. 64/1960.

Zito (Santos) – “Corretor de café é a profissão que exerce fora dos gramados” – N. 66/1960.

Paulo Otacílio (São Paulo) – “ Não tem, nem gosta de apelido, tem raiva mesmo” – N. 108/1961.

Ílton (Guarani) – “ Não quer morrer sem conhecer os Estados Unidos e aponta Portugal como o melhor país que visitou” – N. 110/1961.

Antoninho (América) – “Não fuma, não bebe e não joga a valer dinheiro. Acha que serve de exemplo”. N. 172/1962.

Murilo (Flamengo) – “ Seu principal divertimento é soltar papagaio com os sobrinhos”. N.386/1966.

Tim (Fluminense) – “Seu traje preferido é o esporte. Acha um suplício colocar gravata”. N. 388/1966.

            O item Bate-Bola traz perguntas “reflexivas” para os ídolos que possibilitam respostas curiosas bem como nos seguintes exemplos:

– R.E “ Que faria se visse uma marciana?”

Valdemar Carabina (Palmeiras) “Tentaria falar com ela e perguntaria como são as coisas lá” (N.9/1959)

R.E “As louras ou as morenas?”

Rosan (Ferroviária). “Em se tratando de filhas de Eva, não gosto muito de escolher. O que cair na rede…” (N.62/1960)

R.E “Se fosse cantado para amolecer uma partida, que faria?

Ernani (Botafogo). “Não creio que exista um indivíduo suficientemente corajoso para fazer semelhante proposta”. (N.63/1960)

– R.E “Acredita no fim do mundo”

Alenor (Bahia) “Nada disso, o mundo acaba é para quem morre”.

R.E “ Faria um raid numa jangada”

Perinho (Palmeiras) “Não sei nadar, portanto nunca”. (N.65/1960)

R.E “Contra ou a favor da pena de morte?

Mengálvio (Santos) “Sou contra”. (N.172/1962).

A seção Candinha no Esporte é inspirada em personagem homônima da Revista do Rádio e tem como objetivo fazer fofocas sobre os esportistas. Vejam alguns “fuxicos” da Candinha que para os dias atuais não se enquadrariam bem nos parâmetros do politicamente correto:

– “Famoso craque do São Paulo recentemente contratado adora beber água que passarinho não bebe (N. 108/1961)

– “Você não é nada modesto para pedir hein Garrincha? Contaram-me que para terminar as obras do seu novo “barraco” você meteu um vale de 300 mil do Botafogo” (N.111/61)

– “Germano parece que tem os dentes maiores que a boca. Só vive rindo o neguinho”

(N.171/62)

– “ Denílson, escurinho do Fluminense não gosta de ser chamado de “negão” pelos seus companheiros. Resultado: estão pensando em chamá-lo de Alvinho” (N.288/1964)

– “Volto ao Tostão: Ele não esquece de escrever constantemente para sua querida Édila, (que tem sobrenome Barbosa, e que conta 16 anos). Numa de suas cartas todo galanteador, o Tostão afirmou que as mulheres europeias são realamente bonitas, mas nenhuma tanto quanto ela, Édila…”

– “ João Saldanha é de morte… Imaginem que ele garante que há uma lista de coleguinhas jornalistas pagos pela C.B.D. Diz o Saldanha que pagaria do seu bolso uma primeira página de jornal se a C.B.D  se dispusesse a dar divulgação do nome desse pessoal”. (N. 389/1966).

Com esta denúncia velada do João sem medo à privilégios concedido a determinados jornalistas na longínqua Copa de 1966 encerro o presente post sobre Pérolas na Revista do Esporte conclamando aos apaixonados pelos temas a estarem presentes na carioquíssima Lapa para uma rodada tripla do esporte na Academia.

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