Brasil X Itália: Tem alguém aí interessado em Futebol?

André Alexandre Guimarães Couto

Olá, caros (as)  leitores (as):

Em uma semana em que a Seleção Brasileira de Futebol empatou com a Itália em 2 x 2, no início do trabalho do treinador Luis Felipe Scolari (versão 2013), lembramos de outro Brasil X Itália na década de 1980.

Calma, não estou me referindo ao fatídico jogo na Copa do Mundo da Espanha, em 1982, quando perdemos de 3 x 2.

Sete anos depois, mais precisamente no dia 14/10/1989, Brasil e Itália jogavam em Bolonha, na preparação da Copa do Mundo de 1990, também na Itália.

Enquanto isto, no Brasil, apesar do interesse na Seleção Brasileira treinada por Sebastião Lazaroni, a população já vivia uma grande expectativa pela eleições presidenciais que ocorreriam no dia 15/11 (1º turno). Depois de tantos anos de ditadura militar e de eleições indiretas em 1985, que levou ao poder José Sarney, substituindo o eleito Tancredo Neves, que falecera logo após a vitória, o país vivia a expectativa de eleger pelo voto direto o próximo presidente da república.

Nada menos do que 22 candidatos de diversos partidos (pequenos, médios e grandes) disputaram o maior cargo do executivo brasileiro. Muitos grupos sociais se fizeram representar como os ruralistas, sindicalistas, industrialistas, ambientalistas e outros “istas”. No final Fernando Collor de Mello, do pequeno PRN, vencia em segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 49,94% dos votos. Os jornais e as televisões davam intenso destaque para o evento político e social mais importante depois de anos para os brasileiros.

Mesmo com um grupo considerado vencedor, pois ganhara a Copa América depois de 40 anos, a Seleção não conseguia empolgar na mídia. Nos jornais e revistas de variedades, o assunto era um só: eleições para presidentes. Na TV, novelas da Rede Globo como Vale Tudo e Que Rei Sou Eu? lançavam discussões acerca da desconfiança no poder público e da construção de uma nova ordem republicana.

Havia, então, espaço para o futebol? Por certo que sim, mas bem menor do que em outros momentos da História. Porém, pensando bem, o espaço alcançado pela Seleção Brasileira refletia um momento de reestruturação da própria CBF, assumida naquele ano por Ricardo Teixeira. Dentre estas mudanças, destacam-se a criação da Copa do Brasil (vencida pelo Grêmio) e a tranformação da entidade numa sólida associação de captação de recursos privados e públicos.

Mas, hoje o interesse pela Seleção é significativo em relação a 1989? Surpreendentemente, às vésperas de uma Copa do Mundo no Brasil, o destaque na imprensa pode ter permanecido o mesmo, mas o interesse pelo público vem diminuindo de forma significativa. À exceção de um ou outro jogador, não temos mais os protagonistas de grandes clubes europeus como em 1989, como astros do Campeonato Italiano (Careca, Alemão e Branco), considerado centro do futebol mundial naquele momento, ou mesmo craques que se destacavam em outros centros como Romário e Bebeto.

Se aquele jogo com a Itália foi importante pelo resultado e por ter sido o primeiro depois do jogo com o Chile no Maracanã, que o Brasil ganhou no campo por 1 x 0 e fora dele por conta da farsa promovida pelo goleiro Rojas, a conjuntura brasileira, na prática, exigia outras demandas de preocupação e de interesse. A seleção formada por Taffarel, Jorginho, Aldair (André Cruz), Ricardo Rocha, Mauro Galvão e Mazinho; Dunga, Alemão (Geovani) e Silas (Tita); Müller e Careca, procurava uma afirmação às vésperas de uma Copa do Mundo. Coincidência ou não, este é o panorama que temos hoje. Para os saudosistas, como eu, segue o gol (aliás, golaço) do zagueiro André Cruz.

Porém, até mesmo as revistas de esporte como Placar, se rendiam à cobertura do pleito presidencial, como podemos observar nesta charge publicada na edição de 27.10.1989, acerca do candidato do PRONA, Enéas, representante da ultra-direita brasileira e que se tornou uma figura quase folclórica no meio político e midiático.

eneias4

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