Liga feminina, escola colonial e esporte

por Ana Carolina Schveitzer (bolsista PIBIC/CNPq)

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A Liga Feminina (Frauenbund) da Sociedade Alemã de Colonização (Deutsche Kolonial Gesellschaft) teve um papel importante na promoção da imigração de mulheres brancas para as colônias alemãs no continente africano (BECHHAUS-GERST e LEUTNER, 2009). Criada em 1908 e com sede em Berlim, a Liga Feminina arrecadava fundos através de eventos, palestras e doações. Os recursos angariados eram utilizados para preparar as mulheres e para financiar suas viagens para as colônias alemãs na África.

O número de suas associadas era pouco mais de 4.000 entre 1908 e 1910, mas houve um aumento para 18.500 em 1914 (TODZI, 2008). Muitas mulheres alemãs, ainda que nunca tivessem ido para a África, se envolviam com a “questão da mulher nas colônias”, e faziam doações, assistiam as palestras da Liga Feminina, contribuíram e apoiaram o projeto colonial alemão.

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Fontes iconográficas: SCHMEIDT, Wilhelm R.; WOLCKE-RENK, Irmtraud. Deutsch-Südwets-Afrika: Fotos aus der Kolonialzeit 1884-1918, pp.112-113 (Fotografia 1 e 3): Condessa Schenk von Staufenberg no salto sobre obstáculo de um hipódromo em Berlim, in: Revista Sport im Bild. nr. 16. 1913

Fontes iconográficas: SCHMEIDT, Wilhelm R.; WOLCKE-RENK, Irmtraud. Deutsch-Südwets-Afrika: Fotos aus der Kolonialzeit 1884-1918, pp.112-113 (Fotografia 1 e 3): Condessa Schenk von Staufenberg no salto sobre obstáculo de um hipódromo em Berlim, in: Revista Sport im Bild. nr. 16. 1913

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A vida esportiva feminina nas colônias não se reduzia somente a prática de algum esporte, mas também fazia parte dela a participação em eventos esportivos. Tanto na tribuna durante uma apresentação esportiva quanto no salão nobre dos hotéis – nos quais ocorriam premiações e bailes organizados por uma ou outra sociedade esportiva – a presença feminina era imprescindível para as sociabilidades em torno do campo esportivo na África sob domínio colonial alemão (CORREA 2012b).

Na Alemanha do II Reich, havia uma Escola Colonial em Wietzenhausen e outra em Weilbach, onde as candidatas recebiam uma formação para sua adaptação à vida na África. Para isso, além de técnicas agrícolas e domésticas, ensinava-se noções de higiene tropical e de outros cuidados com o corpo, inclusive por meio da ginástica e de outras práticas esportivas.

Na Alemanha, foi aberta ainda a Escola Colonial de Rendsburg durante a República de Weimar e cujas atividades se prolongaram no período do III Reich. As jovens e mulheres recebiam aulas de ginástica, além de outras práticas esportivas e de lazer. Elas aprendiam também a cavalgar e a atirar. Elas recebiam uma formação de “mulher-soldado”.

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Prática de atletismo, tiro e equitação na Escola colonial de Rendsburg no período entre-guerras. Koloniales Bildarchiv der Stadt- und Universitätsbibliothek Frankfurt a.M

Prática de atletismo, tiro e equitação na Escola colonial de Rendsburg no período entre-guerras.
Koloniales Bildarchiv der Stadt- und Universitätsbibliothek Frankfurt a.M

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Referências:

BECHHAUS-GERST, M.; LEUTNER, Mechthild (Hg.) Frauen in den deutschen Kolonien, Berlin: CH Links Verlag, 2009.

CORREA, Sílvio M. de S. Colonialismo, Germanismo e Sociedade de Ginástica no Sudoeste Africano. Recorde: Revista de História do Esporte.v. 5, n. 2, julho-dezembro de 2012 (a).

CORREA, Sílvio M. de S. Sociabilidades numa pequena cidade portuária do sudoeste africano (1884-1914). Revista Urbana (Dossiê Cidades e Sociabilidades), Unicamp, v.4, n.5, 2012 (b).

CORREA, Sílvio M. de S. As corridas de cavalos no sudoeste africano sob domínio colonial alemão (1884-1914). Trabalho apresentado no II Conferência internacional sobre desporto e lazer  no continente africano: práticas e identidades. Lisboa, 2012 (c).

 DIETRICH, Anette. Weiße Weiblichkeiten: Konstruktionen von „Rasse“ und Geschlecht im deutschen Kolonialismus. Bielefeld: Transcript Verlag, 2007.

SCHMEIDT, Wilhelm R.; WOLCKE-RENK, Irmtraud. Deutsch-Südwets-Afrika: Fotos aus der Kolonialzeit 1884-1918.

TODZI, Kim Sebastian. Rassifizierte Weiblichkeit. Der „Frauenbund der deutschen Kolonialgesellschaft“ zwischen weiblicher Emanzipation und rassistischer Unterdrückung, Universität Hamburg, 2008.

WESSELING, Henri. Les empires coloniaux européens 1815-1819, Paris: Gallimard, 2004.

 WILDENTHAL, Lora. German women for empire (1884-1945), Durham: Duke University Press, 2001.

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