AS RELAÇÕES ENTRE OS GOVERNOS E A CONSTITUIÇÃO DO ESPORTE NA BAHIA

          Coriolano P. da Rocha Junior

         Foi entre fins do século XIX e início do século XX que o esporte viveu sua fase de implantação e busca de consolidação de sua prática, como uma experiência corporal que representava os ideais da modernidade. Por conta disso, foi nesse período que se constituíram as primeiras iniciativas de ligação entre a atividade esportiva e a classe política, vista na figura de seus maiores representantes. Nesse contexto, ao falarmos da Bahia, nos centraremos na figura do Governador J.J. Seabra.

O estabelecimento da existência ou não de uma relação entre a classe política e a prática esportiva pode ser vista no envolvimento direto dos políticos com as atividades, ou numa convivência mediada pelas entidades dirigentes. Assim, entender o papel da participação política, na constituição do esporte nas cidades pode ajudar a análise do próprio desenvolvimento esportivo de Salvador.

            Ao analisarmos as relações do poder político com o esporte, identificamos que na Bahia, J.J. Seabra não foi muito atuante, sem desenvolver ações que tenham efetivamente favorecido o desenvolvimento esportivo, notadamente em seu primeiro governo.

            Em Salvador, o que observamos foi um vazio de ações do poder público em relação às atividades esportivas. Em todo o processo referente ao início e efetivação da prática das modalidades em Salvador, pouco ou nada se viu de participação do governo estadual de J.J. Seabra, por mais que o Governador também estivesse executando seu projeto de modernização para a Bahia (mais fortemente em Salvador).

            Se tomarmos por referência que, para a Bahia e todo o Brasil, o Rio de Janeiro foi o modelo de modernização a ser seguido, e acrescentarmos a própria experiência de J.J.Seabra em terras cariocas, onde viveu e atuou como ministro, fica ainda mais evidente a ausência de qualquer ação do Governador baiano que tenha contribuído com o esporte, ou mesmo que dele fizesse uso.

            O fato de alguns clubes terem como fundadores membros da elite baiana, notadamente a pequena elite burguesa urbana de Salvador, que assim como o Governador desejava modernizar Salvador, nos leva a pensar que J.J. Seabra poderia estabelecer uma proximidade com o esporte, desenvolvendo algumas ações que colaborassem com sua prática, fato que não se deu.

            O máximo que podemos considerar acerca das iniciativas de J.J Seabra que, em algum aspecto, favoreceram o esporte foram as próprias obras de remodelamento e reforma urbana por ele empreendidas e isso, por conta do fato dos participantes das equipes esportivas locais fazerem uso de alguns desses espaços para seus treinos e/ou jogos. Ou seja, eram benefícios indiretos, já que as obras não tinham por fim o esporte, principalmente se considerarmos que esses espaços, a princípio, não deveriam ser usados para o esporte, e sim deveriam servir à municipalidade para fins de ocupação, mobilidade ou deleite.

            Esse afastamento do Governador da Bahia do esporte aconteceu mesmo que os clubes, principalmente os de remo, operassem iniciativas de aproximação. Durante as regatas, que eram verdadeiras cerimônias, eventos sociais relevantes para a cidade, quase sempre havia um páreo com seu nome. Tal fato, além de simbolizar uma homenagem, também pode ser vista como uma forma dos clubes e da própria federação se aproximarem do poder público. Todavia, nem com isso Seabra desviou seus olhares diretamente para o esporte.

O máximo que se viu foi o Governador mandar confeccionar troféus ou medalhas para os vencedores do páreo em seu nome. Contudo, sequer comparecia ao evento, enviando sempre um representante, por mais que as regatas, à época, fossem um palco de celebração de uma modernidade onde a elite baiana, incluindo as mulheres, se fazia presente, assim como os populares.

Sendo assim, podemos considerar que os esportes na Bahia não alcançaram o mesmo nível de desenvolvimento do Rio de Janeiro. Dentre as causas, foi perceptível a falta de apoio à prática esportiva, seja com um financiamento direto ou com apoio político mais extenso.

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