A Olimpíada Nacional em História do Brasil: o esporte como incentivo ao estudo da História

Por Valéria Guimarães

Olá a todos!

Começo este post parabenizando os coordenadores Rafael Fortes e Miguel Archanjo de Freitas Jr. e todos os participantes de mais uma edição bem sucedida do Simpósio de História do Esporte, ocorrido na última semana durante o Simpósio Nacional de História promovido pela ANPUH na belíssima capital potiguar. Que venham muitas outras edições!

Inspirada no clima do evento da ANPUH, escolhi abordar nesta semana um outro grande evento nacional que tem a História como objeto e, puxando a brasa para a nossa sardinha, o esporte como motivação: a Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB).

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Final da Olimpíada na UNICAMP (2012). Fonte: ONHB.

Essa forma inovadora de aprendizagem e reflexão sobre a História, apoiada e incentivada inclusive pela ANPUH, vem alcançando grande sucesso entre professores e estudantes de escolas públicas e privadas do país, utilizando como fórmula os códigos próprios da linguagem esportiva. Na última edição, em 2012, a Olimpíada atraiu quase 65.000 participantes.

Iniciada em 2009, a iniciativa do Museu Exploratório de Ciências da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) é pioneira no campo das ciências humanas, inaugurando uma tradição já bastante sedimentada nas ciências exatas e biológicas, onde são realizadas as olimpíadas brasileiras de Matemática, de Química, de Física, de Robótica, de Astronomia, de Biologia entre outras.

A metodologia empregada na Olimpíada Nacional de História do Brasil  consiste na realização de trabalho em equipe, composta por três alunos e um professor orientador, que, utilizando-se das ferramentas próprias do trabalho do historiador, estudam artigos acadêmicos e analisam documentos escritos, iconográficos,  cartográficos, entre outros, para responderem às questões formuladas nas 6 fases do certame.

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Foto oficial da equipe Cana Caiana, de Maceió: uma das finalistas da ONHB em 2012. Fonte: Facebook ONHB.

As 5 primeiras fases são realizadas à distância, com o envio das respostas pela internet. A final, que reúne as 300 melhores equipes num fim de semana, é feita de forma presencial, onde os alunos respondem as questões discursivas na sede da UNICAMP enquanto que os professores que orientaram essas equipes assistem palestras e participam de mini-cursos com renomados nomes da historiografia brasileira. Os professores e alunos dos cursos de graduação e pós-graduação em História dessa universidade assumem a correção das provas, envolvendo, portanto, todos os segmentos onde é ministrado o ensino de História, do ensino fundamental à pós-graduação. Na manhã de domingo ocorre a cerimônia de premiação.

A conquista da viagem para participar da final é mais um dos atrativos e elementos de sucesso da competição, além das atividades de lazer oferecidas no tempo livre, que incluem passeios à cidade e shows.

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Equipe de estudantes a caminho da ONHB. Fonte: Facebook ONHB.

No cartaz de divulgação da 5ª edição do evento, que terá início no próximo dia 19/08 (escolhido em alusão ao Dia Nacional do Historiador), lê-se a seguinte chamada: “Uma empolgante competição para equipes de oitavo e nono anos do ensino fundamental e do ensino médio de todo o Brasil. Monte sua equipe e venha participar!”

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A ONHB é, de fato, uma moderna e bem sucedida competição esportiva cuja especialidade é o conhecimento de história do Brasil. Os relatos de quem já participou cruzados com as definições acadêmicas acerca do fenômeno esportivo, visto como prática institucionalizada, não deixam dúvida: os ânimos ficam acirrados; os alunos se preparam física, técnica e emocionalmente para o confronto, com a ajuda de um professor orientador (que faz as vezes de um treinador); brotam rivalidades entre estados, entre escolas e entre equipes; a competição atrai patrocínio, apoios e publicidade;  premiam-se os melhores competidores com medalhas que simbolizam o ouro, a prata e o bronze, estabelecem-se recordes, entre outras semelhanças.

Segundo o professor Marcelo Duarte de Almeida, que leciona nas redes estadual e municipal do Rio de Janeiro e já participou de 4 edições da ONHB, indo a 3 finais com suas equipes, “no momento em que os alunos questionam a validade do ensino de História nas escolas e apresentam grande desinteresse em estudar , a ONHB traz a proposta de valorizar o ensino e a aprendizagem da disciplina por meio da experimentação do ofício do historiador e da aplicação prática dos conhecimentos de História na vida diária, utilizando a linguagem da competição esportiva, tão sedutora aos jovens”.

Em poucos dias inicia-se a edição de 2013 da ONHB, mobilizando com sucesso mais uma vez dezenas de milhares de estudantes, seus professores orientadores, suas escolas, suas famílias e suas cidades. Parabéns a todos os colegas envolvidos na organização dessa competição que, com muita originalidade e ousadia, sacode e estimula o estudo da História entre os jovens do país.

Um abraço fraterno.

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