Francisco Velasco: de amador do hóquei a ícone internacional

por Eric Alves dos Santos (bolsista PRAE/UFSC)

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O Hóquei em Patins em Moçambique foi uma das principais modalidades desportivas em Lourenço Marques na primeira metade do século XX e uma das primeiras a ganhar popularidade. O idealizador do primeiro ringue de hóquei em patins naquela cidade foi Giuseppe Buffa Buccelatto, jovem siciliano do ramo de construção civil. Desportista, ele chegou a tornar-se o capitão da primeira equipe de Hóquei em Patins de Lourenço Marques.

Outros jogadores de Hóquei ainda hoje são lembrados com saudosismo. A fase heroica do Hóquei moçambicano compreendeu os anos de1957 a 1964. Nesse período alguns atletas moçambicanos fizeram parte da Seleção Portuguesa de Hóquei.

Periódicos metropolitanos exaltavam os feitos heroicos dos atletas moçambicanos. Também na imprensa colonial se fazia eco ao heroísmo esportivo dos amadores do hóquei em patins. Para ficar num exemplo, foi estampada a figura do jogador de Hóquei Francisco Velasco numa capa do periódico dominical “Diário Ilustrado” de Lourenço Marques no ano de 1958. Francisco Velasco foi considerado um dos melhores jogadores de todos os tempos.

Em entrevista concedida recentemente (Lisboa, 08/03/2013), o ex-jogador e ex-técnico da seleção moçambicana, Francisco Velasco, destacou o predomínio dos jogadores de Lourenço Marques no selecionado português:

 Fomos Campeões do Mundo, da Europa e vencemos todos os torneios internacionais que disputámos, durante cinco anos. Éramos efectivos numa equipa de cinco, com um único metropolitano inserido no time.

Nascido em Goa em 1934 e passado toda a sua infância e adolescência em Moçambique, Velasco esteve presente em cinco desses oito anos de conquistas para Seleção Nacional Portuguesa de hóquei em patins. Francisco Xavier Franco Bélico de Velasco, começou a praticar o hóquei em 1949. Naquele ano, a Seleção Nacional Portuguesa e atual Campeã do Mundo desembarcou em Lourenço Marques para inaugurar o então novo ringue do Grupo Desportivo daquela cidade.

Dividido entre os ringues de hóquei e sua profissão de Topógrafo-Hidrógrafo, Velasco foi literalmente um grande amador do hóquei.

 (…) não vivia do Hóquei, era apaixonado quando jogava, apaixonado quando pensava em termos de Hóquei, mas procurei sempre separar o desporto e a minha profissão, pois não ganhava dinheiro com o primeiro, jogava por prazer, tal como os meus colegas. Era um atleta amador, portanto amava.

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Campeonato do Mundo – Madrid 1960 – Portugal x Espanha.
Em destaque, Francisco Velasco, atleta moçambicano defendendo a seleção portuguesa.

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Alguns jogadores de hóquei de Moçambique circularam por vários cantos do império português. Alguns deles gozaram de fama e prestígio. Ao referir-se sobre a sua estadia em 1961 em Timor Leste (também colônia portuguesa à época), Velasco informou o seguinte:

 Nós, quando chegávamos ou quando andávamos na rua, na estrada, quando ia ao cinema, todos eles nos conheciam. Eu quando fui pra Timor, foi pra fugir do assédio, por que a vida já não era minha, compreende?

Para Velasco, a “época de ouro” do Hóquei em Patins moçambicano foi um período muito criativo, em que os jogadores tinham liberdade para fazer “fintas” com o stick e, talvez, essa forma de jogar conjugada a outros fatores sociológicos pode explicar a popularidade do Hóquei em Patins entre moçambicanos em meados do século XX.

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