El fenómeno, de Jose Maria Elorrieta, 1956.

EL FENÓMENO (CARTEL 1956)
“- Que verguenza!

Este maldito fútbol está embruteciendo a las masas!”

(Prof. Mendes, presidente de um congresso acadêmico)

Hoje vamos apresentar mais um filme produzido sobre uma temática que envolve o futebol; uma produção espanhola de 1956. Trata-se de uma comédia dirigida por Jose Maria Elorrieta e estrelada por Fernando Fernan Gomez (1921 – 2007). Este ator, aliás, vai participar de outra produção já vista nesta coluna, Las Ibéricas F.C., de 1971. Foi um profissional muito conhecido na Espanha e fora dela, integrando o elenco de várias produções cinematográficas, algumas de grande importância na filmografia ibérica (consultar:  http://www.alohacriticon.com/elcriticon/article1784.html).

Em El fenômeno, Fernando Fernan Gomes faz o papel de Claudio Henkel. Esse catedrático, professor de Ética da Universidade de Frankfurt, se dirige a um congresso em Madri. Ao chegar ao aeroporto é confundido com um jogador de futebol russo, Alejandro Pawloxky. Esse equívoco inicial perpassa todo o filme. Claudio, por conta de várias injunções, acaba tendo que se dividir entre as tarefas acadêmicas e as futebolísticas, mesmo nunca tendo chutado uma bola antes. Além de assumir essa dupla personalidade, o protagonista se vê às voltas com uma paixão por uma escritora de romances, Elena Bernal (vivida pela atriz María Piazzai) e os transtornos ocasionados por uma rede de tontos agentes (soviéticos, provavelmente), que não se conformam com a saída de Pawloxky para o ocidente (consultar: http://www.filmaffinity.com/es/film172372.html).

Pois bem, essa comédia vai se alimentar de várias situações cômicas proporcionadas pela troca de identidades entre um intelectual e um futebolista. Nesse sentido, uma das melhores sequências acontece por volta dos 26 minutos. Em conversa telefônica de Claudio com Elena Bernal, escritora que o professor conheceu no avião para Madri, a moça pergunta se ele está contente na capital espanhola. Claudio, ainda sem saber que havia sido confundido, responde afirmativamente. Estava “contentísimo”, pois em nenhuma parte havia sido recebido com tanto entusiasmo. Comenta, assustado, que autógrafos lhe foram solicitados e flores enviadas. E concluí, com uma pausa sarcástica bem demarcada pela interpretação:

– “Que alto es el nível cultural de esse país!”.

Um outro episódio, mais à frente, foi o que destacamos na epígrafe. Claudio Henkel se apresenta aos organizadores do congresso acadêmico que motivara sua visita à Espanha. Nessa ocasião os professores se desculpam com o colega da universidade alemã por não terem conseguido encontrá-lo no aeroporto. Um deles lembra que havia muito tumulto por conta da chegada de um jogador, no mesmo dia:

(Primeiro professor) – Hubo nesse día demasiada [desorden] en el aeropuerto. Todo por la llegada de um futbolista.

(Presidente do Congresso) – Que verguenza! Este maldito fútbol está embruteciendo a las masas!

(outro professor) – Yo también odio este deporte.

(Claudio Henkel) – Pueden creer que a ninguno de ustedes lo aborrezca tanto cuanto a yo.

Enfim, é pois em meio a leves alusões à guerra fria e a uma igualmente leve menção crítica a uma demasiada importância dedicada ao futebol que a fita se equilibra. E, é claro, na expressiva atuação de Fernan Gomes. Bem vale os oitenta e poucos minutos de filme.

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