A FORMAÇÃO DE BAIANOS NA EDUCAÇÃO FÍSICA: PRIMEIROS TEMPOS

Prof. Coriolano P. da Rocha Junior

          Neste blog tenho trabalhado com a História do Esporte na Bahia e hoje, neste post, vou abordar um ponto um pouco diferente, que é a organização da Educação Física na Bahia.

          A Bahia foi um dos últimos estados do país a ter um curso superior para a formação em Educação Física. Por conta disso, as pessoas que desejavam cursar esta área se viam obrigadas a deixar o estado e aí, a opção quase que única era o Rio de Janeiro (RJ), na Escola Nacional de Educação Física e Desportos (ENEFD).

          A ida para a cidade, que foi por longos anos a capital brasileira, além da formação em si, permitia também um conjunto de vivências e experiências na área e fora dela. Na maioria das vezes, as pessoas faziam a opção por cursar Educação Física, por possuírem experiências diversas com a prática esportiva e atividades corporais variadas, fato que caracteriza um perfil de curso e de ingressantes nele e que ajudou a marcar a própria Educação Física.

          O desejo em buscar uma formação em Educação Física, também vinha deste acúmulo de experiências com as atividades e também, mostravam uma vontade em colaborar com a organização da área na Bahia. O que se queria era ampliar e qualificar o desenvolvimento destas atividades no estado e mais, trabalhar na criação de um Curso Superior baiano.

          A presença de pessoas de fora do RJ na ENEFD era possível, dentre outras coisas, pela concessão de uma bolsa de estudos, que visava ajudar na manutenção financeira. Entretanto, os que possuíam a bolsa, deveriam também exercer uma série de deveres, como: não ter reprovações; ter boas notas, não ter faltas, além de não poderem trabalhar. Também, existia a exigência de que os bolsistas, ao final do curso, voltassem ao seu estado de origem e trabalhassem na implementação da Educação Física.

          Outro aspecto que marcou a entrada das pessoas da Bahia na ENEFD era a realização do processo de seleção. Este, além das provas de conhecimento, tinha também exames médicos e psicológicos e ainda, provas de capacidade física. Todas estas etapas da seleção eram realizadas na própria Bahia. Destaca-se aqui o valor dado às provas de cunho corporal, demonstrando que se esperava dos candidatos um grau de habilidade corporal e desempenho físico alto, fator que em parte, explica o anterior envolvimento dos candidatos com a questão esportiva e corporal.

          Um elemento que se destacou entre os baianos que frequentaram a ENEFD, é que a maioria era oriunda de camadas da população de renda baixa ou média, ou seja, eram pessoas que precisavam da formação superior, até mesmo como uma forma de colocação social. Esta situação fazia com que a bolsa fosse um fator essencial para a permanência no RJ e por esta não atender as necessidades financeiras, por vezes, buscavam trabalhos outros.

          Estas outras experiências profissionais aconteciam em atividades diferentes, mas interessa-nos as que se davam na Educação Física. Estas vivências permitiam aos alunos um contato com a atuação na área, dando-lhes oportunidade de desenvolverem e acumularem conhecimentos acerca das questões afeitas ao exercício da profissão. Em algumas situações, estas práticas se davam que houvesse algum tipo de remuneração, mas mesmo assim, foram importantes.

          Outro ponto de destaque foi a presença de baianos junto ao movimento estudantil. Vários dos alunos baianos na ENEFD, mesmo os bolsistas, participaram de entidades estudantis, como a Associação Atlética, o Diretório Acadêmico e o Diretório Central Estudantil. Toda esta participação política, é claro, também contribui com a formação destes baianos, dando a possibilidade de criar campos de experiência para além das possíveis nos bancos da Universidade e mesmo, nas experiências profissionais.

          Assim, neste post, apontamos que a Educação Física na Bahia, como área, sofreu direta influência da formação de acadêmicos(as) que passaram pela ENEFD e retornaram ao estado. Ainda, o esporte como área de experiência e intervenção também teve grande peso e mais, que a estada de baianos no RJ, só foi possível, pela existência de bolsas, possuindo uma seleção específica, com forte peso nas capacidades físicas. Estando no RJ, além da sala de aula, baianos(as) também atuaram politicamente na Universidade.

          Esta condição, quase que obrigatória, de deslocamento para o RJ, a fim de cursar Educação Física, perdurou até os anos de 1970, quando se criou na Bahia o primeiro curso superior em Educação Física. Foi assim, que esta área de conhecimento se fez na Bahia.

 

Nota:  Este post foi construído com base no texto MEMÓRIAS DE PIONEIROS DA EDUCAÇÃO FÍSICA: BAIANOS NA ENEFD, de autoria de Roberto Gondim, Coriolano Rocha Junior e Felipe Marta, publicado na Revista Recorde.

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