Do transporte ao lazer: propagandas de bicicleta entre as décadas de 1950 e 1970.

Por André Schetino

Olá amigos do História(s) do Sport.

No meu post de hoje vou falar sobre um de meus assuntos preferidos: as bicicletas e o ciclismo. Acabo de ler um trabalho muito Interessante da Thaís Junqueira, historiadora formada pela UFMG. Intitulado “Para transporte ou passeio? Propagandas brasileiras de bicicletas (décadas de 1950/1970)”, o trabalho analisa 11 anúncios de bicicletas veiculados em revistas de grande circulação à época: O Cruzeiro, Manchete, Seleções e Quatro Rodas.

O artigo foca suas análises nas representações sobre o trânsito e o transporte urbano. Muito legal perceber como a bicicleta já foi muito propagandeada como meio de transporte – inclusive em uma revista voltada para os automóveis, como a Quatro Rodas.

Anúncio das bicicletas Monark. Revista Seleções, agosto de 1961.

Anúncio das bicicletas Monark. Revista Seleções, agosto de 1961.

Ao mesmo tempo, percebemos que com o passar do tempo, as políticas de mobilidade totalmente voltadas para os automóveis nas grandes cidades mudaram o foco dos anúncios de bicicletas. Vale lembrar que entre as décadas de 50 e 70 inúmeras iniciativas fizeram aumentar muito o número de automóveis nas grandes cidades brasileiras, como a abertura de estradas e rodovias, a construção do Parque Automobilístico, entre outras. Menos ligado ao transporte, o discurso passa a ser do uso da bicicleta nos momentos de lazer.

Anúncio da Monark na Revista Quatro Rodas, julho de 1976.

Anúncio da Monark na Revista Quatro Rodas, julho de 1976.

Assim que o trabalho da Thaís for publicado eu divulgo o link aqui no Blog.

Mas os discursos sobre as bicicletas ultrapassam a questão do transporte/lazer. No mesmo ano do anúncio acima (1976) a Monark veicula um anuncio na TV abordando outros temas, também ligados ao contexto de crescimento das grandes cidades.

A bicicleta além de um meio de transporte eficiente, era também “saúde” e “antipoluição”. As imagens também são variadas, tendendo a mostrar um pouco mais a ligação desse veículo ao lazer.

Se na década de 70 percebemos esse enfraquecimento da bicicleta como meio de transporte nas grandes cidades, atualmente a “magrela” volta a ganhar força. Organizações de ciclistas urbanos em diversas cidades brasileiras tem sido responsáveis pela inclusão da bicicleta na agenda da mobilidade urbana novamente. Como consequência disso temos visto o aumento de ciclovias e políticas para o uso da bicicleta como meio de transporte em várias cidades.

Quem sabe no futuro não viveremos uma nova “primavera das bicicletas”?

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