Ginástica e carnaval

por Victor Andrade de Melo

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No nosso cronograma anual, coube-me escrever o post da segunda de carnaval. Grande injustiça para com um carnavalesco fervoroso!! Como escrever algo decente já inebriado pelas festividades momescas? Como produzir algo pensando nos dias mais felizes do ano que finalmente chegaram depois de insuportáveis mais de 300 dias sem carnaval?

Farei então um post híbrido, meio informação, meio festa! A parte da informação versará sobre os bailes de carnaval em uma sociedade ginástica do século XIX. A festa será celebrada por flashs dos blocos cariocas que mais gosto.

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Vários clubes e sociedades ginásticas promoveram bailes de carnaval no Rio de Janeiro do século XIX. Por exemplo, a Sociedade Francesa, que era bastante festiva e cujos eventos tinham grande repercussão nos jornais fluminenses, promovia festas carnavalescas muito elogiadas. Foi inclusive uma das responsáveis por introduzir na cidade os bailes de máscaras, durante décadas muito apreciados.

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Nenhuma sociedade ginástica ganhou tanto renome no carnaval quanto o Congresso Ginástico Português. Seu formato mais popular e a animação de suas festas marcou época! A agremiação chegou a promover eventos conjuntos com outros grupos de carnaval, como os Fenianos. Como se anunciou em certa ocasião:

Mais uma vez a rapaziada congressista, eterna amiga e aliada do soberano-Zé-povinho, resolveu franquear os confortáveis e luxuosos salões de seu palácio a todos os sexos, idades e condições que constituem o sempre respeitável publico ordeiro e folgazão, para com ele fraternizar nos dois esplêndidos bailes à fantasia (Gazeta de Notícias, 16/2/1879).

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Em todos os carnavais, os eventos do Congresso marcavam lugar na agenda dos foliões. Eram considerados entre os mais animados das festas momescas. João Coelho, em 1885, dedicou um folhetim exclusivamente a um baile à fantasia do clube. O cronista era só elogios: à organização da atividade, à ornamentação do edifício, à qualidade da música e da comida, ao clima agradável e aos modos dos presentes. Curiosamente, apresentações de ginástica integravam a programação dessas festividades, algo improvável nos dias de hoje.

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De fato, com o decorrer do tempo, o clube conseguiu construir uma marca, distinguindo-se do Clube Ginástico: “O Congresso não tem retórica, tem músculos e vive pela elasticidade e fortaleza deles. Há uma coisa que paira mais baixo do que a filosofia, e tem aspirações muito mais modestas – a caridade”. Para o cronista, a agremiação não ficava de braços cruzados esperando privilégios, entabulava iniciativas que uniam o “útil ao agradável”. Por reconhecer os benefícios de sua ação, enviava “um agradecimento sincero de brasileiro patriota ao Congresso Ginástico Português”.

 Curiosamente, a sua vinculação com o carnaval fazia parte do delineamento desse perfil.

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