Os campeões de boxe em Bangu

Por Nei Jorge dos Santos Junior

No segundo sábado de janeiro de 1913, o subúrbio de Bangu experimentou a sensação do violento esporte britânico: o boxe[1]. O “match”, entre o campeão inglês Joe Krans e o já famoso americano Ben Smith despertou uma enorme curiosidade entre os residentes da região, que lotaram o cinema Bangu ansiosos pelo tão esperado espetáculo. Antes da luta, para agraciar ainda mais o show, o público pôde desfrutar de filmes dos melhores fabricantes, demonstrando, nas palavras do entusiasmado cronista, a modernidade local[2].

Certamente, até pela quantidade de estrangeiros no bairro, a região banguense vivia rodeada de atividades de lazer, fossem nos clubes dançantes e recreativos, que animavam a região com grandes bailes e festas, ou até mesmo nos esportivos, que atraiam um grande público em suas atividades, fosse no futebol, críket, tênis, tiro ou até mesmo no citado Boxe.

Talvez por essa razão, o evento tenha atraído um enorme público, mesmo havendo um empate em sua primeira aparição, o que forçou uma nova luta no dia corrente, domingo. Logo, o novo desafio despertou uma procura ainda mais acirrada por ingressos, lotando o charmoso cinema local.  Dessa vez “foi deveras emocionante a peleja, tendo havido golpes lindos em que ambos se mostraram acadêmicos no violento sport”[3].

Os rounds sucederam uns aos outros sem resultado, quando finalmente no “quinto assalto Krans sentiu indisposto e no sexto tombou e morreu devido ao seu estado de saúde”[4]. A torcida ensandecida pelo espetáculo aplaudiu de pé Ben Smith, que agradeceu a espacial manifestação do público.

Ben Smith

Campeão norte-americano Ben Smith.

Minutos após o fim da luta, “o destemido campeão brasileiro Waldemar de Medeiros”[5], que assistira à luta, levantou-se e desafiou logo o vencedor para um match, o qual despertou rapidamente o mais vivo interesse do público. Para o cronista, o acanhado cinema, naturalmente, será pequeno para este novo desafio[6].

Após dois encontros, Ben Smith sagrou-se vencedor, derrotando o brasileiro e sendo novamente aplaudido de pé pela população banguense[7].

De fato, esses eventos estavam em voga na cidade do Rio de Janeiro. Lutas de boxe, já mostravam-se atrativas desde os fins do século XIX, estando sempre presentes nos principais periódicos da antiga capital federal. Contudo, não deixavam de ter suas matizes e, por essa razão, sendo veemente criticadas como “violentas” e “repletas de acidentes graves”[8].

Mesmo assim, os jornais davam um espaço significativo ao “terrível esporte bretão”[9].  O próprio Ben Smith fez lutas em diversos espaços bem conhecidos da cidade, entre eles o Circo Spinelli, Cinema Theatro Rio Branco, Colyseu Sul Americano, Pavilhão Internacional, Maison Moderne, entre outros.

[1] O Imparcial, 15 de janeiro de 1913.

[2] O Imparcial, 15 de janeiro de 1913; A Epoca, 18 de janeiro de 1913.

[3] O Imparcial, 15 de janeiro de 1913, p.6.

[4] O Imparcial, 15 de janeiro de 1913.

[5] A Epoca, 18 de janeiro de 1913.

[6] A Epoca, 18 de janeiro de 1913

[7] O Imparcial, 21 de janeiro de 1913.

[8] O Imparcial, 18 de janeiro de 1914, p.12.

[9] A imprensa, 28 de dezembro de 1913.

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