Nas páginas dos jornais, nas ondas do rádio

Durante alguns meses tive um blog chamado “Rio, Cidade Sportiva”. Gostava muito de alimentá-lo, mas o excesso de tarefas me impediu de dar sequência à iniciativa. Lamentavelmente, alguns posts que gosto muito ficaram por lá meio perdidos. Hoje tomo a iniciativa de republicar um deles, dedicado à relação entre imprensa e esporte. Espero que o leitor mais rigoroso perdoe-me por essa opção (bem como que possa ser de gosto de todos que comumente acompanham nosso História(s) do Sport).

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Em função de ter desempenhado o papel de mediação, os meios de comunicação foram de grande importância na configuração do esporte, obviamente não de forma independente e alheia, mas sim traduzindo de forma ativa (isso é, também interferindo) os diversos vetores de poder que compõem qualquer quadro social.

Nosso post de hoje é dedicado a apresentar algumas cenas curiosas da imprensa esportiva do Rio de Janeiro, que desde o século XIX se estruturava, seja no âmbito dos periódicos de grande circulação, seja com a criação de jornais integralmente dedicados ao tema.

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Fotos de regatas realizadas na Praia de Botafogo, publicadas em Careta, ano 1, número 2, junho de 1908

Fotos de regatas realizadas na Praia de Botafogo, publicadas em Careta, ano 1, número 2, junho de 1908

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Abaixo vemos uma guarnição do Clube de Regatas Boqueirão do Passeio, vencedora de um páreo denominado “Imprensa”, promovido em regatas realizadas em 1912, na Baía de Guanabara, na altura do Pavilhão de Regatas (Praia de Botafogo).

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Páreos em homenagem à imprensa são realizados desde o século XIX, em competições de turfe e de remo. Na verdade, havia uma relação ambígua entre clubes e jornalistas. De um lado, os segundos eram acarinhados e valorizados pelos primeiros, já que eram de importância para a difusão das atividades: a publicação nos periódicos trazia público e aumentava o prestígio. De outro, os conflitos eram frequentes, ocorrendo quando eram denunciados os problemas de organização dos certames esportivos.

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Jornalistas no varandim da imprensa, que dispunha de boa visibilidade e era cercado de conforto, do Hipódromo do Derby Club

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Outra cena curiosa é a da Gruta da Imprensa. A construção se deu na gestão do prefeito Alaor Prata e a denominação tem relação com os jornalistas que ali se posicionavam quando começaram a ser realizadas provas de automobilismo na região, o famoso Circuito da Gávea. Os jornalistas eram fundamentais na difusão das imagens heróicas construídas ao redor das disputas.

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Outra história incrível é narrada por André Decourt em seu magnífico “Foi um Rio que Passou”. Em 1931, a Rádio Clube do Brasil tentava transmitir os jogos realizados no Estádio São Januário. Como os dirigentes do Vasco da Gama queriam cobrar para tal, o que era inviável nos momentos iniciais da rádio no país, só restou aos radialistas transmitir as partidas de uma casa que se situava nas redondezas, usando binóculos para tal.

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Amador Santos e a equipe da Rádio Clube do Brasil. Disponível em http://www.rioquepassou.com.br/2007/07/23/a-imprensa-e-o-futebol/

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O rádio, muito antes da televisão, e talvez até os dias de hoje, se transformou no grande companheiro de quem acompanha o futebol. As vozes dos grandes locutores fazem parte da memória afetiva de muitos brasileiros e brasileiras. Mesmo para muitos que iam para os estádios assistir aos jogos, os aparelhos eram companhias fundamentais, como podemos ver na belíssima imagem abaixo.

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Disponível, com uma linda descrição, no fotolog Saudades do Rio, de Luiz D’: http://fotolog.terra.com.br/luizd:2487

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O rádio foi também um importante veículo para a difusão da ginástica. Um dos principais nomes ligados a tal iniciativa foi o do professor Oswaldo Diniz Magalhães, que marcou a vida de muita gente que acompanhava diariamente suas aulas. Foram incríveis mais de 50 anos no ar.

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Professor Oswaldo ministrando suas aulas na Rádio MEC. Disponível em http://lilianzaremba.blog.uol.com.br/arch2007-07-08_2007-07-14.html

Professor Oswaldo ministrando suas aulas na Rádio MEC. Disponível em http://lilianzaremba.blog.uol.com.br/arch2007-07-08_2007-07-14.html

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Não tem jeito. É falar de futebol e de rádio e imediatamente vem à cabeça a imagem do velho João, meu pai, “assistindo” angustiado o jogo do mengão, andando ao redor da vitrola de luz verde. O novo João, meu filho, certamente não adotará prática semelhante, mas não deixa de ser motivo de orgulho que mais uma geração da família seja rubro-negra.

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