A Universidade Federal da Bahia e o lazer na cidade de Salvador

Wilson de Lima Brito Filho

Neste blog temos trabalhado com a história do esporte na Bahia, hoje, vamos trazer alguns elementos sobre o lazer e sua constituição, num diálogo com a criação da Universidade Federal da Bahia.

Fundada em 1946, e fruto de uma “batalha” de anos de tentativas dos baianos em criar uma Universidade na Bahia, ela se estabeleceu, no sentido de ter Salvador (entendida no contexto local como cidade da Bahia) uma Instituição que fosse capaz de apresentar e desenvolver o universo de produção acadêmico científica. Esse desejo de séculos traduzia a necessidade de uma entidade que fosse incentivadora da transformação dos modos de fazer, articulando o popular e o erudito.
A Universidade Federal da Bahia (UFBA) ocupa, desde então, um papel de destaque na formação de profissionais, proposição de transformações sociais e variados movimentos que são responsáveis pela leitura das realidades locais, numa constante articulação, influenciando e sendo influenciada constantemente nos seus fazeres.
O local de destaque da UFBA, no universo baiano, bem como, importância nas tomadas de decisão locais, a faz responsável, em grande quanta, pelos diálogos afeitos à diversidade de opinião, de saberes e conhecimentos – sejam elas de massa, populares ou eruditos.
Salvador, quando da época de fundação da UFBA, vivia um declínio da economia agroexportadora e a frustração de um projeto industrialista, via-se envolta nas questões relacionadas às duas Grandes Guerras e, também sendo parte de um movimento nacional, que embora tenha permanecido em estado de hibernação, começa a encontrar esteio para um processo de redemocratização do país, articulando-se com as lutas do Brasil e à conquista de um governo democrático participativo. Insta ainda frisar que, a cidade, nutria um desejo, sobretudo das elites, de perseguir um “ideal de modernidade” que se assemelhasse aos vividos na cidade do Rio de Janeiro e na Europa (modelos de civilização à época).
Frente a esse cenário de articulação político econômico, também apresenta Salvador, a efervescência com o desenvolvimento de atividades artístico culturais, tendo o teatro, o cinema, a música, os frequentes festejos de ternos e demais festas populares de cunho profano religioso, a frequência a espaços públicos como os clubes sociais, praias, etc como principais vivências no âmbito da cultura, traduzindo uma grande produção e vivência artístico cultural, própria ao universo baiano, constituindo assim suas oportunidades de lazer
Esse cenário, que articula uma condição “provinciana” a um “ideal – e modelo – de modernidade”, tem na UFBA, sobretudo pelas “elites baianas” a grande promessa de redenção das massas através do progresso tecnológico mas, sobretudo cultural, perseguindo uma Universidade que fosse “o farol do desenvolvimento e da modernidade baiana”.
Dessa forma, a criação de cursos voltados à arte e cultura, as transformações frutos do desenvolvimento tecnológico com a chegada dos automóveis e demais equipamentos, a constante movimentação de acadêmicos na construção de acessos aos potenciais artísticos culturais presentes na realidade local, os diversos movimentos de trocas culturais entre a Bahia e demais IES nacionais e “modelos mundo” cria um contexto de transformações e, no mínimo diálogos constantes na perseguição do ideal baiano, revelando rotas, rotinas e rupturas que se confrontam, excluem e complementam nas tramas soteropolitanas.

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