Mauro Shampoo – jogador, cabeleireiro e homem (2005)

Mauro Shampoo CARTAZ

Hoje vamos tratar de um curta metragem. Salvo engano, ainda não havíamos lidado com filmes com essa duração; uma lástima, dada a boa produção nacional nesse formato e as interessantes abordagens sobre o futebol, nesse modelo reduzido. Um outro link pertinente é que o autor deste post atua, há 15 anos, na coordenação de um cineclube de Escola, o Cineclube Olho na Cena, o qual reexibiu esse pequeno filme em julho, com boa aceitação do público (quem tiver curiosidade pode dar um pulinho no nosso face: https://www.facebook.com/CineClubeEteab).
Pois bem, a película tem um título jocoso: Mauro Shampoo – cabeleireiro, jogador e homem (de Leonardo Cunha Lima & Paulo Henrique Fontenelle, 20’, 2005). Conforme a sinopse, trata-se de obra sobre o “ex-jogador de futebol e folclórico cabeleireiro da cidade de Recife. Com apenas um gol marcado em toda carreira, alcançou a fama como atleta-símbolo do Ibis Sport Clube, que entrou para o Guiness Book como ‘O pior time de futebol do mundo de todos os tempos’”(disponível em: http://portacurtas.org.br/filme/?name=mauro_shampoo_jogador_cabelereiro_e_homem).
Aqui já temos uma indicação instigante. A trajetória de Mauro Shampoo é curiosa. Mauro Teixeira Thorpe foi menino de rua, em Recife. Dormia na rua e, aos poucos, foi construindo uma profissão (vendedor de pastéis, engraxate e cabelereiro). E tentou ser jogador de futebol. Um dos trechos mais comoventes do curta faz menção a esse começo difícil e à ascensão social de Mauro. Com orgulho e lágrimas, o ex atleta do Ibis registra que conseguiu uma casa, uma família, educação para os filhos e “um respeito da porra” de todo o pessoal. Uma vitória e tanto.
Por outro lado (mas simultaneamente) essa escalada foi muito alavancada pelo seu insucesso no Ibis (dele e do time). O incrível percurso de Shampoo e de seu clube, que contabilizou dezenas de derrotas sucessivas, goleadas de mais de dois dígitos e o “ápice” com a indicação ao Guiness, catapultou (pela bizarrice?) uma popularidade da instituição e de seu mais carismático elemento. Um jogador/cabeleireiro de longos fios, inspirado em Maradona (o cabelo), camisa 10 e com um único gol na passagem pelo time que o “consagrou”. Realmente é inusitado.
Oswaldo Montenegro, que escreve uma canção para Mauro, o define como “o centroavante glorioso da derrota”, que a “tristeza enxota”. Um “anticraque dessas lidas”. Meio “pereba, artista, herói” e que faz “do vexame uma festança” (A incrível história de Muro Shampoo – Disponível em: http://letras.mus.br/oswaldo-montenegro/809094/).
Na verdade, o que eu gostaria de destacar é isso. O conto da derrota que se transforma em vitória. Mesmo para descrever a história do pior time, do pior camisa 10, segue-se, na narrativa que envolve o esporte, a máxima da superação. E como poderia deixar de sê-lo? Como transformar em estória exibível a ampla derrota? Talvez daqueles que não tenham conseguido transmutar o fiasco do Ibes, como time de futebol, em holofote pessoal (Mauro Shampoo foi genial nessa função; demostrando genuíno e raro talento para a autopromoção). Mas para cada vencedor há uma multidão de tentadores. Nunca teremos produções que abordem essa vertente (ao final de contas extremamente majoritária) do desporto?
Acho que a questão vale um novo post. Vamos ver.

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