O turf suburbano: o club de corridas Santa Cruz

Por Nei Jorge dos Santos Junior

O Bairro de Santa Cruz, estabelecido na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, cuja importância histórica se confunde com a colonização do Brasil, teve outros momentos além dos trabalhos jesuíticos e o espaço de veraneio para a família real. Na primeira década do século XX, a região mostrou-se um verdadeiro espaço de entretenimento, sendo um dos principais palcos do Turf carioca.

Fazenda Santa Cruz – Revista da Semana 22/04/1933.

Fazenda Santa Cruz – Revista da Semana 22/04/1933.

A inauguração da nova pista atraiu, em março de 1913, olhares dos mais variados periódicos, nos quais analisaram com detalhes as instalações dessa simpática sociedade. Além da nova pista de 18 metros, a maior da cidade, o prado, construído nos campos do Coronel Ernesto Durisch, obedeceu exclusivamente ao traçado de seu ilustre e dedicado presidente Dr. Avelino Pinto, que não poupou esforços para exilo de sua festa[1]. Para o deslocamento de aproximadamente 64km, muito concorreu a boa vontade do ilustre “turfmen” Dr. Paulo de Frontin, disponibilizou dois trens especiais destinados exclusivamente para os dias de corrida, sendo um às 7h da manhã para o transporte de animais; outro especial para passageiros, às 11:40, o qual chegará por volta das 13:30 da tarde[2].

O Imparcial, 25 de março de 1913.

O Imparcial, 25 de março de 1913.

As arquibancadas achavam-se lotadas, fato que se estendeu por anos, demonstrado a paixão fervorosa d’esse sport[3]. Para o cronista d’Imparcial, o entusiasmo por esse “meeting” já se vinha notando desde muitos dias, tanto que ontem era extraordinária a procura de convites, o que forçou a diretoria deste club a franquear às pessoas que forem daqui da cidade, a entrada nas dependências do prado, no que andou acertadamente[4].

A festa seguiu animada, com os diversos páreos bem disputados, tendo por vencedores os animais: Vanda e Pourquoi Pás, Hacanéa e Flor de Liz, Baroneza e Fé, Epsom e Ilka, Bem e Humayta, Breva e Jupira.

Careta, 23 de março de 1918.

Careta, 23 de março de 1918.

Apesar do sucesso, a sociedade não escapou de críticas, principalmente referentes às instalações, tais como: arquibancadas, casa de poule, botequim, sala para a imprensa, entre outro[5]. Contudo, a avaliação foi positiva, principalmente tratando-se de uma corrida inaugural.

[1] O Imparcial, 23 de março de 1913; O Imparcial, 17 de janeiro de 1913; O Malho, 29 de março de 1913.

[2] O Imparcial, 23 de março de 1913.

[3] O Malho, 29 de março de 1913.

[4] O Imparcial, 23 de março de 1913.

[5] O Malho, 29 de março de 1913.

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