Um time show de bola (ESP/ARG/RU/ EUA, Juan José Campanella, 2013)

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Hoje vamos dedicar algumas palavras a um filme de animação. Não me recordo de ter comentado outra película do gênero, neste blog; então se trata de uma estreia. Um debut de certo peso, diga-se de passagem. Um time show de bola tem a direção de Juan José Campanella, um diretor argentino, nascido em 1959, na cidade de Buenos Aires. Campanella não dirigiu muitos filmes (nove longas), mas emplacou grandes sucessos e, principalmente, é responsável por um pequeno conjunto de preciosidades. Lembremos de O filho da noiva (2001), Clube da lua (2004), O mesmo amor, a mesma chuva (1999) e O Segredo dos seus olhos (2009). Este último obteve o Oscar de melhor filme estrangeiro, além de outros prêmios (o número relativamente pequeno de obras conquistou importantes e variados prêmios internacionais: Ariel Awards, 2009; Festival de Cartagena, 2001; Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, 2009; Goia, 2009 etc. – Ver http://www.papodecinema.com.br/artistas/juan-jose-campanella, consultado em 30 de novembro de 2015).

Muitos dos leitores que certamente já viram um ou mais dos filmes acima, também vai estar atento à dobradinha que o diretor portenho vem fazendo com o talentoso ator Ricardo Darím. Parceria que vem dando mais do que certo. Pois bem, no que tange nossa praia, ou seja, produções fílmicas a partir do futebol, Campanella já havia fornecido algum material pertinente. Referimo-nos a uma já famosa sequência de O Segredo dos seus Olhos, na qual se dá uma busca e perseguição no interior do estádio do Huracán (Estádio Tomás Adolfo Ducó; ver http://wp.clicrbs.com.br/zoom/2010/06/23/como-foi-feita-a-sensacional-cena-do-estadio-no-longa-%E2%80%98o-segredo-dos-seus-olhos%E2%80%99/?topo=52,1,1,,165,e165 . Consultado em 30 de novembro de 2015).

Não obstante, o melhor filme de língua estrangeira de 2009 (Oscar) não é um filme sobre o esporte bretão. De acordo com Campanella, nem mesmo Um time show de bola se enquadraria nesse rol. Senão, vejamos:

Em todos os filmes que fiz, nenhum fala sobre futebol. Mesmo O Segredo dos seus Olhos, naquela cena específica, os jogadores em campo aparecem por segundos, pois o foco está na torcida e nos olhos do protagonista. Metegol é nome que damos ao pebolim, e também não é um filme sobre futebol, da mesma forma que poderia ser dito que Rocky (1976) não é um filme sobre boxe (Entrevista do diretor em 14 de agosto de 2012. Disponível em: http://www.papodecinema.com.br/entrevistas/os-segredos-de-juan-jose-campanella. Consultado em 30 de novembro de 2015).

Então, do que trata Metegol? Juan José nos esclarece:

não gosto de futebol (…). O que me interessa, no entanto, é a paixão que o futebol desperta. A mim não me comove, mas nos outros vejo que é algo muito importante (Idem).

A “paixão” seria o substrato. A paixão entre o personagem de Amadeo e Laura; de Amadeo pela sua brincadeira de infância (o totó); entre pais e filhos, entre multidões e as emoções proporcionadas pelo jogo (futebol). Dentre outras.

Me ocorreu agora que ainda nem descrevi o enredo básico. Vamos a ele. Amadeo é um jovem que vive e trabalha num bar de um pequeno vilarejo. Joga totó à vera e tem uma queda por Laura. Colosso é seu contraponto e fecha o trio amoroso. Em uma partida de pebolim de proporções épicas (para os parâmetros de seu pequeníssimo pueblo natal), o garoto derrota seu rival. Uma vitória cheia de consequências, pois Colosso vai se tornar um mega astro do futebol profissional e, ressentido, comprará a cidade inteira e voltará para uma revanche, agora nos gramados. Ah, nesse meio tempo os jogadores do totó ganham vida e parte considerável da centralidade da película (para uma sinopse menos sucinta ver http://www.cinefoot.org/portfolio-item/um-time-show-de-bola/. Acessado em 30 de novembro de 2015).

Bom, mais duas coisas, pelo menos. Primeiramente a empreitada do cineasta argentino no campo da animação. Não é seara fácil, ele mesmo reconhece. A produção custou US$20 milhões, durou mais de cinco anos, mas conseguiu bom retorno de público (só na Argentina teve 2,1 milhões de ingressos vendidos). E também serviu como exemplo/manifesto político cinematográfico:

Precisamos acabar com esse monopólio e com o preconceito contra a participação de outros países que não os EUA na animação (Matéria em O Globo: “Filme de Juan José Campanella conquista o Festival do Rio”. Disponível em: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-181488/#. Consultado em 30 de novembro de 2015).

Aliás, a qualidade técnica chama a atenção e consiste, sem dúvida, em um dos pontos fortes da fita. Destacaria também a sequência inicial, com uma animada espécie de versão futebolística dos primeiros takes de 2001- Uma Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick, 1968). Imperdível.

Dos limites eu não vou falar, só depois que vocês virem o filme, já que a aposta é a de que vale a pena.

Até a próxima!

 

 

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