O ano esportivo acabou… Só que não.

Olá, caros(as) leitores(as):

O ano de 2015 acabou e com ele os eventos esportivos também se foram. Porém, um dos últimos suspiros do esporte neste ano será a tradicional Corrida de São Silvestre, que apesar de ser muito conhecida, tem uma série de particularidades que muitos de nós desconhecemos.

Criada em 1925 e que, portanto, comemora-se 90 anos neste próximo dia 31 de dezembro, a prova homenageia o Papa que governou a Igreja entre os anos de 314 e 355. São Silvestre morrera justamente no último dia do ano cristão de 355.

O santo São Silvestre

Fonte: http://www.saosilvestre.com.br/historia/o-santo/.

Apesar da corrida ter se popularizado ao longo do século XX, não podemos dizer o mesmo sobre a fé dos brasileiros sobre este santo, ainda pouco conhecido por boa parte da população. Inclusive, existem apenas três paróquias deste santo em todo o território nacional: Jacareí (SP), onde se localiza o distrito de São Silvestre, Viçosa (MG) e Maringá (PR).

Já sobre a corrida, podemos dizer que teve origem em 1925 a partir da ideia do jornalista Cásper Líbero, que após uma viagem à França, trouxe a proposta de promover uma corrida noturna no Brasil. Apesar de não termos notícias de outras corridas oficiais noturnas, não podemos ter certeza, por ora, de que as mesmas não ocorriam até então. Todavia, a São Silvestre tornou-se bastante popular nos anos subsequentes e atingiu uma marca bastante interessante: nunca fora interrompida, o que nos leva a refletir que o final de ano era um momento oportuno para uma nova prova esportiva, devido ao espírito festivo e celebrativo em que as pessoas costumavam se encontrar, como nos dias de hoje.

Apesar da intervenção direta da imprensa por meio do jovem jornalista, a maior parte dos jornais simplesmente ignorou o evento esportivo nos primeiros anos.  Seu sucesso nas ruas, porém, reorganizou a pauta da imprensa esportiva local e nacional em poucos anos.

 https://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/4/43/SaoSilvestre1.jpg

Primeira Edição da Corrida. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Corrida_Internacional_de_S%C3%A3o_Silvestre.

Somente em 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a competição tornou-se aberta a participantes de outros países da América do Sul, por meio de convite. Apesar de não sabermos os critérios deste convite, percebemos uma clara intenção de internacionalizar o evento, agora em um ambiente de euforia pacifista mundial do pós-Guerra. Apenas dois anos depois, a corrida ampliava seu leque de participação, permitindo a presença de atletas de várias partes do mundo.

É bem interessante percebermos o nascedouro da corrida por meio dos seus primeiros trajetos, porque a partir daí, notamos que se a largada era dada (como hoje), na Av. Paulista, principal via da cidade, a chegada tinha destino nas primeiras décadas (até 1948) para clubes esportivos importantes para a capital, como a Associação Athletica São Paulo (Ponte Pequena), até 1929 e o Clube de Regatas Tietê. Lembramos ainda que de 1945 a 1948, justamente nos primórdios da fase internacional, a largada era realizada não na Av. Paulista, mas no Estádio Pacaembu. Desta forma, a conformação do campo esportivo paulista é inserida de maneira proposital no trajeto da corrida de São Silvestre.

Posteriormente, a chegada fora deslocada para o Palácio da Imprensa e, finalmente, ao Edifício que abrigou o jornal A Gazeta e onde hoje se localiza a Fundação Cásper Líbero, numa demonstração de homenagear o idealizador do evento e da própria imprensa.

Apesar de famosa e contando com diversos atletas de gabarito mundial, somente em 1975 a modalidade feminina passava a ser disputada e apenas em 1989, a corrida conseguia o reconhecimento da IAAF (Federação Internacional de Atletismo). Para tanto, a competição deixava de ser noturna e os organizadores se comprometiam a estabelecer o percurso em 15km a partir de 1990.

Se o grau de dificuldade da competição aumentava, também podemos dizer acerca da popularidade da corrida, com a presença de cada vez mais pessoas, com fantasias, mensagens, promessas e manutenção de uma prática desportiva cada vez mais comum nas principais cidades brasileiras: a corrida de rua. Neste caso, como já dissemos, por se tratar de final de ano, o evento é mais uma festa para boa parte dos que ali estão.

Abaixo, a título de curiosidade, o curta metragem “São Silvestre”, lançado em 2013. Posteriormente, a partir deste trabalho, foi produzido um longa metragem com o mesmo propósito.

 

Obs.: O Brasil não vence a corrida desde 2010 (atleta Marílson Gomes dos Santos). Na modalidade feminina, a última brasileira a vencer foi Lucélia Peres (2006). Será que este ano o jejum termina? Torçamos até o último dia esportivo do ano.

Obs. 2: Para uma maior compreensão da relação da Corrida com a cidade de São Paulo, ver o post de Maurício Drummond em: https://historiadoesporte.wordpress.com/?s=s%C3%A3o+silvestre, publicado em 2013.

 

 

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