Gianni Infantino e a FIFA

Na última sexta-feira, dia 26 de fevereiro, a Fifa elegeu seu mais novo presidente. O nome é Gianni Infantino, um suíço de 45 que atuava como Secretário-Geral da Uefa desde 2009 e foi catapultado à condição de candidato após Michel Platini ter sido afastado da disputa (para quem esteve afastado do assunto, o ex-jogador francês Michel Platini, então presidente da Uefa, foi banido de qualquer atividade ligada ao futebol pelo Comitê de Ética da Fifa pelo período de oito anos, em dezembro do ano passado).

infantino

Gianni Infantino

Com a saída de Platini, Infantino assumiu o papel de principal nome na disputa contra o presidente da Confederação de Futebol da Ásia, xeque Salman Bin Ebrahim Al-Khalifa, que contava com apoio maciço de federações da Ásia e da África. O suíço adotou então uma campanha com apelo às pequenas, mas numerosas, federações ligadas à Fifa (é importante lembrar que cada federação tem direito a um voto, independentemente de sua trajetória no esporte), com promessas de repasses de verbas a federações, aumento de participantes na fase final da Copa do Mundo e maior transparência na entidade. Vamos olhar mais atentamente a cada uma dessas propostas:

  •  a) Repasses de verbas a federações: sob a rubrica de “projetos de desenvolvimento do futebol”, Infantino indicou que repassaria cerca de 50% da receita da Fifa às federações, prevendo um mínimo de 5 milhões por federação e 40 milhões por confederação nos próximos 4 anos (fonte: Forbes). Uma oferta e tanto para as pequenas federações que são essenciais nas eleições da entidade.

 

  • b) Aumento de participantes na fase final da Copa do Mundo: A proposta mais controversa de Infantino talvez seja a mais provável de ser implementada. Trata-se de aumentar o número de países participantes na fase final da Copa do Mundo (vale lembrar que para a Fifa, as eliminatórias já são parte da Copa), de 32 para 40 países. Em sua atuação na Uefa, o Campeonato Europeu de Futebol deste ano (a Euro 2016) já contará com o aumento de equipes participantes, de 16 para 24, medida que foi muito popular junto às federações mais fracas do continente. Tudo indica que o mesmo ocorrerá na Copa do Mundo, com a oferta de mais uma vaga para Ásia (6 vagas), Europa (14), Oceania (1) e América do Sul (5), e mais duas para a América Central e do Norte (5) e para a África (7), com o fim das vagas de repescagem, mantendo-se ainda as vagas do atual campeão e do país sede.

 

  • c) Maior transparência na Fifa: Tentando reerguer a imagem da entidade após os grandes escândalos de corrupção e de desvios envolvendo nomes importantes da Fifa, Gianni Infantino promete trazer transparência ao seu mandato de quatro anos à frente da entidade. Os passos a serem tomados nesse sentido ainda não estão claros e permanecem sendo apenas promessas, mas a Fifa já demonstrou que a iniciativa em recuperar sua reputação é emergencial e que deveria ser abordada por qualquer presidente.

 

Resta-nos acompanhar as ações do sr. Infantino à frente da maior entidade esportiva do planeta para poder julgá-lo melhor, uma vez que previsões do futuro não são a área de atuação da História. No entanto, se os historiadores são, de fato, os “profetas que olham para trás”, como apontou Heinrich Heine, podemos achar facilmente na História um paralelo à eleição de Gianni Infantino a Fifa.

Em 1974, o brasileiro João Havelange foi eleito para o cargo máximo da Fifa em uma forte disputa com o então presidente, sir Stanley Rous. Na época, a Fifa contava com 139 federações afiliadas com direito ao voto, e Havelange visitou e fez forte campanha junto a 84 deles. Além da compra de votos relatada por Andrew Jennings, de difícil comprovação empírica, a promessa do aumento de equipes na fase final da Copa do Mundo foi também uma das principais armas de Havelange ao angariar os votos das federações menores, especialmente junto a federações da África, Ásia e Concacaf. Havelange cumpriu suas promessas, e a Copa do Mundo, que contava com 16 equipes no início do primeiro mandato de Havelange, em 1974, já tinha as atuais 32 seleções em 1998, seu último ano à frente da entidade. O número de países membros também cresceu muito, chegando aos atuais 309, já depois da saída do brasileiro.

Podemos, assim, ver elementos comuns na ascensão de Havelange e Infantino. Espero apenas que o último não mantenha a característica de grande longevidade dos presidentes à frente da entidade. Havelange governou por 24 anos, e Joseph Blatter por 17 anos. O futebol merece uma rotatividade real de seus presidentes.

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