Belo Horizonte: industrialização e crescimento esportivo

Olá amigos do História(s) do Sport

No ano passado eu escrevi um post aqui no blog falando sobre os clubes de trabalhadores da cidade na década de 50 (clique aqui para ler). Na oportunidade, fiz uma lista de 10 clubes que surgiram na cidade e suas adjacências, e comparei esse crescimento com o crescimento populacional da cidade.

No post de hoje vou um pouco mais além. Quero mostrar como o crescimento de Belo Horizonte através do seu processo de industrialização teve também consequências no campo esportivo.

E deixo a pergunta: o crescimento do esporte em Belo Horizonte pode ser considerado uma das consequências do seu processo de industrialização?

No caso da BH das décadas de 50 e 60, essa pergunta parece caminhar para uma resposta afirmativa. Vamos então entender em pouco sobre o crescimento de Belo Horizonte durante o seu processo de industrialização, a partir de alguns dados.

4 apontamentos sobre a industrialização de Belo Horizonte entre as décadas de 40 e 60.

1 – Crescimento populacional.

Vale recordar alguns dados do IBGE sobre a população da cidade de Belo Horizonte entre as décadas de 1940 e 1960.

1940 – 177.004
1950 – 338.585
1960 – 642.912
Fonte: Censo IBGE, apud PATARRA, 2004, p. 262; MINAS GERAIS 1966, p.18

2 – Investimento em industrialização

A Cidade Industrial foi criada em 1941, atraindo diversas empresas para a região. Além disso, inúmeras empresas Estatais foram criadas nesse período, mostrando também o esforço do Governo do Estado.

Empresas Estatais Mineiras entre 1951 e 1961[1]

Empresa Ano de criação
Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) 1951
Departamento de Estradas e Rodagens (DER) 1951
Frimisa 1953
Fertilizantes Minas Gerais (Fertisa) 1953
Usiminas 1956
Casemg 1957
Metamig 1961

[1] FECOMERCIO. Belo Horizonte & o comércio: 100 anos de história. Fundação João Pinheiro, Centro de Estudos Históricos e Culturais: Belo Horizonte, 1997. p. 199.

3 – Conurbação com as cidades vizinhas

Nessa época, a ocupação do espaço físico de Belo Horizonte chega aos limites da cidade, se encontrando com municípios vizinhos como Contagem e Sabará.

4 – Verticalização

BH cresceu para os lados e também para cima. Segundo o levantamento do Plambel, foram 18.974 edifícios entre 1952 e 1964.

Construções de Edifícios em Belo Horizonte entre 1952 e 1964.

Ano Número de pavimentos Total
1 2 3 e +
1952 1.228 160 43 1.431
1953 1.573 217 54 1.884
1954 1.582 213 67 1.862
1955 1.518 271 123 1.912
1956 1.480 142 79 1.701
1957 991 110 95 1.196
1958 1.104 127 155 1.386
1959 993 95 101 1.189
1960 1.197 123 121 1.441
1961 998 94 130 1.222
1962 1.038 119 174 1.331
1963 1.064 104 178 1.346
1964 833 81 72 986
Total 15.599 1.856 1.392 18.974

Esse conjunto de dados sobre o crescimento da cidade pode ser visualizado em um vídeo sobre Belo Horizonte na década de 60, que faz parte do acerco do CRAV – Centro de Referência Audiovisual.

 

Com tanta gente morando e trabalhando em Belo Horizonte, o crescimento esportivo teria também ocorrido?

Dados sobre o aumento da prática esportiva em Belo Horizonte nas décadas de 50 e 60.

Podemos responder parcialmente a essa pergunta.

Os dados sobre o esporte são mais escassos, mas importantes. O IBGE se informou sobre as associações esportivas e seus associados nos anos de 1957 e 1964. Vejamos alguns dados.

No ano de 1957 a cidade de Belo Horizonte contava com 101 associações esportivas e recreativas, ficando atrás apenas da cidade do Rio de Janeiro e São Paulo, que possuíam 272 e 160 associações, respectivamente. Possuía 52.008 pessoas inscritas nessas associações, sendo 42.386 homens e 9.622 mulheres.[2]. Naquele ano o número de associações deste tipo no Brasil era de 5.816, e as três maiores capitais brasileiras respondiam por 47,8% do total de associações.

censo-1957

No ano de 1964, foram computadas apenas as associações esportivas, e os números mostram crescimento. Sete anos depois, a capital mineira contava com 114 associações desportivas. O número de associados registrados havia saltado: 111.747, sendo 81.870 homens e 29.877 mulheres. A tabela ainda apresentava outros dados, como o número de desportistas entre os associados, e sua condição como praticante de atividades. Belo Horizonte tinha naquele ano 38.040 atletas, dentre os quais, 97 profissionais[3].

censo-1964

Foi um crescimento expressivo em 7 anos. Mesmo com possíveis inconsistências e com a separação entre as associações esportivas e recreativas no ano de 1964, os dados apresentados nos mostram o papel do associativismo em Belo Horizonte.

Infelizmente não temos os dados populacionais de Belo Horizonte em 1964. Se usarmos os dados de 1960, os 111.747 associados representariam cerca de 17% da população. Já os 38.040 identificados como atletas, seria quase 6% dessa população.

O crescimento de Belo Horizonte através de seu processo de industrialização também trouxe consigo crescimento no campo esportivo. Cabe ainda investigar outras ações fora do associativismo, como o esporte na periferia, na várzea e nas ruas, que também são expressões da prática esportiva nas cidades.

Quem sabe algum historiador não topa o desafio?

Fontes

[2] SERVIÇO DE ESTATÍSTICA DA EDUCAÇÃO E CULTURA. Tabela extraída de: Anuário estatístico do Brasil 1959. Rio de Janeiro: IBGE, v. 20, 1959. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/seculoxx/arquivos_xls/associativismo/1959/assoc1959m_aeb_093.xls Acesso em 25 de setembro de 2012.

[3] SERVIÇO DE ESTATÍSTICA DA EDUCAÇÃO E CULTURA. Tabela extraída de: Anuário estatístico do Brasil 1967. Rio de Janeiro: IBGE, 1967. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/seculoxx/arquivos_xls/associativismo/1967/assoc1967m_aeb_279.xls Acesso em 25 de setembro de 2012.

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