DIVERSÕES NA ZONA OESTE CARIOCA

Por Nei Jorge dos Santos Junior

Em algumas oportunidades já escrevi sobre as múltiplas formas de divertimentos do bairro Bangu. Em outras, optei por um olhar mais geral sobre as diversões suburbanas. No entanto, nesse espaço, sinto-me à vontade em optar por um novo caminho; desbravando os bairros da zona oeste carioca. Para que isso ocorra, pretendo nas próximas 4 publicações aqui no blog apresentar um pouco sobre as experiências de divertimento nos bairros de Santa Cruz, Campo Grande, Bangu e Realengo nas primeiras décadas do século XX. Por isso, nesse primeiro momento, irei apresentar de maneira geral um pouco sobre os bairros; suas principais atividades recreativas e esportivas.  Vejamos!

O termo Zona Oeste é muito utilizado para definir a região ocupada pelos 41 bairros[1] nas áreas de planejamento IV e V. Com marcas de desigualdades sociais e realidades contrastantes, ela apresenta o menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) comparada aos demais bairros que compõem as outras zonas da cidade carioca, em especial a Zona Sul. No entanto, ainda que atentemos ao cenário desigual, eles desempenharam funções importantes enquanto espaços de possíveis experiências de modernização, os quais estabeleciam diferentes formas de convivência.

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Em Bangu, na década de 1910, aproximadamente vinte e cinco associações, divididas entre esportivas, Sport Club Americano, Esperança Foot-ball Club e Bangu Athletic Club, ou direcionadas às atividades recreativas como a Flor da Lyra, o Casino Bangu, a Flor da União e o Grêmio Prazer das Morenas, movimentavam as noites arrabaldinas. Já em Santa Cruz, o número era um pouco inferior, mas não menos expressivo, cerca de vinte associações, em sua maioria recreativas: Grêmio Carnavalesco Flor da Mocidade, o Club Democráticos de Santa Cruz, o Progresso da Areia Branca, o Club Progressistas de Santa Cruz e o Filhos do Oceano. Entre as esportivas, destacamos o Club de Corridas Santa Cruz.

Em Realengo, bairro que abrigou a Fábrica de Cartuchos e Artifícios de Guerra e a Escola Militar, podemos citar as inciativas do Clube Dramático de Realengo, Tiro Brasileiro do Realengo e o Realengo Pedal Clube, grêmios que apresentavam singularidades e tensões comparados aos demais. Por fim, o bairro de Campo Grande, reconhecido como o bairro mais populoso da cidade, cerca de 10.444,51 hectares, abrigando um total de 328.370 habitantes, também apresentava um significativo núcleo de diversões, entre eles,  o Alliados de Campo Grande, Campo Grande Athletic Club, Sociedade Musical Campograndense, Casino Campo Grande, Grupo Carnavalesco Heróis Brazileiros, Grupo Carnavalesco União da Floresta, Grupo dos Silenciosos, Sociedade Carnavalesca Paz e Amor, Grupo Carnavalesco Gargantas de Campo Grande, Grupo Carnavalesco Sereno de Ouro, Feniano de Campo Grande, entre outros.

Diante do exposto, fossem nos espaços esportivos, nas agremiações e ruas localizadas nos arrabaldes suburbanos, é notável a consolidação de uma indústria de entretenimento nos primeiros anos do século XX nos bairros da Zona Oeste Carioca. Com esse amplo leque de diversões é possível afirmar que a cidade do Rio de Janeiro, independente da região, mantinha um mercado de entretenimento pulsante. Talvez seja possível afirmar, no caso carioca, que as diversões citadinas eram correntes, independentemente do local.  


[1] Os bairros que fazem parte da Zona Oeste são: Bangu, Barra de Guaratiba, Barra da Tijuca, Camorim, Campo Grande, Cidade de Deus, Cosmos, Curicica, Deodoro, Freguesia, Gardênia Azul, Gericinó, Grumari, Guaratiba, Inhoaíba, Itanhangá, Jacarepaguá, Joá, Magalhães Bastos, Mallet, Paciência, Padre Miguel, Pedra de Guaratiba, Realengo, Recreio dos Bandeirantes, Santa Cruz, Santíssimo, Senador Camará, Senador Vasconcelos, Sepetiba, Sulacap, Taquara, Vargem Grande, Vargem Pequena, Vila Militar e Vila Valqueire.

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