A prática do atletismo na Bahia**

Coriolano P. da Rocha Junior

Ainda hoje a Bahia se ressente de uma maior vivência e experiência com a modalidade atletismo, em qualquer uma de suas provas, no campo ou na pista. Também sente falta de espaços adequados para essa atividade, de forma a dar a sua população condições de a buscar. Mas este cenário é só de hoje? Em tempos anteriores, com a Bahia vivia sua relação com o atletismo? Terá sido melhor? Terá havido espaços adequados? Em que tempo a Bahia viu seus primeiros passos com o atletismo? Enfim, tomando por base a quase nula vivência nessa modalidade hoje, vamos aqui tentar avistar como se deu isso lá atrás.

Pensando sobre os primeiros tempos do atletismo em Salvador, só na segunda década do século XX foi que vimos o surgimento relativamente considerável de informações sobre essas modalidades. Podemos afirmar que a introdução dos esportes atléticos veio a reboque do processo de institucionalização das práticas esportivas em Salvador, via surgimento de entidades que organizavam certames.

Em meados da primeira década do século XX foi criado um clube que iria contribuir muito para o desenvolvimento das corridas a pé, do salto em altura, entre outras modalidades do universo do atletismo. O Yankee foi fundado, em 1914, pelos irmãos Aroldo Maia Bittencourt e Alexandre Maia Bittencourt Filho, filhos de Alexandre Maia Bittencourt, um importante engenheiro, fundador de uma importante escola de engenharia da cidade, a Escola Politécnica, em 1897. Eram também sobrinhos de Augusto Maia Bittencourt, benemérito do clube, um dos fundadores do Esporte Clube Vitória e seu presidente em 1908. Também, muitos médicos e coronéis eram membros da família Maia Bittencourt.

O clube foi considerado pela imprensa como um dos primeiros clubes da cidade que contribuía para a regeneração física. Isso porque era um dos poucos a praticar exercícios atléticos, por alguns considerados os mais adequados para o aperfeiçoamento corporal. Este era um dos seus diferenciais. A prática dessas modalidades atraía adeptos que realizavam, entre si, diversos torneios internos.

O clube era um dos poucos que oferecia para os seus sócios um programa esportivo atlético completo e, segundos os dirigentes, metodicamente elaborado. Entre as atividades estavam as corridas a pé, o salto em distância, o salto com vara, o levantamento de peso.

A organização de torneios no Yankee era facilitada pelo fato de o clube possuir, em aluguel conjunto com o Ypiranga, outro clube importante da cidade, um campo de esportes, localizado à Rua do Prado, no Rio Vermelho. O Yankee foi o primeiro a construir, na Bahia, uma pista de atletismo para os seus sócios.

Foi na década de 1920 que as atividades atléticas começaram a ter uma maior visibilidade na imprensa local. Além da construção do Campo da Graça, houve uma proliferação de discursos que exaltavam as práticas esportivas como um agente regenerador da raça em decorrência dos efeitos da guerra.

Neste sentido, o atletismo tornou-se uma prática elogiada, uma vez que para a imprensa local era a modalidade que mais contribuía para o fortalecimento racial da nação. Na Semana Sportiva encontramos várias referências sobre sua importância. Em um dos artigos mais entusiasmados, encontramos o seguinte ideal:

Dentre todas as manifestações da atividade desportiva, o atletismo é a mais bela, a mais emocionante e a mais expressiva.

O atletismo é que melhor revela o grau de adiantamento desportivo de um povo!

O atletismo é que concorre mais eficientemente para o desenvolvimento físico de uma raça.

O atletismo é que contribui mais facilmente para a propaganda de um país.

O atletismo é que proporciona maiores glórias desportivas a uma nação.

O atletismo é o desporto que mais diretamente atinge os fins visados pela cultura física. Aparelhar o organismo para a luta pela vida; dar-lhe a velocidade que vence o tempo, a agilidade que evita os tropeços, a força que remove os obstáculos, a resistência que transpõe as distâncias.

O atletismo é o esforço do homem contra adversários invisíveis, impessoais, incomensuráveis, gigantescos. É uma peleja em que o vencedor não tem vencidos porque todos os concorrentes são “vencedores”; vencedores do tempo, da distância, do obstáculo…

O atleta é mais útil à Pátria que o perfeito soldado

De um bom atleta pode-se fazer com facilidade, um excelente soldado.

Trabalhemos os nossos músculos, cultivemos a nossa energia, pratiquemos o atletismo*1.

Uma terceira via adotada pela Semana Sportiva, para incutir no leitor o valor da prática dos jogos atléticos era a publicação de artigos específicos, que orientavam os sportmen a se iniciarem no atletismo. Sobre as corridas a pé, o semanário trouxe um texto sobre o papel da respiração:

Esportes atléticos

A respiração na corrida pedestre.

A respiração é a função orgânica que a prática dos desportos atléticos desenvolve ao máximo.

Esse resultado é obtido lenta e automaticamente, desde que os métodos de treino não conduzam a resultados negativos.

Em qualquer hipótese, o ideal será obter indivíduos resistentes. E na grande maioria não são os atletas de grandes massas musculares aqueles que possuem uma maior resistência física. O volume muscular não representa, pois, um sintoma de resistência; pelo contrário, a capacidade pulmonar tem, neste caso, uma importância capital.

Os desportos atléticos são desportos respiratórios, por excelência.

Praticados criteriosamente e seguindo um método conveniente, levam-nos ao um fim comum de todos os métodos atuais: melhoramento da raça, não só sob o ponto de visa da estética, mas principalmente, aumento da resistência física individual*2.

Obviamente que pela quantidade de notícias, artigos e editorais defendendo os jogos atléticos, os clubes gradativamente começaram a se iniciar neste universo, promovendo eventos internos, seguido os passados do Yankee. Nesse ínterim, o Vitória toma uma iniciativa mais inovadora ao promover o primeiro campeonato interno de atletismo. De acordo com a Semana Sportiva:

O Esporte Clube Victória, o decano, dos clubes baianos, foi o primeiro a introduzir em nosso meio, o atletismo. Logo mandou vir do Rio os aparelhos e o seu atual presidente, Sr. Alberto Catharino, muito se tem empenhado para que esta bela ideia tome o incremento digno dos seus esforços.

Agora mesmo o Vitória realizará, pela primeira vez nesta capital, o campeonato interno de Atletismo.

Este gesto tão louvável deverá ser imitado pelos demais clubes*3.

A iniciativa do Vitória não foi isolada. Ao seu modo os outros clubes da cidade buscavam contribuir com a evolução das práticas atlética na cidade. Nesse aspecto, é claro que o Yankee vai assumir uma posição de destaque. Foi o clube dos chamados meninos de ouro que organizou a primeira Maratona da Bahia. Na imprensa local, encontramos a seguinte informação sobre o evento:

Quis o Yankee F. Clube, mais uma vez, mostrar o quanto se interessa pelo desenvolvimento físico da mocidade, instituindo pela primeira vez nesta capital, a grande prova de atletismo, a Maratona.

Assim fazendo o clube de Aroldo Maia e dos Torres, marcou na história esportiva da Bahia mais uma gloriosa imorredoura (sic) que ecoará com jubilo geral fora do Estado, máxime na capital do País, onde não só a Metropolitana, mas, também as suas subligas e coligados incentivam com atividade e propaganda utilíssima do atletismo.

O programa vai publicado na íntegra, em outro local, e para ele chamamos a atenção dos nossos leitores.

Os 700 metros finais – O vencedor ao entrar no ground fará o percurso final de 700 metros, na pista, coroado de loiros, passando em seguida sob o Arco do Triunfo, construído especialmente para este fim, em frente às arquibancadas do Jóquei Clube, hasteando no mastro, antecipadamente preparado, as bandeiras brasileira e do clube a que pertencer, ao som do Hino Nacional e de uma salva de 21 tiros*4.

Pelos indícios encontrados em notícias posteriores, fica claro que a maratona o foi bem sucedida, o que motivou o Yankee a continuar a promover eventos do gênero. Entre algumas iniciativas do clube tricolor, identificamos a realização de um concurso mensal de atletismo:

A comissão de Esportes Atléticos do Yankee F. Clube, a fim de incentivar o atletismo entre nós resolveu realizar mensalmente, no seu campo de esportes, ao Rio Vermelho, com a coadjuvação dos demais associados dos clubes amigos, um Concurso de Atletismo, obedecendo ao seguinte Regimento:

A – O Concurso de Atletismo será realizado mensalmente no nosso campo, e sob a nossa Direção, e compor-se-á das seguintes provas, obedecendo a ordem abaixo:

1 – corrida rasa de 100 metros.

2 – Salto em altura.

3 – Corrida rasa 200 metros.

4 – Lançamento de peso.

5 – Corrida com barreiras 110 metros.

6 – Lançamento de dardo.

7 – Corrida rasa 400 metros.

8 – Salto em distância

9 – Salto de vara.

B – Ao vencedor mensal, de cada prova, O Yankee F. Clube oferecerá um Diploma.

C – No quinto mês, será encerrado o Concurso, dando o Yankee F. Clube aqueles que obtiveram maior número de vitórias em cada prova, uma medalha de prata.

D – Ao concorrente que obtiver maior número de vitórias nas diversas provas, o Yankee oferecerá uma medalha de ouro.

Prevenimos aos nossos associados que os exercícios de atletismo terão lugar diariamente no nosso campo, às 7 horas sendo obrigatórios os exercícios nos dias de domingo, feriados e dias santificados*5.

Além dessas iniciativas, o Yankee também promovia eventos esporádicos, geralmente quando o clube adquiria uma taça ou troféu. Um exemplo foi a chamada Taça Noemia.

Embora a prática do atletismo tenha evoluído nos dois primeiros anos da década 1920, observamos que ele ainda ficava mais circunscrito ao Yankee, quando muito, ao Vitória. Esta situação para a imprensa da cidade não era considerada a ideal, uma vez que os seus esforços em aumentar o número de sportmen envolvidos nas atividades pareciam não estar surtindo efeito pleno.

Nesse sentido, os periódicos procuravam estimular os clubes já ligados ao atletismo a propor que esta modalidade fosse promovida não só pelas agremiações, mas também pela LBDT como uma política esportiva. É nesse bojo que, a Semana Sportiva vai oferecer suas páginas para a publicação de artigos defendendo uma atitude enérgica da Liga no que tange a regulação dos esportes atléticos em Salvador.

O Yankee toma a dianteira nesse processo e propõe aos dirigentes da entidade de esportes terrestres da cidade a criação de um campeonato baiano de atletismo, ação muito louvada pela revista:

O Yankee F. Clube, uma das agremiações que honram a Bahia, acaba de apresentar a L. B. D. T., um Regulamento de Atletismo, no qual fica a mesma obrigada a fazer realizar anualmente, em Fevereiro, o Campeonato Baiano de Atletismo, no qual todos os clubes filiados serão obrigados a inscrever no mínimo 5 dos seus associados em 4 páreos diferentes, sob pena de não poderem tomar parte no campeonato de futebol (sic).

Só assim, graças ao Yankee, a quem enviamos os nossos parabéns, teremos o atletismo entre nós, passo primordial todos os esportes e infelizmente esquecido na Bahia.

Um hurra, pois aos campeões da 2º divisão e à L. B. D. T. por ter aprovado o regulamento*6.

Não foi possível encontrar maiores informações sobre a forma como foi organizado o primeiro campeonato de atletismo na Bahia. Contudo, as informações trazidas pelo semanário sugerem algumas possibilidades de interpretação. A principal delas é que o certame atlético não deveria ser apenas mais uma entre outras competições organizadas na cidade. Pelo contrário, a notícia revela que o evento deveria ser encarado como uma escola de formação de futuros atletas comprometidos com o ideal, qual seja, mente sã, corpo são. Podemos perceber isso na própria obrigatoriedade de envolvimento dos clubes filiados a liga, sob pena de não participação no torneio de futebol.

Foram encontradas algumas referências sobre o andamento do certame. Entretanto, o que mais chamou atenção na imprensa foram os comentários sobre o papel de um torneio daquele gênero em Salvador. De modo mais evidente, um editorial do Semana Sportiva (2 de agosto de 1924) ratifica a ideia de que o campeonato de atletismo, não deve ser tratado meramente como uma questão quantitativa, na intenção de apenas preencher o calendário esportivo da cidade de eventos. Em seguida defende que por mais que os clubes contribuam para o crescimento e desenvolvimento do atletismo em Salvador, é a Liga que deve ter um papel de liderança nesse processo, o que não quer dizer que o valor das agremiações seja desconsiderado.

É mais do que isso. De modo implícito, o editorial entende que a prática do atletismo nos clubes não conseguia tomar uma dimensão almejada: uma política esportiva para a sociedade. Nesse sentido, a Liga é que seria capaz de dar aos jogos atléticos um caráter institucional com códigos, regras, normas e padrões para que ele transpusesse os muros, notadamente do Yankee e do Vitória, irradiando-se pelas ruas da cidade da Bahia. Dito de outro modo, só a Liga seria capaz de fazer do atletismo um agente pedagógico de regeneração racial e social de Salvador.

Ainda é possível ler no editorial que o atletismo não viria para competir com os outros esportes. Pelo contrário, bem organizado só tenderia a beneficiar as outras modalidades, o que favoreceria o desenvolvimento esportivo baiano em uma tentativa de equipar-se às realidades esportivas de outros estados. Aliás, em 1927, já foi possível identificar, nos impressos, notícias sobre a participação da Bahia nos campeonatos brasileiros de atletismo. Naquele ano, O Combate publicava que: “A Bahia tomará partes no Campeonato Brasileiro de Atletismo a se realizar no Rio de Janeiro em 8 e 9 de outubro e fará um campeonato juvenil de atletismo em 28 de outubro”*7. No que tange ao atletismo voltado para os jovens, o mesmo O Combate noticiou a organização de uma competição para os chamados novíssimos.

Mais uma vez, observe que um dos critérios estabelecidos na organização do certame é a sua obrigatoriedade para todos os clubes filiados à Liga. Quando não publicavam notícias relacionadas às inovações, no que tange ao tratamento dado pela Liga ao atletismo, a imprensa trazia uma série de críticas sobre alguns aspectos relacionados à condução técnica dos jogos atléticos na cidade. Na verdade, essa continuava a ser uma das principais bandeiras dos jornais e revistas. Em uma das suas queixas, O Combate teceu alguns comentários quanto ao desrespeito no que se refere ao cumprimento das regras no lançamento de dardos e do revezamento 4×100 metros:

Nós não temos má vontade alguma com a atual comissão Técnica de Atletismo, da LBDT.

Desculpem-nos, porém os que a compõem alguns comentários justos e razoáveis sobre duas das últimas provas realizadas: corrida de revezamento 4×100 e lançamento de dardo.

Aquela, realizada no dia 28, só foi efetuada, por uma diferencia das turmas de atletas do distinto diretor de Esportes da Liga.

A medição não foi bem feita, houve atleta que corresse mais que o outro, quando todos devem “tirar” 100 metros igualmente.

Além disso, é contra os regulamentos de atletismo, o “vencedor” ser numa curva.

Houve protestos em surdina…

O tempo não foi tirado…

Na de anteontem de “dardo” revelou a comissão falta de conhecimentos quanto ao lançamento e à desclassificação.

Manda o Regulamento de Atletismo seguido pela Liga Baiana que na prova de dardo a “linha” seja assinalada por uma tábua de dimensões certas e que, transpondo-a ou pisando-a o atleta, antes de o dardo tocar no solo, é desclassificado.

Anteontem não houve tábua e nem se seguiu aquele critério de desclassificação.

Demais devem disputar as finais os seis colocados nas eliminatórias que terão direito a três jogadas, cada. Isto se obedeceu? Pareceu-nos que não!

Veja, pois a distinta comissão que não está bem assim, e é preciso mais cuidado.

Consta-nos até que vai ser lavrado um protesto contra a prova última.

Não se zangue, pois, conosco a distinta comissão: dê-nos a razão merecida e evite os maus lençóis com o que o Dr. Arthur Oliveira, como diretor de esportes, tem que se ver!*8

Quando não se queixavam do descumprimento das regras e códigos dos jogos atléticos, os jornais também apresentavam queixas sobre o desempenho dos sportmen nesses eventos. Sobre o torneio dos novíssimos O Combate lamentou:

Realizaram-se as provas de novíssimos juniors, os resultados estão a demonstrar do que prometeu os nossos atletas.

As provas de corridas e lançamentos de dardo e peso tiveram um final que quase ninguém o esperava.

Tomem, pois os clubes a sério este problema e amanhã havemos de ver os resultados que isto trará*9.

Todas essas queixas e insatisfações têm uma justificativa principal. Como um esporte base de todos os outros, o atletismo é que prepararia o corpo e a mente, dotando-os de força e disciplina necessárias, para o sucesso em outras modalidades esportivas. Assim, ele não poderia ser encarado com displicência e desorganização. Em outras palavras, a desgraça das práticas atléticas seria a ruína do futebol, do tênis, do remo e de tantas outras atividades. É nessa direção que constantemente O Combate, a Semana Sportiva e outros órgãos da imprensa solicitam que a Liga cuide do atletismo:

Numa das últimas resoluções da Liga Baiana, figura o programa da temporada atlética de 1927.

Como nós, vê a diretoria da nossa Entidade Terrestre de Esportes, no atletismo, a base de todos os esportes.

E sem ele como compreender a prática do violento jogo bretão?

A liga, em vez de licença de passes e atestados médicos, o que devia exigir dos jogadores, era a prática preliminar do atletismo: as corridas (resistência e velocidade) saltos, lançamentos de peso, etc…

Não deve se descuidar como anos atrás do atletismo, praticado apenas pelo Yankee e Vitória*10.

Para os cronistas esportivos locais, seria por meio do interesse e esmero pelas práticas atléticas que, naturalmente, as outras atividades esportivas ganhariam um novo dinamismo. No caso do futebol que, em 1927, atravessava uma fase de relativa violência e baixa técnica, O Combate acreditava que o reforço no atletismo contribuiria para que o jogo bretão voltasse a ter brilho, com as partidas em um nível técnico melhor e jogadores fisicamente mais dispostos e emocionalmente mais estáveis. Para o jornal:

Inegavelmente o Esporte que mais dedicação está a merecer no momento dos amadores é o atletismo. O futebol, e não é traindo a nossa profissão que tal dizemos: o futebol, como está sendo praticado entre nós, onde há mais violência do que técnica, está recebendo dos seus amadores um afastamento notável.

Esta é uma das causas da queda do Esporte entre nós.

O atletismo, porém, praticado como deve ser, dirigido por hábeis e conhecedores. Há de trazer aos moços o que esperam ele do jogo da bola.

Nele não se verificarão os tatás (sic) desastres, uns a propósito e outros casuais, que todos os dias se estão verificando em nosso ground.

Dê-lhe, pois a Diretoria da LBDT o impulso que ele merece: faça-se do atletismo o que sonho Aroldo Maia, e hoje almejam muitos diretores de clubes baianos*11.

A história do atletismo em Salvador, ao menos nas três primeiras décadas do século XX, é marcada por um tipo de estruturação que só encontra sentido se nos atermos a história dos clubes de elites de Salvador e das ligas esportivas. Considerada como uma das práticas em que se nota mais a presença de um discurso eugênico e pedagógico, as elites vão assumir de algum modo, uma centralidade no desenvolvimento das práticas atléticas. Vale lembrar que foi nas agremiações abastadas (composta por médicos, estudantes, profissionais e outros intelectuais) que a relação entre esporte e eugenia encontrou uma maior capilaridade, expressa na tentativa de formar um homem mais saudável e apto as atividades, contando para isso com a prática do atletismo como um elemento de formação corporal e moral.

Mesmo tendo tido o atletismo experiências na Bahia já faz mais que século, ainda não encontramos na cidade esta modalidade espalhada, seja como rendimento, seja como lazer, seja como conhecimento e daí ficam as perguntas das razões para tal.

** Este texto é um trecho do livro: ROCHA JUNIOR, Coriolano P. e SANTOS, Henrique Sena dos. Primórdios do esporte no Brasil: Salvador. Manaus: Reggo, 2016.

*1 Semana Sportiva, Salvador, 21 de janeiro de 1922, p. 9.

 *2 Semana Sportiva, Salvador, 28 de janeiro de 1922, p. 11.

*3 Semana Sportiva, Salvador, 11 de setembro de 1921, p. 6.

 *4 Semana Sportiva, Salvador, 18 de setembro de 1921, p. 13.

*5 Semana Sportiva, Salvador, 26 de novembro de 1921, p. 8.

*6 Semana Sportiva, Salvador, 22 de setembro de 1923, p. 14.

 *7 O Combate, Salvador, 06 de agosto de 1927, p. 5.

 *8 O Combate, Salvador, 07 de setembro de 1927, p. 8.

 *9 O Combate, Salvador, 14 de julho de 1927, p. 5.

*10 O Combate, Salvador, 14 de julho de 1927, p. 5.

*11 O Combate, Salvador, 14 de julho de 1927, p. 5.

Publicidade

Comentários encerrados.

%d blogueiros gostam disto: