Videoclipe como fonte histórica

27/11/2017

Por Rafael Fortes (raffortes@hotmail.com)

A ideia deste texto surgiu meses atrás, num papo com o colega Leonardo Brandão, professor de História na FURB, em Blumenau (SC). Ele pesquisa história do skate no Brasil há muitos anos – e em 2018 junta-se à equipe do blogue. É muito legal que os esportes radicais – ou californianos, como ele denomina – sejam o foco principal de outro pesquisador por aqui.

Faço neste texto alguns apontamentos sobre o potencial do videoclipe como fonte histórica.

Dark Necessities – o clipe e a Califórnia

Eis o clipe de Dark Necessities, do Red Hot Chili Peppers:

O clipe é gravado na Califórnia, estrelado por gente que lá vive (a banda e as skatistas) e dirigido pela atriz hollywoodiana Olivia Wilde – que, segundo o verbete da Wikipedia, “vive e trabalha em Venice e Los Angeles“. Venice é um distrito de Los Angeles com forte presença de artistas, esportistas, hippies etc., sendo, junto com a vizinha Santa Monica, importantes em termos de lançar modas e estilos; e lugares onde o skate tem uma enorme presença e relevância. Abundam no vídeo as referências às subculturas locais.

A Califórnia e, particularmente, a região metropolitana de Los Angeles são temas constantes nas músicas da banda, desde o uso de heroína sob viadutos em áreas degradadas do Centro (Under the Bridge) a brincadeiras com as representações do estado em relação a outros (Dani California). Para além de gostar de um punhado de canções, a banda tem para mim um significado especial, pois foi muito importante na formação, no amadurecimento e na manutenção de outra que me é muito cara, o Pearl Jam.

Voltando ao clipe… Estão lá as palmeiras; as avenidas e ruas; a imensa quantidade de asfalto (uma das características do Sul da Califórnia, onde está Los Angeles); a prática de skate por diversos cantos da cidade – facilitada, em alguma medida, pelas quantidades expressivas de superfície cobertas por asfalto, concreto e cimento; os amplos corredores de supermercado; os estúdios de tatuagem.

Ao mesmo tempo em que é o estado mais populoso e rico dos EUA e sede de boa parte das empresas ligadas a internet e tecnologia (provedores de acesso, Intel, Google, Facebook, indústria pornográfica, desenvolvedores de websites e empresas que os hospedam estão lá; mais fácil é listar as gigantes que não estão: Amazon e Microsoft, ambas no outro extremo da Costa Oeste, na região metropolitana de Seattle), o Sul da Califórnia também representa, nos Estados Unidos, ao menos desde meados do século XX, o paraíso sonhado para se viver, se passar férias ou se mudar após a aposentadoria. Muita gente que para lá viaja acaba decidindo ficar. Se mal compararmos com o caso brasileiro, os estereótipos em torno da Califórnia e algumas de suas características unem boa parte do que, no senso comum brasileiro, se associa ao Rio de Janeiro, ao litoral do Nordeste e a São Paulo.

Os corpos

Estão lá os corpos. Movimentam-se cantando, dançando e brincando (banda) ou rodando no carrinho pela cidade (elas skatistas). Mas não se trata apenas de andar de skate: ali está incorporado um certo estilo associado ao Sul da Califórnia e a grupos que lá vivem, especialmente jovens. Mais: há um recorte de estilo dentro do próprio skate: são longboarders, o que implica a construção de representação de formas de andar de skate distintas de outras. Diferença que se estabelece não apenas pelo tamanho do skate, mas também por como se anda, em que lugares da cidade, o que se faz sobre ele, que tipos de manobras e ações são enfatizadas. Os corpos e seus movimentos são centrais neste produto audiovisual.

Eles – ou melhor, a pele – estão à mostra. Carregam e exibem muitas, muitas tatuagens. Tatuagens que fazem parte de diversos estilos de vida, culturas e subculturas, grupos/segmentos californianos: skatistas, surfistas, artistas, hippies, junkies, latinos, negros e/ou muitos outros.

Os corpos ostentam piercings, pulseiras, brincos, cabelos longos. Estão lá os bonés de aba reta, as camisas de flanela, os shorts, shortinhos, calças e bermudas.

Os corpos da banda exibem marcas da idade: rugas.

Os corpos delas, das skatistas, contém também ralados, machucados, roxos, cicatrizes, cascas de ferida, remendos com esparadrapo.

Estão lá quatro garotas fazendo o que querem com seus corpos. Um texto da jornalista Jéssica Oliveira considerou essa a principal característica do vídeo: estar sintonizado com os tempos atuais e com os progressos na luta das mulheres para se libertar de padrões impostos pelos homens, pela sociedade e/ou pelo machismo. Trata-se de uma leitura muito interessante do videoclipe.

Uma das skatistas faz uma tatuagem no interior da boca. O clipe representa tal escolha como não apenas um feito individual, mas parte de um ritual coletivo. Afinal, quando falamos da cultura em torno de um esporte – e particularmente nos casos em que este evolve para um estilo de vida -, não se trata apenas de praticá-lo, mas de compartilhar uma série de vivências com o grupo do qual se faz parte (por isso alguns autores preferem usar o conceito de tribo ou tribo urbana para se referir aos skatistas). E a vivência em grupos, em especial durante a adolescência, significa se submeter a um conjunto de normas, em busca de ser aceito. Portanto, a meu ver o ato de fazer tal tatuagem pode ser compreendido de diversas formas, desde o prisma da escolha e liberdade individual até a inserção num contexto coletivo mais amplo, com as expectativas, demandas e desejos de participação, integração, reconhecimento e, também, submissão.

Ao mesmo tempo em que tem traços característicos de muitos outros clipes do RHCP – como a própria banda aparecer tocando/cantando/dançando -, é uma ode às mulheres e, a meu ver, também à Califórnia e ao skate.

Videoclipe como fonte histórica

Propor o videoclipe como fonte história significa levar em consideração elementos dos produtos baseados em imagens em movimento (cinema, televisão etc.): os formatos e gêneros; montagem, sonorização, edição, fotografia etc.; ângulos de câmera, enquadramento, duração dos planos, ritmo e tipo de cortes etc. Não analisei tais elementos na seção acima, mas deixo alguns apontamentos: a) o uso de câmeras em movimento para gravar as cenas de skate; b) o close e os enquadramentos para mostrar os corpos femininos (tatuagens, cicatrizes etc., bastante distintos das lógicas de erotização que geralmente cercam a filmagem destes corpos); c) os cortes dados pela música: num padrão até 0’43”, noutro a partir daí, quando entra o baixo tocado por Flea (a partir daí é que as skatistas entram em ação).

A noção de videoclipe como fonte história não se descola, é claro, da música como fonte histórica – outra fonte pouco explorada na história do esporte. No caso das canções, cabe analisar a letra (coisa que tampouco fiz com o clipe acima – entre outros motivos, porque a letra não é explicitamente sobre mulheres, skate ou Califórnia). Penso, por exemplo, na representação de hábitos e atividades de lazer num domingo “típico” do Rio em Eu quero ver gol, do Rappa ou Jesualda, de Jorge Ben Jor (canções que falam de esporte, de hábitos culturais, das clivagens de classe social, de zonas geográficas e de asfalto x morro; ambas permitem discutir gênero). Ou nos três primeiros discos do Rappa e do Planet Hemp como fontes ricas para se analisar representações do Rio de Janeiro nos anos 1990 – infelizmente, boa parte delas, tão verazes e atuais naquela época como hoje (Tumulto, Miséria S.A., Tribunal de rua, Mão na cabeça, Todo camburão tem um pouco de navio negreiro, Legalize já, Hey Joe e Zerovinteum). Não se trataria, evidentemente, de analisar apenas as letras. Pode-se abordar também: as melodias; a forma de cantar; as sirenes de polícia e muitos outros efeitos sonoros; diálogo com gêneros e formas musicais (no caso, influências do dub, do reggae, do hardcore, de Jorge Ben Jor; os samplers de outros artistas e recursos eletrônicos; ritmo; instrumentos e formas de tocá-los.

Ou seja, é possível ter em conta, na análise, forma, conteúdo, aspectos técnicos da música, da letra e das imagens que aparecem no videoclipe; a trama do videoclipe, o contar ou não de uma história, os estilos/gêneros cinematográficos ou televisivos a que remete: ficção, documentário, colagem, desenho animado, experimentações gráficas ou visuais. Feito para consumo massificado ou conceitual, para disputar prêmios em festivais? Ou ambos?

Do ponto de vista cronológico e temporal, penso ser possível estabelecer pelo menos três referências: 1) o ano/época/contexto/lugar em que a música foi produzida; 2) o ano/época/contexto/lugar em que o videoclipe foi produzido (geralmente muito próximo ou idêntico ao da música, mas nem sempre); 3) o ano/época/contexto/lugar em que se passa a trama, ou aos quais ela remete.

Finalizo com dois exemplos. No primeiro, que nada tem a ver com esporte, mas também é do Chili Peppers, a trama homenageia/remete a diferentes bandas, artistas e épocas/décadas (cabelos, maquiagens, roupas, modo dos músicos se portarem no palco, instrumentos tocados, equipamentos de som etc.). A música é Dani California, à qual já me referi antes. Tal com em “Dark Necessities”, as imagens não buscam representar a letra.

Segundo, É Brasil, Representa (Brazilian Storm), de Gabriel O Pensador, Apollo Nove e Alex Freitas Gomes. Lançados este ano, o clipe e a música são uma ode ao surfe brasileiro: destacam uma série de nomes, datas e acontecimentos do passado, ao mesmo tempo em que celebram a presença significativa de brasileiros (em quantidade e em termos de resultados) nos anos recentes no Circuito Mundial profissional masculino, incluindo os títulos conquistados por Gabriel Medina (2014) e Adriano de Souza (2015).

Embora com objetivos, estilos e diálogos bem distintos, ambos representam o passado (mais o primeiro que o segundo) e o presente a partir do presente.

Para saber mais

  • Sobre o uso de fontes ligadas à arte e à mídia para a pesquisa histórica: MELO, Victor A.; DRUMOND, Mauricio; FORTES, Rafael; MALAIA, João. Pesquisa histórica e história do esporte. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2013.
  • Textos deste blogue que contendo a palavra clipe.

A juventude sônica de Spike Jonze

15/01/2018

Por Leonardo Brandão (brandaoleonardo@uol.com.br)

É com muita alegria que escrevo este primeiro texto para “História(s) do Sport”, blog que já acompanhava há um tempo e que fui convidado para escrever sobre as relações entre história, juventude e esportes radicais. Neste texto inaugural, quero retomar a conversa iniciada pelo Rafael Fortes neste blog, em texto publicado no dia 27/11/2017 e que teve o seguinte título: “Videoclipe como fonte histórica”. Nele, Fortes abordava algumas possibilidades para se compreender o videoclipe, na esteira dos estudos sobre cinema, música e imagens, como mais uma possibilidade de fonte para a história dos esportes, do lazer e dos divertimentos com o corpo.

Pensemos que o videoclipe é algo que envolve a produção, necessariamente, de música com imagens em movimento. De fato, existe uma relação muito rica entre os chamados “esportes radicais” (ou “esportes californianos”) com a música, em especial, com o rock e seus matizes. E essa relação não começou hoje, ela tem uma – ou várias – história(s). Parte dessas histórias podemos observar em determinados videoclipes de bandas que fizeram uso dessas práticas. Esses videoclipes, ainda subutilizados para a pesquisa histórica, podem nos servir como um farto material de análise e reflexão.

Aqui, não pretendo realizar uma análise, mas apenas algumas considerações sobre um videoclipe lançado no ano de 1992. Trata-se do videoclipe da canção “100%”, da banda norte-americana “Sonic Youth”. Além disso, irei trazer algumas informações sobre seu diretor, chamado Spike Jonze. Minha intenção é apenas chamar à atenção para esse videoclipe, para a obra de Spike Jonze e suas relações com o skate. Num futuro breve, talvez isso possa motivar análises e discussões mais consistentes. Primeiramente, entretanto, vamos assistir ao videoclipe:

Sonic Youth foi uma banda formada no ano de 1981 na cidade de Nova York. A proposta musical da banda girou em torno do chamado “rock alternativo”, trazendo elementos do pós-punk e do noise. Um dos seus integrantes marcantes foi sua baixista, Kim Gordon. Ela, filha de um professor de sociologia, formou-se em Artes Plásticas na UCLA (Universidade de Los Angeles). Gordon roubava as cenas nas apresentações da banda, se declarava feminista e surfava nas horas vagas. A música do clipe acima, “100%”, foi lançada no ano de 1992, sendo o primeiro single do álbum “Dirty” (o sétimo do conjunto). Essa música foi escrita em homenagem a Joe Cole, um amigo dos membros da banda, que acabou morto por um homem armado em 1991.

“100%” é uma canção que fala de uma garota que se apaixona por um rapaz sem grana, mas que “mexia com as garotas” e que acabou assassinado. O fato dele não ter grana não era um problema.  Num certo momento de êxtase, a canção diz: “All I know is you got no money but that’s got nothing to do with a good time” (“tudo o que sei é que você não tem dinheiro, mas isso não tem nada a ver com um tempo bom”). E, neste momento do vídeo, um skatista olha para a sua carteira vazia, sem dinheiro, mas com um sorriso nos lábios, e continua a andar de skate pela cidade.

Mas o que vemos sobre skate neste videoclipe? Simplesmente boas manobras pela cidade. Mas isso – apenas – já não nos diz muito sobre o que era essa atividade juvenil no início da década de 1990? O skate neste período, sobretudo o skate de rua, pode ter sido predominantemente praticado por diversão, sem grandes pretensões mercadológicas, sem muitos ídolos milionários. Em uma palavra: sem muita grana envolvida. Jason Lee, o principal skatista que aparece nesse vídeo (ao lado de Guy Mariano), era tão somente um talentoso skatista de rua (e não o célebre Jason Lee que conhecemos hoje, famoso por ter sido o protagonista do seriado “My name is Earl”, e indicado como melhor ator para o Globo de Ouro nos anos de 2006 e 2007).

O videoclipe apresenta duas tomadas, uma com a banda tocando a música num show dentro de uma casa, com jovens bebendo e esparramados pelos sofás, e outra nas ruas, onde os skatistas aparecem fazendo manobras pela cidade. Esse clipe foi dirigido por Spike Jonze, que na época era tão somente um jovem que gostava de filmar seus amigos praticando skate (e praticava junto também).

Spike Jonze começou a se interessar por esportes alternativos quando jovem, aos 15 anos, e se interessou primeiramente pela BMX. Ele foi o fundador da revista Dirt, uma publicação direcionada para o mundo das bicicletas. Mas, logo em seguida, veio a paixão pelo skate e sua profissionalização enquanto diretor de videoclipes de bandas musicais.

Após “100%”, Spike dirigiu, em 1994, o videoclipe da música “Sabotage” dos Beastie Boys; e depois muitos outros, de bandas como: Fatboy Slim, Weezer, Chemical Brothers, R.E.M, Björk etc. Dirigiu também muitos filmes de skate, como “Goldfish” (1994), “Las Nueve Vidas De Paco” (1995), “Mouse” (1996), “”Chocolate Tour”” (1999), “Yeah Right!” (2003) e “Fully Flared” (2007), considerado seu melhor trabalho com o skate. Dos videoclipes para o cinema foi um caminho rápido. A primeira experiência veio em 1999, com o longa “Como ser John Malkovich”. Neste mesmo ano ele se casou com Sofia Coppola (filha de Francis Ford Coppola), com quem veio a se divorciar em 2009, no mesmo ano em que dirigiu o longa “Onde vivem os monstros”, uma adaptação de um livro do ilustrador Maurice Sendak, de 1963. Seu sucesso mais recente foi “Her”, de 2014, que conquistou cinco indicações ao Oscar.

Mas retornando ao videoclipe de “100%”. O que nos vem à mente quando o assistimos? O skate está lá, ele é um elemento central, mas sem pretensões, apenas skate de rua, improvisos, escadas, corrimãos. Do ponto de vista técnico, aparecem manobras desafiadoras para a época, como os truques em corrimão, escadarias e, certamente, o salto que finaliza o vídeo, executado por Jason Lee, um pulo seguido de uma virada de 180 graus de costas no ar, realizado com estilo e leveza (o nome da manobra em inglês é “backside ollie 180”).

Recuperando algumas ideias lançadas pelo Rafael Fortes no texto “Videoclipe como fonte histórica”, podemos atinar para os seguintes elementos: “Ano/época/contexto/lugar” de produção deste videoclipe, o que nos ajuda a pensar o início da década de 1990. Para uma análise de fato deste videoclipe, quantos elementos não seriam necessários? A noção de Tribos Urbanas, a ideia da cidade apropriada para diversão (qual cidade aparece no vídeo? Los Angeles?), o skate como arte corporal (como contracultura? Como subcultura? Como esporte?) e, além disso: Esse videoclipe dialoga com outras produções dessa mesma época? Creio que sim, e o mais emblemático talvez seja o filme Kids, produzido no ano de 1994 e dirigido por Larry Clark.

Falaremos sobre Kids em um outro momento. Por enquanto, ficamos com a inquietação: como melhor aproveitar esse rico universo dos videoclipes para a pesquisa em história dos esportes, em especial, para a história dos esportes californianos? Não somente o skate, mas o surfe, a BMX e tantos outros. Essa é uma ideia ainda inicial, em desenvolvimento, mas não podemos fechar os olhos para o seu grande potencial.


A trilha sonora do lazer no subúrbio carioca na década de 1980: uma singela homenagem a Dicró

05/05/2012

Por Valéria Lima Guimarães

 No último dia 25 de abril, “abotoou o paletó” prematuramente um dos mais criativos artistas populares que o Rio de Janeiro já conheceu. Escrevo este post revirando o baú da memória para fazer uma homenagem ao divertido e já saudoso Dicró,  autor e intérprete de muitas músicas que fizeram parte da trilha sonora do lazer do subúrbio carioca a partir do final da década de 1970.

Nascido Carlos Roberto de Oliveira, em Mesquita, na Baixada Fluminense, há 66 anos, meu conterrâneo Dicró era um orgulho na região. Quem tem mais de 30 anos deve se lembrar do auge do sucesso na tevê e nas rádios desse artista que fez carreira cantando com muito bom humor as crônicas da vida cotidiana nos subúrbios da cidade. Era chamado carinhosamente de “Prefeito de Ramos”, por suas declarações de amor ao balneário, que frequentava desde criança, hábito muito comum para os moradores da Baixada Fluminense meio século atrás. Dicró contava que costumava ir a pé do bairro da Chatuba (lá dentro de Mesquita) até a Praia de Ramos, por falta de dinheiro da passagem.

Quando estourou o sucesso “Praia de Ramos”, no início da década de 1980, esta já era considerada a praia mais poluída da cidade por conta do adensamento populacional em seu entorno e da falta de políticas públicas adequadas. A divertida letra falava da confusão que a sogra aprontou na praia, matando o genro de vergonha. Tem henê, negão salva-vidas que perde o calção, nega de maiô samba-canção, sogra se afogando, filho jogando siri no calção do pai, caminhão alugado para ir com a família a Ramos, frases de duplo sentido, todos os ingredientes de sucesso da escrachada crônica de costumes populares.

As músicas de Dicró embalavam as horas de lazer do pessoal do subúrbio. No churrasco, nas festas de final de semana, no futebol, em casa, no pagode no fundo do quintal ou bem alto na vitrola da sala, suas músicas e piadas inteligentes e de fácil identificação, tinham como maior inspiração a sogra, mas também falavam de outros tipos muito populares, como o cunhado intrometido, a loira, a nega, o negão/crioulo, o gurufim (velório e enterro com música), o “Ricardão”, o “rapaz que fala macio”, a “sapatão”, o “macumbeiro”, a confusão que terminava na delegacia, num contexto em que o humor e a sociedade não eram tão politicamente corretos como hoje.

Naquela época também fazia muito sucesso a coluna humorística “Avesso da Vida”, escrita pelo jornalista policial Léo Montenegro no Jornal O Dia, com os mesmos ingredientes do humor popular de Dicró. Genival Lacerda, Manhoso e Bezerra da Silva foram outros artistas populares de sua época que estouraram com suas músicas bem humoradas e de forte apelo popular. Quem não se lembra dos “Três Malandros”, o encontro entre Dicró, Bezerra e Moreira da Silva nos anos 1990, numa paródia dos “Três Tenores” (Carreras, Domingo e Pavarotti)?

Os divertimentos populares, como o churrasco, o futebol e o bingo foram captados com muita irreverência nas músicas de Dicró, um vascaíno doente, que gravou o sucesso “O bom de bola”, em que se dizia o professor de Pelé, Beckenbauer e do “tal de Cruijff”. Na música, o supercraque Deu drible no Rivelino, “lençol” no Gérson e no Tostão, tabelou com Pelé e fez gol na Copa de 58, e ainda ganhou poços de petróleo e mais de um milhão na Arábia com o seu desempenho no futebol! O refrão é memorável:  “Joga Bola Mané/ Joga Bola Mané/ Vou lhe mostrar quem eu sou/Fui eu que ensinei a Pelé”.

Nos últimos 10 anos, era figura certa no Largo da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro, onde vendia seus CDs e DVDs de forma alternativa, pertinho do povo. Em 2010 foi redescoberto pela Rede Globo e fez uma participação no programa Fantástico, mostrando num divertido quadro os contrastes entre os costumes do povo e as invenções luxuosas e extravagantes da vida moderna, como os navios de cruzeiro. No ano seguinte, foi ao Programa do Jô e disse que tinha 65 anos, mas pelado lhe davam 18 ou 19, fazendo todo o auditório gargalhar.

Tudo na vida é finito, mas as coisas boas bem que poderiam durar um pouco mais.  Falar de Dicró é falar de alegria e dar boas risadas com suas músicas e piadas que captavam com propriedade aspectos cotidianos da cultura popular.

Pra terminar em alto astral, com a melhor lembrança do artista de alma suburbana que animava as horas de folga de tanta gente, segue uma cena antológica que reuniu outros quatro craques do humor nos inesquecíveis videoclipes do programa Os Trapalhões:

Pois é…


Nós vamos invadir sua praia…

07/11/2010

Por André Schetino

Vi há algumas semanas na tv uma notícia que logo me remeteu à uma das irreverentes música da banda Ultraje a Rigor (que intitula esse post) e também ao meu camarada Rafael Fortes, que escreve aqui no blog. Era uma pequena reportagem cobrindo o IV Campeonato Mineiro de Surf, realizado no final do mês de agosto na praia de Geribá, em Búzios (RJ).

Os esportes náuticos em MG são bastante difundidos quando se trata de práticas que podem ser realizadas em rios, lagos, represas e afins, como o rafting, wakeboard, jet ski entre outros. No caso do surf, confesso que inicialmente achei inusitado, mas logo compreendi que o que acabara de assistir fazia parte de um movimento até comum nos esportes: a escolha de modalidades esportivas na qual sua prática é inviabilizada pela ausência de espaço próprio no local.

Talvez o maior exemplo disso esteja no filme “Jamaica abaixo de zero”, comédia que fez bastante sucesso, e hoje já figura entre os clássicos dignos das reprises da Sessão da Tarde. O filme mostra com boa dose de humor a participação da equipe da Jamaica nas provas de trenó no gelo, modalidade conhecida como bobsled.

Jamaicanos praticando bobsled, brasileiros com delegação nos Jogos Olímpicos de Inverno, campeonato brasileiro de esqui e snowboard realizado na Argentina, e mineiros nas ondas do surf são alguns exemplos do esporte quebrando barreiras geográficas. O caso do campeonato mineiro de surf (em sua 4ª edição) evoca o discurso do fascínio que os representantes das alterosas têm pelo mar. Apesar de faltarem indícios científicos que comprovem essa teoria, a escolha de pacotes turísticos e a alta taxa de ocupação de hotéis e pousadas nas praias por mineiros (dentre os quais me incluo) mostram que o discurso não é construído sem fundamento.

Para terminar em grande estilo, escolhi outro exemplo para ressaltar a relação dos mineiros com o surf, além de mostrar a amplitude das práticas do campo esportivo. Deixo vocês com o clipe da música  Harbor Patrol da banda mineira de surf music, chamada Estrume n’ tal. A banda figura entre as muitas que participam do “Primeiro Campeonato Mineiro de Surf”, festival de surf music que acontece em Belo Horizonte se encontra em sua 10ª edição.

Para saber mais:

IV Campeonato Mineiro de Surf – http://www.ysports.com.br/index.php?primario=sala&id_sala=96

10º Primeiro Campeonato Mineiro de Surf – http://campeonato.reverb-brasil.org/


Jorge Ben e o surfe

09/11/2009

Por Rafael Fortes

Jorge Ben sem óculos escuros, de short, na praia, cantando “a onda do momento, o surfe”? Pois, é.

Conhecido por numerosas composições sobre o futebol e o Flamengo, no fim dos anos 1970 o papa do que hoje se chama samba-rock rendeu-se ao surfe. Naquele momento, a modalidade vivia seu primeiro boom no Brasil. O título, “Waimea 55.000”, é uma referência ao campeonato Waimea 5.000, etapa do Circuito Mundial de surfe então realizada no Rio de Janeiro e patrocinada pela loja carioca Waimea Surf Shop. “Eu vou surfando e cantando / eu vou”, versava meu cantor favorito na faixa, divulgada no programa Fantástico, da TV Globo, em 1979, e disponibilizado no Youtube:

O clipe é uma pérola. Para não me estender muito, fico com três observações. Primeiro, o vídeo conta com algumas características típicas de boa parte dos filmes de surfe, como a exibição de mulheres de biquíni e os enquadramentos de câmera em close-up nas bundas femininas.

Segundo, contém uma imagem do frescobol – aquele que, há quem alegue, é o único esporte inventado no Rio de Janeiro. E uma sequência de surfe de joelho (kneeboard), uma das diversas modalidades esportivas que aproveitam as ondas.

Terceiro, mostra o processo artesanal de fabricação de pranchas, mencionado ironicamente na letra: “essa prancha parece até um submarino, aí / isso é que dá fazer prancha no fundo do quintal, Paulinho”.

Comprovando a força da febre do surfe no Rio de Janeiro e em outras cidades do litoral brasileiro, no ano seguinte, no LP “Alô Alô, Como Vai”, o atual Benjor gravava “Solitário Surfista“:

A letra, igualmente simpática à modalidade, convida o “solitário surfista” a exibir seu repertório: “e mostre um front side, um cut back / Um back side, um loop”

*  *  *

A ideia de fazer este texto surgiu meses atrás, quando vi o vídeo de Waimea 55.000″ (que eu desconhecia) no excepcional blogue Goiabada, do surfista e jornalista Julio Adler. Embora fã de Ben, eu tampouco conhecia “Solitário Surfista”, do disco “Alô Alô, Como Vai” (1980). Passei a conhecer nos comentários do mesmo post do Goiabada, graças à contribuição do leitor Gabiru. Bênção ao potencial e à prática colaborativa da internet!

Nota: de acordo com texto de divulgação disponível no sítio do cantor, “Waimea 55.000” foi incluída como faixa-bônus no relançamento em CD de “Dádiva”, de 1984. Na discografia oficial, que se atém aos lançamentos originais, a canção não consta no LP.


Uma revista de esportes radicais

08/06/2009

Na primeira metade dos anos 1980, surgiu em São Paulo uma revista dedicada aos esportes radicais: Fluir – Terra, Mar e Ar. Não foi a primeira voltada ao público jovem e a modalidades como o surfe. Nos anos 1970 houve iniciativas como Surf Sul (Florianópolis), Quebramar (Santos) e Brasil Surf (Rio de Janeiro).

Publicações de conteúdo mais geral – e não apenas esportivo – também circularam, como Pop e Realce. Esta última daria origem ao programa televisivo de mesmo nome, que fez sucesso e história nos anos 1980 mesclando cobertura de esportes radicais e música – incluindo clipes e entrevistas com a geração que despontava e marcaria o rock brasileiro durante os anos 1980 (vale a pena conferir a linha do tempo com a atuação de Antonio Ricardo e Ricardo Bocão na mídia do surfe). Pop, editada pela Abril Cultural, circulou entre 1972 e 1979.

Em 1983, cinco sócios lançaram aquela que viria a se tornar a principal revista brasileira de surfe. Na primeira capa, o surfe em destaque (num negativo de filme da marca Kodak!) e chamadas para voo livre e bicicross.

Capa da edição de estréia de Fluir (set-out 1984)

Capa da edição de estréia de Fluir (set-out 1983)

A capa e o subtítulo evidenciam o objetivo de se apresentar como uma revista de esportes radicais, disputando terreno com Visual Esportivo, publicada no Rio. Durante cerca de um ano, as modalidades de ar e terra (acrescidas do skate, abordado a partir do número dois) conviveram com o surfe.  Este passou de modalidade central a única. O voo livre foi o primeiro a cair (com o perdão do trocadilho), seguido pelo bicicross e skate. Fluir converteu-se em um título exclusivamente sobre surfe – com uma ou outra pitada de skate e música a cargo do Dr. Anshowinhas  – e logo passou a ocupar o lugar de principal publicação brasileira sobre a modalidade. Sustento a hipótese, até hoje inconteste, de que se trata da revista esportiva publicada há mais tempo de forma ininterrupta no Brasil – Placar, por exemplo, sofreu algumas pausas nos anos 1990.

Nas edições em que as modalidades desapareceram, nenhuma explicação foi dada aos leitores quanto aos motivos para as mudanças. Em edições comemorativas posteriores, a justificativa apresentada em entrevistas com os criadores dizia respeito aos anunciantes, quase todos voltados para o surfe. Acredito que essa tenha sido a razão mais concreta/imediata, mas ela se articula com uma questão de fundo: bicicross, voo livre e skate não produziram, durante os anos 1980, uma cultura própria que gerasse consumo intenso entre praticantes e, principalmente, simpatizantes. Já produtos como bermudas e camisas de marcas ligadas ao surfe foram e são consumidos por crianças, adolescentes, jovens e adultos em diversos lugares do Brasil, muitos deles afastados do litoral.

Para saber mais:

BORGES, Luís Fernando Rabello. O processo inicial de formulação de produtos de mídia impressa brasileira voltados ao público jovem – Um estudo de caso da revista Pop. Dissertação de mestrado, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), 2003.

GUTENBERG, Alex. A história do surf no Brasil: 50 anos de aventura. São Paulo: Grupo Fluir/Ed. Azul, 1989.


Quem somos

27/04/2009

História(s) do Sport é uma iniciativa acadêmica, dinamizada por pesquisadores que se debruçam sobre a história do esporte e do lazer, grande parte deles vinculados ao Sport: Laboratório de História do Esporte e do Lazer (laboratorio.sport@gmail.com). Os posts não têm a pretensão de tratar os assuntos com profundidade, mas sim captar a curiosidade do leitor, demonstrando que essa manifestação cultural com a qual nos deliciamos no dia a dia está profundamente articulada com o cenário sociocultural de um tempo.

O blog é atualizado no mínimo semanalmente, sempre por um autor e com um tema distinto.

Integram a equipe:

Alvaro do Cabo

Rubro-negro, professor, historiador e advogado. É mestre em Comunicação Social pelo PPGCOM/UERJ e possui especialização em Relações Internacionais. Criado em Copacabana e frequentador do Maracanã desde a final da Taça Guanabara de 1982 (Flamengo 1 x 0 Vasco decidido com gol de Adílio), é um apaixonado pela cidade do Rio de Janeiro, sobretudo suas praias, e por pesquisar futebol, principalmente Copas do Mundo. Contato: alvarodocabo@yahoo.com.br

André Couto

Nascido em Três Rios (RJ), tricolor de coração, é professor, historiador, especialista em História do Brasil (UFF) e em Educação Tecnológica (CEFET/RJ) e mestre em História Social (UERJ/FFP). Escreveu a dissertação “A Hora e a a Vez dos Esportes: o Jornal dos Sports e a Consolidação da Imprensa Esportiva no Rio de Janeiro (1931-1950)”. Tem interesse especial pela relação entre imprensa e esportes. Contato: guimaraescouto@yahoo.com.br

Cleber Dias

Carioca e suburbano, sempre; apesar de se encontrar atualmente exilado em Belo Horizonte. Autor de Urbanidades da natureza e Entre o mar e a montanha, diz que faz questão de estudar os “esportes na natureza” apenas no plano acadêmico, o que de certo modo ajuda a ocultar um pouco sua covardia diante dessas extreplolias esportivas. Contato: cag.dias@bol.com.br

Cleber Karls

Gaúcho de Santa Cruz do Sul, atualmente mora no Rio de Janeiro onde cursa doutorado em História Comparada no PPGHC/IH/UFRJ. Contato: cleber_hist@yahoo.com.br

Coriolano Junior

Nascido no estado do RJ, atualmente mora em Salvador (Bahia), no bairro do Rio Vermelho. Doutor em História Comparada, Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da Bahia, mestre em Educação Física; desenvolve estudos na área da história do esporte. Contato: coriolanojunior@uol.com.br

Diogo Silva do Nascimento

Doutorando em Estudos do Lazer (UFMG), morador da tão noticiada favela da Maré, Botafoguense que não esquece o gol do Maurício em 1989 e amante/pesquisador dos campos de várzea das favelas do Rio de Janeiro. Contato: dyogo.edu@gmail.com

Edônio Alves

Jornalista, Poeta, Escritor. Doutor em Literatura Comparada e professor do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal da Paraíba. Integra o time de pesquisadores do Sport: Laboratório de História do Esporte e do Lazer do IH/UFRJ e desenvolve pesquisa sobre a relação futebol e literatura. Obras publicadas: (Poesia): Essa doce alquimia. João Pessoa: Editora Idéia, 1992. Os amantes de Orfeu & Poemas de Rima Interior. João Pessoa: Editora Idéia, 1999. (Contos): A Ferrugem e o Mármore: cinco contos quase-reais. João Pessoa: Editora Idéia, 2004. (Ensaio Crítico): As ligações perigosas: relações entre literatura e jornalismo na década de 70 no Brasil. João Pessoa: Editora da UFPB, 2006. Currículo Lattes. Contato: edonio@uol.com.br

Eduardo de Souza Gomes

Nascido em Niterói/RJ, botafoguense desde que se entende por gente e fanático pelo Manchester United, é desde pequeno apaixonado pelo esporte e sua história, especialmente o futebol. Praticou natação e outras modalidades na juventude, mas na impossibilidade técnica de se tornar um atleta profissional, optou por seguir os caminhos investigativos da História do Esporte. Atua como professor e pesquisador na área de História, sendo doutorando e mestre em História Comparada pela UFRJ e graduado em História pela UERJ. Autor do livro El Dorado: os efeitos do profissionalismo no futebol colombiano (1948-1951) e organizador de Olhares para a profissionalização do futebol: análises plurais, além de outros trabalhos relacionados a História do Esporte na América Latina, temática que norteia seus posts no blog. Contato: eduardogomes.historia@gmail.com

Elcio Cornelsen

Professor da Faculdade de Letras da UFMG. Doutor em Estudos Germanísticos pela Freie Universität Berlin, na Alemanha, com Pós-doutorado em Estudos Organizacionais pela FGV, em Teoria Literária pela Unicamp, e em História Comparada pela UFRJ. Coordenador do Núcleo de Estudos sobre Futebol, Linguagem e Artes (FULIA). Entre outras, co-organizou as seguintes obras:Literatura e guerra (2010), Imagem e memória (2013), Futebol, linguagem, artes, cultura e lazer (2015), Em torno da imagem e da memória (2016), e Futebol, linguagem, artes, cultura e lazer II (2017). e-mail: cornelsen@letras.ufmg.br

Fabio de Faria Peres

Carioca de Jacarépagua, Doutor em Saúde Pública pela Fiocruz, atualmente é bolsista de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Estudos do Lazer da UFMG. Contato: fabioperes@ymail.com

Fernando Borges

Niteroiense e com saudades de quando o Botafogo jogava no Caio Martins. Formado em Comunicação Social – Jornalismo pela UFRJ, mestre em Comunicação e Jornalismo pela Universidade de Coimbra e doutorando em Comunicação na Universidade Pantheon-Assas, em Paris, fez do esporte – principalmente o futebol – parte importante da sua trajetória profssional, porque acredita que é preciso gostar do que se faz. Publica posts sobre o esporte na Europa. Contato: fvannierborges@yahoo.com.br

Flávia da Cruz Santos

Mineira de criação, suburbana e torcedora (fajuta) do Atlético Mineiro, reside desde 2015 na interiorana Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, onde é professora da UFJF. Autora do livro O lazer como direito social: sua inclusão na Constituição de 1988. Contato: flacruz.santos@gmail.com

Jorge Knijnik

Quando nasceu, veio um médico, por acaso seu tio, lhe deu uns tapas na bunda e disse: “vai, Jorge, ser Dorfman Knijnik na vida!” (homenagem ao querido Carlos Drummond de Andrade…). Gaúcho e paulista, pernambucano de coração, com raízes brasileiras espraiadas pelo mundo, que o levaram a morar na Austrália, onde é professor da University of Western Sydney. Por lá, adora estar perto da natureza em um ambiente cultural excitante e poder estar mais perto de seus filhos. Fazem falta os amigos, as mulheres brasileiras (em primeiro lugar), o guaraná e o carnaval de Olinda. Organizou, entre outros, Gênero e Esporte: masculinidades e feminilidades. Contato: jk@usp.br

Karina Cancella

Historiadora, doutora em História Comparada pela UFRJ e professora do Colégio Pedro II. Desde a graduação dedicada a investigar a História do Esporte, a partir do mestrado iniciou debates específicos sobre as relações dos militares com as práticas esportivas. Autora dos livros “O Esporte e as Forças Armadas na Primeira República: das atividades gymnasticas às participações em eventos esportivos internacionais (1890-1922)” e “100 anos de esporte na Marinha do Brasil: da Liga de Sports ao Programa Olímpico”. Contato: karinacancella@gmail.com

Leonardo Brandão

Historiador nascido em São Paulo e com doutorado pela PUC-SP. Já morou em várias cidades, mas desde 2012 reside em Blumenau/SC, onde atua como docente no curso de História e no Programa de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) em Desenvolvimento Regional da FURB (Universidade Regional de Blumenau). Estuda a história dos jovens e dos esportes chamados “radicais”. Publicou, entre outros trabalhos, o livro: “Para além do esporte: uma história do skate no Brasil”. Contato: leohst@hotmail.com

Luiz Carlos Sant’ana

Professor de História, doutor pelo Programa de História Comparada do IH/UFRJ, com a tese O Futebol nas telas: um estudo sobre as relações entre filmes que tematizaram o futebol, duas ditaduras e promessas de modernidade, no Brasil e na Espanha, 1964-1975. Contato:caoargos@hotmail.com

Maurício Drumond

Historiador, doutor em História Comparada pela UFRJ e professor de História. Autor do livro Nações em Jogo: esporte e propaganda política em Vargas e Perón, há muito tempo se interessa pelas relações entre política e esporte, em especial o futebol. Contato: msdrumond@yahoo.com.br.

Nei Jorge Santos Júnior

Professor, suburbano de Campo Grande e torcedor do Glorioso Botafogo. Doutorando em estudos do Lazer pela UFMG e mestre em História Comparada pela UFRJ. Além de escrever sobre o esporte nos subúrbios da Cidade Maravilhosa, notadamente em Bangu, postará alguns textos sobre a diversão suburbana, fruto da tese em andamento: A vida divertida suburbana: identidades e tensões nos clubes recreativos de um arrabalde chamado Bangu (1910-1929). Contato: edfnei@hotmail.com .

Rafael Fortes

Professor na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Integra também o corpo permanente do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos do Lazer da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Autor dos livros O surfe nas ondas da mídia: esporte, juventude e cultura e Pesquisa histórica e história do esporte e organizador de Comunicação e esporte: reflexões a partir do cinema e Repensando o lazer a partir da cultura digital. Aqui no blogue escreve principalmente sobre história do surfe, mas volta e meia trata de fontes históricas distintas (filmes, romances e videoclipes) e de outros temas. Contato: rafael.soares@unirio.br .

Ricardo Pinto dos Santos

Doutor em História Comparada (UFRJ- PPGHC), se dedica aos estudos sobre o Racismo no Esporte desde 2002. Nesse tempo, participou de diversos congressos e simpósios sobre o tema, bem como publicou diversos capítulos de livros que debatem o assunto. Sua última publicação foi o livro “Entre rivais” (Mauad, 2013).

Victor Melo

Carioca há muitas encarnações, nessa atual nasceu em Senador Camará (no glorioso Bairro Jabour). Flamenguista, umbandista, marxista e torcedor da Unidos de Vila Isabel, é professor da UFRJ e coordena o grupo (bando? quadrilha?) de pesquisa “Sport”: Laboratório de História do Esporte e do Lazer. É autor de alguns livros e artigos (http://lattes.cnpq.br/9730234823420258), mas acha que o melhor mesmo que fez na vida foi o João, seu filho. Contato: victor.a.melo@uol.com.br

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