Esporte e voluntarismo na Australia

21/02/2011

Por – Jorge Knijnik

O grande historiador e filosofo do esporte, o australiano nascido em Adelaide Daryl Adair uma vez ja chamou o esporte de ‘a vaca sagrada’ da Australia. Os brasileiros tem uma visao da Australia sendo um ‘paraiso esportivo…’; talvez pela quantidade de medalhas olimpicas e pelo sucesso deste pais no esporte de rendimento, ficamos achando que a Australia deve ser ‘tudo de bom’ nesta area… Se voce pegar seu carro e sair pelas ruas de Sydney e adjacencias em um sabado ou domingo a tarde, ira ver centenas, melhor,milhares de criancas e jovens e adultos e gente de todas as idades, culturas, sexos, cores, jogando uma diversidade incrivel de modalidades. Rugby (dois tipos diferentes), cricket, futebol (o ‘nosso’…), futebol australiano (sim, aqui joga-se Australian Football Rules, o ‘footy’, um jogo bem interessante, dezoito de cada lado! Com liga profissional, TV, bons salarios e bastante gente jogando ‘for fun’ tambem); netball, baseball (e suas derivacoes) entre varios outros. No seu passeio, o visitante ira’ tambem ver centenas (isso mesmo) de grandes campos gramados (o que eles chamam de ‘oval’) ocupados por estas pessoas, espacos publicos comunitarios para a pratica esportiva.
Para quem gosta, isso e’ muito legal! Muita gente olhando, jogando, se divertindo, competindo… Mas tem uma coisa que vai chocar o leitor brasileiro, principalmente se ele for professor de Educacao Fisica (como eu, alias) ou, nos tempos atuais, ‘profissional de EF’, com registro em algum Conselho Regional da area… Este esporte de final de semana, praticado por milhares de pessoas, e’ totalmente organizado, dirigido e coordenado por… voluntarios! Isso mesmo, managers, organizadores, tecnicos e professores sao voluntarios, pais ou maes ou pessoas da comunidade que se voluntariam para tocar o time dos seus filhos e filhas, irmaos menores, amigos, tanto para dar treinos, preparar as tabelas, pintar as marcacoes dos campos, vender na cantina, arrecadar fundos para os clubes, fazer o churrasco, enfim, tudo o que se refere aos clubes onde o ‘esporte de base’, ou o esporte ‘participativo’ acontece, e’ tocado basicamente por voluntarios, sem formacao em EF! Alias, pouca relacao a EF tem com este esporte por aqui…
Chocado?Revoltado? Acha que o Conselho Brasileiro devia processar todos os sem-registro australianos? Olha, mas esta e’ a tradicao aqui, o voluntariado, as pessoas fazendo coisas por sua comunidade. Eu, como bom professor de EF, estranhei no comeco – onde estao os profissionais? O que este pessoal entende de movimento humano? Mas me voluntariei para ser tecnico de um time de futebol Under -6… Foi uma farra, dirigir aquela molecadinha nos treinos semanais e nos jogos aos sabados de manhazinha … Jogamos mais de duas dezenas de joguinhos de ‘small-sided soccer’, 4X4 com campinho pequeno e golzinho em ‘ovals’ espalhados por Sydney… Sempre com uma intensa vibracao da comunidade voluntaria organizando tudo.
Mas a pulga continuava atras da minha orelha,afinal, voluntarios nao entendem muito de esporte…
A resposta veio neste verao, quando uma tragedia natural quase que destruiu a terceira maior cidade australiana: Brisbane, capital de Queensland, foi inundada pelo rio que corta a cidade, eles chamaram isso de ‘Tsunami in-land’, realmente, horrivel e impresssionante a destruicao…
Momentos de tristeza e terror.
Quando as aguas abaixaram um pouco, as pessoas comecaram a voltar para suas casas, alagadas, destruidas, cheias de lama, etc… E simplesmente comecou um transito nas entradas da cidade, lotadas, entupidas por nada menos que 24.000 (isso mesmo, vinte e quatro mil) voluntarios, que sairam de suas casam por toda a Australia, pegaram seus carros, pegaram avioes, para ajudar a reconstrucao da cidade… Velhos, mulheres,criancas, gente de todas as culturas,nacionalidades, sexos, idades…Algo lindo, impressionante, tocante!
Ai eu entendi aonde nasce este espirito voluntario… E que nos campos esportivos se aprende muito mais do que tecnicas esportivas ensinadas por profissionais, se aprende a construir uma alma comunitaria!
Na proxima vez, vou falar das maluquices que os australianos fazem sobre esportes… e compara-las com os sulamericanos…Quem sera mais louco?


Os Titãs do futebol australiano: Sutherland Titans Football Club, uma bela historia de inclusão social no World Game.

12/04/2015

Por Jorge Knijnik

Para Airton e Daniel

Airton foi uma das figuras mais notáveis que conheci ao longo da minha infância, e que me marcou por toda a vida. Um pouco mais velho que eu, Airton bem cedo já apresentava as suas credenciais físicas de adolescente: lembro que ao redor dos seus 13 ou 14 anos ele já tinha uma barba espessa e muitos pelos ao longo do corpo. Entretanto, o que o fez inesquecível foi ser um garoto com necessidades especiais, que frequentava o mesmo acampamento de verão no qual eu passava os meus meses de janeiro. Neste acampamento de férias, próximo a Campos do Jordao, uma região montanhosa no Estado de São Paulo, fazíamos milhares de atividades: muitos esportes, artes, escaladas, passeios de barco, excursões a cavalo, passeios em cachoeiras e montanhas… Também aprendíamos a colaborar com a coletividade, limpando nossos dormitórios, servindo as refeições, arrumando as mesas depois que todos comiam, cuidando dos menores… Tempos de muita diversão e aprendizado.

Acredito que Airton jamais saiu da memoria de ninguém que acampou naqueles anos: seu sorriso maroto, sua espontaneidade, sua gentileza e ingenuidade, o transformaram em um líder em meio aos 200 garotos que lá veraneavam. A singularidade de Airton fez com que ele virasse um exemplo admirado por todos nos. Independentemente de suas aparentes dificuldades, Airton era incluído, ou se incluía, em todas as atividades: fazia teatro, pescava, andava a cavalo, acampava, jogava bola e se divertia conosco, aprendia e ensinava. Era aplaudido por todo mundo. Às vezes, no refeitório, pegava o microfone e fazia uma fala sobre seus sentimentos – ou apenas cantava. Era carregado nos ombros em virtude de sua suavidade. Sua voz desafinada de adolescente ainda hoje ecoa em meus ouvidos. Quando a ultima noite do acampamento chegava, nos reuníamos em volta da fogueira, cantando e chorando de saudades; ele chorava conosco, nos abraçávamos e prometíamos que nos veríamos de novo no próximo ano.

Airton voltou a minha mente assim que eu conheci o Sutherland Titans Football Club, um clube de futebol amador da região de Sutherland Shire, ao sul de Sydney, no estado de New South Wales, na Australia. O clube foi criado em 2006, após uma primeira temporada-teste em 2005, na qual o embrião daquilo que viria a se tornar o Titans FC competiu sob o nome de Sutherland Shire Special Division, com quatro times chamados de Pandas, Polars, Koalas and Grizzlies (urso-pardo). O sucesso destes times foi tamanho, que no ano seguinte, com o apoio de outro clube local (Gymea FC) o Titans FC foi fundado, tornando-se o 26º clube da Sutherland Shire Football Association (SSFA), a associação que congrega todos os clubes de futebol da região – e que se autodenomina a ‘maior associação de futebol amador da Australia’ – slogan muito bem afinado com o típico ideário australiano de ser o ‘maior do mundo’ em alguma coisa o tempo todo.

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Entretanto, o trabalho do Sutherland Titans Football Club (STFC) é digno da ‘maior solidariedade do mundo’. O clube tem por objetivo incluir crianças e jovens com necessidades especiais na sociedade através do futebol. Como eles fazem isso? Participando das variadas competições, dos diversos grupos etários que disputam as competições da SSFA. Exatamente, eles participam das competições ‘normais’[i]; a cada final de semana, as equipes que estão no ‘chapéu’ naquele dia, vão ao campo dos Titans e jogam contra um grupo deles. Todos se divertem e aprendem. As crianças adversarias ajudam os jogadores titânicos, mas ao mesmo tempo aprendem lições de humanidade e humildade. Juntos, todos e todas buscam o mesmo objetivo: criar condições para que aqueles jogadores e jogadoras tenham um momento apenas para si mesmo, corram, brinquem e aprendam paulatinamente a se tornarem independentes de seus pais ou cuidadores, em um ambiente lúdico e de total respeito.

Independência para os titânicos é a palavra-chave. Muitas crianças com necessidades especiais precisam que, no inicio de sua jornada esportiva, seus pais joguem junto com elas dentro do campo. Pouco a pouco, eles vão se libertando desta necessidade e ficando mais independentes. Não é um trabalho fácil. Muitas vezes, porem, os jogadores e as jogadoras titânicos requerem pessoas que os ajude, que fique dentro do campo dando apoio e segurança, mostrando o caminho, segurando as mãos ou simplesmente sorrindo e mostrando que estão lá para o que der e vier. Este trabalho é feito por voluntários, adolescentes ou jovens adultos que se dirigem ao campo dos Titans aos finais de semana com o intuito de ajudar a organização da rodada: arrumar os campos no inicio e ao final do dia, fazer a demarcação das linhas, colocar e tirar as traves e redes, fazer o churrasco, trabalhar na cantina, apoiar os jogadores, brincar com eles, dar e receber. As relações ali estabelecidas são duradouras e muito satisfatórias.

Voluntarismo também é outra palavra de ordem para o STFC. Todos os que organizam e dirigem o clube são voluntários. Um trabalho árduo e recompensador. A cada ano, o clube cresce e atinge mais pessoas, agregando mais jogadores. Com isso, ao longo desta década de existência, eles já mudaram três vezes de ‘casa’; se nos seus primeiros anos de vida os Titans jogaram em campos administrados por outros clubes, em 2011 eles finalmente conseguiram um campo próprio, onde podem treinar, sediar jogos, realizar suas atividades sociais e guardar seus equipamentos esportivos. Ao mesmo tempo, contudo, ter uma casa própria trouxe novos desafios e responsabilidades, os quais os voluntários titânicos encaram com a sua mais que conhecida e destemida coragem titânica.

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Amizade e solidariedade são mais duas palavras-chave para os Titans FC. Os voluntários do clube estão sempre organizando campanhas para levantar fundos a fim de realizar as diversas atividades do clube, tais como cuidar dos gramados, comprar materiais esportivos, limpar os vestiários e banheiros, pagar as contas de luz, entre tantas outras necessidades materiais. Noites de Zumba, tardes de fitness, churrascos, doações de empresas e amigos… Graças a comunidade local, os Titans vem enfrentando com afinco as suas dificuldades, e a cada ano crescem e incluem mais jogadores em seu plantel.

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O Titans FC pretende promover um ambiente inclusivo com os mais altos padrões éticos possíveis. Todos os seus membros, jogadores, familiares e voluntários devem aderir e assinar o seu código de conduta, o qual inclui, entre outras clausulas: o respeito aos direitos e a dignidade alheia; comprometer-se a prestar um serviço do mais alto nível; jamais usar a própria ligação com o Titans FC para autopromoção, tampouco para promover valores pessoais, políticos ou religiosos; evitar qualquer tipo de assedio ou discriminação contra os participantes; entre outros 12 pontos que pretendem assegurar um divertimento sadio, livre e positivo para todos os participantes do clube.

Todas as crianças e jovens que jogam contra os times do Titans FC saem desta experiência gratificados, com vontade de ajudar mais. Eles são unanimes ao afirmarem a beleza daqueles momentos e ao salientarem o prazer de praticar esporte com outros objetivos que não exclusivamente a competição e a vitória.

O Airton iria adorar jogar pelo Titans. Talvez ele virasse um diretor, ou um técnico do clube. Talvez um goleador! Tenho certeza, entretanto, que o espirito dele vive aqui em meio ao STFC. Airton sempre foi um cara demasiadamente forte, um Titã de verdade, com o qual eu passei alguns verões no inicio da minha adolescência, e com quem tive a honra de brincar junto, de abraçar e de carregar nos braços – e no coração. Para ele, e para o Daniel, dedico esta humilde crônica. Go Titans! Continuem nos enchendo de luz.

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[i] Os normais que se levantem…e saiam, por favor! Estou um tanto quanto farto da normalidade e da chatice – alguém ai de perto é normal?


Netball, uma paixão das garotas e mulheres Australianas – mas somente delas?

03/12/2012

                                                                                                                 Jorge Knijnik

‘Corra atrás quando sempre

Desta lúdica fiança

Conviver entre as mulheres

Dá aos homens mais confiança’

(Xandão, 2006)

 

Netball (antigamente chamado de  ‘basquetebol para mulheres’) é um esporte que teve as suas primeiras regras oficiais formuladas na Inglaterra em 1901, e  rapidamente se expandiu pelo mundo, principalmente entre os países pertencentes ao antigo Império Britânico. Melhor,o netball se espalhou velozmente entre as mulheres dos países pertencentes ao Commonwealth [1] Britânico.

Na Austrália, o jogo é uma febre entre meninas e mulheres: algumas estatísticas dão conta de mais de meio milhão de participantes nos diversos níveis onde se pode jogar netball – crianças a partir de 7 anos, amadoras, profissionais, veteranas, etc –  o que colocaria o netball no topo dos esportes mais praticados neste país. Na Nova Zelândia, aparentemente o netball só perde em número de participantes para o rúgbi. Enfim, por estas bandas do globo se joga muito netball. Não é por acaso que,  atualmente, ambos países detêm, respectivamente, o título de campeão e vice-campeão mundiais.

Entretanto, alguns leitores (e leitoras, afinal, este em tese é um esporte para mulheres!) de língua portuguesa podem se perguntar: mas afinal, que esporte é esse, do qual nunca ouvimos falar?

Netball é um esporte que se joga em uma quadra com sete jogadoras em cada equipe. As jogadoras têm posições pré-definidas, e cada uma destas só pode jogar em determinados locais da quadra. Ninguém tem autorização para percorrer a quadra toda. Por exemplo, uma das posições mais dinâmicas, a Centre (C), é geralmente ocupada por jogadoras não muito altas, mas ágeis e velozes, que conseguem se deslocar tanto no ataque quanto na defesa; entretanto, elas não podem entrar no ‘goal circle’ (área para se pontuar), de modo que não podem arremessar na cesta (ring). Dentro de cada uma destas áreas há um poste com uma cesta (sem tabela), e obviamente o objetivo do jogo é colocar a bola lá dentro, ganhando um ponto (goal) a cada vez.

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As jogadoras não podem andar com a bola, tampouco driblar (bater) a bola no chão, o que faz com que este seja um jogo extremamente coletivo, no qual o passe preciso é uma das  principais armas de uma equipe para chegar com a bola na ‘goal circle’ adversária e tentar o arremesso.

Como se pode perceber, no netball há uma série de restrições ao movimento das jogadoras. Não podem andar com a bola na mão, tampouco driblar a bola; só podem ficar em determinados lugares da quadra – há posições, tais como a ‘Goal Shooter'(arremessadora) que só pode atuar na parte ofensiva da quadra (o seu ‘goal third’, exatamente um terço da quadra); a contrapartida desta atacante é a Goal Keeper (aquela que literalmente defende a sua cesta, o seu goal, contra a goal shooter adversária) que apenas se desloca no seu campo (um terço) defensivo.

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Posições do netball: Goal Keeper (GK); Goal Defense (GD); Wing Defense (WD); Center (C); Wing Attack (WA); Goal Attack (GA): Goal Shooter (GS)

Na época de sua codificação (início do século XX) estas restrições ao movimento das jogadoras estavam profundamente ancoradas nas concepções histórico-sociais daquilo que se considerava  ser o ideal para uma atividade física para mulheres: nenhum contato físico, poucos deslocamentos e poucas corridas…Enfim, tudo adaptado a uma determinada visão do corpo da mulher, ao ‘frágil’ corpo feminino que se queria manter assim. Um esporte para mulheres, um pouco de atividade física para elas, mas sem muita ‘suadeira’, e sem muita ‘porrada’… As restrições  aos movimentos também passavam pelo fato das mulheres usarem saias longas, que impediam ou dificultavam as corridas e o drible da bola. Enfim, tudo adequado às ideologias dominantes que pretendiam restringir o corpo da mulher, para que esta ‘conservasse a sua energia’ melhor , como diria Edward Clarke no seu clássico Sex in Education, or a Fair Chance for the Girls (1873). Claro que estas ideologias propagavam que a principal função feminina era a procriação, de modo que as atividades físicas e esportes deveriam levar sempre isso em conta. Ou seja, se adequadamente supervisionadas para se evitar todos os possíveis ‘excessos’, os educadores do final do século XIX acreditavam que atividades físicas controladas poderiam ajudar o desenvolvimento do corpo feminino, ao mesmo tempo diminuindo os rigores do trabalho intelectual – estamos aqui falando de garotas que frequentavam escolas, ou seja, de uma classe social que tinha acesso a educação.

Importante ressaltar que, se a codificação oficial do netball se deu na Inglaterra em 1901, o esporte surgiu antes, começando a ser jogado em colleges norte-americanos em um período muito semelhante ao do basquete, por volta dos anos 1870. Ou seja, se jovens mulheres naquela época já experimentavam atividades físicas individuais (ciclismo, golfe, natação, remo, etc), também havia a necessidade delas experimentarem um jogo coletivo, e indoor para o inverno, tal qual os rapazes começavam a jogar basket-ball.  Entretanto, como havia ainda muita ‘desconfiança’ (para não dizer preconceito) em relação às atividades esportivas para mulheres, Senda Berenson, então contratada como professora de ginástica no Smith College, em Northampton, Massachussets, começou a ‘desmasculinizar’ o basquete, configurando desta forma os primórdios do netball. No jogo criado por Berenson, havia a possibilidade de se bater três vezes a bola no chão, mas gestos ‘agressivos’ tais como  arrancar a bola da mão ou rebatê-la estavam proibidos, uma vez que eram inadequados a suposta graça feminina. Berenson acreditava que ‘jogadas ásperas e duras têm aparência muito mais desagradável em mulheres que em homens; se estes precisam disso para mostrar sua masculinidade, jogadas grosseiras não devem ser admitidas entre mulheres’ [2]. Mais importante, entretanto, foi a divisão da quadra em três espaços iguais. Berenson, assim como muitos a sua época, pensava que as mulheres não tinham a mesma capacidade física dos homens para correrem e se cansarem; assim, restringindo o espaço no qual elas poderiam correr, evitava-se que as jogadoras de netball chegassem à exaustão. Chegava-se, como diria Chepko, em um jogo de basquetebol adaptado, ‘domesticado’ para mulheres que de fato deveriam também serem ‘domesticadas’.

Como dito anteriormente, o jogo de Berenson ganhou suas regras oficiais na Inglaterra em 1901 – sete jogadoras com posições pré-definidas (todas elas usam letras na frente e atrás de seus uniformes para identificar a sua posição – podem trocar de posição nos intervalos entre os quartos de 15 minutos de um jogo oficial) impossibilitadas de se deslocar com ou de driblar a bola.

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Goal Keeper e Goal Defense do time jamaicano-a  Jamaica já joga sem os saiotes, mas com bermudas esportivas.

Vindo para a Oceania…

A partir de então, o jogo foi navegando, navegando com os colonizadores, até aportar nestas praias Australis…e na Nova Zelândia…Onde se firmou como o maior esporte praticado por mulheres, desde os primórdios do século passado até os tempos atuais. Desde a década de 1960, já aconteceram 13 campeonatos mundiais de Netball, sendo que a Austrália levou 10, a Nova Zelândia 4, e Trinidad Tobago 1 – uops, eu sei que as contas não batem, mas em 1979, em Trinidad Tobago houve um tríplice empate na primeira posição entre os três países…

Interessante notar, entretanto, que, apesar da grandiosidade dos números, o Netball nunca teve uma cobertura midiática proporcional a sua grandeza por aqui – tampouco foi alvo de grandes estudos historiográficos ou sociológicos. como grande parte dos esportes australianos. Alguns poderiam dizer que isso se deve ao fato de Netball não ser um esporte Olímpico…mas este argumento cai por terra quando observamos a atenção que o Futebol Australiano [3] sempre teve tanto da mídia quanto da academia. E olhem que a Austrália manteve uma quase supremacia internacional no Netball, tendo sido o primeiro time a se sagrar campeão mundial de Netball em 1963. Já fica aqui uma boa dica para quem quiser vir pesquisar esporte e mulher por aqui…

Não se sabe ao certo o ano em que o ‘basquetebol de mulheres’ foi introduzido na Austrália. Com certeza suas raízes são inglesas, tendo provavelmente sido trazido para cá por professores e professoras primários nas últimas décadas do século XIX –sendo que o primeiro jogo de ‘basquetebol de mulheres’ (o nome netball veio depois) que se tem notícia por aqui ocorreu no estado de Victoria em 1897, jogado com uma boa dose de improvisos… tais como postes feitos de varetas de madeira e cestas de sacos de papel molhados! Mas ao final do século XIX o jogo passou a ser praticado em áreas externas, por conta da insuficiência de ginásios esportivos para a prática – e também porque esportes outdoor combinam com o clima australiano. Como já comentei anteriormente, e em face da proliferação do netball e ao mesmo tempo da incerteza de como se jogar o esporte de fato, em 1901 a Ling Association of England publicou as primeiras regras oficiais do jogo – ja então com seu nome próprio, associado as rings (grandes anéis) e as redes que haviam substituído as cestas do basquete. As regras oficiais tambem possibilitavam que se jogasse netball com 9, 7, 6 ou cinco jogadoras de cada lado – e diversas versões do jogo aconteciam ao mesmo tempo nos diversos estados australianos. A oficialização do jogo com sete em cada time veio apenas durante o primeiro campeonato mundial ocorrido na Inglaterra, em 1963.

Desde o início do século XX, o jogo incendiou as meninas australianas, tanto em escolas como nas ACMs espalhadas pelo país. Jogado em quadras, ou mesmo em saguões de escolas ou igrejas, o netball não competia por espaços outdoor com outros jogos ‘de homens’, como cricket ou todos os códigos do futebol. Por ser um jogo que, ao invés de questionar as estritas normas da feminilidade almejada de sua época, se adaptava a elas, o netball pode crescer sem grandes oposições sexistas. Estavam deixando o ‘jogo das meninas’ ter a sua chance – e elas agarraram forte esta ‘deixa’! Ao se manter em uma esfera totalmente separada dos esportes masculinos, o netball pode se desenvolver e se fortalecer enquanto um esporte de mulheres, não apenas jogado mas tambem totalmente controlado por elas- técnicas, árbitras, dirigentes, todas mulheres. Isso se mantém quase do mesmo jeito…até os dias de hoje! Elas não querem que os homens entrem, apitem ,dirijam…Um exemplo disso foi quando, em 1950 a Associação de Netball do Northern Territory pleiteou uma vaga como membro da Associação Nacional de Netball: como o pleito provinha de uma Associação regional que mantinha times tanto de mulheres quanto de homens, e alguns homens faziam parte da direção da entidade, o Northern Territory só foi aceito depois de muita discussão e ao ser forçado a criar duas associações de netball separadas, uma somente para e por mulheres…

Meninos jogando netball…e eu…

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 Hoje em dia, muitos garotos jogam netball. Ou pelo menos querem jogar, mas volta e meia são vítimas de preconceitos, e mesmo de discriminação. No ano passado, no estado de Victoria, a Associação local proibiu que um menino de 15 anos entrasse em sua competição principal, dos melhores times. As garotas dos outros times reclamavam que era muito difícil jogar contra ele, que ele desequilibrava o jogo por ser muito alto (1,81m). Queriam que ele fosse procurar uma competição de meninos para jogar. Foi um bafafá danado. O pai do garoto entrou na justiça, alegando que basicamente não existem competições de meninos, e que elas estavam vetando o acesso à prática esportiva ao seu filho. A melhor tirada deste imbróglio, na minha opinião, foi formulada por uma garota do time dele. Ela comentou que a irmã dela, de 17 anos, tinha 1,86 e que ninguém questionava o direito dela de competir… Meninas altas podem, meninos não?

Após um ano jogando futebol, há dois anos minhas três filhas optaram por entrar no netball. Eu a princípio desgostei do jogo: achei boba esta história de posições fixas…e a pouca mobilidade na quadra…Ficava mais irritado ainda com a coisa sexista, meninas com sainhas jogando – é ainda o uniforme padrão da maior parte dos times aqui, inclusive da seleção australiana.

Mas enfim, fui sendo levado pelas meninas. Assistimos pela televisão ao mundial de 2011 em Singapura – a final entre (claro!) Austrália e Nova Zelândia foi um jogão, decidido na prorrogação or um pontinho em favor da (yes!) Austrália.

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Algumas Diamonds…

Depois disso, a seleção Australiana (conhecida como as Diamonds, essas jogadoras possuem uma legião de fãs pelo país, fazem anúncio de tudo que é produto, organizam clínicas de netball em todos estados…) fez alguns jogos de exibição contra a Inglaterra em Sydney. Fomos assistir, e eu acabei me entregando ao jogo…Uma velocidade fantástica, um jogo com muito movimento e emoção do começo ao fim, super legal! Eu mencionei acima que o passe é uma das mais importantes habilidades no jogo;  mas foi assistindo a este jogo internacional que percebi que, mais que o passe, a coisa mais importante do jogo é saber se deslocar sem a bola. Enfim, precisa ser muito inteligente para achar o espaço certo na quadra a cada momento [4]. Uma jogadora só pode segurar a bola por 3 segundos, de modo que precisa encontrar companheiras livres de marcação  para receber o passe. Agora, aquele papinho que seria um jogo sem agressividade, propício para garotas  ‘delicadas’… bom, isso com certeza ficou no século XIX, pois o ‘pau come’ na disputa de bola, cada milímetro da quadra é disputado a ferro, fogo,  tapas e algumas cotoveladas… A ‘fragilidade’ feminina não entra em quadra, não senhor!

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Diamonds (Australia) X Silver Ferns (New Zealand) – o pau comendo na disputa da bola

A partir daí comecei a me interessar mais pelo netball, a olhar a sua prática com outros olhos. Como o esporte ‘de base’ aqui é feito, organizado e dirigido por voluntários [5], resolvi me envolver no assunto. No ano passado fui técnico do time das minhas filhas em uma competição indoor aqui perto de casa – as meninas juntaram algumas amigas, e criaram um time chamado ‘Jorge’s girls’ e lá foi o papai ser técnico…Para minha alegria, o time não usava sainhas, apenas umas bermudinhas pretas e camisetas vermelhas…Foi uma delícia… Apesar dos olhares tortos das árbitras, organizadoras, etc… Este ano estou repetindo a dose, com o time das amigas da escola…Sensacional ser técnico destas meninas de oito e nove anos, com aquele sorriso ‘ingênuo e franco’…  já aprendendo a se deslocar sem bola!

Mas ainda acho que o netball deveria mudar, crescer, ampliar os horizontes. Já estamos no século XXI. Aquilo que há mais de 100 anos foi um espaço seguro para as mulheres se desenvolverem esportivamente e socialmente (literalmente, poderia se dizer que era uma ‘safety net’ feminina…) tem que ser ampliado, se abrir para o mundo… Acabar com este sexismo, criar novas coisas, ganhar mais adeptos, trazer os meninos para confraternizarem e brincarem juntos, sem medo de estigmas, destruindo barreiras e construindo pontes …

Já há diversas experiências neste sentido. Neste mesmo ginásio de esportes em que minhas filhas  jogam a competição indoor, existe uma competição adulta mista – e o pessoal tem me chamado várias vezes para compor um time. Quem sabe no ano que vem eu não estou lá, jogando e (me) arrebentando em um esporte que foi muito bem cultivado pelas mulheres, mas que agora deve, pode e será de toda a humanidade?

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Netball misto!

NOTAS

[1] Commonwealth – Comunidade de Nações), normalmente referida como Commonwealth e anteriormente conhecida como a Commonwealth britânica, é uma organização intergovernamental composta por 54 países membros independentes. Todos as nações membros da organização, com exceção de Moçambique (antiga colônia do Império Português) e Ruanda, faziam parte do Império Britânico, do qual se desenvolveram.(fonte – Wikipedia)

[2] Berenson, S. The significance of Basket Ball for Women’, citada em Chepko, ‘The Domestication of Basketball’, p. 118.

 [3] Ver minha coluna aqui no Historia(s) do Sport mesmo https://historiadoesporte.wordpress.com/2012/04/23/o-nome-de-um-bilhao-de-dolares-ou-a-guerra-do-futebol-por-jorge-knijnik-1/

 [4]Meu querido amigo Diogo Castro iria adorar criar jogos inteligentes para jogadoras de netball inteligentes! A máxima de Neném Prancha cabe direitinho no netball:  Quem pede tem preferência, quem se desloca recebe’.

[5] Checar meu outro post aqui no blog sobre o assunto  https://historiadoesporte.wordpress.com/2011/02/21/esporte-e-voluntarismo-na-australia


‘Habemus Nero’; e ele gosta de críquete

01/12/2019

                                                                                                                                    Por Jorge Knijnik

                                                Para Selma

 

Fazer boa historiografia não é tarefa fácil.  Nosso querido Victor Melo, articulador deste blog aqui, que o diga. Deve-se consultar diversas fontes, amassar o barro e talvez nem seja esta a função deste nosso historia(s) do sport – no qual contamos historias com boas fontes, não com o intuito de exauri-las, mas sim de provocar novas reflexões.

Peguemos o exemplo do tirano ai do título, o Nero – opa, chamei de tirano? Quais minhas fontes? Há muitas, mas devemos sempre pensar que, tal como hoje, a política romana não era feita de anjos, mas sim de pessoas e grupos que disputavam o poder e o controle do estado, vivendo em meio a tensões e disputas internas, e guerras externas. Nero tornou-se imperador em 54, com apenas 16 anos, e muitos grupos (incluindo nestes a sua mãe Agripina, a qual foi suspeita de ter envenenado e assassinado Claudio, o imperador a quem Nero substituiu) tentavam influenciar as direções de seu governo.  Amante das artes e dos jogos, Nero construiu diversos teatros e ginásios. Entretanto, acredito que para grande parte das pessoas, a simples menção do seu nome gera uma associação com um maluco que tocava harpa enquanto Roma, sua cidade, ardia em chamas. Afinal, quantas caricaturas já vimos embasadas neste tema?

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De fato, Nero era afeito a poesia e também tocava harpa.  Em 64, o ano do incêndio, ele, que até então se apresentava apenas para seus nobres nos saguões do império, passou a fazer concertos públicos, a fim de aumentar a sua popularidade.

Assim, quando em 18 de julho de 64, Roma foi devastada por um incêndio que durou cinco dias e destruiu por completo um terço da cidade, além de danificar cerca de 60% do restante, não faltaram acusações que ele, completamente alienado, tocava harpa e admirava o fogo. Há historiadores da época que inclusive o acusam de ter iniciado o fogo, para destruir a cidade e reconstruí-la a partir de suas próprias ideias. Outras fontes porem, afirmam que ele estava longe de Roma na data, e assim que soube do incêndio, voltou para ajudar na recuperação, inclusive abrindo seu palácio para abrigar pessoas atingidas pelo fogo, fornecendo abrigo, comida e dinheiro.

Entretanto, a imagem de Nero definitivamente se associa a de um governante completamente dissociado do que acontece no mundo real e no cotidiano do seu povo. Tocando musica enquanto tudo queima ao seu redor.

 

Introduzi estes detalhes sobre Nero para tentar fazer uma metáfora com o que se passa na Austrália no momento.  Já aludi em outros posts como a Austrália é um país diverso em termos esportivos, com um mercado que disputa cada palmo de espaço nos estádios e nas mídias, e cada dólar dos participantes e consumidores esportivos. Os esportes aqui se dividem geralmente entre temporadas de verão e de inverno, tanto para o esporte-espetáculo quanto para a população que pratica. O Rugby e o AFL profissionais são jogados no inverno, enquanto o futebol profissional no verão. Para os praticantes de ‘base’, as temporadas competitivas destes esportes e também do netball rolam no inverno, e muitas crianças e jovens jogam por exemplo futebol no inverno e tênis, basquete ou críquete no verão. Há inclusive casos de atletas que chegam a seleções nacionais em dois esportes! Mostrando uma diversidade esportiva bem interessante. Aliás, já escutei indiretas que brasileiros/as são bons em futebol porque so fazem isso, enquanto os australianos fazem muito mais coisas…mas vamos deixar estas questões paroquiais de lado, para finalmente focar no tema deste texto – pão e circo.

Umas das paixões australianas sem dúvida é o criquete. Jogado no verão, atrai multidões aos estádios, é televisado na TV aberta e como disse acima, a temporada de base, dos clubes locais, também é jogada no verão. São horas e horas debaixo do sol escaldante acompanhando o cricket local ou nacional. Há pessoas que afirmam que o cargo de capitão do time nacional de cricket só perde em importância para o cargo de primeiro-ministro australiano.  Exatamente sobre este cargo e seu atual ocupante que gostaria de falar.

A Austrália vive um momento seríssimo. O pais está, literalmente, em chamas. Quem vive aqui se acostuma depois de um tempo a conviver com a temporada de incêndios florestais que acontece no verão. Eu que vivo em uma área próxima a muitas florestas, no ano passado tive que sair de casa pois os incêndios chegaram bem perto daqui, e a fumaceira era muito forte para umas das minhas filhas que tem asma. É sempre muito triste a quantidade de casas perdidas, algumas vidas e muitos animais. Por outro lado, a solidariedade e o espirito comunitário que aparecem nestes momentos são incríveis. Ha comunidades inteiras doando seu tempo, dinheiro, recursos, remedios, casas e saberes para ajudar as pessoas, a fauna e a flora atingidas [1]. Dentre estes, há um contingente enorme de bombeiros/as, gente voluntaria e profissional que vai encarar o fogo dentro dele, lutando bravamente para que este não destrua tanta coisa assim. O ano passado, por exemplo, na minha área, vieram bombeiros/as de todos os lugares do estado e conseguiram fazer com que o fogo não atingisse nenhuma casa que fazia fronteira com as florestas. Durante dias, víamos eles circulando aqui nas ruas, com a cara toda suja, exauridos deitados no chão, enquanto os restaurantes e a comunidade locais faziam tudo para alimentá-los e mantê-los saudáveis.

Este ano, entretanto, a coisa entrou em um novo patamar. Os incêndios começaram antes do verão, e com uma gravidade muito maior. Há incêndios em todos os cantos do pais, e não há recursos suficientes para combatê-los.  Governos estaduais cortaram recursos dos bombeiros rurais, há poucos equipamentos e, pior, os especialistas confirmam que estes incêndios são de proporções nunca antes vistas neste pais. As chamas são maiores, mais fortes, e lançam fagulhas há quilômetros de distancia, estas sim que podem atingir casas e cidades. No norte do estado onde vivo, centenas de casas foram dizimadas e algumas pessoas morreram, além de centenas de bichinhos. Há algumas semanas, tivemos que tirar nossa família de casa pois as condições climáticas foram consideradas catastróficas pelos cientistas, algo nunca visto anteriormente – se houvesse um fogo naqueles dias, não seriam capazes de controla-lo e a coisa ficaria feia. Felizmente nada aconteceu e retornamos numa boa.

Enquanto isso, em Roma…digo, em Canberra, a capital australiana, o primeiro-ministro e seus asseclas, se negam a admitir a relação destes incêndios com o aquecimento global. Pior, continuam fazendo lobby para que se relaxem as proteções ambientais de diversas áreas e parques nacionais, para as mineradoras poderem entrar lá e devastar tudo.  Nas áreas que pegaram fogo ao norte do estado, que mencionei acima, houve uma destruição florestal sem precedentes nos últimos cinco anos, pois o governo estadual autorizou o desmatamento em parques onde sempre havia sido proibida a derrubada de mata nativa. Desta forma, os incêndios com os quais as comunidades estavam habituadas a conviver e a lidar, mudaram de patamar e se transformaram em montanhas massivas de fogo contra as quais não havia possibilidade de luta.

Eu não irei colocar fotos dos incêndios aqui. Quem tiver estomago, basta procurar na internet e vai achar varias. Fotos dos heróis e heroínas que salvam casas, pessoas e animais, mas também fotos de muita destruição. Muito triste. Meu propósito, entretanto, é outro. Quero mostrar que sim, ‘Habemus Nero’, e ele gosta de críquete!

Vejam o tuite abaixo, feito pelo 1º ministro no auge da crise de fogo que toma conta do pais. Ele fala que ‘será um  verão otimo para o críquete: e nossos jogadores certamente trarão alegria e animo para os nossos bombeiros, e para as comunidades afetadas pelos incêndios florestais’.

 

MORISON

Não quero incitar discussões sobre ‘esporte ser o ópio do povo’; tampouco acho que os amantes do críquete devam parar de assistir ou jogar por conta desta crise (apesar de que a fumaça que está chegando nas cidades já fez com que algumas rodadas de esportes ao ar livre fossem canceladas).

Quero mesmo agradecer o fato deste 1º ministro não tocar harpa…

 

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[1] Enquanto escrevo, a minha amada companheira de 25 anos a serem completados em dezembro! passa seus  dias organizando uma gama de voluntarios/as, recolhendo material e costurando pequenas caminhas que serao enviadas a diversos pontos do pais, em hospitais veterinarios e outros lugares, para que as coalas, morcegos e outros bichinhos afetados pelos incêndios possam descansar e se recuperar, um esforço massivo de comunidades inteiras através da Australia. Um hospital vetererinario pequeno, em uma regiao afetada, lancou uma vaquinha online para arrecadar A$25 mil para ajudar no tratamento com as coalas. Em dois dias a arrecadacao atingiu um milhao e quatrocentos mil!