Belo Horizonte: industrialização e crescimento esportivo

26/09/2016

Olá amigos do História(s) do Sport

No ano passado eu escrevi um post aqui no blog falando sobre os clubes de trabalhadores da cidade na década de 50 (clique aqui para ler). Na oportunidade, fiz uma lista de 10 clubes que surgiram na cidade e suas adjacências, e comparei esse crescimento com o crescimento populacional da cidade.

No post de hoje vou um pouco mais além. Quero mostrar como o crescimento de Belo Horizonte através do seu processo de industrialização teve também consequências no campo esportivo.

E deixo a pergunta: o crescimento do esporte em Belo Horizonte pode ser considerado uma das consequências do seu processo de industrialização?

No caso da BH das décadas de 50 e 60, essa pergunta parece caminhar para uma resposta afirmativa. Vamos então entender em pouco sobre o crescimento de Belo Horizonte durante o seu processo de industrialização, a partir de alguns dados.

4 apontamentos sobre a industrialização de Belo Horizonte entre as décadas de 40 e 60.

1 – Crescimento populacional.

Vale recordar alguns dados do IBGE sobre a população da cidade de Belo Horizonte entre as décadas de 1940 e 1960.

1940 – 177.004
1950 – 338.585
1960 – 642.912
Fonte: Censo IBGE, apud PATARRA, 2004, p. 262; MINAS GERAIS 1966, p.18

2 – Investimento em industrialização

A Cidade Industrial foi criada em 1941, atraindo diversas empresas para a região. Além disso, inúmeras empresas Estatais foram criadas nesse período, mostrando também o esforço do Governo do Estado.

Empresas Estatais Mineiras entre 1951 e 1961[1]

Empresa Ano de criação
Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) 1951
Departamento de Estradas e Rodagens (DER) 1951
Frimisa 1953
Fertilizantes Minas Gerais (Fertisa) 1953
Usiminas 1956
Casemg 1957
Metamig 1961

[1] FECOMERCIO. Belo Horizonte & o comércio: 100 anos de história. Fundação João Pinheiro, Centro de Estudos Históricos e Culturais: Belo Horizonte, 1997. p. 199.

3 – Conurbação com as cidades vizinhas

Nessa época, a ocupação do espaço físico de Belo Horizonte chega aos limites da cidade, se encontrando com municípios vizinhos como Contagem e Sabará.

4 – Verticalização

BH cresceu para os lados e também para cima. Segundo o levantamento do Plambel, foram 18.974 edifícios entre 1952 e 1964.

Construções de Edifícios em Belo Horizonte entre 1952 e 1964.

Ano Número de pavimentos Total
1 2 3 e +
1952 1.228 160 43 1.431
1953 1.573 217 54 1.884
1954 1.582 213 67 1.862
1955 1.518 271 123 1.912
1956 1.480 142 79 1.701
1957 991 110 95 1.196
1958 1.104 127 155 1.386
1959 993 95 101 1.189
1960 1.197 123 121 1.441
1961 998 94 130 1.222
1962 1.038 119 174 1.331
1963 1.064 104 178 1.346
1964 833 81 72 986
Total 15.599 1.856 1.392 18.974

Esse conjunto de dados sobre o crescimento da cidade pode ser visualizado em um vídeo sobre Belo Horizonte na década de 60, que faz parte do acerco do CRAV – Centro de Referência Audiovisual.

 

Com tanta gente morando e trabalhando em Belo Horizonte, o crescimento esportivo teria também ocorrido?

Dados sobre o aumento da prática esportiva em Belo Horizonte nas décadas de 50 e 60.

Podemos responder parcialmente a essa pergunta.

Os dados sobre o esporte são mais escassos, mas importantes. O IBGE se informou sobre as associações esportivas e seus associados nos anos de 1957 e 1964. Vejamos alguns dados.

No ano de 1957 a cidade de Belo Horizonte contava com 101 associações esportivas e recreativas, ficando atrás apenas da cidade do Rio de Janeiro e São Paulo, que possuíam 272 e 160 associações, respectivamente. Possuía 52.008 pessoas inscritas nessas associações, sendo 42.386 homens e 9.622 mulheres.[2]. Naquele ano o número de associações deste tipo no Brasil era de 5.816, e as três maiores capitais brasileiras respondiam por 47,8% do total de associações.

censo-1957

No ano de 1964, foram computadas apenas as associações esportivas, e os números mostram crescimento. Sete anos depois, a capital mineira contava com 114 associações desportivas. O número de associados registrados havia saltado: 111.747, sendo 81.870 homens e 29.877 mulheres. A tabela ainda apresentava outros dados, como o número de desportistas entre os associados, e sua condição como praticante de atividades. Belo Horizonte tinha naquele ano 38.040 atletas, dentre os quais, 97 profissionais[3].

censo-1964

Foi um crescimento expressivo em 7 anos. Mesmo com possíveis inconsistências e com a separação entre as associações esportivas e recreativas no ano de 1964, os dados apresentados nos mostram o papel do associativismo em Belo Horizonte.

Infelizmente não temos os dados populacionais de Belo Horizonte em 1964. Se usarmos os dados de 1960, os 111.747 associados representariam cerca de 17% da população. Já os 38.040 identificados como atletas, seria quase 6% dessa população.

O crescimento de Belo Horizonte através de seu processo de industrialização também trouxe consigo crescimento no campo esportivo. Cabe ainda investigar outras ações fora do associativismo, como o esporte na periferia, na várzea e nas ruas, que também são expressões da prática esportiva nas cidades.

Quem sabe algum historiador não topa o desafio?

Fontes

[2] SERVIÇO DE ESTATÍSTICA DA EDUCAÇÃO E CULTURA. Tabela extraída de: Anuário estatístico do Brasil 1959. Rio de Janeiro: IBGE, v. 20, 1959. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/seculoxx/arquivos_xls/associativismo/1959/assoc1959m_aeb_093.xls Acesso em 25 de setembro de 2012.

[3] SERVIÇO DE ESTATÍSTICA DA EDUCAÇÃO E CULTURA. Tabela extraída de: Anuário estatístico do Brasil 1967. Rio de Janeiro: IBGE, 1967. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/seculoxx/arquivos_xls/associativismo/1967/assoc1967m_aeb_279.xls Acesso em 25 de setembro de 2012.


Como um estádio movimenta (ou paralisa) uma cidade

02/05/2016

Por André Schetino

Olá amigos do História(s) do Sport.

Em meu primeiro post do ano vou falar um pouco sobre as relações entre os estádios e as cidades.

Sabemos de como o estádio é fundamental para a prática do esporte. Mas nesses últimos anos de Copa do Mundo e Jogos Olímpicos nossa compreensão teve que ir mais além.

Acompanhamos as obras, os atrasos, os eventuais (e alguns corriqueiros) superfaturamentos e a sua inauguração. Esse processo alterou rotinas, locais de moradia, movimentou trabalhadores, grupos sociais, enfim. Era muita gente envolvida antes mesmo do jogo começar.

Mesmo envolvendo tanta gente, o contexto atual de nossa política, e até da infraestrutura de nossas grandes cidades nos fizeram perceber esse processo de forma diferente.

Digo isso porque estive, até pouco tempo atrás, analisando algumas fontes sobre a construção e inauguração do Estádio Governador Magalhães Pinto – o Mineirão – na década de 60. Sua construção e inauguração também movimentaram a cidade, mas de uma forma diferente.

A construção do Mineirão.

O estádio foi construído na região da Pampulha. Naquela época, ainda um local de difícil acesso. As vias de acesso ao estádio ainda nem era asfaltadas[1].

Durante os 6 anos de sua construção – com interrupções, atrasos, e adiamentos – as obras receberam inúmeros operários. Só ano de 1965 esse número variou entre mil (no início) e dois mil (ao término das obras) trabalhando em três turnos diferentes.

Isso já exigia uma logística especial para transporte, alimentação e organização do trabalho de tanta gente. Mas quando a bola rolou…

A bola rola e a cidade pára.

Para a inauguração do Mineirão – em Setembro de 1965 – foi marcada por uma semana de jogos e festejos diversos. Para a festa, foi montado um esquema especial para o trânsito e o deslocamento das pessoas.  A prefeitura disponibilizou 130 ônibus gratuitos do centro da cidade até o Estádio[2].

Apesar da iniciativa, os problemas não puderam ser evitados, e foram muitos.

Mesmo aumentando a quantidade de ônibus, a cidade parecia não estar preparada para um espaço que reunisse tantas pessoas, como nos mostram as reportagens do Estado de Minas:

PROBLEMAS DE TRÂNSITO

A presença de maior público de todos os tempos, em jogos de futebol em Minas, ontem à noite, no Estádio da Pampulha, deu origem a problemas de trânsito nas vias de acesso ao Minas Gerais. Os veículos gastavam, durante o período, mais de uma hora para ir do centro da cidade às proximidades daquela praça de esportes, onde não havia espaços suficientes para estacionamento. Grande número de veículos ficou estacionado nos terrenos baldios nas proximidades da lagoa. O transporte coletivo na ida, antes do jogo, funcionou sem maiores problemas. Todavia, não foi o mesmo panorama depois da peleja. Surgiram problemas após o término da partida, inclusive com brigas entre os torcedores que procuravam assegurar seus lugares nas intermináveis filas de ônibus. Como aconteceu nos dias 5, 7 e 2, também ontem muitos torcedores voltaram a pé do estádio, dada a impossibilidade de atendimento do transporte coletivo em face dos problemas de engarrafamento de trânsito.

Problemas de trânsito. O Estado de Minas, 16 de setembro de 1965, p. 1. Matéria não assinada. Grifos meus.

 

Falta de estacionamento, brigas e problemas no deslocamento foram pontos negativos da festa de inauguração do Mineirão. A cidade tinha um estádio moderno, mas não tinha estrutura necessária para levar – e retirar – os torcedores dele.

Os problemas de ontem e hoje

Como falei no início desse post, cada época guarda seus problemas e desafios, ligados ao contexto de seu tempo. Mas o caso do Mineirão serve para nos mostrar que, mais do que uma edificação, o estádio pode movimentar – ou paralisar – a cidade em torno da prática esportiva.

Um abraços a todos e até o próximo post

————————–

[1] Asfaltamento em 30 dias das vias de acesso ao estádio. O Estado de Minas, 15 de julho de 1965, p. 1. Matéria não assinada.

[2] 130 ônibus à disposição do público amanhã. O Estado de Minas, 04 de setembro de 1965, p. 1. Matéria não assinada.


Os clubes dos trabalhadores de Belo Horizonte na década de 50

07/12/2015

Por André Schetino

Olá amigos e amigas do História(s) do Sport.

No post de hoje vou falar um pouco sobre os clubes esportivos de Belo Horizonte. Esse foi o tema de um dos meus primeiros posts aqui no blog, quando falei do Minas Tenis Clube.

Dessa vez, porém, vou falar especialmente do crescimento dos clubes esportivos comparados com o crescimento da cidade de Belo Horizonte. Alguns desses clubes eram voltados para os trabalhadores da indústria e do comércio da cidade.

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A cidade de Belo Horizonte passou por um processo de grande crescimento demográfico e espacial entre as décadas de 40 e 60. Nessa época a cidade cresceu até seus limites com diversos municípios vizinhos, e a população quase dobrou a cada 10 anos.

População de Belo Horizonte 1940-1965

Ano  –  Nº de habitantes
1940 – 177.004
1950 – 338.585
1960 – 642.912
Fonte: Censo IBGE, apud PATARRA, 2004, p. 262; MINAS GERAIS 1966, p.18

Esse crescimento aconteceu especialmente pelo processo de industrialização colocado em prática na cidade. Podemos citar como exemplo a instalação da Cidade Industrial, em 1941, que foi crescendo e agregando cada vez mais indústrias durante as décadas seguintes.

A cidade estava cheia de trabalhadores, a industria e o comércio a pleno vapor. Com tantos trabalhadores na cidade, eles logo buscariam por um elemento fundamental na vida: a diversão.

E é aí que entram os clubes esportivos, local fundamental para o lazer do trabalhador de Belo Horizonte na década de 50.

Uma breve pesquisa mostra como esses clubes cresceram na cidade, no mesmo período em que avançou também o processo de industrialização. Abaixo eu montei uma tabela que mostra alguns dos principais clubes da cidade, sua ligação com os trabalhadores, e a data de sua criação.

Clube Bairro Fundação
Clube Campestre Belo Horizonte Nova Lima 1951
Associação Atlética dos Funcionários do Banco do Estado de Minas Gerais Ouro Preto 1953
Associação Atlética do Banco do Brasil – Belo Horizonte Pampulha 1953
Clube dos Viajantes e Vendedores Comerciais (atual Clube Recreativo Mineiro) Carmo 1954
Círculo Militar Gutierrez 1954
Barroca Tênis Clube Gutierrez 1957
Clube do Ipê (Belgo Mineira) São Luiz 1959
Pampulha Iate Clube Pampulha 1961
Jaraguá Club Jaraguá 1961
Oasis Clube Santa Tereza 1962

Os clubes da lista atendiam as diversas camadas sociais da cidade. Desde militares, bancários, comerciantes e trabalhadores da indústria, passando também por alguns clubes que nasceram em bairros mais abastados da cidade.

Esse crescimento contribuiu para a cultura esportiva da cidade de Belo Horizonte e fez com que os clubes esportivos se tornassem populares na cidade. Até hoje BH é conhecida pelos seus muitos clubes esportivos, movimentando o lazer dos seus habitantes.

*           *          *

O ano se encerra e gostaria de agradecer a todos vocês, leitores e leitoras do História(s) do Sport. No ano que vem estou de volta junto com esse time maravilhoso do Laboratório Sport.

Desejo a você Boas Festas e um ano de 2016 repleto de alegrias.

André Schetino

 


Completando a pelada: futebol mineiro na Copa de 50

26/07/2015

Olá amigos do Histórias do Sport.

Em meu último post (veja aqui), falei um pouco sobre a Copa do Mundo de 1950, mais especificamente sobre os jogos disputados no Estádio do Independência. Argumentei através da análise dos números de público e renda dos jogos no estádio sobre qual seria o espaço do futebol na cidade.

No post de hoje apresento alguns fatos curiosos e que complementam essa análise,  dessa vez de forma mais qualitativa. Se os números podem mostrar pouca expressão dos jogos da Copa do Mundo em Belo Horizonte, as trocas culturais foram, no mínimo,  interessantes.

O jogo de abertura da Copa do Mundo no estádio do Independência aconteceu entre Suíça e Iugoslávia. Em sua passagem por Belo Horizonte a seleção da Iugoslávia contou com reforço em sua equipe, como mostra a reportagem do Jornal Diário da Tarde.

No “Estádio Independência”, iugoslavos e suíços realizaram, ontem, à tarde, o seu primeiro treino em canchas da cidade. O acontecimento levou ao local da sua realização um público numeroso que teria sido maior, não fossem as notícias que os treinos seriam a portões fechados. Em primeiro lugar, ensaiaram os eslavos, entre os quais figuram os “players” Pradinho, Eliseu e Toledinho, do Sete, pedidos por empréstimo a fim de completar as equipes. (…)O resultadop do exercício foi de 2 x 2 tentos marcados por Vukas, Mitic, Elison e Tomachevich. As duas equipes foram as seguintes: VERMELHOS, (reservas): Beara – Instankovich – Colich – Palfi – Pradinho (do Sete) – Atanoskovich – Eliseu (do Sete) – Mikailovich – Firm – (Tomachevich) – Tchaikovsch II – Toledinho (do Sete). AZUIS, (titulares): Makvschick – Hoivat – Broketa – Tchaykovischi I – Yovanovich – Diaich – Ognvanov – Mitic – Tomachevioli – Bobek – Vukas. ( O DIÁRIO DA TARDE, 23 de junho de 1950, p. 3)

Os treinos da seleção da Iugoslávia na cidade promoveram três jogadores mineiros à condição de craques internacionais. Pradinho, Toledinho e Eliseu – esse último, inclusive, assinalando um gol durante os treinamentos – fizeram parte do time reserva da seleção da Iugoslávia durante o treino contra o time principal. Os três faziam parte do time do Sete de Setembro, que era o proprietário do estádio do Independência. Se para a torcida a Copa do Mundo era uma oportunidade única para conhecer mais sobre novas culturas e formas de se jogar futebol, para os jogadores do Sete de Setembro foi uma boa oportunidade para troca de experiências.

Além dos três jogadores, encontramos nas fontes o registro de outra participação mineira durante a Copa do Mundo. O médico da equipe do Sete de Setembro, Sr. Otávio Costa, prestou serviços à delegação norte-americana, quando os mesmos estiveram em Belo Horizonte para a partida contra a Inglaterra. (O ESTADO DE MINAS, 30 de junho de 1950, p. 7)

A Copa do Mundo de Futebol em 1950 colocava Belo Horizonte no cenário esportivo mundial. Do ponto de vista dos torcedores, foi a oportunidade de tomar parte neste cenário. A sua presença nos jogos esteve diretamente relacionada ao ineditismo do evento, bem como com a importância das partidas dentro da competição e o prestígio das seleções e jogadores que protagonizaram os jogos.

Para os jogadores e times da cidade pode também ter sido uma oportunidade de troca de experiências, de desenvolvimento da cultura esportiva de Belo Horizonte.


A Copa do Mundo de 1950 no Estádio Independência

16/03/2015

Olá amigos e amigas do História(s) do Sport.

No post de hoje vou falar um pouco sobre os jogos da Copa do Mundo de Futebol de 1950 realizados no Estádio do Independência, em Belo Horizonte.

O estádio foi construído por ocasião da Copa, e foi entregue incompleto às vésperas do primeiro jogo entre Suíça e Iugoslávia. Mas isso é um assunto pra um outro post.

O Relatório Oficial da Copa do Mundo de 1950, produzido pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD), nos permite analisar melhor as condições de realização desta competição e a participação de Belo Horizonte. Abaixo, uma tabela com alguns dados importantes sobre as partidas do Campeonato.

Copa do Mundo de 1950: jogos por cidade, público e arrecadação

Cidade Jogo Data Público Pagante Arrecadação

(Cr$)

Rio de Janeiro Brasil 4 x 0 México 24/06 81.649 2.565.020,00
  Inglaterra 2 x 0 Chile 25/06 29.703 976.197,00
  Espanha 2 x 0 Chile 29/06 19.790 663.288
  Brasil 2 x 0 Iugoslávia 01/07 142.429 4.619.620,00
  Espanha 1 x 0 Inglaterra 02/07 74.462 2.510.241,50
  Brasil 7 x 1 Suécia 09/07 138.886 4.996.197,50
  Brasil 6 x 1 Espanha 13/07 152.772 5.782.637,50
  Brasil 1 x 2 Uruguai 16/07 173.850 6.272.959,00
São Paulo Itália 2 x 3 Suécia 25/06 36.502 1.483.550,00
  Brasil 2 x 2 Suíça 28/06 42.032 1.534.720,00
  Itália 2 x 0 Paraguai 02/07 25.811 853.770,00
  Espanha 2 x 2 Uruguai 09/07 44.802 1.660.130,00
  Uruguai 3 x 2 Suécia 13/07 7.987 248.550,00
  Suécia 3 x 1 Espanha 16/07 11.227 330.550,00
Belo Horizonte Suíça 0 x 3 Iugoslávia 25/06 7.336 232.750,00
  Inglaterra 0 x 1 Estados Unidos 29/06 10.151 310.780,00
  Uruguai 8 x 0 Bolívia 02/07 5.284 160.720,00
Porto Alegre Iugoslávia 4 x 1 México 28/06 11.078 320.690,00
  Suíça 2 x 1 México 02/07 3.580 94.800,00
Curitiba Espanha 3 x 1 Estados Unidos 25/06 9.511 398.320,00
  Suécia 2 x 2 Paraguai 29/06 7.903 273.860,00
Recife Estados Unidos 2 x 5 Chile 02/07 8.501 288.010,00
Total 22 jogos *** 1.045.246 36.577.360,50

Fonte: Confederação Brasileira de Desportos – IVº Campeonato Mundial de Futebol – Taça Jules Rimet 1950. p. 82.

A Copa do Mundo de Futebol de 1950 aconteceu em seis cidades brasileiras: Rio de Janeiro, que recebeu oito jogos; São Paulo, onde foram realizadas seis partidas; Belo Horizonte, com três jogos, seguido por Porto Alegre e Curitiba, com duas partidas; completa a lista a cidade de Recife, que recebeu uma partida.Vale destacar que os dados da tabela se referem ao público pagante.

Belo Horizonte foi a terceira cidade com o maior número de partidas realizadas, atrás apenas de Rio de Janeiro e São Paulo, metrópoles já consolidadas economicamente e com a maior e melhor estrutura de estádios. Apesar disso, a cidade teve a segunda pior média de público da competição, a frente apenas da cidade de Porto Alegre.

O jogo entre Suíça e Iugoslávia contou 7.736 pessoas. Na segunda partida, entre Inglaterra e Estados Unidos, 10.151 pessoas pagaram ingresso, sendo esse o maior público da Copa em Belo Horizonte. Finalmente, o jogo entre Uruguai e Bolívia contou com a assistência de 5.284 pessoas, o segundo menor público de toda a competição.

Cabe ressaltar que nenhuma das partidas realizadas em Belo Horizonte teve lotação completa no Estádio Independência. Mas a questão do público presente aos jogos no Estádio do Independência merece análises e questionamentos. Onde estariam as multidões esportivas de Belo Horizonte em 1950? Obviamente, uma cidade que começava a experimentar uma onda de desenvolvimento industrial e crescimento econômico gostaria de figurar entre as cidades sedes, mostrando ao mundo seu estádio lotado de torcedores.

Devemos analisar primeiro o interesse provocado por cada jogo. Por questões econômicas e visando a maior arrecadação, as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo receberam os jogos mais interessantes da competição. Eles foram realizados nos maiores estádios brasileiros (Maracanã e Pacaembu). Sabe-se também que as duas cidades eram as mais preparadas para receber os turistas estrangeiros, que apareceram em pequeno número, como mostrei nesse post aqui mesmo do blog.

Sendo assim, vejamos como a imprensa analisou os jogos da capital mineira.

Suiça 0 x 3 Iugoslávia

O primeiro jogo da Copa do Mundo em Belo Horizonte valeu por toda a expectativa em torno da conclusão do Estádio do Independência e do início da Copa do Mundo.

O primeiro encontro do magno certame mundial, no estádio Independência, acabou sendo um espetáculo de marcante grandiosidade. Não, evidentemente, no sentido técnico que, sem haver se perdido totalmente nas sombras da mediocridade, esteve muito longe de se colocar em um plano destacado. O acontecimento valeu, e muito, pelo que pôde oferecer de inédito. Nesse particular, o fato de se abrirem oficialmente os portões do terceiro estádio do Brasil, para um jogo do certame mundial, envolvendo a participação de equipes de valor mais ou menos desconhecido, representando duas nações da velha e civilizada Europa, ganhou uma expressão invulgar, superando mesmo à expectativa geral. (…) Calculadamente, um terço da lotação do Independência, ou pouco mais do que isto foi tomado pela assistência popular. Ainda assim, considerável foi a massa popular que se instalou em suas amplas dependências, tranquilamente, sem atropelos, desde que havia muito espaço para todos. (Diário da Tarde, 26 de junho de 1950, p. 7. Matéria não assinada. Grifos meus)

As seleções, por sua vez, pareciam não empolgar muito os jornais e nem os torcedores, que compareceram em menor número e tiveram bastante espaço para se instalar nas arquibancadas.

Uruguai 8 x 0 Bolívia

O terceiro jogo foi a goleada do Uruguai – que se sagraria campeão ao final do torneio – de 8 x 0 sobre a Bolívia. A cobertura do jogo mostra como nem sempre o gol garante o interesse e a emoção de uma partida.

Um espetáculo futebolístico de panorama inexpressivo, desses que deixam o público mal satisfeito, realizou-se terça-feira última no “Estádio Independência”, encerrando a série de jogos da Copa do Mundo programados para a nossa capital. Aliás, o aficionado já sabia perfeitamente da superioridade indiscutível do Uruguai sobre a Bolívia, motivo porque diminuta em relação à assistência das partidas anteriores foi a que esteve presente no “match”. (O Estado de Minas, 4 de julho de 1950, p. 8. Matéria não assinada. Grifos meus.)

Da mesma forma, um jogo tão desinteressante para o andamento do campeonato contou com o pior público dos jogos em Belo Horizonte (5.824 pagantes)

Inglaterra 0 x 1 Estados Unidos

Deixei por último – e de forma proposital – a análise do segundo jogo. A cobertura da imprensa destoa de forma marcante dos outros dois jogos realizados no Independência.

Jamais o público belorizontino poderia pensar em assistir a uma luta tão empolgante, como a que se desenrolou, ontem, no Estádio Independência. Foi a nossa capital palco de um duelo futebolístico desse que não vão apenas uma página de real grandeza nas atividades esportivas que entre nós se realizem, mas acontecimento marcante na história do esporte de duas grandes nações. A importância do “match” que travaram as seleções da Inglaterra e dos Estados Unidos, tinha para cada uma delas um valor diferentes. Não vimos em campo dois antagonistas encarando tão somente a posição no certame mundial, mas sim rivais prontos para uma batalha acirrada, visando em primeiro plano o triunfo das cores de suas bandeiras.       Enfim, participantes de um espetáculo magnífico sob todos os aspectos e indelével pelo seu desenrolar, sensacional, desses que passam à história. E lá estava a presenciá-lo a maior multidão já presente a um estádio, com os olhos fitos nas jogadas, sem se descuidar um só instante, pois cada minuto oferecia uma fase nova, um lance vibrante, uma demonstração de um futebol de linhagem como não estamos acostumados a ver.

Maior, porém, foi a surpreendente vitória dos ianques, que saíram de sua aparente mediocridade, para subir a uma situação elevada e impor um revés à grande academia do futebol mundial. Espetacular, dramática, a luta em todos os seus detalhes, disputada com alma, com fira e entusiasmo pelos americanos, com serenidade e confiança pelos ingleses. Sem dúvida, um acontecimento ímpar na esfera esportiva de Minas, uma tarde memorável de aristocrática esportividade. (Futebol de alta linhagem num jogo em que a vitória não veio para os perfeitos. O Estado de Minas, 30 de junho de 1950, p. 7. Matéria não assinada. Grifos meus.)

O gol dos Estados Unidos sobre a Inglaterra no Estádio Independência. Fonte: Confederação Brasileira de Desportos – IVº Campeonato Mundial de Futebol – Taça Jules Rimet 1950. p. 45.

O gol dos Estados Unidos sobre a Inglaterra no Estádio Independência. Fonte: Confederação Brasileira de Desportos – IVº Campeonato Mundial de Futebol – Taça Jules Rimet 1950. p. 45.

A partida foi assistida por 10.151 torcedores pagantes, o maior público dos jogos realizados em Belo Horizonte. O levantamento do contexto histórico seja de confrontos bélicos, conflitos diplomáticos, políticos e econômicos entre duas nações que se enfrentam no campo esportivo é um fator recorrente – geralmente feito pela imprensa – na história do esporte. Obviamente tais fatos são levantados e podem ou não se manifestar, ou servir de incentivo, no momento da partida. Mas o fato é que o desenrolar do jogo, somado às diferenças entre Inglaterra e Estados Unidos – tanto do ponto de vista das relações históricas como na qualidade de suas seleções de futebol – contribuíram para que a partida ganhasse uma importância e dimensões especiais. Os valores do esporte e a busca pelo sucesso na competição fizeram com que “o triunfo de suas bandeiras” fosse ainda mais acirrado.

O jogo entre Inglaterra e Estados Unidos é considerado uma das maiores “zebras” da história das Copas.

As análises dos jogos nos mostram que o contexto do confronto, sua importância dentro da competição e a tradição das equipes estão relacionadas ao interesse da torcida mineira pelo certame.

Belo Horizonte tinha um estádio novo, uma cidade em crescimento que experimentava pela primeira vez uma grande competição de nível internacional.

A Copa do Mundo no Estádio Independência foi um importante acontecimento para Belo Horizonte, que nas décadas de 50 e 60 se consolidaria como a terceira capital do país, e veria também expandir a sua cultura esportiva.


Do transporte ao lazer: propagandas de bicicleta entre as décadas de 1950 e 1970.

27/10/2014

Por André Schetino

Olá amigos do História(s) do Sport.

No meu post de hoje vou falar sobre um de meus assuntos preferidos: as bicicletas e o ciclismo. Acabo de ler um trabalho muito Interessante da Thaís Junqueira, historiadora formada pela UFMG. Intitulado “Para transporte ou passeio? Propagandas brasileiras de bicicletas (décadas de 1950/1970)”, o trabalho analisa 11 anúncios de bicicletas veiculados em revistas de grande circulação à época: O Cruzeiro, Manchete, Seleções e Quatro Rodas.

O artigo foca suas análises nas representações sobre o trânsito e o transporte urbano. Muito legal perceber como a bicicleta já foi muito propagandeada como meio de transporte – inclusive em uma revista voltada para os automóveis, como a Quatro Rodas.

Anúncio das bicicletas Monark. Revista Seleções, agosto de 1961.

Anúncio das bicicletas Monark. Revista Seleções, agosto de 1961.

Ao mesmo tempo, percebemos que com o passar do tempo, as políticas de mobilidade totalmente voltadas para os automóveis nas grandes cidades mudaram o foco dos anúncios de bicicletas. Vale lembrar que entre as décadas de 50 e 70 inúmeras iniciativas fizeram aumentar muito o número de automóveis nas grandes cidades brasileiras, como a abertura de estradas e rodovias, a construção do Parque Automobilístico, entre outras. Menos ligado ao transporte, o discurso passa a ser do uso da bicicleta nos momentos de lazer.

Anúncio da Monark na Revista Quatro Rodas, julho de 1976.

Anúncio da Monark na Revista Quatro Rodas, julho de 1976.

Assim que o trabalho da Thaís for publicado eu divulgo o link aqui no Blog.

Mas os discursos sobre as bicicletas ultrapassam a questão do transporte/lazer. No mesmo ano do anúncio acima (1976) a Monark veicula um anuncio na TV abordando outros temas, também ligados ao contexto de crescimento das grandes cidades.

A bicicleta além de um meio de transporte eficiente, era também “saúde” e “antipoluição”. As imagens também são variadas, tendendo a mostrar um pouco mais a ligação desse veículo ao lazer.

Se na década de 70 percebemos esse enfraquecimento da bicicleta como meio de transporte nas grandes cidades, atualmente a “magrela” volta a ganhar força. Organizações de ciclistas urbanos em diversas cidades brasileiras tem sido responsáveis pela inclusão da bicicleta na agenda da mobilidade urbana novamente. Como consequência disso temos visto o aumento de ciclovias e políticas para o uso da bicicleta como meio de transporte em várias cidades.

Quem sabe no futuro não viveremos uma nova “primavera das bicicletas”?


Imaginando a Copa

17/02/2014

Por André Schetino

Olá amigos do História(s) do Sport.

A Copa do Mundo de Futebol é o assunto do momento, e não poderia ficar de fora nesse post. O andamento (ou não) das obras de infra-estrutura, os protestos e articulações políticas, as sedes dos jogos, as namoradas do Neymar, são apenas alguns elementos que povoam nossa imaginação.

Ah, a imaginação!

A tão falada frase que ganhou os comerciais de tv, as redes sociais e as conversas de botequim sobreviveu à repetição exaustiva e ao cansaço de alguns: “imagina na copa?

Imagina?

Imagina?

A frase se repete sempre que vemos alguma notícia ou fato, geralmente ligados aos problemas ainda por serem resolvidos (será?) até o Mundial. E assim todos nós imaginamos. Ontem entrei em um táxi e o assunto não podia ser outro. Me disse o motorista: “como você acha que vai ser durante a copa?”. E assim tem sido desde que o Brasil foi escolhido como sede para a Copa do Mundo de 2014.

Pois bem. A boa notícia é que nossas indagações estão com os dias contados. No próximo dia 12 de junho, vamos parar de imaginar e ver como realmente será.

Mas se você partilha comigo de certa ansiedade sobre esses dias vindouros de muito futebol e “sabe-se-lá-mais-o-que”, vou dividir com o amigo leitor um exercício que fiz nos últimos dias.

Cansado de imaginar como será na Copa, eu fui aos arquivos da Biblioteca Nacional, e no intuito de aplacar um pouco da minha angústia, resolvi ler um pouco sobre como foi a Copa no Brasil. Então voltei ao ano de 1950, pelas páginas da Revista O Cruzeiro. Lá eu encontrei um pouco de tudo: toda euforia pelo evento, a cobertura dos jogos, a alegria do torcedor, o orgulho pelo Maracanã, o maior estádio de futebol do mundo.

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Mas quem acompanha minhas postagens aqui no blog sabe que, o que me salta aos olhos é o que me parece diferente, curioso ou inusitado. Confesso que nunca fui profundo estudioso do futebol (daquele de ir à biblioteca e mergulhar nos arquivos), mas uma notícia específica me chamou a atenção.

Sem mais delongas, segue a reportagem de David Nasser, na edição de 15 de julho de 1950 da Revista O Cruzeiro

A Copa Errada

Rio de Janeiro – Da cadeira numerada 2, letra G, setor 25, 140 cruzeiros, debaixo de goteira, especial para O CRUZEIRO, junho de 1950 – Aqui, senhores, está a reportagem feita sem a menos facilidade da CBD ou da inepta e inexistente Comissão de Imprensa criada para a Taça Jules Rimet. Do reduzido espaço de uma cadeira numerada, tendo a vizinhança do ilustra brigadeiro Eduardo Gomes e do teatrólogo Luís Iglezias. Sobre a nossa cabeça uma goteira que não parava nunca, conseguimos trazer a agradável impressão de uma vitória do Brasil, no terreno esportivo, mas de fracasso da CBD na parte administrativa. 880 jornalistas e pseudojornalistas assistiram à peleja, enquanto a alguns profissionais em serviço se procurava dificultar a missão. Nesta véspera de jogo deve ser comum o diálogo entre a cozinheira e o motorista:

– Durvalina, você quer ir ao jogo do Brasil?

– Mas, como, Manuel? De arquibancada?

-De arquibancada ta difícil. O jeito é a gente ir mesmo de Tribuna de Imprensa.

Certos paredros esportivos são como elefantes de circo: vivem a glória apenas na hora do espetáculo. Depois, volta à obscuridade e à vida monótona de todos os dias. Procure, amigo, uma dessas eminências atualmente e encontrará fechada todas as portas: a de casa, a do escritório e a da confederação. Os respeitáveis e altíssimos governantes dos esportes nacionais, dirigentes das grandes rendas, colocam-se em pedestal cuja base não se forma de sabedoria ou cultura, mas de maleabilidade, de jeito, de tato em lidar com os torcedores, com os jogadores e principalmente com a igrejinha que é a própria alma da entidade. Só se trata do esporte, no Brasil, em função do lucro. O atletismo está abandonado, o tênis foi posto à margem, o basquete atravessa uma fase ruim, a natação já não interessa. Só o futebol, porque o futebol dá renda. Essa história de cultura física, de aprimoramento racial, não passa de bobagem sem nexo para os mentores esportivos do Brasil. Por essas e outras razões, a Copa do Mundo só não se transformou em fracasso técnico graças às próprias equipes. No que dependeu da CBD, da Comissão de Imprensa e de todas as outras comissões ineptas, o fracasso é absoluto, completo e desolador.

(…)

Sua Excelência, o paredro, analisou, há alguns meses, o problema do turismo. Antes de tudo, a CBD teria de gastar dinheiro com a propaganda do Brasil no exterior e a CBD se recusou a imprimir cartazes e a divulgar as nossas coisas na Europa e noutros continentes. Mário Provenzano [repórter da revista], Fernando Bruce e Geraldo Romualdo da Silva, três honestos e competentes cronistas esportivos, voltaram impressionados de uma longa viagem ao estrangeiro: quase não haviam lido um artigo, uma reportagem, uma apreciação sobre o campeonato do mundo a realizar-se no Brasil. Em nossa permanência na Europa nem os jornais especializados falavam sobre o assunto.

Um rapaz do ‘Match’, a maior revista da França, explicou o desinteresse:

“- Temos a impressão de que não será realizada a disputa da Taça Jules Rimet no Brasil em 1950. Nada sabemos a respeito da construção do novo estádio e só se propala, aqui, a falta de hotéis e acomodações para turistas.

A CBD não se importava, na realidade, com a parte turística. A CBD sabia, tinha plena convicção, de que as grandes rendas seriam produzidas pela torcida brasileira. Aos elefantes esportivos pouco importava a contribuição de dólares, de dinheiro, de benefícios que os 90 mil turistas trariam ao Brasil durante a Copa do Mundo. “- Daremos a festa com a prata da casa”, raciocinaram, e se deixaram orientar sempre e sempre por esse principio egoístico e antinacionalista.

Dos noventa mil, apenas uns dois mil turistas apareceram por aqui. No cais do porto ou no aeroporto, ninguém para recebê-los. Desde o primeiro minuto, sentiram-se deslocados, sem informações, sem guias, sem facilidades. Para um polonês ou letão ir ao Estádio, imaginem as dificuldades. Tivemos, assim, o fracasso turístico.

Os grifos na reportagem foram feitos por mim. Infelizmente não tenho as fotos dessa e de outras edições para ilustrar esse post. As fotos mostram um estádio do Maracanã incompleto, com vergalhões e resto de obra à mostra, fotos da confusão e descontrole para entrar no estádio e dos feridos sendo atendidos. Há inclusive a menção de uma morte durante um dos jogos da seleção brasileira (isso na edição de 29/07 de 1950).

Voltar à primeira Copa do Mundo no Brasil através das reportagens da Revista O Cruzeiro não me mostrou que alguns problemas parecem os mesmos. Também não me mostrou que, em alguns aspectos, podemos até ter melhorado. Pensei que fosse aplacar um pouco da minha ansiedade em saber como será, mas isso também não aconteceu. Mas posso dizer após esse exercício de ida aos arquivos, que conhecer o passado pode nos ajudar sim a compreender o presente. Além de ser algo fantástico.

Então me resta agora aproveitar os últimos meses em que posso imaginar, antes de saber como será. Te aconselho a fazer o mesmo:

Imagina na Copa?