O Roubo da Taça (BRA, 2016, Caíto Ortiz)

09/10/2018

IMAGEM - O Roubo da Taça (Caito Ortiz, 2016)

                         

Giulite Coutinho  – Quem será que fez isso? Nós não temos inimigo.

Secretária           – Presidente, tem a Argentina, a Alemanha, Paulo Rossi…

 

Diante de uma enorme ressaca eleitoral, achei por bem encarar uma comédia que há tempos estava me aguardando, na minha interminável lista de filmes que, de alguma maneira, abordam o futebol. A bem da verdade, O Roubo da Taça (Brasil, Caíto Ortiz, 2016) não estava bem cotado no meu ranking de expectativas. Achava, por puro pré-conceito, que dessa fita não sairia nada de interessante. Me enganei. O filme é bem construído, bem filmado, divertido e conta com algumas performances impressionantes. Principalmente de Paulo Tiefenthaler, que toma conta da trama como o vendedor de seguros que tem a ideia de assaltar a CBF. Mas comecemos pelo início.

O Roubo da taça é uma ficção que fala de um evento real e inusitado. A subtração da Taça Jules Rimet, em dezembro de 1983. Acredito que quase todos saibam do que se trata. De qualquer modo, esse troféu foi conquistado pelo Brasil por ter sido o primeiro país a sagrar-se tricampeão mundial. Desde a Copa inaugural, de 1930, o trato era esse. Enquanto ninguém conseguia a façanha, a Jules Rimet excursionava mundo afora, permanecendo quatro anos sob poder da nação campeã do momento. Aliás, a película tem duas ou três entradas informativas, que vão situando esses e outros dados sobre a trajetória da seleção canarinho. Tudo sob a voz em off de Taís Araujo. A atriz é parte narradora e também personagem, interpretando a sedutora Dolores, mulher de Peralta (Paulo Tiefentaler). O personagem de Borracha, um ex-policial e comparsa de Peralta, é vivido por Danilo Grangheia. O ótimo ator Milhen Cortaz (aquele do “Pica das galáxias”, na já antológica passagem de Tropa de Elite 2) interpreta o policial Cortez.

Pois bem, o enredo é baseado no episódio concreto do roubo da taça. Uma comédia de erros que realmente parece feita para o cinema. O maior troféu de nosso futebol ficava na sala da presidência da CBF, na época ocupada por Giulite Coutinho (vivido por Stepan Nercessian). Permanecia atrás de um vidro a prova de balas. Até aí beleza. A entidade tinha até um cofre forte. Não obstante, deixavam a original exposta e a cópia segura, trancada. Foi motivo de piada.

A guarda do prédio, por sua vez, ficava a cargo de um único vigia, que foi facilmente dominado. Mas e o vidro a prova de balas? Não ofereceu resistência (sacanagem, ninguém atirou nele) ao desmantelamento do entorno com instrumentos corriqueiros. E a taça se foi.

Narrativamente, o filme apresenta dois eixos básicos. Um deles sobre os dilemas de Peralta, com seu pouco apreço ao trabalho, vício na jogatina e conflitos com sua fogosa esposa. O outro, secundário, usa o descaso a toda prova com nossa relíquia futebolística para sugerir traços da personalidade nacional. Se não tomamos conta nem daquilo que mais nos diverte, orgulha e nos destaca mundialmente, que dirá do resto… Como exclama o Giulite Coutinho do filme:

– Puta que pariu! Como é que a gente ganhou três Copas?!

Em uma introdução ao clima da época, a voz em off de Taís Araujo explica:

Em 82 a crise tava braba. A esperança que a gente tinha era o futebol, de novo. Falcão, Sócrates, Zico, aquele bonitão do Éder… O time dos sonhos de todo brasileiro, até hoje. Bom, depois todo mundo sabe o que aconteceu (…). Aí voltamos pro buraco. General, inflação, desemprego.

Este último trecho dá até um desânimo. Porque a saudade daquele futebol realmente continua; a inflação tá até quietinha, mas o resto parece reprise. Das piores…

Em duas outras sequências temos lances relativos à difícil negociação da muamba. Afinal, como se desfazer de um item tão ilustre, cujas fotos e notícias estavam em todas as mídias da época? O único que aceitou fazer a arriscada transação foi um comerciante/atravessador argentino. Outra piada feita. E, mais incrível, verdadeira. Na chamada vida real o receptador era mesmo portenho! Acabou preso, como os demais. Novamente a voz de Tais Araujo (ilustrada com sequências de jogos do Brasil com nossos hermanos) é quem comenta:

Tantos anos de luta, de sangue, de cotovelada, de dedo no olho. Mais de cem anos de Brasil e Argentina e a gente ia vender o nosso maior patrimônio sabe pra quem? Que beleza, hem?

Sem mais no momento, uma boa semana e que sobrevivamos ao segundo turno. Abraços!

 

Referências:

BAZARELLO, Pablo. Crítica. O Roubo da Taça. Disponível em:  https://cinepop.com.br/critica-o-roubo-da-taca-126675. Consultado em 08 de outubro de 2018.

BONSANTI, Bruno. O Roubo da Jules Rimet: uma história inacreditavelmente real que virou uma boa comédia. Disponível em: https://trivela.com.br/o-roubo-da-jules-rimet-uma-historia-inacreditavelmente-real-que-virou-uma-boa-comedia/. Consultado em 08 de outubro de 2018.

FERNANDEZ, Alexandre Agabiti. Crítica – ‘O Roubo da Taça’ revela vida inteligente no humor nacional. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/09/1811161-o-roubo-da-taca-revela-vida-inteligente-no-humor-nacional.shtml. Consultado em 08 de outubro de 2018.

Matéria. Trinta anos depois, relembre roubo da Taça Jules Rimet no Brasil. Disponível em: https://www.terra.com.br/esportes/futebol/copa-2014/trinta-anos-depois-relembre-roubo-da-taca-jules-rimet-no-brasil,2014adac27d03410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html. Consultado em 08 de outubro de 2018.

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Barba, cabelo e bigode (Brasil, Lucio Branco, 2016)

07/05/2018

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Em uma determinada situação você se sente vivendo intensamente, vivendo tudo aquilo que você pode. A alegria é a prova dos nove e a liberdade, a felicidade são a mesma coisa e são o objetivo do homem como ser humano.

(Afonsinho; ao fim da película, aproximadamente às 2 horas de exibição).

 

Fazer barba, cabelo e bigode constitui expressão que indica um percurso completo, ou seja, implica uma experiência abusiva: extensiva e intensiva (isso para não entrarmos em meandros de conotação outra – ver https://www.dicionarioinformal.com.br/barba+cabelo+e+bigode/). Nesse sentido, e complementarmente às menções estético-capilares dos protagonistas, o título é bastante pertinente. Faz juz às trajetórias de seus três personagens: Afonsinho, Nei Conceição e Paulo Cezar Caju.

Para todos aqueles que gostam de futebol, tratam-se de nomes usualmente associados a pelo menos a duas características marcantes: à reconhecida qualidade técnica e à força da personalidade. E também, é claro, às suas posições contestadoras. Há uma enormidade de material a respeito: reportagens, artigos, entrevistas e filmes.

Destacamos o documentário Passe Livre (Oswaldo Caldeira, 1974, a partir da vitoriosa disputa judicial de Afonsinho pela possibilidade de dispor de seu próprio passe) e a série de João Moreira Salles e Arthur Fontes, Futebol (1998), novamente incluindo Afonsinho, mas também o Paulo Cezar Caju e outros (indicamos ainda a leitura do estudo de Euclides de Freitas Couto –  Da ditadura à ditadura – uma história política da futebol brasileiro 1930/1978. Niterói, Ed. UFF, 2014).

O filme em questão coloca o tema novamente em foco. A película estreou bem, saindo-se vencedora da sétima edição do Festival de cinema sobre futebol, o Cinefoot (2017 – http://www.cinefoot.org/e-campeao-conheca-os-vencedores-do-cinefoot-7/).

Sem grande preocupação cronológica, a obra remonta episódios relacionados ao mencionado trio futebolístico. Não se restringe ao mundo do futebol, no entanto (embora as cenas de jogo tenham um bom papel ao longo da fita). Repassa os desentendimentos de Afonsinho no Botafogo (no qual a questão da manutenção ou não de sua barba ganhou uma importância que somente a época parece permitir entender), o corte de Paulo Cezar do escrete de 1978 e a história da (não) efetivação de Nei Conceição pelo Palmeiras. Dentre outras histórias. Nessa conversa também não fica de fora o estado atual do futebol brasileiro, cuja situação não é bem avaliada pelos depoentes; tanto organizativa como tecnicamente. Nas suas duas horas de duração, temos contato com muitas cenas e fotos de época, imagens de jogos e da vida pessoal e atual dos três “rebeldes” do futebol. Há ainda uma participação especial de Daniel Cohn-Bendit, em um papo com Afonsinho.

Conforme mencionamos acima, essas e outras narrativas ganham maior implicação ao envolverem temas como racismo, ditadura, participação política: a vida dentro e fora dos campos. É nesse âmbito mais geral que a obra ganha importância como registro histórico e como espaço de discussão. Mas também como libelo humanizante. Este parece ser o sentido do trecho em epígrafe, com o qual iniciamos este post. Por essas e outras, fica o convite ao longa de Lucio Branco.


Pelé – o nascimento de uma lenda (EUA/BRA, 2016, Jeff Zimbalist e Michael Zimbalist)

21/12/2017

CARTAZ PELÉ - O NASCIMENTO DE UMA LENDA (2016)

 

Senhoras e senhores: segurem seus chapéus. Ainda temos dez minutos no segundo tempo. Vamos sambar!

(narrador em voice over, durante jogo entre o time infantil do King e o Shoeless ones, equipe capitaneada por Dico/Pelé).

 

Entenderam o trecho acima? Nem eu…

Hoje vamos falar do mais novo empreendimento cinematográfico (longa) envolvendo a mítica figura de Pelé. Já comentamos, aqui mesmo, pelo menos uma das aventuras ou desventuras fílmicas do nosso grande atleta (ver post Os Trombadinhas, 1979 – https://historiadoesporte.wordpress.com/2011/12/05/os-trombadinhas-1979/). Mas a lista de produções envolvendo o “maior atleta do século” é bem razoável. O professor Victor Melo relacionou 24 filmes nos quais Pelé atua ou é representado (MELO, V. & DRUMOND, M. (orgs). Esporte e Cinema: novos olhares, RJ, Apicuri, 2009, p. 230).

Atentemos, no entanto, ao “nascimento de uma lenda”. Essa película deveria ter estreado em julho, com a Copa do Brasil, em 2014, mas assim como parte considerável das obras de cal e pedra também não cumpriu o calendário inicial. O filme abarca o período que vai da infância de Pelé até a conquista da Copa de 1958, na Suécia, a primeira vitória do selecionado nessa competição. Na oportunidade, Pelé contava com apenas 17 anos.

Pois bem, o filme não foi bem recebido pela crítica (ver http://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2016/05/pele-o-nascimento-de-uma-lenda-bate-um-bolao-so-nas-cenas-de-futebol.html; https://observatoriodocinema.bol.uol.com.br/criticas/2017/10/critica-pele-o-nascimento-de-uma-lenda; https://omelete.uol.com.br/filmes/criticas/pele-birth-of-a-legend/?key=138225. Consultadas em 21 de dezembro de 2017).  De modo justo. Eu também não gostei. Não como filme, como material para se pensar é um prato cheio…

O trecho em epígrafe indica o tom estereotipado (caricaturizado mesmo) da obra. Mas o conjunto é pior. Se quiséssemos sintetizar poderíamos resumir a tese do filme como uma luta pela afirmação da “ginga” do futebol brasileiro (tendo Pelé como sua apoteose) contra a forma europeia de se praticar o esporte. Essa “ginga”, aliás, não definiria somente o futebol nacional, mas o “espírito brasileiro”. Há um ilustrativo diálogo fictício (a obra é pródiga em encenar situações que nunca aconteceram e de estabelecer diálogos ou desdobramentos inverossímeis) entre Waldemar de Brito e o jovem Pelé. A conversa se passa em uma estação de trem, em Santos, na qual o aspirante espera o trem para voltar para Bauru, descontente por sua incapacidade de satisfazer as condições solicitadas pelo treinador do clube. Pelo inusitado do enredo, vale a transcrição:

Waldemar de Brito – Os portugueses chegaram no Brasil com os escravos africanos. Mas a determinação dos africanos era forte. E muitos fugiram para o mato. Para se protegerem, os escravos africanos apelaram para a ginga. A base da capoeira, a arte marcial de guerra. Quando a escravidão foi abolida, saíram do mato e descobriram que a capoeira foi posta na ilegalidade. Eles viram o futebol como a maneira ideal de praticar a ginga sem serem presos. Era a forma mais atualizada de ginga. E em pouco tempo a ginga evoluiu, se adaptou, até não ser somente nossa [da população afro-descendente brasileira, presumo]. Era o ritmo dentro de todos os brasileiros. Mas, na Copa de 1950, muitos acharam que nosso estilo era o culpado pela derrota e passaram a repudiar tudo que era ligado a nossa herança africana. Assim como seu treinador tem tentado tirar a ginga do seu jeito de jogar, nós temos tentado tirar de nós mesmos, do nosso povo, desde então.

Mas a ginga é muito forte em você, Dico [apelido de Edson Arantes, quando criança]. Então, nos mostre o que acontece quando você tem a coragem de aceitar quem você realmente é ou você pode pegar esse trem e nunca saberá.

Todo o filme está baseado nessa caracterização, reforçada em vários trechos. Essa cinebiografia (epopeia, fantasia) de Pelé equivale a uma narrativa da assunção e ascensão dessa tal “ginga” por parte dos negros e de toda população brasileira, protagonizada pelo herói de ébano. Dá pano pra muita manga…

Aliás, as mangas, esse nosso produto tropical abundante, têm um papel importante. É com elas que o pai de Pelé, Dondinho (segundo o filme), treinava suas habilidades de controle: “as verdes para chutar, as maduras para as embaixadinhas”. Essa técnica revolucionária teria sido passada para o filho o qual, depois, em campo, ganha cenas alternadas para evidenciar o link entre essa estratégia tropical e o domínio da bola nos gramados. Lembra as dezenas de filmes de Kung Fu e seus treinamentos mirabolantes (Olá senhor Miyagi ! Karate Kid, 1984, John Avildsen).

É um filme curioso. Há ainda a construção de uma animosidade entre Mazola (José Joel Altafini) e Pelé. Veja, segundo o enredo, esses dois grandes jogadores que conquistaram a primeira Copa do Mundo para o Brasil se conheciam desde criança. A mãe de Pelé (numa construção fílmica) trabalhava para a família de Mazola e este, quando pequeno, zombava do filho da empregada (Dico, o futuro Pelé), vindo encontrar-se com ele no escrete de 1958.

O Mazola do filme é um contraponto a Pelé. O primeiro quer ser estrangeiro, jogar como estrangeiro e Pelé representaria a autenticidade nacional (receosa de afirmação, mas irrebatível quando assumida). O conjunto de representações, simplificações e visões bem vale uma apreciação mais detida (para um outro momento). Para finalizar estas considerações iniciais, apenas indicaria algumas referências cinematográficas que saltam aos olhos na edificação narrativa em questão.

Primeiramente, alguém já aludiu que a tal da ginga se assemelha ao fenômeno da “força” nos filmes de Star Wars (“a ideia de dizer que a ginga é uma espécie de força Jedi originada da capoeira é demais pra cabeça de qualquer um. GOMES, Fábio S. Disponível em: https://omelete.uol.com.br/filmes/criticas/pele-birth-of-a-legend/?key=138225. Consultado em 21 de dezembro de 2017). A afirmação do personagem de Waldemar de Brito destacando que “a ginga é muito forte” em Dico parece uma caricatura hollywoodiana para um pretenso e nacional Luke Skywalker de chuteiras.

A tese da “ginga”, evidentemente tem raízes na caracterização Freiriana de nosso futebol flamboyant, mas, filmicamente, não há como não pensar no título Ginga – alma do futebol brasileiro (Brasil, Hank Levine, Marcel Machado e Tocha Alves, 2004; para mais informações ver SANT’ANA, L. C. “Ginga: alma nacional, expressão universal – representações e aspirações de nacionalidade e pertencimento”. In MELO, V. A. & DRUMOND, M. 2009, op. cit.). A tese é quase a mesma, embora a qualidade das obras seja distinta (o filme Besouro, Brasil, 2009, de João Tikhomiroff, que apresenta similaridades com a obra em questão, também é imageticamente citado).

A oposição Pelé  X  Mazola faz lembrar quase imediatamente àquela entre Mozart e Saliere, no filme de Milos Forman, Amadeus (1984), para ficarmos com uma referência apenas.

A performance de Pelé (toda vez que se permite incorporara a “ginga”), aliás, está mais para a plástica dos games de futebol, também expressa, por exemplo, na peça de propaganda da Nike, intitulada “O último jogo”(Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=59t31RqeY88. Acessado em 21 de dezembro de 2017). Está muito mais para malabarismo com bola do que para futebol.

Enfim, uma película curiosa, disso não se pode duvidar.

Um belo fim de ano para todos nós é o que este comentarista e este blog desejam a todos.


O Maraca é nosso?

24/07/2017

 

Imagem de ilustração do novo maracanã. Disponível em: http://campos24horas.com.br/portal/futebol-carioca-nao-sustenta-o-novo-maracana/. Consultado em 23 de julho de 2017.

 

GERAL MARACA

Imagem da geral. Disponível em: http://brasil.estadao.com.br/blogs/mario-vitor-rodrigues/bicha-mil-vezes-bicha/. Acessado em 23 de julho de 2017.

 

 

Hoje estou editando um post um pouco diferente. Não vou falar de nenhum filme específico, mas sim de um personagem ilustre: o Maracanã (e, é claro, de algumas películas que o tem como objeto/protagonista das telas).

O Maracanã, embora em forma, já é um senhor. Sua construção original se liga à preparação da Copa de 1950 (1). Do maior estádio do mundo até a configuração atual, muita coisa mudou (2). Uma coisa é certa, ao longo desses quase 70 anos, o estádio Mario Filho adentrou à história e imagem do Rio de Janeiro, de modo indelével.

Nesses dias que passaram estive ocupado em um primeiro levantamento de uma das facetas desse ente excepcional: exatamente aquela que o configura como um monumento marcante da cidade. O reconhecimento desse protagonismo de “cal e pedra” ganhou a forma de um decreto de tombamento, em julho de 2002. Nesse documento afirma-se a “grande importância histórica, arquitetônica, cultural e afetiva para a Cidade do Rio de Janeiro” (Disponível em: http://www.rio.rj.gov.br/web/irph/patrimonio . Consultado em 18 de junho de 2017).

Mas não é só isso. De forma mais ou menos associada ao conjunto arquitetônico, quatro “bens imateriais” foram consagrados pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, a saber: A torcida do flamengo (em 2007), as torcidas dos clubes de futebol da cidade (2012), a partida de futebol fla-flu (2012) e os gols do Zico no Maracanã (2013 – Disponível em: http://www.rio.rj.gov.br/web/irph/patrimonio-imaterial. Consultado em 18 de junho de 2017).

Cada um desses itens apresenta um arrazoado próprio, desenvolvido em decretos municipais específicos para esse fim. As ponderações sobre o fla-flu são impagáveis, por isso reproduzo parcialmente:

CONSIDERANDO que o Fla-Flu é uma celebração que sintetiza a identidade carioca e signo máximo do saudável antagonismo esportivo;

CONSIDERANDO as distintas manifestações artísticas e culturais que fazem referência à partida como atributo estético universal, como bem sintetizou o jornalista e escritor Nelson Rodrigues na máxima: “O Fla-Flu surgiu quarenta minutos antes do nada” (Disponível em: http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4368015/4108336/23DECRETO35878PartidadeFutebolFlaFlu.pdf. Consultado em 23 de julho de 2017).

Dadas as modificações sofridas mais ou menos recentemente pelo Maraca, entre as quais a diminuição da capacidade de receber público (que já foi de incrível 200 mil e que hoje está em 78 mil espectadores), o substancial aumento de preço dos ingressos e o fim da geral, muito se discute sobre um processo de gentrificação desse equipamento/monumento para lá de esportivo (3). Mas isso talvez fique para uma outra conversa.

Ah, quase ia esquecendo: faltaram os filmes. Para ver essas e outras discussões nas telas, estive procurando e assistindo algumas produções de fácil acesso, dentre os quais destacaria Geraldinos, de Pedro Asbeg e Renato Martins (Brasil, 2016, 1:13 horas) e Geral, curta de Anna Azevedo (Brasil, 2010, 14’ 59”). Ambos, como os títulos não nos deixam enganar, comentam a existência e o fim do espaço da geral. O Maraca é nosso? trabalha exatamente novas formas de participação coletiva da torcida em um estádio de acesso financeiramente mais elitizado. Maracaná, binacional (Uruguai/Brasil), revisita o inolvidável Maracanazo, de 1950, sob uma perspectiva que emparelha visões de brasileiros e de uruguaios e confere a Obdúlio Varela (capitão da Celeste) um papel heroico (quase mítico). E, para rever, não resisti em incluir Barbosa, esse clássico de Anna Luiza Azevedo e Jorge Furtado (Brasil, 12’, 1988). Bom fim de julho, meu caro público!

 

Notas:

(1). Para detalhes ver MOURA, Gisella de Araujo. O Rio corre para o Maracanã. Rio de Janeiro, Ed. Fundação Getúlio Vargas, 1988);

(2) Sobre as últimas e consideráveis reformas pelas quais o estádio passou, ver HOLLANDA, Bernardo Borges Buarque. O fim do Estádio-nação? Notas sobres a construção e a remodelagem do Maracanã para a Copa de 2014. In: CAMPOS, Flavio de e ALFONSI, Daniela. Futebol – objeto das ciências humanas. São Paulo, Leya, 2014, p. 320 – 345.

(3) Ver, por exemplo, MELLO, Paulo Thiago. O Maracanã da gentrificação (Disponível em http://www.canalibase.org.br/o-maracana-da-gentrificacao/. Acessado em 18 de junho de 2017).

 

Filmes:

Barbosa. Anna Luiza Azevedo e Jorge Furtado, Brasil, 12’, 1988. Disponível em: http://portacurtas.org.br/filme/?name=barbosa . Consultado em 18 de junho de 2017.

Geral. Curta de Anna Azevedo, Brasil, 14’ 59”, 2010. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=vDCD9kL9pvI. Acessado em 18 de junho de 2017. Jogo Fla X Flu, final da Taça Rio (4X1), retratado no curta. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=IqMmWyIKoX0, acessado em 18 de junho de 2017.

Geraldinos. Filme de Pedro Asbeg e Renato Martins. Brasil, 2016 (1:13 horas). Ficha técnica disponível em http://www.adorocinema.com/filmes/filme-236958/. Consultado em 18 de junho de 2017.

O Maraca é nosso? Curta de 12 minutos, Brasil, 2014. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=CXSuvJY-xXw&t=238s. Consultado em 18 de junho de 2017. Ficha técnica disponível em: https://filmow.com/o-maraca-e-nosso-t210903/. Consultado em 18 de junho de 2017.

Maracaná. De Sebastián Bednarik e Andrés Varela. Uruguai/Brasil, 2014. Documentário, 75’.


Meninos de kichute (Luca Amberg, 2014)

27/02/2017

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Sessão nostalgia em pleno carnaval 2017. Bom, nostalgia para a geração, como a minha, que debateu ardorosamente a preferência entre o kichute, o conga e o bamba. Não sabe do que se trata? Novinho(a)! Segue a ilustração abaixo, para ajudar a garotada.

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Particularmente, nunca tive um kichute. Pra jogar bola gostava do conga (o bamba era pra passeio). Durava uns quatro meses de uso intensivo. Assim como os meninos do filme de Luca Amberg, boa parte da minha existência infanto juvenil foi passada em campinhos. Essa talvez seja uma força do livro de Márcio Américo, que virou o filme em questão. A esse respeito o diretor da película esclarece:

Acho que é uma autobiografia generalizada. O Márcio Américo escreveu um livro que lembra aqueles clássicos da literatura, que o tema retrata uma geração e seus costumes que marcaram uma época. Meninos de Kichute fala da infância de milhões de brasileiros oriundos da ‘geração kichute’, que iniciou em 1970, ano do tri, quando o kichute foi lançado, e se estendeu até os anos 90” (…). O título me atraiu de imediato (…) a cada capítulo  me identificava cada vez mais com a minha infância em Lages, porque os sonhos dos meninos de Londrina, eram os mesmos: queríamos ser jogador de futebol” (Site oficial do filme. Disponível em: http://ambergfilmes.com.br/. Consultado em 26 de fevereiro de 2017).

A citação foi um pouco longa, mas resume bem a proposta da obra. Meninos de kichute consegue estabelecer um painel facilmente reconhecível pelos contemporâneos. Ao mesmo tempo, ao tratar de crianças, bola, traquinagens, conflitos geracionais, colégio, expõe o caráter universal dessas primeiras experiências, realizações, possibilidades e decepções.

A narrativa se dá em torno do infante Beto. Esse garoto, filho de uma família pobre e com um pai rigoroso, tem duas habilidades que o destacam: sua perícia no “bafo” e sua recente destreza como goleiro. Enquanto jogava na linha não fez sucesso, mas acabou achando sua posição como guarda meta. Essa primeira descoberta infantil confere força ao personagem e à história:

Antes eu não era ninguém no campinho. Agora sou o primeiro a ser escolhido (Beto).

Toda pequena-grande odisseia de Beto (e da fita) se concentra na tentativa de dar corpo a esse ser que surge na brincadeira, dentro dos limites de um retângulo de areia. Isso vai demandar criatividade, tenacidade, ajuda e persistência. Como tudo o que vale a pena. Beto quer ser goleiro, quando crescer.

“E agora? Caga na mão e joga fora!”, como dizia esse adágio quase poético, retratado pelos garotos do filme. Ou seja, se você tá com uma folguinha entre um bloco e outro, ou cansado de seu retiro anti-momesco, por qualquer motivo, Meninos de kichute está disponível pra quem tem o Canal Brasil (ou pra quem se dispõe à arte de baixar filmes pela internet). Bom carnaval pra geral!


Cartão Vermelho (Brasil, Laís Bodanzky, 1994)

20/09/2016

 

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Hoje vamos abordar o segundo curta metragem nestes nossos escritos sobre futebol e cinema. O primeiro foi Mauro Shampoo, jogador, cabeleireiro e homem, de 2005 (ver neste blog: https://historiadoesporte.wordpress.com/2015/07/20/mauro-shampoo-jogador-cabeleireiro-e-homem-2005/).

O filme de Laís Bodanzky tem apenas 14 minutos e pode ser acessado com facilidade e proveito (http://portacurtas.org.br/filme/?name=cartao_vermelho). Trata-se de trabalho inaugural da diretora, a qual vai assinar uma interessante e original série de obras. Os maiores destaques talvez sejam Bicho de sete cabeças (2001, o primeiro e premiado longa metragem), Chega de Saudade (2007) e As melhores coisas do mundo (2010 – ver http://www.imdb.com/name/nm1738698/ e http://www.buritifilmes.com.br/a-lais.php?cat=lais).

A película em questão tem um enredo simples, mas relativamente ousado. Fernanda é uma menina que joga bola com os garotos da vizinhança (a sinopse do Porta curtas indica que a personagem tem 12 anos – http://portacurtas.org.br/filme/?name=cartao_vermelho). Ela mostra desenvoltura e habilidade. Não obstante, o elemento marcante de sua participação futebolística é que, invariavelmente, ela acerta os colegas com dolorosos arremates da bola nas partes baixas e vulneráveis. Um temor justificável começa a se apoderar dos moleques.

Sobre essa conduta duas coisas podem ser destacadas: a primeira é que Fernanda se utiliza disso para ampliar sua performance. Na última sequência de jogo, antes do encontro no “esconderijo”, os meninos abrem caminho (já ciosos pela manutenção de suas possibilidades reprodutivas) para sua colega, facilitando a vitória da temível adversária.

Em segundo lugar, é de se salientar o detalhamento cinematográfico, que indica um sorriso prazeroso de Fernanda ao atingir seus colegas. Pois bem, o roteiro e a ação ganham dramaticidade quando os amiguinhos da moça se reúnem e resolvem ir à forra. Fazem isso da seguinte maneira: refugiam-se em uma casa abandonada (o “esconderijo” da molecada) e atraem Fernanda para lá. Trata-se de um “julgamento” (e condenação). Uma das penas sugeridas seria a de uma contrapartida pura e simples, ou seja, chutar a bola em direção à “ré”, na mesma direção anatômica.

Um dos meninos, aparentando ser um pouco mais velho e em exercício de liderança, explica que isso não funcionaria, porque as meninas são diferentes. A solução então é a da exibição dessa diferença, para todo o time. Essa sequência, em um primeiro momento, é provocadora. Afinal, a menina chora e roga que não a exponham. Soa desconfortável e agressivo: são crianças. E é isso que é retomado prontamente. Os garotos, após natural curiosidade, se desinteressam rapidamente.

Outros recursos também são adotados para esfriar a narrativa. Evidentemente a intimidade de Fernanda não é devassada pela câmera; apenas os personagens a testemunham (cinematograficamente). Ademais, muito pronto dá-se um corte para uma ilustração didática da genitália feminina, narrada por aquele garoto-líder, que se chama Daniel. Uma sequência final dá cabo ao evento. Um dos meninos menores se vê diante do esboço da vulva, desenhada numa das paredes do esconderijo. Ali vemos, nitidamente, uma analogia gráfica a um campinho de futebol. Esse é o objeto de desejo realmente cobiçado pela turma. Ao menos pela maioria.

As cenas posteriores retratam Fernanda em sua cama, repassando mentalmente o ocorrido. Inicialmente a  filmagem sugere um recolhimento constrangido, mas a conotação logo muda quando a menina se recorda de Daniel e de sua atenção (aparentemente não compartilhada pelos demais) quando da sua exposição forçada.

E não é que no outro dia a Fernanda reaparece no campinho, se reapresentando para a brincadeira?  E sem mudar o tom, porque na primeira oportunidade atinge mais um infeliz portador de bolsa escrotal. Diante disso todo mundo reclama, mas Daniel impede qualquer ação coletiva;  agarra Fernanda pelo braço e deixa claro que ele vai cuidar do caso. Nesse momento uma nova aproximação da câmera explicita o sorriso da menina.

Em entrevista, a diretora esclarece que o tema abordado é o “da entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade” (http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-50803/). Uma história corriqueira, portanto, mas que adquire contornos ligeiramente cômicos, dramáticos, inocentes e de jogo/brincadeira. Quem seduz? Quem provoca ou é provocado? Quem tem a iniciativa nessa história? Quem “pune” ou quem quer ser “punido”?

Acho que vale a pena despender 14 minutos pra entrar na brincadeira reflexiva proposta por Laís Bodansky.

Até a próxima!


Maldito Futebol Clube (Tom Hooper, RU, 2010)

25/04/2016

The_Damned_United

Conforme o resumo apresentado na embalagem do DVD (é, alguns ainda utilizam esse instrumento arcaico de reprodução de filmes), a película em questão trata da “história repleta de humor e confrontos de Brian Clough” e seus “fatídicos 44 dias” à frente do Leeds United. Aliás, o técnico inglês é vivido por Michael Sheen, em atuação convincente. Seria mais ou menos isso. Na verdade, é outra coisa.

Não há dúvida que a assunção de Clough à chefia do time de seu maior rival (tal como apresentado na narrativa fílmica) consiste em período chave dessa história, mas há um antes e um depois, que, de fato, ocupam a maior parte da projeção.

Se tivéssemos que sintetizar essa produção, que acompanha a trajetória de um técnico de percurso inusitado, gênio difícil e controverso[1], diríamos que o marcante em toda a condução fílmica é a contraposição entre Brian Clough e Don Revie (interpretado por Colm Meaney).  Revie esteve à frente do Leads por onze anos.

Entendemos, portanto, que antes de tratar-se de um filme sobre um técnico de futebol (ou sobre o futebol na Inglaterra dos anos 60 e 70), essa obra lida, fundamentalmente, com a construção de uma identidade na perseguição de seu outro imaginado e da pujança dessa obsessão. E aqui não interessa o quanto a narrativa cinematográfica se ampara (em maior ou menor parte) na biografia histórica desses dois personagens reais. O filme até apresenta uma interessante reconstituição do período, mas isso é narrativamente secundário. Toda a lógica enunciativa se concentra na incontida busca de Clough em ser percebido por seu rival (o qual, aparentemente, e para enlouquecimento de Brian, sequer lhe dá muita atenção como adversário). Esse é o leitmotiv[2]. E é suficiente para a feitura de um bom filme (cativante e dinâmico) em torno do mundo da bola.

Pois bem, ainda sobre a oposição Brian Clough e Don Revie, destacamos quatro sequências que explicitam a conexão obsessiva do primeiro para com o segundo. Referimo-nos a um momento inaugural, em 27 de junho de 1968 (quando Clough e Revie se enfrentam pela primeira vez, em jogo entre o Derby County e o Leeds United: 0 x 2); a um diálogo entre Clough e seu parceiro, Peter Taylor (vivido por Timothy Spall), quando este se recupera de um infarto; a um telefonema de Clough para Revie, na madrugada e, finalmente, para uma aparição em programa televisivo no qual os dois são postos lado a lado, após a presidência do Leeds deliberar sobre a demissão de Clough.  Não cabe nos estendermos tanto assim, mas fixemos algumas palavras sobre o primeiro e o quarto desses momentos narrativos.

Como toda boa história, a rixa entre os dois treinadores apresenta um ponto inicial muito bem demarcado. Clough dirigia o pequeno Derby County e, pela primeira vez, teria a oportunidade de confrontar o poderoso Leeds e seu comandante, Don Revie. Com uma autoestima invejável, Clough imagina esse momento como um encontro de titãs e se prepara à exaustão. Compra um vinho especial (para um brinde após o jogo), com taças refinadas, veste-se impecavelmente, ordena uma geral nas humildes instalações do clube e, inclusive, cuida pessoalmente dos arremates de limpeza e arrumação, ele mesmo botando a mão na massa e fazendo uma minuciosa faxina. Tudo para o encontro com aquele que, parece, considera seu par e inspiração (com o retrato do que pretende ser em um futuro próximo). A expectativa e empolgação excessiva tem um sentido evidente: Clough procura reconhecimento. E é aí que o caldo entorna (expressão dileta de minha avó; deixo o registro/homenagem).

E transborda porque além do fato de que o Leeds ignora o Derby em campo, vencendo-o por 2 x 0, Don Revie simplesmente passa lotado por Clough, cumprimentando outros membros da equipe técnica, fisicamente mais próximos a ele e ignorando a existência do treinador. Neste momento preciso fica estabelecido o fio condutor da trama: mais do que ser campeão, do que erguer times pequenos, do que o sucesso dos clubes sob sua batuta, o que se torna vital para Clough é vencer Revie, impondo visibilidade àquele que elegeu como seu outro significativo.  Uma verdadeira “relação” (no filme, não têm contato direto entre si, com exceção do citado telefonema e do referido programa de TV) de ódio e amor (admiração; necessidade de reconhecimento).

O último dos quatro momentos indicados é desconcertante. Após a demissão do Leeds, Clough e Revie, como dissemos, se veem perfilados para um debate televisivo. As queixas de Clough afloram e aí é que vamos ter acesso à versão de Revie. Segundo este, no fatídico encontro de 1968, ele sequer sabia quem era o técnico do Derby. Cumprimentou quem estava a sua frente, apenas isso. Para Don Revie aquela desavença inaugural (tão fundamental para Clough) sequer havia sido constituída. Após o fim do programa, o entrevistador e Revie (recém empossado para dirigir a seleção inglesa) saem conversando. Brian Clough se vê só, imerso em seus dilemas e oposições que, talvez ele perceba naquele instante, significavam pouco ou nada para seu pretenso rival. É um momento narrativamente forte e cinematograficamente bem realizado.

O filme não acaba aí, mas o nó narrativo condutor, sim. Depois temos o soerguimento de Clough, obtido com a reconciliação: com seu parceiro de toda vida, Peter Taylor (com o qual havia brigado exatamente por conta de suas insistências obsessivas), e, principalmente, consigo mesmo.

Pouco futebol, mas um belo filme sobre alguns dos aspectos humanos (demasiadamente humanos) de dirigentes, jogadores, torcedores, escritores… dessa grande tribo da qual todos fazemos parte.

Até a próxima!

[1] Brian Clough (1935-2004) foi jogador e treinador. Como técnico foi campeão pelo Derby County, na segunda divisão inglesa, em 1968-69. Conseguiu  elevar o time à divisão principal, conquistando o título nacional de 1971-72. Sua passagem pelo Leeds United, peça destacada no filme em questão, foi meteórica e desastrosa. Não obstante, Clough conseguiu grandes feitos no Nottingham Forest: o campeonato inglês de 77-78 e a Copa dos Campeões da Europa, em 1978-9 e 1979-1980, dentre outras conquistas (Ver http://www.biography.com/people/brian-clough-17163934#early-life. Acessado em 25 de abril de 2016).

 

[2] Para outras abordagens, ver comentários de Thiago Correa e Thiago Borges, respectivamente em: http://www.cineplayers.com/critica/maldito-futebol-clube/1980 ; http://trivela.uol.com.br/maldito-futebol-clube-os-piores-44-dias-de-brian-clough/ . Acessados em 25 de abril de 2016.