Peregrinações em bicicleta – um pouco de história, um pouco de cinema

16/07/2012

Por André Schetino

Olá amigos

Escrevo esse post durante as férias. Acabo de chegar a Paraty de bicicleta, vindo de Ouro Preto, ao longo de alguns dias de pedaladas pela Estrada Real. Ainda inspirado pela viagem, resolvi trazer nesse post alguns exemplos de viagens e peregrinações de bicicleta ao longo da história.

A Estrada Real foi o caminho brasileiro percorrido por nosso ouro até Portugal. Hoje transformada em roteiro turístico, o percurso bem difundido por viajantes de bicicleta, contando inclusive com guias específicos para percorrer o caminho sobre duas rodas. O cicloturismo é uma atividade muito popular na Europa, e vem ganhando adeptos no Brasil. Contudo, as viagens e peregrinações em bicicletas são encontradas desde pouco depois de sua invenção, no ano de 1862.

Mas a bicicleta é muito utilizada no Brasil de diversas maneiras. Em uma reportagem sobre a inauguração de Brasília, a Revista Alterosa clicou um ciclista que saiu do Rio Grande d o Sul e foi até a recém inaugurada capital nacional.

Fonte: Revista Alterosa, nº 330, junho de 1960, página 70.

Outro exemplo atual sobre grandes peregrinações em bicicletas foi a Bicicletada Nacional realizada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio +20. Ciclistas saíram de diversas cidades do Brasil e se encontraram no Rio de Janeiro para reinvindicar políticas de mobilidade urbana que diminuam a dependência dos automóveis e incentivem o uso da bicicleta como meio de transporte.

Para terminar, um exemplo diferente de mobilidade em bicicletas, desta vez vindo do cinema. Trata-se do belíssimo filme “O Caminho das Nuvens”, do ano de 2003. Wagner Moura interpreta um pai de família cujo sonho é conseguir um emprego com salário de R$1000 para sustentar sua família. Para isso viaja com todos de bicicleta, do sertão nordestino rumo ao Rio de Janeiro. Baseado numa história real, o filme mostra de forma bela – e dura – a vida de um migrante, baseada em sonho, esperança e fé. Pra quem ainda não assistiu ou memso pra quem já conhece o filme, vale acompanhar sob a ótica da bicicleta como elemento da cultura.  Deixo vocês com o trailer do filme.


Cidade de lata

14/11/2011

Por Rafael Fortes

Dura menos de meia hora. 29 minutos e 47 segundos, para ser preciso. Traduzo o título por “Cidade de Lata” e o subtítulo, “O custo irresponsável da Copa do Mundo de 2010”. Tudo que está entre aspas neste texto foi retirado do filme e traduzido por mim.

O roteiro e o conteúdo revelam o que relativamente poucos sabem (e, destes, menos ainda estão dispostos a discutir, divulgar e tentar mudar).

Por exemplo, a repressão a trabalhadores informais de feiras livres sob a alegação de que as ruas precisam ser transformadas em espaços “amigáveis para o turista”. Ou seja, o espaço da rua e da cidade não são para quem vive nela. A preocupação da Prefeitura não é com os cidadãos/moradores – aqueles que a elegeram. A prioridade é a imagem. Você, leitor(a), conhece alguma cidade com dirigentes assim?

Ou a remoção (melhor seria dizer expulsão) de 10 mil pessoas para a cidade de lata, a 35km da Cidade do Cabo, onde viviam. Ao ver as primeiras imagens, pensei: parece um campo de concentração. Pouco depois, um entrevistado diz, acabando com qualquer dúvida: “isto é um campo de concentração”. Vemos a casa de lata de oito metros quadrados em que vive o personagem central. Vemos o banheiro de uso coletivo sem água. Um deles é uma cabine de cerca de um metro quadrado. No meio, um balde – isso mesmo, usa-se um balde para fazer as necessidades.

Ou o seguinte comentário: “saímos de uma opressão para ser oprimidos de novo? Isso não é justo.” Velhas e novas formas de segregação na terra que introduziu o termo apartheid no vocabulário global.

Ou as condições “opressoras” de trabalho e a “exploração” a que foram submetidos os operários das obras do Mundial, como baixos salários e contratos temporários.

*  *  *

Trailer:

Tin Town é o nome do filme. A produção é uma iniciativa da ONG Sport for Solidarity (algo como esporte para a solidariedade). Tive a oportunidade de assisti-lo graças a uma gentileza do diretor, Geoff Arbourne. (Ainda) não está disponível no Brasil.

Aliás, “o Brasil é o próximo.”

E aí?


Cineclube Sport – Leão da Estrela (1947) – 21 de setembro – 18 horas

20/09/2010

Cineclube “Sport”

Cinema e esporte, mesmo possuindo raízes anteriores, são manifestações culturais típicas da modernidade. Constituem-se em poderosas representações de valores, sensibilidades e desejos que permearam o ideário e imaginário do século XX: a superação de limites, o extremo de determinadas situações (comuns em um momento onde a tensão e a violência foram constantes), a valorização da tecnologia, a consolidação de identidades nacionais, a busca de uma emoção controlada, o exaltar de um conceito de beleza. Cinema e esporte juntos celebraram as idéias de velocidade, eficiência, produtividade. Juntos cultivaram muitos heróis.

Com o intuito de aprofundar as discussões sobre as relações entre história, cinema e esporte, o “Sport”: Laboratório de Historia do Esporte e do Lazer (www.sport.ifcs.ufrj.br) promove o “Cineclube Sport”.

As atividades são realizadas no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/UFRJ, sala 320F, contando com a presença de convidados para debater o filmes.

Próxima Atividade

21 de setembro – 18 horas

* O Leão da Estrela (1947)

– Diretor

Arthur Duarte

– Sinopse

Anastácio da Silva, sportinguista ferrenho, vai ao Porto assistir à Final da Taça, levando consigo a mulher e as duas filhas. Ficam hospedados em casa da riquíssima família Barata, que acredita que os seus convidados também têm distintas origens. A situação complica-se quando Eduardo Barata, o filho do casal, se apaixona por Jujú, filha de Anastácio, e os dois decidem casar-se. A cerimônia é em Lisboa e o pai da noiva tem que manter as aparências a todo o custo.

– Debatedor

Maurício Drumond


Cineclube Sport – 4a sessão de 2010 – 17 de agosto – 18 horas

11/08/2010

Cinema e esporte, mesmo possuindo raízes anteriores, são manifestações culturais típicas da modernidade. Constituem-se em poderosas representações de valores, sensibilidades e desejos que permearam o ideário e imaginário do século XX: a superação de limites, o extremo de determinadas situações (comuns em um momento onde a tensão e a violência foram constantes), a valorização da tecnologia, a consolidação de identidades nacionais, a busca de uma emoção controlada, o exaltar de um conceito de beleza. Cinema e esporte juntos celebraram as idéias de velocidade, eficiência, produtividade. Juntos cultivaram muitos heróis.

Com o intuito de aprofundar as discussões sobre as relações entre história, cinema e esporte, o “Sport”: Laboratório de Historia do Esporte e do Lazer (www.sport.ifcs.ufrj.br) promove o “Cineclube Sport”.

As atividades são realizadas no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/UFRJ, sala 320F, contando com a presença de convidados para debater o filmes.

Próxima Atividade

17 de agosto – 18 horas

* Nas ondas do surf

– Diretor

Lívio Bruni

– Sinopse

Produção brasileira sobre surf, com os grandes nomes do esporte em manobras alucinadas. Filmado em vários campeonatos: Smirnoff, Piper Master (Havaí), Internacional do Arpoador e Festival Nacional de Saquarema. Inclui skate e asa-delta.

 – Debatedor

Claudio DaMatta


Cineclube “Sport” – 3a sessão – 18 de maio – 18 horas

14/05/2010

Cineclube “Sport”

Cinema e esporte, mesmo possuindo raízes anteriores, são manifestações culturais típicas da modernidade. Constituem-se em poderosas representações de valores, sensibilidades e desejos que permearam o ideário e imaginário do século XX: a superação de limites, o extremo de determinadas situações (comuns em um momento onde a tensão e a violência foram constantes), a valorização da tecnologia, a consolidação de identidades nacionais, a busca de uma emoção controlada, o exaltar de um conceito de beleza. Cinema e esporte juntos celebraram as idéias de velocidade, eficiência, produtividade. Juntos cultivaram muitos heróis.

Com o intuito de aprofundar as discussões sobre as relações entre história, cinema e esporte, o “Sport”: Laboratório de Historia do Esporte e do Lazer (www.sport.ifcs.ufrj.br) promove o “Cineclube Sport”.

As atividades são realizadas no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/UFRJ, sala 320F, contando com a presença de convidados para debater o filmes.

Próxima Atividade

 

* Fim de Jogo: Kasparov X Deep Blue

– Diretor: Vikram Jayanti

– Sinopse

O melhor jogador de xadrez da historia jogou contra um computador, e o ganhador foi Deep Blue, o computador programado para uma unica finalidade: jogar xadrez. O filme narra os bastidores deste evento repleto de conspirações e suspeitas.

– Debatedor: Victor Melo

Veja um trailer fo filme em:

 


Cineclube “Sport” – 2a sessão – 20/4

15/04/2010

Cineclube “Sport”

Cinema e esporte, mesmo possuindo raízes anteriores, são manifestações culturais típicas da modernidade. Constituem-se em poderosas representações de valores, sensibilidades e desejos que permearam o ideário e imaginário do século XX: a superação de limites, o extremo de determinadas situações (comuns em um momento onde a tensão e a violência foram constantes), a valorização da tecnologia, a consolidação de identidades nacionais, a busca de uma emoção controlada, o exaltar de um conceito de beleza. Cinema e esporte juntos celebraram as idéias de velocidade, eficiência, produtividade. Juntos cultivaram muitos heróis.

Com o intuito de aprofundar as discussões sobre as relações entre história, cinema e esporte, o “Sport”: Laboratório de Historia do Esporte e do Lazer (www.sport.ifcs.ufrj.br) promove o “Cineclube Sport”.

As atividades são realizadas no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/UFRJ, sala 320F, contando com a presença de convidados para debater o filmes.

Próxima Atividade

* Dia 20 de abril – 18 h

Filme: Fora de Jogo (Offside)

Diretor: Jafar Panahi

Sinopse
Nesta produção, o premiado cineasta Jafar Panahi mostra o universo feminino dentro do futebol, ilustrado pela história de uma garota que tem o sonho de ver no estádio o jogo entre Irã e Barein, pelas eliminatórias da Copa do Mundo da Alemanha. A entrada de mulheres no estádio, porém, é terminantemente proibida no território iraniano. Por essa razão, a garota tenta, por meio de vários disfarces, passar pela polícia e realizar o impossível em seu país.

Convidado: Leda Maria Costa


Cineclube Sport – 16 de março de 2010 – Santiago

10/03/2010

No dia 16 de março será realizada a primeira sessão do Cineclube Sport/2010. O filme será Santiago, de João Moreira Salles.

 Santiago começa como um filme sobre o malogro de um filme que não foi montado. As imagens de Santiago foram rodadas em 1992, mas por incapacidade do diretor em editá-las, permaneceram intocadas por mais de 13 anos. Em 2005, o diretor voltou a elas. Queria compreender a razão de seu insucesso. Santiago havia sido o mordomo da casa em que crescera, um homem de vasta cultura e prodigiosa memória, cujas idiossincrasias deixaram uma marca profunda nas lembranças da família. Ao refletir sobre o tempo que separa a filmagem de 92 da edição de 2005/2006, o narrador, aos poucos, se aproxima do segredo do filme. Santiago é este lento processo de desvelamento, um filme sobre identidade, a memória e a própria natureza do documentário.

Como convidado, contaremos com a presença de José D’Assunção Barros, que vai discutir as relações entre cinema e história.

A sessão começa às 18 horas, na sala 320F, IFCS/UFRJ.


Cineclube Sport – 17 de novembro – Cordão de ouro

11/11/2009

cordao.ouroNo dia 17 de novembro, às 18 horas, sala 320 f/IFCS/UFRJ, realizaremos a última sessão do Cineclube Sport 2009.

Como convidada para debater o filme, teremos a presenção de Vivian Fonseca.

O filme exibido será Cordão de Ouro, de Antônio Carlos Fontoura

Em Eldorado, onde a Companhia Progresso reúne a técnica mais moderna e formas primitivas de trabalho, Jorge, um escravo de uma mina de selênio, consegue escapar valendo-se de sua perícia no jogo de capoeira. Perseguido por um helicóptero dos capitães do mato, ele se atira numa cachoeira, sendo salvo pelo Caboclo Cachoeira. O caboclo, que já o esperava, o conduz até Aruanda para Ogum, seu Onixá protetor, que lhe ensina os mistérios da Capoeira. Satisfeito com a perícia de Jorge, Ogum lhe dá um cordão de ouro protetor e uma missão: voltar a Eldorado para livrar seu corpo do cativeiro. Jorge alia-se aos guerreiros da Cidade Verde e juntos enfrentam os capitães do mato, que tentam capturar escravos. Jorge é aprisionado num combate desigual e levado para o mercado de escravos da Companhia do Progresso. Lá é comprado por Dandara, exescrava e atual amante de Pedro Cem, o chefe todo-poderoso da Companhia. Encarregado da guarda pessoal de Dandara. Jorge lidera, pouco depois, uma rebelião de escravos, mas é aprisionado e condenado a ser enterrado vivo. Mas, enquanto cava sua própria cova, ele recebe uma revelação de Ogum, denotando então Pedro Cem e trazendo a liberdade para seu povo.
(sinopse por meu Cinema Brasileiro – http://www.meucinemabrasileiro.com/filmes/cordao-de-ouro/cordao-de-ouro.asp)

 

Mais informações sobre o filme podem ser obtidas em:

http://www.capoeira-infos.org/ressources/Filmographie/cordaodeouro.html

http://voltanomundocapoeira.blogspot.com/2008/12/filme-movie-cordo-de-ouro-1976.html

 

 

Atenção!

A programação do Cineclube Sport 2010 já está disponível em nossa página (www.sport.ifcs.ufrj.br)

 

 


Cineclube Sport – 15 de setembro – Indo.Doc

10/09/2009

Amigos e amigas

 A sessão do cineclube Sport do mês de setembro é imperdível. Vamos projetar Indo.Doc, contando com a presença de um dos diretores, Andre Pires, para debater o filme. Abaixo seguem mais informações.

 A projeção ocorrerá no dia 15 de setembro, as 18 horas, na sala 320f,  IFCS/UFRJ, Largo de São Francisco, Centro, Rio de Janeiro

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INDO.DOC

Diretores: Leondre Campos, André Pires.

O filme pode ser baixado de forma autorizada em http://www.lanho.com.br/indodoc/ ou em http://www.mininova.org/tor/1187835

 

 

*  Texto de Alvaro, publicado na revista Red Carpet (disponível em: http://www.revistaredcarpet.com/?p=6024)

“No dia 26 de Dezembro de 2004, um fortíssimo abalo sísmico deu origem a um tsunami que devastou centenas de quilómetros de zonas costeiras, levando à sua frente tudo o que encontrou. Nada resistiu à sua passagem e milhares de pessoas perderam as suas vidas. Cidades desapareceram e milhões de desalojados pediram por ajuda.

Pediram e ainda pedem.

 No inicio era para ser uma surf trip normal às paradisíacas ondas e às águas quentes da Indonésia, mas esta catástrofe levou a que um pequeno grupo de amigos fizesse uma alteração à viagem que tinham planeado. O destino continuou a ser a Indonésia, mas queriam visitar Banda Aceh, uma das cidades mais prejudicadas pela passagem do tsunami que, para piorar as coisas, sofreu um forte sismo apenas três meses depois.

É incrível a destruição mostrada em Indo.Doc e todos os vestígios deixados pela passagem da água. Barcos que pesam toneladas foram arrastados para dentro da ilha, árvores foram arrancadas, casas foram destruídas, montanhas costeiras foram alteradas e até a alteração da linha costeira devido ao abalo sísmico que modificou a morfologia do terreno.

É, também, incrível ver a força de vontade da população em querer reconstruir tudo e retomar a cidade e as suas vidas que antes tinham. Fazem um pedido especial à comunidade surfista que visitem toda aquela zona, para que desfrutem das praias e das ondas que surgiram após o terramoto e que ajudem assim a renascer a cidade. Juntamente com o pedido agradecem também pela a ajuda já dada por esta comunidade.

Indo.Doc mostra-nos a realidade dos que sofreram durante a catástrofe e a ajuda prestada pela comunidade surfista à população. Não é apenas um documentário sobre as consequências do tsunami mas também um filme de surf, que irá agradar a todos os praticantes deste desporto”.