1949: pílulas sobre o esporte em Belo Horizonte

12/12/2011
por André Schetino
O ano vai terminando, e com ele meu último post da temporada 2011 aqui do História(s) do Sport. Recebi por email a indicação do vídeo abaixo, que divido com vocês. Trata-se de Belo Horizonte em 1949, em um filme produzido pelo Escritório de Serviços Estratégicos Americanos em colaboração com o Escritório de Coordenação dos Negócios Inter-americanos dos E.U.A.
Vale lembrar que que o período em questão é de grande desenvolvimento para a cidade, marcado pela industrialização, os investimentos do Prefeito Juscelino Kubitschek e a busca por parceiros comerciais para a capital mineira, naquele momento a 7ª do país e com pouco mais de 200mil habitantes.
O vídeo é longo, são 17 minutos ao todo (divididos em 2 partes), e aborda diversos aspectos do desenvolvimento de Belo Horizonte. Na primeira parte o destaque é a indústria da mineração, que alavancava a economia do Estado. Destaco a segunda parte do vídeo, especialmente a partir dos 5’22” onde o lazer e o esporte entram em cena.
Primeiro ao mostrar o Parque Municipal, que podemos considerar como o berço do esporte na cidade. Lá ocorreram competições de ciclismo, jogos de futebol, patinação, tenis e muitos outros. O Parque até hoje é um dos espaços privilegiados para o lazer na cidade, famoso por estar sempre lotado aos domingos para os passeios em família ou de casais de namorados.
Além disso, o Minas Tennis Clube, que já foi tema do meu segundo post aqui no blog sobre os clubes esportivos da cidade. As imagens são belíssimas, com destaque para as exibições de ginástica. No Iate Clube, na recém construída Pampulha, os esportes náuticos faziam sucesso àquela época. Além, é claro, do Cassino (onde hoje se localiza o Museu de Arte).
Desejo a  todos os leitores ótimas festas de fim de ano, e um 2012 com muitas alegrias. Um abraço!

Os clubes esportivos de Belo Horizonte – parte 2

14/12/2009

Por André Schetino

Diversão longe da praia

Finalizamos hoje nossa conversa sobre os clubes esportivos de Belo Horizonte, tratando de outras importantes agremiações. Se vimos o nascimento e domínio do Minas Tênis Clube no cenário esportivo da cidade, devemos também destacar um momento onde os clubes esportivos e de lazer experimentaram seus anos dourados. A partir dos anos iniciais da década de 1940 vimos surgir e multiplicar inúmeras associações esportivas e recreativas ligadas a diversas entidades. Grupos de empresários, empresas públicas e privadas inauguraram suas sedes sociais na capital.
Em 1940 surge o Olympico Club, o segundo clube social de Belo Horizonte, com a criação de sua primeira quadra na casa da família Magalhães Pinto, cujo governador do estado também deu nome ao estádio do Mineirão, em 1965. Dois anos mais tarde, o Iate Clube Belo Horizonte, obra que integrou o complexo da Pampulha, de Oscar Niemeyer. O clube se destaca pela cultura dos esportes náuticos na cidade, que se constituíam como símbolo da modernidade e do status da elite mineira.

Praticante de esqui aquático na Lagoa da Pampulha (ano desconhecido). Fonte: http://www.iatebh.com.br/

Pouco mais tarde, o Barroca Tenis Clube, de 1957, é mais um clube que participa da consolidação da cultura esportiva de Belo Horizonte. Esses clubes também participaram do cenário esportivo da cidade, especialmente através do esporte amador, como o  basquete, o voleibol, o tênis, a natação e o futsal. Mas destaco aqui outro aspecto. Os clubes foram um lugar privilegiado para vivência do lazer. Os clubes realizavam – e ainda realizam – bailes de carnaval, colônias de férias, gincanas, torneios, serestas, atividades que proporcionam o encontro e a convivência entre seus associados. Em Belo Horizonte, esses eventos e a vida nos clubes eram potencializados em uma cidade que não possui um grande espaço público de convívio como a praia. Durante o ano com frequência regular nas atividades promovidas, e especialmente no verão, os clubes da cidade ficam superlotados de pessoas buscando diversão.

Sede do Barroca Tênis Clube (ano desconhecido). Fonte: http://www.barrocanet.com/site/institucional-2/

Piscinas lotadas no Pampulha Iate Clube (ano desconhecido). Fonte: http://www.iatebh.com.br/

Predomina hoje em dia a percepção de que os clubes têm perdido frequentadores e passado por dificuldades em sua sobrevivência, devido as modificações noe stilo de vida nas cidades e dificuldades financeiras. A despeito disso, clubes como o Olympico, o Iate, o Barroca e muitos outros sobrevivem como espaços legítimos de lazer para os belo horizontinos.

Contato: andreschetino@pop.com.br