Histórias do esporte em Rubem Fonseca (parte 1)

17/04/2017

por Fabio Peres

Cruel, realista, desconcertante, brutal, mórbido. Entre tantos termos utilizados para descrever a literatura de Rubem Fonseca, talvez possamos também adicionar o adjetivo esportivo. Afinal, basta uma breve leitura de sua obra para perceber que não são poucos os contos e romances em que o esporte e as atividades físicas, em geral, ocupam lugar – ora mais, ora menos – privilegiado.

Desde a publicação de Os Prisioneiros (1963), primeira coletânea de contos do autor, o objeto está lá, por assim dizer, em suas variadas formas; às vezes de maneira mais clara ou quase desapercebido de modo sútil. Como aponta a escritora Maria Alice Barroso, Rubem já se destacava no conto Fevereiro ou março (1963)  pela incorporação de “um excelente tipo à galeria de personagens da literatura brasileira: o atleta vagabundo, frequentador das academias de boxe, portador de uma ética toda sua” (apud AUGUSTO, 2009, posfácio)[i].

Capa da edição de 1963 de Os Prisioneiros

O personagem-narrador inicia a história descrevendo como a condessa Bernstroa, mulher casada com a qual teve um caso, explicava a manutenção de suas formas corporais:

Era uma velha, mas podia dizer que era uma mulher nova e dizia. Dizia: põe a mão aqui no meu peito e vê como é duro. E o peito era duro, mais duro que os das meninas que eu conhecia. Vê minha perna, dizia ela, como é dura. Era uma perna redonda e forte, com dois costureiros salientes e sólidos. Um verdadeiro mistério. Me explica esse mistério, perguntava eu, bêbado e agressivo. Esgrima, explicava a condessa, fiz parte da equipe olímpica austríaca de esgrima — mas eu sabia que ela mentia.

O personagem continua desfiando a história explicando como foi seu dia, um sábado de carnaval, marcado por certa imprevisibilidade e também, não por acaso, por certa angústia:

Era de manhã, no primeiro dia de carnaval. Ouvi dizer que certas pessoas vivem de acordo com um plano, sabem tudo o que vai acontecer com elas durante os dias, os meses, os anos. […] Eu — eu vaguei pela rua, olhando as mulheres. De manhã não tem muita coisa para ver. Parei numa esquina, comprei uma pera, comi e comecei a ficar inquieto. Fui para a academia.

A descrição dos exercícios na academia é acompanhada por uma série de sentidos, pensamentos, práticas e gestos:

[…] comecei com um supino de noventa quilos, três vezes oito. O olho vai saltar, disse Fausto, parando de se olhar no espelho grande da parede e me espiando enquanto somava os pesos da barra. Vou fazer quatro séries pro peito, de cavalo, e cinco para o braço, disse eu, série de massa, menino, pra homem, vou inchar. E comecei a castigar o corpo, com dois minutos de intervalo entre uma série e outra para o coração deixar de bater forte; e eu poder me olhar no espelho e ver o progresso. E inchei: quarenta e dois de braço, medidos na fita métrica.

A academia, por sua vez, é lugar de encontros, de construção (e também de desconstrução) de vínculos e laços sociais. Os amigos, frequentadores de academia -ao que tudo indica de um bairro da Zona Sul carioca –, organizam a “diversão” para aquele carnaval:  “porrada pra todo lado”. A ideia era simples. Se fantasiar de mulher e então:

O povo cerca a gente pensando que somos bichas, nós estrilamos com voz fina, quando eles quiserem tascar, a gente, e mais vocês, se for preciso, põe a maldade pra jambrar e fazemos um carnaval de porrada pra todo lado. Vamos acabar com tudo que é bloco de crioulo, no pau, mesmo, pra valer. Você topa?

Após alguns desdobramentos (e outras referências aos sentidos e usos do corpo), o narrador se auto descreve para o marido da condessa, adquirindo assim características de um novo “tipo” inserido em um meio social com senso moral e ético próprios, como chamou atenção Maria Alice Barroso:

na academia eu faço ginástica de graça e ajudo o João, que é o dono, que ainda me dá um dinheirinho por conta; vendo sangue pro banco de sangue, não muito para não atrapalhar a ginástica, mas sangue é bem-pago e o dia em que deixar de fazer ginástica vou vender mais e talvez viver só disso, ou principalmente disso. Nessa hora o conde ficou muito interessado e quis saber quantos gramas eu tirava, se eu não ficava tonto, qual era o meu tipo de sangue e outras coisas. Depois o conde disse que tinha uma proposta muito interessante para me fazer e que se eu aceitasse eu nunca mais precisaria vender sangue, a não ser que eu já estivesse viciado nisso, o que ele compreendia, pois respeitava todos os vícios. Não quis ouvir a proposta do conde, não deixei que ele a fizesse; afinal eu tinha dormido com a condessa, ficava feio me passar para o outro lado. Disse para ele, nada que o senhor tenha para me dar me interessa. Tenho a impressão que ele ficou magoado com o que eu disse […] Por isso, continuei, não vou ajudar o senhor a fazer nenhum mal à condessa, não conte comigo para isso. Mas como?, exclamou ele, […], mas eu só quero o bem dela, eu quero ajudá-la, ela precisa de mim, e também do senhor, deixe-me explicar tudo, parece que uma grande confusão está ocorrendo, deixe-me explicar, por favor. Não deixei. Fui-me embora. Não quis explicações. Afinal, elas de nada serviriam.

No mesmo livro (Os prisioneiros de 1963) novamente a ginástica, a “malhação”, bem como as competições de “físico”, típicas de academia, seriam mencionadas no conto Os inimigos; para alguns críticos da época o melhor da coletânea. Além disso, o conto que dá nome ao livro curiosamente se inicia por uma conversa entre uma psicanalista e um cliente sobre a inconveniência e mesmo inadequação de usar roupa “esportiva” no Centro da cidade, lugar por excelência de trabalho.

O panorama, por assim dizer, esportivo da literatura de Rubem Fonseca, de fato, é vasto e instigante. Por exemplo, o ambiente e os frequentadores de academia voltariam a fazer parte da obra do autor em 1965 no conto A Força Humana (do livro A Coleira do cão). Na realidade, trata-se em certo sentido de uma continuação de Fevereiro ou março. Já em 1969, o antigo Vale-Tudo seria objeto central do conto O Desempenho no famoso livro Lúcia McCartney.

Em 1979, breves referências ao futebol e ao balé apareceriam em O cobrador (no livro homônimo). Na mesma obra menções à ginástica retornariam em Mandrake (além do xadrez) e, em 1992, em o Romance Negro. Por outro lado, uma competição inusitada no Pantanal está em AA (abreviação do “esporte” de mesmo nome) em 1998 no livro a Confraria dos Espadas. Também em 1992, há uma menção à rua do Jogo da Bola – uma prática de diversão que esteve presente na cidade do Rio de Janeiro no século XVIII e XIX[ii] – em A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro.

Em 2001, exercícios aeróbicos, de alongamento e de musculação são citados em Copromancia, na obra Secreções, excreções e desatinos. Corrida na praia aparece em Caderninhos de nomes no ano seguinte em Pequenas criaturas. Em Laurinha surge mais uma vez uma referência ao futebol no livro Ela e outras mulheres de 2006. E a relação de Lima Barreto com o futebol é citada no romance O seminarista de 2009.

Mas essas e outras histórias ficarão para os próximos posts. Em todo caso, mais do que uma mera provocação, denominar a literatura de Rubem Fonseca de esportiva pode ser uma forma de perturbar os limites e as fronteiras do campo da História do Esporte; uma maneira talvez que nos ajude a entrecruzar várias histórias: do corpo, de gênero, da cidade, de classe, da discriminação racial, da homofobia, das diferentes modalidades e práticas esportivas, das emoções, da estética, da literatura, entre muitas outras histórias.

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[i] AUGUSTO, Sergio. Estreia consagradora. In: FONSECA, Rubem. Os prisioneiros. Rio de Janeiro: Agir, 2009.

[ii] Maiores informações ver MELO, Victor Andrade de. MUDANÇAS NOS PADRÕES DE SOCIABILIDADE E DIVERSÃO: O jogo da bola no Rio de Janeiro (séculos XVIII e XIX). História,  Franca ,  v. 35,  e105,    2016 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-90742016000100514&lng=en&nrm=iso>. access on  17  Apr.  2017.  Epub Dec 19, 2016.  http://dx.doi.org/10.1590/1980-436920160000000105.

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Os Garotos da Praia de Waikiki: surfe, turismo, homens e mulheres

10/04/2016

Por Rafael Fortes

Num livro publicado em 2011, o historiador Isaiah Helekunihi Walker celebra o surfe como prática de resistência no Havaí durante o século XX. Entre os méritos da obra estão o uso de fontes que transcendem o inglês – sobretudo jornais em havaiano – e o destaque à articulação do surfe com movimentos políticos do arquipélago. Tem também problemas, comWalker - Waveso a grande facilidade para enxergar resistências e o esforço de corrigir textos de memória e jornalísticos – frequentemente, rechaçando os mitos apenas para colocar outros em seu lugar. Contudo, esse texto não é uma resenha do livro. Avisos aos navegantes: todas as citações do livro estão originalmente em inglês e foram traduzidas por mim; os vídeos, quando narrados, o são em inglês.

O que me interessa discutir é um trecho – intitulado “Garotos da Praia: Empurrando Mulheres e Fronteiras” (p. 70-77) – do capítulo três. O capítulo trata da rivalidade entre os frequentadores da praia de Waikiki, em Honolulu, que se agruparam em torno de dois clubes: o Outrigger Canoe Club, “formado em 1908 por (…) Alexander Hume Ford” e composto majoritariamente por haoles brancos nascidos no continente (p. 59); e o Hui Nalu, fundado e composto por membros de famílias históricas havaianas, entre os quais Duke Kahanamoku e o príncipe Jonah Kūhiō Kalanianaʻole, membro da família real deposta na última década do século XIX, antes da anexação pelos EUA, em 1898 (não confundir este clube com o Hui O He’e Nalu, formado nos anos 1970 e existente até hoje, cujos membros se tornaram conhecidos no Brasil como black trunks). O Hui Nalu, “embora existisse de forma pouco organizada desde 1905, (…) foi oficialmente formado (…) em 1911” (p. 62). Waikiki era e continua sendo a praia mais turística do arquipélago.

De acordo com Walker, “a partir de 1915, surfistas do Hui Nalu abriram lucrativos negócios sob concessão em Waikiki” e passaram a ser conhecidos como os “Garotos da Praia de Waikiki” (p. 70). Eles “eram salva-vidas, guarda-costas, instrutores, animadores e guias turísticos para os visitantes. Por um preço relativamente alto, levavam clientes para a arrebentação para descer ondas em canoas e pranchas.” Faziam e vendiam artesanato e davam aulas de ukelele.  À medida que os negócios se desenvolveram, alguns garotos passaram a atuar em tempo integral como funcionários particulares de famílias ou indivíduos de alta renda que visitavam Waikiki: levavam para passeios, atuavam como secretários particulares e desempenhavam funções diversas por períodos que variavam de “duas semanas até três meses” (p. 71).

As informações contidas e as histórias contadas nesta parte do capítulo se baseiam majoritariamente em entrevistas de história oral feitas com os próprios Garotos da Praia (a maioria, feitas em 1985 e disponíveis num banco de dados). Ao narrarem as relações com os e, principalmente, as turistas, a coisa fica mais animada.

Entre as graças que faziam para entreter os clientes, contavam histórias e piadas e surfavam sentados em cadeiras de praia ou na companhia de um cachorro. Este vídeo identifica um dos irmãos Kahanamoku como um surfista que descia ondas com seu cão Spot, o que pode ser visto em 3’19”. (Adendo: em outras ondas, a prancha em que está o cachorro não consegue ser captada pela câmera, o que provavelmente se deve à dificuldade de manejar o equipamento e à diferença de velocidade entre a prancha filmada e a canoa em que, suponho, encontrava-se a câmera.)

“À medida que ostentavam suas habilidades sociais e surfísticas, eles se tornaram celebridades locais capazes de atrair mais do que dinheiro. Garotas e mulheres brancas se aglomeravam na praia para aprender a surfar com os Garotos da Praia havaianos. ‘Naquela época’, recordou Louis Kahanamoku, ‘especialmente as wahine [mulheres] brancas iam todas nos Garotos da Praia. Os Garotos da Praia eram conhecidos por cortejar diversos tipos de mulheres de fora – divorciadas, ricas, vedetes e filhas de visitantes ricos” (p. 72).

Havia turistas que confiavam suas filhas aos cuidados dos Garotos da Praia. Houve histórias de amor entre os Garotos e vedetes que deram em casamento. E evidentemente, havia quem os considerasse “um bando de homens preguiçosos que se prostituem ganhando a vida em cima de desquitadas do continente” (p. 72).

Uma das principais formas de ensinar as damas a surfar, e também de “impressioná-las”, era descer as ondas junto com elas, na mesma prancha. Por exemplo, levantando-as sobre os ombros, o que, de acordo com um dos Garotos, “convidava a manobras excitantes e íntimas”. Na volta, “subiam em cima da parte de trás das garotas haoles” na remada para o outside (p. 72). O vídeo abaixo mostra, em 2’20”, uma sorridente mulher descendo uma onda em surfe duplo. (No último vídeo deste texto, há também um amplo sorriso captado em 5’07, em meio à excitação de descer uma onda numa canoa.)

(Breve comentário sobre o vídeo acima: como se pode ver, ele traz fartura de boas ondas surfadas com desenvoltura – e grande estilo – por um cachorro, que abre os trabalhos no sonrisal em 2’44” e depois manda ver no hang ten.)

Cenas com homens aproveitando a aproximação dos corpos para certos contatos e iniciativas, embora mantendo uma postura que cinicamente permita alegar que nada demais está acontecendo, também aparecem em Gidget, produção de 1959 com trama situada no litoral da Califórnia. Eis o trecho:

A partir de 0’16”, um dos personagens fala: “Aí está, querida! Reta como uma panqueca, hein?! Quase, né? (…) Posso te deixar mais à vontade?” Ao final, o mesmo personagem diz: “Muito bom para a primeira vez, né? Agora vou um levá-la um pouco mais fundo!” O filme, de acordo com vários pesquisadores, foi decisivo para espalhar a febre do surfe pelos EUA. A situação da personagem adolescente Gidget, que busca aceitação e tenta aprender a surfar em meio a vagabundos de praia mais velhos, é muito distinta daquela das turistas que buscavam e contratavam os serviços dos Garotos da Praia de Waikiki – elementos que podem permitir uma boa e complexa discussão sobre consentimento, abuso, vulnerabilidade etc.

Voltando a Waikiki… Quando na areia, a legítima preocupação de evitar queimaduras pela exposição ao sol levava os Garotos a realizar, “com frequência regular”, sessões de massagem para aplicação de óleos na pele de quem estava sob seus cuidados (p. 73).

À noite, vestindo smoking, os Garotos cantavam e tocavam instrumentos musicais, atraindo especial interesse do público feminino. As letras de algumas músicas tratam destas interações, do clima de romance e do duplo sentido em movimentos e gestos. Após o encerramento das atividades, os pares/casais se espalhavam em diversas direções – alguns, rumo ao mar, para novas sessões de surfe a dois.

O vídeo a seguir reitera esta narrativa da “boa vida” dos Garotos com diversas fotos, especialmente a partir de 3′ (e, diga-se de passagem, tem uma visão ainda mais positiva e idílica que Walker).

Como se pode imaginar, “por meio de tais interações, os Garotos da Praia de Waikiki violavam regras sociais de uma sociedade americana governada por leis antimiscigenação e ameaçavam a hegemonia haole por conquistarem propriedade que haviam construído e que era seu privilégio” (p. 75). Para Walker, isto evidencia que o mar – e, particularmente, a prática do surfe – constituía um espaço de exceção, de inversão de valores. Ali os homens havaianos eram poderosos, admirados e desejados. “Enquanto a indústria do turismo promovia as ilhas como uma ‘mulher’ a ser conquistada, os homens havaianos não eram propagandeados como objetos sexuais da maneira como ocorria com as mulheres dançarinas de hula-hula. Portanto, estes homens não estavam desempenhando ou se adequando a expectativas de conquista sexual de turistas; em vez disso, as desafiavam” (p. 75-6). Embora o argumento tenha valor, eu sugeriria que eles estavam também se adequando às expectativas das turistas.

No início dos anos 1930, num contexto de intensa crise econômica; acusações de estupro; e o transplante, para as ilhas, do discurso racista e histérico a respeito do negro como um predador sexual, o clamor social legitimou uma intensa reorganização do espaço social e econômico da praia de Waikiki, que passou a ser completamente controlada pelos brancos ligados ao Outrigger. Restou aos Garotos se sujeitarem a trabalhar em condições muito piores que as anteriores, tentarem ganhar a vida como frilas ou simplesmente abandonar a praia. A Segunda Grande Guerra fecharia as praias do arquipélago – de acordo com Walker, Waikiki foi cercada com arame farpado.

Bibliografia

WALKER, Isaiah Helekunihi. Waves of Resistance: Surfing and History in Twentieth-Century Hawai’i. Honolulu: University of Hawai’i Press, 2011.

 

 

 

 


Cineclube “Sport” – 2a sessão – 20/4

15/04/2010

Cineclube “Sport”

Cinema e esporte, mesmo possuindo raízes anteriores, são manifestações culturais típicas da modernidade. Constituem-se em poderosas representações de valores, sensibilidades e desejos que permearam o ideário e imaginário do século XX: a superação de limites, o extremo de determinadas situações (comuns em um momento onde a tensão e a violência foram constantes), a valorização da tecnologia, a consolidação de identidades nacionais, a busca de uma emoção controlada, o exaltar de um conceito de beleza. Cinema e esporte juntos celebraram as idéias de velocidade, eficiência, produtividade. Juntos cultivaram muitos heróis.

Com o intuito de aprofundar as discussões sobre as relações entre história, cinema e esporte, o “Sport”: Laboratório de Historia do Esporte e do Lazer (www.sport.ifcs.ufrj.br) promove o “Cineclube Sport”.

As atividades são realizadas no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/UFRJ, sala 320F, contando com a presença de convidados para debater o filmes.

Próxima Atividade

* Dia 20 de abril – 18 h

Filme: Fora de Jogo (Offside)

Diretor: Jafar Panahi

Sinopse
Nesta produção, o premiado cineasta Jafar Panahi mostra o universo feminino dentro do futebol, ilustrado pela história de uma garota que tem o sonho de ver no estádio o jogo entre Irã e Barein, pelas eliminatórias da Copa do Mundo da Alemanha. A entrada de mulheres no estádio, porém, é terminantemente proibida no território iraniano. Por essa razão, a garota tenta, por meio de vários disfarces, passar pela polícia e realizar o impossível em seu país.

Convidado: Leda Maria Costa