Meninos de kichute (Luca Amberg, 2014)

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Sessão nostalgia em pleno carnaval 2017. Bom, nostalgia para a geração, como a minha, que debateu ardorosamente a preferência entre o kichute, o conga e o bamba. Não sabe do que se trata? Novinho(a)! Segue a ilustração abaixo, para ajudar a garotada.

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Particularmente, nunca tive um kichute. Pra jogar bola gostava do conga (o bamba era pra passeio). Durava uns quatro meses de uso intensivo. Assim como os meninos do filme de Luca Amberg, boa parte da minha existência infanto juvenil foi passada em campinhos. Essa talvez seja uma força do livro de Márcio Américo, que virou o filme em questão. A esse respeito o diretor da película esclarece:

Acho que é uma autobiografia generalizada. O Márcio Américo escreveu um livro que lembra aqueles clássicos da literatura, que o tema retrata uma geração e seus costumes que marcaram uma época. Meninos de Kichute fala da infância de milhões de brasileiros oriundos da ‘geração kichute’, que iniciou em 1970, ano do tri, quando o kichute foi lançado, e se estendeu até os anos 90” (…). O título me atraiu de imediato (…) a cada capítulo  me identificava cada vez mais com a minha infância em Lages, porque os sonhos dos meninos de Londrina, eram os mesmos: queríamos ser jogador de futebol” (Site oficial do filme. Disponível em: http://ambergfilmes.com.br/. Consultado em 26 de fevereiro de 2017).

A citação foi um pouco longa, mas resume bem a proposta da obra. Meninos de kichute consegue estabelecer um painel facilmente reconhecível pelos contemporâneos. Ao mesmo tempo, ao tratar de crianças, bola, traquinagens, conflitos geracionais, colégio, expõe o caráter universal dessas primeiras experiências, realizações, possibilidades e decepções.

A narrativa se dá em torno do infante Beto. Esse garoto, filho de uma família pobre e com um pai rigoroso, tem duas habilidades que o destacam: sua perícia no “bafo” e sua recente destreza como goleiro. Enquanto jogava na linha não fez sucesso, mas acabou achando sua posição como guarda meta. Essa primeira descoberta infantil confere força ao personagem e à história:

Antes eu não era ninguém no campinho. Agora sou o primeiro a ser escolhido (Beto).

Toda pequena-grande odisseia de Beto (e da fita) se concentra na tentativa de dar corpo a esse ser que surge na brincadeira, dentro dos limites de um retângulo de areia. Isso vai demandar criatividade, tenacidade, ajuda e persistência. Como tudo o que vale a pena. Beto quer ser goleiro, quando crescer.

“E agora? Caga na mão e joga fora!”, como dizia esse adágio quase poético, retratado pelos garotos do filme. Ou seja, se você tá com uma folguinha entre um bloco e outro, ou cansado de seu retiro anti-momesco, por qualquer motivo, Meninos de kichute está disponível pra quem tem o Canal Brasil (ou pra quem se dispõe à arte de baixar filmes pela internet). Bom carnaval pra geral!

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