Desenvolvimento do Esporte: na trilha do Lazer?

12/08/2018

Por Flávia Cruz (flacruz.santos@gmail.com)

No post anterior, meu primeiro aqui no História(s) do Sport, tentei apresentar, ainda que brevemente, indícios de que a industrialização não foi um elemento tão decisivo assim, para a configuração do esporte na cidade de São Paulo. Terminei compartilhando a seguinte pergunta: não haveria elementos mais importantes do que a industrialização, para o desenvolvimento dos esportes na capital paulista? Alguns indícios empíricos de pesquisa, me levam a suspeitar que sim.

Um desses indícios, está ligado à natureza do esporte no século XIX paulistano. Em pesquisa sobre a história do conceito de divertimento, realizada a partir da proposta da história conceitual do historiador alemão Reinhart Koselleck, uma prática que identifiquei como divertimento foi justamente o esporte. Não é que isso seja, exatamente e completamente, uma novidade. Inúmeros trabalhos de Victor Andrade de Melo[1] sobre o Rio já apontaram a indissociação entre esporte e diversão, quando dos seus primórdios. Sobre a cidade de São Paulo, Edivaldo Gois, em artigo, também já indicou tais imbricamentos, mesmo em momento posterior, já no século XX.

Mas o fato de o esporte ser uma das atividades englobadas pelo polissêmico conceito de divertimento, de ser buscado pelos paulistanos quando desejavam alegria, prazer, regozijo, de estar ao lado de práticas como os bailes, o teatro, a música, as zombarias, as touradas, os jogos, a leitura, compartilhando com elas sentimentos, expectativas e funções pode ser um indicativo de como se deu sua configuração. A novidade então, no Brasil, seria compreender o esporte, sua configuração e desenvolvimento na trilha de outras práticas culturais de divertimento.

Tendo em vista que o esporte foi a última prática cultural a chegar à cidade de São Paulo – das que identifiquei como divertimento até 1889 –, e que quando isso aconteceu outras práticas já gozavam de um desenvolvimento mais avançado, como as touradas, o teatro, a dança, não seria pertinente pensar que o esporte se desenvolveu na esteira dos divertimentos que o antecederam, que ele encontrou condições para a sua configuração graças a essas práticas?

Para dar um exemplo, vejamos o caso das touradas em São Paulo, estudado por Victor Melo e por mim e publicado em artigo. Tal divertimento acontecia na capital paulista desde o século 18, patrocinado pelo Estado. Durante o século 19, as touradas assumem novo formato, se tornam eventos empresariais. O Estado, ao invés de ter gastos com sua organização, como outrora, passou a obter receitas, tendo em vista o pagamento de impostos pelas empresas de tauromaquia para a realização dos espetáculos. Os empresários precisavam contratar profissionais, entre eles os toureiros, precisavam pedir licença à Câmara, adquirir gado, divulgar o evento, vender ingressos.

Esse último elemento, colocava uma nova exigência aos organizadores do espetáculo: agradar ao público. Sem isso, o negócio não prosperava, pois o público não comparecia e ainda reclamava, o que, por vezes, gerava incidentes. A necessidade de agradar ao público, fez com que os empresários lançassem mão, rotineiramente, de “novidades”. Eram mais ou menos o que chamaríamos hoje de estratégias mercadológicas. Se os touros ou toureiros não eram bons, a novidade era uma mulher toureira, ou números cômicos e musicais nos intervalos, a realização de sorteios, bem como a diversificação das técnicas de tourear.

Havia, constantemente, a tentativa de aperfeiçoar o espetáculo, de agradar ao público. Quanto maior a expertise do empresário, maior o sucesso das touradas. Em São Paulo o grande nome desse “gênero de divertimento” foi Francisco Pontes. Com passagem por cidades do Brasil e da Europa, esse empresário sabia adequar o espetáculo às exigências dos novos tempos. Instituiu uma diferenciação nos preços dos ingressos, criando o modelo “sol e sombra”, usava estratégias discursivas nos anúncios dos espetáculos, se ligava à causas de interesse público, sua trupe era competente, ele mesmo possuía muitas habilidades como toureiro. É um bom exemplo de empresário do ramo do entretenimento já no século XIX.

As mulheres eram presença frequente nos espetáculos tauromáquicos, como público. Mas foram também, em algumas ocasiões, toureiras e cavaleiras. Nomes como os de Maria de Aguiar Barbosa, Anna Angelica do Espírito Santo, Julia Rachel, Josephina Baggossi, figuraram nas arenas paulistanas, causando frenesi.

O que tento demonstrar com esse exemplo, é que os divertimentos anteriores ao esporte criaram não apenas uma certa ambiência para o desenvolvimento esportivo, mas condições concretas para que isso se desse. A estrutura organizacional, a exibição do corpo humano, inclusive o feminino, em exercício, a exposição ao perigo, a organização de arenas, as estratégias de mercado, são alguns dos elementos que as touradas desenvolveram ou ajudaram a desenvolver, e que podem ter sido aproveitadas pelo esporte para sua configuração. O teatro, a dança, a música, também podem ter oferecido contribuições ao esporte e à sua estruturação?

As questões bem como o raciocínio aqui apresentados tem algumas implicações. Significa e torna necessário pensar o esporte de modo menos autônomo, como uma prática que se desenvolveu em relação com outras, podendo, inclusive, ter se aproveitado de certas estruturas e elementos, desenvolvidos por essas outras práticas, para avançar.

[1] Alguns exemplos: MELO, Victor Andrade de. Esporte e lazer: conceitos – uma introdução histórica. Rio de Janeiro: Apicuri/Faperj, 2010. MELO, Victor Andrade de. O esporte como forma de lazer no Rio de Janeiro do século XIX e década inicial do XX. In: MARZANO, Andrea; MELO, Victor. (orgs.). Vida divertida: histórias do lazer no Rio de Janeiro (1830-1930). Rio de Janeiro: Apicuri, 2010.

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A Sociedade Recreio Marítimo: primeira agremiação náutica do país

03/06/2018

por Victor Andrade de Melo

Em 1851, funda-se a Sociedade Recreio Marítimo, a primeira agremiação náutica do país. No final desse ano, Francisco Leão Cohn, filho de negociante francês, militar de destacada carreira, funcionário da Alfândega, secretário do clube, informou que já se contava com 200 sócios e se começava a preparar a primeira regata. Os interessados em competir deveriam se inscrever com o já citado João Manuel Corte Real. Há um diferencial se compararmos com as corridas de cavalos: se estabelecia que amadores deveriam tripular os escaleres[1].

Os preparativos da regata inaugural passaram a ser acompanhados com expectativa, sendo a data estabelecida a partir da confirmação da presença do Imperador. Além disso, teve-se em conta o perfil dos associados para definir o dia 1 de novembro de 1851. Embora houvesse trânsito e coincidências entre os grupos, percebe-se outra diferença entre os envolvidos com o turfe e com o remo:

A escolha do sábado foi determinada por duas razões: a maior parte dos sócios e amadores que têm de entrar nos diferentes páreos pertence à classe do comércio e muitos deles, por princípios religiosos, aos domingos não podem entrar em trabalhos dessa ordem; assim como em dias úteis perde a sociedade a cooperação dessas pessoas que não podiam ser distraídas das operações comerciais[2].

Há duas questões que merecem nossa atenção. A primeira é o limite imposto pela religião: no futuro isso se dissolverá, o esporte se tornará mesmo um concorrente dos cultos, o profano conquistará muitos espaços do sagrado. Na verdade, já naquele ano de 1851, a medida parecia atender mais aos hábitos religiosos de estrangeiros, notadamente de britânicos.

Deve-se também destacar o envolvimento de gente do comércio com a prática de atividades físicas, que, como vimos, no caso do remo era um elemento pronunciado, ao contrário do turfe. Isso será observado em outras ocasiões, como, por exemplo, com as touradas e a ginástica[3].

Como no caso das corridas de 1850, houve grande preocupação em explicar os detalhes técnicos das provas: o horário (em função da condição do mar e do clima), o percurso (tendo em conta o desempenho dos remadores, mas também o público que desejava assistir às contendas), os páreos, disputados por ingleses, alemães, americanos e brasileiros, a maior parte desses ligados à Armada.

Os jornais, aliás, lembravam que os europeus já organizavam regatas com um fim específico: “Nos outros países refutam-se tais funções como incentivos para a construção naval e para a marinha nacional, e os monarcas lhes prestam sua presença e proteção”[4].

Uma vez mais vemos a mobilização da ideia de utile dulce: tratava-se de um divertimento sim, mas que tinha muitas utilidades para a nação. Uma delas, argumento bem semelhante ao de desenvolvimento da raça de cavalos, seria o aperfeiçoamento da Armada. Seu valor parecia irrefutável: era uma diversão séria.

Isso ajuda a entender que um traço do desenvolvimento esportivo nacional seja a constante presença de militares, os do Exército mais ligados ao turfe, enquanto os da Armada mais ao remo, um quadro que vai se complexificar às vésperas da proclamação da República, quando os civis republicanos relacionavam-se mais ao segundo, preferido daquela Força Armada que se mantivera mais monarquista, na mesma medida em que os civis monarquistas preferiam o primeiro, mais ligados à Força na qual o pensamento republicano floresceu.

No que tange à organização do evento, havia uma notável preocupação: em função das peculiaridades da modalidade, como oferecer condições de confortos aos influentes que comparecessem? A solução encontrada foi: alguns proprietários de casas na praia de Botafogo as ofeeceram para recepção; foram cedidas, para acolher alguns convidados, salas do Hospício Pedro II (hoje campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro); uma parte do público se distribuiu por navios a vapor e embarcações a vela, que também demarcavam a raia. Refrescos, boa comida, músicas e danças eram oferecidos como atrativos à parte[5].

Chegou a haver um debate sobre os moldes do evento, tendo alguns estranhado o horário (manhã) e o local da raia (na altura da praia da Saudade, hoje ocupada pelo Iate Clube do Rio de Janeiro). Segundo os críticos, o calor e a dificuldade de acesso afastariam os interessados, sendo melhor transferir para a parte da tarde e utilizar a faixa que já estava consagrada pelas corridas de cavalos (o trecho que vai do Caminho Velho, atual Senador Dantas, até a São Clemente): “salvo se o divertimento é exclusivo para os sócios, e o público for considerado intruso nele”[6].

O debate antecipa em alguns anos o que se constituirá em outro diferencial do remo em relação ao turfe: o seu caráter supostamente mais popular por ser realizado em um espaço público, em que não era necessário pagar ingressos. Aliás, a regata de 1851 ocorreu no mesmo local onde a modalidade viveria seu momento áureo, no qual, nos anos iniciais do século XX, seria construído, por Pereira Passos, o Pavilhão de Regatas, a primeira tribuna fixa para a modalidade náutica[7].

Atendendo aos pedidos, o horário foi alterado para a tarde. Um conjunto de remadores, todavia, ameaçou não competir, sugerindo que não faria bem fazer exercícios físicos depois de jantar (que na ocasião ocorria ao redor das 14-15 horas). Os jornais criticaram muito tal posição[8]. Um dos sócios, que, assina como Remador, defendeu o ponto de vista dos competidores, mas conclamou:

Pedimos-lhes em nome da associação que compareçam, remem, brinquem, dancem, em uma palavra, que não deem cavaco; e aconselhamos-lhes também que finda as festas providencias tomemos em nossos estatutos para que não possam ser eles alterados à vontade da minoria contra a maioria[9].

A regata inaugural entusiasmou mesmo um setor da cidade. Às vésperas, a matéria de capa da Marmota na Corte (que se apresentava como “jornal de modas e variedades”) é uma expressão dessa expectativa. De início, se elogia um dos dinamizadores do Recreio Marítimo, Angelo Muniz da Silva Ferraz, inspetor da Alfândega e importante político do Império (foi ministro e agraciado com o título de Barão de Uruguaiana), por liderar uma iniciativa que poderia contribuir para solucionar um sério problema da cidade: “A falta de divertimentos públicos e gratuitos”[10]. Ressaltava-se o fato de que, para comparecer aos eventos náuticos, bastaria apenas arcar com as despesas de “transporte e comestível”.

Para o cronista, merecia ainda destaque o fato de que o divertimento era adequado à presença feminina. Lembrava que Ferraz também era dirigente do Recreação Campestre, outra agremiação que acolhia bem as mulheres, inclusive em função do grande número de bailes que promovia.

Sendo uma expressão dos “novos tempos”, para o periodista não surpreendeu que a iniciativa contasse com o apoio do Imperador e da família real, que honrariam: “com suas presenças o divertimento da fogosa mocidade nacional e estrangeira”. Para ele: “Assim o Magnânimo Príncipe se mostra o primeiro a interessar-se pelo seu povo, tanto no que lhe é útil, como no que lhe pode ser agradável. Deus o ajude e lhe conserve os dias para que seja o penhor da paz e da integridade do Império”. A celebração, enfim, era intensa:

Como lindo o Botafogo

Não ficará nesse dia,

Vendo correrem de aposta

Muitos botes à porfia!

De carros e seges a praia hordada,

Bordado de moças o cais ficará.

De imensa faluas aquela enseada

Que vista agradável então formará!

Patuscos folgai

Que tendes ensejos

De pordes em prática

Os vossos desejos!

Voar hade a notícia da Regata

Desde o Amazonas

Até o Prata.

Se a expectativa era grande, o resultado não deixou a desejar. O Correio Mercantil dedicou quatro colunas para comentar o evento. Para o cronista, a cidade já tinha “bailes mascarados”, “óperas italianas”, “corridas de cavalos”,: “só nos faltavam na verdade as regatas, que, para ser francos, devemos dizer, consideramos mais úteis (…)”[11]. O momento era mesmo de otimismo:

Somos hoje na verdade o povo mais feliz do mundo! Tudo anda neste belo Rio de Janeiro às mil maravilhas! Divertimentos e mais divertimentos! As sociedades bailantes multiplicam-se, as de música crescem progressivamente, os soirées e saraus dão-se de continuo, as corridas de cavalos ao Prado Fluminense, a Regata recreio marítimo!! E até o Pão de Açúcar já serve para um tour de promenade; e isto sem falarmos nos nossos dois teatros que com suas portas abertas dão ingresso quase todos os dias aos espectadores destes divertimentos. E que viva o pais que nos viu nascer, que vai todo em folia[12].

A ideia de utile dulce a todo momento veio à tona. Para um jornalista, era urgente desenvolver o espírito marítimo no Brasil, em função de sua imensa costa. Nesse sentido, “nada pode contribuir tanto para esse resultado do que as regatas, que fazem tomar para objeto de divertimento aquilo que em outras ocasiões é considerado pesadíssima tarefa”[13]. Os exemplos da Inglaterra, França e Estados Unidos são mobilizados como comprovações dessa utilidade.

Haveria ainda outra grande potencialidade. Como supostamente nossa “raça” seria “naturalmente fraca e indolente”, o remo seria o estímulo necessário para reverter tal situação: “o exercício de remar é um dos mais violentos, porém ao mesmo tempo é um dos que mais desenvolve a força física”. Para ele, com o apoio do governo, a modalidade traria benefícios inegáveis para a população.

Segundo o empolgado cronista, o novo espírito público propugnado pela Sociedade Recreio Marítimo fazia-se sentir já nas embarcações destinadas aos convidados, que conversavam de forma animada, amistosa e respeitosa, inclusive desfrutando da companhia de “belas e elegantes senhoras”.

O aspecto da enseada também chamou sua atenção: eram embarcações diversas ancoradas e muito público espalhado na areia e nas casas da praia de Botafogo. De uma delas, de propriedade do na época Visconde de Abrantes, D. Pedro II e a família real assistiram às competições[14].

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1ª Regata da Sociedade Recreio Marítimo na Enseada de Botafogo em 1º de Novembro de 1851

Litografia (300 x 480 mm) de A. L. Guimarães, impressa na oficina de Heaton e Rensburg. Acervo da Biblioteca Nacional (FERREZ, Gilberto. A muito leal e heroica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Castro Maya, 1965).

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Entre as provas, parece ter chamado a atenção um páreo em que se enfrentaram equipes de alemães, ingleses, americanos e brasileiros, sagrando-se vencedora, para entusiasmo do público, a guarnição do escaler Nympha, que competia com a bandeira do Brasil na proa e na proa. O clima de grande festividade se misturava ao de patriotismo, que chegou a seu auge por ocasião da cerimônia de premiação, quando o hino nacional foi executado em homenagem ao Imperador. Não houve, aliás, prêmios em dinheiro, apenas presentes. Deixava-se claro que eram amadores os competidores.

Segundo os cronistas, comentou-se largamente que foi das maiores celebrações já vistas na capital. Estima-se que mais de 10 mil pessoas tenham comparecido ao evento, elogiado pela organização e animação. Os principais diretores do Recreio Marítimo, os já citados Ferraz e Cohn, bem como Leopoldo Augusto da Camara Lima (Barão de São Nicolau, Guarda-Mor da Alfândega) e Joaquim Marques Lisboa (o futuro Almirante Tamandaré), foram exaltados pelo contributo dado à nação. Para um jornalista, o Brasil finalmente “adquiriu o direito a poder marcar uma época de civilização, de confraternidade, de magnificência”[16].

Ainda demoraria alguns anos para o remo definitivamente se consolidar. De toda forma, parece possível afirmar que, naqueles meados de século, o esporte já era apreciado pela população, articulando-se com as mudanças pelas quais passava a sociedade da Corte e com alguns importantes temas da nação. O campo esportivo já tinha, ainda que embrionariamente, seus elementos constituintes delineados.

[1] Diário do Rio de Janeiro, 20/10/1851, p. 2.

[2] Correio Mercantil, 27/10/1851, p. 3.

[3] Para mais informações, ver: MELO, op. cit., 2013b; MELO, op. cit., 2013c; e PERES, MELO, op. cit.

[4] Correio Mercantil, 27/10/1851, p. 3.

[5] O evento, aliás, terminou com um grande baile, oferecido em um barco, que só terminou à meia-noite.

[6] Correio Mercantil, 28/10/1851, p. 1.

[7] MELO, op. cit., 2001.

[8] Correio Mercantil, 31/10/1851, p. 1.

[9] Correio Mercantil, 31/10/1851, p. 3.

[10] Marmota na Corte, 31/10/1851, p. 1.

[11] Correio Mercantil, 3/11/1851, p. 1.

[12] Periódico dos Pobres, 4/11/1851, p. 1.

[13] Correio Mercantil, 3/11/1851, p. 1.

[14] Tratava-se da mesma casa onde seu pai, Pedro I, acompanhara as corridas de cavalos de 1825.

[15] Litografia (300 x 480 mm) de A. L. Guimarães, impressa na oficina de Heaton e Rensburg. Acervo da Biblioteca Nacional (FERREZ, Gilberto. A muito leal e heroica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Castro Maya, 1965).

[16] Uma descrição mais detalhada e menos apaixonada das regatas pode ser vista em: Diário do Rio de Janeiro, 3/11/1851, p. 1.

* Para mais informações, ver:

MELO, Victor Andrade de. Antes do club: as primeiras experiências esportivas na capital do império (1825-1851). Projeto História, São Paulo, v. 49, p. 1 – 40, 2014.

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La Villa del Cerro y sus clubes de fútbol: Rampla Jrs. y Cerro.

01/05/2018

por Gastón Laborido (gaston_laborido1@hotmail.com)
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Presentación teórica

El fútbol como fenómeno social, genera manifestaciones en otros espacios sociales. Es una de las prácticas sociales de identificación colectica más importantes, en tanto es un fenómeno que trasciende las expresiones características propias de fútbol como práctica y se convierte en algo total (cultural, político y económico).

Se convierte en una actividad global desde que rompe con las fronteras de su origen. En este sentido, Jean-Marie Brohm (1993) indica que el deporte surgió en el siglo XIX como práctica de clase, adquiriendo significaciones diferentes según las clases sociales. En los inicios, la burguesía concebía al deporte como ocio, como una forma de pasatiempo. Con el correr del tiempo se fue popularizando y adquiriendo nuevos significados, entre ellos la identificación colectiva.

“En esta dinámica incluyente del fútbol –de totalidad y globalidad- la sociedad se retrata y representa, pero también se cohesiona para dar sedimento al sentido nacional (Dávila, 2003). El fútbol es un sistema de relaciones y representaciones, que produce una integración simbólica de la población alrededor de los múltiples componentes que tiene, produce o atrae; sea a partir de la práctica deportiva como de las esferas que lo rodean directa o indirectamente”. (Carrión, F., s/f).

Es necesario pensar el deporte desde nuevos abordajes teóricos y metodológicos. Para ello, Patricia Falco Gonevez (1998) entiende que para abrir esta posibilidad de análisis, podemos pensar al deporte como un objeto de la Historia social o de la Historia cultural. Desde esta perspectiva, las investigaciones deben pensarse a partir de las ventajas formativas que brinda la Historia social y cultural, y también de la necesidad de incorporar nuevas fuentes en el análisis histórico.

Es fundamental utilizar el deporte como objeto relevante para entender la sociedad. El deporte permite explicar las relaciones sociales, puesto que el deporte, en tanto fenómeno social, se relaciona con otras esferas de la vida cotidiana como la sociedad y la política. En esta línea, la problemática de la identidad como distinguibilidad (Giménez, G., 1997) recobra vital importancia e interés, ya que el fútbol como práctica supone un espacio de identificación colectiva y de construcción de identidad.

En consecuencia, una posible aproximación es el tema de la identidad (social) en el fútbol. Como señala Luis Antezana (2003) “(…) podría ser considerado como parte del debate entre las identidades culturales vs. las metaidentidades –o identidades universales. Hoy en día, ese debate supone una suerte de axioma: es necesario afirmar –es decir, no negar- las diversas identidades culturales existentes.” (p. 91).

El objeto de estudio: la Villa del Cerro y sus clubes de fútbol

Los espacios están profundamente signados por dispositivos que exceden su propio contexto histórico y político. Los clubes de fútbol no escapan a ello. En este texto, tomo como punto de partida un barrio particular de Montevideo, la Villa del Cerro y sus clubes de fútbol profesionales: Rampla Jrs. y Cerro.

El objetivo de esta escritura, que no surge de una investigación,  es poner como tema de debate la cuestión de las identidades sociales, en relación al club social como espacio de interacción y de formación/consolidación de vínculos.

La “Villa del Cerro”, popularmente denominado barrio “Cerro”, fue fundada en 1834 bajo el nombre de “Villa Cosmópolis”. Es uno de los sesenta y dos barrios de Montevideo, se ubica en la zona oeste de la ciudad a unos quince kilómetros del centro. Su nombre se debe a la elevación de 136 mts. de altura que está en la zona. Cuenta con una población de 35.498 habitantes (según el Censo Nacional de 2004 del INE), en una ciudad de 1.4000.000 habitantes. Los límites del barrio son: al sur la rambla Suiza; al este la rambla Egipto; al oeste Camino Cibils y al norte la calle Carlos María Ramírez.

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Foto: La estampa del Cerro con su fortaleza a orillas del río. (Francisco Flores). Fuente: https://www.elpais.com.uy/informacion/juntan-firmas-cerro-independizarse-montevideo.html

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Los elementos de identidad que lo caracterizan son variados y gozan de una contundente y precisa definición. Se trata de un barrio constituido en su mayoría por inmigrantes de variadas procedencias en el siglo XIX, que creció en torno a polos industriales como los saladeros. Selecciono el barrio Cerro por una cuestión personal: soy profesor de Historia y toda mi actividad docente hasta ahora ha sido en el Liceo 11, “Bruno Mauricio de Zabala”, ubicado en el barrio Cerro de Montevideo. El liceo 11 tiene toda una identidad institucional que se fue gestando con el tiempo de la mano de docentes y fundamentalmente de la comunidad cerrense. En efecto, estar presente en esa institución, posibilita el acercamiento a la identidad del barrio y genera deseo de conocer su historia.

Desde el punto de vista futbolístico, se trata de un barrio en el cual casi exclusivamente los habitantes son de Rampla Jrs. o Cerro, por eso los enfrentamientos entre ambos equipos generan una atmosfera muy especial, denominado “El clásico de la Villa”. A su vez, ambos equipos poseen un fuerte arraigo en gran parte de la zona oeste de Montevideo, sobre todo en barrios vecinos como Casabó, Paso de la Arena, Pajas Blancas, Santa Catalina.

Trabajar con el Cerro implica trabajar con una identidad urbana y barrial particular. Esto supone, analizar el espacio geográfico del Cerro, en función de sus instituciones formales, los vínculos sociales que la crean y recrean, así como las subjetividades que la dotan de sentido. El espacio es un hecho eminentemente social, es una mirada donde la sociedad es constructora y destructora y donde existen movimientos dependientes y dominantes en que los seres humanos están inmersos. Por lo tanto el espacio es una realidad y una categoría de comprensión de la realidad.

El espacio es una construcción social que llevó un proceso, por lo cual está signada a continuar cambiando, construyéndose y reconstruyéndose. La selección de tales espacios se debe a que los clubes sociales se instauraron desde su fundación como espacios barriales y comunitarios, creando sólidos vínculos vecinales.

El Cerro: barrio con identidad y tradición futbolera

El Cerro es un barrio con historia. Se trata de una zona de tradición y formación cultural proveniente del flujo migratorio europeo de los siglos XIX y XX. Los últimos contingentes vinieron del este de Europa: Yugoslavia, Polonia, Lituania, entre otros, junto a españoles, italianos, griegos y armenios; acabaron por darle a la Villa del Cerro un perfil culturalmente plural.

Allí se formó un barrio tradicional de inmigrantes laboriosos que con el tiempo ha venido a constituirse también en interesante enclave turístico, con la histórica fortaleza militar, la rambla y la misteriosa Casa de la Pólvora, una construcción de fines de siglo XVIII que sirvió de polvorín militar.

El Cerro es un barrio con una tradición de trabajo y lucha, defendiendo derechos de inmigrantes y obreros. Esta tradición organizada, se forjó a raíz de la industria de la carne. La intensa actividad industrial, acelerada a partir de la segunda mitad del siglo XIX fue impulsada por los saladeros que producían básicamente charque, generando unos tres mil puestos de trabajo hacia el 1900. Los saladeros fueron ubicados en la zona del Cerro, sobre ambas márgenes del arroyo Pantanoso, puesto que en el año 1836 el Poder Ejecutivo mediante decreto estableció que los establecimientos que se dedicaran a la salazón de carne tendrían que estar lejos de la ciudad.

A inicios del siglo XX, como consecuencia de la Revolución Industrial y del desarrollo de moderna tecnología, los saladeros fueron desplazados por un nuevo tipo de industria, los frigoríficos. Un grupo de capitalistas uruguayos fundaron en los predios de tres saladeros el primer frigorífico uruguayo para la explotación de nuevos sistemas en la conservación de carnes, a través del enfriamiento y la congelación. Se denominó “La Frigorífica Uruguaya”, y en diciembre de 1904 comenzaron las faenas en dicha empresa, logrando su primera exportación a Londres en marzo de 1905. En 1911 pasó a manos de una compañía anglo-argentina llamada “Sansinena & Cia”, que en 1929 arrendará sus instalaciones al Frigorífico Nacional, creado en 1928 y que funcionaría como ente testigo para controlar la industria cárnica del Uruguay.

En 1911 fue fundado en Punta Lobos el “Frigorífico Montevideo”; pero en 1913 adoptó el nombre de “Frigorífico Swift”, ya que fue adquirido por la compañía Swift, perteneciente a un consorcio norteamericano. Otro de los frigoríficos importantes fue el “Frigorífico Artigas”, que empezó a faenar en octubre de 1917. Se trató de una sociedad anónima conformada por estancieros uruguayos, quienes vendieron el frigorífico años después a la empresa de Chicago “Armour”.

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La industria frigorífica supuso la principal fuente de ingresos para el Uruguay y empleó calificada mano de obra barrial. En términos de identidad barrial, la época de los frigoríficos, constituyó el núcleo central de la historia de base que permitió ordenar valores que siguen visualizándose como característicos del lugar. El trabajo, la solidaridad y el mutuo conocimiento, es decir, la convivencia sin desconfianza ni violencia. En este sentido, están relacionados estos valores con un pasado en que las condiciones materiales y laborales permitían consolidar un comportamiento territorial con énfasis autóctono, dentro de un complejo urbano. También contribuyó la intensa actividad sindical que construía lazos de unión entre la población de obreros y sus familias. Al respecto, el historiador Aníbal Barrios Pintos se refería al Cerro de la siguiente manera:

La Villa del Cerro tiene una enorme trascendencia en el desarrollo económico de la república. La industria saladera y frigorífica la eligió como máxima sede, dándole una fisonomía intransferible. Insufrible vaho de sangre y carroñas; fábricas de labor sin pausa, que convierten la riqueza semoviente en divisas de comercio de carnes; calles pobladas de gente humilde, laboriosa, con una decidida conciencia obrerista: todo eso ha sido el Cerro, de bravías tradiciones, de gente sufrida, de familias muy unidas, que han coreado el nombre del país en horas de alegría y atrapado la atención del Uruguay entero, en horas de hoscas huelgas casi revolucionarias. (Barrios Pintos, A., 1971, p. 42).

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Desde el punto de vista deportivo, el fútbol llegó a Montevideo hacia fines del siglo XIX, cuando los ingleses lo introdujeron en el Río de la Plata y en otras partes del mundo, de la mano del ferrocarril, intercambios con la marinería y de la acción de los colegios ingleses. En ese contexto, Uruguay asistía a la conformación del Estado y de la nacionalidad. Tal como ocurrió en Buenos Aires, el fútbol se popularizó rápidamente en Montevideo durante la primera década del siglo XX, con la fundación de una gran cantidades de clubes.

En la primera década del siglo XX el fútbol se expandió por los barrios de Montevideo, llegando también a la Villa del Cerro. Existieron varios clubes en el Cerro que llevaban el mismo nombre de la Villa Cosmópolis, incluso afiliados a la AUF, como el Club Atlético Cerro que participó en la Tercera Extra de 1917.

En 1919 se mudó a la Villa del Cerro el club Rampla Juniors Football Club, equipo que militaba en la segunda división de la asociación y que se había fundado el 7 de enero de 1914 en la zona de la Aduana, generando muchas resistencias por parte de los más localistas de la barriada.

El origen histórico de Rampla fue en el café y bar “Trocadero” en la rambla portuaria de Montevideo, en la calle Rampla y Solís. Como señala Miguel Aguirre Bayley,

de ese histórico rincón aduanero, Rampla se dirigió al “Café de Güelfi” en la proa de las calles Juncal, Piedras y 25 de Agosto y poco después se trasladó a la Aguada. En esos años fue local en Camino Mendoza y Piedras Blancas y luego en cancha ubicada en la avenida Burgues. Pero su destino será la Villa del Cerro donde llegó en 1919 para radicarse definitivamente en 1921, año de su consagración como Campeón de la División Intermedia. En ese período Rampla fue locatario en los campos de Braga y del Swift (Aguirre, 2009, p. 12).

Rampla Jrs. había surgido en otra zona de la ciudad, pero prontamente consiguió adeptos en la villa del Cerro, pero hubo otros que apegados a un sentimiento localista resistieron y se mantuvieron fieles a las humildes instituciones del barrio. El 1 de diciembre de 1922, se fundó el Club Atlético Cerro. El origen histórico de Cerro fue

en el “Café de Panizza”, en la esquina de las calles Grecia y China. A esos efectos, se habían realizado previamente reuniones en la confitería “Americana” y en la farmacia de Angel Constantini, quien sería su primer presidente. En su fundación participaron también dirigentes y asociados del Club Oriental. Precisamente Cerro adoptó como oficiales los colores albicelestes a rayas verticales que eran de los del club Oriental (Aguirre, 2009, p. 14).

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Imagen: escudos de Rampla Jrs. y Cerro. Fuente: https://i.ytimg.com/vi/7DtxRk0aq6M/hqdefault.jpg

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Identidades por oposición: Rampla Juniors Football Club y Club Atlético Cerro

La identidad de los colectivos, según Gilberto Giménez, en tanto “unidad distinguible”, supone la posibilidad de distinguirse de los demás, pero también tiene que ser reconocida por los demás en contextos de interacción y de comunicación, lo que requiere una “intersubjetividad lingüística”.

De acuerdo a Fernando Carrión, las identidades colectivas se construyen a partir de una doble situación: por un lado, la condición de pertenencia (expresa la adscripción al territorio, género, clase, generación o familia); y por otro, la cualidad funcional (que lo asume desde el rol de hincha, jugador, dirigente o empresario). Estos dos orígenes identitarios pueden, en ciertas condiciones, ser excluyentes, contradictorios o funcionales, dependiendo del momento y del lugar, dada la condición histórica que tienen.

Siguiendo a Luis Antezana, en el fútbol podemos distinguir tanto identidades culturales particulares como metaidentidades. Las identidades por clubes, entendidas como identidades culturales particulares, (llamadas “tifosi” por Antezana, ya que el término italiano implica un contagio febril), son irreconciliables y se producen en una misma zona o localidad.

Sobre estos casos podemos citar: rivalidad por oposición social (Universitario de Deportes vs. Alianza Lima -Perú-; Nacional vs. Peñarol -Uruguay-; Fluminense vs. Flamengo -Brasil-) rivalidad de una región con otra (Real Madrid vs. Barcelona -España-; Chivas vs. América -México-; Liga vs. Barcelona -Ecuador-).

Desde una mirada de identificación colectiva a partir de identidad por oposición, resulta un hecho claro: se trata de que en la confrontación está la esencia del fútbol y la base de las identidades. El “clásico” es la expresión máxima de la disputa simbólica.

En los casos anteriores, la confrontación o el encuentro entre los distintos es lo que le da razón de existencia al fútbol y a cada uno de los rivales.  Como señala F. Carrión “el contrincante es la base fundamental de la existencia del fútbol, de allí que sea un espacio proclive de alteridad” (s/n).

Actualmente en el barrio Cerro encontramos una rivalidad entre dos instituciones que están cerca de cumplir 100 años de presencia en la comunidad. Los encuentros de fútbol entre Rampla Juniors y Cerro, hoy son  reconocidos como “El clásico de la Villa”. Se ha transformado en el partido más atrayente del Uruguay y numeroso en convocatoria después de Nacional vs. Peñarol.

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Imagen: Mauricio Felipe, Jorge Rodríguez y Nicolás Rocha en el clásico de la Villa. Rampla vs. Cerro en el Olímpico (02/12/2017). (Foto: Marcelo Bonjour). Fuente: https://www.ovaciondigital.com.uy/futbol/cerro-llevo-clasico-ilusiona-copa-libertadores.html

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Imagen: último clásico de la Villa, Cerro 1 – Rampla 0 (02/12/2017). (Foto: L. Carreño). Fuente: https://www.referi.uy/pellejero-nos-mereciamos-cerrar-el-ano-asi-n1147981

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El primer partido entre ambas instituciones se jugó el 24 de abril de 1927, en el marco del Campeonato Uruguayo de Fútbol de 1927, en el “Parque Santa Rosa” (escenario en el cual era local Cerro por aquel entonces). El resultado fue de victoria para Rampla Jrs. por 2 tantos contra 0. En esa temporada, se consagró campeón del certamen el conjunto Ramplense, otorgándole así su único título de Primera División, aunque en la época no se había instaurado el profesionalismo.

Hoy cada partido es vivido con gran entusiasmo por la barriada y las familias, en donde un barrio entero queda paralizado para vivenciar lo que se denomina “la fiesta del barrio”. Pero también cada partido es vivido con intensidad por los problemas de violencia en el deporte, en donde ya ha habido heridos de armas de fuego. Lamentablemente, cada partido Cerro-Rampla es considerado de “alto riesgo”, lo que implica un fuerte operativo policial para su desarrollo.

La tarea queda planteada: indagar acerca del origen de la rivalidad, esto supone, investigar sobre aquellos aspectos identitarios que evolucionaron en el siglo XX para que hoy se transforme en un “clásico”. Hay un gran poder simbólico en torno al “clásico de la Villa”, que permite que la población barrial se identifique de manera simultánea y múltiple alrededor de su disputa. En este sentido,

se convierte en un elemento importante de atracción social que lee lleva a ser un espacio de encuentro y confluencia de voluntades, pasiones e intereses diversos y contradictorios. Por eso, un partido de fútbol se define a sí mismo como encuentro; lugar donde las adhesiones sociales terminan siendo distintas pero no excluyentes. (Carrión, Fernando, s/d).

Referencias:

  • Aguirre Bayley, Miguel (2009). El Clásico Rampla-Cerro. Montevideo: Grifelman S.A.
  • Antezana, Luis (2003). Fútbol: espectáculo e identidad. En: Alabarces, P. Futbologías: fútbol, identidad y violencia en América Latina. Bs. As.: CLACSO. (pp. 85-98).
  • Barrios Pintos, Aníbal (1971). Los barrios (I). Montevideo: Nuestra Tierra.
  • Brohm, Jean-Marie (1993). 20 Tesis sobre el deporte. En: aavv. Materiales de sociología del deporte. Madrid: Ediciones de La Piqueta. (pp. 39-46).
  • Carrión, Fernando (s/f). El fútbol como práctica de identificación colectiva. (Material sin más referencias).
  • Falco Genovez, Patricia (1998). El desafío de Clío: el deporte como objeto de estudio de la historia. En: Lecturas: Educación Física y Deportes, Revista Digital, Buenos Aires, año 3, nº 9, marzo. Disponible en: http://www.efdeportes.com/efd9/clio1e.htm
  • Giménez, Gilberto (1997). Materiales para una teoría de las identidades sociales. En: Frontera Norte; vol. 9, n° 18, julio-diciembre. (pp. 9-28).

Os “alemães” e os “outros”: os teuto-brasileiros e a exaltação dos valores germânicos no desenvolvimento esportivo de Porto Alegre no século XIX

20/04/2018

Cleber Eduardo Karls
cleber_hist@yahoo.com.br

Não é novidade entre os historiadores do esporte que se debruçaram sobre o desenvolvimento esportivo do sul brasileiro no século XIX a relevante contribuição dos imigrantes germânicos, ou mesmo, dos teuto-brasileiros para a constituição de clubes e associações que tinham os esportes e as práticas corporais como finalidade . Naturalmente, existiram adventícios do velho continente por praticamente todo o território nacional que foram responsáveis por fundar uma série de agremiações. Com efeito, foi na capital mais meridional do Brasil que esta característica se apresentou de maneira marcante e determinante para a ampliação das atividades esportivas.

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Com este texto, buscamos tecer algumas considerações acerca de uma publicação realizada no jornal Gazeta da Tarde de Porto Alegre em 12 de agosto de 1895, assinado por G. H., que acreditamos ser Germano Hasslocher, redator do mesmo jornal e filho de imigrantes alemães. Hasslocher foi personagem de destaque na capital gaúcha. Advogado formado pela Faculdade de Recife (depois de ter passado por São Paulo), ele foi vereador, deputado federal e um dos líderes políticos mais ativos do Partido Republicano Rio-Grandense, tendo atuação marcada por suas posições liberais, abolicionistas, federalistas, anticlericais e pela defesa da liberdade de expressão, além, é claro, de figura destacada no cenário esportivo da capital do Rio Grande do Sul.

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Inicialmente, a publicação noticiou o ato do lançamento da pedra fundamental de construção do prédio da Sociedade Ginástica (Deutscher Turnverein), atual SOGIPA, fundada em 1867 por teuto-brasileiros, que ocorreu no dia anterior. Com efeito, não demorou para que as suas convicções acerca da importância dos princípios germânicos aflorassem e o seu texto se tornasse uma exaltação dos valores d´além-mar, como o próprio descreveu: “A educação física do homem é objeto de grande cuidado entre os alemães e isto tem sido uma das grandes causas da superioridade daquele povo, forte, robusto, sadio”. G.H. destacou a existência de uma grande quantidade de associações congêneres naquela capital que serviam, ao mesmo tempo, de “divertimento e com um fim útil”, todas elas “quase que puramente alemãs”.

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Imediatamente as comparações foram traçadas. Os “nossos” colegiais, de acordo com G.H., se referindo aos brasileiros, não fazem ginástica, mas em compensação “fundam jornais nos quais exibem-se ridiculamente, abordando assuntos mui distantes de sua competência”. É importante mencionar que “brasileiro” poderia ser uma referência genérica aos não teuto-brasileiros. “Alemães”, por sua vez, identificavam aqueles com descendência germânica, nascidos ou não na Europa.

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O jornalista ainda expõe que em Porto Alegre lhes faltava clubes de ginástica e esgrima, ao passo que “as sociedades dramáticas pululam e em cada canto da cidade temos uma associação bailante”. Uma formação física e moral de destaque dos jovens sulistas brasileiros passaria pela adoção dos padrões germânicos, como foi o demonstrado no evento retratado no periódico. Jovens “alegres, com as faces rosadas atestando saúde” que se satisfaziam mediante o progresso da sociedade que cultivava o princípio mens sana in corpore sano.

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Ao mesmo tempo em que criticava o “tipo nacional” e o rotulava como “raquítico, atrofiado, nada se fazendo para desenvolver o homem, educar-lhe o músculo”, também questionava: “Em que se entretém a nossa mocidade?” Na sua visão aqueles “não alemães” gastavam seu tempo circulando pelas ruas, enchendo as mesas dos cafés, discorrendo pedantescamente sobre artes, literatura e política e, nos finais de semana, frequentando os prados da cidade. Para G.H., a juventude tiraria mais proveito se passasse o domingo “em uma sala de ginástica ou esgrima, caminhando uma légua fora da cidade ou exercitando-se em esportes náuticos”.

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Por fim, numa franca declaração das suas predileções, Hasslocher questiona: “Por que não havemos de imitar os alemães e fundar associações como eles, úteis, práticas, destinadas a formar o homem e dar-lhe robustez física, perseverando nos nossos intentos como eles, progredindo sempre?”

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Esta publicação aqui trabalhada, se não traz uma massa de informações substanciais, aponta aspectos latentes do cenário esportivo porto-alegrense do século XIX que podem ser pensados como especiais na formação do campo esportivo. Este não é um caso isolado acerca das relações étnicas pulsantes na Porto Alegre oitocentista. Todavia, se apresenta enquanto um caso relevante, exposto em um periódico de considerável circulação e assinado por um importante personagem do ambiente esportivo, político e cultural do Rio Grande do Sul. Os jornais são espaços de legitimação de ideias e a cidade de Porto Alegre um rico ambiente de embates que são construídos através da suas especificidades.

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Esporte em São Paulo

12/03/2018

Por Flávia da Cruz Santos (flacruz.santos@gmail.com)

Cidade atualmente instigante, sobre a qual abundam estudos que tratam de sua contemporaneidade, São Paulo tem seu passado mal conhecido quando o tema são os divertimentos em geral e os divertimentos esportivos, mais especificamente. Uma das maiores potencias esportivas nacionais, a capital paulista tem os primórdios de seus esportes quase desconhecidos.

Soa estranha tal afirmação, que pode ser facilmente contestada com o argumento de que existem sim estudos, não muitos, sobre os esportes na capital paulista na transição dos séculos 19 e 20, momento tido com inicial na configuração do campo esportivo brasileiro. Algumas questões, no entanto, são: os indícios que nos ajudariam a compreender tal fenômeno não estariam presentes na cidade desde momentos anteriores? Não valeria a pena estudá-los? Porque toma-se como certa a ideia de que não há esporte em São Paulo antes dessa data?

Parte da resposta a essas questões, reside no fato de que a industrialização, tida como sinônimo de modernidade, é considerada condição para a configuração do campo esportivo (tema abordado no post anterior, por Rafael Fortes). Como antes da virada do século, a industrialização em São Paulo era insipiente, não se fala, ou pouco se fala, em esporte antes desse momento.

Mais do que uma cidade de industrialização insipiente, a fama da São Paulo oitocentista não é nada boa, e tão pouco demostra qualquer continuidade com o que sabemos da cidade que nos é contemporânea. Ao contrário, nos faz pensar que se trata mesmo de outra cidade:

Daqui a cinco minutos podemos estar à vista da cidade. Há de vê-la desenhando no céu suas torres escuras e seus casebres tão pretos de noite como de dia, iluminada, mas sombria como uma eça de enterro.

(…)

Demais, essa terra é devassa como uma cidade, insípida como uma vila, e pobre como uma aldeia. Se não estás reduzido a dar-te ao pagode, a suicidar-te de spleen[1], ou alumiar-te o rolo, não entres lá. É a monotonia do tédio. Até as calçadas![2]

Muitos são aqueles que viveram a São Paulo daquele tempo, ou que ao menos lá estiveram, e que nos deixaram relatos sombrios como este, de Álvares de Azevedo, importante nome da dramaturgia paulistana. Exemplos muito conhecidos e usados na historiografia são os relatos de viajantes como os alemães Spix, Martius e Rugendas, os franceses Alcide D’Orbigny e Saint-Hilaire, e o inglês Jonh Mawe. Informados por certos valores e sentimentos, eles possuíam compreensão nada positiva da cidade. Compreensão essa que se disseminou pelos estudos que focalizam tal contexto.

Essa São Paulo não convida o historiador do esporte a investigá-la, não é nem um pouco atraente ou condizente com o que se espera de uma cidade em que há esporte. E aqui outra questão: não deveríamos desconfiar dessa versão, desconfiar que a atual, e já há algum tempo, fervilhante cidade possa ter sido forjada, de repente, em um curto espaço de tempo?

Soma-se a essa compreensão de São Paulo e ao pressuposto da industrialização, o fato de que é em 1875 que surgem agremiações esportivas na cidade, como o Jockey Club e o São Paulo Críquete Clube, e que no ano seguinte foi inaugurado o primeiro hipódromo paulistano. Daí para frente as novidades esportivas não param.

Antes disso, no entanto, numa São Paulo que ainda construía as condições para sua industrialização, os divertimentos esportivos já estavam presentes. Em 1864 já se jogava críquete numa chácara no Campo Redondo[3]. No ano da chegada das ferrovias, 1868, por exemplo, foi constituído um clube de tiro, sobre o qual pouco se sabe. Ele destinava-se à prática do tiro com pistola ao alvo, que era tido como “um novo e útil exercício”[4]. As regatas também já faziam parte do cotidiano da cidade a essa altura, ainda que desenvolvidas no porto de Santos, para onde grande quantidade de paulistanos se dirigia.

Não haveria, então, elementos mais importantes do que a industrialização para o desenvolvimento dos esportes na capital paulista? Não seria tal capital mais dinâmica do que se costuma apregoar? Convido o/a leitor/a, nesse primeiro momento, a me ajudar a pensar na pertinência dessas questões.

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[1] Spleen foi termo difundido por Charles Baudelaire, e significa um estado de desencanto e melancolia, que resulta em apatia e indiferença e pode levar à transgressão e perversão. Caracteriza o ser romântico (ANFORA, pp. 13-15).

[2] AZEVEDO, Álvares de.  Macário. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988. Disponível em: <http://www.aliteratura.kit.net&gt;. Acesso em: 11 dez. 2014, grifo no original.

[3] Correio Paulistano, 6 de setembro de 1864, p. 2.

[4] Correio Paulistano, 1 de abril de 1868, p. 1.

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“Nem no Playstation é tão rápido assim” – o 7 a 1 e a cobertura da mídia alemã

11/02/2018

Elcio Loureiro Cornelsen
(cornelsen@letras.ufmg.br )

No dia 27 de março de 2018, a seleção brasileira de futebol voltará a enfrentar a seleção da Alemanha, em jogo amistoso a ser realizado no Estádio Olímpico de Berlim, como parte da preparação para a Copa da Rússia. Passados pouco mais de três anos e meio desde aquele fatídico 08 de julho de 2014, quando a seleção de Felipão foi derrotada pelo vexatório placar de 7 a 1 pelos comandados de Jürgen Löw em pleno Estádio do Mineirão, pelas semifinais da Copa, as duas seleções voltarão a se enfrentar.

Ainda em nossos dias, aquela partida suscita comentários e indagações. Hoje, dado o distanciamento temporal, pergunta-se sobre a memória do Mineiratzen – Mineiraço, em alemão – e qual seria seu significado para alemães e brasileiros. No caso brasileiro, questiona-se se aquela derrota histórica e superlativa representaria um trauma ou uma vergonha para o torcedor brasileiro. As opiniões são controversas, alguns falam em trauma, chegam a comparar a derrota de 2014 com o Marcanaço de 1950; outros consideram que o sentimento predominante seria o de vergonha, uma vez que o trauma pressuporia uma derrota inesperada de uma equipe franca favorita, uma verdadeira “queda” após a construção de uma expectativa de pleno favoritismo.

Todavia, o que efetivamente ocorreu não foi isso: a seleção brasileira de 2014 não entrou em campo como favorita, o desempenho nas partidas anteriores à da semifinal não a credenciava como tal. Seria, pois, um jogo difícil contra uma seleção que demonstrava, acima de tudo, conjunto. O placar elástico, entretanto, em termos simbólicos, deixaria suas marcas. Aqueles que defendem a noção de trauma para aquela maiúscula derrota afirmam que não se consegue esquecê-la, e nem mesmo os detalhes de sua vivência, seja nas arquibancadas do Mineirão, seja diante de aparelhos de TV nos lares ou mesmo de telões nos bares.

Não obstante, parece-nos haver um elemento distintivo entre o Maracanaço e o Mineiraço: o suposto trauma cedeu lugar ao riso, por assim dizer, um riso terapêutico, algo que não ocorreu em 1950. O mito da derrota de 1950, designada por Nelson Rodrigues de “nossa Hiroshima”, bem ao seu estilo hiperbólico, não integrou em seu discurso o riso que podia atenuá-la. Tal narrativa cristalizou-se por repetir, continuamente, um clima de derrota atestado por um Maracanã em silêncio.

Por sua vez, logo após o 7 a 1, piadas circularam na Internet, e outras tantas circularam de boca em boca nos dias que seguiram. Uma delas era assim narrada: “No dia seguinte, o pessoal da limpeza do Estádio do Mineirão, após uma boa faxina nos vestiários, encontrou mais dois gols da Alemanha”.

Nesse sentido, concordamos com Marcelino Rodrigues da Silva que, num lúcido e breve ensaio publicado naquele contexto, estabelece uma distinção quanto ao mito da derrota de 1950 e o que ocorreu em 2014:

Mas a Copa, afinal, é apenas futebol. O tempo do jogo já passou e a vida voltou ao normal. O tsunami humorístico que se seguiu à derrota brasileira teve o condão de lavar nossa alma e nos deixar livres de qualquer trauma, de qualquer peso na consciência ou na memória. Não restou nada parecido com o que foi (ou imaginamos ter sido) a derrota de 1950. […][i]

O olhar humorado e mesmo irônico para aquela histórica partida também se fez presente na cobertura da mídia na Alemanha. À época, pouco noticiou-se sobre isso na imprensa brasileira. O maior exemplo provém do site da Focus, uma das principais revistas alemãs. Um misto de perplexidade e alegria pela vitória do selecionado alemão fica patente numa matéria, intitulada “Für die Ewigkeit: Der Super-Sieg im Minutenprotokoll” (“Para a eternidade: A vitória magnífica assinalada minuto a minuto”),[ii] e publicada simultaneamente à partida na página online da revista Focus, composta por frases minuto a minuto. Já no momento do segundo gol, marcado pelo centroavante Miroslav Klose, o articulista aponta para o impacto causado na seleção brasileira: “Recorde de gols, a Alemanha amplia, o Brasil chocado”.[iii] O terceiro gol também é acompanhado de um comentário similar: “Estão passados, os brasileiros”.[iv] E o quarto tento, assinalado aos 26 minutos do primeiro tempo, faz com que o articulista não mais se contenha e decrete a classificação antecipada de sua seleção: “Gol da Alemanha, 4 a 0, marcado por Toni Kroos! Khedira e Müller contra-atacam a seleção brasileira, numa jogada fulminante. Final! Ah, isso nem parece verdade. O que é que eles estão fazendo? Solto, Kross manda a bola na rede. Aqui, os torcedores em amarelo e azul choram coletivamente”.[v] E o quinto gol marcado aos 29 minutos faz com que o articulista perca o controle e anuncie efusivamente: “Gol da Alemanha, 5 a 0, marcado por Sami Khedira! Façam as coisas aqui sozinhos. Não tem mais sentido. Cinco a zero. Cinco. Uma cópia do quarto gol, só que desta vez Özil e Khedira tabelam soltos. Khedira é quem, desta vez, manda a bola para as redes. Cinco a zero”.[vi]

Diante dessa sequência de gols, o articulista não mais se contém e dispara uma série de frases que espelham com precisão o calor da emoção diante do inusitado. Há uma pausa temporal entre o 29º minuto, quando Khedira assinalou o quinto gol, e o próximo apontamento, feito no 36º minuto, estabelecendo um longo “silêncio” que significa muito: “Pois é, devagar estamos retomando aqui. Quatro gols em seis minutos, o sistema aqui cai de joelhos. Quando Höwedes marcará mais um?”[vii] Por si só, esse momento é hilário: um minuto a minuto que não se sustentou, dada a emoção e perplexidade  com que o articulista teve de lidar, caindo de joelhos. A ironia também se revela na referência a Benedikt Höwedes, lateral da seleção e um dos jogadores tecnicamente menos hábeis. E aos 40 minutos, um lampejo de misericórdia perpassa a narrativa: “Juizinho, vê se encerra o jogo agora. Os brasileiros só nos dão pena. E os torcedores vêm abaixo coletivamente, no estádio e na praia de Copacabana. Mas muitos ainda incentivam sua equipe”.[viii] Até o final do primeiro tempo marca para o articulista o fim do jogo, dada a vitória parcial avassaladora: “Intervalo, e até dá impressão que é o final da partida”.[ix] Ao iniciar seus comentários no intervalo, uma dura crítica aos jogadores brasileiros: “Nem no Playstation é tão rápido assim. Em algum lugar deve haver uma falha na lógica, um erro na placa mãe. Ou então este não é um jogo de semifinal de Copa. Os caras com as camisas do Brasil são imitações, impostores”.[x]

Em 2014,  foi escrito um capítulo triste da história do futebol brasileiro. Os mitos do “jogo bonito”, do “futebol arte”, da “pátria em chuteiras” não mais se sustentam como tal. Em Moscou, um novo capítulo dessa história será escrito. Inegavelmente, um desafio para o técnico Tite e seus comandados: o de recuperar o prestígio da seleção brasileira construído por décadas. Superar a vergonha ou o trauma parece estar no horizonte da Copa da Rússia. Antes, o amistoso de março será não só um desafio, o reencontro das duas seleções, desta vez em terreno germânico, como também um momento de despertar fantasmas da derrota. No caso alemão, o discurso que se cristalizou desde aquele 08 de julho de 2014 foi pautado por um tom heroico com relação ao desempenho da seleção, como também de uma mescla de respeito, ironia e certo humor ao olhar o desempenho limitado da seleção brasileira. Espera-se que esse novo capítulo da história a ser escrito nos próximos meses represente uma retomada de curso na trajetória do futebol pentacampeão.

Notas

[i] SILVA, Marcelino Rodrigues da. O que foi feito do país do futebol? In: SILVA, Marcelino Rodrigues da. Quem desloca tem preferência: ensaios sobre futebol, jornalismo e literatura. Belo Horizonte: Relicário, 2014, p. 285-288, aqui p. 288.

[ii] FÜR DIE EWIGKEIT: Der Super-Sieg im Minutenprotokoll. Focus, 09 jul. 2014. Disponível em: http://www.focus.de/sport/fussball/wm-2014/deutsches-team/wm2014-halbfinale-live-d_id_3976186.html. Acesso em: 11 dez. 2014.

[iii] No original: “Torrekord, Deutschland obenauf, Brasilien geschockt.” Ibidem.

[iv] No original: “Sie sind fertig, die Brasilianer.” Ibidem.

[v] No original: “TOR für Deutschland, 0:4 durch Toni Kroos! Khedira und Müller kontern Brasilien auseinander, dass es nur so qualmt. Finale! Ach, komm, das ist doch nicht wahr. Was machen die den da? Kross schiebt locker ein. Hier heulen kollektiv die Fans in Gelb und Blau.” Ibidem.

[vi] No original: “TOR für Deutschland, 0:5 durch Sami Khedira! Macht doch euer Zeug hier alleine. Hat doch keinen Zweck mehr. Fünf zu null. Fünf. Eine Kopie des vierten Tors, nur diesmal schieben sich Özil und Khedira den Ball locker zu. Khedira ist diesmal derjenige, der ihn über die Linie drückt. Fünfnull.” Ibidem.

[vii] No original: “So, langsam kommen wir hier hinterher. Vier Toren in sechs Minuten, da geht hier das System in die Knie. Wann macht Höwedes noch eins?” Ibidem.

[viii] No original: “Schiri, mach doch einfach Schluss jetzt. Die Brasilianer tun einem nur leid. Und die Fans brechen kollektiv zusammen, im Stadion und an der Copacabana. Viele feuern ihre Mannschaft aber weiterhin unentwegt an.” Ibidem. No original: “Schiri, mach doch einfach Schluss jetzt. Die Brasilianer tun einem nur leid. Und die Fans brechen kollektiv zusammen, im Stadion und an der Copacabana. Viele feuern ihre Mannschaft aber weiterhin unentwegt an.” Ibidem.

[ix] No original: “Halbzeit, und es fühlt sich wie der Schlusspfiff an.” Ibidem.

[x] No original: “Das geht sonst nicht mal auf der Playstation so schnell. Irgendwo muss ein Loch in der Logik sein, ein Fehler in der Matrix. Oder das ist gar kein WM-Halbfinale. Die Typen da in Brasilien-Trickots sind Attrapen, Hochstapler.” Ibidem.

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Clarice Lispector, Zagallo e João Saldanha

07/01/2018

por Victor Andrade de Melo

No ano de 2017, por ocasião dos 40 anos da morte de uma das mais cultuadas escritoras da língua portuguesa, Clarice Lispector, relembrou-se vários aspectos de sua obra, inclusive uma série de entrevistas que conduziu e publicou em alguns jornais e revistas, parcialmente reunidas num livro (“Entrevistas”, organizado por Claire Williams) e recriadas num filme (“De Corpo Inteiro”, dirigido por Nicole Algranti).

Entre as entrevistas, houve duas com importantes personalidades do futebol, Zagallo e João Saldanha, realizadas em pleno ano da Copa do Mundo do México, 1970. A relação de Clarice com o futebol já tem sido discutida. Vale a pena, por exemplo, conhecer o publicado no blog Literatura e arquibancada (http://www.literaturanaarquibancada.com/2011/10/clarice-lispector-e-o-futebol.html) e o escrito pelo amigo Edônio aqui neste blog (https://historiadoesporte.wordpress.com/2010/06/10/clarice-lispector-e-o-futebol/).

Apresentamos aqui na íntegra uma entrevista com Zagallo e um comentário sobre João Saldanha, publicados respectivamente no Jornal do Brasil de 28 de março de 1970 e 7 de novembro de 1970.

Certamente o leitor vai se deleitar com o inusitado e a inteligência de Lispector.

* Entrevista Zagallo

Para ver em melhor resolução:

http://memoria.bn.br/DocReader/030015_09/5220?pesq=lispector+futebol

*Comentário sobre Saldanha

Para ver em melhor resolução:

http://memoria.bn.br/DocReader/030015_09/19925?pesq=lispector+futebol

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