“Hemerotecando” a esgrima em São Paulo

05/07/2021

Flávia Cruz/flacruz.santos@gmail.com

Em 1854 já há notícia da existência de uma sala de esgrima em São Paulo. Mas a presença sistemática de tal prática na capital paulista se dá mesmo a partir de 1862, quando começam a chegar na cidade mestres de armas vindos da Europa. Mestres de armas é como são denominados os professores de esgrima.

A despeito da inexistência de ferrovias que ligassem a capital ao litoral, e das dificuldades desse trajeto, que se dava pela serra do mar, a presença de europeus na cidade foi mesmo uma constante, desde seus primórdios. Os mestres de armas que chegavam eram alemães, italianos, franceses.  

Eles ministravam aulas e cursos em suas próprias residências, em instituições de ensino, como o Liceu Alemão, e em associações, como o Clube Ginástico Português. Algumas vezes, além de europeus esses professores eram também militares, como era o caso do capitão do exército prussiano, Theodoro Maximilio de Krans, que dava lições de esgrima.

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Jornal da Tarde, 3 de abril de 1879

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A esgrima se desenvolveu na capital paulista atrelada a esses dois elementos: os europeus e os militares. Foi com professores europeus que os paulistanos aprenderam a esgrima, e foi por influência inglesa que eles desejaram aprendê-la. A esgrima compunha a formação de militares, e estes também eram mestres de armas, não apenas nas escolas militares, mas também em cursos para civis.

Os militares possuem, no entanto, uma especificidade em sua relação com a esgrima, que pode ser notada principalmente a partir da primeira década do século 20. Enquanto no meio civil as armas estudadas eram o sabre, a espada e o florete, os militares se dedicavam também à esgrima de baioneta. Baioneta é uma espécie de punhal, que é acoplado ao cano da arma de fogo, geralmente um fuzil. 

As utilidades da esgrima eram apregoadas pelos jornais: eficaz para o desenvolvimento da força física e da coragem, distração agradável e elegante. Prescrita desde forma de tratamento da melancolia a componente da educação das elites, a esgrima era apresentada como uma prática apreciada pelos ingleses.

Inglaterra e França eram países referência para a construção de gostos e hábitos, também na capital paulista. Se uma prática era apreciada nesses países, era sinal de que deveria ser apreciada também pela população paulistana. Senão por toda ela, pelo menos por suas elites. Afinal, esses países eram símbolos de civilidade e de modernidade.

Apesar de chegarem de Londres e também de Buenos Aires, desde o último quartel do século 19, notícias de assaltos de esgrima entre mulheres, e entre mulheres e homens, o mesmo não aconteceu em São Paulo. Não há notícia de sequer um assalto entre mulheres na capital, ou de sua participação em cursos e associações de esgrima até 1920.

É somente em 1879 que começamos a ter notícias de assaltos públicos de esgrima. Em um primeiro momento, eles aconteciam como parte de festividades de instituições que a tinham como objeto de ensino, ou como uma estratégia de propaganda utilizada pelos professores, para demonstrar sua perícia com a esgrima e, assim, conquistar alunos. Posteriormente os assaltos passaram a acontecer também entre os alunos dos cursos existentes na cidade.

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O Estado de São Paulo, 13 de julho de 1899

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A partir da década de 1880 um maior número de associações que tem como um de seus objetivos, ou o único objetivo, desenvolver a esgrima são fundadas na cidade: Real Sociedade Clube Ginástico Português, Clube de Esgrima, Congresso Brasileiro, Cercle de Esgrima Franco Brasileiro, Clube Brasileiro de Esgrima e Tiro, Grêmio do Comércio de São Paulo, Academia de Esgrima, Clube Internacional de Ginástica e Esgrima, Grêmio Recreativo Filhos do Trabalho, Clube de Esgrima Kosmos.

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A Província de São Paulo, 5 de julho de 1881

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Competições de esgrima só começam a acontecer a partir de 1896. Nesse ano houve a realização de torneio pelo Clube Ginástico Português, e em 1897 pela Escola Normal. Em 1899 há notícia da realização de um torneio internacional de esgrima. Internacional porque seus participantes e as escolas de esgrima participantes, eram de diferentes nacionalidades.

Não havia qualquer organização das associações e escolas de esgrima em instituições que as normatizasse, e organizasse torneios. As competições se davam por iniciativa dos mestres de armas dos cursos.  Apesar de associada à ginástica e à educação física, a esgrima não era tida ainda como um esporte. Sequer estava presente nas colunas esportivas dos jornais. Suas notícias estavam nas colunas de Notícias Diversas ou no Noticiário.

Não se falava ainda em esgrimistas, esse termo não era empregado. Os participantes dos torneios eram os professores e seus alunos de esgrima. Mas apesar disso, sem que os sujeitos desse tempo soubessem ou tivessem consciência, o campo esportivo já estava em gestação na capital paulista. E a esgrima ajudava a compor esse campo.

Tanto é que em 1905 a esgrima já figurava nas colunas esportivas dos jornais, e seus praticantes já eram chamados de esgrimistas. A esgrima participou, assim, do mesmo movimento de institucionalização vivido pelas demais práticas esportivas em São Paulo, a partir da segunda metade do oitocentos.

Com a especificidade de ter se desenvolvido nos momentos iniciais, como objeto de ensino em instituições instrutivas e cursos, como parte da educação formal e não formal, a esgrima passou a figurar, pouco a pouco, no quadro das atividades das associações recreativas e esportivas, e a possuir competições.

As comemorações cívicas também passaram a contar com a esgrima em suas programações. Em 1913, por exemplo, houve assaltos de esgrima nas comemorações pelo aniversário da proclamação da república e pelo dia da bandeira.

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O Estado de São Paulo, 20 de novembro de 1913

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No entanto, a esgrima não gozou de grande sucesso na capital paulista. O número de praticantes e de espectadores da esgrima não alcançou números muito alvissareiros. A revista Vida Sportiva, de agosto de 1904, apresenta estatísticas que o comprovam. Das 118 associações esportivas existentes na capital, apenas 4 eram de esgrima, enquanto 8 eram de atletismo, 9 de ginástica e 72 de futebol!

 

* Fontes

Correio Paulistano – 1854, 1855, 1856, 1857, 1858, 1859, 1862, 1863, 1864, 1865, 1866, 1867, 1868, 1869, 1870, 1871, 1872, 1873, 1874, 1875, 1876, 1877, 1878, 1879, 1880, 1881, 1882, 1883, 1884, 1885, 1886, 1887, 1888.

A Província de São Paulo / O Estado de São Paulo – 1875, 1876, 1877, 1878, 1879, 1880, 1881, 1882, 1883, 1884, 1885, 1886, 1887, 1888, 1889, 1890, 1891, 1892, 1893, 1894, 1895, 1896, 1897, 1898, 1899, 1900, 1901, 1902, 1903, 1904, 1905, 1906, 1907, 1908, 1909, 1910, 1911, 1912, 1913, 1914, 1915, 1916.

Jornal da Tarde – 1870, 1871, 1872, 1873, 1874, 1875, 1876, 1877, 1878, 1879.

Vida Sportiva – 1904.

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MAIS UM LIVRO DISPONÍVEL – PRIMÓRDIOS DO ESPORTE NO BRASIL – RIO DE JANEIRO

26/06/2021

por Victor Melo

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Primórdios

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Graças ao apoio da Reggo Edições, disponibilizamos para download mais um belo livro: Primórdios do Esporte no Brasil – Rio de Janeiro, escrito por mim e pelo irmão Fabio Peres.

Trata-se de um livro de difusão, “é parte de um projeto que pretende contribuir para o reconhecimento da importância do fenômeno esportivo no Brasil, a partir da difusão dos principais traços dos momentos iniciais de seu percurso em algumas cidades brasileiras. O intuito não é abordar academicamente o assunto, mas sim apresentar ao grande público alguns dos fatos importantes que marcaram a trajetória nacional do esporte”.

Esta obra, além da bela editoração e imagens, traz uma parte do magnífico acervo de Roberto Gesta de Melo.

Os interessados podem baixar o livro em:

primordios_do_esporte_RIO DE JANEIRO

Um abraço, Victor.


EXPOSIÇÃO “ESPORTE MOVIMENTO – TESOUROS DO ESPORTE: HISTÓRIA EM MOVIMENTO” – CATÁLOGO PARA DOWNLOAD

19/06/2021

por Victor Andrade de Melo.

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Nos anos de 2015/2016, a exposição “Esporte Movimento – Tesouros do Esporte: História em Movimento” apresentou cerca de 2.000 obras do acervo de Roberto Gesta de Mello, um dos maiores colecionadores de artefatos esportivos do mundo. O público pode apreciar “selos, moedas, troféus, tochas, fotografias, vídeos, medalhas originais e demais objetos relacionados ao esporte”.  Percorreu unidades da Caixa Cultural de São Paulo, Curitiba, Brasília, Fortaleza, Recife, Salvador e Rio de Janeiro

Mais informações sobre a exposição: https://www.facebook.com/ExposicaoEsporteMovimento/

Tive a felicidade de participar dessa exposição auxiliando na curadoria e preparando os textos de catálogo e de parede.

O Catálogo ficou muito bonito e foi distribuído gratuitamente. Para quem tiver interesse, pode fazer abaixo o download.

catalogo.gesta.versao.final.editorada.2.correta

Um abraço, Victor.


Rio Esportivo – livro disponível para download

17/06/2021

por Victor Andrade de Melo.

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Rio.Esportivo.Capa

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O ano era 2015, vivíamos a expectativa da realização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A cidade, como poucas vezes antes, respirava ares esportivos, não necessariamente só de forma festiva. Já se faziam sentir os desdobramentos e problemas ocasionados pelo evento, que dava sequência à promoção da Copa do Mundo de 2014 e encerraria uma década de grandes competições.

Nesse cenário, foi lançado Rio Esportivo, uma das muitas ações com as quais tive o prazer de me envolver no período que antecedeu os Jogos Olímpicos. Esse livro ocupa para mim um espaço especial. Há anos, talvez décadas, tinha o desejo de lançar uma obra com essas características – um formato luxuoso, com muitas ilustrações e informações que pudessem chegar ao grande público, extrapolando o mundo acadêmico.

O convite da Casa da Palavra me encheu de felicidade. A ideia era apresentar um panorama das mais diferentes modalidades em sua distribuição pelas regiões do Rio de Janeiro. A produção editorial me deixou encantado. O resultado foi ótimo: o livro circulou bastante, foi bem vendido e já há algum tempo se encontra esgotado (somente há alguns poucos exemplares ainda à venda em algumas livrarias).

A fim de voltar a dar visibilidade à obra, com a gentil autorização da LeYa Brasil (meu enorme agradecimento à Leila Name), a disponibilizo para dowload gratuito.

Logo abaixo, pode-se baixar Rio Esportivo – a capa, o livro inteiro e em destaque o prefácio. Fiz questão de separá-lo para prestar uma homenagem ao amigo querido Gilmar Mascarenhas, que me brindou com seus gentis e generosos comentários, além de suas análises sempre acuradas.

No dia do lançamento, celebrei muito com os amigos. A noite demorou a ter fim em meio a gargalhadas, cervejas e celebrações. Gilmar estava conosco. Saudades, muitas saudades.

Meus agradecimentos aos que tornaram possível a publicação do livro. Espero que antigos e novos leitores o apreciem.

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A Vida Sportiva de Nictheroy (séc. XIX-1919)

01/06/2021

Por Victor Andrade de Melo

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Previsto originalmente para 2019, a fim de comemorar o bicentenário do surgimento da Vila Real da Praia Grande (1819), localidade que, em 1834, seria elevada à condição de cidade, capital da Província do Rio de Janeiro e ganharia o nome atual, em 2020 foi lançado o livro “A Vida Sportiva de Nichteroy”, uma edição da Niterói Livros/Fundação de Arte de Niterói.

O intuito do livro é apresentar, ao grande público, os resultados de uma investigação sobre as pioneiras experiências com o esporte estruturadas na antiga capital fluminense – também chamada de Cidade Sorriso, por sua hospitalidade, e Cidade Invicta, por sua importante participação na Revolta da Armada.

A crise pandêmica impediu que pudéssemos lançar e dar maior visibilidade ao livro. Assim sendo, estou disponibilizando a versão em pdf para que os interessados possam o acessar.

Logo abaixo, pode-se baixar o livro. Mais abaixo, a apresentação da obra.

Meus agradecimentos aos que tornaram possível a publicação desse livro.

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* Apresentação do livro

É bem possível que muita gente de Niterói, e mesmo de outras cidades, conheça ou ao menos tenha ouvido falar do Grupo de Regatas Gragoatá e do Clube de Regatas Icaraí. Mas quantos sabem que o Barreto teve uma notável agremiação de remo, o Clube de Regatas Fluminense? Os mais antigos, a propósito, vão lembrar das agremiações de futebol desse bairro, o Byron e o Barreto Futebol Clube, times que disputaram ferrenhas partidas. Mas quem saberia que a primeira sociedade esportiva da região foi dedicada ao atletismo, o Clube Atlético Brasileiro?

É possível que alguns saibam da importância do Rio Cricket para a cidade e para o desenvolvimento do futebol em nosso Estado, mas saberia alguém que ali nas suas redondezas esteve instalado um clube de rinhas de galo? E que Niterói teve uma agremiação dedicada às corridas de pombo? E que muitas arenas de touradas se espalharam pelo Centro, Barreto e São Francisco?

Saberia você, estimado(a) leitor(a), que antes dos notáveis resultados obtidos pelos atletas de iatismo, que tornaram Niterói a cidade com maior número de medalhas olímpicas do País nesta modalidade, alguns remadores já tinham deixado suas marcas vitoriosas, notadamente aqueles que ganharam o primeiro campeonato melhor organizado desse esporte, disputado em 1898? Que a embarcação vitoriosa nessa contenda, a Alpha, existe até os dias de hoje, preservada no Grupo de Regatas Gragoatá? Que a antiga capital fluminense tem quase uma dezena de clubes esportivos centenários?

Essas são algumas informações que queremos apresentar neste livro, um dos produtos do projeto “A vida sportiva de Nictheroy”, que tem por intuito investigar, no século XIX e nas décadas iniciais do século XX, as experiências com o esporte estruturadas na antiga capital fluminense – também chamada de Cidade Sorriso, por sua hospitalidade, e Cidade Invicta, por sua importante participação na Revolta da Armada.

Esse recorte temporal tem em conta discutir as pioneiras iniciativas esportivas, entabuladas de forma articulada com a estruturação de um mercado de entretenimentos na cidade. 1919 é o ano utilizado como referência final por uma questão simbólica: marcar os 100 anos da elevação da antiga Bandas D’ Além à condição de Vila Real da Praia Grande.

O projeto tem duas faces. Uma delas é de natureza acadêmica, a comunicação dos resultados assumindo a perspectiva de uma pesquisa histórica stricto sensu, isso é, desenvolvida à luz dos conhecimentos da disciplina História. Os produtos que espero lançar são artigos a serem publicados em periódicos científicos, como é o caso de dois

já aprovados: “Forjando a capital: as experiências dos primeiros clubes de turfe e remo de Niterói (décadas de 1870 – 1880)” (aceito pela revista Tempo, do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense) e “O espetáculo que educa o corpo: clubes atléticos na cidade de Niterói dos anos 1880” (aprovado pela Cadernos de História da Educação, da Associação Sul-Rio-Grandense de Pesquisadores em História da Educação).

A outra face é de divulgação científica. O intuito é entabular iniciativas no sentido de apresentar para um público ampliado os mais notáveis fatos do esporte, buscando dar uma contribuição à construção da memória de Niterói. Além deste livro, pretende-se organizar uma exposição, bem como produzir material audiovisual. Tenho em conta que a mobilização e a preservação da memória têm mesmo uma função política, na linha do que sugere Costa (2014) ao discutir a importância que pode ter lançar um olhar sobre o centro histórico da cidade: “Ao provocar a reflexão dos cidadãos quanto a seu espaço de vida, de rotina, e resgatar a memória social e a autoestima, acaba-se de alguma forma favorecendo a reapropriação do espaço urbano e de seu tecido mais antigo. Além disso, promovem-se a investigação dos bens patrimoniais e sua repercussão no imaginário local, contribuindo para a criação de imagens, identidades e espaços de existência e felicidade para a cidade e seus cidadãos” (p. 11).

Em comum nas duas faces do projeto há um pressuposto: o estudo do papel desempenhado pelo esporte na história de Niterói é tema de interesse em função de a cidade ter passado por importantes processos de urbanização e de assunção de uma condição de capitalidade. Os fatos, personagens, conquistas, fracassos, realizações esportivas foram usualmente mobilizados no sentido de forjar uma identidade local, não poucas vezes representados como indicadores do valor dos habitantes e do sucesso de determinados projetos políticos.

Tendo em conta que se trata de um livro de difusão destinado a um público amplo, foram adotadas características que fogem das de um trabalho científico stricto sensu. Não foram utilizadas notas de rodapé. As referências no corpo do texto somente foram inseridas no caso de citações literais; a bibliografia indica o vasto material consultado.

A ideia é apresentar uma informação direta, à moda de um inventário (ainda que com alguma tinta de análise/interpretação), sustentada em evidências coletadas em jornais e livros, apresentada com o suporte de ilustrações e mapas.

A trajetória do esporte em Niterói não é tema desconhecido. Ele foi tratado ocasionalmente nas obras de importantes historiadores e memorialistas da cidade, tais como Emmanuel de Macedo Soares, José Mattoso Maia Forte, Carlos Wehrs e Everardo Backheuser. Foi também abordado no que tange a experiências específicas na magnífica produção de Vitor Iorio e Patrícia Iorio (“Rio Cricket e Associação Atlética: mais de um século de paixão pelo esporte”), Maria Cristina de Azevedo Mitidieri (“100 anos do Rio Yacht Club: um olhar museológico sobre a construção de um patrimônio”), Emmanuel de Soares Macedo (“Cem anos de regatas: álbum comemorativo do centenário do Clube de Regatas Icaraí”) e Brian Higgin, Claudia Swan, Cristina Mitidieri e Patrícia Ferreira (“100 anos do Rio Yacht Club Sailing”). Além disso, de forma mais genérica, foi descortinado no verbete de Mário Cantarino Filho (“Clubes Esportivos e Recreativos em Niterói”) e no livro organizado por Alfredo Gomes de Faria Junior e Eduardo Vilela (“Atlas histórico e geográfico do esporte e lazer de Niterói”). Vale citar ainda o trabalho de Orlindo Gomes de Farias no resgate de informações sobre o futebol, disponibilizadas na rede social “Retratos do Futebol Fluminense”.

A propósito, muitas imagens neste livro utilizadas foram encontradas em redes sociais dedicadas à história de Niterói: Centro de Memória Fluminense/UFF (no qual trabalhei também no esplêndido acervo), Olhar Nictheroy, História de Niterói, Nikity das Antigas.

Este livro, contudo, tem alguns diferenciais: a) trata com mais profundidade os primeiros momentos do esporte na cidade; b) aborda as mais distintas experiências de modalidades e clubes, inclusive alguns fatos pouco conhecidos ou práticas não stricto sensu consideradas esportivas, mas que com o fenômeno dialogaram; c) se insere num conjunto mais ambicioso de ações. Ao dizer isso, obviamente, não acho que esta obra substitua as outras. Muito pelo contrário, procura a elas se somar, reconhecendo seu valor e sua importância.

A propósito, devo de pronto assumir que, até mesmo pelas próprias características do livro, são superficiais algumas abordagens no trato de certos temas. Parte desses limites espero serem sanados na produção de caráter acadêmico. Devo, de toda forma, de antemão, pedir desculpas por qualquer imprecisão. Espero que se tenha em conta que sou um recém-convertido a Niterói.

Carioca convicto, daqueles que se derramam de amor por sua cidade, estudioso do Rio de Janeiro há mais de 20 anos, sempre leal, jamais fui fiel a minha terra. Já declamei e registrei minha paixão por duas outras localidades que também investiguei e bem conheço, Lisboa – a capital de Portugal, e Mindelo – a capital da Ilha de São Vicente, Cabo Verde. Agora, faço o mesmo com Niterói.

Curiosamente, sempre estive perto dessa cidade e nunca a tinha olhado com mais cuidado, mesmo que nos meus estudos frequentemente surgisse algo a respeito dela, como se a chamar a atenção do pesquisador obtuso que não consegue ver o óbvio. Uma série de coincidências acabou por me mostrar o óbvio: a beleza e a trajetória incomum da terra de Arariboia.

Ao olhar com maior acuidade para esse lado da Baía de Guanabara, passei também a encarar distintamente a história do Rio de Janeiro, a entendendo como parte de uma experiência compartilhada, uma “experiência guanabarina”, a experiência de duas cidades-irmãs que jamais vão se separar porque celebram diferenças e similitudes, especificidades sim – claras e óbvias – mas também um passado em comum.

O processo de investigação que conduziu a este livro me deixou ainda mais encantado por Niterói, de tal maneira que o produzido é tanto a manifestação de uma nova paixão por uma cidade quanto do desejo de contribuir, de alguma forma, para que não se esqueça o passado dessa terra, dessa gente, desse povo. Desejo muito que cada niteroiense se veja um pouco nessa obra, e que os de fora sintam mesmo alguma inveja e curiosidade sobre a Cidade Sorriso.

Devo agradecer aos que mais ajudaram a tornar realidade este livro. Juliana Carneiro é uma nova amiga de décadas. Com ela divido a aventura de uma tese de doutorado e o risco de pensar num mundo melhor. Ela me abriu as portas da cidade e foi estímulo constante. André Diniz foi entusiasta desde o primeiro momento, compreendendo essa iniciativa como parte de seus compromissos com a cultura. Sua generosidade a todo momento enterneceu meu coração. Sílvia Borges foi companheira fundamental para viabilizar com carinho esta obra. José Antônio, do Centro de Memória Fluminense/Universidade Federal Fluminense, foi parceiro atento e entusiasta. A O Fluminense e à Biblioteca Nacional agradeço pela cessão das imagens, bem como a Leonardo Bertolossi pela pesquisa de imagens. Aos antigos pesquisadores de Niterói, da história da cidade e da história do esporte, devo muito pelas lições que me permitiram trilhar um caminho mais seguro. À Fundação de Arte e à Prefeitura de Niterói, agradeço pelo apoio para execução do projeto. Espero que faça jus ao que merece a cidade. Nenhum deles é, obviamente, responsável pelos deslizes e equívocos que podem ter essa obra.

A você, leitor(a), agradeço desde já a companhia. Sentir-me-ei pleno se você, ao ler este livro, tiver ao menos 50% do prazer que tive ao escrevê-lo.

VICTOR MELO

Niterói/Rio


El rat-pick: caza de ratas en el Montevideo del siglo XIX

22/05/2021

por Gastón Laborido (gaston_laborido1@hotmail.com)

Espectáculos sangrientos en el Montevideo del siglo XIX

Durante el siglo XIX, en Montevideo hubo diversas actividades recreativas y algunas de ellas incluían el empleo de animales. Las prácticas de entretenimiento de una sociedad nos permiten comprender la dinámica social de una población, puede ser muy útil para la comprensión histórica de la estructura socio-cultural de una época. En el caso montevideano, eran espectáculos muy recurrentes que aglomeraban a muchas personas. Varios de ellos se caracterizaban por el castigo físico tanto con hombres como con animales. De alguna manera era el reflejo de una sociedad marcada por el espectáculo de la sangre y la muerte, que estaban en todos lados.

A modo de ejemplo, en el siglo XIX era común el permanente duelo con armas blancas y la brutalidad de los enfrentamientos a “duelo criollo”. En las crónicas que han quedado sobre las guerras civiles a caballo y lanza y en las cuchillas, los testimonios son elocuentes sobre la postura ante el horror de los espectáculos de sangre y las mutilaciones. El espectáculo de la sangre y la muerte estaba en todos lados. Pero esa situación cambió desde fines del siglo XIX e inicios del siglo XX, sobre todo durante el primer Batllismo, con la transición de una cultura bárbara al disciplinamiento.

Estas categorías son útiles para comprender el caso uruguayo. El historiador José Pedro Barrán (1990) describió dos sensibilidades diferentes (la “cultura bárbara” y el “disciplinamiento”) y que tienen un punto de inflexión en 1860. De alguna manera, esos conceptos describen dos polos, dos culturas que coexistieron en la sociedad uruguaya.

El Batllismo se propuso, entre otras cosas, dos cruzadas ideológicas que denotan el cambio de sensibilidad y su relación con el deporte y los espectáculos. Acorde a los principios humanitarios que movilizaron a José Batlle y Ordóñez, por un lado se inició el proceso de la ley proponiendo la abolición de la pena de muerte. Por otro lado, también estuvo la campaña tendiente a suprimir los espectáculos en que sufrían o morían los animales.

En esta ocasión, nos interesa repasar uno de los espectáculos del siglo XIX, que a partir de 1900 fue decayendo y terminó vedándose. Paulatinamente, ciertas actividades se fueron prohibiendo como resultado del cambio de sensibilidad del Uruguay del siglo XX. Concretamente describiremos el rat-pick. Para describir este espectáculo popular decimonónico, tomaremos como referencia a José Enrique Rodó (1871-1917), uno de los mayores representantes de la generación del 900 en Uruguay; quien en su obra “El mirador de Próspero” hace una fuerte condena.

Si bien describiremos el rat-pick, no debe olvidarse que también se realizaban otros espectáculos en la época, tales como peleas de box, riñas de gallos, plazas de toros y el tiro a la paloma. Estas prácticas eran propias de una cultura bárbara, que se manifestaban a la par de una sociedad que practicó la violencia física y la justificó como forma de dominación del Estado.

El rat-pick

Uno de los espectáculos que alcanzó enorme popularidad en el siglo XIX fue el “rat-pick”; aunque no debe olvidarse las riñas de gallos. Este espectáculo consistía en que perros especialmente aptos para ello perseguían a ratas acosadas, mientras el público hacía sus apuestas. El rat-pick como espectáculo llegó a generar que uno de los mayores representantes de la generación del 900 en Uruguay, José Enrique Rodó (1871-1917), escribiera sobre el curioso espectáculo en 1907:

El rat-pick no es sino la caza de la rata por los grifos rateros que llaman fox-terriers. Esta caza da pretexto a un juego de sport. Frente a las gradas de los espectadores, un recuadro, cercado de madera, sirve de palenque. Tres fox-terriers aguardan encerrados en otras tantas casillas, simultáneamente con la trampa en que traen a la rata, la cual, despavorida, busca huir, mientras los perros se lanzan en competencia sobre ella: el que primero la atrapa es el ganador. Veces hay en que la rata se resiste y muerde; pero claro está que no llega el caso de que escape a las mandíbulas de sus perseguidores. Pronto los canes, disputándosela, arrancándosela uno a otro, la truecan en piltrafas sangrientas: dase, con esto, por terminada una tanda, y a los breves minutos se entra a otra (Rodó, José E., 1965, p. 54-55).

Se contaba para esa clase de espectáculos con ratas de los basurales de Punta Carretas, que eran atacadas y muertas por perros ratoneros, apostándose importantes sumas de dinero sobre el éxito de los canes.

El rat-pick, como casi todo espectáculo de sport, es invención de ingleses y ocasión frecuentemente elegida entre ellos para despuntar el vicio de la apuesta, por la gente del vulgo y también por la ociosa juventud aristocrática. Excluiré, desde luego, de mi comentario, lo que se refiere a esta intervención del juego de azar; no sólo porque nos llevaría a moralidades muy triviales, sino porque confieso que no es la nota reprobable que más subleva mi espíritu en esta baja diversión (…). (Rodó, José E., 1965, p. 55).

La Inglaterra Victoriana tenía gusto por las peleas de animales. Durante gran parte del siglo XIX y hasta 1912, cuando se celebró por última vez el espectáculo en Leicester (centro de Inglaterra), fue muy popular, reuniendo a aficiones en pubs y lugares clandestinos a un gran número de personas de toda clase social para apostar y ver cuántas ratas era capaz de cazar un perro. Una cruel afición que generó un extraordinario interés por parte de todo aquel que tenía ganas de realizar una apuesta y ver un espectáculo extremo (y desagradable).

Tan peculiar divertimento tendría su punto final en el acta contra la crueldad de animales de 1835 donde se prohibía este tipo de “deportes”. Sin embargo, por algún raro motivo, hubo una “especialidad” que fue considerado un juego de apuestas y escapó de esta prohibición. Fueron los Rat-Baiting o Rat-Pits, pozos repletos de ratas donde un perro debía de matar el mayor número de ellas en el menor tiempo posible. En esta modalidad, básicamente ganaba el perro que más ratas matara en menos tiempo. Se estima que cinco segundos por rata era una medida aceptable y quince ratas por minuto una marca difícil de superar.  Hubo gran cantidad de estos pozos de pelea por todo el Reino Unido y especialmente en Londres donde todas las noches se celebraban estos peculiares eventos.

En Montevideo, el rat-pick tuvo gran éxito y uno de sus momentos de auge fue en 1876. El más importante de ellos funcionó en Convención 217, entre Canelones y Maldonado, apenas a una cuadra y media del domicilio del Coronel Lorenzo Latorre.

Cabe destacar que con la llegada del siglo XX la afición por el rat-pick descendió considerablemente. Vulgarizado años más tarde, decayó su atractivo. José Enrique Rodó condenó el espectáculo del rat-pick. La perspectiva de Rodó se inscribe en el contexto de la sociedad del 900, en el marco de la transición de la cultura bárbara a la disciplinada. La condena de Rodó es muy elocuente:

En cambio, este abominable rat-pick no se ilumina con el más tenue rayo de gracia o hermosura. Es tan bajo espectáculo, todo es feo, es desagradable, todo es ruin. Fea es la víctima, feo el victimario, feo el aspecto de la lucha, o más exactamente, de la caza. Y la inferioridad estética no está compensada por ninguna ventaja de orden moral. En las lidas de toros no es posible negar que la barbarie tiene cierta atenuación de nobleza, que consiste en la exposición que el hombre hace de su vida. (…). (Rodó, José E., 1965, p. 58).

Para Rodó se trataba de un espectáculo dantesco y antipático desde el punto de vista moral:

Pero en la lucha entre los dientes ratoniles y la mandíbula del fox-terrier, la víctima está indicada de antemano. Es la inmolación del débil por el fuerte; del condenado, por el verdugo; es decir: lo más antipático que cabe como objetivo del sentido moral. Y quien arguya que en este caso el débil es una alimaña repulsiva y dañosa, demostrará no darse cuenta del carácter de la inmoralidad, la cual procede, no del exterminio en sí mismo, que puede ser necesario o útil, sino del exterminio abstraído de la utilidad y convertido en juego; de la indignidad del goce que se obtiene en la contemplación del exterminio. Aun ateniéndonos a la pura consideración de gusto con que nos autorizamos a tildar de repulsiva a la rata, más repulsivo y de perverso gusto es el espectáculo de su sacrificio. Por lo demás, en esto de distribuir repugnancias y reprobaciones entre los seres que tripulan, junto con nuestra aristocrática especie, la nave del mundo, ha de andarse con tiento. (…). (Rodó, José E., 1965, p. 59-60).

También José Enrique Rodó plantea la condena al rat-pick con una profética denuncia a la crueldad espectacularista y consumista de la cultura bárbara:

Hay una forma o especie de la imaginación creadora, que bien merecería ser estudiada por Ribot, y mejor aun, por quien reuniese la potencia analítica y los cálidos colores de un Taine. Es la imaginación aguijoneada e inspirada por el sentimiento de crueldad, para desarrollar la fuerza inventiva que crea castigos, suplicios, máquinas de tormento y de muerte, y también juegos, fiestas y deportes en el que el dolor ajeno es motivo de deleite. ¡Qué interesante historia sería esta! Cuando se piensa que en la Roma de los Antoninos, dentro de uno de los más espléndidos florecimientos de la cultura del espíritu y las ideas liberales que presente la historia de la humanidad, la arena del circo se teñía, ante un concurso en gran parte aristocrático, con la sangre de los gladiadores y las fieras, y por fin del espectáculo, algunos de los espectadores, para mostrar su archicorazón, como diría Gracián, solían bajar a la arena, y metían la mano en las heridas de las víctimas, y les arrancaban las entrañas palpitantes, no puede menos de conceder el más optimista que las exterioridades de benevolencia y pulcritud con que la civilización decora la naturaleza del hombre, son una corteza muy liviana, y que por bajo de ellas, pronta a incorporarse al más leve rasguño, la fiera duerme o dormita… ¿La fiera? No. ¿Por qué hemos de calumniar a las fieras? Esto de la crueldad como espectáculo, como deleite inútil, como “finalidad sin fin”, según la célebre forma del arte, es privilegio humano; y toca a la materna Roma el triste honor de haberlo asimilado a las costumbres y embellecido con las pompas de la civilización, comunicando a la maldad un carácter de dilettantismo que no tuvo en los más sangrientos delirios del Oriente. El animal es cruel. La fatalidad universal de la lucha no admite exención ni tregua, y la eterna dualidad de la víctima y el victimario se manifiesta en la naturaleza con rigores a menudo atroces; por más que sea justo agregar que la observación humana se ha detenido hasta ahora, casi exclusivamente, en este aspecto de las relaciones entre los seres vivos, y no en los rasgos de mutua cooperación y mutuo auxilio entre aquellos seres; riesgos que atenúan la crudeza de la guerra natural con toques de piedad y simpatía. Pero en las mayores crueldades de la bestia el acicate es la necesidad individual, o bien el estímulo de las necesidades de la especie, cuya sugestión se acumula y asienta en odios instintivos. Cuanto puede acontecer de más es que, en el ejercicio de la caza de que se alimenta, el animal a quien la obtención de su presa cuesta menos gasto de energías que las que es capaz de desplegar, emplee el exceso dinámico en prolongar y complicar la caza como diversión o juego, ocasionando así la angustia y padecimiento de la víctima. (Rodó, José E., 1965, p. 60-61).

La prohibición de los espectáculos sangrientos

A partir de 1900 algunas modalidades de juegos y entretenimientos populares fueron decayendo. A su vez, Uruguay tuvo un período a comienzos del siglo XX, en el que adoptó una legislación vanguardista para la época. Fue tal el impacto de las reformas en las primeras décadas, que fue objeto de críticas al punto que algunos plantearon que el país se estaba convirtiendo al socialismo.

El proceso reformista, eliminó la pena de muerte en 1907, en 1913 se aceptó el divorcio por la voluntad de la mujer, en 1915 se legisló sobre la jornada laboral de ocho horas y con la Constitución de 1917 se sentó las bases para el voto de las mujeres. Esas leyes reflejan el avance del Uruguay para la época.

Respondiendo a la filosofía humanitarista que reveló tantas leyes en el período batllista, se pensó en la prohibición de las peleas de box, las corridas de toros, la riña de gallos, el rat-pick y el tiro a la paloma y cualquier otro entretenimiento capaz de constituir una causa de mortificación para el hombre o los animales. Por lo tanto, la supresión de la pena de muerte, la motivación de las leyes de divorcio, la prohibición del rat-pick y las corridas de toros, fueron motivadas total o parcialmente por esa intención humanitarista batllista.

Los espectáculos fueron prohibidos por la ley 5.657 de 1918. Dicha norma disponía:

«El Senado y Cámara de Representantes de la República Oriental del Uruguay, reunidos en Asamblea General, decretan:

Artículo 1º.- Prohíbese en todo el territorio nacional los concursos o torneos (matches) de box (peleas de animales); las parodias de corridas de toros, cualquiera sea su forma o denominación; las riñas de gallo; el rat pick y todo otro juego o entretenimiento a campo abierto o cerrado o en locales que pueda constituir una causa de mortificación para el hombre o los animales.

2º.- Los empresarios, promotores o propietarios de locales o juegos a que se refiere el artículo anterior, incurrirán en una multa de $100 a $ 500.

3º.- Las disposiciones del artículo procedente es sin perjuicio de la facultad que tiene la autoridad policial de hacer cesar de inmediato todo espectáculo prohibido por esta ley y todo acto de crueldad con los animales.

4º.- El enjuiciamiento y castigo de las faltas a que esta ley se refiere lo mismo que todas las faltas comprendidas en el Libro III del Código Penal, corresponde a los jueces de Paz de las secciones respectivas, quienes procederán breve y sumariamente con apelación ante el Juez Letrado Correccional en Montevideo y ante los jueces Departamentales del Interior.

5º.- El producido de las multas a que se refiere el artículo 2º se destinará al tesoro de la asistencia pública nacional.

6º.- Comuníquese, etc. Sala de Sesiones de la honorable Cámara de Senadores, en Montevideo a 15 de abril de 1918.»

Con la prohibición de este tipo de actividades y el estímulo de la actividad física y el ocio en espacios verdes deportivos se buscaba cambiar los hábitos de la población en el tiempo libre. De alguna manera, se trató de manifestaciones de una sociedad en transición de modernización capitalista, proceso enmarcado en el “disciplinamiento” de la sociedad uruguaya del 900.

Referencias:

  • BARRÁN, José Pedro (1989). Historia de la sensibilidad en el Uruguay, tomo 1, la cultura “bárbara” (1800-1860). Montevideo: Banda Oriental.
  • BARRÁN, José Pedro (1990). Historia de la sensibilidad en el Uruguay, tomo 2, el disciplinamiento (1860-1920). Montevideo: Banda Oriental.
  • BUZZETTI, José y GUTIÉRREZ CORTINAS, Eduardo (1965). Historia del deporte en el Uruguay (1830-1900). Montevideo: Ed. De los autores.
  • GOMENSORO, Arnaldo (2015). Historia del Deporte, la Recreación y la Educación Física en Uruguay. Crónicas y relatos. Montevideo: IUACJ.
  • MELO, Victor Andrade de (2004). Los primeros tiempos del deporte en la ciudad de Rio de Janeiro. Brasil. En: Cultura, ciencia y deporte; v. 1 (n° 1), Murcia (pp. 7-13).
  • MELO, Victor Andrade de (2015). O esporte: uma diversão no Rio de Janeiro do Século XIX. En: Revista Brasileira de Estudos do Lazer; v. 2 (n° 3), set./dez. 2015, Belo Horizonte (pp. 49-66).
  • RODÓ, José Enrique (1965). El mirador de Próspero. Montevideo: Biblioteca Artigas.

Um clube de ciclismo no bairro de Realengo

20/03/2021

Por Victor Andrade de Melo

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Este post é parte de um artigo que escrevi com o camarada Nei Jorge Santos Júnior e acabou de ser publicado na revista Antíteses (v. 13, n. 26, jul./dez. 2020). Quem curtir e desejar acessar o texto completo, pode encontrá-lo aqui: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/antiteses/article/view/40025

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Nos anos 1920, foram criados dois clubes de ciclismo pioneiros no subúrbio, o Ciclo Suburbano Clube (de Madureira) e o Velo Esportivo de Ramos. Na década de 1930, várias sociedades semelhantes foram fundadas nos bairros da região. Segundo Melo e Santos Junior (2020): “Juntamente com o futebol, o esporte do pedal parece ter sido, naquele momento, por suas características, o que mais percorreu a cidade de ponta a ponta, criando uma certa capilaridade e estímulo para a prática” (p. 13).

Para entender a criação do Realengo Pedal, deve-se ter em conta as mudanças que houve no bairro. De um lado, se fortaleceu uma sociedade civil que em definitivo assumiu a liderança das reivindicações locais, semelhante ao que ocorria em outras regiões do subúrbio. De outro lado, não se reduziu a importância das unidades do Exército. Os militares de mais alta patente seguiam integrando a elite local.

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Vista Aérea de Realengo/ Escola de Aeronáutica Militar, 1939.
Acervo: Museu Aeroespacial.
Disponível em: < http://brasilianafotografica.bn.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7352&gt;.

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Nesse cenário, houve uma dinamização da vida social. Deve-se fazer uma referência à abertura, em 1938, do Cine Theatro Realengo, uma grande sala que acolhia mais de 1000 pessoas. Por seu estilo arquitetônico, pelas fitas exibidas, pela movimentação causada ao seu redor, foi mais um dos indicadores da circulação de ideias de modernidade no bairro.

O ciclismo era um esporte que mobilizava noções interessantes à elite local. Desde o século XIX, era encarado como sinal de civilização e progresso, exponenciando símbolos que se forjaram ao redor do uso das bicicletas: velocidade, mobilidade, liberdade.

Melo e Santos Junior (2020) sugerem que, naqueles anos 1930, a bicicleta “ainda era um produto caro, mas já bem mais barato do que fora no século XIX, quando era totalmente importada. Na primeira metade do XX, já era montada no Brasil e a indústria nacional produzia algumas peças” (p. 14). De toda maneira, mesmo que começando a se popularizar, o ciclismo ainda se tratava de uma modalidade majoritariamente praticada por gente de estratos médios ou altos, o que seria também um fator de diferenciação num bairro em que o popular futebol se espraiava.

Um primeiro indício da prática do ciclismo no bairro foi identificado em 1930, o anúncio de uma competição promovida pelo Cycle Carioca Club de Realengo. A notícia dá a crer que era um evento muito bem organizado. Todavia, não conseguimos mais informações sobre ele, bem como sobre a sociedade promotora.

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Estação de Realengo, 1903.
Revista da Semana, 15 nov. 1903.
Disponível em: <http://www.estacoesferroviarias.com.br/efcb_rj_mangaratiba/fotos/realengo9061.jpg&gt;.

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Ainda se pode ver sua participação em algumas provas, como uma promovida pelo Velo Esportivo de Ramos, em 1931, mas a agremiação parece mesmo ter sido de curta duração. De toda forma, deixou latente a ideia de que, em Realengo, havia interessados no ciclismo.

Esse interesse ficou claro alguns anos depois, em dezembro de 1937, quando uma sociedade carnavalesca, Caprichosos de Realengo, realizou o “Dia Esportivo de Realengo”. Atraíram muitos interessados as provas organizadas pela Liga Carioca de Ciclismo e Motociclismo por meio de seu diretor Oswaldo Moreira Guimarães, funcionário civil da Escola Militar, “um dos grandes animadores do esporte do pedal nos subúrbios”, promotor de muitas competições importantes do ciclismo carioca.

Um cronista celebrou o evento como uma ocasião para estimular a prática e revelar valores da região, uma “oportunidade para mostrarem a sua fibra”. Em 1938, fundou-se o Realengo Pedal Clube, com sede na Estrada Real de Santa Cruz. Logo estava filiado à Liga Carioca e participando das provas pela entidade promovidas. Em maio, obteve inclusive bons resultados em competição realizada no Campo de São Cristóvão.

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Dirigível no campo de tiro de Realengo, 1894.
Acervo: Musée de L’Air Le Bourget.
Disponível em: < http://historia-de-realengo.blogspot.com/2009/11/historias-perdidas-no-tempo-pioneiros.html&gt;.

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No mesmo ano, a agremiação promoveu pela primeira vez o Circuito Ciclístico de Realengo, em homenagem e contando com apoio do comércio da região. Essa foi uma ocorrência comum em muitos bairros do subúrbio, o incentivo do setor a ações que contribuíssem para o desenvolvimento local, para o forjar de uma ideia de que na área também se estruturavam iniciativas que expressavam adesão a ideais de civilização e progresso.

Um dos ciclistas da agremiação, João Athayde, logo se destacou nas competições, tornando-se mais famoso quando se tornou detentor de um dos primeiros recordes aferidos da modalidade no Brasil. Sua ascensão foi meteórica. Meses antes disputara uma prova para iniciantes dos subúrbios, num momento em que o Realengo Pedal começou a se destacar por inscrever grande número de competidores.

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Equipe do Realengo Pedal Clube.
Esporte Ilustrado, 28 dez. 1938, p. 28.

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Quem eram esses ciclistas mais usuais? Já citamos o vencedor João Carneiro Athayde, funcionário do Ministério da Agricultura. Abel Lopes Garcia foi um costumeiro competidor, chegando a obter bons resultados em muitas pelejas; nada conseguimos saber sua vinculação laboral, somente que era morador de Realengo. O mesmo pode-se dizer de Acyr Gevarzoni, Alceu de Oliveira Souza, José Ribeiro da Silva (atleta negro que depois se transferiu para o Ciclo Suburbano) e Francisco Gomes Bezerra.

A falta de outras referências que não as esportivas nos dá a noção de que se tratava de “gente comum”, isso é, trabalhadores de estrato médio que se dedicavam ao esporte em seu tempo disponível. A propósito, também não localizamos muitas informações sobre a diretoria da agremiação. O único mais conhecido era José Reny de Araujo, antigo ciclista, dirigente e organizador de provas.

No ano de fundação, o clube participou da principal prova do ciclismo fluminense à ocasião, o Circuito do Rio de Janeiro, já na sua sexta edição. Entre os 13 clubes que tomaram parte na peleja, foi um dos cinco que mais inscreveu atletas, entre os quais o vencedor, o citado João Athayde.

Nessa edição, se explicitou uma disputa que vinha se delineando nos anos anteriores em função do espraiamento do ciclismo pela cidade:

Há um detalhe interessante que o público desconhece e que se torna necessário esclarecer. Existe uma rivalidade esportiva entre os ciclistas da cidade e os suburbanos, e nunca houve uma oportunidade para um confronto de forças como o que agora se oferece.

Percebe-se no discurso a oposição entre a “cidade” e o “subúrbio”, como se esse não fizesse parte do primeiro. Deve-se considerar que o jornal A Noite, promotor da competição, estimulava essa rivalidade para chamar a atenção do público, mas, na verdade, ela vinha mesmo se acentuando em função dos bons resultados obtidos por ciclistas do Ciclo Suburbano (MELO, SANTOS JUNIOR, 2020). Um cronista chegou a comentar que “sabido (…) é que os subúrbios têm sido um verdadeiro celeiro de bons corredores”.

Na ocasião do VI Circuito do Rio de Janeiro, outro ciclista do subúrbio se destacou, um dos que se tornaria dos mais vitoriosos de seu tempo, Lavoura (Antonio Teixeira da Fonseca), da União Ciclística de Campo Grande. Essas conquistas eram muito valorizadas pelas lideranças suburbanas, mobilizadas como indicador dos avanços civilizacionais da região.

Em 1940, ainda estava ativo o Realengo Pedal Clube. Participou de competições, em algumas obtendo bons resultados, e promoveu sua prova anual, parte do calendário ciclístico da Liga. Marcou presença até mesmo na atividade de encerramento da temporada. No ano seguinte, contudo, já não encontramos mais notícias sobre a agremiação.

Não conseguimos saber os motivos para seu fim. Identificamos que alguns ciclistas se transferiram para a União Ciclística de Campo Grande, entre os quais João Athayde, que seguiu obtendo bons resultados. De toda forma, ainda que breve, foi marcante a trajetória do Realengo Pedal Clube, expressão das mudanças e particularidades daquele bairro da zona suburbana.

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* Referência

MELO, Victor Andrade de; SANTOS JUNIOR, Nei Jorge. Faces da modernidade: a experiência do Ciclo Suburbano Clube (Madureira/Rio de Janeiro – décadas de 1920-1960). Revista Tempo e Argumento, 12(30), e0202, 2020. https://doi.org/10.5965/2175180312302020e0202


Projeto Roteiros Sportivos – Roteiro 2 – Remo

22/01/2021

O projeto “Roteiros Sportivos” objetiva apresentar um pouco da história do Rio de Janeiro por meio de suas experiências de diversão, entre as quais as relacionadas ao esporte. A iniciativa ajuda também a refletir sobre as mudanças urbanas e de comportamento da cidade.

O primeiro roteiro foi dedicado ao Jogo da Bola. Para mais informações: https://historiadoesporte.wordpress.com/2020/12/13/projeto-roteiros-sportivos-roteiro-1-jogo-da-bola/

Esse segundo roteiro é dedicado ao Remo. O mapa identifica, na cidade do Rio de Janeiro da atualidade, locais onde a prática teve sítio nos séculos XIX e XX.

Mais do que um esporte, o remo foi um importante agente na mudança de relação da população do Rio de Janeiro com o mar, estimulando a adoção de novos hábitos sociais, a circulação de novos padrões de masculinidade e a maior participação feminina na vida pública.

No mapa, pode-se ter uma noção das grandes mudanças urbanas do Rio de Janeiro, especialmente no que tange às alterações do litoral. Muitas praias onde se praticava o esporte não mais existem. Outras estão tão degradadas que mal se pode crer que eram espaços bucólicos de celebrações esportivas.

Para acessar o mapa:

https://www.google.com/maps/d/u/2/edit?mid=1VxdXEahzmfaOLopgHgIbRuerD4s0nRhO&usp=sharing

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Para mais informações:

* MELO, Victor Andrade. Entre a elite e o povo: o sport no Rio de Janeiro do século XIX (1851-1857). Tempo, Niterói, vol. 21, n. 37, p. 208-229, 2015.

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-77042015000100011&script=sci_abstract&tlng=pt

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* MELO, Victor Andrade. O sport em transição: Rio de Janeiro, 1851-1866. Movimento, Porto Alegre, v. 21, n. 2, p. 363 – 376, 2015.

https://seer.ufrgs.br/Movimento/article/view/49489

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* MELO, Victor Andrade de. Remo, modernidade e Pereira Passos: primórdios de uma política pública de esporte e lazer. Esporte e Sociedade, Rio de Janeiro, v.1, n. 3, 2006.

http://www.esportesociedade.uff.br/esportesociedade/pdf/es305.pdf

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* MELO, Victor Andrade de. Camadas populares e o remo no Rio de Janeiro da transição dos séculos XIX/XX. Movimento, Porto Alegre, v. 6, n. 12, p. 63 – 76, 2000.

https://seer.ufrgs.br/Movimento/article/view/2501

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* MELO, Victor Andrade de. O mar e o remo no Rio de Janeiro do século XIX. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 13, n. 23, p. 41 – 60, 1999.

http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/view/2088

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Ficha Técnica: Marcus Macri e Victor Melo

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Los primeros momentos del turf en Montevideo: el Hipódromo Nacional de Maroñas (1888)

15/12/2020

Gastón Laborido (gaston_laborido1@hotmail.com)

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Hipódromo Nacional de Maroñas, Enrique Moneda, 1900. Imagen tomada de: http://bibliotecadigital.bibna.gub.uy:8080/jspui/bitstream/123456789/18588/3/postal_D11070.jpg

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Montevideo en los últimos años del siglo XIX

¿Cómo pensar un abordaje de la historia del turf en Montevideo? Partimos de los aportes que ha realizado Victor Andrade de Melo, quien cuenta con numerosos trabajos sobre historia del deporte para el caso de Brasil y específicamente en Río de Janeiro. El autor nos sugiere, que es necesario considerar a la historia del deporte como una historia de las prácticas del entretenimiento (Melo, 2015). Melo analiza la conformación del Deporte carioca como una diversión en Rio de Janeiro en el siglo XIX.

Por otro lado, Victor Andrade de Melo también asevera que la práctica deportiva de la población brasileña puede ser muy útil para la comprensión histórica de la estructura socio-cultural de una época (Melo, 2004). Esta segunda línea interpretativa también guiará este trabajo, tratando de comprender el caso montevideano. El espíritu del trabajo es aproximarnos a los sentidos y significados para las clases sociales que tiene el deporte, en este caso, el turf.

Debemos comenzar por las características de la sociedad montevideana en los últimos años del siglo XIX. En 1889 se realizó un censo en Montevideo y en 1900 se hizo uno de todo el país. Para 1889 se estima que Montevideo tenía unas 215.000 personas, mientras que el resto del país 711.000 habitantes.  Por otro lado, se calcula que el 18% de la población total del país eran extranjeros, lo que nos indica que era un número alto. Pero si se mira solamente Montevideo, la presencia extranjera a fines del siglo XIX rondaba los niveles del 40%.

La estructura social era muy estratificada, con forma piramidal de base ancha en donde se ubicaban las llamadas “clases y etnias dominadas”, un sector de capas medias que creció con la inmigración y el ascenso social de los extranjeros y un pequeño sector compuesto por las élites dominantes (Duffau y Pollero, 2016, p. 199). En esa sociedad de tipo rígida, existían algunos casos de movilidad social. Como indican Duffau y Pollero “la posibilidad de ascender económicamente conformó un sector intermedio que incluyó a artesanos, comerciantes de ciudades y pueblos, funcionarios burocráticos, militares con grado, así como personas que se dedicaron al ejercicio de profesiones, caso del derecho o la medicina” (2016, p. 200).

En la parte superior de la pirámide se encontraba la “oligarquía mercantil agraria” (prósperos empresarios y terratenientes –muchos extranjeros-, denominad patriciado local). Esta clase constituyó la clase política dirigente del período colonial y la primera mitad del siglo XIX. En las familias del patriciado era común tener muchos hijos como estrategia de reproducción social y consolidad su posición social.

Luego, entre los sectores económicos ascendentes se encontraban los inmigrantes que se habían dedicado a actividades agropecuarias y comerciales. Este sector a mediados del siglo XIX se incorporó a las elites a través de enlaces matrimoniales que se convirtieron en base del patrimonio y el prestigio.

De acuerdo al historiador Henry Finch (2014), los orígenes de la clase media urbana está en el último cuarto del siglo XIX. Coincide con una época de inserción de Uruguay en un sistema económico global dirigido por Londres y los inmigrantes europeos. El proceso económico uruguayo del último cuarto del siglo XIX implicó la fuerte presencia británica en la región lo que provocó el debilitamiento del patriciado producto de la pérdida de sus intereses en la tierra, el comercio y los saladeros, a manos de los europeos.

La clase dirigente urbana estaba vinculada fundamentalmente al comercio y a las finanzas. En la década de 1880 los inmigrantes de épocas anteriores que pasaron a ocupar posiciones relevantes dentro de la elite económica fueron reforzados por la ola de recién llegados del sur de Europa. El efecto fue el “rápido crecimiento de la capital, crearon un mercado doméstico “masivo” por vez primera, e introdujeron la capacidad empresarial para explotarlo (…). Algunos inmigrantes se enriquecieron a través de la industria, pero la estructura económica de fin de siglo estaba firmemente asentada sobre el comercio y la ganadería” (H. Finch, 2014, p. 54).

La historiadora Alba Mariani (2013) investiga los negocios británicos en el Río de la Plata, analizando diferentes personajes británicos del círculo comercial y financiero. Existen varios casos y personajes que son objeto de estudio en sus investigaciones, pero hay uno que nos interesa debido al vínculo con nuestro tema: Tomas Tomkinson (1804-1879). Su padre arribó al Río de la Plata en 1806 con las invasiones ingleses, integrando los batallones de rifleros reales  Tomas Tomkinson nació en Endon, Reino Unido pero desembarcó en Montevideo en 1828 a los 24 años como representante e intermediario de la casa importadora “Stanley, Black and Co.”, firma que con posterioridad se transformó y giró bajo la razón social “Tomkinson ando Co.”.

Tomas Tomkinson incursionó en la principal industria del país: el saladero. Fue propietario del saladero Casa Blanca en el Cerro con gran actividad anual, se sacrificaban entre 35 a 40 mil cabezas de ganado vacuno al año. También fue parte del directorio del Ferrocarril Central; uno de los fundadores del Banco Comercial (1858) y uno de los fundadores de la ARU en 1871 (Asociación Rural del Uruguay). Además, tenía gran atracción por los caballos, lo que explica porque en 1875 fue el promotor de una Sociedad Hípica e Hipódromo. Comenzaría así el proyecto para el hipódromo de Maroñas.

Los inicios del turf en Montevideo

La fuerte presencia inglesa en el Río de la Plata supuso la implantación de los deportes modernos. En el Uruguay, la práctica de los deportes modernos surgió naturalmente en la colectividad británica. La última década del siglo XIX inauguró una etapa de cambio en el deporte uruguayo: a-surgieron numerosos clubes; b- se registró el desarrollo intensivo del fútbol; c- iniciación del proceso de integración masiva del criollo en el deporte.

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Plano de Montevideo, 1905. Imagen tomada de: https://www.pinterest.com/pin/527413806337159844/

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La influencia británica se aprecia en el turf, por ejemplo, en las primeras carreras de caballos en Montevideo. En enero de 1855 se iniciaron las carreras extranjeras llamadas también inglesas en las inmediaciones del saladero de Legrís.

Arnaldo Gomensoro (2015) señala que las carreras “a la inglesa” tenían como escenario los hipódromos. El primero de ellos se construyó en Punta Carretas en 1861, donde hoy se ubica el centro comercial (shopping) de esa zona.

En la década del 70 del siglo XIX, más allá de la Plaza de Toros de la Unión funcionaba otro hipódromo inaugurado en 1867 para “Carreras Nacionales”, ubicado en las proximidades de Maroñas a impulso de la “Sociedad Hípica” presidida por el Gral. Francisco Caraballo. Como indica Aníbal Barrios Pintos (1971), hay registros de que en enero de 1872 corrían caballos de José Pedro Ramírez y del Gral. Caraballo y la prensa daba la cifra de $40.000 apostada a los caballos favoritos.

En 1875 Tomas Tomkinson y un grupo de ingleses estableció un hipódromo en Maroñas con la denominación de “Carreras de los ingleses”, que rápidamente dio animación a la zona. Este hipódromo fue construido en 1874 por la comunidad inglesa. El nombre que recibió el escenario fue “Nuevo Circo Pueblo Ituzaingó”, pero era conocido como el “Circo de Maroñas” en referencia al antiguo propietario de las tierras donde se instaló y donde está emplazado actualmente. Esos terrenos pertenecieron a Juan Maroñas, un importante pulpero de la zona.

El nombre originario del Hipódromo está vinculado al lugar donde nació. Del 19 de octubre de 1874 datan los planos del Pueblo Ituzaingó realizados por Demetrio Isola. En el siglo XX se transformó en uno de los barrios de Montevideo. Originariamente las calles llevaban nombres tales como Victoria, 18 de Julio, Cerrito, Sociedad Hípica. El barrio se trazó en torno a una capilla que había mandado erigir el ciudadano José Pedro Ramírez alrededor de un cuarto de siglo antes, por 1850. Dicha capilla es hoy la iglesia parroquial de Santa Rita y además santuario nacional de dicha santa católica.

Hoy las denominaciones del barrio hacen referencia principalmente a destacados miembros históricos del turf nacional, dado que en el lugar se halla el conocido Hipódromo Nacional de Maroñas, popularmente conocido como “el circo hípico de Ituzaingó”.

La pista original tenía una extensión de 1750 metros y, en sus primeros años, la organización de las carreras corría por parte de comisiones de propietarios y aficionados, hasta que el 14 de agosto de 1877 el gobierno nacional dictó el primer Reglamento de Carreras.

Diez años más tarde, en 1887 José Pedro Ramírez asumió la presidencia de la Comisión de Organización de las Carreras Nacionales y se convirtió en uno de los propietarios del Hipódromo junto a Gonzalo Ramírez y Juan y Alejandro Victorica.

El 15 de noviembre de 1888 se fundó el “Jockey Club” de Montevideo. Este hecho fue fundamental en la historia del Hipódromo de Maroñas, debido a que poco tiempo después el escenario fue adquirido por el Jockey Club de Montevideo, organizando las primeras Carreras Nacionales. El hipódromo fue inaugurado oficialmente el domingo 3 de febrero de 1889 la institución inició sus actividades organizando su primera reunión hípica. La primera carrera contó con una numerosa concurrencia, con la asistencia del entonces presidente de la República, general Máximo Tajes, quien fue uno de los representantes de los poderes públicos, dirigentes y socios del “Jockey Club” y miembros de la sociedad montevideana. El club tuvo como primer Presidente a Pedro Piñeyrúa y como vicepresidente a José Pedro Ramírez; Horacio Areco su tesorero y Carlos Sánez de Zumarán como secretario.

El primer Palco de Socios, hecho de tablones y chapa, había sido traído del paraje denominado Azotea de Lima, en la zona de Piedras Blancas, donde se corrieron las primeras carreras, pero el mismo fue sustituido en 1888 por una tribuna más amplia, realizada por el constructor italiano Ángel Battaglia, siendo el primer palco construido para Maroñas.

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Hipódromo Nacional de Maroñas. Al fondo: Palco de socios. Año 1895. (Foto: 0564FMHB.CDF.IMO.UY – Autor: Sin datos/IMO). El Palco de socios, fue proyectado y construido, probablemente, por el arquitecto Ángel Battaglia, socio fundador del Jockey Club de Montevideo. Imagen tomada de: https://cdf.montevideo.gub.uy/system/files/imagecache/Foto_destacada_645_430/fotos/564b.jpg

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El turf en Montevideo surgió entre las elites locales y sectores dominantes, como repasamos al inicio del texto. Cuando se analiza la lista de los socios fundadores “Jockey Club” de Montevideo se aprecia la fuerte presencia de hombres vinculados a la clase dirigente urbana: Enrique Aguiar; Horacio Areco (uno de los vecinos fundadores del Pueblo Ituzaingó y primer tesorero del club); Adolfo Artagaveytia (abogado, propietario del haras “las Acacias”); Alberto Calamet; Juan Carrara (también fundador del Pueblo Ituzaingó); Bernardino Dualde (también fundador del Pueblo Ituzaingó); Francisco Echagoyen (otro fundador del Pueblo Ituzaingó); Mariano Estapé (hombre de negocios español, vinculado a clubes sociales como Club Uruguay y Club Español, fue un destacado “turfman” y fundador del Pueblo Ituzaingó), José María Guerra (destacado “turfman”); Gerónimo Picioli (artista lírico italiano, realizo giras por Europa contratado por famosos empresarios ingleses y miembro fundador del Pueblo Ituzaingó); Pedro Piñeyrúa (primer presidente del Jockey Club -1888 a 1898- y fundador de Pueblo Ituzaingó); José Pedro Ramírez (abogado, nieto del saladerista José Ramírez Pérez, también fundador del Ateneo de Montevideo y docente); Gonzalo Ramírez (nacido en Río Grande del Sur, abogado, diplomático y nieto del saladerista José Ramírez Pérez); Francisco Sainz Rosas (también fundador del Pueblo Ituzaingó); Antonio Serratosa (médico español, también fue uno de los fundadores de la Sociedad de Medicina de Montevideo y del Hospital – sanatorio Español); José Shaw (hombre de negocios argentino); Juan Victorica (hombre de negocios uruguayo, fundador del Pueblo Ituzaingó y siempre vinculado como uno de los “turfman” de su tiempo)

El principal clásico del hipódromo es el Gran Premio José Pedro Ramírez que se disputa desde el 1° de enero de 1889, se corrió en su primera versión con el nombre de Gran Premio Internacional, el cual se mantuvo hasta 1914, adoptando su actual denominación un año más tarde. Actualmente se corre todos los 6 de enero, junto con otros premios de alto nivel (Gran Premio Maroñas, Gran Premio Ciudad de Montevideo y Gran Premio Pedro Piñeyrúa), siendo la jornada más importante de la agenda del Hipódromo. También se corre el Gran Premio Nacional desde 1888, actualmente esta carrera se celebra anualmente la primera o segunda semana de noviembre.

La actividad hípica tuvo un desarrollo rápido en Montevideo a fines del siglo XIX y se convirtió en un espectáculo de entretenimiento. Incluso, tenía mayor popularidad en la prensa escrita que el fútbol. Basta recorrer los periódicos de la época y se aprecia el lugar que se le otorgaba en la opinión pública.

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Hipódromo de Maroñas en la actualidad. Imagen tomada de: https://www.gustavomirabal.es/wp-content/uploads/2018/12/Hipodromo-de-Maronas.jpg

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Referencias:

  • BARRIOS PINTOS, Aníbal (1971). Los barrios (II). Montevideo: Nuestra Tierra.
  • BUZZETTI, José y GUTIÉRREZ CORTINAS, Eduardo (1965). Historia del deporte en el Uruguay (1830-1900). Montevideo: Ed. De los autores.
  • DUFFAU, Nicolás y POLLERO, Raquel (2016). Población y sociedad. En: G. Caetano (Dir.) y A. Frega (Coord.), Revolución, Independencia y construcción del Estado (pp. 175-222). Montevideo: Planeta.
  • FINCH, Henry (2014). La economía política del Uruguay contemporáneo 1870-2000. Montevideo: Banda Oriental.
  • GOMENSORO, Arnaldo (2015). Historia del Deporte, la Recreación y la Educación Física en Uruguay. Crónicas y relatos. Montevideo: IUACJ.
  • MARIANI, Alba (2013). Los negocios británicos en el Río de la Plata. Tomás Tomkinson (1825-1875). Páginas. Revista digital de la escuela de historia; n° 9, Rosario (pp. 164-178)
  • MELO, Victor Andrade de (2004). Los primeros tiempos del deporte en la ciudad de Rio de Janeiro. Brasil. En: Cultura, ciencia y deporte; v. 1 (n° 1), Murcia (pp. 7-13).
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Projeto Roteiros Sportivos – Roteiro 1 – Jogo da Bola

13/12/2020
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O projeto “Roteiros Sportivos” objetiva apresentar um pouco da história do Rio de Janeiro por meio de suas experiências de diversão, entre as quais as relacionadas ao esporte. A iniciativa ajuda também a refletir sobre as mudanças urbanas e de comportamento da cidade.
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Nestes tempos de pandemia, fique em casa! Sugerimos que faça o circuito virtual. Para quando tudo voltar ao “normal”, deixamos no mapa sugestões de percursos que foram pensados para serem feitos a pé ou com o apoio do VLT. Basta selecionar o trecho no menu à esquerda.
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Bom passeio!
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O projeto “Roteiros Sportivos” é uma realização do “Sport”- Laboratório de História do Esporte e do Lazer.
Ficha Técnica: Marcus Macri e Victor Melo
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Este mapa procura localizar, na cidade do Rio de Janeiro da atualidade, os antigos estabelecimentos de “Jogo da Bola”, espaços nos quais os cariocas dos séculos XVIII e XIX procuravam diversão. A cidade mudou radicalmente. Muitos logradouros trocaram de nome e mesmo desapareceram. Mas algumas reminiscências do passado persistem, inclusive a Rua do Jogo da Bola, situada no Morro da Conceição, região central.
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Mas o que era o Jogo da Bola? Nada a ver com o futebol. Práticas com pelotas existem há séculos. No decorrer da história, jogou-se com ou sem implementos (tacos, por exemplo), coletiva ou individualmente, com bolas de diferentes formatos e materiais, adotando-se as mais diversas regras. A modalidade que no Rio de Janeiro chegou, vinda da Península Ibérica, conhecida como jogo da bola de pau, guardava semelhanças com o boliche. Uma pelota de madeira era atirada, por uma pista de terra ou tábua, para derrubar pinos que tinham diferentes pontuações.
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Os estabelecimentos que ofereciam o Jogo da Bola vendiam bebidas e comidas, bem como promoviam apostas ao redor das partidas. Dada a sua dinâmica, por vezes o clima esquentava, sendo comuns de relatos de brigas, tumultos, conflitos. De toda forma, o povo se divertia!
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O tema já chamou a atenção de alguns autores. Adolfo Morales de los Rios Filho (2000) sugere que, junto com as brigas de galos, era das mais populares diversões de seu tempo. Para Vieira Fazenda (1921a, p. 152), a prática era a única que competia com a Ópera, com a diferença de que eram “os jogos da bola frequentados pela arraia miúda”. Santos (1825) e Gonçalves (2004) também dedicaram à modalidade algumas linhas.
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Se você quer saber mais informações, leia esse artigo:
* MELO, Victor Andrade. Mudanças nos padrões de sociabilidade e diversão: o jogo da bola no Rio de Janeiro (séculos XVIII e XIX). História, São Paulo, v. 35, e105, p. 1-23, 2016.
http://historiasp.franca.unesp.br/mudancas-nos-padroes-de-sociabilidade-e-diversao-o-jogo-da-bola-no-rio-de-janeiro-seculos-xviii-e-xix
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Para acessar o mapa:

.ROTEIROS SPORTIVOS – Roteiro 1 – o Jogo da Bola no Rio de Janeiro dos séculos XVIII e XIX – Google My Maps