A Sociedade Recreio Marítimo: primeira agremiação náutica do país

03/06/2018

por Victor Andrade de Melo

Em 1851, funda-se a Sociedade Recreio Marítimo, a primeira agremiação náutica do país. No final desse ano, Francisco Leão Cohn, filho de negociante francês, militar de destacada carreira, funcionário da Alfândega, secretário do clube, informou que já se contava com 200 sócios e se começava a preparar a primeira regata. Os interessados em competir deveriam se inscrever com o já citado João Manuel Corte Real. Há um diferencial se compararmos com as corridas de cavalos: se estabelecia que amadores deveriam tripular os escaleres[1].

Os preparativos da regata inaugural passaram a ser acompanhados com expectativa, sendo a data estabelecida a partir da confirmação da presença do Imperador. Além disso, teve-se em conta o perfil dos associados para definir o dia 1 de novembro de 1851. Embora houvesse trânsito e coincidências entre os grupos, percebe-se outra diferença entre os envolvidos com o turfe e com o remo:

A escolha do sábado foi determinada por duas razões: a maior parte dos sócios e amadores que têm de entrar nos diferentes páreos pertence à classe do comércio e muitos deles, por princípios religiosos, aos domingos não podem entrar em trabalhos dessa ordem; assim como em dias úteis perde a sociedade a cooperação dessas pessoas que não podiam ser distraídas das operações comerciais[2].

Há duas questões que merecem nossa atenção. A primeira é o limite imposto pela religião: no futuro isso se dissolverá, o esporte se tornará mesmo um concorrente dos cultos, o profano conquistará muitos espaços do sagrado. Na verdade, já naquele ano de 1851, a medida parecia atender mais aos hábitos religiosos de estrangeiros, notadamente de britânicos.

Deve-se também destacar o envolvimento de gente do comércio com a prática de atividades físicas, que, como vimos, no caso do remo era um elemento pronunciado, ao contrário do turfe. Isso será observado em outras ocasiões, como, por exemplo, com as touradas e a ginástica[3].

Como no caso das corridas de 1850, houve grande preocupação em explicar os detalhes técnicos das provas: o horário (em função da condição do mar e do clima), o percurso (tendo em conta o desempenho dos remadores, mas também o público que desejava assistir às contendas), os páreos, disputados por ingleses, alemães, americanos e brasileiros, a maior parte desses ligados à Armada.

Os jornais, aliás, lembravam que os europeus já organizavam regatas com um fim específico: “Nos outros países refutam-se tais funções como incentivos para a construção naval e para a marinha nacional, e os monarcas lhes prestam sua presença e proteção”[4].

Uma vez mais vemos a mobilização da ideia de utile dulce: tratava-se de um divertimento sim, mas que tinha muitas utilidades para a nação. Uma delas, argumento bem semelhante ao de desenvolvimento da raça de cavalos, seria o aperfeiçoamento da Armada. Seu valor parecia irrefutável: era uma diversão séria.

Isso ajuda a entender que um traço do desenvolvimento esportivo nacional seja a constante presença de militares, os do Exército mais ligados ao turfe, enquanto os da Armada mais ao remo, um quadro que vai se complexificar às vésperas da proclamação da República, quando os civis republicanos relacionavam-se mais ao segundo, preferido daquela Força Armada que se mantivera mais monarquista, na mesma medida em que os civis monarquistas preferiam o primeiro, mais ligados à Força na qual o pensamento republicano floresceu.

No que tange à organização do evento, havia uma notável preocupação: em função das peculiaridades da modalidade, como oferecer condições de confortos aos influentes que comparecessem? A solução encontrada foi: alguns proprietários de casas na praia de Botafogo as ofeeceram para recepção; foram cedidas, para acolher alguns convidados, salas do Hospício Pedro II (hoje campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro); uma parte do público se distribuiu por navios a vapor e embarcações a vela, que também demarcavam a raia. Refrescos, boa comida, músicas e danças eram oferecidos como atrativos à parte[5].

Chegou a haver um debate sobre os moldes do evento, tendo alguns estranhado o horário (manhã) e o local da raia (na altura da praia da Saudade, hoje ocupada pelo Iate Clube do Rio de Janeiro). Segundo os críticos, o calor e a dificuldade de acesso afastariam os interessados, sendo melhor transferir para a parte da tarde e utilizar a faixa que já estava consagrada pelas corridas de cavalos (o trecho que vai do Caminho Velho, atual Senador Dantas, até a São Clemente): “salvo se o divertimento é exclusivo para os sócios, e o público for considerado intruso nele”[6].

O debate antecipa em alguns anos o que se constituirá em outro diferencial do remo em relação ao turfe: o seu caráter supostamente mais popular por ser realizado em um espaço público, em que não era necessário pagar ingressos. Aliás, a regata de 1851 ocorreu no mesmo local onde a modalidade viveria seu momento áureo, no qual, nos anos iniciais do século XX, seria construído, por Pereira Passos, o Pavilhão de Regatas, a primeira tribuna fixa para a modalidade náutica[7].

Atendendo aos pedidos, o horário foi alterado para a tarde. Um conjunto de remadores, todavia, ameaçou não competir, sugerindo que não faria bem fazer exercícios físicos depois de jantar (que na ocasião ocorria ao redor das 14-15 horas). Os jornais criticaram muito tal posição[8]. Um dos sócios, que, assina como Remador, defendeu o ponto de vista dos competidores, mas conclamou:

Pedimos-lhes em nome da associação que compareçam, remem, brinquem, dancem, em uma palavra, que não deem cavaco; e aconselhamos-lhes também que finda as festas providencias tomemos em nossos estatutos para que não possam ser eles alterados à vontade da minoria contra a maioria[9].

A regata inaugural entusiasmou mesmo um setor da cidade. Às vésperas, a matéria de capa da Marmota na Corte (que se apresentava como “jornal de modas e variedades”) é uma expressão dessa expectativa. De início, se elogia um dos dinamizadores do Recreio Marítimo, Angelo Muniz da Silva Ferraz, inspetor da Alfândega e importante político do Império (foi ministro e agraciado com o título de Barão de Uruguaiana), por liderar uma iniciativa que poderia contribuir para solucionar um sério problema da cidade: “A falta de divertimentos públicos e gratuitos”[10]. Ressaltava-se o fato de que, para comparecer aos eventos náuticos, bastaria apenas arcar com as despesas de “transporte e comestível”.

Para o cronista, merecia ainda destaque o fato de que o divertimento era adequado à presença feminina. Lembrava que Ferraz também era dirigente do Recreação Campestre, outra agremiação que acolhia bem as mulheres, inclusive em função do grande número de bailes que promovia.

Sendo uma expressão dos “novos tempos”, para o periodista não surpreendeu que a iniciativa contasse com o apoio do Imperador e da família real, que honrariam: “com suas presenças o divertimento da fogosa mocidade nacional e estrangeira”. Para ele: “Assim o Magnânimo Príncipe se mostra o primeiro a interessar-se pelo seu povo, tanto no que lhe é útil, como no que lhe pode ser agradável. Deus o ajude e lhe conserve os dias para que seja o penhor da paz e da integridade do Império”. A celebração, enfim, era intensa:

Como lindo o Botafogo

Não ficará nesse dia,

Vendo correrem de aposta

Muitos botes à porfia!

De carros e seges a praia hordada,

Bordado de moças o cais ficará.

De imensa faluas aquela enseada

Que vista agradável então formará!

Patuscos folgai

Que tendes ensejos

De pordes em prática

Os vossos desejos!

Voar hade a notícia da Regata

Desde o Amazonas

Até o Prata.

Se a expectativa era grande, o resultado não deixou a desejar. O Correio Mercantil dedicou quatro colunas para comentar o evento. Para o cronista, a cidade já tinha “bailes mascarados”, “óperas italianas”, “corridas de cavalos”,: “só nos faltavam na verdade as regatas, que, para ser francos, devemos dizer, consideramos mais úteis (…)”[11]. O momento era mesmo de otimismo:

Somos hoje na verdade o povo mais feliz do mundo! Tudo anda neste belo Rio de Janeiro às mil maravilhas! Divertimentos e mais divertimentos! As sociedades bailantes multiplicam-se, as de música crescem progressivamente, os soirées e saraus dão-se de continuo, as corridas de cavalos ao Prado Fluminense, a Regata recreio marítimo!! E até o Pão de Açúcar já serve para um tour de promenade; e isto sem falarmos nos nossos dois teatros que com suas portas abertas dão ingresso quase todos os dias aos espectadores destes divertimentos. E que viva o pais que nos viu nascer, que vai todo em folia[12].

A ideia de utile dulce a todo momento veio à tona. Para um jornalista, era urgente desenvolver o espírito marítimo no Brasil, em função de sua imensa costa. Nesse sentido, “nada pode contribuir tanto para esse resultado do que as regatas, que fazem tomar para objeto de divertimento aquilo que em outras ocasiões é considerado pesadíssima tarefa”[13]. Os exemplos da Inglaterra, França e Estados Unidos são mobilizados como comprovações dessa utilidade.

Haveria ainda outra grande potencialidade. Como supostamente nossa “raça” seria “naturalmente fraca e indolente”, o remo seria o estímulo necessário para reverter tal situação: “o exercício de remar é um dos mais violentos, porém ao mesmo tempo é um dos que mais desenvolve a força física”. Para ele, com o apoio do governo, a modalidade traria benefícios inegáveis para a população.

Segundo o empolgado cronista, o novo espírito público propugnado pela Sociedade Recreio Marítimo fazia-se sentir já nas embarcações destinadas aos convidados, que conversavam de forma animada, amistosa e respeitosa, inclusive desfrutando da companhia de “belas e elegantes senhoras”.

O aspecto da enseada também chamou sua atenção: eram embarcações diversas ancoradas e muito público espalhado na areia e nas casas da praia de Botafogo. De uma delas, de propriedade do na época Visconde de Abrantes, D. Pedro II e a família real assistiram às competições[14].

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1ª Regata da Sociedade Recreio Marítimo na Enseada de Botafogo em 1º de Novembro de 1851

Litografia (300 x 480 mm) de A. L. Guimarães, impressa na oficina de Heaton e Rensburg. Acervo da Biblioteca Nacional (FERREZ, Gilberto. A muito leal e heroica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Castro Maya, 1965).

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Entre as provas, parece ter chamado a atenção um páreo em que se enfrentaram equipes de alemães, ingleses, americanos e brasileiros, sagrando-se vencedora, para entusiasmo do público, a guarnição do escaler Nympha, que competia com a bandeira do Brasil na proa e na proa. O clima de grande festividade se misturava ao de patriotismo, que chegou a seu auge por ocasião da cerimônia de premiação, quando o hino nacional foi executado em homenagem ao Imperador. Não houve, aliás, prêmios em dinheiro, apenas presentes. Deixava-se claro que eram amadores os competidores.

Segundo os cronistas, comentou-se largamente que foi das maiores celebrações já vistas na capital. Estima-se que mais de 10 mil pessoas tenham comparecido ao evento, elogiado pela organização e animação. Os principais diretores do Recreio Marítimo, os já citados Ferraz e Cohn, bem como Leopoldo Augusto da Camara Lima (Barão de São Nicolau, Guarda-Mor da Alfândega) e Joaquim Marques Lisboa (o futuro Almirante Tamandaré), foram exaltados pelo contributo dado à nação. Para um jornalista, o Brasil finalmente “adquiriu o direito a poder marcar uma época de civilização, de confraternidade, de magnificência”[16].

Ainda demoraria alguns anos para o remo definitivamente se consolidar. De toda forma, parece possível afirmar que, naqueles meados de século, o esporte já era apreciado pela população, articulando-se com as mudanças pelas quais passava a sociedade da Corte e com alguns importantes temas da nação. O campo esportivo já tinha, ainda que embrionariamente, seus elementos constituintes delineados.

[1] Diário do Rio de Janeiro, 20/10/1851, p. 2.

[2] Correio Mercantil, 27/10/1851, p. 3.

[3] Para mais informações, ver: MELO, op. cit., 2013b; MELO, op. cit., 2013c; e PERES, MELO, op. cit.

[4] Correio Mercantil, 27/10/1851, p. 3.

[5] O evento, aliás, terminou com um grande baile, oferecido em um barco, que só terminou à meia-noite.

[6] Correio Mercantil, 28/10/1851, p. 1.

[7] MELO, op. cit., 2001.

[8] Correio Mercantil, 31/10/1851, p. 1.

[9] Correio Mercantil, 31/10/1851, p. 3.

[10] Marmota na Corte, 31/10/1851, p. 1.

[11] Correio Mercantil, 3/11/1851, p. 1.

[12] Periódico dos Pobres, 4/11/1851, p. 1.

[13] Correio Mercantil, 3/11/1851, p. 1.

[14] Tratava-se da mesma casa onde seu pai, Pedro I, acompanhara as corridas de cavalos de 1825.

[15] Litografia (300 x 480 mm) de A. L. Guimarães, impressa na oficina de Heaton e Rensburg. Acervo da Biblioteca Nacional (FERREZ, Gilberto. A muito leal e heroica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Castro Maya, 1965).

[16] Uma descrição mais detalhada e menos apaixonada das regatas pode ser vista em: Diário do Rio de Janeiro, 3/11/1851, p. 1.

* Para mais informações, ver:

MELO, Victor Andrade de. Antes do club: as primeiras experiências esportivas na capital do império (1825-1851). Projeto História, São Paulo, v. 49, p. 1 – 40, 2014.

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La Villa del Cerro y sus clubes de fútbol: Rampla Jrs. y Cerro.

01/05/2018

por Gastón Laborido (gaston_laborido1@hotmail.com)
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Presentación teórica

El fútbol como fenómeno social, genera manifestaciones en otros espacios sociales. Es una de las prácticas sociales de identificación colectica más importantes, en tanto es un fenómeno que trasciende las expresiones características propias de fútbol como práctica y se convierte en algo total (cultural, político y económico).

Se convierte en una actividad global desde que rompe con las fronteras de su origen. En este sentido, Jean-Marie Brohm (1993) indica que el deporte surgió en el siglo XIX como práctica de clase, adquiriendo significaciones diferentes según las clases sociales. En los inicios, la burguesía concebía al deporte como ocio, como una forma de pasatiempo. Con el correr del tiempo se fue popularizando y adquiriendo nuevos significados, entre ellos la identificación colectiva.

“En esta dinámica incluyente del fútbol –de totalidad y globalidad- la sociedad se retrata y representa, pero también se cohesiona para dar sedimento al sentido nacional (Dávila, 2003). El fútbol es un sistema de relaciones y representaciones, que produce una integración simbólica de la población alrededor de los múltiples componentes que tiene, produce o atrae; sea a partir de la práctica deportiva como de las esferas que lo rodean directa o indirectamente”. (Carrión, F., s/f).

Es necesario pensar el deporte desde nuevos abordajes teóricos y metodológicos. Para ello, Patricia Falco Gonevez (1998) entiende que para abrir esta posibilidad de análisis, podemos pensar al deporte como un objeto de la Historia social o de la Historia cultural. Desde esta perspectiva, las investigaciones deben pensarse a partir de las ventajas formativas que brinda la Historia social y cultural, y también de la necesidad de incorporar nuevas fuentes en el análisis histórico.

Es fundamental utilizar el deporte como objeto relevante para entender la sociedad. El deporte permite explicar las relaciones sociales, puesto que el deporte, en tanto fenómeno social, se relaciona con otras esferas de la vida cotidiana como la sociedad y la política. En esta línea, la problemática de la identidad como distinguibilidad (Giménez, G., 1997) recobra vital importancia e interés, ya que el fútbol como práctica supone un espacio de identificación colectiva y de construcción de identidad.

En consecuencia, una posible aproximación es el tema de la identidad (social) en el fútbol. Como señala Luis Antezana (2003) “(…) podría ser considerado como parte del debate entre las identidades culturales vs. las metaidentidades –o identidades universales. Hoy en día, ese debate supone una suerte de axioma: es necesario afirmar –es decir, no negar- las diversas identidades culturales existentes.” (p. 91).

El objeto de estudio: la Villa del Cerro y sus clubes de fútbol

Los espacios están profundamente signados por dispositivos que exceden su propio contexto histórico y político. Los clubes de fútbol no escapan a ello. En este texto, tomo como punto de partida un barrio particular de Montevideo, la Villa del Cerro y sus clubes de fútbol profesionales: Rampla Jrs. y Cerro.

El objetivo de esta escritura, que no surge de una investigación,  es poner como tema de debate la cuestión de las identidades sociales, en relación al club social como espacio de interacción y de formación/consolidación de vínculos.

La “Villa del Cerro”, popularmente denominado barrio “Cerro”, fue fundada en 1834 bajo el nombre de “Villa Cosmópolis”. Es uno de los sesenta y dos barrios de Montevideo, se ubica en la zona oeste de la ciudad a unos quince kilómetros del centro. Su nombre se debe a la elevación de 136 mts. de altura que está en la zona. Cuenta con una población de 35.498 habitantes (según el Censo Nacional de 2004 del INE), en una ciudad de 1.4000.000 habitantes. Los límites del barrio son: al sur la rambla Suiza; al este la rambla Egipto; al oeste Camino Cibils y al norte la calle Carlos María Ramírez.

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Foto: La estampa del Cerro con su fortaleza a orillas del río. (Francisco Flores). Fuente: https://www.elpais.com.uy/informacion/juntan-firmas-cerro-independizarse-montevideo.html

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Los elementos de identidad que lo caracterizan son variados y gozan de una contundente y precisa definición. Se trata de un barrio constituido en su mayoría por inmigrantes de variadas procedencias en el siglo XIX, que creció en torno a polos industriales como los saladeros. Selecciono el barrio Cerro por una cuestión personal: soy profesor de Historia y toda mi actividad docente hasta ahora ha sido en el Liceo 11, “Bruno Mauricio de Zabala”, ubicado en el barrio Cerro de Montevideo. El liceo 11 tiene toda una identidad institucional que se fue gestando con el tiempo de la mano de docentes y fundamentalmente de la comunidad cerrense. En efecto, estar presente en esa institución, posibilita el acercamiento a la identidad del barrio y genera deseo de conocer su historia.

Desde el punto de vista futbolístico, se trata de un barrio en el cual casi exclusivamente los habitantes son de Rampla Jrs. o Cerro, por eso los enfrentamientos entre ambos equipos generan una atmosfera muy especial, denominado “El clásico de la Villa”. A su vez, ambos equipos poseen un fuerte arraigo en gran parte de la zona oeste de Montevideo, sobre todo en barrios vecinos como Casabó, Paso de la Arena, Pajas Blancas, Santa Catalina.

Trabajar con el Cerro implica trabajar con una identidad urbana y barrial particular. Esto supone, analizar el espacio geográfico del Cerro, en función de sus instituciones formales, los vínculos sociales que la crean y recrean, así como las subjetividades que la dotan de sentido. El espacio es un hecho eminentemente social, es una mirada donde la sociedad es constructora y destructora y donde existen movimientos dependientes y dominantes en que los seres humanos están inmersos. Por lo tanto el espacio es una realidad y una categoría de comprensión de la realidad.

El espacio es una construcción social que llevó un proceso, por lo cual está signada a continuar cambiando, construyéndose y reconstruyéndose. La selección de tales espacios se debe a que los clubes sociales se instauraron desde su fundación como espacios barriales y comunitarios, creando sólidos vínculos vecinales.

El Cerro: barrio con identidad y tradición futbolera

El Cerro es un barrio con historia. Se trata de una zona de tradición y formación cultural proveniente del flujo migratorio europeo de los siglos XIX y XX. Los últimos contingentes vinieron del este de Europa: Yugoslavia, Polonia, Lituania, entre otros, junto a españoles, italianos, griegos y armenios; acabaron por darle a la Villa del Cerro un perfil culturalmente plural.

Allí se formó un barrio tradicional de inmigrantes laboriosos que con el tiempo ha venido a constituirse también en interesante enclave turístico, con la histórica fortaleza militar, la rambla y la misteriosa Casa de la Pólvora, una construcción de fines de siglo XVIII que sirvió de polvorín militar.

El Cerro es un barrio con una tradición de trabajo y lucha, defendiendo derechos de inmigrantes y obreros. Esta tradición organizada, se forjó a raíz de la industria de la carne. La intensa actividad industrial, acelerada a partir de la segunda mitad del siglo XIX fue impulsada por los saladeros que producían básicamente charque, generando unos tres mil puestos de trabajo hacia el 1900. Los saladeros fueron ubicados en la zona del Cerro, sobre ambas márgenes del arroyo Pantanoso, puesto que en el año 1836 el Poder Ejecutivo mediante decreto estableció que los establecimientos que se dedicaran a la salazón de carne tendrían que estar lejos de la ciudad.

A inicios del siglo XX, como consecuencia de la Revolución Industrial y del desarrollo de moderna tecnología, los saladeros fueron desplazados por un nuevo tipo de industria, los frigoríficos. Un grupo de capitalistas uruguayos fundaron en los predios de tres saladeros el primer frigorífico uruguayo para la explotación de nuevos sistemas en la conservación de carnes, a través del enfriamiento y la congelación. Se denominó “La Frigorífica Uruguaya”, y en diciembre de 1904 comenzaron las faenas en dicha empresa, logrando su primera exportación a Londres en marzo de 1905. En 1911 pasó a manos de una compañía anglo-argentina llamada “Sansinena & Cia”, que en 1929 arrendará sus instalaciones al Frigorífico Nacional, creado en 1928 y que funcionaría como ente testigo para controlar la industria cárnica del Uruguay.

En 1911 fue fundado en Punta Lobos el “Frigorífico Montevideo”; pero en 1913 adoptó el nombre de “Frigorífico Swift”, ya que fue adquirido por la compañía Swift, perteneciente a un consorcio norteamericano. Otro de los frigoríficos importantes fue el “Frigorífico Artigas”, que empezó a faenar en octubre de 1917. Se trató de una sociedad anónima conformada por estancieros uruguayos, quienes vendieron el frigorífico años después a la empresa de Chicago “Armour”.

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La industria frigorífica supuso la principal fuente de ingresos para el Uruguay y empleó calificada mano de obra barrial. En términos de identidad barrial, la época de los frigoríficos, constituyó el núcleo central de la historia de base que permitió ordenar valores que siguen visualizándose como característicos del lugar. El trabajo, la solidaridad y el mutuo conocimiento, es decir, la convivencia sin desconfianza ni violencia. En este sentido, están relacionados estos valores con un pasado en que las condiciones materiales y laborales permitían consolidar un comportamiento territorial con énfasis autóctono, dentro de un complejo urbano. También contribuyó la intensa actividad sindical que construía lazos de unión entre la población de obreros y sus familias. Al respecto, el historiador Aníbal Barrios Pintos se refería al Cerro de la siguiente manera:

La Villa del Cerro tiene una enorme trascendencia en el desarrollo económico de la república. La industria saladera y frigorífica la eligió como máxima sede, dándole una fisonomía intransferible. Insufrible vaho de sangre y carroñas; fábricas de labor sin pausa, que convierten la riqueza semoviente en divisas de comercio de carnes; calles pobladas de gente humilde, laboriosa, con una decidida conciencia obrerista: todo eso ha sido el Cerro, de bravías tradiciones, de gente sufrida, de familias muy unidas, que han coreado el nombre del país en horas de alegría y atrapado la atención del Uruguay entero, en horas de hoscas huelgas casi revolucionarias. (Barrios Pintos, A., 1971, p. 42).

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Desde el punto de vista deportivo, el fútbol llegó a Montevideo hacia fines del siglo XIX, cuando los ingleses lo introdujeron en el Río de la Plata y en otras partes del mundo, de la mano del ferrocarril, intercambios con la marinería y de la acción de los colegios ingleses. En ese contexto, Uruguay asistía a la conformación del Estado y de la nacionalidad. Tal como ocurrió en Buenos Aires, el fútbol se popularizó rápidamente en Montevideo durante la primera década del siglo XX, con la fundación de una gran cantidades de clubes.

En la primera década del siglo XX el fútbol se expandió por los barrios de Montevideo, llegando también a la Villa del Cerro. Existieron varios clubes en el Cerro que llevaban el mismo nombre de la Villa Cosmópolis, incluso afiliados a la AUF, como el Club Atlético Cerro que participó en la Tercera Extra de 1917.

En 1919 se mudó a la Villa del Cerro el club Rampla Juniors Football Club, equipo que militaba en la segunda división de la asociación y que se había fundado el 7 de enero de 1914 en la zona de la Aduana, generando muchas resistencias por parte de los más localistas de la barriada.

El origen histórico de Rampla fue en el café y bar “Trocadero” en la rambla portuaria de Montevideo, en la calle Rampla y Solís. Como señala Miguel Aguirre Bayley,

de ese histórico rincón aduanero, Rampla se dirigió al “Café de Güelfi” en la proa de las calles Juncal, Piedras y 25 de Agosto y poco después se trasladó a la Aguada. En esos años fue local en Camino Mendoza y Piedras Blancas y luego en cancha ubicada en la avenida Burgues. Pero su destino será la Villa del Cerro donde llegó en 1919 para radicarse definitivamente en 1921, año de su consagración como Campeón de la División Intermedia. En ese período Rampla fue locatario en los campos de Braga y del Swift (Aguirre, 2009, p. 12).

Rampla Jrs. había surgido en otra zona de la ciudad, pero prontamente consiguió adeptos en la villa del Cerro, pero hubo otros que apegados a un sentimiento localista resistieron y se mantuvieron fieles a las humildes instituciones del barrio. El 1 de diciembre de 1922, se fundó el Club Atlético Cerro. El origen histórico de Cerro fue

en el “Café de Panizza”, en la esquina de las calles Grecia y China. A esos efectos, se habían realizado previamente reuniones en la confitería “Americana” y en la farmacia de Angel Constantini, quien sería su primer presidente. En su fundación participaron también dirigentes y asociados del Club Oriental. Precisamente Cerro adoptó como oficiales los colores albicelestes a rayas verticales que eran de los del club Oriental (Aguirre, 2009, p. 14).

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Imagen: escudos de Rampla Jrs. y Cerro. Fuente: https://i.ytimg.com/vi/7DtxRk0aq6M/hqdefault.jpg

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Identidades por oposición: Rampla Juniors Football Club y Club Atlético Cerro

La identidad de los colectivos, según Gilberto Giménez, en tanto “unidad distinguible”, supone la posibilidad de distinguirse de los demás, pero también tiene que ser reconocida por los demás en contextos de interacción y de comunicación, lo que requiere una “intersubjetividad lingüística”.

De acuerdo a Fernando Carrión, las identidades colectivas se construyen a partir de una doble situación: por un lado, la condición de pertenencia (expresa la adscripción al territorio, género, clase, generación o familia); y por otro, la cualidad funcional (que lo asume desde el rol de hincha, jugador, dirigente o empresario). Estos dos orígenes identitarios pueden, en ciertas condiciones, ser excluyentes, contradictorios o funcionales, dependiendo del momento y del lugar, dada la condición histórica que tienen.

Siguiendo a Luis Antezana, en el fútbol podemos distinguir tanto identidades culturales particulares como metaidentidades. Las identidades por clubes, entendidas como identidades culturales particulares, (llamadas “tifosi” por Antezana, ya que el término italiano implica un contagio febril), son irreconciliables y se producen en una misma zona o localidad.

Sobre estos casos podemos citar: rivalidad por oposición social (Universitario de Deportes vs. Alianza Lima -Perú-; Nacional vs. Peñarol -Uruguay-; Fluminense vs. Flamengo -Brasil-) rivalidad de una región con otra (Real Madrid vs. Barcelona -España-; Chivas vs. América -México-; Liga vs. Barcelona -Ecuador-).

Desde una mirada de identificación colectiva a partir de identidad por oposición, resulta un hecho claro: se trata de que en la confrontación está la esencia del fútbol y la base de las identidades. El “clásico” es la expresión máxima de la disputa simbólica.

En los casos anteriores, la confrontación o el encuentro entre los distintos es lo que le da razón de existencia al fútbol y a cada uno de los rivales.  Como señala F. Carrión “el contrincante es la base fundamental de la existencia del fútbol, de allí que sea un espacio proclive de alteridad” (s/n).

Actualmente en el barrio Cerro encontramos una rivalidad entre dos instituciones que están cerca de cumplir 100 años de presencia en la comunidad. Los encuentros de fútbol entre Rampla Juniors y Cerro, hoy son  reconocidos como “El clásico de la Villa”. Se ha transformado en el partido más atrayente del Uruguay y numeroso en convocatoria después de Nacional vs. Peñarol.

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Imagen: Mauricio Felipe, Jorge Rodríguez y Nicolás Rocha en el clásico de la Villa. Rampla vs. Cerro en el Olímpico (02/12/2017). (Foto: Marcelo Bonjour). Fuente: https://www.ovaciondigital.com.uy/futbol/cerro-llevo-clasico-ilusiona-copa-libertadores.html

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Imagen: último clásico de la Villa, Cerro 1 – Rampla 0 (02/12/2017). (Foto: L. Carreño). Fuente: https://www.referi.uy/pellejero-nos-mereciamos-cerrar-el-ano-asi-n1147981

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El primer partido entre ambas instituciones se jugó el 24 de abril de 1927, en el marco del Campeonato Uruguayo de Fútbol de 1927, en el “Parque Santa Rosa” (escenario en el cual era local Cerro por aquel entonces). El resultado fue de victoria para Rampla Jrs. por 2 tantos contra 0. En esa temporada, se consagró campeón del certamen el conjunto Ramplense, otorgándole así su único título de Primera División, aunque en la época no se había instaurado el profesionalismo.

Hoy cada partido es vivido con gran entusiasmo por la barriada y las familias, en donde un barrio entero queda paralizado para vivenciar lo que se denomina “la fiesta del barrio”. Pero también cada partido es vivido con intensidad por los problemas de violencia en el deporte, en donde ya ha habido heridos de armas de fuego. Lamentablemente, cada partido Cerro-Rampla es considerado de “alto riesgo”, lo que implica un fuerte operativo policial para su desarrollo.

La tarea queda planteada: indagar acerca del origen de la rivalidad, esto supone, investigar sobre aquellos aspectos identitarios que evolucionaron en el siglo XX para que hoy se transforme en un “clásico”. Hay un gran poder simbólico en torno al “clásico de la Villa”, que permite que la población barrial se identifique de manera simultánea y múltiple alrededor de su disputa. En este sentido,

se convierte en un elemento importante de atracción social que lee lleva a ser un espacio de encuentro y confluencia de voluntades, pasiones e intereses diversos y contradictorios. Por eso, un partido de fútbol se define a sí mismo como encuentro; lugar donde las adhesiones sociales terminan siendo distintas pero no excluyentes. (Carrión, Fernando, s/d).

Referencias:

  • Aguirre Bayley, Miguel (2009). El Clásico Rampla-Cerro. Montevideo: Grifelman S.A.
  • Antezana, Luis (2003). Fútbol: espectáculo e identidad. En: Alabarces, P. Futbologías: fútbol, identidad y violencia en América Latina. Bs. As.: CLACSO. (pp. 85-98).
  • Barrios Pintos, Aníbal (1971). Los barrios (I). Montevideo: Nuestra Tierra.
  • Brohm, Jean-Marie (1993). 20 Tesis sobre el deporte. En: aavv. Materiales de sociología del deporte. Madrid: Ediciones de La Piqueta. (pp. 39-46).
  • Carrión, Fernando (s/f). El fútbol como práctica de identificación colectiva. (Material sin más referencias).
  • Falco Genovez, Patricia (1998). El desafío de Clío: el deporte como objeto de estudio de la historia. En: Lecturas: Educación Física y Deportes, Revista Digital, Buenos Aires, año 3, nº 9, marzo. Disponible en: http://www.efdeportes.com/efd9/clio1e.htm
  • Giménez, Gilberto (1997). Materiales para una teoría de las identidades sociales. En: Frontera Norte; vol. 9, n° 18, julio-diciembre. (pp. 9-28).

Os “alemães” e os “outros”: os teuto-brasileiros e a exaltação dos valores germânicos no desenvolvimento esportivo de Porto Alegre no século XIX

20/04/2018

Cleber Eduardo Karls
cleber_hist@yahoo.com.br

Não é novidade entre os historiadores do esporte que se debruçaram sobre o desenvolvimento esportivo do sul brasileiro no século XIX a relevante contribuição dos imigrantes germânicos, ou mesmo, dos teuto-brasileiros para a constituição de clubes e associações que tinham os esportes e as práticas corporais como finalidade . Naturalmente, existiram adventícios do velho continente por praticamente todo o território nacional que foram responsáveis por fundar uma série de agremiações. Com efeito, foi na capital mais meridional do Brasil que esta característica se apresentou de maneira marcante e determinante para a ampliação das atividades esportivas.

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Com este texto, buscamos tecer algumas considerações acerca de uma publicação realizada no jornal Gazeta da Tarde de Porto Alegre em 12 de agosto de 1895, assinado por G. H., que acreditamos ser Germano Hasslocher, redator do mesmo jornal e filho de imigrantes alemães. Hasslocher foi personagem de destaque na capital gaúcha. Advogado formado pela Faculdade de Recife (depois de ter passado por São Paulo), ele foi vereador, deputado federal e um dos líderes políticos mais ativos do Partido Republicano Rio-Grandense, tendo atuação marcada por suas posições liberais, abolicionistas, federalistas, anticlericais e pela defesa da liberdade de expressão, além, é claro, de figura destacada no cenário esportivo da capital do Rio Grande do Sul.

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Inicialmente, a publicação noticiou o ato do lançamento da pedra fundamental de construção do prédio da Sociedade Ginástica (Deutscher Turnverein), atual SOGIPA, fundada em 1867 por teuto-brasileiros, que ocorreu no dia anterior. Com efeito, não demorou para que as suas convicções acerca da importância dos princípios germânicos aflorassem e o seu texto se tornasse uma exaltação dos valores d´além-mar, como o próprio descreveu: “A educação física do homem é objeto de grande cuidado entre os alemães e isto tem sido uma das grandes causas da superioridade daquele povo, forte, robusto, sadio”. G.H. destacou a existência de uma grande quantidade de associações congêneres naquela capital que serviam, ao mesmo tempo, de “divertimento e com um fim útil”, todas elas “quase que puramente alemãs”.

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Imediatamente as comparações foram traçadas. Os “nossos” colegiais, de acordo com G.H., se referindo aos brasileiros, não fazem ginástica, mas em compensação “fundam jornais nos quais exibem-se ridiculamente, abordando assuntos mui distantes de sua competência”. É importante mencionar que “brasileiro” poderia ser uma referência genérica aos não teuto-brasileiros. “Alemães”, por sua vez, identificavam aqueles com descendência germânica, nascidos ou não na Europa.

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O jornalista ainda expõe que em Porto Alegre lhes faltava clubes de ginástica e esgrima, ao passo que “as sociedades dramáticas pululam e em cada canto da cidade temos uma associação bailante”. Uma formação física e moral de destaque dos jovens sulistas brasileiros passaria pela adoção dos padrões germânicos, como foi o demonstrado no evento retratado no periódico. Jovens “alegres, com as faces rosadas atestando saúde” que se satisfaziam mediante o progresso da sociedade que cultivava o princípio mens sana in corpore sano.

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Ao mesmo tempo em que criticava o “tipo nacional” e o rotulava como “raquítico, atrofiado, nada se fazendo para desenvolver o homem, educar-lhe o músculo”, também questionava: “Em que se entretém a nossa mocidade?” Na sua visão aqueles “não alemães” gastavam seu tempo circulando pelas ruas, enchendo as mesas dos cafés, discorrendo pedantescamente sobre artes, literatura e política e, nos finais de semana, frequentando os prados da cidade. Para G.H., a juventude tiraria mais proveito se passasse o domingo “em uma sala de ginástica ou esgrima, caminhando uma légua fora da cidade ou exercitando-se em esportes náuticos”.

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Por fim, numa franca declaração das suas predileções, Hasslocher questiona: “Por que não havemos de imitar os alemães e fundar associações como eles, úteis, práticas, destinadas a formar o homem e dar-lhe robustez física, perseverando nos nossos intentos como eles, progredindo sempre?”

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Esta publicação aqui trabalhada, se não traz uma massa de informações substanciais, aponta aspectos latentes do cenário esportivo porto-alegrense do século XIX que podem ser pensados como especiais na formação do campo esportivo. Este não é um caso isolado acerca das relações étnicas pulsantes na Porto Alegre oitocentista. Todavia, se apresenta enquanto um caso relevante, exposto em um periódico de considerável circulação e assinado por um importante personagem do ambiente esportivo, político e cultural do Rio Grande do Sul. Os jornais são espaços de legitimação de ideias e a cidade de Porto Alegre um rico ambiente de embates que são construídos através da suas especificidades.

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Esporte em São Paulo

12/03/2018

Por Flávia da Cruz Santos (flacruz.santos@gmail.com)

Cidade atualmente instigante, sobre a qual abundam estudos que tratam de sua contemporaneidade, São Paulo tem seu passado mal conhecido quando o tema são os divertimentos em geral e os divertimentos esportivos, mais especificamente. Uma das maiores potencias esportivas nacionais, a capital paulista tem os primórdios de seus esportes quase desconhecidos.

Soa estranha tal afirmação, que pode ser facilmente contestada com o argumento de que existem sim estudos, não muitos, sobre os esportes na capital paulista na transição dos séculos 19 e 20, momento tido com inicial na configuração do campo esportivo brasileiro. Algumas questões, no entanto, são: os indícios que nos ajudariam a compreender tal fenômeno não estariam presentes na cidade desde momentos anteriores? Não valeria a pena estudá-los? Porque toma-se como certa a ideia de que não há esporte em São Paulo antes dessa data?

Parte da resposta a essas questões, reside no fato de que a industrialização, tida como sinônimo de modernidade, é considerada condição para a configuração do campo esportivo (tema abordado no post anterior, por Rafael Fortes). Como antes da virada do século, a industrialização em São Paulo era insipiente, não se fala, ou pouco se fala, em esporte antes desse momento.

Mais do que uma cidade de industrialização insipiente, a fama da São Paulo oitocentista não é nada boa, e tão pouco demostra qualquer continuidade com o que sabemos da cidade que nos é contemporânea. Ao contrário, nos faz pensar que se trata mesmo de outra cidade:

Daqui a cinco minutos podemos estar à vista da cidade. Há de vê-la desenhando no céu suas torres escuras e seus casebres tão pretos de noite como de dia, iluminada, mas sombria como uma eça de enterro.

(…)

Demais, essa terra é devassa como uma cidade, insípida como uma vila, e pobre como uma aldeia. Se não estás reduzido a dar-te ao pagode, a suicidar-te de spleen[1], ou alumiar-te o rolo, não entres lá. É a monotonia do tédio. Até as calçadas![2]

Muitos são aqueles que viveram a São Paulo daquele tempo, ou que ao menos lá estiveram, e que nos deixaram relatos sombrios como este, de Álvares de Azevedo, importante nome da dramaturgia paulistana. Exemplos muito conhecidos e usados na historiografia são os relatos de viajantes como os alemães Spix, Martius e Rugendas, os franceses Alcide D’Orbigny e Saint-Hilaire, e o inglês Jonh Mawe. Informados por certos valores e sentimentos, eles possuíam compreensão nada positiva da cidade. Compreensão essa que se disseminou pelos estudos que focalizam tal contexto.

Essa São Paulo não convida o historiador do esporte a investigá-la, não é nem um pouco atraente ou condizente com o que se espera de uma cidade em que há esporte. E aqui outra questão: não deveríamos desconfiar dessa versão, desconfiar que a atual, e já há algum tempo, fervilhante cidade possa ter sido forjada, de repente, em um curto espaço de tempo?

Soma-se a essa compreensão de São Paulo e ao pressuposto da industrialização, o fato de que é em 1875 que surgem agremiações esportivas na cidade, como o Jockey Club e o São Paulo Críquete Clube, e que no ano seguinte foi inaugurado o primeiro hipódromo paulistano. Daí para frente as novidades esportivas não param.

Antes disso, no entanto, numa São Paulo que ainda construía as condições para sua industrialização, os divertimentos esportivos já estavam presentes. Em 1864 já se jogava críquete numa chácara no Campo Redondo[3]. No ano da chegada das ferrovias, 1868, por exemplo, foi constituído um clube de tiro, sobre o qual pouco se sabe. Ele destinava-se à prática do tiro com pistola ao alvo, que era tido como “um novo e útil exercício”[4]. As regatas também já faziam parte do cotidiano da cidade a essa altura, ainda que desenvolvidas no porto de Santos, para onde grande quantidade de paulistanos se dirigia.

Não haveria, então, elementos mais importantes do que a industrialização para o desenvolvimento dos esportes na capital paulista? Não seria tal capital mais dinâmica do que se costuma apregoar? Convido o/a leitor/a, nesse primeiro momento, a me ajudar a pensar na pertinência dessas questões.

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[1] Spleen foi termo difundido por Charles Baudelaire, e significa um estado de desencanto e melancolia, que resulta em apatia e indiferença e pode levar à transgressão e perversão. Caracteriza o ser romântico (ANFORA, pp. 13-15).

[2] AZEVEDO, Álvares de.  Macário. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988. Disponível em: <http://www.aliteratura.kit.net&gt;. Acesso em: 11 dez. 2014, grifo no original.

[3] Correio Paulistano, 6 de setembro de 1864, p. 2.

[4] Correio Paulistano, 1 de abril de 1868, p. 1.

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“Nem no Playstation é tão rápido assim” – o 7 a 1 e a cobertura da mídia alemã

11/02/2018

Elcio Loureiro Cornelsen
(cornelsen@letras.ufmg.br )

No dia 27 de março de 2018, a seleção brasileira de futebol voltará a enfrentar a seleção da Alemanha, em jogo amistoso a ser realizado no Estádio Olímpico de Berlim, como parte da preparação para a Copa da Rússia. Passados pouco mais de três anos e meio desde aquele fatídico 08 de julho de 2014, quando a seleção de Felipão foi derrotada pelo vexatório placar de 7 a 1 pelos comandados de Jürgen Löw em pleno Estádio do Mineirão, pelas semifinais da Copa, as duas seleções voltarão a se enfrentar.

Ainda em nossos dias, aquela partida suscita comentários e indagações. Hoje, dado o distanciamento temporal, pergunta-se sobre a memória do Mineiratzen – Mineiraço, em alemão – e qual seria seu significado para alemães e brasileiros. No caso brasileiro, questiona-se se aquela derrota histórica e superlativa representaria um trauma ou uma vergonha para o torcedor brasileiro. As opiniões são controversas, alguns falam em trauma, chegam a comparar a derrota de 2014 com o Marcanaço de 1950; outros consideram que o sentimento predominante seria o de vergonha, uma vez que o trauma pressuporia uma derrota inesperada de uma equipe franca favorita, uma verdadeira “queda” após a construção de uma expectativa de pleno favoritismo.

Todavia, o que efetivamente ocorreu não foi isso: a seleção brasileira de 2014 não entrou em campo como favorita, o desempenho nas partidas anteriores à da semifinal não a credenciava como tal. Seria, pois, um jogo difícil contra uma seleção que demonstrava, acima de tudo, conjunto. O placar elástico, entretanto, em termos simbólicos, deixaria suas marcas. Aqueles que defendem a noção de trauma para aquela maiúscula derrota afirmam que não se consegue esquecê-la, e nem mesmo os detalhes de sua vivência, seja nas arquibancadas do Mineirão, seja diante de aparelhos de TV nos lares ou mesmo de telões nos bares.

Não obstante, parece-nos haver um elemento distintivo entre o Maracanaço e o Mineiraço: o suposto trauma cedeu lugar ao riso, por assim dizer, um riso terapêutico, algo que não ocorreu em 1950. O mito da derrota de 1950, designada por Nelson Rodrigues de “nossa Hiroshima”, bem ao seu estilo hiperbólico, não integrou em seu discurso o riso que podia atenuá-la. Tal narrativa cristalizou-se por repetir, continuamente, um clima de derrota atestado por um Maracanã em silêncio.

Por sua vez, logo após o 7 a 1, piadas circularam na Internet, e outras tantas circularam de boca em boca nos dias que seguiram. Uma delas era assim narrada: “No dia seguinte, o pessoal da limpeza do Estádio do Mineirão, após uma boa faxina nos vestiários, encontrou mais dois gols da Alemanha”.

Nesse sentido, concordamos com Marcelino Rodrigues da Silva que, num lúcido e breve ensaio publicado naquele contexto, estabelece uma distinção quanto ao mito da derrota de 1950 e o que ocorreu em 2014:

Mas a Copa, afinal, é apenas futebol. O tempo do jogo já passou e a vida voltou ao normal. O tsunami humorístico que se seguiu à derrota brasileira teve o condão de lavar nossa alma e nos deixar livres de qualquer trauma, de qualquer peso na consciência ou na memória. Não restou nada parecido com o que foi (ou imaginamos ter sido) a derrota de 1950. […][i]

O olhar humorado e mesmo irônico para aquela histórica partida também se fez presente na cobertura da mídia na Alemanha. À época, pouco noticiou-se sobre isso na imprensa brasileira. O maior exemplo provém do site da Focus, uma das principais revistas alemãs. Um misto de perplexidade e alegria pela vitória do selecionado alemão fica patente numa matéria, intitulada “Für die Ewigkeit: Der Super-Sieg im Minutenprotokoll” (“Para a eternidade: A vitória magnífica assinalada minuto a minuto”),[ii] e publicada simultaneamente à partida na página online da revista Focus, composta por frases minuto a minuto. Já no momento do segundo gol, marcado pelo centroavante Miroslav Klose, o articulista aponta para o impacto causado na seleção brasileira: “Recorde de gols, a Alemanha amplia, o Brasil chocado”.[iii] O terceiro gol também é acompanhado de um comentário similar: “Estão passados, os brasileiros”.[iv] E o quarto tento, assinalado aos 26 minutos do primeiro tempo, faz com que o articulista não mais se contenha e decrete a classificação antecipada de sua seleção: “Gol da Alemanha, 4 a 0, marcado por Toni Kroos! Khedira e Müller contra-atacam a seleção brasileira, numa jogada fulminante. Final! Ah, isso nem parece verdade. O que é que eles estão fazendo? Solto, Kross manda a bola na rede. Aqui, os torcedores em amarelo e azul choram coletivamente”.[v] E o quinto gol marcado aos 29 minutos faz com que o articulista perca o controle e anuncie efusivamente: “Gol da Alemanha, 5 a 0, marcado por Sami Khedira! Façam as coisas aqui sozinhos. Não tem mais sentido. Cinco a zero. Cinco. Uma cópia do quarto gol, só que desta vez Özil e Khedira tabelam soltos. Khedira é quem, desta vez, manda a bola para as redes. Cinco a zero”.[vi]

Diante dessa sequência de gols, o articulista não mais se contém e dispara uma série de frases que espelham com precisão o calor da emoção diante do inusitado. Há uma pausa temporal entre o 29º minuto, quando Khedira assinalou o quinto gol, e o próximo apontamento, feito no 36º minuto, estabelecendo um longo “silêncio” que significa muito: “Pois é, devagar estamos retomando aqui. Quatro gols em seis minutos, o sistema aqui cai de joelhos. Quando Höwedes marcará mais um?”[vii] Por si só, esse momento é hilário: um minuto a minuto que não se sustentou, dada a emoção e perplexidade  com que o articulista teve de lidar, caindo de joelhos. A ironia também se revela na referência a Benedikt Höwedes, lateral da seleção e um dos jogadores tecnicamente menos hábeis. E aos 40 minutos, um lampejo de misericórdia perpassa a narrativa: “Juizinho, vê se encerra o jogo agora. Os brasileiros só nos dão pena. E os torcedores vêm abaixo coletivamente, no estádio e na praia de Copacabana. Mas muitos ainda incentivam sua equipe”.[viii] Até o final do primeiro tempo marca para o articulista o fim do jogo, dada a vitória parcial avassaladora: “Intervalo, e até dá impressão que é o final da partida”.[ix] Ao iniciar seus comentários no intervalo, uma dura crítica aos jogadores brasileiros: “Nem no Playstation é tão rápido assim. Em algum lugar deve haver uma falha na lógica, um erro na placa mãe. Ou então este não é um jogo de semifinal de Copa. Os caras com as camisas do Brasil são imitações, impostores”.[x]

Em 2014,  foi escrito um capítulo triste da história do futebol brasileiro. Os mitos do “jogo bonito”, do “futebol arte”, da “pátria em chuteiras” não mais se sustentam como tal. Em Moscou, um novo capítulo dessa história será escrito. Inegavelmente, um desafio para o técnico Tite e seus comandados: o de recuperar o prestígio da seleção brasileira construído por décadas. Superar a vergonha ou o trauma parece estar no horizonte da Copa da Rússia. Antes, o amistoso de março será não só um desafio, o reencontro das duas seleções, desta vez em terreno germânico, como também um momento de despertar fantasmas da derrota. No caso alemão, o discurso que se cristalizou desde aquele 08 de julho de 2014 foi pautado por um tom heroico com relação ao desempenho da seleção, como também de uma mescla de respeito, ironia e certo humor ao olhar o desempenho limitado da seleção brasileira. Espera-se que esse novo capítulo da história a ser escrito nos próximos meses represente uma retomada de curso na trajetória do futebol pentacampeão.

Notas

[i] SILVA, Marcelino Rodrigues da. O que foi feito do país do futebol? In: SILVA, Marcelino Rodrigues da. Quem desloca tem preferência: ensaios sobre futebol, jornalismo e literatura. Belo Horizonte: Relicário, 2014, p. 285-288, aqui p. 288.

[ii] FÜR DIE EWIGKEIT: Der Super-Sieg im Minutenprotokoll. Focus, 09 jul. 2014. Disponível em: http://www.focus.de/sport/fussball/wm-2014/deutsches-team/wm2014-halbfinale-live-d_id_3976186.html. Acesso em: 11 dez. 2014.

[iii] No original: “Torrekord, Deutschland obenauf, Brasilien geschockt.” Ibidem.

[iv] No original: “Sie sind fertig, die Brasilianer.” Ibidem.

[v] No original: “TOR für Deutschland, 0:4 durch Toni Kroos! Khedira und Müller kontern Brasilien auseinander, dass es nur so qualmt. Finale! Ach, komm, das ist doch nicht wahr. Was machen die den da? Kross schiebt locker ein. Hier heulen kollektiv die Fans in Gelb und Blau.” Ibidem.

[vi] No original: “TOR für Deutschland, 0:5 durch Sami Khedira! Macht doch euer Zeug hier alleine. Hat doch keinen Zweck mehr. Fünf zu null. Fünf. Eine Kopie des vierten Tors, nur diesmal schieben sich Özil und Khedira den Ball locker zu. Khedira ist diesmal derjenige, der ihn über die Linie drückt. Fünfnull.” Ibidem.

[vii] No original: “So, langsam kommen wir hier hinterher. Vier Toren in sechs Minuten, da geht hier das System in die Knie. Wann macht Höwedes noch eins?” Ibidem.

[viii] No original: “Schiri, mach doch einfach Schluss jetzt. Die Brasilianer tun einem nur leid. Und die Fans brechen kollektiv zusammen, im Stadion und an der Copacabana. Viele feuern ihre Mannschaft aber weiterhin unentwegt an.” Ibidem. No original: “Schiri, mach doch einfach Schluss jetzt. Die Brasilianer tun einem nur leid. Und die Fans brechen kollektiv zusammen, im Stadion und an der Copacabana. Viele feuern ihre Mannschaft aber weiterhin unentwegt an.” Ibidem.

[ix] No original: “Halbzeit, und es fühlt sich wie der Schlusspfiff an.” Ibidem.

[x] No original: “Das geht sonst nicht mal auf der Playstation so schnell. Irgendwo muss ein Loch in der Logik sein, ein Fehler in der Matrix. Oder das ist gar kein WM-Halbfinale. Die Typen da in Brasilien-Trickots sind Attrapen, Hochstapler.” Ibidem.

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Clarice Lispector, Zagallo e João Saldanha

07/01/2018

por Victor Andrade de Melo

No ano de 2017, por ocasião dos 40 anos da morte de uma das mais cultuadas escritoras da língua portuguesa, Clarice Lispector, relembrou-se vários aspectos de sua obra, inclusive uma série de entrevistas que conduziu e publicou em alguns jornais e revistas, parcialmente reunidas num livro (“Entrevistas”, organizado por Claire Williams) e recriadas num filme (“De Corpo Inteiro”, dirigido por Nicole Algranti).

Entre as entrevistas, houve duas com importantes personalidades do futebol, Zagallo e João Saldanha, realizadas em pleno ano da Copa do Mundo do México, 1970. A relação de Clarice com o futebol já tem sido discutida. Vale a pena, por exemplo, conhecer o publicado no blog Literatura e arquibancada (http://www.literaturanaarquibancada.com/2011/10/clarice-lispector-e-o-futebol.html) e o escrito pelo amigo Edônio aqui neste blog (https://historiadoesporte.wordpress.com/2010/06/10/clarice-lispector-e-o-futebol/).

Apresentamos aqui na íntegra uma entrevista com Zagallo e um comentário sobre João Saldanha, publicados respectivamente no Jornal do Brasil de 28 de março de 1970 e 7 de novembro de 1970.

Certamente o leitor vai se deleitar com o inusitado e a inteligência de Lispector.

* Entrevista Zagallo

Para ver em melhor resolução:

http://memoria.bn.br/DocReader/030015_09/5220?pesq=lispector+futebol

*Comentário sobre Saldanha

Para ver em melhor resolução:

http://memoria.bn.br/DocReader/030015_09/19925?pesq=lispector+futebol

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Algún día tenía que ser: 30 de junio de 1954

04/12/2017

Gastón Laborido (gaston_laborido1@hotmail.com)

(Ponencia presentada en Jornadas Uruguay y los Mundiales desde el sur, en la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación (FHCE), UdelaR. Junio 2014.

Introducción

El 30 de junio de 2014, se cumplirán 60 años de un partido que marcó profundamente el historial de la selección uruguaya en competiciones mundialistas: por primera vez dejó de ser invicto en 30 años. El periodista y director del semanario Fútbol Actualidad, Antonio García Pintos, en la edición del 6 de julio de 1954 sostenía:

Estamos tristes, sí; para qué negarlo. Nosotros, con los muchachos, en el vestuario, hemos llorado juntos. Mucho se tendrá que escribir de este Quinto Campeonato Mundial en que, por primera vez, hemos dejado de ser invictos. Muchos han sido los errores cometidos y muchas las culpas a repartir y, entre ellas, un buen lote para la gente de la prensa. Pero eso tendrá que ser escrito en otra hora y en otro lugar. (…)[2].

Creemos que hoy es necesario retomar aquel encuentro deportivo, sobre todo, porque las derrotas también constituyen elementos de resignificación deportiva.  En la década del 50 encontramos dos acontecimientos que marcaron la competencia de la selección uruguaya en el plano internacional, por un lado, la primera derrota de la selección frente a Hungría en 1954. El segundo acontecimiento, ocurrió en 1958, cuando por primera vez en su historia, el fútbol uruguayo quedó eliminado de un torneo mundial.

Uruguay llegó al mundial de Suiza 1954 con una enorme fama tras haber conquistado el certamen cuatro años antes frente a Brasil. Para este mundial, Uruguay aún mantenía muchos jugadores del 50 en su alineación; pero esta competición marcó el ocaso de la generación de Maracaná, sobre todo desgastada por el correr de los años. A pesar de la fama celeste, para la prensa internacional la selección de Hungría era el equipo favorito a consagrarse campeón, sobre todo porque cautivaba por el elevado nivel técnico de sus jugadores y había conseguido resultados exitosos en los años previos al mundial: hacía cuatro años que no perdía, había infligido la primera derrota en Wembley a Inglaterra (6-3) y habían sido vencedores de los Juegos Olímpicos de Helsinki en 1952. Luego del sorteo de las llaves de semifinales, el azar determinó que deberían enfrentarse Uruguay – Hungría por un lado, y por otro, Alemania – Austria.

Con la intención de poner al fútbol como objeto de estudio en la agenda académica, la presente ponencia plantea una mirada histórica sobre el fútbol de Uruguay en el contexto de los mundiales, más específicamente, el de 1954. A tales efectos, el texto se centrará en un análisis de las repercusiones del la primera derrota oficial de Uruguay a través de la prensa montevideana, poniendo énfasis en las expectativas y comentarios luego del resultado. Los periódicos utilizados serán: “El Día”, “El Diario”, “Fútbol Actualidad”, “Justicia”, y “La Tribuna Popular”.

El trabajo está organizado en cinco partes. La primera apunta básicamente a plantear los antecedentes y los caminos recorridos hacia semifinales por las selecciones de Uruguay y Hungría. La segunda parte, recorre diversas notas publicadas en la prensa, en las cuales se planteaban las expectativas previas al encuentro, catalogado como “el match del siglo”. La tercera, pone énfasis en la potencialidad de la selección de Hungría y en aquellos aspectos ideológicos y políticos que creemos relevantes para entender por que la prensa entendía que se trataba de un sensacional encuentro. La cuarta parte, se centra en la mirada que los diarios hacían sobre la selección uruguaya y las expectativas que generaba la selección en los periodistas de cara al partido semifinal. La última parte tiene que ver con la manera en que la prensa comentó el resultado del partido. En este apartado retomamos aquellos motivos que se expusieron para explicar la primera derrota de la selección uruguaya en manos de Hungría en un torneo mundial.

1) De goleadas en goleadas: caminos hacia semifinales.

En el campeonato de Suiza 1954 participaron 16 selecciones, agrupadas en 4 series de 4 equipos cada una. El sistema de disputa tenía una lógica particular, ya que cada selección jugaba sólo dos partidos en la fase de grupos.

La selección uruguaya compartió el grupo III con Austria y debieron enfrentarse a Checoslovaquia y Escocia. Uruguay no necesitó clasificarse al mundial ya que era el campeón defensor, por haber ganado la Copa Mundial de 1950. Los celestes llegaron a Suiza precedidos de una enorme fama. Sus magníficos antecedentes generaban expectativas en los uruguayos: cuatro años antes había sido el impacto en la historia de los campeonatos mundiales al vencer a Brasil y los recuerdos de la final todavía estaban latentes; ostentaba el honor de ser el primer equipo campeón mundial en 1930, bicampeones olímpicos en 1924 y 1928; y nunca antes había perdido en un campeonato del mundo, contaba con un invicto de 21 partidos.

En el mundial de 1954, los celestes dirigidos por Juan López al igual que en 1950, se despacharon con una buena actuación en la fase de grupos. En su primer encuentro, vencieron 2 a 0 a Checoslovaquia (goles de Míguez y Schiaffino). En la segunda fecha, derrotaron a Escocia con un categórico 7 a 0 (goles convertidos por Borges -3-, Míguez -2- y Abbadie -2- ). Los periódicos de la época coinciden en que el equipo se caracterizaba por tener fuerza, habilidad y elevada moral.

En los cuartos de final, continuó el buen éxito de Uruguay y derrotó a Inglaterra por 4 a 2 (goles de Borges, Varela, Schiaffino y Ambrois). Sin embargo, fue una “victoria pírrica”, pues en ese partido se lesionó el capitán Obdulio Varela al festejar su gol. Con este historial llegaba Uruguay a las semifinales.

 En relación al rival que enfrentamos, la prensa internacional consideraba que se trataba de un equipo sensacional, dotado de todas las virtudes y elevado nivel técnico en su juego. Los húngaros eran conocidos como los “magiares mágicos”, nombre que asocia al grupo étnico de Europa del Este que se instaló en la actual Hungría y al estilo de juego que desplegaban. Contaba con la selección más poderosa de su historia y hasta ahora no la han podido superar. Hungría llegó al mundial con los siguientes antecedentes: hacía cuatro años que no perdía un partido oficial (en 32 partidos); había infligido la primera derrota tras vapulear en Wembley a Inglaterra por 6 a 3 y en la revancha disputada en Budapest le volvió a vencer con un marcador humillante de 7-1; y en 1952 se habían consagrado vencedores de los Juegos Olímpicos de Helsinki.

Hungría compartió el grupo II con Turquía y no tuvo rivales que le opusieran resistencia. Debutaron con una victoria arrolladora de 9 a 0 sobre Corea del Sur, y en la segunda fecha se despacharon sobre Alemania Federal con un 8-3 (Alemania había puesto en cancha varios suplentes para preservar a los titulares). Luego del partido contra los alemanes, los húngaros sintieron la baja de su gran capitán, Ferenk Psukas, a raíz de una falta desmedida de un rival.

Hungría pasó de fase tras haber conseguido dos victorias consecutivas, y en los cuartos de final logró imponerse sobre Brasil 4-2. Fue un encuentro plagado de incidentes, con golpes de puño, botellazos y cortes entre los jugadores de ambos planteles en los vestuarios una vez finalizado el partido (encuentro recordado como “la batalla de Berna”).

De esa manera llegaron ambos seleccionados a semifinales. La organización del campeonato establecía, que los cruces en esta instancia se darían a conocer luego de un sorteo, que fue realizado en la ciudad de Berna, el domingo 27 de junio de 1954. Se agrupó en parejas a los equipos de Hungría y Alemania por un lado, y por otro Austria y Uruguay. Depositaron en recipientes separados tarjetas con los nombres de los equipos, la primera en salir fue la de Austria y la segunda Alemania. El resultado del sorteo causó impacto, El Diario señaló:

Esto quería decir que Hungría y el Uruguay, que son los equipos más destacados que continúan en el campeonato deben enfrentarse en semifinales[3].

Conocidos los cruces en semifinales, todo hacía suponer que Uruguay y Hungría sería un sensacional encuentro. El periódico comunista Justicia opinó:

El resultado de dicho sorteo, ha puesto frente a frente a los dos más grandes equipos del Campeonato: Uruguay y Hungría, que disputarán sin lugar a dudas lo que podría llamarse el “partido del Siglo”[4].

2) “El match del siglo”

El cronograma del campeonato, indicaba que el miércoles 30 de junio se debía disputar el primer encuentro de semifinales. Dentro de las expectativas de los uruguayos, existía la firme convicción que sería un gran encuentro deportivo. Durante los días previos, en nuestra prensa se publicaron una serie de notas que especulaban con el nivel del espectáculo de la siguiente forma:

La Tribuna Popular:

Uruguay versus Hungría quiere decir en estos momentos algo más que una final; el choque máximo en el fútbol del Mundo, y tal vez de la historia del balompié en sus últimos años. Los rivales, varios años invictos con campañas espectaculares e incomparables en Europa y otros continentes; los celestes, cuatro veces campeones en el Mundo entero, y con una reciente hazaña frente a los ingleses que todos admiraban hasta que llegó la noticia del partido con Hungría[5].

Este periódico manejaba también la idea de final anticipada: “Uruguay-Hungría es el partido del choque sensacional y, tal como sucedería para el partido Hungría-Brasil, la mayoría opina que Hungría ya está clasificada para la final. ¡Dichosos suizos que habrán podido asistir a tres finales en una sola competición![6].

Mientras tanto, el periódico Justicia señalaba en sus páginas que se jugaría el encuentro más sensacional de los últimos años en una instancia decisiva por la conquista del título mundial. Agregaban que dicho encuentro debió ser la final lógica del torneo:

Llegó el momento ansiado por el pueblo deportivo uruguayo y por la afición del mundo entero. Esta tarde, en épico match semifinal del Certamen Mundial, se cotejarán las selecciones de Uruguay y de Hungría. Ambas han probado ser la expresión cumbre del fútbol mundial: por su técnica, por su temple, por su admirable capacidad combativa. Los celestes y los húngaros han barrido a cuanto adversario les salió al paso. Pero fue en los cuartos de finales cuando dieron fe de todo su potencial técnico y moral[7].

Para El Diario la novedad del partido estaba en los aspectos tácticos y técnicos de los jugadores de ambas selecciones:

el match Uruguay – Hungría viene, después del triunfo de los húngaros en la tarde de ayer, a plantear la cuestión de las tácticas mucho más abiertamente, puesto que los uruguayos, vencedores del equipo de Inglaterra, vienen a estar en igualdad de valor con los húngaros, que han vencido al equipo considerado como uno de los mejores de la América del Sur y del torneo[8].

Tanto para El Diario, como para La Tribuna Popular, el partido también adquiría la dimensión de final anticipada y estaba enmarcado como un duelo entre representantes de América y Europa,

Pero esta vez, puede decirse que la verdadera final se va a jugar en Lausana. Los equipos preeminentes de América y de Europa van a decidir la supremacía del fútbol mundial. El match Uruguay – Hungría será para los latinoamericanos en general, el definitivo, el del prestigio y ya como un solo hombre se aprestan a ir en coalición para animar a los uruguayos. El match del miércoles en Lausana, será, pues, el match de América Latina – Europa[9].

El día previo al partido, un cronista de El Diario que firmaba bajo el seudónimo Don Lee reafirmaba la idea anterior y esperaba con enorme expectativa el inicio del partido:

Mañana se realizará en Lausana el match de todas las épocas en la historia del fútbol mundial al enfrentarse por la semifinal de la Copa de oro, el Uruguay con su título de Campeón del Mundo y Hungría, la sensación futbolística del momento. Aquél asumiendo la representación del continente sudamericano y éste la representación del viejo continente. Estarán así frente a frente los campeones del mundo y los grandes favoritos de la opinión mundial, y que han venido haciendo sensación en los últimos años, antes lo cuales los abanderados del fútbol sudamericano se verán seguramente expuestos a darlo de sí todo a fin de salir con bien de la difícil lucha[10].

3) La mirada sobre el rival.

Ahora bien, cabe preguntarnos cuales eran aquellos motivos que generaban la opinión en la prensa que un enfrentamiento entre Hungría y Uruguay, supondría un gran encuentro. Aquí es importante ver como la prensa construye la imagen de cada equipo. Empecemos por el rival. Al excelente historial de los húngaros que resumimos en el apartado anterior, y a al gran nivel de sus estrellas como Puskas, Czibor, Kocsis, Hidegkuti, Bozsik, Grosics; debemos agregarle aquellos aspectos tácticos y técnicos colectivos del equipo. Veamos que decía la prensa.

Antes de que comenzara el campeonato, Justicia realizó una breve presentación de los equipos que disputarían el mundial. El 2 de junio en una nota titulada “Algunas características del equipo magyar que va al Mundial de Suiza”, planteaban: “Hungría probablemente será el único país que concurrirá al campeonato mundial de fútbol a disputarse en Suiza, con un team ya maduro e incambiado durante varios años”. A los beneficios de poseer un equipo formado por varios años, se señalaba que tanto uruguayos como húngaros tenían confianza en sus fuerzas[11], en tanto: “el excelente equipo “magyar” es de presumir que procurará, como siempre, jugar sus cartas de victoria en el ritmo vertiginoso, preciso, audaz y avasallante de su juego ofensivo, así como en la combatividad de su defensa, bien demostrada ante Brasil (…)”.

Sobre el excelente nivel de juego de los húngaros, La Tribuna Popular opinaba: “el seleccionado magyar reafirmó ser un buen team, que juega con disciplina y no cede un palmo ni en el ataque ni en la defensa[12]. Completamos la idea sobre la capacidad del fútbol húngaro con una nota de El Día:

debe ser lo mejor de Europa. Las evidentes diferencias existen entre su ataque y su defensa. Indiscutiblemente, la gran fuerza de la selección “magyar” radica en aquel. Compuesto de hombres hábiles y de un gran entendimiento, como también con gran preparación física, asume – ese sistema- la gran responsabilidad por las actuaciones del equipo y por los éxitos del mismo (…)[13].

Mientras tanto, El Diario presentó una crónica en la cual se planteaban algunas habilidades tácticas de Hungría y las características del equipo. Se concebía a Hungría como “un equipo que acciona con idéntico afán y velocidad durante los noventa minutos de juego, que lucha con firmeza, que plantea sus jugadas con gran esmero, pero movilizándose permanentemente en forma intensa, haciendo correr la pelota con excepcional rapidez de un hombre a otro[14].

A su vez, desde El Día y Futbol Actualidad, se expusieron algunos argumentos para explicar porque era tan eficaz la técnica de los húngaros. Basaron sus explicaciones en las relaciones entre deporte y política. Recordemos que Hungría estaba bajo influencia del régimen socialista, y la década del 50 a nivel internacional estaba muy marcada por la Guerra Fría. Sobre la excelencia del equipo húngaro, el periódico El Día, en un extenso párrafo cargado con un tinte opositor al régimen socialista señalaba:

Ajustados a procedimientos propios de un país que ha alejado de los aspectos fundamentales de la práctica del deporte por el deporte mismo aprovechándolo especialmente como forma de conseguir resonancia con derivaciones políticas, se ha podido advertir una influencia directa del estado que manda y decide en la voluntad de los individuos, sometiéndoles a una práctica ajena en absoluto a la que se estila en los países democráticos, donde la espontaneidad del deportista es básica para el desarrollo de su actividad. Los húngaros están sometidos por impero de obligaciones que se les crean, a un régimen ceñido, estricto y que trastoca lo esencial del deporte, que es competir, por el impero o sea la exigencia de ganar. Dentro de tal concepto el derecho individual está vedado. Impera, entonces, el sometimiento a la práctica del deporte, que quienes son escogidos la realizan con prescindencia total de toda otra actividad, hasta alcanzar un grado de especialización derivado del adiestramiento continuado y preferente a que son sometidos[15].

En el categórico párrafo anterior, la mirada se centra en argumentar el buen nivel húngaro por la presión política del régimen soviético[16]. En relación a ello, y con una mirada similar, en el semanario Fútbol Actualidad, Antonio García Pintos afirmaba: “los “magyares” juegan por método; sus jugadas son académicas y estudiadas. No cuentan, entre ellos, los valores individuales[17]. Con esta frase está afirmando que la ideología del régimen infiere en el deporte, ya que jugar por método supone un juego planificado (recordemos que la planificación caracteriza al régimen soviético, por ejemplo, los planes quinquenales).

La postura de Antonio García Pintos se reiteró en otra nota, aseveraba que Uruguay debía defender a Sudamérica en el partido semifinal, y cargó de emotividad e ideología al encuentro tras plantear:

(…) La copa Rimet la sacaremos de Europa los uruguayos, únicamente por que somos uruguayos. Porque aquí hay una evidente aspiración, casi adulona podríamos decir: la de que salgan campeones estos defensores de la roja casaca del país de atrás de la cortina de hierro[18].

A pesar de su elevado nivel, Hungría no contaría con la totalidad de su plantel para el encuentro con Uruguay. Su capitán, F. Puskas, como hemos dicho, estaba lesionado. También fueron excluidos los hermanos Toth, remplazados por Budai y Palotas. La selección húngara alistó al siguiente equipo: Grocsics; Buzansky, Lantos; Bozsik, Lorant, Zakarias; Budai, Kocsis, Palotas, Hidegkuti y Czibor.

4) Confianza en la selección uruguaya.

Luego de una lectura analítica de los diarios, notamos en nuestra prensa una postura respetuosa sobre el rival. Estamos en una época en donde se dejaba de lado entrar a un campo de juego sin tener nociones concretas sobre el rival y se iniciaba una etapa en la cual comienza a analizarse al contrincante, sobre todo porque se empieza a tomar en cuenta las dimensiones tácticas y técnicas del deporte[19]. Vencer a un equipo de fútbol, implicaba superarlo en el tanteador, para ello, la planificación de la estrategia a desarrollar es muy importante.

En junio de 1954, existía confianza en el fútbol que podía llegar a desplegar los uruguayos, sobre todo porque se reivindicaba las victorias consagradas en 1924, 1928, 1930 y 1950. Rubén Lapido Vignoli, enviado especial de La Tribuna Popular afirmaba

 “sabemos muy bien que cuando la casaca celeste entra a una cancha, en una contienda mundialista, es para no perder…”.

Había mucha confianza en los delanteros uruguayos y en su defensa de acero, que para muchos, lo hacía el único equipo capaz de realizar la hazaña de derrotar a Hungría. Se calificaba a los jugadores celestes como “ardorosos, testarudos, jamás derrotados ni desalentados…”.

A su vez, existían elementos resignificativos de los títulos mundiales conquistados años antes. En varias notas se reiteraba la siguiente idea: Uruguay en caso de consagrarse campeón del mundial de 1954, sería campeón del mundo por quinta vez. Esto tiene que ver, con que los títulos de 1924 y 1928 en los juegos olímpicos, eran considerados como títulos mundiales.

Una vez conocido el rival, durante los tres días previos al partido, los periodistas comenzaron a analizar al contrincante y surgieron algunas ideas concretas de cómo vencer a Hungría. En primer lugar, sin desconocer el poderío de los “magyares mágicos”, se planteaba que había que trabajar a partir del buen nivel del rival,

(…) pensamos que esa regularidad de acción húngara puede ser lo que sirva a Uruguay para hacer valer su mejor técnica y aptitudes naturales y psicológicas de sus players. Ante todo, sabremos aguantar “el primer envión” del adversario, que para Brasil fue demoledor tanto en las cifras como en los nervios. Y posteriormente, una vez que nuestros cracks hayan adaptado el juego húngaro, deberán surgir las ventajas apenas se produzca el choque de valores personales[20].

En segundo lugar, otra de las claves para superar al adversario estaría en las propias características de la defensa uruguaya:

el grado de potencialidad de nuestra defensa ha resultado eficacísimo hasta el momento, pero no por ello habría que excederse en confianza y consideramos que no estaría de más tomar algunas medidas de carácter táctico antes de que nuestro conjunto baje al campo de “Pontaise” en Lausana[21].

En tercer lugar, el buen juego celeste jugaría su rol decisivo. Oscar Bugallo, de Fútbol Actualidad tituló una nota el día antes al partido de la siguiente manera: “Jueguen bien, celestes, y seremos campeones”. Incluso se planteaba la duda que sucedería si Uruguay lograba superar en la técnica y táctica como producto de su buen juego a los húngaros; ya que hasta el momento nadie los había exigido. Algunos entendían que en comparación, Uruguay tenía mejores individualidades calificadas como “estrellas”, como Andrade, Schiaffino, Borges, Santamaría, Ambrois…. En esta línea, muchos consideraban que Uruguay era el único equipo que era capaz de batir a los húngaros. La idea que manejaba la prensa, era que de los tres adversarios que pudieron tocarle a Hungría para la semifinal, le tocó el más peligroso de todos.

Sin embargo, surgieron algunos inconvenientes a raíz de lesiones de piezas claves para los celestes. Esto imposibilitó a Uruguay presentar en el campo de juego a su mejor escuadra. La dimensión analítica de las técnicas y tácticas cobra importancia y se plantearon en la época diversas opiniones sobre como conformar al equipo para vencer a Hungría. Uruguay no podría contar con Obdulio Varela, lesionado ante Inglaterra. Tampoco podían ser de la partida Oscar M. Míguez ni Julio César Abbadie.

El comentarista Don Lee de “El Diario”, luego de haber visto a los futbolistas húngaros, reconoció que Uruguay tendría un encuentro de enromes dificultades. Para superarlas, y ante la ausencia de Obdulio Varela propuso:

(…) que Juan Alberto Schiaffino juegue de insider o de eje delantero, debería actuar lo suficientemente atrasado como para configurar un elemento más de contención para los intentos de los húngaros. Esto ya figura dentro de las características propias del mencionado jugador, muy sacrificado en ese sentido[22].

El rol de Juan Alberto Schiaffino dentro del campo de juego, podía operar como un arma para lograr el triunfo que para la época era algo maravilloso y factible. Además, se entendía que Schiaffino podía desplegar una doble misión de defensa y ataque. A esta idea, se le agregaba la posibilidad de que estuviesen por delante de Schiaffino cuatro hombres de ataque, pues se depositaba confianza en el buen juego y los pases profundos y bien dirigidos hacia los delanteros. Detrás de los delanteros y de Schiaffino estarían los tres medios y William Martínez.

Se depositaba las esperanzas en Schiaffino. Se esperaba de él, apoyo a la defensa y al ataque. Junto a Schiaffino, podría apoyar el juego Javier Ambrois. De ese modo, los delanteros quedarían abiertos y adelantados esperando con el campo a su frente; para intentar penetrar con velocidad a la defensa húngara.

La profundización de estos aspectos tácticos dentro del campo de juego, según la prensa:

podría muy bien proporcionarle a nuestro equipo las aperturas necesarias, para que con goles se llegue a concretar lo que es hoy aspiración de todos nosotros, y por cierto también de ustedes, la inmediata clasificación para una nueva instancia final, que de por sí sola estaría ya diciendo de que nuestro fútbol, hoy como ayer y como siempre, no ha perdido nada –pese a sus habituales “apagones”- de las ponderables virtudes que por años y años lo hicieran invencible mundialmente[23].

Capítulo aparte merece la situación de Oscar Míguez. El “cotorra” tampoco pudo ser de la partida. Ahora bien, cabe preguntarnos qué sucedió ya que no estaba lesionado y fue excluido del equipo. El Día publicó una nota bajo el título “No parece atinado el presunto remplazo de Oscar M. Míguez”. De todos modos, antes del partido no se dio a conocer muchos datos sobre la exclusión de Míguez, e incluso hoy sigue siendo un enigma. Esto se convertirá en un factor para explicar la derrota de Uruguay y lo veremos en el próximo apartado.

Finalmente Uruguay salió al campo de juego de la siguiente manera: Máspoli; Santamaría y W. Martínez; Rodriguez Andrade, Carballo, Cruz; Souto, Ambrois, Schiaffino, Hohberg y Borges.

5) Hungría 4 – Uruguay 2: las repercusiones en la prensa

Cuando se hicieron las 18 horas de aquella recordada tarde lluviosa del 30 de junio, el árbitro galés Benjamín Griffith dio comienzo al “match del siglo” en el Estadio de “La Pontaise” de Lausana. El marco era espectacular, unas 45.000 personas en el estadio.

Brevemente diremos que el partido estuvo a la altura de las expectativas, todos coinciden en que fue un sensacional encuentro. El primer tiempo finalizó 1 a 0 a favor de los húngaros, con gol de Czibor. Hidegkuti aumentó diferencias a los 3 minutos del complemento. Pero dos goles de Juan Eduardo Hohberg a los 75 y 86 le dieron dramatismo al encuentro. En tiempo complementario, Hungría sacó diferencias gracias al potente juego aéreo de Kocsis y con dos goles (a los 112 y 116) eliminó toda esperanza de los uruguayos de llegar a la final y por primera vez caía vencido en un campeonato mundial tras 21 partidos invictos, pero dejando una muy buena impresión. Veamos las repercusiones del partido en los titulares de los diarios locales:

Derrota con Honor. El once uruguayo en Jornada Adversa, luchó con denudo” (30 de junio, El Diario).

Perdiendo ante un formidable equipo, los celestes salieron aun más engrandecidos” (1 de julio, La Tribuna Popular).

Cayó Uruguay, tras una lucha titánica” (1 de julio, La Tribuna Popular).

Un match histórico e inolvidable” (1 de julio, Justicia).

Los húngaros se fueron con la Victoria y los uruguayos se llevaron la gloria” (1 de julio, El Día).

Indudablemente fue el mejor encuentro del Campeonato” (1 de julio, El Día).

Los celestes vencidos tras memorable demostración” (1 de julio, El Día).

Significado excesivo tiene la cifra 4-2” (1 de julio, El Día).

Fue una derrota que enaltece al perdedor” (1 de julio, El Día).

También ayer los maestros uruguayos dictaron su lección” (1 de julio, El Diario).

El espectáculo tuvo el brillo esperado” (1 de julio, El Diario).

“Match histórico y maravilloso”, se afirma sin dudas” (2 de julio, El Diario).

Algún día tenía que ser y ello ocurrió un 30 de junio” (6 de julio, Fútbol Actualidad).

Así caen los campeones!” (6 de julio, Fútbol Actualidad).

Perdimos… ¡Y fuimos inmensos! Cada vez que toque perder, ¡que sea así!” (6 de julio, Fútbol Actualidad).

 

Luego de la lectura de los titulares anteriores, percibimos que queda una idea contundente acerca de lo implicó la primera derrota de los uruguayos: Uruguay perdió pero fue una derrota honrosa y digna de destacar. Esto idea fue adquiriendo fuerza y es lo que queda de aquel recordado partido. Pues bien, ¿Qué sucedió el 30 de junio que hoy se sigue resignificando aquella derrota?

Algunos recuerden el aspecto estético del encuentro, consideran que el “match” fue todo belleza, y a pesar de la derrota,

los uruguayos han demostrado que saben perder con gran elegancia y faltó muy poco incluso, para que la formación uruguaya, confirmando una vez más que se vuelve un adversario temible cuando “las cosas van en serio”. Saliese vencedora de esta semifinal que los diarios de aquí han calificado de “atómica”.”[24]

Otros plantean que el partido pasó a ser inolvidable por la emoción del mismo, sobre todo producto de la rebeldía uruguaya. Justicia señaló que ningún equipo era capaz de mantener en alto la moral de acero y a pesar de estar perdiendo; incluso logró acorralar al rival en su campo hasta empatar el partido, allí se volvió a confiar la victoria. En consecuencia, planteaban que “los muchachos celestes que supieron caer como caen solamente los campeones, los que realmente son grandes en la noble lid del deporte[25]. Este argumento, se reiteraba también en El Diario, cuando el corresponsal en Berna afirmaba que quizás nunca se había visto un partido tan maravilloso, puesto que los uruguayos lograron remontar el resultado.

Sin dudas, el partido sigue siendo recordado por convertirse en modelo de encuentro cargado de vicisitudes y de caballerosidad de los futbolistas, ya que los hechos violentos eran reiterativos en la época y este encuentro no tuvo nada de eso:

Se hablará durante mucho tiempo de él. Quizá siempre que se quiera poner como ejemplo, como modelo, un partido en el que ha habido de todo: jugadas insuperables, duración del match, corrección de los jugadores, caballerosidad deportiva y amor propio en el que la emulación nunca dejó pasar a la violencia[26].

Ahora bien, durante los días posteriores surgió la necesidad de construir un relato interpretativo sobre la derrota. Para explicar una derrota en fútbol, tenemos tres posibles líneas explicativas: la primera, se basa en la superioridad técnica y táctica del rival, es la más usada y aceptada; la segunda, tiene que ver con la falla de algún aspecto, ya sea por ausencia o una mala jornada de los futbolistas; y la tercera, tiene que ver con factores externos que se transforman en adversos, ya sea por condiciones climáticas, errores arbitrarios, etc.

El semanario Fútbol Actualidad publicó una serie de extensas notas interpretando el resultado del partido. ¿Por qué perdió Uruguay? Para sus periodistas, la derrota se explica por fallas en el plantel: primeramente, ausencia de Oscar Míguez (excluido por los dirigentes) y jugadores lesionados. Segundo, la mala tarde de Roque Gastón Máspoli. Tercero, cansancio del equipo.

En primer lugar, el plantel sufrió bajas sensibles tras el partido contra Inglaterra, fue duro y difícil. Aquella tarde, Uruguay triunfó, pero queda la sensación que fue una “victoria pírrica”, ya que se lesionaron Abbadie y Obdulio Varela. A esa situación, se le agrega la exclusión del “cotorra” Míguez para el partido semifinal.

Esa situación es explicada mediante la injerencia de los dirigentes Tróccoli y Viappiana, que al parecer estaban indignados con el jugador por motivos que no quedan muy claros. Antonio García Pintos señala que el desempeño de Míguez no fue el mejor durante el torneo, pero siempre fue considerado un elemento valioso. Los motivos expuestos por el dirigente Viappiana radicaban en que

… no sólo había jugado mal, sino que además, en la práctica realizada esa mañana, se había comportado grotescamente… sin voluntad. Como si no tuviera ganas de jugar[27].

Para García Pintos, la exclusión de Míguez fue consecuencia de una sanción y no por motivos técnicos:

Lo que sabemos, el enojo contra él, nacía de lo que se entendía su falta de fibra y su comportamiento, desganado, en una práctica sin importancia, realizada 30 horas después de haberse jugado un partido tremendo!!…[28].

Se considera que la falta de Míguez fue un hándicap para el rival, y se pagó caro en el partido porque Hohberg no tenía quien le enviara la pelota.

En relación al desempeño del portero Máspoli, el director de Fútbol Actualidad señaló que el jugador fue responsable de la derrota, ya que estuvo flojo y pudo haber evitado al menos dos goles. De todos modos, se exime a Máspoli las culpas y solamente se lo responsabiliza. Orlando Bugallo, periodista del mismo semanario escribió duramente sobre Máspoli:

le pido perdón a Máspoli por decir esto. A él le estoy agradecido por el glorioso regalo que me hizo en el 50 y por los de tantos internacionales; repito que no es crítica severa, por eso que le debo y porque sé que su deseo en ese encuentro fue el de realizar la mejor performance de su campaña… pero si él hubiera jugado bien ¡hay que ver la confianza que hubiera infundido ello a sus compañeros! nosotros ganamos el campeonato… ¡Sin golero no se puede jugar! ¡Y yo sé que él piensa como yo![29].

El tercer factor empleado, tiene que ver los aspectos físicos del equipo. Se entiende que Uruguay perdió por falta de preparación física. En cambio, Hungría tenía un estado físico increíble y los uruguayos no pudieron hacer frente a ello.

La conjugación de los tres factores, fueron empleados para explicar el resultado, e incluso algunos plantearon que trajo aparejado la limitación del buen juego que se había hecho hasta el momento. A partir de esta instancia, estamos en una etapa de procesualización del acontecimiento, esto supone, que con el correr de los días se fue procesando el resultado y todo lo que ello implicaba.

Finalmente, Antonio García Pintos definió el resultado como un fracaso y planteó que desde allí, surgió la necesidad de revisar todo el fútbol uruguayo:

-para Uruguay es desastre perder, cuando debe ganar; abdicar el título de mejor del mundo, cuando se le puede retener con justicia-, debe llevarnos una revisión total de nuestro fútbol. De arriba abajo. Y, en esta revisión de valores, debemos entrar nosotros, los críticos, que también respiramos en el ambiente viciado de errores, de complacencias y de politiquerías…[30].

Consideraciones finales.

Luego de realizar la recorrida por la prensa local durante los días previos y posteriores a la primera derrota de la selección uruguaya en un campeonato mundial, ¿Qué opinión quedó en los uruguayos?

El mundial de 1954 marca un antes y un después. En primer lugar, porque el partido significó la primera derrota celeste. Pero la derrota se inmortalizó y pasó a ser recordada por su trámite vibrante y cambiante; caracterizado por la belleza y el buen fútbol. Esta idea será la que se retomará desde el 30 de junio de 1954, cada vez que toque perder, se pretende que sea de esa forma; con un equipo dando lo mejor de si dentro del campo de juego, luchando hasta el final, luciendo buen fútbol, demostrando caballerosidad y asumiendo la derrota. Por otro lado, en consecuencia de lo anterior, el partido cumplió las expectativas y realmente fue “el match del siglo”. Uruguay estuvo a punto de vencer al rival estelar del momento que estaba en su mejor época. Después de la revolución húngara de 1956, el equipo “magyar” se disgregó y nunca volvió a tener la misma fuerza.

En segundo lugar, queda la idea del fin de un ciclo exitoso para los uruguayos. Desde que se comenzó a procesar la derrota, muchos periodistas entendieron que era necesario cambiar en varias dimensiones al fútbol uruguayo. Esta idea será retomada una y otra vez en cada uno de los sucesivos fracasos del fútbol uruguayo. Fue tal el impacto de los títulos conquistados por la selección uruguaya en la primera mitad del siglo XX, que no salir campeón pasó a ser fracaso.

Finalmente, en 1954 pesaba y mucho la idea de que se perdió la semifinal porque hubo fallas en la conformación del equipo por la ausencia de futbolistas como Oscar Míguez, Obdulio Varela y Julio Cesar Abbadie y por la mala tarde del arquero Máspoli. La prensa nacional a lo largo de la segunda mitad del siglo XX recurrirá a relatos interpretativos para explicar derrotas deportivas que en general versan en torno a la ausencia de piezas claves en los planteles; o por la mala actuación de alguna figura relevante.

 

Fuentes

  • El Día, Montevideo, junio-julio de 1954.
  • El Diario, Montevideo, junio-julio de 1954.
  • Fútbol Actualidad, Montevideo, junio-julio de 1954.
  • Justicia, Montevideo, junio-julio de 1954.
  • La Tribuna Popular, Montevideo, junio-julio de 1954.

[1] Ponencia presentada en Jornadas Uruguay y los Mundiales desde el sur, en la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación (FHCE), UdelaR. Junio 2014.

[2] “Así caen los campeones”. “Fútbol Actualidad”, Montevideo, 06 de julio de 1954, p. 12.

[3] “Detalles respecto al sorteo”. “El Diario”, Montevideo, 28 de junio de 1954, p. 8.

[4] “Fueron sorteadas las semifinales”.  “Justicia”, Montevideo, 28 de junio de 1954, p. 3.

[5] “Ante los invencibles, la celeste no puede caer…”. “La Tribuna Popular”, Montevideo, 28 de junio de 1954, p. 1.

[6] “Uruguay, único que puede batir a los húngaros”. “La Tribuna Popular”, Montevideo, 30 de junio de 1954, p. 13.

[7] “Uruguay se juega hoy su carta decisiva”. “Justicia”, Montevideo, 30 de junio de 1954, p. 3.

[8] “El match de Latinoamérica contra Europa se llama al cotejo Uruguay V. Hungría”. “El Diario”, Montevideo, 28 de junio de 1954, p. 8.

[9] Ibídem. P. 8.

[10] “Europa frente a América”. “El Diario”, Montevideo, 29 de junio de 1954, p. 6.

[11] Contrario a esta idea, algunos entendían que la continuidad del mismo plantel solamente era un elemento relevante, dejando de lado los aspectos técnicos. Desde Fútbol Actualidad, Luis Schiappapietra opinaba “en los húngaros no hay secreto ni milagro alguno. Lo que da gran valor a su juego son los 4 años juntos”.

[12] Ante los invencibles, la celeste no puede caer… P. 1.

[13] “Radiografía deportiva de los Magyares. Lo que surge de una comparación con los uruguayos”. “El Día”, Montevideo, 30 de junio de 1954, p. 12.

[14] “Uruguay no deberá ceder ni un palmo ante este enemigo. Disposiciones tácticas necesarias”. “El Diario”, Montevideo, 29 de junio de 1954, p. 6.

[15] “Los celestes saben de duras jornadas”. “El Día”, Montevideo, 30 de junio de 1954, p. 12.

[16] Esta idea también la percibimos en una nota publicada por Antonio García Pintos, quien fuera el enviado especial a Suiza por Futbol Actualidad. El periodista estuvo presente en el encuentro por fase de grupos entre Hungría y Corea del Sur. La delegación uruguaya asistió a mirar el encuentro y García Pintos destaca el siguiente episodio en un apartado de la nota titulado “Ordenes de Moscú”: “Estaba siete a cero. Los del “young boys” –los suizos,- estaban entregados… Pero había pasado como diez minutos y no había más goles. Los húngaros habían errado dos o tres shots… Y de pronto, por los parlantes se oyó una voz, diciendo más o menos: Puf Ahic Auff Ein… Bunter, Bunter…

Y, casi en seguida, Puskas agarró la pelota y como desesperado, corrió veinte metros, dribló a un contrario y tiró violentamente alto, marcando el octavo gol.

Y me dijo William: – Viste… vino la orden de Moscú…”. “Los muchachos mirando a los húngaros”. “Fútbol Actualidad”, Montevideo, 17 de junio de 1954, p. 3.

[17]La Verdadera Historia de la Derrota”. “Fútbol Actualidad”, Montevideo, 6 de julio de 1954, p. 3.

[18]Tenemos que defender a Sudamérica”. “Fútbol Actualidad”, Montevideo, 29 de junio de 1954, p. 6.

[19] Hubo un episodio que se dio a conocer después del partido Hungría y Uruguay. En una entrevista que le realizó A. García Pintos a C. Kabocsai (uno de los técnicos de Hungría), confesó que no se sorprendieron de la lucha impuesta por los uruguayos ya que siguieron atentamente todo lo que hacía Uruguay y que en cada encuentro de los celestes habían tres observadores húngaros. Pero además, un periodista, Georges Imrei, afirmó que también filmaron con repetidas proyecciones las acciones de los jugadores uruguayos, a efectos de analizar sus características. En: “filmaron los movimientos de cada jugador celeste!”. “Fútbol Actualidad”, Montevideo, 6 de julio de 1954, p. 2 y 6.

[20] Ante los invencibles, la celeste no puede caer… P. 1.

[21] “Uruguay no deberá ceder ni un palmo ante este enemigo…., p. 6.

[22] Ibídem. P. 8.

[23] Ibídem. P. 8.

[24]Perdiendo ante un formidable equipo, los celestes salieron aún más engrandecidos”. “La Tribuna Popular”, Montevideo, 1 de julio de 1954, p. 12.

[25]Un match histórico e inolvidable”. “Justicia”, Montevideo, 1 de julio de 1954, p. 5.

[26]”Match histórico y maravilloso” se afirma sin dudas”. “El Diario”, Montevideo, 2 de julio de 1954, p. 7.

[27]La Verdadera Historia de la Derrota”. “Fútbol Actualidad”, Montevideo, 6 de julio de 1954, p. 3.

[28] Ibídem, p. 3.

[29]De haber jugado bien, seríamos campeones”. “Fútbol Actualidad”, Montevideo, 6 de julio de 1954, p. 3.

[30]  La verdadera historia de la derrota… P. 22